Notas iniciais
Eu ficava me perguntando como minha mãe não se sentia desconfortável vestindo um uniforme que a deixava praticamente nua. Se seu cabelo não pegasse fogo enquanto voasse, poderia até mesmo morrer de frio em longas viagens. Encarava seu traje e suas fotos com certa curiosidade, esquecendo muitas vezes do ódio que eu sentia pela mesma, mas então tudo voltava à tona como em um passe de mágica e todas as minhas dúvidas desapareciam.
Só depois de vestir meu traje foi que percebi o quanto meu corpo ficava exposto, o que me causou desconforto no início. Se vestir um macacão brilhante e todo colado tinha sido difícil, imagine um maiô decotado, deixando minhas pernas e praticamente todos os meus seios para fora? Reclamar com tio Victor não era uma opção, visto que parecia estar totalmente satisfeito com seu trabalho. Deixaria o tempo passar, rezaria muito para conseguir me acostumar e com certeza trocaria de uniforme quando entrasse para a Liga da Justiça. Se colocasse todo meu potencial e habilidade em ação, não demoraria muito para que tal evento viesse a acontecer.
Desde que dei de cara com toda a história de reviver os Jovens Titãs, praticamente me obrigaram a ficar vivendo na base da Liga da Justiça, o que sinceramente não achei bem um pouco ruim. A única parte chata era que quase sempre eu estava perdida, e se tinha um negócio que eu odiava bastante era ter que depender dos andróides da nave para ir para algum lugar. Meu quarto era bem simples, contendo tudo o que me era necessário. Eu também não fazia questão de muita coisa. Já havia se passado 3 dias desde a grande reunião que até então parecia que iria mudar o destino de tudo, contudo, não me fora passada mais nenhuma ordem a não ser treinar durante longos períodos de tempo na incrível sala de treinamento intensivo da Liga.
A sala tinha quase a mesma dinâmica que o grande quintal da Torre Titã: vários tipos de perigos eminentes seqüenciados ou misturados de uma maneira bem doida. Porém, as notáveis diferenças faziam tudo ficar ainda mais emocionante e real. Os tipos de ambiente simulados, até mesmo fatores climáticos podiam ser adicionados. Certos tipos de treinamento me obrigavam a salvar pequenos andróides humanóides, e até a maneira de agir diante do salvamento interferia no resultado final da prova. Eu me saia bem em tudo, como sempre. Era só perceber a manha, o que eles tanto queriam e simplesmente deixar todos os meus poderes e técnicas fazerem seu trabalho.
A platéia também me era bem maior: Ricardito havia se juntado ao meu tio na missão de me tornar ainda mais forte. Ele era um herói de inúmeras habilidades e seus feitos ao lado da primeira remessa de Jovens Titãs eram bastante exaltados. Tia Donna falava bastante dele, do quanto o “incrível” Roy Harper segurou a barra mediante a tudo o que lhe aconteceu, e realmente: abandonado pela mulher, filha morta durante as Noites Mais Densas, além de ter perdido o braço direito... Eu não queria ter passado por toda aquela barra. Eu notava um tom de admiração bem diferente quando tia Donna soltava a língua para falar do tal ruivo, mas nunca cheguei a perguntar se existiu algum tipo de romance. O que estava mais do que na cara não precisava de confirmação.
— Mais rapidez nos movimentos, Mar’i. – Ele comentava enquanto me mostrava uma técnica pessoal para aumentar a intensidade de um chute alto. – Você, com todos os seus poderes, consegue distribuir muita força para perna na hora do golpe, então tudo o que precisa fazer é dobrar a qualidade da sua agilidade. Acho que você quer estourar a cara de alguém usando o pé tanto quanto eu já quis isso. – Uma risada nostálgica escapou de sua garganta.
Ao contrário do que se poderia pensar, eu curtia bastante a presença dele. Seus conselhos eram de fato muito bons, possuindo um estilo dinâmico e único. Por mais que a cor ruiva de seus cabelos já quisesse dar espaço para certo esbranquiçado, mais parecia um jovem da minha idade, o que era ainda mais legal.
Por mais que eu estivesse gostando dos treinos e do meu desempenho, vários outros pontos me faziam criar várias interrogações dentro da minha cabeça:
Disseram que eu teria uma equipe. Quando ela iria começar a aparecer? Quando, por Deus, treinaríamos juntos? Até onde eu sabia, era a única hospedada daquela nave imensa e coberta de metal forte.
Disseram que a Terra poderia estar infectada com a radiação do pedaço de planeta, conseqüentemente causando problemas e atraindo os tais aliens que querem acabar com tudo. Se eles precisavam dos Jovens Titãs tão urgentemente, por que diabos estávamos demorando tanto para agir? Quem estava tomando conta da Terra, afinal de contas?
Disseram que a batalha no espaço estava tão crítica ao ponto de precisarem de todos os heróis na linha de frente. Os únicos que eu via pela nave eram somente tio Victor e Roy Harper. O que estava acontecendo? Quem estava ganhando a batalha? O que mais tinham descoberto?
Não ousava a abrir minha boca para fazer qualquer tipo de pergunta, já que eu saberia muito bem que tudo o que eu ganharia como resposta seria somente desaforo ou até mesmo nada mais que silêncio. Um silêncio estúpido que com certeza acabaria com os restos dos meus miolos. Preferi esperar para ver o que acontecia.
Para minha surpresa, não demorou muito.
No fim do meu quarto dia de treino, quando eu já estava me preparando para me dirigir aos meus aposentos, tio Victor me interrompeu: — Preciso que vá até a sala de reunião comigo, Mar’i.
Apenas consenti com a cabeça, deixando a curiosidade crescente de lado.
Ao entrar na sala, não pude esconder a expressão de surpresa seguida por um arqueamento de sobrancelhas bastante peculiar.
A gigante mesa tinha apenas 4 jovens... Ou melhor, 3 jovens e um minotauro. Literalmente um minotauro. Todos eles olharam instantaneamente para mim, como se eu fosse algum tipo de monstro bizarro. Entre todos os presentes, somente um rosto me era bem conhecido: Damian Wayne. Tive de suspirar fundo para conter o ar de raiva, ainda mais depois de perceber sua revirada de olho em minha direção.
— Bom, vamos logo começar com essas apresentações, não é mesmo? – Tio Victor falou, deixando com que sua cadeira flutuasse próximo ao grupo. – Todos vocês já sabem por que foram convocados, então apenas vamos usar formalidades aqui.
De repente, um dos jovens, sendo este uma loira impressionantemente esguia e em boa forma, levantou-se de seu lugar e saltou da altura de sua cadeira até o chão, jogando para trás seus lindos cabelos enquanto andava em minha direção, estendendo a mão enluvada de couro negro para mim. Seu uniforme consistia em uma espécie de maiô com ombreiras, além da simples máscara que se fundia a cor de seus olhos. Toda de preto como a noite, apesar do design “sombrio sensual”, não hesitou em sorrir quando a cumprimentei formalmente.
— Chamo-me Olivia. Mais precisamente, Canário Negro III. É um prazer conhecê-la...
— Estrela da Noite, vulgo Mar’i. – Informei-a, mantendo o mesmo sorriso cordial que ela me apresentava. – Você me parece bem familiar...
— Você deve conhecer o meu pai, Oliver Queen...
Então éramos todos filhos de super heróis? Faltaram-me palavras para tentar descrever aquela situação pouco peculiar. Apenas confirmei com a cabeça e disse algo como “sim, deve ser isso mesmo”.
Logo após isso, a outra garota flutuou graciosamente pelo ar até perto de nós. Sua roupa era um tanto... Excêntrica. Um legging vermelho cobria suas pernas. Na parte de cima, uma espécie de armadura contornava-lhe o busto e os músculos do abdômen, crescendo em todos os adornos até formar ombreiras consideravelmente grandes demais para uma mulher. Uma espécie de tira de tecido escorria das extremidades de ambos os ombros, e para completar ainda mais com toda aquela informação, havia duas espécies de raios saindo de onde seriam suas clavículas, contrastando com os adereços vermelhos em forma de asas que possuía nas costas. Pelas cavidades presentes na região do pescoço, era possível perceber que ainda lhe faltava um capacete, o qual não o estava usando por algum motivo desconhecido. Pensando bem, era até melhor que estivesse sem ele. Possuía feições extremamente fortes, como se tivesse descendido de egípcios. Seu cabelo tinha uma forma engraçada que lembrava muito as “cabeças” dos sarcófagos. Eram de um ruivo muito vívido e chamativo, como se já não bastasse toda a alegoria.
— É um prazer estar na presença de outros jovens heróis. – Cumprimentou a mim e a Olivia com uma pequena mesura, direcionando-se a Damian e ao gigantesco minotauro (UM MINOTAURO!) logo em seguida fazendo o mesmo. – Eu me chamo Avia... – Enquanto ela se apresentava, eu só conseguia pensar em duas coisas: 1 — ela poderia muito bem ser parente do Aquaman falando daquela maneira tão culta e irritante. 2 – tão extravagante e esquisita ao ponto de não reconhecê-la como filha de nenhum outro super heróis. — ... E já que estamos entre “família”, querendo ou não, sou filha do Senhor Milagre e Grande Barda. – É... Explicado. Tive de me conter para não rir.
Já não sabia os outros, mas que eu estava mega curiosa para saber o que porra era aquele bicho enorme sentado em uma das minúsculas cadeiras – se comparado ao seu tamanho -, estava e muito. Percebendo que eu o encarava como quem encara um projeto científico que deu errado, o enorme touro bípede saltou em direção ao chão, e tive quase certeza de que a nave oscilou com a força. Senti-me uma formiga ao seu lado, e acho que para as outras garotas também não foi diferente. Um sorriso irônico surgiu na boca do bicho, que ousou falar alguns segundos depois: — Me chamo Manotaur. É só o que precisam saber. – O tom de voz do meu pai me assustava bastante, mas comparando o dele com o da gigantesca besta à minha frente... Bem, preferia não comentar.
Por mais que os olhares de Canário Negro III e Avia ainda estivessem sobre Manotaur, eu estava realmente intrigada em relação à Damian. Ele parecia não ter adquirido nenhuma seqüela desde o nosso último encontro, o que de certo modo era bom. Por mais que não gostasse dele e fosse indiferente vê-lo morto, ódio gratuito nunca era uma coisa bacana. Eu não o conhecia internamente para saber como ele era no seu normal, mas se aquela cara emburrada, braços cruzados e testa franzida fossem o mais perto de seu normal, eu com certeza não conseguiria passar mais de cinco minutos no mesmo ambiente.
— Ahn... Damian? Gostaria de se apresentar? – Tio Victor perguntou com certo tom de ironia ao perceber que todos nós mantínhamos nossos olhares no pequeno Robin.
Com um estalar de língua e uma acrobacia bem elaborada, Damian foi ao chão. Caminhou até nós, mantendo uma distância considerável.
— Damian Wayne. Meu sobrenome fala por si só. – Deu de ombros como quem não queria nada. – Sou o Robin.
Percebendo meu semblante pouco calmo, tio Victor tratou de vir até nossa direção para nos passar o que pareciam ser instruções.
— Vocês são parte do renascimento dos Jovens Titãs, grupo o qual eu tive a honra de ter participado. A missão de vocês é proteger exclusivamente o planeta Terra das ameaças internas e externas, com foco no nosso problema do espaço.
— Ahn... Sem querer ser pessimista... – Olivia tomou a voz, erguendo o braço para poder falar. – Mas até onde sabemos, a Terra pode está contaminada, certo? Fora todos os crimes que podem acontecer em qualquer parte do planeta... Ainda tem toda essa coisa dos aliens. Acha mesmo que somente nós 5 poderemos dar conta disso tudo?
Pisquei algumas vezes para controlar meus raios oculares. Era difícil manter os poderes em plena calma quando os meus sentimentos estavam todos bagunçados. Aquilo só podia ser uma puta piada de mau gosto. Colocar 4 adolescentes e um minotauro para proteger um mundo inteiro. Pelo o que eu podia julgar, não havia ninguém ali com qualidade ou poderes tão excepcionais quanto os meus para poder cuidar do planeta tão bem quanto eu. Aquilo era trabalho para somente um poderoso fazer, não 3 bobocas, eu e um touro geneticamente modificado. Estava quase abrindo a boca quando toda a sala começou a piscar em tons de vermelho e laranja, além do som irritante que lembrava uma sirene de polícia.
A cadeira de tio Victor voou como um jato até o gigantesco computador no canto direito da sala, e todos nós o seguimos sem mais nem menos.
De repente, um holograma do planeta Terra apareceu na nossa frente, pontuando Gotham em tons de vermelho e preto. Engoli a seco, com medo do que aquela ameaça pudesse significar. Bastou o meu olhar encontrar-se com o olho humano de tio Victor para eu saber que boa coisa não era.
— Rápido! – Ele gritou. – Fiquem em cima da grande mesa!
Mesmo com os vários olhares de interrogação, – o meu era o pior deles – fizemos o que nos foi pedido rapidamente. Não demorou muito para uma luz muito forte tomar conta de nós, e em um piscar de olhos... Sério, foi a viagem mais estranha que já fiz em toda a minha vida!
Estávamos na Terra. Mais precisamente, no campo de milho destruído pelo pedaço de planeta que já não estava mais lá.
Não tivemos tempo para ficar surpresos com a então viagem no tempo nem com a ausência do pedaço de planeta. Até porque havia várias... Eu não tinha nenhum adjetivo em mente para definir aquelas figuras. Elas saiam de dentro da Terra, como uma espécie de mortos vivos ressurgindo de seus caixões. Seus corpos eram semelhantes a formas humanóides, fora os braços extras, que variavam de 4 a 6. Suas cabeças tinham um aspecto bem parecido com o de um réptil. Asquerosos, totalmente asquerosos.
Eles mal saiam da terra e automaticamente já aparentavam ter uma incrível estrutura física, além de serem muito altos, mais ou menos da estatura de Manotaur. Caminhavam em direção a cidade com rapidez, e a cada vez que um se acostumava ao solo terrestre, mais dois brotavam do chão. Em poucos minutos, eles teriam um exército relativamente grande.
Sem pensar duas vezes, Manotaur saiu de perto de nós e foi com tudo em cima de duas aberrações, as jogando para longe, o que não me deixou tão impressionada assim. Grande daquele jeito, super força era o que mais se esperava. Como se aquela atitude tivesse marcado o início do que nós deveríamos fazer, Avia tratou de voar o mais alto que pôde, e de longe eu pude ver o capacete tomando conta de sua cabeça como se aquela sua armadura tivesse vida própria. Ela começou a girar cada vez mais rápido, criando uma espécie de furacão. Tive que fincar bastante meus pés no chão para não me deixar abater pela força do vento. Mais parecendo uma arma da natureza, o furacão de Avia começou a sugar as malditas criaturas, tratando de matá-las dentro de sua própria armadilha.
Aquilo sim foi bem impressionante.
Enquanto os ventos sopravam literalmente ao nosso favor e Manotaur metia porrada, alguns dos monstros começaram a perceber que nós estávamos causando distúrbios na força, o que fez com que uma pequena parte deles mudasse de direção e viessem para cima de mim, Canário e Robin.
Este último não se deixou abater, exibindo seu bastão de metal enquanto se preparava para luta. Canário Negro III, por mais que parecesse somente uma mocinha muito bonita, estralou os dedos de todas as mãos e partiu para a luta, mostrando fluidez e agressividade em cada golpe.
Aqueles eram os Jovens Titãs lutando.
E eu? O que porra eu estava fazendo?!
Foi ali que percebi o quanto as emoções me influenciavam. Isso a mão nojenta que surgiu do nada agarrando meu pé.
Eu fiquei totalmente estática. Não por medo ou coisa do tipo, mas por como o perigo nos havia vindo. Então aqueles eram os tais ETs? Quer dizer que eles reproduziam no solo através de radiação? Minha mente parecia querer raciocinar mais e lutar menos, a fim de tentar de uma vez por todas desvendar aquele mistério, aquela raça...
Aquela nova ameaça.
Só passei a reagir quando uma quantidade ainda maior de monstros começou a sair do chão, e a fronteira entre as fazendas e a cidade já estava ficando lotada de tantas figuras asquerosas. Tomei impulso no ar para ficar em uma altura considerável e então saí destruindo um por um com meus raios oculares, ajudando até os heróis que não precisavam de mim. Enquanto eu variava entre voar e lutar, lançar raios e estourar cabeças com o pé, Manotaur tentava matar os que já estavam prestes a invadir a cidade. Percebendo que o mesmo precisaria de ajuda, Avia prestou-lhe socorro.
— Eles são muitos! – Gritou Damian de um lado.
— E não param de surgir mais! – Olivia complementou enquanto usava as pernas para dar uma chave de pescoço no monstro que tentava devorá-la.
Por mais fracos e nojentos que parecessem, aquela raça desconhecida estava se provando forte, resistente e muito boa para reprodução. Precisávamos de um ataque em massa, que acabasse o mais rápido possível com os malditos.
Foi então que uma idéia brilhante me surgiu.
Sem avisar nada nem coisa do tipo, voei até Robin e Canário Negro III. Tomei-os – um pela capa e a outra pelo braço – a fim de levá-los para algum lugar alto, distante e seguro, o que acabou sendo o teto de uma caixa d’água próximo.
— O que está fazendo, sua louca?! – Damian gritava enquanto eu os pousava.
— Você verá. Protejam-se! – Exclamei antes de ir à direção de Avia e seu furacão gigante. Sinalizei que precisava falar com ela, o que a parou rapidamente.
— O que houve, Estrela da Noite? – Perguntou, olhando de mim para os monstros que, já sem estarem sendo atrapalhados, avançavam cada vez mais para fronteira.
— Preciso que me deixe dentro de um dos seus furacões. Acha que pode fazer isso?
Pela incerteza em seu olhar, pude perceber que “não” seria a resposta que ela me daria. Contudo, os gritos de Manotaur a fizeram mudar de idéia, balançando a cabeça na afirmativa. Agarrando-me na armadura de Avia, a mesma começou a girar novamente como um peão. Por um momento, cheguei a achar que morreria com o cérebro mais batido que vitamina de banana.
— MANOTAUR! CORRA! – Gritei entre o curtíssimo espaço de tempo entre as voltas. Eu esperava que tinha sido alto o suficiente.
Concentrando-me o máximo que conseguia, ativei meus raios oculares para disparar somente um raio, este longo e inacabável. Pela velocidade e força dos ventos, meus raios se direcionavam para vários lugares diferentes, desde além céu até alguns prédios de Gotham, os quais não considerei na hora da idéia. Mesmo assim, o plano estava dando certo.
A seqüência de raios que passavam por aquele mesmo ponto único onde todos os monstros estavam se concentrando ia partindo ao meio um a um, os fazendo cair e até mesmo recuar, o que já não adiantava mais. Em menos de 7 minutos, já estavam todos mortos, dezenas de dezenas amontoados sem suas cabeças, pernas, etc. Quando Avia finalmente parou de girar e nos pousou no chão, acabei por não ter forças em mim, o que me fez cair como uma pedra na grama machucada. Uma chuva fina começou a cair junto com o início da noite.
— Hey! – Podia ouvir a voz de Olivia ao longe, aproximando-me com dificuldade. Minha visão estava muito embaçada e a pouca luz do local não ajudava, porém ainda era possível ver os dois borrões correndo em minha direção.
— Manotaur está ferido! – Gritou Damian um pouco mais a esquerda, tentando sem sucesso algum sentar o gigante minotauro. Avia voou até lá, me deixando sobre os cuidados de Canário, a qual se ajoelhou ao meu lado assim que chegou e levantou minha cabeça.
Aquela foi minha deixa para vomitar – e muito – ao seu lado.
— Como... Voltaremos... Para casa...? – As longas pausas que Manotaur dava para afastar a dor eram agonizantes até para mim que escutava mal toda a conversa.
— Vou tentar criar contato com Cyborg agora mesmo! – Exclamou Olivia, ajudando-me a ficar sentada. – Fique quieta, Mar’i. Mexer-se só irá lhe prejudicar. – Tudo o que consegui fazer foi piscar os olhos duas vezes, o que fora o mais perto que eu cheguei de lhe dizer “tudo bem”.
Enquanto a loira andava de um lado para o outro com uma espécie de comunicador redondo nas mãos, percebi passos firmes próximos a mim, revelando-me a presença de Damian. Olhando da poça de vômito que se formara ao meu lado para mim, deixou evidente sua expressão de nojo.
— Você deveria pensar melhor na hora de executar seus planos. – Falou.
— Parece que eu sou a única que pensa em algo, já que foi minha idéia que acabou com todos os vermes. – Falei pausadamente, sem esconder a tontura, muito menos o desdém.
— O seu brilhante plano causou estrago em Gotham. Consigo ouvir os gritos daqui. – Apontou para a cidade com o queixo. – E além do mais, Manotaur foi ferido por uma das rajadas de raios que vieram desses seus olhos.
Não consegui ficar parada. Virei minha cabeça em direção a ele e o encarei com todo o ódio do mundo.
Foi quando minha mente processou seus dizeres: ferido por uma das rajadas de raios que vieram desses seus olhos...
Antes que eu pudesse lhe responder ou dizer alguma coisa, a luz incandescente que já me era bem conhecida surgiu, e lá estava eu em cima da grande mesa da base da Liga da Justiça, com a grande maioria dos heróis nos observando.
Inclusive meu pai.
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