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6 Passado Parte 3
Lucy quando chegou em casa contou tudo para a sua mãe. Contou o quanto se divertiu e sobre o parque. Sua mãe sorria ouvindo aquilo, sempre se preocupou com a solidão da filha. No dia seguinte Lucy acordou extremamente animada. Tomou café da manhã, se despediu da mãe e foi para escola.
As provocações do Skytte acabaram, e de vez enquando seus olhares se encontravam. Ninguém havia percebido essa mudança de comportamento, exceto Seth que não ligava muito para isso e Ivy.
Essa ultima estava se remoendo de curiosidade desde que soube que Lucy e Skytte haviam sido chamados juntos até a diretoria. E agora isso? Porque ele olha para ela toda hora? Ivy estava disposta a descobrir.
Essa curiosidade só aumentou quando percebeu que no intervalo Skytte não estava com os seus amigos. E Lucy como sempre também não estava no pátio.
A verdade era que no intervalo, Skytte resolveu seguir Lucy para descobrir aonde ela ia. Ele esperou perto da porta e quando ela saiu da sala, ele a seguiu até o terraço.
—Então é aqui que você se esconde?
Lucy dá um pulo com o susto. Ela estava sentada de costa para a porta, comendo seu lanche.
—Skytte?- pergunta confusa.- O que está fazendo aqui?
Ele se aproxima e senta-se ao seu lado.
—Sempre quis saber onde você se enfia no intervalo...- Fala olhando em volta.- Porque fica aqui?
—Aqui ninguém me perturba. — Toda vez que Lucy tocava nesse assunto, Skytte se sentia o pior ser-humano do mundo, tudo isso que aconteceu foi por culpa dele. — Além disso, a vista daqui é muito bonita. — fala sorrindo.
—Desculpa... — disse olhando nos olhos de Lucy. -Desculpa por ter sido um idiota e você ter que fazer tudo isso...
—Tudo bem, eu te perdo-o.- sorriu para ele.- Eu tambem não fui um exemplo de educação com você.
—Você só revidou. -Continuou. — De um jeito muito engraçado, a proposito. — falou rindo lembrando-se da resposta de Lucy.
—Obrigada...- Cortou seu sanduiche ao meio.- Quer um pedaço? Minha mãe que fez.
Skytte aceita e após morder um pedaço, olha surpreso para Lucy.
—É uma delicia.
—Eu sei!-falou empolgada. -Minha mãe é um gênio.
Eles continuaram comendo lado a lado, até Skytte se lembrar do verdadeiro motivo de ter seguido ela até o terraço.
—Lucy... — disse olhando para ela. — Tudo bem se a próxima aula fosse em outro lugar?
—Pode ser na minha casa... -falou. — Mas por quê?
—Nada demais, é que minha mãe tem que resolver umas coisas na sala... -inventou qualquer coisa.
—Okay, então amanhã vai ser na minha casa...- continuou.-E vê se não me faz esperar muito atrás da escola.
—Tá, vou tentar ir mais rápido.
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Na manhã seguinte, Lucy caminhava tranquilamente pelos corredores da escola, havia conseguido acordar na hora.
—Olha só quem está aqui... -Ivy disse.- Se não é a nerdizinha esquisita.
—Bom dia Ivy...- falou indiferente.
—Eu não te dei liberdade para me chamar pelo nome!- falou nervosa.
—Tá...- Lucy virou as costas e saiu andando, nunca entendeu qual era o problema de Ivy.
—Ei!- Gritou, chamando a atenção de todos no corredor.- Eu não terminei de falar...
Lucy para e volta-se para ela.
—O que você quer?
Ela se aproxima de Lucy e começa a apontar para ela.
—Escute aqui, sua pobretona atrevida. — Ivy disse. — Eu soube que você anda arrastando essa sua asa para o meu namorado.
—Namorado?Asa?- Lucy não sabia que Ivy tinha um namorado...
—Não se faça de desentendida!- gritou histérica. — Você está se jogando para o Skytte, mesmo sabendo que ele tem a mim.
—Que eu saiba, você não é namorada dele, além disso, eu não sou você para me “jogar” em cima de ninguém.
Nessa hora uma rodinha já havia se formado em volta delas.
—Sua puta oferecida!- Ivy gritou.
—Eu já disse que não sou você...- falou no tom normal da voz.O que irritou ainda mais Ivy.- Se você não se importa, gostaria de ir para aula.
Quando Lucy ia sair, Ivy a agarra pelo braço.
—Não vire as costas para mim!- Ivy estava vermelha de raiva.- Só porque você é uma coitadinha pobre não quer dizer que todos terão pena de você.
—Eu não pedi pena de ninguém!- falou puxando o braço de volta. — Para de tentar começar uma briga.
—Não fuja sua covarde... — falou começando a gargalhar. — Ou esse péssimo habito de fugir é hereditário? Seu pai fugiu da sua mãe, e sua mãe fugiu de todos se mudando para cá.
—Ela não fugiu! -Lucy pela primeira vez se mostrou verdadeiramente brava. -Não fale como se soubesse de alguma coisa.
—Oh não! Ela não fugiu, não é mesmo pessoal?- Disse enquanto todos riam.- Ela só cansou de se prostituir.
—Não fale assim! Ela sempre deu o melhor de si para me criar...- falou segurando suas lagrimas. Não iria chorar na frente dela, não mesmo.
—Seu pai tinha nojo de vocês. Por isso ele fugiu.- Disse seguida de mais risadas.- Mas sabe... Eu o entendo. — falou se aproximando mais do rosto de Lucy. — Eu imagino o quanto deve ter sido horrível acordar e olhar para cara de sua filha bastarda e sua esposa prostituta todos os dias.
Lucy não conseguiu se controlar. O som de sua mão atingindo o rosto de Ivy ecoou por todo corredor.
—Tenha um pouco de decência!- gritou ofegante, todos ficaram em silencio. -Além de ofender a minha família com essas mentiras, você também ofende a si própria. Falar coisas tão baixas só para tentar me atingir só deixa mais explicito o quão vulgar você é.
—Você...- Tenta revidar mas Lucy não deixa.
—Se não gosta de mim, tudo bem, mas não há necessidade de se humilhar desse jeito. -continuou. — O que você quer provar?! Que a educação que sua família tanto investiu não serviu para nada? Que apesar de ser criada em uma família rica seu vocabulário é podre?
Ivy não conseguia dizer nada. Lucy falava como se fosse sua mãe, e logo começou a pensar o que ela acharia se visse ela nesse tipo de situação. Nunca se sentiu tão humilhada.
—Não ofenda sua própria família!- Lucy disse virando as costas e indo embora.
Ivy ficou lá, ajoelhada chocada. Nenhuma das outras pessoas que estavam lá conseguiram fazer alguma coisa. Ficaram todos apenas assistindo a silhueta de Lucy desaparecer nos corredores.
Depois de um tempo algumas das amigas de Ivy foram consolar ela, o restante ficou murmurando sobre o que acabara de acontecer. Skytte que estava presente, quase entrou na briga quando Ivy agarrou o braço de Lucy, mas Seth não deixou, disse que o negócio era entre elas.
Agora sua maior preocupação era encontrar a Lucy e ver como ela estava. Apesar de não parecer abalada, Skytte viu nos olhos dela o quanto estava sofrendo com aquela situação. Viu que quando falaram de sua família ela teve que se segurar para não chorar.
Subiu até o terraço. Lucy estava agachada em uma das paredes, com a cabeça entre as pernas. Skytte se aproxima e senta-se ao seu lado.
—Sabia que estaria aqui.
—Bom dia... — disse com a voz embargada.
—Você agiu muito bem durante a briga.
—Sério?- Falou levantando a cabeça e tentando forçar um sorriso. — Não sou muito boa em lidar com esse tipo de coisa... Odeio brigas.
—Não precisa se forçar a sorrir. — disse sério. — Pode chorar, eu estou aqui para isso.
Na hora os olhos de Lucy se encheram de água e ela começou chorar como um bebe. Skytte a abraçou e ela se agarrou em sua camiseta. Ficaram assim por um longo tempo, até Lucy se acalmar. Mesmo depois de parar de chorar Lucy continuou abraçada á Skytte. Era primeira vez que havia se sentido tão calma e segura.
Ele gostava de te-la em seus braços, era como se seus corpos fossem feitos para ficar desse jeito, sempre juntos. Também gostava do cheiro dela e podia senti-lo pelo resto de sua vida sem se enjoar.
—Desculpa...- Falou levantando a cabeça.- Molhei sua camisa...
—Tudo bem. — Seus olhos se encontraram.
Os dois coraram no mesmo instante e decidiram se afastar um pouco.
—Está melhor?- Skytte perguntou desviando os olhos.
—Sim. — falou sorrindo sinceramente.- Obrigada.
—Não foi nada...-continuou.- Qual foi o motivo da briga?
—Ahnn... Eu não entendi direito... -disse pensativa. -Mas tinha algo haver comigo jogando asas em você... Não sei ao certo.
Skytte não aguenta e começa a rir da confusão de Lucy.
—Ei! Não ri...- falou tentando parecer brava mas logo em seguida estava rindo também.
— A Ivy realmente enlouqueceu. — falou entre risadas.
—Não é?- disse rindo.- De onde ela tirou que eu e você tínhamos alguma coisa?
—Não faço ideia...- disse, pensando em como a Lucy seria uma namorada maravilhosa. Mas logo em seguida espantou essa ideia.
O sinal toca.
—A quanto tempo estamos aqui?- falou confusa.
—Há umas quatro aulas...
—Ai meu Deus! Eu nunca cabulei uma aula, e agora cabulei quatro de uma vez...- disse em pânico, andando de um lado para o outro.
—Calma... — disse rindo. — Foi uma situação de emergência, você não estava em condição de assistir nenhuma aula.
—Isso é desculpa de delinquentes!
— Acho que você virou uma...- disse tentando se segurar para não ter outra crise de risos. Lucy estava quase pegando um chicote e se auto flagelando.
No final os dois resolveram ir assistir pelo menos as duas ultimas aulas.
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Apesar da tensão, o dia seguinte foi tranquilo. Todos encaravam Lucy, ela os ignorava como sempre. Ivy ficou com uma expressão horrível o dia todo, mas não tinha coragem de ir confrontar a Lucy na frente de todo mundo novamente. Skytte não conversou com ela o dia inteiro, nem mesmo no intervalo.
Não porque quis, se pudesse teria saído correndo para o terraço quando o sinal bateu. Mas a ultima coisa que queria era causar mais problemas por causa de sua recente aproximação. Lucy sentiu falta dele, entendia que Skytte tinha a vida dele com os amigos dele. E ela...Bem ela tinha a vida dela.
Quando as aulas acabaram, todos foram para casa. Lucy esperava atrás da escola para ir com Skytte para casa. Enquanto ele tentava desesperadamente fugir de Ivy, que o infernizava com perguntas sobre a relação dele com a Lucy.
—Já disse, não existe relação nenhuma...- Falou tentando tirar ela do meio do caminho.
—Então porque foram para diretoria?- Perguntou entrando na frente dele e cruzando os braços.
—Foi coincidência, o diretor só queria falar das minhas notas e depois resolver alguns assuntos com a Lucy...
—Lucy?! Você sempre a chamou de esquisita! O que está acontecendo?- Falou olhando em seus olhos e o segurando pelo braço para que não fugisse.
—Nada!- Falou desviando os olhos e seguindo seu caminho, deixando Ivy para trás.
—Skytte...- Disse surpresa, ele estava mentindo. Ivy tinha certeza.- Você se apaixonou por ela?!- Gritou, ele se virou.
Não conseguiu responder. “Impossível, não posso estar apaixonado...Não posso...Será?” Pensou extremamente confuso.
Virou-se rapidamente e correu para fora da escola. Ivy percebeu tudo apenas pelo olhar que ele deu. Ficou, mais uma vez, abandonada no corredor. Tudo por causa da Lucy.
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Lucy continuava esperando, já haviam se passado 30 minutos. Andava de um lado para o outro, preocupada, talvez alguma coisa tivesse acontecido. A rua estava deserta como sempre, o céu estava nublado e parecia que logo iria chover.Então ouviu passos.
Virou-se rapidamente, preparada para dar um sermão em Skytte e bombardea-lo com perguntas.Surpreendeu-se ao perceber que os passos que ouvira não era de Skytte.
Era de um homem, não o conhecia, mas ele parecia alterado. Lucy encostou-se ao muro do colégio e olhou para baixo. Sentiu um mau pressentimento, não queria chamar a atenção dele. Não deu certo, ele veio mesmo assim.
—Olá, mocinha...- disse a olhando de cima a baixo.- Porque está aqui sozinha.
—Estou esperando meu amigo... -Falou desconfortável quando ele colocou o braço ao lado de sua cabeça. -Ele já vai chegar.
Ele olhou de um lado, depois para o outro.
—Não estou vendo ninguém. -Disse olhando para ela com um sorriso malicioso. -Acho que seu “amigo” não vem mais.
—Ele vem sim!- Falou exaltada.- Ele disse que viria...
—Que tal a gente fazer assim... — falou se aproximando. — Você vem comigo, nós divertimos um pouco, e depois você se resolve com o seu amiguinho...
—Não, obrigado.-Disse tentando se afastar mas ele a impediu.-Por favor me solta.
—Anda...-Falou segurando mais forte.- Vai ser divertido...
—Me solta!- Gritou empurrando ele e saindo correndo.
—Onde pensa que vai ?- Disse rindo e a agarrando de novo.
—Sai!- O arranhou no rosto. Ele rugiu de raiva.
—Sua vadia!- Puxou ela pelos cabelos e a jogou no chão.
Ficou por cima dela, Lucy se debateu tentando sair. Ele a apertou mais, enforcando-a com a mão esquerda enquanto com a direita a esbofeteava.
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