Coffee with Quinn Fabray
10 Preocupação
Notas iniciais
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Ah e uma coisa, gente eu sinto muito mais eu não vou correr com a fic e fazer brotar do nada o romance da Quinn e da Rachel aqui na fic não, pela primeira vez eu não to me pressionando a correr com ela e por mais que eu sei que tenha gente querendo ver as duas juntas logo, vocês tem que ter paciência e entender que nem todo romance surge do nada, leva tempo. Espero que me entendam.
New York – 06 de Fevereiro – AADNY – Segunda — Campus – 15h19min
- Então não vamos nos ver amanhã? – Você perguntou em um muxoxo e ouviu a respiração pesada de Quinn na outra linha. – Já não vamos nos ver terça-feira que vem.
Dizem que a maneira que você passa o seu aniversário dita como será o resto ano. Até então, estava tudo normal. Isso até essa manhã quando Quinn te ligou avisando que não poderia encontra-la no dia seguinte para o habitual café das terças-feiras. Era um pouco frustrante não ter a companhia dela uma vez por semana quando isso já tinha virado um costume e já não bastasse você estar cheia de coisas pra fazer, ensaios atrás de ensaios para a peça “A vida de Angelique Benoîte” e agora isso.
- Me lembra de novo o motivo. – Pediu confusa.
- Dia dos Namorados. Finn prometeu que viria uma vez que o superior dele deu folga de dois dias para todos verem suas famílias. – Hesitou na resposta, Finn nunca era uma opção de conversa entre vocês, as coisas ficavam estranhas e agora que sua vida tomava o rumo que sempre sonhou estava ficando desconfortável defender seu namorado quando o que sua amiga dizia soava mais sincero. – Quinn, onde você vai passar o dia dos namorados? – Você nunca realmente tentou essa conversa com a loira antes, nunca ouve a necessidade de perguntar se Quinn estava ou não com alguém.
- Em Yale, no meu quarto, ouvindo músicas água com açúcar e pintando, quer algo mais romântico que isso? – Indagou rindo.
- Porque não vem pra NY e fica com Santana?
- Porque ela provavelmente vai sair, beber e acabar na cama de alguém.
- Certo... hm, você não vai mesmo me dizer o porque não vamos nos ver amanhã? – Tentou outra vez, desde que ouviu a voz de Quinn uns quinze minutos atrás percebeu que algo não devia estar muito certo. Tinha a voz arrastada, parecia... cansada.
- Não é nada Rachel... eu só estou ocupada, é isso. Veremos-nos daqui a duas semanas então, certo? Eu... tenho que desligar.
- Ahh.... tudo bem. Qualquer coisa me liga ou manda sms.
- Yeah, um beijo Ray, até.
- Até. – Fim da ligação.
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19h00min – AADNY – Refeitório
Suicídio. É, você estava considerando isso a uns quinze minutos quando seus pés estavam te matando, a roupa começava a te deixar com dificuldades pra respirar e você não aguentava mais ouvir os gritos de Valentina – a coreógrafa da peça – por você e Brandon nunca acertarem a marcação no palco. Isso era a minutos atrás, agora você só queria continuar viva por mais um tempo, pelo menos até comer os dois sanduiches naturais a sua frente.
- Come devagar Rach, o sanduiche não vai fugir de você. – Kurt avisou rindo enquanto folheava alguma revista de moda, o fato é que estava até verde de fome que nem terminou de engolir um pedaço do lanche quando mordeu outro.
- Desculpe, to sem colocar nada no estomago desde o almoço. – Pediu constrangida voltando a comer normalmente.
- Precisa desacelerar, os ensaios mal começaram e você já ta pegando pesado. Porque não vai dormir?
- Pra que? Não vou levantar cedo mesmo e eu garanto que não vou pregar o olho. – Bufou irritada.
- Você não ia ver a Quinn? – Arqueou a sobrancelha finalmente te olhando.
- Ela não pode, disse que estava ocupada.
- E o que tem? Vocês podem se falar por telefone e pode vê-la na semana que vem.
- Não, se esqueceu que é dia dos namorados? Finn disse que viria.
- É claro, porque ele cumpre todas as promessas que faz de vir pra cá. – Comentou em sarcasmo que você preferiu ignorar.
- Quer parar? Eu to preocupada com ela, Quinn não parecia estar bem.
- Paranoica. – Kurt sussurrou mais foi o bastante para você escutar e direciona-lo um olhar afiado. – Liga pra Santana. – Você arqueou a sobrancelha cética. – Pelo amor de Deus, se Quinn tem alguma coisa, o que eu duvido, ela vai saber.
- Como se Satã realmente fosse me falar alguma coisa. – Você resmungou enquanto pescava o celular procurando o numero da latina, não demorou a acha-lo.
- Alô? – A voz do outro lado da linha era relativamente baixa e arrastada.
- Santana?
- Que merda você ta me ligando Berry? – Perguntou irritada.
- Santana, você ta bêbada? – Você olhou direta para Kurt que tinha a sobrancelha arqueada.
- Cala a boca. Eu tinha acabado de dormir, o que você quer?
- Se você acha que vai superar a Brittany enchendo a cara todo dia, não vai. – A linha ficou muda por um ou dois minutos, sabia que Santana não responderia aquilo. – Você é uma inconsequente e por mais que eu esteja preocupada com você não é por isso que eu te liguei. Quero saber sobre Quinn, ela me ligou hoje avisando que não poderíamos nos ver, ela estava estranha e semana que vem Finn vai estar aqui para o dia dos namorados, também não poderei vê-la, eu preciso saber o que aconteceu com ela. – Terminou num único fôlego, ouviu a latina resmungar e bufar por fim.
- Não sei hobbit, eu não sou babá dela. Quem sabe ela tenha se enjoado de você. – Alfinetou com desdém.
- Santana, por favor. – Pediu em suplica.
- Eu ainda não fiz um curso de vidente Doby, por mais que você e Puck achem isso, deve ter algo haver com a Beth, eu não sei, liga pra ele Sherlock. – A linha ficou muda no segundo seguinte e então um barulho chato apitou na linha. Santana tinha desligado na sua cara.
- O que ela disse? – Kurt perguntou curioso.
- Antes de desligar na minha cara? Que talvez possa ter haver com Beth e mencionou Noah. Eu sinceramente não entendi nada. – Meneou a cabeça de leve, o garoto a olhou e fez um movimento indicando o celular outra vez, você digitou o número novamente.
- Sério que você não vai desistir? – Rosnou cerrando os dentes.
- Se você me explicar o que Noah e Beth têm haver com a Quinn. Claro, eu sei que ela é mãe da Beth e engravidou do...
- Cala a boca Berry que esse discurso eu já conheço. Liga para o Puck, eu vou desligar.
- Não, espera. – Quase gritou arrancando um olhar de Kurt. – Eu não tenho o telefone dele, pode me passar, por favor?
- Vai me deixar em paz depois disso? – Você murmurou em assentimento. – Então pega uma caneta anã. – Você sorriu pedindo a Kurt a caneta que estava em sua mão anotando o numero em uma das paginas da revista que ele tanto olhava, recebeu um olhar feio em troca.
- Obri...
- Tchau Berry. – Fim da ligação.
- Ela tem prazer em desligar na minha cara. – Deu um sorriso sarcástico já digitando o número de Puck, chamou uma, duas, nove vezes. – Ele não atende, deu na caixa postal.
- Vai tentando. Santana disse que tem haver com a Beth. Não tem nem ideia do que possa ser? – Perguntou enquanto você tentava outra vez.
- Não, naquela época Quinn estava no quinto mês de gestação? Acho que é isso, não me lembra de nada. Caixa postal outra vez. Olha, eu vou tomar um banho, se eu conseguir falar com ele te falo depois.
- Tudo bem. – Deu-lhe um beijo na bochecha e partiu para o dormitório, estava cansada e preocupada. O que mais precisava era de um banho para ver conseguia relaxar.
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O toque do celular era incessante e já começava a irritar. Barbra já entrava na terceira ou quarta estrofe de My Man — seu novo toque de celular — quando você saiu do banheiro quase escorregando e tentando secar os cabelos enquanto atendia o aparelho.
- Alô? – Atendeu ofegante.
- É o Puckermann, você ligou para o meu celular. – Respondeu cauteloso tentando identificar de quem era a voz feminina.
- Noah? É Rachel Berry.
- Princesinha judia? Sentiu saudade do Puckssauro? – Perguntou num tom malicioso, você revirou os olhos e soltou uma risada.
- É bom falar com você outra vez, mas não liguei necessariamente por isso. Você sabe o que aconteceu com a Quinn? Falei com Santana a pouco e ela pediu para que eu tentasse descobrir por você, disse que poderia ter algo haver com a Beth.
- Hn... porque você quer saber? – Indagou confuso.
- A algum tempo Quinn e eu mantemos contato, nos vemos toda semana e eu iria vê-la amanhã só que ela cancelou. Quinn parecia estranha no telefone e eu me preocupei.
- Nunca pensei que fosse ouvir essas palavras. – Vocês dois compartilharam uma risada. – Dia 7 de fevereiro Quinn e eu ficamos sabendo que Beth seria Beth, quero dizer, que era uma menina. A Fabray não fica muito bem nessa semana, foi por isso que pedi para Santana dar um jeito de manter contato com ela por uns dias.
- Mais fácil você ter pedido a Brittany. – Sua voz era repleta de sarcasmo. Santana só se preocupava com ela mesma. – Era só isso que eu queria saber, muito obrigada Puck. Ahh, desculpe... como você está?
- Não se preocupe, to levando numa boa. E com a Beth, sua mãe me deixa vê-la quando eu quero. – Você sentiu que ele estava sorrindo e sorriu junto, fazia tempo que não via Beth, da ultima vez a menina estava linda.
Flashback
Você franziu a testa em choque. Santana decidiu comemorar a ‘volta’ para o Glee Club com o dueto Broken Strings – James Morrsion ft. Nelly Furtado e até parecia uma boa ideia porque a voz de Santana de certa forma combinava com a música, o problema realmente foi o par dela nesse dueto. Finn quis mostrar que as coisas iriam ser diferentes e se ofereceu para cantar junto com a latina que realmente torceu a cara para aquilo mais aceitou. A questão é que Finn tava errando a melodia e a entonação da música a todo o momento, era um erro porque ele não conhecia a música realmente e não tinha preparo vocal. O resultado foi todos desinteressados exceto Brittanny que olhava Santana com cara de apaixonada e você que fazia o papel de boa namorada e tinha um sorriso forçado no rosto. Isso não impediria de você falar com ele mais tarde e obriga-lo a tomar mais aulas de voz. Felizmente para a alegria de todos a performance não durou muito já que Shelby entrou na sala atrapalhando.
- Desculpem meninos. Eu não queria interromper mais é um pouco importante. Will, posso ter a palavra um minuto?
- Claro Shelby, fique a vontade. – Assentiu sentando-se no banquinho do piano ao lado.
- Vim me despedir, principalmente de vocês meninas. – Direcionou o olhar para cada uma dos membros do que um dia foi as Troubletones. – Acreditem quando digo que fizeram do meu tempo o melhor aqui no McKinley.
- Porque vai embora Sra. Corcoran? – Mercedes deu voz ao questionamento de todos.
- As coisas ficaram um pouco... complicadas. – Olhou diretamente para Quinn com culpa, a loira abaixou a cabeça levemente constrangida. – Só quero que saibam que tenho orgulho de todos vocês. – Redirecionou o olhar para todos da sala se demorando em você que apenas lhe sorriu contida. – Estou indo para a Carolina do Norte. – Olhou outra vez para Quinn vendo que a loira tinha um olhar de desespero no rosto. – Quinn... eu trouxe Beth para que possa se despedir. – A loira assentiu quieta enquanto Puck entrava pela porta com a bebê, Beth estava com um vestido branco, linhas vermelhas sem forma detalhavam o pano macio. Quinn se aproximou devagar da menina com um sorriso inseguro no rosto, a menor lhe olhou com curiosidade e levou as mãozinhas até apertar o nariz da mãe biológica que riu emocionada. Todos na sala observavam a cena atentos e com adoração.
- Hey você. – Sussurrou levando a mão as costas da menina que naturalmente soltou o pescoço de Puck em direção ao de Quinn que a pegou com segurança. O garoto de moicano as olhou sorrindo e deu um beijo na testa de Beth. – Eu vou sentir sua falta, sabe disso não? – Murmurou no ouvido da menina não deixando que ninguém mais escutasse. – Um dia você vai entender o que eu fiz e vai tentar me perdoar, porque você vai crescer e vai ser melhor que eu. – Beth pareceu sentir as palavras de Quinn seja o que for que tenha dito por que se acomodou entre os braços da loira com um bocejo.
- Rachel. – Shelby lhe direcionou um olhar que você entendeu perfeitamente o que quis dizer. A verdade é que ela já tinha ido conversar com você no dia anterior e sabia que possivelmente essa era a ultima vez que a veria. Você se aproximou com cautela a abraçando. Não durou muito, foi o bastante para olhar Quinn e Beth e sentir uma pontada de inveja por querer ter aquilo com Shelby. Quando se separaram viu a mulher pigarrear em direção a Quinn que a olhou e assentiu.
- Eu te amo. – Moveu as palavras na orelha da menina sem vocaliza-las. Beth a olhou e abriu um sorriso ao que Quinn deixou cair algumas poucas lágrimas pincelando o nariz da menina, depois a bochecha e em seguida a bicando na boca. Com cuidado a colocou nos braços de Puck outra vez, deu-lhe um ultimo beijo nos olhos e saiu da sala sem dizer nada. O silêncio ainda imperou pela sala momentos depois quando Puck se despedia da filha silenciosamente e Shelby ia embora com a menina. Depois disso, Mr. Schue não teve outra saída se não dar por fim a aula, você só voltou a ver Quinn dois dias depois.
Fim do flashback
- Rachel, cuida da Quinn pra mim? – Pediu num tom protetor, sabia que com tudo o que passou, o garoto tinha uma ligação diferente com a loira.
- Claro. Eu preciso desligar, foi bom falar com você outra vez Noah. Até.
- Se cuida princesa judia. – Fim da ligação.
Sufocante. Essa foi a sensação quando a linha ficou muda, só agora parou pra pensar o quanto sentia falta de Puck, ou de Tina que tinha sido tão boa amiga, até mesmo de Mercedes que apesar de algumas rivalidades fora muito importante durante o período no McKinley. NY era assustadora, no tempo que precisou sobreviver sem Kurt ao seu lado estava aterrorizada, as pessoas pareciam andar mais rápido do que os segundos podiam contar, eram mal-humoradas, alienadas e incrivelmente independentes. Você era apenas uma “caipira” entre eles, quando Kurt apareceu é que as coisas pareceram se acertar, agora se sentia parte daquele mundo, era como se sempre tivesse morado ali. Suas memórias ainda estavam intactas e por mais que não se visse em Lima, sentia falta dos seus pais, seus professores e seus amigos.
- E então? – Kurt perguntou assim que atendeu o celular.
- Consegui falar com o Noah, tem haver com a Beth, digamos que essa semana não seja muito fácil para Quinn.
- Digamos? – Seu tom demonstrava curiosidade e você revirou os olhos, não queria deixar Kurt a par do real motivo. Kurt não tinha nada haver com isso, nem Santana que era a melhor amiga de Quinn sabia, deixar seu melhor amigo a par desse assunto parecia tão... errado.
- Não quero falar, é um assunto apenas entre eles. – Pediu cuidadosa, não queria que Kurt interpretasse mal.
- Tudo bem. Você vai vê-la?
- Estou pensando se é uma boa ideia.
- Porque não tenta? O máximo que ela vai fazer é pedir pra você voltar.
- Acho que eu não tenho nada a perder.
- Boa sorte com ela Rach, e manda beijos.
- Obrigada, vou desligar, preciso realmente dormir. Boa Noite! – Desejou enquanto puxava o pijama da gaveta.
- Boa Noite Barbra. Tenha bons sonhos. – Você sorriu com aquilo e desligou o celular, já havia feito a higiene pessoal e agora era só colocar o pijama de algodão, relaxar a mente e dormir. O dia amanhã previa ser longo.
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New Haven – 07 de Fevereiro – Terça-feira – Yale – Dormitório – 9hh30min
O que você tava fazendo ali? Essa pergunta tava martelando na sua cabeça desde que pisou em Yale. Não dava pra voltar atrás agora que tava na portaria do prédio dos dormitórios, mais também faltava coragem pra ir adiante.
- Oi... eu vim visitar uma aluna, Quinn Fabray. – Você disse assim que viu uma garota no que parecia ser uma portaria, olhou o nome no crachá: Margareth.
- Você é visitante?
- Sim. – Respondeu hesitante.
- É o terceiro andar subindo as escadas. – Apontou o começo de uma espiral. – O quarto é o 26, se não achar pergunte a alguém, provavelmente a monitora da manhã está andando pelos corredores. Se Quinn não estiver no quarto pode espera-la por aqui ou sentada em um dos bancos la fora. – Apontou novamente os bancos do lado de fora, havia alguns alunos conversando ou lendo.
- Obrigada. – Assentiu para a garota que não parecia ter mais que 25 anos e seguiu pelas escadas. O nervosismo pelo que podia estar por vir era sufocante e não ter ideia de como Quinn estava e de como reagiria quando te visse ali era de certa forma angustiante. Quinn mudou muito e você reconhecia mais qualquer pessoa tem seus momentos de instabilidade. 22, 24, 26... Você viu o número na porta e suspirou aliviada por não ter dificuldades de achar, exatamente quando ia bater viu a porta sendo aberta e por ela sair uma garota de cabelos vermelhos vivos, quando se virou te olhou em curiosidade.
- Quem é você?
- Meu nome é Rachel Berry, estou procurando Quinn Fabray. – Foi direta endireitando a pose.
- Hm... já ouvi falar de você, meu nome é Sophia. – Apresentou-se sem estender a mão, a garota olhou pra trás novamente onde a porta já estava fechada e saiu de perto da porta passando por você. – Ela está la dentro, pode entrar. – Você assentiu enquanto a menina saía em direção as escadas.
Você encarou a porta outra vez esfregando as mãos pela sua calça jeans, o tempo la fora estava frio e pedia algo mais quente, por isso optou pela calça, uma blusa de manga comprida, uma bota e um sobretudo roxo por cima. Você notou a plaquinha com o nome Quinn Fabray e Sophia Lauren, respirou fundo enquanto girava a maçaneta da porta. O quaro estava escuro pelo fato das cortinas tamparem qualquer claridade que pudesse entrar, ainda sim era o suficiente pra você ver superficialmente o que tinha no quarto, não era muito maior que o seu, a diferença é que ao invés de um beliche havia duas camas, cada uma perto de uma parede, um guarda-roupa embutido a parede e ao lado o que você suspeitou ser o banheiro, havia alguns quadros pendurados pelas paredes e dois criados-mudos, ambos com um abajur. O que destoava no quarto era o cavalete armado enfrente a cama perto da janela, a tela descansava contra o suporte e você não hesitou em espiar o que havia ali, estava meio coberto por um lençol branco e você só pode notar alguns traços. Da tela seus olhos vaguearam pela cama, sua atenção foi diretamente para o colchão. Quinn estava deitada com o braço sobre os olhos e tinha a respiração calma, não dava pra ter certeza se ela estava ou não dormindo. Aproximou-se com calma da cama e sentou-se na beirada do colchão, incerta se deveria chama-la.
- Quinn. – Chamou baixo colocando sua mão por cima da mão que descansava sobre a barriga. Quinn parecia acordada já que rapidamente retirou as mãos do rosto piscando furtivamente para te olhar. Você se assustou um pouco e soltou a mão de Quinn, entrelaçou suas próprias mãos as descansando sobre o seu colo.
- Rachel? O que está fazendo aqui? – Suspendeu o corpo se apoiando na cabeceira da cama, ajeitou o travesseiro atrás das costas se fazendo mais confortável.
- É terça-feira lembra? – Sua explicação não fez efeito, Quinn arqueou a sobrancelha cética. – Ok, eu fiquei preocupada com você, eu liguei pra Santana que não me falou quase nada, depois liguei para o Noah e meio que fiquei sabendo das coisas... desculpe. Eu só queria te ver. – Deu de ombros com a cabeça baixa, começava realmente a pensar que não tinha sido boa ideia ir até ali.
- Ray. – Suspirou em tom de advertência. – Deveria ter ficado em NY.
- Você disse que me deixaria entrar na sua vida e justamente quando tem essa oportunidade você me afasta. Isso não é um progresso Fabray. – Reclamou com um bico nos lábios.
- Eu disse que ia fazer isso aos poucos. – Bronqueou em resposta e você a olhou um tanto quanto decepcionada, perdeu as contas de quantas vezes a loira já te viu quebrada, quando era com ela suspendia um muro a própria volta. – O que Puck te contou?
- Que hoje tinha sido a data de quando descobriu o sexo da Beth. – Quinn desviou os olhos para qualquer outro canto. Você a observou bem e notou que Puck tinha razão sobre o que disse, Quinn tinha um aspecto triste e cansado, os olhos estavam um pouco fundos e pareciam levemente avermelhados, provavelmente passara um bom tempo chorando. Esperou paciente até que a garota lhe olhasse outra vez, as mãos pálidas se direcionaram até o criado-mudo ao lado pegando um envelope.
- Aqui, pega. – Você a olhou com interrogação mais mesmo assim pegou o envelope pardo. Abriu com o maior cuidado puxando o conteúdo, Quinn nesse meio tempo ligou o abajur iluminando um pouco mais o quarto. – Isso é...
- A ultrassom da Beth. – Assentiu fungando, você a olhou de relance e voltou os olhos para a imagem. Não podia ver muito e na imagem havia as diretrizes de para onde olhar, de um jeito estranho você pôde entender o que Quinn sentia quando olhava aquela imagem.
- É incrível. – Quinn assentiu com um sorriso fraco. – Q, se arrepende de ter dado Beth para a adoção.
- Ela está saudável e é feliz. Não importa se eu tenha me arrependido ou não Ray, foi o melhor pra ela. Enlouqueci quando vi Shleby com ela ano passado e quase cometi um erro. Eu to aprendendo a me perdoar pelas coisas que eu fiz e quando eu fizer isso eu posso pensar em tentar ter a Beth outra vez na minha vida. – Você sentiu um gosto amargo na boca com aquilo, era estranho ver Quinn naquele estado porque nem mesmo quando ela estava grávida pareceu tão quebrada. O gosto amargo também era pelo fato de que Shelby estava envolvida e você ainda não tinha se curado do fato de perder sua mãe mais uma vez.
- Me deixa te ajudar ok? Você prometeu. Santana foi egoísta por nem sequer oferecer ajuda, ta afundada nos próximos problemas.
- Aposto que ela vai me mandar uma mensagem dizendo que eu posso gritar com ela se eu precisar. Ela meio que faz isso desde aquela época. – Ela sorriu segurando a sua mão que você já ia levar para cobrir seu rosto que deveria estar vermelho. – Ela não te contou porque acha que eu deveria contar, Puck está longe e provavelmente te disse para que tenha alguém de olho em mim. Suponho que você tenha explicado o porquê queria saber não é? – Assentiu em resposta. – Santana e Puck devem achar que eu posso me matar a qualquer momento. — Riu sem humor.
- Não brinque com isso. – Bronqueou séria.
- Obrigada por ter vindo. – Disse de repente e você sentiu algo aquecer com aquelas palavras, um sorriso ganhou seus lábios e fora retribuído pela loira que estendeu os braços. Você se aferrou nos braços da mais alta passando toda a força que achava que Quinn precisava.
- Sempre que quiser. Agora... se não se importa eu estou com fome e eu posso apostar que você não tem nada descente no estômago. Vem? Eu pago. – A loira assentiu com a expressão um pouco mais leve, pediu para que a esperasse se trocar e você assim o fez. Com curiosidade você andou até o cavalete meio coberto e o descobriu. As poucas linhas que tinha visto quando entrou tomava as formas de uma criança no colo da mãe, podia apostar que quando acabasse seria a réplica de Quinn com Beth. – Me mostra quando acabar? – Você perguntou assim que a porta fora aberta, o lençol já cobria parte do desenho.
- Terá de me cobrar. – Sorriu divertida. – Vamos? Já posso ouvir os barulhos na sua barriga, por Deus que não esteja grávida. – Fingiu desespero, você lhe deu uma bolsada no braço enquanto ria.
- As vezes você é tão idiota Fabray. – Compartilharam uma risada antes de sair do quarto, podia dizer que agora se sentia muito mais leve ao ver o sorriso no rosto de Quinn. Definitivamente, não havia nada que a loira não superasse.
Notas finais
Bien, reviews? Me deixem saber o que estão achando.
Ahhhhhh e obrigada pela indicação, fiquei com sorriso bobo quando vi. *-*
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