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12 A Valsa das Flores 2
Notas iniciais
Roth continuou o trabalho á paisana, se aprofundando nas fofocas sobre o relacionamento de Odette e Danckan. Ouvira de tudo, desde boatos sobre ele a ter pedido em casamento até teorias de que foi tudo inventado por Odette para chamar a atenção. O que mais se perpetuava era o de que eles estavam namorando, mas que Danckan continuou a sair com outras meninas.
E que nas manhãs seguintes ele mandava flores como pedido de desculpa. Como ele não era conhecido por dar presentes, muitos acreditavam que Odette era especial. Que apesar dos casos ele realmente a amava.
Alguns bailarinos próximos das duas andavam dizendo que Odette e Julieta estavam brigadas não por causa dos papeis, mas por causa de Danckan. Falavam que Odette pegou os dois se agarrando no camarim. Que por mais que estivesse se acostumando com a vida devassa de Danckan, ela não aceitou a traição por parte da melhor amiga.
O alvoroço já estava passando. Já não havia mais jornalistas, e até os policiais estavam se retirando. Roth caminhava pelos corredores tentando colocar os seus pensamentos em ordem.
Foi quando ouviu um grito, correu para local e encontrou uma camareira em pânico.
—Você esta bem?!- A segurou pelos ombros tentando acalma-la. — O que aconteceu?
A camareira apenas apontou para um quarto ainda tremula. Os hospedes começavam a se reunir no corredor perguntando o que estava havendo. Roth abriu cuidadosamente a porta do quarto.
—Merda...
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— Será que eu nunca vou conseguir ter um sono de pelo menos seis horas?!
Skytte falou nervoso atravessando a multidão de pessoas aglomeradas no corredor, abrindo espaço com um braço e protegendo uma Lucy sonolenta com o outro.
—Hunt vai ter um enfarto quando ficar sabendo disso... -Ouviu Roth falando de dentro do quarto.
O corpo de Danckan estava sentado em uma cadeira com o violino amarrado em uma das mãos e na outra o arco. Sua roupa estava banhada em sangue e abaixo da cadeira uma poça havia se formado. Seu pescoço estava amarrado à cadeira com as cordas do violino e Narcisos saiam de dentro da boca aberta.
— Sim, com toda certeza vai. — Lucy disse olhando espantada para a cena.
Lucy se aproxima e começa a analisar o corpo.
—Acredito que a arma seja a mesma. Uma faca fina e bem afiada. Um corte preciso na jugular fez com que sangrasse até a morte.
—Como ele conseguiu entrar aqui sem ser visto?- Skytte perguntou.
—O assassino pode ser um conhecido do Danckan ou funcionário daqui... — Roth deduziu. — Talvez a câmera tenha pegado alguma coisa.
— Na linguagem das flores, narcisos significam egoísmo e vaidade exagerada. Vocês conhecem a lenda grega do Narciso?
—Narciso era um belo jovem que ficou tão obcecado pela própria imagem refletida em uma fonte que acabou caindo e morrendo afogado. — Roth respondeu.
—Realmente isso combina com a personalidade de Danckan.
—Exatamente, parece que o assassino queria deixar bem claro o motivo de estar matando. O está punindo pelos seus pecados. — Roth disse pensativo. — Se o que estou imaginando estiver correto, essa não será a ultima morte...
— Temos que pegar esse infeliz logo.
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— Ali! Um homem esta carregando um buque de narcisos. — Lucy fala olhando o vídeo de algumas horas atrás na sala da segurança.
—Não da pra ver o rosto, o boné esta cobrindo o rosto...- Roth fala frustrado.
— Merda!- Skytte falou batendo a mão na mesa do computador . — Pra que servem as câmeras de segurança mesmo? Elas nunca gravam o que precisamos.
— Paciência. — Lucy diz atenta a gravação. — Ele esta indo pro quarto do Danckan...
— Ele o deixou entrar porque provavelmente pensou que quem enviou as flores foi um dos seus fãs. — Roth disse
—Esperem! Pausa ai! — Skytte gritou. — Ali, aquilo não é um símbolo de alguma floricultura? Acho que ele esta usando um uniforme.
— É isso mesmo! — Lucy falou animada. — Vou mandar o vídeo pro laboratório. Lá eles ampliam a imagem e logo vamos descobrir onde o assassino trabalha...
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O sol já estava se pondo quando chegaram ao IMC, Molly e Holly os esperavam ansiosas para divulgar as informações que descobriram.
—Dra. Reine. — Molly fala entregando um papel para Lucy. — Essa é a lista de floriculturas dessa franquia. São pelo menos cinco só nessa cidade.
— Isso é muito. — Roth falou. — Procura uma próxima do Teatro...
— Quem é esse?- Holly perguntou curiosa.
— Dr. Finn Roth, psicólogo, esta ajudando no caso. — Skytte falou apressado- Essas são Molly e Holly assistentes da Lucy. Agora vamos ao que interessa...
—Aqui! Achei, ela fica na esquina do teatro. — Lucy fala mostrando o endereço para Skytte.
— Ótimo, vamos logo...
—Esperem só mais um coisa. — Holly fala antes de eles partirem. — Sobre a arma do crime.
— Acreditamos que se trata de uma faca usada em jardinagem para cortar caules. — Molly completa. — Elas são bem finas e afiadas, com um formato semelhante aos encontrados nos ferimentos das vítimas.
—Muito bem, obrigado meninas. — Lucy fala se despedindo.
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Já na floricultura, eles vão conversar com uma senhora no balcão. Uma velhinha de cabelos brancos e olhos amáveis.
—Boa noite senhora, gostaríamos de fazer algumas perguntas. — Skytte fala mostrando o distintivo. – Somos da policia.
Enquanto Skytte e Roth conversavam com a balconista, Lucy decide dar uma volta pela loja. Aquele lugar lembrava a floricultura da sua mãe. Trazendo-lhe uma nostalgia dos tempos do colégio.
Lembrava-se dos seus dias com Skytte e Seth, quando eles almoçavam juntos e estudavam na sua casa antes das provas finais. Foi uma época maravilhosa que sempre guardou com muito carinho em seu coração.
Ainda manteve contato com Seth depois do incidente entre ela e Skytte. Mas como ele morava longe não conseguia ver ele com frequência. “Será que ele ainda conversa com Skytte? Será que sabe que os dois agora trabalham juntos?”
Sentiu vontade de ir perguntar para Skytte, mas lembrou-se que agora não era o momento apropriado. Continuou caminhando quando viu algo que lhe chamou a atenção. Era um suporte para facas, só que uma estava desaparecida.
—Onde está a faca que está faltando?- Atrapalhou a conversa entre eles.
—Oi?- Ela perguntou confusa.
—Esta faltando uma faca no suporte. -Apontou para o local. — Você sabe onde ela está?
—Ah, Tobby pegou emprestado para cortar as flores.
—E quem é ele?- Skytte perguntou.
—É um rapaz que trabalha aqui de meio período. Muito tímido, quase não fala, mas a tem uma paixão por flores quase tão grande quanto a minha.
— Por acaso ele entregava flores no teatro aqui perto?
—Sim. No dia seguinte dos espetáculos ele sempre levava um buque que ele mesmo comprava.
—Não pode ser. — Roth falou hesitante- As flores que Odette recebia vieram dele?
—Onde ele está agora?-Skytte perguntou preocupado.
—Ele saiu agora pouco, falou que tinha um compromisso...
— Ele levou alguma flor?
-Sim, Lírios e rosas amarelas. — A senhora falou confusa. — Por quê?
—Falsidade e traição. — Lucy falou encarando atônita os seus colegas.
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—Porque você insiste em se enfiar no perigo?- Skytte perguntou seguindo na frente da Lucy com a arma na mão.
Eles caminhavam pelos corredores escuros do teatro.
—Se ao menos me deixassem portar uma arma...- Lucy sussurrou.
—Nunca! Contente-se com o seu colete aprova de balas. -Skytte resmungou.
—Eu só não entendi porque eu tive que vir junto. -Roth falou seguindo os outros dois. — Não me importaria de esperar no carro.
— Se alguém tentar atingir Lucy por trás, o seu dever é impedir. — Skytte falou.
—Com o meu corpo?- Roth falou cético.
—Seu corpo tem que ter alguma utilidade-Skytte disse cínico.
—Fiquem quietos, ele pode nos ouvir!- Lucy falou e eles se calaram.
A luz da sala em que Odette foi assassinada estava acesa. Eles se aproximaram em silêncio. Julieta estava amarrada e amordaçada, vestia um vestido semelhante ao de Odette só que preto.
“Cisne Negro...” Lucy pensou. Ela estava desacordada, mas ainda estava viva. Tobby estava com as flores em uma mão e com a outra se preparava para esfaqueá-la.
—Policia!- Skytte entrou apontando a arma para ele.- Coloque sua arma no chão, agora!
Tobby se assustou, colocou o corpo de Julieta na sua frente e apontou a faca para o pescoço dela.
—Não se aproxime ou eu mato ela!
—Acalme-se... — Roth falou. — Nos sabemos que não é sua culpa, você só estava tentando vingar Odette.
— Eu não queria mata-la!- Falou começando a chorar. — Eu a amava, amava muito...
—Você só estava frustrado porque ela te rejeitou. Mas você sabe que não foi culpa dela...
—Sim!- Falou apertando a faca com mais força. – A culpa é toda deles! Eles a magoaram! Ela não teria dito não, se não estivesse tão magoada... Ela teria me dado uma chance! Eu sei que teria...
—Eu sei que teria, ela amava as suas flores... Ela só continuou com o violinista, porque pensou que foi ele que mandou. Mas assim que descobriu que foi você que mandou ela se apaixonou por você...
—Sim...- Disse o encarando hipnotizado.- Sim, foi isso...
— E agora ela está te esperando...- Roth estava bem próximo a essa altura.- Você sabe que não a matou, ela esta lá fora a sua espera...
—Sim, está!- Falou chorando ainda mais.
Tobby largou a faca e se afastou da Julieta indo até a porta correndo. Skytte o derrubou e o algemou falando os seus direitos. Lucy se aproximou de Julieta para ver o seu estado.
—Ela está bem...- Falou aliviada- Ele provavelmente a atingiu na cabeça pelo galo que estou vendo.
— Porque vocês nunca esperam o reforço?!- Hunt entrou acompanhado por mais policiais. — Vocês querem me matar de preocupação e papelada!
— Não é nossa culpa que vocês sempre chegam tarde demais, a vitima não podia esperar.- Skytte falou entregando Tobby para os outros policiais, ele parecia confuso e perdido.
—A proposito o que foi aquilo?- Lucy perguntou para Roth.
—Hipnose, eu não sou muito bom, mas Tobby estava bem perturbado e com a mente fragilizada, suscetível á minha manipulação.
— Incrível!- Lucy falou impressionada.
—Quero ver explicar isso no tribunal... — Skytte falou enciumado.
—Vamos Skytte, admita que as habilidades de Roth são muito uteis.
—Bem... -Falou mal humorado. — São mais uteis do que eu imaginei que seriam.
—Vou me contentar com isso por agora. — Roth falou rindo.
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Eles voltaram para o IMC para concluir o caso.
—Então a senhorita Fisher realmente estava tendo um caso com o senhor Danckan?- Lucy perguntou surpresa.
—Sim. Nas palavras dela “Por mais culpado que nos sintamos, por mais sofrimento que causemos, simplesmente não dá para controlar o amor. Eu e minha amiga nos apaixonamos pelo mesmo idiota...”- Roth disse.- Odette descobriu que a amiga estava tendo um caso com seu namorado, mas não contou pra Julieta. Por isso estava agindo estranhamente.
— Naquela noite, Tobby estava levando aqueles Jacintos (Tristeza) para Odette porque soube da traição. E pensando que ela terminaria com Danckan, declarou seu amor. — Skytte explicou. -Mas a rejeição o fez surtar e matar ela. E depois disso o sentimento de culpa o fez se vingar das pessoas que ele considerava os verdadeiros culpados por tudo aquilo.
— Que horrível... — Lucy disse tristemente. — Ele vai para uma clinica?
— Isso o júri quem decide. — Skytte disse.
Aproximaram-se da mesa de Jeanne.
—Lucy!- Jeanne chamou sua atenção. — Mandaram isso aqui para você...
Jeanne a entregou um buque de margaridas.
—Ah!- Falou surpresa. — Que lindas...
— Fala algo no cartão?- Jeanne pergunta curiosa.
—Me deixa ver... — Fez uma cara confusa. — Só está escrito “De seu amigo Freddy ”
—Freddy? Quem é Freddy?- Skytte pergunta nervoso.
—Eu não conheço nenhum Freddy...
—Melhor se cuidar Skytte, Lucy tem um admirador secreto... — Roth fala rindo.
—Cala a boca!- Skytte disse constrangido.
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