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8 Passado Parte 4
Skytte sabia que estava atrasado, e já estava preparado para ouvir Lucy falando um monte para ele. Virou a esquina e começou a ouvir os gritos dela. Correu desesperado, seu coração batia acelerado. Quando viu aquele homem em cima da sua Lucy, foi tomado por um ódio indescritível.
Lucy estava no chão, não parava de gritar. Skytte segurou o desconhecido, tirando-o de cima dela e logo em seguida começou a soca-lo. O homem tentou revidar, mas nada do que fazia parecia machuca-lo.
O homem o atingiu no estomago, mas Skytte o derrubou e foi para cima dele. Bateu tanto no sujeito que já estava desfigurado, Lucy com medo que ele o matasse tentou impedir, mas ele a empurrou.
—Já chega!- Disse o abraçando por trás.- Skytte!
Ao ouvir Lucy gritando seu nome, Skytte parou imediatamente. O homem saiu correndo, e eles ficaram lá no chão.
—Você está bem?- perguntou preocupado a analisando para ver se encontrava algum ferimento grave. Seus cabelos estavam bagunçados, sua bochechas estavam vermelhas por causa dos tapas e seus olhos assustados, mas em geral estava bem.
—Sim...- falou com um pequeno sorriso.
Skytte a abraçou apertado, como se a qualquer momento ela fosse fugir dali. Ele tremia, a simples ideia de perde-la o deixava apavorado. E quando viu a cara assustada dela, foi como se o mundo parasse.
—E você?- Lucy perguntou se afastando e o encarando preocupada
—Eu estou bem...- Mas antes que ele termina-se Lucy já havia agarrado a sua mão e analisava seus ferimentos.
—Isso está feio...- falou séria.-Vamos logo. Lá em casa a gente cuida disso.- disse se levantando e ajudando o Skytte.
—Não se preocupe comigo, quem foi atacada aqui foi você.- falou seguindo ela.
Lucy se vira para ele e diz sorrindo.
—Mas o único ferido, aqui é você.
—Tá... Como você quiser. — Deu-se por vencido.
Chegaram na floricultura, a mãe de Lucy os recebeu. Era a primeira vez que Skytte conhecia a floricultura, e se surpreendeu. Apesar de simples, era extremamente aconchegante. As flores eram dispostas por todos os lados, em prateleiras ou penduradas em correntes coloridas no teto. Rosas, tulipas, margaridas, lírios e vários tipos de flores, muitas das quais Skytte nunca ouvira falar. Eram todas muito coloridas e exalavam fragrâncias maravilhosas.
A mãe de Lucy, Lilian Reine, era uma versão mais velha da filha. Cabelos loiros presos em um coque, olhos azuis profundos e um sorriso encantador. Usava um avental azul claro, com flores bordadas. Ela estava regando as rosas quando chegaram.
—Bem vinda de volta...- Falou sorrindo para a Lucy.- Olá Skytte.
—Oi... — disse evitando se aproximar dela para que não visse seus ferimentos.
—Mãe, vamos estar lá em cima, qualquer coisa me chama.- Falou subindo as escadas seguida de Skytte.
—Claro querida...- Disse voltando ao trabalho.- Tem pudim na geladeira se quiserem...
—Okay!
O quarto de Lucy era pequeno. Tinha uma cama, um armário e escrivaninha. As paredes eram brancas e havia margaridas na janela. Lucy fez sinal para Skytte se sentar, ele o fez.
—Já volto...- Disse deixando o quarto.
Voltou trazendo dois pratos com pudim e o kit de primeiro socorros.
—Prontinho!- Falou sorrindo.- Vamos ver esses machucados...- Falou pegando a sua mão.
Skytte achou engraçado o quanto as mãos de Lucy eram pequenas em relação ás suas. Ela pegou algodão e passou no antisséptico. Passou delicadamente nos ferimentos.
—Ai! -Falou pulando.- Isso arde!
—Ora,ora....-Disse rindo.- O senhor durão não aguenta um ardidinho?
—Aguento sim!- Falou bravo, parecendo um criança, o que só fez Lucy rir mais.
Acabando os ferimentos da mão, Lucy vai para os do rosto. Não era muita coisa, só um cortesinho em baixo do queixo. Ela se aproxima, assim que toca no ferimento Skytte se afasta abruptamente e bate as costas na parede. Ele faz uma careta de dor e Lucy estranha.
—Essa reação foi exagerada... -Disse desconfiada.- Você machucou as costas?
Essa pergunta pegou Skytte de surpresa, ele não queria responder.
—Não...
—Vira de costas. — Falou séria, Skytte não conseguiu dizer não.
Ele se virou, Lucy levantou a camiseta e se deparou com um grande hematoma roxo que recobria todas as suas costas. Ela tocou devagar e Skytte se contraiu.
—Isso não é bom... -Disse pensativa. — Você pode ter quebrado alguma costela...
Lucy o encarou e ele desviou do seu olhar.
—Esse ferimento não aconteceu na briga...- falou preocupada.- Não é mesmo?
—Lucy...
—Skytte, o que aconteceu?
—Foi...Foi só uma discussão que tive com o meu pai...- Falou coçando a cabeça.-Saiu um pouco de controle.
—Ele te bateu?- Disse olhando em seus olhos.
—Eu bati nele também...
Lucy não sabia o que dizer, não imaginava que Skytte passava por isso.
—Você precisa ir ao medico...
—Não mesmo! Eu me viro sozinho.
Ela soltou um suspiro, ele não iria ao medico, ela teria que dar um jeito nos ferimentos.
—Tudo bem...- disse aceitando.- Vou fazer o meu melhor, depois rezemos para não ter sido nada grave.
—Já disse que não precisa...
—Cala boca. -Falou brava. — E deixe-me praticar para meu futuro trabalho. — Disse sorrindo por fim.
—Achei que ia ser legista...
—Mas vou ter que fazer medicina de qualquer jeito, não é?
—Bem...
Lucy pegou ataduras, passou um relaxante muscular, e o embalou como uma múmia.
—Não se esqueça de trocar as ataduras todos os dias. Se sentir mais dor, pelo amor de deus vá a um medico.
—Okay,okay...
—Pronto, agora um pudim para melhorar o clima.- Disse entregando um pratinho com um pudim de leite condensado coberto por caramelo.
—Para você, um doce resolve tudo?
—Claro! Principalmente pudins, bolos, milk-shakes...- Começou a listar seus doces favoritos.
E isso teria ido longe se Skytte não a tivesse interrompido, para começarem as aulas.
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Ao terminarem os estudos, Skytte se despede de Lilian e Lucy o acompanha até a porta. Sem nem perceberem como, já estavam sentados na calçada jogando conversa fora.
—Isso já aconteceu antes? — Disse meio sem graça. -Digo as brigas...
—Algumas vezes...- Respondeu, mais a vontade para conversar com Lucy.
—E a sua mãe?
—As brigas começam porque eu quero defende-la. Mas às vezes, eu não estou em casa, e ela acaba tendo que aguentar a fúria dele...
—Por que não denuncia?
Skytte se fez essas perguntas várias vezes.
—Ela o ama. Não aguentaria vê-lo na prisão. — disse desconcertado. — Todas as vezes que tentei, ou ela me desmentia ou dizia que fora um mal entendido.
—Eu sinto muito. — Murmurou triste.
—Tudo bem...- Falou consolando-a com alguns tapinhas na cabeça, como se fosse um mascote.- Isso não tem nada haver com você. Além disso, você é a única pessoa que sabe.
—Sério? Nunca contou isso para ninguém?- Perguntou surpresa.
— Sim, e gostaria que continuasse em segredo... Por isso...
—Não se preocupa, eu não conto.
—Eu acredito. — Falou sorrindo. — Sua mãe não faz ideia do que acontece na escola, não é?
—Eu não queria preocupa-la.
—Eu imaginei, se não ela não me trataria tão bem.
—Não é tão ruim assim...- Falou com um sorrisinho.
— Mais uma vez, eu peço desculpa pelas minhas ações.- Disse sério.
—E mais uma vez, eu o perdoo.- Falou dando uma risadinha.
Eles finalmente se despedem e voltam para as suas casas.
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