Coffee with Quinn Fabray
11 Ela sempre tem perguntas.
Notas iniciais
_______________________________________________________
As reviews estão respondidas.
Ps: A frase "É Macbeth e Lady Macbeth, um dos casais mais apaixonados da história" é de autoria da @DiannaSarfati...
Ah e antes que me esqueça, sugiro que leiam o capitulo com essa musica http://www.youtube.com/watch?v=f0T3WAbU6tg Kelly Clarkson - Already Gone
New Haven – 14 de Fevereiro – Yale – Terça-feira — Dormitório – 13h20min
– “Eu não vou poder ir, sinto muito, Finn”.
– Quer parar de ler isso? Já é a sexta vez desde que você chegou aqui. – Quinn pediu calma enquanto molhava o pincel.
– Desculpe, estou sendo uma chata. – Você a viu sorrir divertida. – É só que eu não me conformo de ter recebido só essa mensagem.
– Não se esqueça do cartão de “Feliz dia dos Namorados” em anexo.
– Obrigada por me lembrar. – Respondeu com sarcasmo fechando o notebook com raiva. – Pode ter acontecido alguma coisa grave.
Kurt tinha avisado e você preferiu ignorar. Quem sabe ele viesse dessa vez? Finn havia prometido outras vezes que iria até NY e sempre ocorria um imprevisto, dessa vez não tinha sido muito diferente. Passou parte da noite acordada olhando as horas a todo o momento no celular e quando dera 5h00min decidiu levantar porque não conseguia mais dormir. Iria vê-lo no aeroporto quando se lembrou de um e-mail que devia ter olhado no dia anterior, antes não o tivesse feito, havia um e-mail de Finn que dizia: Eu não vou poder ir, sinto muito, Finn. E em anexo vinha um cartão animado com a frase “Feliz dia dos Namorados”, você nunca se sentiu tão frustrada. A próxima coisa que você fez foi pegar o celular, uma bolsa e o passe para New Haven.
– Já tentou ligar pra ele? – Perguntou sem tirar os olhos da tela.
– Ele não atende. Kurt também já tentou.
– Ele deve estar bem Ray, te mandou e-mail não foi? E Finn está no campo de concentração, não tem com que se preocupar.
– Acho que tem razão... o que está pintando? – Pediu curiosa.
– Não estávamos falando sobre o seu namorado? – Sorriu divertida.
– E você não está mudando de assunto? Oh, desculpe, não foi uma pergunta, você está mudando de assunto. – Afirmou irônica arrancando risos de Quinn.
– Te deixo ver antes de ir embora, não está pronto.
– Cadê sua colega de quarto? É a segunda vez que eu venho aqui e não a vejo, na verdade a vi bem rápido na semana passada.
– Sophia toma aulas extras com o professor que coordena as aulas de comédia, segundo ela o professor anda a estimulando em seu senso de humor, em outras palavras, ela está esperando que ele a convide pra sair, sendo que o professor é gay. – Risadas foram arrancadas de vocês duas.
– Me lembrei foi de Santana no 1° ano secando a bunda do professor de Inglês. Como ela está?
– Levando eu acho.
– Ela e Brittany terminaram então?
– Brittany achou melhor e San não teve alternativa se não aceitar.
– Ela não deveria ter desistido facilmente, faz parecer que Santana não a ama.
– Amor não necessariamente se acaba, às vezes simplesmente se cansa. – Respondeu tranquila. – San e Britt se conhecem a muitos anos Rachel, bem antes do McKinley, eu nem mesma sonhava em entrar la e as duas já tinham essa relação a vários anos... elas sempre tiveram problemas e no final mesmo estando certa quem corria atrás era a Santana, de vez em quando cansa. – Você viu um brilho intenso passar pelos olhos de Quinn e se pegou pensando se havia algo por trás dessas palavras.
– Cansa?
– Ser a única que se importa, a única que parece ver o futuro de alguma coisa, a única a tentar concertar.
– Isso deveria ser mais simples. – Comentou pensativa.
– É simples. – Afirmou com convicção. – As pessoas que teimam em complicar. Namoro, casamento, ciúmes, declarações... apenas desnecessário.
– Não acha que está generalizando?
– Estou? Qual a necessidade de usar uma aliança de compromisso? Eu usei durante o tempo em que estive com Sam e não significou nada alem de que parecia que eu estava presa em uma coleira. Ainda assim não me impediu de traí-lo. O compromisso que você assume é com você.
– E quanto ao ciúme?
– Se duas pessoas estão juntas, é porque elas querem estar assim, uma com a outra... se isso é certo, é concreto, não tem porque desconfiar.
– Então ter um relacionamento, um namoro, um casamento é um erro?
– Quando você não aproveitou nada da sua vida? Sim, a maioria dos relacionamentos acaba porque pessoas são cansativas e é cansativo você estar com uma pessoa todos os dias, vale pra quem mantém relacionamento a distância, isso não funciona.
– E o que funciona Quinn? Sexo sem compromisso? –Disparou debochada, Quinn te lançou um olhar cético e você abaixou a cabeça constrangida. – Desculpe, eu só...
– Pode ser, e por mais que esse tipo de relação acaba desenvolvendo sentimentos não quer dizer que você tenha que nomear. As coisas poderiam dar certo se se vissem apenas quando desse vontade.
– E quando a relação termina?
– É justo que a pessoa fique mal, talvez um pouco perdida, se o relacionamento for longo principalmente. O problema é quando a pessoa decide ficar se lamentando por dias, semanas, até meses, sim eu sou a favor de todos lutarem pelo que querem, só que se você corre atrás e ainda assim não consegue nada, não seria melhor esquecer?
– Não é tão fácil Q., eu passei metade do nosso 3° ano sem o Finn, eu nunca o esqueci e nem acho que conseguiria.
– Porque é no que você acredita e também porque seu namorado naquela época pegou metade das Cheerios para te provocar. Mais a questão é que se você quiser esquecer, você pode, passe uma, duas semanas pensando mais eventualmente você esquece. Minha avó costumava me dizer que tudo na vida passa e tudo tem fim, inclusive o amor.
– Amor. – Refletiu a palavra em voz alta e a loira sentada no banquinho ainda com o pincel na mão assentiu com um sorriso pequeno.
– Você um dia me disse que a diferença entre mim e você é que você sempre amaria o Finn. Você estava errada, as pessoas são mutáveis, inconstantes e passam de um sentimento a outro rápido demais Ray, olhe para os casais de hoje, os mais apaixonados, se ficaram 20 anos juntos já é uma conquista, são raras as pessoas que comemoram bodas. Minha avó se separou do meu avô aos 60 anos porque disse que o amor simplesmente acabou... o carinho pode sim ficar. E da mesma forma que você diz amar o Finn hoje, daqui a algum tempo você pode me dizer que está amando outra pessoa.
– Adoraria saber como você chegou a essas conclusões. – Amenizou a voz voltando à calmaria de sempre.
– Estar com uma pessoa mais velha ajuda a ver as coisas... de outra forma. – Deu de ombros.
– Ta se referindo ao skatista de 40 anos que você namorou no verão? – Quinn soltou uma gargalhada gostosa e você a olhou sem entender.
– Não acredite em fofocas Ray, mais sim, me referia ao Ian que naquela época na verdade tinha 26 anos e não 40. E nós não namoramos, só ficamos juntos durante o verão, o que importa é que ele foi uma peça importante, passei a olhar as coisas pela perspectiva dele e ele me ajudou a descobrir as minhas próprias percepções.
– E como ele era? – Pediu curiosa.
– Ele era desligado, passava longe de ser o cara que comemora data de aniversário de namoro, mais também sabia ser um romântico incurável, não é o cara que me recitava poesias ou que fazia qualquer palhaçada pra me fazer rir. E na verdade eu diria que mais conversávamos do que fazíamos outras coisas.
– Vocês... hm.. ? – Você sentiu a face esquentar pouco a pouco e não ousou terminar a pergunta.
– Sim, algumas vezes. – Respondeu sem se abalar. – Ouça, sabe que aqueles boatos eram mentirosos não sabe?
– Sim, eu sei, ainda que pensasse se realmente algumas coisas tinham pelo menos algo de verdade.
A maneira que Quinn foi parar nas Skanks foi um tanto quanto confuso para os que estavam de fora. Depois que vocês chegaram de NY você e os membros do coral resolveram se reunir quase uma semana depois, era fato que todos ainda estavam bravos com você e Finn, mas decidiriam que seria melhor esquecer e recomeçar do zero. Exceto Quinn, todos compareceram, Kurt foi quem perguntou do paradeiro da loira e você só notou Santana se esquivando da pergunta, os outros não faziam ideia. O primeiro mês das férias de verão havia acabado e foi quando você voltou a ver Quinn e finalmente começava a acreditar que os boatos eram verdadeiros, a ex-cheerio estava com os cabelos pintados de rosa, abandonara os vestidos por regadas, camisetas rasgadas na maioria das vezes, jeans e saias longas de cores escuras e que aparentavam estar sujas, havia também os boatos de que estava com o braço todo tatuado e que tinha piercing em todos os lugares possíveis do corpo, algumas coisas bastante exageradas. Os boatos mais sérios que circulavam por toda a cidade era de que Quinn se embebedava todos os dias, fazia uso de drogas, mexia com armas e passara a se envolver sexualmente tanto com homens e mulheres – e cada vez que você escutava eram pessoas diferentes – ninguém sabia bem como Quinn havia entrado nesse mundo, os religiosos fervorosos diziam que Quinn havia sido possuída, do outro lado se ouvia que a causa era Russel Fabray ter se casado com a mulher tatuada, em outros diziam que era porque Judy Fabray era uma alcoólica e batia na própria filha, o fato era que ninguém tinha certeza e quando Quinn voltou ao normal ninguém ousou perguntar.
– Não dormia com homens e mulheres aleatoriamente e os únicos homens que eu tive na minha vida foram Puck, Sam e Ian. E sim eu já beijei umas duas garotas nessa época e foi absolutamente por decisão minha, precisava me libertar de algumas coisas.
– Imaginei que se um dia soubesse disso, teria sido com a Santana. – Soltou confusa, fato que fez Quinn rir.
– Não é porque Santana é bissexual que quando eu quisesse ter alguma experiência a usasse. Já lhe dei um selinho uma vez ou outra e todas as vezes foram porque ela estava machucada por causa da Britt, mais não passou disso e na época que eu experimentei San não estava falando comigo.
– Se eu ouvisse isso de você a uns 2, 3 anos eu provavelmente diria que você tinha que visitar um psiquiatra.
– Não muda muita coisa de um homem pra uma mulher Rachel, principalmente se a única coisa envolvida for a boca. E o fanático religioso era Russel, não eu. Porque você acha que ele me deixava ser amiga de Santana? Ele não sabia que ela gostava de garotas, minha mãe também é uma fanática religiosa e eu sei que ela desconfiava mais nunca me proibiu de andar com nenhuma das duas. Acho que segundo ela, me criou com a cabeça feita pra não cair em um pecado tão grande.
– Suponho que ela não saiba que você é uma pecadora então. – Indagou com graça.
– Desde o Sam eu não conto mais nada a minha mãe se tratando desse assunto, pais tem a péssima mania de se meter na vida dos filhos, relacionamento é só entre você e a pessoa com quem você está, era um inferno quando Sam ia até a minha casa e minha mãe fazia questão de fazer barulhos para interromper qualquer coisa que estivéssemos fazendo.
– Eu não pensei que com ele tivesse acontecido. Quero dizer... Finn me contou uma vez que Sam foi pedir conselhos a ele e Puck sobre como se manter “calmo” com você. – Murmurou constrangida ao fazer aspas na palavra.
– Hm... foram duas vezes apenas, uma quando ainda estávamos juntos, imaginei que ele não pudesse aguentar esperar mais e fiz a ele esse favor, na outra foi quando a família dele tinha perdido tudo e eu estava de babá dos irmãos dele, os pais levaram as crianças para se distraírem e aconteceu. – Você assentiu em silêncio e ficou repassando tudo o que conversaram, Quinn continuava a pintar enquanto você a olhava. – Pergunte. – Disse sem te olhar e você a olhou surpresa.
– Q... posso perguntar uma coisa? – Sentiu a face esquentar consideravelmente e podia imaginar o quão vermelha você estava. A loira te olhou curiosa e assentiu. – Você acha que.. os artistas fazem amor diferente? Que fazem com muito mais paixão?
– Uhh... você poderia começar a fazer perguntas mais fáceis. – Brincou. – Eu não sei Ray, porque está me perguntando isso?
– Bem, você é uma artista. – Sinalizou a tela a frente da menina. – E você vê beleza onde ninguém mais nota ou acham insignificantes e você coloca paixão nos seus desenhos, suas pinturas, e desde que o mundo é mundo, há sempre a história de que os artistas são os mais apaixonados em tudo o que fazem.
– Você deveria responder, também é uma artista. – Você a viu piscar e um sorriso zombeteiro ganhava a boca rosada.
– Eu sei, mais você tem como comparar. Eu nunca vou saber se eu dava tudo de mim enquanto estava com o Finn, e não foram muitas vezes.
– Depende muito do casal Ray e se os dois estão ou não no clima, pra ser como você sugere tudo tem que ser sugestivo... seus olhos, sua boca, seu nariz, sua pele, seu cheiro. Talvez tenha razão quanto aos artistas serem mais apaixonados no que diz respeito a sexo, mas não vai valer se você realmente não quer estar com a outra pessoa.
– As vezes eu acredito que tenha sido um erro me entregar ao Finn. – Comentou abaixando a cabeça.
– Não importa que já tenham feito, só vai ser a primeira vez quando você sentir que é de verdade. É um erro medir a virgindade pelo rompimento do hímen. Se pra você não foi de verdade, então não valeu.
– Obrigada. – Sorriu apoiando o queixo nos joelhos.
– Pelo que?
– Por conversar comigo, por me dizer essas coisas, obrigada por ser... incrível. – Você a viu corar e riu, era tão estranho ver como a loira ficava corada, sempre imaginou que nada romperia as barreiras que a loira havia imposto. O tom avermelhado se acentuou ainda mais quando você se levantou da cama indo em direção à loira, a segurou no rosto e lhe deu um beijo estalado na face. – Quem são? – Sentou-se em um banco ao lado da menina.
– Não reconhece? É Macbeth e Lady Macbeth, um dos casais mais apaixonados da história. – O reconhecimento chegou até você em instantes, a pintura era muito bem feita e os traços eram suaves dando um sentindo a mais na imagem.
– Quinn Fabray pintando sobre romance, quem diria? Esperava algo mais ao estilo da condessa Báthory. – Exclamou divertida.
– Faço e te presenteio com ele, assim ela pode vir te visitar a noite e se banhar com o seu sangue, soa bem?
– Sádica. – Lhe tacou uma almofada fazendo com que Quinn borrasse o desenho.
– Óh Berry, você não fez isso. = Arqueou a sobrancelha.
– A culpa é sua Fabray. – Reclamou assustada, indo cada vez mais para trás até se encontrar com a porta.
– Vamos ver de quem é a culpa assim que eu mesma tirar seu sangue. – Murmurou com um olhar assassino no rosto, Rachel empalideceu e num ato involuntário levou à mão a maçaneta abrindo a porta.
– Tente se puder Fabray. – Deu um sorriso zombeteiro saindo em disparada do quarto.
– Corre mesmo anã. – Gritou quando a menina desapareceu pelo corredor, enquanto a loira corria atrás da morena via o quanto a falta de exercícios físicos a estava afetando. – Preciso voltar a rotina que eu tinha com a treinadora. – Murmurou enquanto corria atrás de Rachel que já lhe tinha sumido das vistas, pelo visto a baixinha estava mais rápida e mais esperta do que antes. Quinn sorriu consigo mesma e voltou para o quarto, uma hora Rachel ia ter que aparecer pra pegar o notebook e a bolsa, sim, Quinn teria sua vingança.
Notas finais
No mais, quero que você entenda tudo o que eu quis dizer e tente mudar seus pensamentos pelo menos um pouco.
Fale com o autor