CodeBreak (Quebrador de Códigos)
2 Encontros Perigosos 1.
Sofia Carter
O envelope parecia comum à primeira vista, mas o conteúdo que ele escondia era tudo, menos comum. Dentro, estavam vários papéis manuseados, algumas páginas com rasuras e outras com carimbos em letras vermelhas que indicavam "CONFIDENCIAL". Havia também fotografias antigas, algumas da minha mãe, Amélia, em situações que eu nunca soubera. Eu reconheci o rosto da minha mãe, mas as imagens falavam mais do que eu gostaria de saber: minha mãe envolvida em algo sombrio, algo que ela nunca havia mencionado.
As primeiras páginas falavam sobre um caso não resolvido de quinze anos atrás, de um assassinato ocorrido em Londres, cujas pistas apontavam para uma rede de corrupção envolvendo pessoas poderosas. O nome da minha mãe estava ali, destacado, com um envolvimento misterioso que ninguém jamais investigara com seriedade. Junto com isso, um relatório de uma antiga investigação que mencionava o desaparecimento dela. As informações eram vagas, mas o suficiente para eu perceber que a mulher que eu lembrava de maneira carinhosa, com o sorriso acolhedor e as palavras doces, tinha um lado oculto que eu nunca imaginara.
Em outra folha, havia um bilhete manuscrito, de alguém que parecia temer por sua segurança, dizendo: "Cuidado com as respostas que você procurar. A verdade pode ser mortal. Não confie em ninguém."
Entre os documentos, eu encontrei um pedaço de papel dobrado. O nome escrito nele era claro: Ethan Blake. Eu franzi a testa ao ler, sentindo uma sensação estranha crescer em meu estômago. Junto ao nome, estava um endereço – uma localização específica em Londres. Mas o que mais me inquietava era a ausência de qualquer outra informação. Quem era Ethan Blake? E por que o nome dele estava conectado a minha mãe, a um caso que eu não sabia existir?
A sensação de incerteza que eu senti quando abri o envelope começou a se transformar em algo mais sombrio – uma necessidade urgente de descobrir quem era Ethan Blake e o que ele sabia sobre a minha mãe. Se ele fosse parte da história que eu nunca soubera, então ele seria a chave para desbloquear os segredos enterrados. Mas isso também significava que ele poderia ser uma ameaça. Eu respirei fundo, a sensação de estar sendo puxada para algo perigoso, algo que não tinha mais volta, tomava conta de mim. Eu sabia que não havia mais escolha. Eu teria que encontrá-lo.
O endereço estava claramente escrito no pedaço de papel: Vino’s Bistro – 22 Old Street, Londres. Eu olhei para ele, confusa. Um restaurante? Como Ethan Blake saberia que eu estaria lá? Não havia um horário marcado, nem uma instrução direta, mas uma sensação de urgência se apoderou de mim. Por que eu tinha a impressão de que aquilo não era apenas um encontro casual, mas algo mais sinistro, uma armadilha que eu ainda não conseguia entender completamente?
A dúvida me consumiu, mas eu não hesitei. No dia seguinte, já vestindo um elegante vestido preto de corte reto, eu decidi seguir o que o envelope parecia sugerir. O vestido era de um tecido leve e sofisticado, com uma fenda discreta na lateral que dava um toque de ousadia, mas sem perder a sobriedade que eu sempre procurava. Para completar o look, eu usei um par de saltos altos pretos que faziam meu caminhar ser impecável e seguro, um estilo sóbrio, mas sofisticado o suficiente para mostrar que eu não estava ali por acaso, mas para algo muito mais sério.
Eu havia me arrumado para me mostrar imponente, para estar preparada para qualquer coisa que esse tal Ethan Blake tivesse a oferecer. Mas, ao mesmo tempo, uma parte de mim estava desconfiada. Quem enviara o envelope? Quem sabia que eu chegaria até ali? Essas perguntas martelavam em minha mente enquanto eu caminhava com os passos ritmados batendo na calçada, se misturando ao som distante dos carros e da movimentação da cidade.
Chegando ao restaurante, eu me aproximei da recepção, onde um garçom me conduziu até uma mesa no canto, perto da janela. Era ali que eu deveria esperar? Com uma leve hesitação, eu olhei ao redor, buscando sinais de quem poderia ser Ethan Blake.
O garçom se afastou, e eu permaneci ali, atenta, os olhos percorrendo cada canto do lugar enquanto minha mente ainda girava com perguntas. Eu não sabia o que esperar, mas estava pronta para confrontar as respostas que finalmente surgiriam, especialmente quem estava por trás do envio do envelope.
O garçom se aproximou novamente, interrompendo meus pensamentos, oferecendo o cardápio. Eu hesitei por um instante, a sensação de não saber o que estava fazendo ali ainda me incomodava, mas, para não parecer fora de lugar, peguei o cardápio com um sorriso cortês. "Obrigada", eu murmurei, mas a minha mente estava longe das opções no menu. Eu apenas o mantinha aberto, os olhos percorrendo as palavras, mas sem realmente registrar nada.
Eu olhava ao redor, como se tentando encontrar algo em cada detalhe – o som suave da música ambiente, o perfume sutil de comida e vinho no ar, as conversas abafadas que se desenrolavam ao fundo. Eu não podia deixar de me perguntar se aquele encontro era uma armadilha ou algo que realmente valia a pena.
Foi então que eu percebi. À mesa mais distante, no canto oposto da sala, havia um homem que me observava com uma intensidade que eu não conseguia ignorar. Seus olhos, um pouco mais fundos e intensos do que eu imaginava, estavam fixos em mim. O homem não se mexia muito, parecia não se importar com o movimento ao seu redor, tudo focado em mim. E eu, quase sem querer, comecei a observá-lo também.
Ele estava vestido com um traje escuro, elegante, mas com algo de estranho. A postura, o modo como ele parecia alheio ao ambiente ao redor, o olhar fixo... Tudo em Ethan Blake parecia estar em desacordo com a leveza do local. Algo nele era pesado, talvez até ameaçador, mas ao mesmo tempo, havia uma calma desconcertante que o rodeava.
Eu não pude evitar um calafrio, mas mantive a compostura. Ele estava ali, e era ele – Ethan Blake. A mesma pessoa que eu havia lido no envelope. Mas o que ele queria? Qual era a real intenção por trás de tudo aquilo? Eu sabia que aquele encontro não seria fácil, mas ainda assim, a curiosidade me impulsionava a permanecer. Ele não havia se movido, ainda estava ali, me observando, esperando.
Eu decidi não olhar mais diretamente para ele, mas os meus sentidos estavam alerta, sentindo cada movimento, cada mudança no ar ao redor. O garçom ainda estava lá por perto, aguardando um pedido, mas eu continuava com o cardápio nas mãos, sem decidir o que fazer.
E então, finalmente, Ethan Blake se levantou lentamente da mesa. A distância entre nós parecia diminuir a cada passo que ele dava na minha direção, e eu não consegui evitar de me preparar mentalmente para o que viria a seguir. Eu ainda não sabia o que ele queria, mas sabia que aquele encontro mudaria tudo.
"Já decidiu o que vai pedir?"
Eu mantive a compostura, sem querer demonstrar o impacto que o tom de voz suave dele, quase como se fosse uma conversa entre amigos, havia causado em mim.
Eu olhei para o cardápio mais uma vez, como se tentasse ganhar tempo, mas sabia que o foco não estava no que estava à minha frente, mas sim no homem diante de mim. Eu respirei fundo e, sem olhar diretamente para ele, respondi com calma:
"Na verdade, ainda estou pensando", eu disse, tentando disfarçar a apreensão na voz. "Mas, por favor, não fique esperando por mim para fazer seu pedido."
Ethan sorriu mais uma vez, mas dessa vez o sorriso parecia carregar um mistério. Ele se sentou à mesa com naturalidade, como se já tivesse feito aquilo muitas vezes. O modo como ele se movia, a suavidade em seus gestos, tornavam tudo ainda mais desconcertante.
"Eu não me importo em esperar", respondeu ele, sua voz tranquila. "Acho que temos muito a discutir antes de fazermos qualquer pedido."
Ele estava ali com um propósito. Eu engoli em seco, tentando manter a calma, enquanto o que quer que estivesse por trás daquele encontro começava a se revelar, ainda que de maneira lenta e cautelosa.
"Bem, eu estava pensando em pedir algo leve", eu disse, gesticulando com a mão em direção às opções no menu. "Talvez um risoto de cogumelos... ou quem sabe um filé mignon com purê de batatas? As opções aqui parecem bem interessantes, mas... não sou muito boa em decidir quando há tantas escolhas."
A risada de Ethan escapou de maneira espontânea, a diversão evidente em seu rosto. Ele parecia achar graça da situação.
"Você é boa em mais coisas do que parece", disse ele com um sorriso, colocando o cardápio sobre a mesa e inclinando-se ligeiramente para frente. "Mas, antes de nos perdermos em risotos e filés, que tal começarmos do começo?"
Ele fez uma pausa breve, como se estivesse ponderando suas palavras, antes de olhar nos meus olhos com um olhar curioso. "Como é o seu nome?"
Ethan sorriu novamente, mas dessa vez seu sorriso parecia mais medido, como se ele já soubesse a resposta, ou talvez fosse uma maneira de mostrar que ele estava no controle daquela conversa.
Eu tentei dar um tom leve à situação, sorrindo de forma descontraída enquanto ajeitava a posição na cadeira. "Bem, já que estamos aqui, que tal fingirmos que já nos conhecemos e você chegou um pouco atrasado? Assim, evitamos levantar suspeitas sobre o motivo do encontro." Eu disse isso com um sorriso forçado, tentando parecer natural, mas algo na situação ainda parecia desconfortável.
Ethan inclinou-se ligeiramente para frente, como se ponderasse a sugestão por um momento, e então, com um brilho de diversão nos olhos, ele disse, "Ou talvez possamos ir mais longe. E se fôssemos marido e mulher? Um reencontro de longo prazo. Seria uma boa desculpa, não acha?"
Eu não sabia exatamente o que esperar dele, mas a proposta parecia ter me agradado de algum modo. Ao ouvir a sugestão de Ethan, uma parte da minha mente alertou para o quão absurdo aquilo parecia, mas outra parte, provavelmente pela tensão e pela necessidade de manter as aparências, me fez balançar a cabeça de forma nervosa, sem perceber o que estava fazendo.
Concordei com um movimento quase imperceptível, uma aceitação sem palavras, apenas um leve aceno de cabeça. A ironia da situação não passou despercebida para mim, mas, naquele momento, eu não estava totalmente pronta para questionar o jogo que Ethan parecia querer jogar.
Ethan se inclinou levemente para frente, sua voz baixa e sussurrante, como se estivesse compartilhando um segredo. "Então, o que achou do presente?" Ele olhou para mim com uma expectativa silenciosa.
Surpresa pela pergunta, arqueei uma sobrancelha, sem entender imediatamente a que ele se referia. "Presente?" Eu comecei a responder, mas não tive tempo de continuar, pois o garçom chegou à mesa, interrompendo o momento. Ele estava ali de forma quase espontânea, como se já soubesse que os pedidos estavam prestes a ser feitos.
Ethan, sem hesitar, virou-se para o garçom e fez seu pedido de forma rápida e decidida, "Traga um vinho tinto, por favor. E o prato especial da casa." Ele escolheu com uma confiança que parecia natural, como se estivesse ali mais vezes do que eu imaginava.
Ethan, com um leve sorriso, observou o garçom se afastar, nos deixando novamente a sós. Ele se recostou na cadeira, olhos fixos em mim, e então, com um tom descontraído, perguntou: "E então?"
Eu não queria parecer muito curiosa, mas a situação exigia alguma explicação.
"Eu ainda não entendi o que você quer de mim."
....
Fale com o autor