Coffee with Quinn Fabray
1 Céu Oscilante
Notas iniciais
Boa Leitura.
New York – 05 de Janeiro – AADNY – Sexta-Feira — Dormitório — 7h00min
Seu primeiro pensamento nessa manhã de inverno é que você realmente precisa comprar outro despertador. Defying Gravity já não parece ser mais a mesma musica que te acalmava ou te deixava de bom humor, você ouve alguém bufar, e sabe que Tracy está se controlando para não te xingar, arremessar algo contra você ou ela mesma quebrar seu despertador. A música entra na terceira estrofe quando você finalmente o desliga.
– Você precisa comprar um novo despertador. – Tracy reclama mal humorada na cama de cima, não foi uma surpresa quando você entrou em seu dormitório pela primeira vez e viu que havia uma cama de beliche, ainda estava vazio e você até teria escolhido a cama de cima mas aí então se lembrou que tem medo de altura.
– Eu sei. – Você economiza nas palavras porque sempre detestou conversar pela manhã com o gosto de azedo na boca, no entanto não há o mínimo de esforço da sua parte para se levantar.
– Rachel Berry se você não se levantar nesse minuto eu vou usar o banheiro primeiro e eu não quero ter que ficar ouvindo suas batidas incessantes na porta. – O tom de ameaça estava de volta na voz de Tracy e você não precisou que ela dissesse mais alguma coisa pra te convencer a se levantar.
Deixar que sua colega de quarto usasse o banheiro primeiro não era uma opção viável. Você aprendeu isso da pior maneira quando chegou atrasada em seu primeiro dia de aula. O fato é que Tracy se perdia no tempo e pouco se importava se estava ou não desperdiçando água, você bem que tentou avisá-la sobre isso, a experiência de passar um longo tempo convivendo com Emma Pillsbury e seus folhetos de ajuda lhe acostumaram a colecioná-los, Tracy havia feito um barquinho com o folheto de “Diga não ao desperdício de água” que você entregou a ela após a primeira semana.
– Estou sem roupas. – Você sentencia frustrada enquanto olha seu guarda-roupas, só o que conseguia ver era alguns bolos de roupas, amarrotadas, sujas, limpas, já não tinha como distinguir nada ali. De certa forma, você deixou de ser tão paranoica com organização, só que isso já era demais.
– Pode usar algo meu, só não se acostume e mande tudo isso para a lavanderia. – A voz melodiosa soou atrás de si. – Como estou? – Você se virou para analisá-la.
Tracy Hunter era excepcionalmente bonita, os cabelos negros longos batiam em sua cintura e eram cacheados nas pontas, tinha a pele clara sem imperfeições, os olhos eram acinzentados, o corpo era esguio, parecia uma modelo. Há pose arrogante fazia com que a maioria das pessoas se mantivesse afastada, no entanto aquilo não era verdade, claro, tinha o gênio forte que muito lhe lembrava a Santana Lopez do Mckinley High, a diferença é que Tracy era muito mais aberta e não se importava com o que as outras pessoas falavam, ou com quem andava, de modo que se sentia bem quando passava os intervalos com a amiga.
– Ótima. – E ela realmente estava, no corpo trajava tinha uma bata azul bebê, uma calça jeans e uma sandália baixa. A maquiagem estava leve como sempre e o cabelo preso por uma presilha.
– Eu sei. – Esboçou um sorriso convencido. – Melhor se apressar garota Broadway, em menos de 15 minutos temos aula, pode dizer adeus café da manhã.
Você quase tropeçou em seus próprios pés diante das palavras da garota. Abriu a parte do guarda-roupa de Tracy e pegou a primeira peça de roupa que encontrou, era um vestido branco com duas listras em azul marinho demarcando a cintura. Não havia ficado tão mal, se apressou em por a sandália estilo boneca e fez um coque mal feito, faltava apenas sete minutos, se apressou em passar ao menos um lápis, pescou os objetos em cima da mesa e saiu correndo porta a fora.
– Rachel Berry, por muito pouco não se atrasa novamente. – Você olha para trás ao ouvir aquela voz então simplesmente revira os olhos ao ver Tracy e Kurt Hummel rirem da sua cara, que você pode apostar, deveria estar tomada pela tensão de que poderia ser um professor.
– Isso não tem graça Hummel. E bom dia para você. – Vocês três entram na sala e se acomodam nas cadeiras do meio, a sala vai se enchendo aos poucos.
– Você precisa arrumar um despertador mais eficiente. Ou então parar de estudar até de madrugada. – Kurt lhe repreendeu e você apenas fingiu que não ouviu, já havia cansado de escutar aquele sermão.
– Ela não estava estudando ontem a noite, estava era vidrada no celular, como se a vida dela dependesse disso. – Tracy comentou com Kurt que lançou um olhar interrogativo a você. Sabe aquela sensação de querer sair correndo o mais rápido que se pode e para o mais longe possível? Você desejaria fazer isso.
– Estava esperando outra vez que Finn te mandasse alguma mensagem? Rachel, você sabe que ele não tem tempo, porque ainda tenta? – Isso te fere, mais com tantos anos aprendendo a disfarçar as emoções Kurt não percebe nada. O fato é que você estava com saudades de Finn, vocês só se falavam ao telefone por 10min durante o final de semana, no mais recebia uma carta semanal dele, só que apenas isso não resolvia a saudade que você sentia, e lhe desesperava que no mês anterior só vieram três cartas, não quatro.
– Depois conversamos Kurt. Sra. Mckbelly já entrou. – Você direciona seu olhar a sua professora, era velha, severa e mente fechada, mas uma das melhores. Kurt também parece prestar atenção no que a velha senhora diz e você agradece mentalmente por isso.
De fato, Kurt Hummel a primeira vista não havia entrado para a AADNY. Um mês depois a direção ligou para a residência dos Hummel afirmando que haviam cometido um terrível engano. Trocaram o nome de Kurt com um garoto que havia sido reprovado, lamentam o equivoco e solicitaram que se Kurt ainda estivesse interessado na vaga para que comunicasse a direção imediatamente. Em menos de uma semana Kurt estava ingressado na AADNY. Você se lembra qual foi a sensação, era um sentimento de que as coisas começariam a dar certo, tudo estava em seu lugar, só faltava que Finn estivesse ao seu lado, você não pedia nada mais que isso.
– Qual a chance de termos o final de semana livre mesmo? – Você pergunta e é mais para si mesma do que para seus amigos.
– Sra. Clinton pegou pesado com o trabalho dessa vez. – Anthony reclamou enquanto mordia um pedaço de sanduiche. Ele é o namorado de Tracy, tinha pinta de valentão apenas por estar no time de basquete, mas não passava de um completo nerd.
– Mais um final de semana trancada em um dormitório com a garota Broadway eu não consigo. – Você quase se ofende, mas é aquilo, suas experiências no Mckinley lhe anestesiaram contra qualquer tipo de comentário ofensivo, esse não era o caso visto que os olhos acinzentados de Tracy tinham um brilho de diversão.
– O que sugerem? – Sua atenção desvia da conversa, você sabe exatamente como aquilo vai terminar, música, bebida e uma ressaca no domingo de manhã. – Kurt, Tracy e Anthony provavelmente iriam para algum bar com música ao vivo, provavelmente Jéssica a garota saxofonista, Jake o futuro roteirista e Luca o cara da tatuagem também iriam, os três eram amigos de Anthony e por convivência acabaram se tornando seus amigos também, ou algo perto disso.
– Rachel, marcamos no bar do Phill as 20h00min no sábado. – Kurt te trás de volta ao mundo real.
– Desculpa gente, mas não vai dar, tenho que terminar meu ensaio sobre Otelo, vou passar o final de semana inteiro estudando. – Você realmente lamentou, é claro que você queria ir mais o ensaio era importante. Tracy apenas revirou os olhos, Kurt ia retrucar... no ultimo segundo ele desistiu.
O dia passou arrastado, metade do seu tempo foi passado em salas de aula, a outra metade você passou na biblioteca e só saiu de la porque a luz começou a falhar, por sorte conseguiu andar até seu dormitório sem enfiar a cara em alguma parede.
Você detesta chuva. Você chega a essa conclusão após ouvir o rugido de um trovão. O céu escuro oscila por um instante e você amaldiçoa sua colega de quarto por lhe abandonar e ficar com o namorado. Onde estava Finn quando ele se faz necessário? No exercito, claro. A pergunta fora retória, mas a constatação faz com que sinta seus olhos marejarem. Seus dedos agora brincam com as teclas do celular, então você aperta a tecla de ligar. Chama incontáveis vezes até cair na caixa postal.
– Só mais uma vez. – Você sussurra, é fácil sentir sua voz embargada, mas não percebeu quando as lágrimas ultrapassaram a barreira e agora escorriam livremente pelo seu rosto. – Caixa Postal.
Mais um trovão, o céu oscila novamente e você se sente soltar mais um soluço em meio as lágrimas. Você repassa sua lista telefônica do celular mais uma vez, dessa vez em busca do numero dos seus pais. Você mal percebe de imediato, mas seus dedos travam em um nome, um número. Você se pega mordendo o lábio de repente. Nervosismo. Chama uma, duas, três vezes, na nona cai na caixa postal então pragueja baixinho. Frustração. Ainda assim você se arrisca, deixa uma mensagem.
– Oi...é a Rachel. – Você suspira sem saber o que dizer exatamente. – Está chovendo. – Afirmação idiota. – Quero dizer, minha colega de quarto está com o namorado agora, Kurt provavelmente está dormindo. E Finn, bom.... o que aconteceu com agente? Você.... você prometeu, lembra-se? Já fazem 4 meses. – Você respira muito fundo, seu estomago esta dando reviravoltas, você jamais pensou que faria isso e quase se esqueceu do porque iniciou essa ligação, mas a rajada de vento contra sua janela e o céu oscilando mais uma vez te lembraram. – Eu acho que só queria ter alguém pra conversar agora... eu sinto muito, por estar te ligando, foi um erro.....sinto muito Quinn. – Fim da ligação.
Notas finais
Bem, me digam o que acharam. Reviews?
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