Notas iniciais
Nunca nada do que eu disser vai ser suficiente para poder compensar todo esse tempo que fiquei sem atualizar a fanfic. Por isso, peço milhares de milhares de desculpas pela demora. O feedback de vocês foi que me deu coragem para continuar algo que eu realmente não queria ter parado no meio. Muito obrigada de verdade! Fiquem com um capítulo muito emocionante, além de enorme para poder compensar todo esse tempo (risos). Recapitulando: Superman entra na jogada. Batman está entre a cruz e a espada. Estelar, totalmente desolada, tem um povo para governar, e Mar'i precisa aprender a controlar os seus sentimentos e tomar sábias decisões para quem sabe salvar a galáxia.

Quando se trata do Superman, sabe-se que não se precisa de nenhuma introdução. Apenas o simples fato de tê-lo no ambiente já define tudo por si só.

Pronto, estava ali nossa salvação. Meus olhos se encheram de alegria, meu corpo quis vibrar e abraçar todo o collant azul e vermelho. Contudo, algo dentro dos meus instintos me fez recuar, me fez ficar calada e totalmente isente da situação. Decidi observar a cena com um pouco mais de atenção: todos os tamaraneanos presentes na caverna, sem exceção, estavam de olho em Estelar e Superman. Pareciam estar tomados por uma fúria sem tamanho, como se apenas uma faísca pudesse pôr incêndio no planeta inteiro. Mas ninguém se pronunciava, nenhum som era emitido.

A vontade que tive foi de quebrar o silêncio gélido com uma baita lição de moral naquela gente. Por que diabos estavam daquele jeito? Bastava um toque do Superman e toda Tamaran estaria de pé outra vez, livre da tal ameaça da Cidadela! Foi então que um breve flashback de uma aula sobre interação planetária do tio Victor venho à tona em minha mente.

Tamaran e Krypton sempre foram planetas inimigos mortais desde eras mitológicas. Não se sabe bem quem começou a guerra entre os dois e nem se sabia se a mesma um dia chegará ao fim. A primeira vez que um tamaraneano e um kryptoriano estiveram em um mesmo local sem se matar foi na Liga da Justiça, quando Koriand’r e Kal-El decidiram dar trégua por um bem maior”, ele disse.

Estávamos ferrados. Todos.

Porém, após uma longa troca de olhares entre os primeiros disseminadores da paz de ambas as raças, a velhinha que horrorosamente me beijou deu um passo à frente de todos os presentes na caverna. Com seus globos oculares de um verde intenso, dobrou o joelho enrugado e abaixou a cabeça, em um gesto de respeito e reverência.

Estamos todos perdidos. Vão destruir Tamaran permanentemente se não aceitamos qualquer que seja a ajuda. É isso o que querem? Que os Tempos Negros voltem? O filho de Krypton é a nossa única salvação. Precisamos aceita-lo*. – Era incrível como as palavras chegavam ao meu ouvido de maneira simples e traduzida. Seu discurso arrepiou-me até a espinha, principalmente quando após seus dizeres, todos os presentes seguiram seu gesto, curvando-se diante de mim, Estelar e Superman.

— É... Parece que não teremos problema. – Superman falou, mesmo que ele não quisesse soar tão irônico.

— Por que está aqui? – Perguntou Koriand’r. Algo nela dizia nitidamente que ela estava implorando por ajuda tanto quanto seus súditos, mas era como se ela estivesse vestida por uma grossa camada de orgulho, uma espécie de armadura.

Mesmo sem querer admitir, era dali que eu havia puxado.

— Richard enviou um sinal de emergência antes de adentrar da atmosfera tamaraneana. Não pude vir antes... A Terra está passando por graves problemas.

— Problemas? – Foi a hora de me intrometer, tomando uma posição próxima aos dois. – O que está acontecendo lá?

Um suspiro longo veio da boca do Superman. Eu não gostei nada daquilo.

— Os invasores estão dominando toda a atmosfera terrestre. É difícil demais de entrar no planeta. Estão atacando o mundo inteiro, devastando tudo. Tivemos de deixar de lutar por outros planetas para protegermos o nosso, todos os super heróis. Como não estamos conseguindo entrar, os Jovens Titãs e o resto que sobrou na Torre Titã são os únicos a lutar dentro do planeta. A situação.... É bastante crítica.

Por um momento, meus joelhos quiseram fraquejar. Ele não queria dizer com todas as palavras, mas algo dentro de mim, o mesmo instinto que segurou minha impulsividade, me fez perceber que era muito provável que eu não pudesse mais voltar para a minha casa, muito menos ver todos os meus amigos vivos... Amigos... Tio Victor!

— Eu preciso voltar! – Quase gritei. – Eu preciso ajuda-los!

— Aqui o poder de fogo deles parece ser mais fraco, como se eles ainda estivessem se estabelecendo por completo. Creio que consigo dar conta desses aqui.

— Não é tão simples quanto parece. – Estelar resolveu voltar ao assunto. – Eles conseguiram me prender e me deixar sem poderes. Sabe o que é isso? – O tom de voz dela era agressivo. – Não acho que nós dois conseguiremos dar conta.

— Mas e Richard? Ele está aqui, certo?

Pela primeira vez, eu e Estelar nos entreolhamos sem ódio, sem amor, sem rancor: somente tristeza.

— Ele foi gravemente ferido. Está em processo de recuperação. Queríamos poder leva-lo a Terra para ser tratado por médicos de verdade, mas...

— Do jeito que as coisas estão, é impossível que ele chegue lá com vida. – Superman completou, seguido de um outro longo suspiro.

O silêncio se fez firme mais uma vez. Firme e cortante.

A Terra imersa em caos, Tamaran em ruínas, um pai na beira da morte e amigos em apuros. Todas essas realidades iam em choque dentro da minha mente. Eu não conseguia pensar claramente, não sabia o que fazer. Ultimamente, eu estava me sentindo como uma criança perdida em um jogo do labirinto. Nem meus poderes estavam ao meu alcance... Por sorte, me restava um último truque na manga, o qual aprendi em um ano e meio de Direito: a esperteza.

— Estelar, Tamaran é um planeta mais do que importante para os Psíons, certo? Eles precisam do Córtex Vega mais do que tudo. Você e Superman deveriam lutar juntos aqui. Ele – Apontei para o mesmo. – é a nossa maior arma. Dê o melhor de si, deem o melhor de si. Os Psíons ainda não são tão fortes quanto os que estão na Terra. Vocês conseguirão proteger esse planeta. Façam isso. – Pedi, tentando ser o mais firme possível. – Como a velha mesmo falou – Olhei por cima do ombro para a pequenina saquinho de rugas ajoelhada – meu pai conseguirá ficar bem. Assim que ele estiver melhor, irá ajuda-los.

— Está muito fantasiosa essa sua cabeça. – Estelar insistia no negativismo. – Se eles conseguiram dar conta de mim sem problema algum!

— Você foi pega desprevenida! – Aumentei meu tom de voz para que ela pudesse escutar um outro ego que não o seu. – Aquilo o que eu vi em nossa fuga no castelo real não foi algo fraco. Você sabe muito bem que pode proteger o seu planeta desses lagartos filhas da puta. – Seu olhar para mim foi de total reprovação pelo meu linguajar, o que me fez rir por uma fração de segundos. Ela seria desse tipo de mãe?

— E enquanto a você, Mar’i? – A indagação de Superman foi mais do que pertinente.

— Eu vou para Terra ajudar a minha equipe. Minha lute pertence a Terra. – Fiquei surpresa com meu rigor. Um sorriso sem dentes surgiu no rosto do maior herói do planeta, o qual apenas assentiu com a cabeça.

— Não ouviu Kal-El? É quase impossível de entrar na atmosfera terrestre! – Estelar lembrou-me.

— Eu irei conseguir. De algum jeito, mas irei. – Firmei minha decisão, ficando frente a frente com o Superman.

— Bom, a nave em que vim está na frente na caverna. Aconselho que vá nela. A base da Liga foi destruída, então não terá como se teletransportar. A única maneira de entrar na atmosfera é se ejetar da sua nave quando estiver próximo do esquadrão de naves que cercam a Terra. Depois disso, é só voar rápido o suficiente... Para não ser vaporizada.

— Bem intimidador. – Soltei a ironia, fazendo Superman rir um pouco. Sua expressão descontraída durou pouco. O que tomou o rosto do herói mais forte do universo após isso foi um tom sério, quase assustador. Era o seu jeito particular de me desejar boa sorte?

Antes que eu pudesse me virar e ir em direção a nave, tornei meu olhar para dentro da caverna, para todos os súditos de Koriand’r que naquele instante me encaravam com uma curiosidade enorme. Só então percebi os passos demorados que minha mãe deu até mim.

— Mar’i... Eu... – Só havia visto aquele seu jeito “fraco” uma vez, que foi justamente quando a conheci. Depois daquilo, ela parecia irradiar mais do que o próprio sol. Suas mudanças constantes de humor eram bastante peculiares. – Nós vamos nos encontrar novamente, fique certa disso. Temos... Muitas coisas para conversar. – Quando eu estava prestes a falar qualquer coisa que poderia ofendê-la de certo modo, suas mãos tomaram as minhas, e de repente, um calor maior do que a aproximação de mil sóis atingiu todos os cantos do meu corpo, principalmente os meus dedos. A pressão foi tanta que o nosso afastar se deu pela força do poder que ela havia depositado em mim.

Eu não entendi bem o que aquilo significou, mas ao olhar para ela e para todos os tamaraneanos, todos eles estavam sorrindo. Assenti com a cabeça, saindo o mais rápido que pude dali. Minhas mãos não paravam de coçar!

Após localizar a nave, não perdi tempo: coordenadas, camuflagem invisível e um só destino: minha casa.

Sair de Tamaran foi um desafio e tanto: precisei lutar contra algumas naves, usando quase toda a minução de armas laser que eu possuía. Se aquilo era pouco comparado ao que eu iria enfrentar... O medo passou a me dominar de maneira mais intensa e peculiar.

A viagem a velocidade da luz veio a calhar. Em um piscar de olhos, eu estava na órbita do sistema solar. Era possível, um tanto ao longe, identificar os destroços voadores do que foi durante vários anos a base da Liga da Justiça. Não pude deixar de sentir tristeza, além de apreensão. Será que... Alguém teria morrido na invasão?

— Mas que porra... – O tremor e a constante coceira nas mãos me fez muda.

Meu olhar não conseguia se estender em comparação a quantidade de naves que estavam ao redor da Terra. O planeta já mostrava aspectos doentios: o azul das águas estava se tornando algo puxado para o marrom. Mesmo de longe, era possível sentir calor. Estavam acabando com tudo sem um pingo de dó. Por breves segundos em que fechei os olhos para ver se enxergava dentro de mim algum resquício de coragem, eu senti no meu interior o grito estridente de todos os humanos que estavam sendo mortos só naquele instante.

Havia enésimas naves, de diferentes formas, tamanhos e poder de fogo. Além das rajadas de laser que eram disparadas em direção ao planeta, era possível ver de longe alguns corpos miúdos perdidos no negrume do espaço, disparando tudo o que tinham contra as máquinas dos Psíons.

Lanterna Verde, Eléktron, Zatanna, Capitão Átomo... Seus uniformes, poderes e bravura eram passados de geração em geração por seus milhares feitos. Lá estavam eles, totalmente esgotados, mas não fraquejavam por nenhum segundo. Eu direcionei minha nave até eles, eu queria ajuda-los com tudo o que eu tinha! Porém, Hal Jordan pareceu perceber que a nave em que eu estava pertencia ao nosso lado. Por um segundo, pude até jurar que ele sabia quem é que estava pilotando a nave. Sem mais nem menos, ele respirou fundo, fechou seus olhos e evocou uma rajada verde e brilhante gigantesca, abrindo um buraco de destruição bélica.

— VÁ! – Acredito eu, seu grito pôde ser ouvido até por galáxias vizinhas. Entendi seu recado sabiamente, mesmo com uma forte dor no coração.

Ativei a velocidade total da nave e passei voando na velocidade da luz pelo espaço que ele havia deixado para mim. Antes de sumir pelo espaço/tempo, só tive a oportunidade de olhar para trás e vê-lo sendo desintegrado em milhões de pedaços.

Uma lágrima desceu por meu rosto.

Apesar de toda a velocidade que consegui, ainda estava longe dos Estados Unidos. Vários raios poderosíssimos atingiram minha nave, fazendo-a cambalear no ar e pegar fogo por quase inteiro. Foi entre um golpe de desespero e outro que me lembrei que ainda estava sem meus poderes.

Aquilo foi uma loucura, toda aquela invenção, tudo obra do meu ego imenso! Eu estava morta, perdida! Era o meu fim!

Sem ter para onde escapar, apertei o botão de ejetar. Fui arremessada para fora, caindo em tempo real. Sentia minha pele queimar, minhas mãos não conseguiam parar de pinicar. Raios vinham em minha direção, eu estava a vários pés de altura do chão, em uma queda gradativa e com certeza mortal.

Por algum motivo, eu pensei no empurrão que senti ao ter as mãos de minha mãe sobre as minhas. Aquilo me fez gritar, me fez ter raiva.

Me fez explodir.

De repente, meus raios oculares saíram com um poder estrondoso. Além disso, mais raios, estes muito mais longos, maiores e devastadores, escaparam de minhas mãos. Não era como se eu tivesse asas, e sim como se houvesse um campo anti-gravidade ao meu redor. Era ele que me proporcionava o voo. E foi ele que me salvou, me fazendo planar enquanto o poder saia vívido.

O que porra havia acontecido, eu não sabia, porém aquilo me livrou de ser morta. Concentrei-me na queda. Quando já estava perto da cidade, podendo avistar São Francisco não muito ao longe, eu planei. Que saudade que eu estava de poder voar!

Contudo, meu momento nostálgico e de alívio durou pouco. Um raio vindo de não sei de onde atingiu-me bem no braço, fazendo com que eu perdesse totalmente o controle. Eu tentava planar, mudar a direção da queda para o mais próximo possível do mar, qualquer coisa que não ocasionasse uma morte instantânea.

Medo de morrer era normal. Pelo menos, eu achava que era. Além do óbvio, – você simplesmente deixa de existir, é apagado do mundo – haviam questões as quais me cutucavam severamente. E se eu morresse sem ter feito grande coisa? O que eu deixaria para as pessoas que não puderam me conhecer? Ser só mais um tijolo no muro... Era algo que com certeza não estava nos meus planos. Não poderia ser aquele o meu fim.

Ignorei o sangue, a feia crosta que pegava do meu ombro até metade do braço, ignorei a dor e o medo, coisa que eu devia ter feito desde que pisei em Tamaran e respirei fundo, o mais fundo que pude. Usei toda minha velocidade para ir direto até o mar, e nele me joguei e continuei indo fundo até que eu não pudesse mais perceber o reflexo da nave na superfície. Sempre tive péssimos problemas respiratórios, o que me fez quase morrer enquanto me aprofundava pela água de um azul turvo. Contudo, os Psíons não devem ter me considerado grande coisa, pois se foram alguns minutos depois.

Só quando emergi, analisando o local enquanto eu nadava até terra firme foi que percebi o quanto São Francisco estava imersa em ruínas. O céu sangrava em um vermelho puxado para o laranja. Fumaça, fogo e destruição para todos os lados. Enquanto eu dava uma braçada contra a corrente, algum edifício ao longe se despedaçava em ruínas. Os sons se misturavam entre gritos, concreto rachando e o irritante ruído dos lasers que vinham de lugar nenhum.

Eu olhava para o alto tomada pela esperança de ver qualquer que fosse o herói lutando para proteger as pessoas, mas não havia ninguém. O pressentimento mais do que péssimo de que só a morte seria a única explicação para a falta de meus amigos quase que me fez afogar. A visão que tive após finalmente pôs meus pés na areia foi ainda mais devastadora.

A Torre Titã, pelo menos do jeito que a vi desde que nasci, nunca foi muito bonita. Após a dissolução do grupo, apenas meu tio tomou conta do lugar, e bem, era uma torre gigantesca para um meio humano meio robô cuidar sozinho. Algumas janelas se quebraram, a cor se desgastava cada vez mais, mas nada que comprometesse a estrutura ou tirasse a magnitude do edifício. Afinal, era a Torre Titã! Lar dos maiores heróis adolescentes de toda a história!

Nem a estrutura de T maiúsculo havia sobrevivido. O que restava da torre era apenas o toco do tronco da letra. Alguns projéteis de pequenas naves com formato de moto encontravam-se aos pedaços na fachada. A escultura que apresentava a entrada da torre, esta magnífica e repleta dos titãs mais importantes – inclusive Estelar – estava aos pedaços.

Não conseguia mais de maneira alguma controlar meus sentimentos, muito menos o pânico que se instalou dentro de mim ao escutar alguns gritos. Gritos esses que se pareciam demais com os do meu tio Victor.

Corri como uma louca até a torre. O sangue já escorria por meu braço inteiro, sujando minhas mãos e dedos. Eu respirava fundo e até mordia as bochechas por dentro para ver se eu conseguia enganar meu corpo da dor. Em vão, claro.

A poeira misturada com fumaça não estava facilitando em nada para meus pulmões. Eram muitos destroços, além de cacos de vidros pontudos. Se não tomasse cuidado, poderia me machucar ainda mais. O único barulho que se fazia no lugar era o som de algo crepitando, e bem, havia fogo por toda a parte. Grande maioria das fotos do grupo penduradas nas paredes não se encontravam mais no mesmo lugar. De jeito nenhum que eu tinha esperanças de ver o laboratório ou qualquer outro ambiente da torre em estado, pelo menos, considerável. Só percebi que estava chorando quando meu rosto se tornou um pouco mais frio devido às lágrimas. Aquele lugar, de certo modo, havia me tocado. Praticamente cresci ali, aprendendo tudo o que sabia. Tio Victor confiava de que eu pudesse fazer parte dos novos Jovens Titãs. O futuro da equipe poderia ser a única coisa que iria existir, já que o passado estava sendo destruído aos poucos.

De súbito, escutei sibilos grotescos, como se várias cobras estivessem soltas por entre os destroços. Em um golpe forte o suficiente para me fazer rachar uma parede com o impacto, um dos vários Psíons que haviam aparecido de repente estavam a me bater consecutivas vezes. Eu tentava ao menos afastar seus punhos, mas a força deles era absurda, ainda maior dos que eu havia visto em Tamaran. Depois de alguns bons socos na cabeça, eu já estava no chão, sem saber ou entender mais nada.

Mas não... Eu não podia...

Um raio azul acendeu o lugar tomado pelas trevas. Cyborg pulou de dentro do fogo, os olhos – tanto o robótico quanto o humano – repletos de ódio e força. Ele se movia rápido demais para meus olhos machucados acompanharem. Tudo o que eu consegui fazer foi abrir um sorriso por vê-lo. Eu realmente estava incrivelmente feliz por tê-lo visto. Porém, a alegria foi diminuindo quando percebi que ele estava apanhando tanto quanto ou até mais do que eu. Tentei levantar, tentei gritar, tentei soltar nem que fosse um respingo de raio de plasma. Mas nada. Lá estava eu, mais uma vez imponente.

— MAR’I! – Não só tio Victor como também outra voz rachou o ar. Sem tempo para assimilar, consegui apenas deixar congelado em minha memória o R em amarelo do lado esquerdo do peito, seus braços segurando meu corpo e correndo o mais rápido que podiam.

Estavam me levando, me resgatando...

Um brilho forte, talvez da mesma intensidade que o brilho que o teletransportador da Liga da Justiça soltava, apareceu no abrir de duas portas imensas e de metal. Eu conhecia aquele lugar, eu passava ali milhares de vezes no dia, perguntando-me porque não haviam me deixado entrar naquela sala ainda. A sala mais importante de toda aquela torre para tio Victor, para meu pai... Eu estava entrando na Sala dos Heróis.

O estalão que explodiu dentro de mim me fez acordar, me fez perceber que os Psíons perseguiam a mim para a sala e que Cyborg fazia de tudo para que os mesmos não conseguissem. O meu campo de visão ia apertando, as portas estavam prestes a ficar e... Meu tio ficaria. Não!

— Não!! Volte! Eu preciso salvá...

Tudo ficou preto. A porta de fechou. Caí em prantos dos braços do homem que fora ajudante do meu pai o tempo em que estivesse treinando. Podia sentir um último suspiro de amor e de vida saindo do meu corpo, e essa evidência ficou mais forte quando tudo o que escutei depois de morrer espiritualmente foi o grito de tio Victor dizendo: Mar’i, me perdoe.

Notas finais
Mar'i finalmente descobre o que é a sala dos heróis. Pena que não era nada como ela esperava.