Codinome Beija-flor
6 Pra que mentir, fingir que perdoou? Parte final.
Notas iniciais
Tentar ficar amigos, sem rancor...
Saíamos sempre: Bares, praças, shows, festinhas. E aquilo doía muito em mim. Eu não podia suportar a ideia de que o amor da minha vida estava bem do meu lado e que eu não podia fazer nada para voltarmos a condição de amantes. Nunca. Jamais.
Odiava também a ideia dela parecer estar fingindo, como se fosse obrigada a estar comigo, demonstrando felicidade por mera compaixão, parecendo ter vindo para São Paulo por pura pena, medo de que eu me suicidasse sem ela (Tarde demais, eu já estava morto por dentro). As vezes também penso que ela me odeia, torce para me ver morto, talvez não saiba ainda ou até mesmo tenha vindo até aqui para provar para si mesma que esse sentimento de ódio, raiva, não existe. Apenas sua imaginação, talvez seja o que ela quer pensar.
Por outro lado, ver o sorriso dela e saber que eu sou o motivo, me renova, em partes. Vê-la como acompanhante de bebedeiras, me faz moderar, porque na maioria das vezes quero lembrar de tudo que fiz, de todos os abraços com tom de desejo, dos sorrisos exacerbados.
Mas o lado negativo ecoava em minha mente. Vivia sob suspeitas. E se...? Cheguei até mesmo a pensar — diversas vezes — que ela queria se vingar, fazer todo um teatro, para no fim dizer umas palavras e sair por aquela porta, levando meu coração (outra vez), me fazendo sofrer (outra vez), me trazendo sentimento de culpa (outra vez).
O Roberto era quem se sentia culpado dessa vez. Ficou muito mal, por saber que a mulher que falei poucas vezes (mas que tinha meu coração) era a mesma daquela tarde. Eu odiava todas as vezes que ele pedia perdão porque me faziam lembrar daquele dia, da tal surpresa nada agradável, e então eu tinha certeza que ela oferecia seu corpo à outros rapazes. E nenhum deles era eu.
[...]
– Caju, as coisas estão complicando... Você precisa arranjar um emprego. — Roberto, apesar de saber todo o contexto amoroso que vivia, também sabia que a vida não deveria parar por isso. Eu vivia com uns poucos trocados de um seguro desemprego que mal davam pra sobreviver, só para minha cachaça. Acho que ele estava cansado de arcar sozinho com todo o valor do apartamento.
E eu simplesmente concordei. Afinal, nada melhor do que uma independência financeira para quem quer recomeçar, refazer toda sua vida. Mas a insegurança de não saber o que a beija-flor tinha vindo fazer por aqui... Isso ainda atrapalhava um recomeço. Vingança? Tortura? Amor? Paixão? Pena?
[...]
– Beija-flor, você tem que ir embora. — Dias depois, finalmente consegui dizer.
– Mas, meu amigo...
– Você não sabe a tortura que é te ter ao meu lado como apenas mais uma amiga, eu queria mais que isso, e que tudo fosse como era há uns 5 anos atrás. Eu te amo.
Ela beijou-me a testa e sorriu. E então, eu descobri que ela nunca mais iria me abandonar.
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