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11 Passado Parte 6


Lucy acordou com a voz de sua mãe a chamando.

—Mãe...É sabado...

—Mas filha, você não vai ao parque hoje?

—É só as sete...- Fala cobrindo a cabeça com o edredom.

—Você acha que vai desse jeito?!

Lílian empurra Lucy da cama. Elas tomam café da manhã.Enquanto Lucy fica na sala assistindo TV sua mãe fica procurando a roupa perfeita para ela.

—Mãe! Não é um casamento...

—Minha filha vai estar linda no seu primeiro encontro...- Disse cantarolando.

—Mãe! Não é um encontro...- Falou constrangida.

Sua mãe a ignora e continua a procura.

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Skytte estava tão ansioso que teve problemas para dormir. Depois que acordou, não sabia o que fazer. Ele se arrumou e passou o resto do dia andando de um lado para outro.

—Acalme-se filho, até parece que nunca saiu com uma menina antes.-A mãe de Skytte disse rindo do filho.- Tenho certeza que você já fez isso umas mil vezes.

—Dessa vez é diferente...

Mirela para de lavar a louça e olha para ele com um sorriso malicioso.

—Não me diga que você se apaixonou...

Skytte olhou para o chão sem graça.

—Ai Meu Deus! Você se apaixonou pela doce e pequena Lucy!- Ela pulava de felicidade. — Finalmente vou ter uma nora decente. Meus netinhos vão ser tão lindos...- Disse sonhadora.

— Mãe!- Skytte gritou vermelho.- Não é isso... É que ela é meio louca e não sei direito como ela vai reagir...

—Sei...- Disse com um sorriso sínico igualzinho aos que Skytte faz.

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Já havia esperado por trinta minutos , tudo bem que havia saído vinte minutos mais cedo. Mas custava muito a Lucy se adiantar um pouquinho mais? Skytte andava de um lado para o outro em frente ao parque de diversões.

Foi então que ouviu gritos atrás dele. Lucy corria afobada. Skytte se virou pronto para brigar com ela, mas foi só a vir para perder as palavras. Ela estava linda.

Usava um vestido florido, tão leve que parecia que estava flutuando. Seus cabelos loiros estavam presos em um coque bagunçado com um delicado prendedor cheio de pequenas margaridas.

—Desculpa...- Falou apoiando as mãos no joelho e suspirando.- Minha mãe não me deixava sair nunca...

Skytte continuou em silencio. Estava em choque.

—Tudo bem com você ?

—Ahn...Ahnn...- Tentou inultimente formular alguma frase.

—Skytte?! — Lucy pergunta preocupada.

—Oi?

— Skytte! — Fala brava. — Qual o seu problema?

—Nenhum. — Diz tentando esconder seu constrangimento. -Vem vamos logo...

Ele sai andando e Lucy tenta acompanhar seus passos.Eles passam na bilheteria, Skytte entrega os ingressos e entram no parque.

— Vai mais devagar... — Lucy tenta acompanhar, mas acaba tropeçando.

—Não seja tão distraida...- Ele fala segurando ela pelo braço, impedindo que chegasse até o chão.

Lucy desvia seu olhar, envergonhada. Eles caminham lado a lado em um silencio constrangedor. “ Não sei o que dizer...”Skytte pensa, desesperado em acabar com o clima estranho. Antes que pudesse começar o assunto, Lucy sai correndo. “Pronto. Agora ela está fugindo.” Skytte pensa enquanto corre atrás dela.

—Olha... Não precisava sair correndo.- Fala finalmente a alcançando.

Lucy não responde. Ela estava com os olhos brilhando e um sorriso enorme no rosto.

—Eu não acredito!- Fala animada. — Aqui é tão grande!

Lucy corria para todos os lados. Não sabia para onde olhar, para onde ir e muito menos, como se comportar. Somente ria e rodopiava sem parar.

—Você enlouqueceu de vez?- Skytte falou não conseguindo conter as risadas.

—Estou muito feliz! — Gritou com todo o ar dos pulmões. Para logo em seguida começar a correr novamente.

—Que bom... -Skytte murmurou para si mesmo sorrindo sincero.

—Vem vamos ali primeiro!- Lucy o puxava pela mão.

O Parque era iluminado por várias luzes coloridas e tocava uma musiquinha alegre. O cheiro de pipoca e caramelo preenchia cada canto do lugar, alguns mascotes de pélucia distribuiam balões para as crianças .

Lucy andava cantarolando a musiquinha que estava tocando. Skytte torcia para que eles não chegassem nunca, havia percebido que realmente gostava de andar de mãos dadas com ela. As mãos dela eram pequenas e quentinhas, já as de Skytte eram grandes e frias, mas estranhamente ficavam otímas juntas. Como chocolate quente no inverno.

—Tem certeza que quer ir aí?- Skytte perguntou franzindo a testa.

—Sim!- Falou empolgada.- Nunca fui em uma Montanha-Russa.

—Como quiser...- Falou indo para fila, eles soltam as suas mãos.- Mas eu escolho o próximo.

—Tá...- Lucy disse um pouco preocupada.

Quando chega a vez deles tiveram a sorte, ou o azar, de ficarem no primeiro carrinho. Lucy percebeu que Skytte estava meio pálido.

—Não me diga que o grande Skytte não aguenta uma Montanha-Russa?- disse rindo.

— Não enche...

O trem começa a andar. Eles sobem,sobem,sobem,sobem e então, bem devagarinho o trem vira para baixo. Eles descem ficando cada vez mais rápido. Lucy gritava e ria com as mãos levantadas enquanto Skytte... Bem, ele estava rezando.

Quando o trem parou, Lucy se mexia freneticamente e ria que nem uma maníaca. Depois de se acalmar ela olha para o lado.

—Skytte?- Pergunta receiosa, ele estava meio azul.

—Eu...Eu vou...me vingar...- Fala antes de sair correndo para um banheiro.

Lucy espera ele na porta. Skytte sai um pouco melhor.

—Está melhor ?

—Sim...

—Ótimo!- Disse puxando ele pelo braço novamente. — Vamos ver as fotos!

Passaram por um corredor, onde um grupo de pessoas procuravam as suas fotos.

—Ali!- Lucy aponta para uma das telas. Ela estava rindo com os braços para cima e Skytte se segurava nas barras de metal com as duas mãos e mantinha a cabeça baixa.

Lucy não se aguenta e começa a rir da cara de Skytte.

—Droga! Não ria de mim. — Ele diz meio bravo, mas acaba rindo também. Skytte acabou comprando a foto.

—Porque comprou ela ?- Perguntou olhando por cima do ombro de Skytte a fotografia impressa.- Achei que não tinha gostado...

— Preciso provar para minha mãe que você é totalmente insana.- Fala sorrindo sínicamente.

— Seu chato...- Fala mostrando a língua para ele.

—Vem, minha vez de escolher...- Skytte fala arrastando Lucy pela mão.

Ela fica surpresa, mas sorri. Achava reconfortante andar de mãos dadas com ele. Skytte se esforçava para não deixar transparecer seu nervosismo. Mas mesmo que ela percebe-se ele não a soltaria, pelo menos não até chegar ao próximo brinquedo.

Quando chegaram ao destino, ele sentiu a mão de Lucy ficar gelada. Olhou para o lado e viu ela com um sorriso esquisito.

— Ora,ora... A grande Lucy tem medo de casas mal assombradas... — Disse concretizando a sua vingança.

—Nã...Não tenho não...- Virou o rosto envergonhada.

— Então vamos entrar.-Ele a arrasta até a casa.

Era uma casa de dois andares, de madeira escura e torta. Algumas janelas estavam quebradas, eles atravessaram um portãozinho de metal que dava em um jardim de rosas escuras. Havia algumas lapides rachadas e uma arvore seca. Na porta havia uma placa escrita com letras infantis “ Não dá para sair pela mesma porta que entrou. Boa Sorte”

—Olá?- Lucy pergunta com a voz um pouco afetada.

A porta se abre abruptamente e Lucy dá um pulinho para trás segurando um grito baixinho. Skytte se esforça para não rir. Eles entram na casa que parecia vazia.

— Vamos ver o primeiro andar...- Skytte fala fingindo estar sério.

Lucy só balança a cabeça e o segue. Passam por um corredor escuro e cheio de quadros até pararem em uma cozinha, a única luz no lugar era a que saia de baixo da geladeira. Skytte se aproxima da geladeira.

—Não...- Lucy diz parada atrás dele.- Nem pense...

Ele abre a porta da geladeira e um monte de baratas sai de dentro e uma cabeça rola para fora.Lucy solta um grito alto e sai correndo.

—Lucy!- Skytte sai correndo atrás dela.- Você vai se perder.

Ele vê ela entrando em um quarto. Quando se aproxima houve mais gritos. Ele corre para a porta mas ela está trancada.

Quando Lucy entrou no quarto estava tudo escuro.Perto da janela havia uma menina de branco, pingando sangue, seus cabelos longos e escuros estavam jogados para frente. Ela ia se aproximando lentamente.

Lucy tenta virar a maçaneta. A menina está cada vez mais proxíma.

—Me deixa sair!- Lucy grita desesperada girando a maçaneta sem parar.

A porta se abre, Lucy cai em cima de Skytte. A porta se fecha rapidamente. Deixando os dois caídos no corredor.

Lucy parecia estar em choque, não conseguia se mexer. Era o momento perfeito para rir dela, mas não o fez. Ficou preocupado, não esperava que ela tivesse tanto medo. Ele se levantou e a ajudou.

—Acho melhor irmos embora...- Skytte disse segurando a mão dela que ainda tremia.- Temos que achar uma saída...

—Tá...- Lucy fala se acalmando. Estar perto dele realmente melhorava as coisas.

—Qual o pior lugar, em um filme de terror, para ficar a saída?- Ele a perguntou.

—O porão.-Ela respondeu. Depois parou para pensar.-Ah não! Não vou para lá não.

— Você quer sair ou não?

Lucy simplesmente solta um suspiro e o segue, a contra gosto. Eles começam a descer a escada do porão, cada degrau fazia um rangido mais alto que o outro. Lucy não largava a mão de Skytte nem por um minuto.

Quando chegam ao chão Skytte sem querer chuta uma lata. Lucy fecha os olhos e o abraça. Por um minuto Skytte fica sem reação. Mas logo em seguida passa a mão pela cintura de Lucy e a segura firme.

Com certeza aquele virou o brinquedo favorito dele. Podia sentir a respiração descompassada de Lucy em seu peito, e isso o deixava louco.Ele continua o caminho com a Lucy em seus braços, ela não abriu os olhos nem por um segundo.

Mas se tivesse aberto veria que Skytte não tirou os olhos dela e que suas bochechas estavam levemente coradas.Foi quando uma mão agarrou o tornozelo de Lucy.

Ela deu um salto e se segurou no pescoço de Skytte. Seus labios ficaram a alguns mílimetros de distancia. Skytte resolveu correr, não por medo, mas para não perder o controle e acabar destruindo aquela distancia.

Eles saiem da casa. Skytte espera Lucy se recuperar e então vão ver as fotos que ficavam em uma especie de lojinha de conveniência ao lado. E assim que acham a sua foto ambos enrubescem que nem tomates.

Lucy estava de olhos fechados e com as mãos envolta do pescoço dele. E Skytte a encarava intensamente. Pareciam que estavam prestes a se beijar. E é claro, em baixo apareceu o zumbie que havia agarrado o pé de Lucy, fazendo joinha.

—Ahnnn...- Lucy murmurou extremamente vermelha.- Eu vou esperar lá fora.

Nem esperou Skytte responder e saiu da loja. Skytte apesar de muito constrangido resolveu comprar a foto, obviamente, essa ele não mostraria para a sua mãe. Também comprou algo para Lucy beber.

Saindo da lojinha viu a Lucy sentada em banco ao lado de um poste de luz. Parecia distraida. Skytte se aproxíma e lhe entrega uma garrafinha de água.

—Obrigada...- Fala com um sorrisinho.

—De nada.- Skytte não sabia o que dizer.- Sobre a casa mal-assombrada...

Lucy olha para ele esperando que terminasse a frase.

—Eu queria me desculpar...- Falou passando as mãos no cabelo.- Não sabia que tinha tanto medo.

—Só não sou muito fã do escuro...- Disse um pouco sem graça, mas logo em seguida sorriu.- Mas foi divertido! Me senti em um filme de terror...

—Você provalvelmente seria a primeira a morrer...- Skytte disse rindo.

— Ei!- Lucy disse dando um soquinho no ombro dele.

— Mas é verdade!- Falou rindo mais ainda.

Lucy sorriu ao ver que ele estava se divertindo. Bebeu mais um gole de água e disse.

—Para onde vamos agora?

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Caminharam pelo parque, foram no chapéu mexicano, no barco viking, na roda gigante, na xícaras giratórias, no carrinho bate-bate e em vários outros.Fizeram uma pausa para comer um lanche, pediram um hambúrguer e milk-Shake.

Foi quando Skytte descobriu o grande amor que Lucy sentia por Milk-Shakes, parecia estar no céu enquanto bebia. Em seguida compraram algodão-doce.Os dois pareciam tão felizes, que as pessoas ao redor não paravam de comentar o quanto eles formavam um belo casal.

Lucy estava concentrada demais em saborear o seu doce para perceber, mas Skytte ouviu. “Seria muito divertido se isso fosse verdade...”Pensou meio melancólico, mas logo espantou esse pensamento ao ver o rosto de Lucy todo sujo de açúcar.

—Lucy...

—Ahn?- Murmurou parando de andar e olhando para ele.

Skytte coloca a mão em seu rosto, limpa o açúcar e depois, para a surpresa de Lucy, lambe os dedos. Skytte sorriu, nunca virá Lucy tão vermelha, até suas orelhas pareciam queimar.

—Nã...Não precisava fazer isso.- Disse tentando esconder seu rosto.- Eu mesma podia limpar...

—Assim não seria tão divertido.-falou dando um sorrisinho malicioso e continuou a caminhar.

Isso foi demais para Lucy, parecia que estava tendo um ataque cardíaco. “Péssima hora para ter arritmia cardíaca... Se recomponha Lucy!” Pensou tentando se acalmar e voltando a andar.

Eles chegam na área das tendas. Um espaço cheio de barraquinhas de jogos, do tipo que se ganha brindes.Lucy se empolga e começa a puxar Skytte para eles.Primeiro vão nas argolas, onde Lucy resolve começar uma pequena competição.

— Vamos ver quem acerta mais argolas?- Pegunta sorrindo.

—Okay...-Skytte aceita o desafio.

No começo ele não levou muito a sério, mas depois que viu o esforço de Lucy resolveu jogar de verdade. Toda vez que ela acertava gritava e comemorava, Skytte fazia o mesmo.

—Até que você não joga tão mal senhorita Reine.- Skytte disse arremessando outra argola.

—Digo o mesmo senhor Skytte.- Lucy acerta a argola em uma das garrafas.-Isso!

No final Lucy ganha por uma argola. Escolhe como prêmio um caderninho que vinha com caneta.

—Estava mesmo precisando de um caderno novo.- Disse sorrindo e mostrando para Skytte, esperando a sua aprovação.

—Parabéns... — Fala bagunçando os seus cabelos, novamente, como se ela fosse um mascote.

—Não me trate que nem um cachorro...- Lucy fala fazendo bico.

—Não é minha culpa se você parece um filhotinho feliz.- Fala brincando.

Lucy desiste de contraria-lo e eles prosseguem. A competição continua. Pescaria, dardos, bolinhas e assim foi. Skytte venceu algumas, Lucy outras. Os dois se divertiam e comemoravam mesmo quando o outro vencia.

A ultima barraca era a do tiro ao alvo. Usava-se falsas espingardas com rolhas no lugar de balas para acertar latinhas. Como maior prêmio, estava um lindo patinho de pelúcia.

—Acho que já sei qual prêmio irá escolher se ganhar.- Fala rindo ao se lembrar da estranha obsessão por patos que Lucy tinha.

— Não ria, patinhos são extremamente adoráveis...- Disse pegando na arma.

Skytte podia sentir a tensão no ar, Lucy se concentra, mira e atira. Apesar de ser de brinquedo o recuo da arma foi mais forte do que Lucy. A rolha acaba não derrubando nenhuma latinha.

Ela tentou esconder a decepção mas não funcionou muito. Skytte resolve ajuda-la.

—Posso te dar uma dica? -Pergunta e Lucy assentiu. — Você precisa ter mais força para aguentar o recuo. — Ele fica atrás dela, passa seus braços por cima aos de Lucy e a ajuda a apoiar a arma.

Lucy fica em silencio, se concentrando em mirar na lata. Skytte, obviamente, estava se aproveitando da situação. Adorava tocar na pele macia de Lucy, e o cheiro dela era algo que ele nunca poderia se esquecer.

Sussurrou aos ouvidos dela “ Pode atirar” e isso foi o suficiente para todos os pelos da nuca dela se arrepiarem. Lucy atira e acerta em cheio a latinha.Ela se vira comemorando e eles se comprimentam batendo as mãos.

Não conseguiu o maior prêmio, mas o dono da barraquinha deixou ela escolher entre os chaveiro de pelucia que tinha disponivel. Elas escolheu um patinho amarelo sorridente.Porém, para a surpresa de Skytte, ela deu para ele.

— Eu não teria conseguido se você não tivesse me ajudado... — Falou começando a corar.- Então gostaria que ficasse com ele.Como forma de agradecimento.

—Obrigada. — Falou sorrindo amavelmente. Ela sempre o surpreendia.

—Vamos?- Lucy Pergunta.

—Não mesmo, ainda falta a minha vez.- Skytte pega a espingarda da mão de Lucy e acerta todas as latinhas em menos de 10 segundos.

Lucy fica de queixo caído.

—Skytte! Isso foi incrivel!- Ela disse olhando chocada para ele. — Você é um assassino de aluguel nas horas vagas?

—Não... — Diz rindo do comentario.

O dono pergunta o que ele vai querer, e Skytte diz no ouvido dele. Ele traz o maior prêmio, o patinho. E na mesma hora Skytte o entrega para Lucy.

—Mas... — ela diz olhando para o patinho, depois para o Skytte. — Por quê?

—Essa é a minha forma de agradecer... — disse sorrindo. — Você é uma ótima professora, uma companhia muito divertida e é a pessoa mais maravilhosa que eu já conheci. — Skytte se aproxima de Lucy e lhe dá um beijo na bochecha. — Obrigado por estar aqui comigo. — Diz sussurrando no ouvido dela antes de se afastar e observar a reação dela.

Primeiro ela parecia em choque, depois seu rosto foi mudando de cor até ficar extremamente vermelho, em seguida soltou um estranho grunhido e escondeu o rosto no patinho. Skytte não conseguia conter a risada.

—Não ria!- Fala com o rosto ainda escondido.- Você não devia falar coisas tão vergonhosas...

—Tá, tá...- Fala saindo andando.

Lucy sai correndo atrás dele.Continuam dando voltas no parque. Skytte percebe que já estava ficando tarde, mas antes de sugerir que fossem embora, Lucy para abruptamente.

Seu olhos brilhavam enquanto olhava para um lindo Carrosel. Era colorido e com cavalos delicadamente entalhados, sua estrutura era toda decorada com fadas, duendes, princesas e todo tipo de criatura de contos de fadas.

Os apoios de metal eram dourados e em formato de caracol. Tocava uma musica agradavel, uma especie de valsa, na qual os cavalos subiam e desciam no ritmo como se estivessem dançando.

— Você quer ir? — Skytte pergunta olhando para ela.

Lucy assenti. Eles se aproximam do carrossel. O Parque já estava ficando vazio, e não havia ninguém na fila. Skytte não tinha a altura permitida para o brinquedo, mas Lucy tinha a altura perfeita.

—Pode ir sem mim.- Fala sorrindo para Lucy. Ela parecia insegura.-É sério...Pode ir eu espero aqui.

—Okay... Mas eu volto logo! — Disse entrando no Carrossel.

Skytte senta-se em um banco próximo ao Carrossel, de onde podia observar Lucy. Queria entender o motivo de Lucy estar agindo estranhamente desde que viu o brinquedo.

O Carrossel começou a girar. Lucy estava em cima de um cavalo branco e amarelo. Ela sorria distraída, sem perceber que Skytte a observava. Apesar de parecer feliz, algo estava diferente em Lucy.

Depois de algumas voltas ela apoia a cabeça na haste de metal e ficou desse jeito por um tempo.Skytte estava preocupado, ela não parecia bem. Foi então que percebeu que lagrímas caiam dos olhos de Lucy.

Ele não sabia o que fazer, Lucy estava chorando. O Carrosel parou e ela desceu. Skytte correu até ela, Lucy tentava secar as lagrímas mas elas continuavam caindo.

—Desculpa...- Ela dizia entre soluços.

Skytte a ajudou a se sentar.

—Não se desculpe...- Ele acariciou seu rosto secando as lagrímas que rolavam.

Eles ficaram em silencio até Lucy se acalmar. Seu rosto estava vermelho por causa do choro e pelo constrangimento.

—Melhor?- Skytte perguntou.

—Sim.-Ela abriu um pequeno sorriso.- Obrigada.

Skytte não sabia como perguntar, mas queria saber o que fez a sua pequena Lucy chorar desse jeito.Lucy percebendo o nervosismo dele resolveu criar coragem para conversar com Skytte.

—Bem...- ela respira fundo.- Você já sabe que meu pai foi embora...- Fala se mexendo desconfortavelmente.

—Lucy, você não precisa falar disso se não quiser...

—Não. Você merece saber.- Disse determinada.-Além disso... Eu confio em você, Skytte.

Skytte fica feliz ao ouvir isso, ela confiava nele do mesmo jeito que ele confiava nela.

—Então...- Lucy prossegue.- Antes do meu pai sumir, ele havia me levado ao circo.Eu não me lembro muito bem, eu só sei que foi muito divertido. Na saída havia um pequeno Carrossel. — respirou fundo.- Ele me deixou ali. Eu me lembro de ficar rodando, rodando, rodando e de repente eu não via mais meu pai. Eu saí correndo do Carrossel, gritei por ele, mas ele não aparecia. Então ele apareceu atrás de mim. Com duas casquinhas de sorvete... Eu chorei e ele disse que nunca mais me deixaria sozinha.

Nós tomamos o sorvete. No dia seguinte, quando acordei, minha mãe estava chorando na cozinha dizendo que meu pai havia sumido. — Lucy abriu um sorriso triste. -Sabe o que eu disse? Eu disse...Eu disse que ele só tinha ido comprar sorvete...-Nessa hora Lucy desaba e volta a chorar.Skytte a abraça.- El...Ele nunca mais voltou...

Lucy e Skytte ficaram abraçados por um tempo. Skytte acariciava seus cabelos. Não sabia o que fazer, só queria que ela voltasse a sorrir para ele, como sempre fazia.

—Você deve achar que sou uma chorona...- Falou sem levantar a cabeça.

— Não. Pelo contrario.- Disse levantando o rosto dela e olhando em seus olhos.- Acho que você é a pessoa mais forte que já conheci.

—Obrigada...- Lucy sorri um pouco.- Muito obrigada.

—Já disse que não precisa agradecer...- “ Ver você feliz, me deixa feliz” ele pensa.

Dessa vez nenhum deles se afastou. Eles só queriam que o tempo parasse, e que eles continuassem desse jeito para sempre. “ É incrivel como em tão pouco tempo minha vida já está rodando em torno dela... Da felicidade dela.” Pensou enquanto fazia carinho na Lucy.

—Lucy...- ele a chamou.

Ela não respondeu, havia caido no sono. Estava mais cansada do que esperava e assim que Skytte começou a acariciala, adormeceu. Ele sorri ao ver ela dormindo tranquilamente.

Já estava na hora de voltarem. Ele a carrega nas costas, Lucy era leve não haveria problema algum em levar ela até em casa. Pega as suas coisas, os brindes e segue o caminho de volta.

Sentia a repiração e os batimentos cardiacos dela. Não conseguia parar de pensar em como ele queria cuidar e proteger ela. Para que nunca mais tivesse que chorar daquele jeito. Aquele havia sido uns dos dias mais felizes de sua vida, e ver a pessoa responsável por isso sofrendo era algo que ele não poderia aceitar.

Levou ela para casa. A senhora Reine riu ao ver o estado da filha. Skytte colocou-a na cama e se despediu da mãe dela. Que assim como a filha o encheu de agradecimentos. Enquanto caminhava, sorriu ao observar o chaveiro que ganhara da Lucy.

Não fazia ideia onde colocaria aquele chaveiro de pato chamativo, mas daria um jeito de carregar ele consigo. Percebeu que recentemente tem andado muito risonho e bobo. Sabia que estava apaixonado pela criaturinha loira e agitada. Não tinha mais como negar, só não esperava que fosse ter tantos pensamentos clichês e melosos.

Aquilo não era o estilo dele. Porém como em toda comédia romântica, um cara que se achava frio e indiferente agora se sente um babaca apaixonado que não sabe como se comportar perto da garota que gosta.

Trágico, mas aceitavel. O problema era que não sabia como conquistaria uma pessoa tão avoada quanto Lucy. As chances dele dizer “Eu te amo” e ela responder que tambem o ama, assim como ama o sol, as flores e todas as criaturinhas desse mundo, eram altas.

Além disso tinha medo de perder tudo que havia conseguido. Portanto só se declararia quando tivesse certeza de que era reciproco, ou algo próximo disso. Quando chegou em casa sua mãe o esperava empolgada para saber como havia sido o encontro.

— Anda me conta tudo!- Disse ansiosa.

Ele mostrou as fotos. Obviamente escondeu a da casa assombrada, aquilo seria um segredo só dele e da Lucy. Sua mãe ria do que Skytte lhe contava, e ficou bem satisfeita com o relatorio da “Situação”.

—Vocês parecem um casal tão apaixonado... — Falou suspirando feliz. — Quando vão oficializar?

— Não somos um casal... — Falou constrangido.

— Ainda não?!- Disse surpresa.- Skytte, meu filho, esperava mais de você. Cadê a atitude?

— Ta bom mãe...- Skytte disse ignorando ela e subindo para o quarto.

Ele guarda as fotos e o chaveiro. E por incrivel que pareça ele estava ansioso para que segunda chegasse e as aulas começassem, pois assim poderia ver Lucy.