Code L.U.C.Y
14 O Atirador
Notas iniciais
— Já vai almoçar?
—Sim. — Lucy respondeu para Jeanne. — Tem certeza que não quer ir com a gente? Foi você que arrumou os cupons...
—Eu adoraria, mas já tinha combinado de almoçar com a minha família. E eles só são validos até hoje. Seria um desperdício se não usasse.
—Mesmo assim...
—Considere como um presente para você e o Skytte pelo sucesso desse último caso.
Lucy a abraçou.
—Obrigada Jeanne, você é um amor de pessoa...
—Não foi nada... — Falou constrangida.
Elas se separaram assim que ouviram uma discussão no corredor. Eram Holly e Molly.
— Eu já disse que foi um acidente!- Holly bufou frustrada.
— Eu sei que não foi por querer. Mas a questão não é essa. Você tem que parar de ser tão distraída e levar seu trabalho mais a serio. Eu sei que profissional incrível que você é, mas os outros podem acabar duvidando da sua competência se continuar cometendo deslizes como esse...
— Você não é minha mãe Molly! Que saco, eu posso me virar sozinha, não sou nenhuma criança...
—Tem certeza disso? Ultimamente seu comportamento tem me feito duvidar disso.
—Se eu sou uma criança... — Holly ficou vermelha de raiva. — Então você é uma velha mal amada!
Holly foi embora batendo os pés, sem deixar sua irmã revidar. Molly apenas suspirou frustrada.
—O que foi isso?- Lucy perguntou ao se aproximar.
—Desculpa doutora Reine, a discussão saiu do controle...
— Eu reparei... — Falou, já havia desistido de tentar convencê-la de chamar de Lucy. — Mas qual o motivo?
—Holly estragou uma prova, uma amostra de cabelo, e agora vou ter que ir lá na delegacia solicitar outra porque fui eu que assinei assumindo a responsabilidade quando as provas chegaram...
—Entendo... — Lucy falou pensativa. — Bom talvez você não esteja com tanto azar. Eu estou indo pra lá agora mesmo levar o Skytte pra almoçar, aceita uma carona?
—Aceito sim, muito obrigada.
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—Desculpe a intromissão, doutora Reine, mas posso fazer uma pergunta?-Molly perguntou timidamente.
—Claro! Fique a vontade Molly... — Lucy disse prestando atenção na rua fazia tempo que não era a motorista.
—Porque você está com o carro do detetive Skytte? E porque ele não foi hoje ao IMC? Normalmente ele passa mais tempo lá que na delegacia...
—Ah isso, não é estranho não ver ele lá?- Disse sorrindo- Na verdade, no momento não estamos em nenhum caso e nossos diretores disseram para usar esse tempo para terminarmos nossos relatórios e organizar os documentos dos casos que estão indo para o tribunal. Então estamos basicamente em dia de faxina...
—Entendo... — falou pensativa. — E quanto o carro? Aconteceu algo com sua moto?
— Não, nesse caso é pura frescura do Skytte... — Segurou a risada. — Apesar de pagar de badboy, ele odeia que eu ande de moto, acha perigoso. Então ele me deixou o usar o carro dele.
—Não acho que seja por ele ter medo de motos... — Falou rindo. — Mas por medo da doutora se machucar.
—Você acha?- Falou surpresa. – Nunca pensei por esse lado... Bem, minha vez de fazer perguntas.
—Pode fazer.
—Porque ficou tão brava pelo acidente da prova? Normalmente você é um poço de calma e paciência.
— Eu não ficaria brava se fosse à primeira vez... — Falou olhando a paisagem de sua janela. — Mas ultimamente Holly tem cometido vários erros de iniciantes. Da ultima vez ela esqueceu a porta do laboratório destrancada, exagerou no luminol na amostra de sangue e não guardou as evidencias em plásticos separados.
—Serio?- Lucy falou preocupada.
—Sim... Eu sei que minha irmã é uma ótima profissional e sei que esses erros bobos foram por pura falta de atenção. Mas nosso estagio está acabando e se quisermos ser contratada no IMC devemos mostrar que estamos preparadas.
— Entendo, não faz muito tempo que estive nessa situação, a pressão é bem complicada. Às vezes esse nervosismo nos faz cometer erros...
—Talvez seja mesmo isso... Ainda assim Holly tem que aprender a assumir seus erros e se tornar mais responsável. Uma parcela da culpa é minha, sempre concertei as coisas para ela e se hoje ela não sabe se virar sozinha a culpa é minha por sempre estar lá pra ajudar.
—Não seja tão dura com você e sua irmã. Tenho certeza que quando essa fase passar tudo vai voltar ao normal. E se eu conheço a Holly bem o suficiente, no final ela vai estar bem grata por tudo o que você fez, inclusive por ter pegado no pé dela.
— Será mesmo?- disse insegura. — Odeio ficar brigada com ela...
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Quando chegaram à delegacia o lugar estava relativamente calmo. Havia um pequeno grupo de pessoas na recepção esperando serem atendidas, entre elas um casal que sofreu uma acidente de carro, uma mulher gravida que teve sua bolsa roubada, um senhor que veio reclamar dos vizinhos e um homem que foi denunciar a clonagem do seu cartão.
Molly e Lucy vão falar com a recepcionista. Ela fala onde fica a sala do Skytte para Lucy e diz para Molly que ela vai ter que esperar um pouco que o responsável pelo armazenamento das provas tá em horário de almoço, mas que logo ele iria retornar.
— Acho que agora nos temos que nos separar, quer que eu ligue para alguém te buscar quando você acabar?- Lucy perguntou.
—Não precisa, vou voltar de taxi. Obrigada por tudo doutora.
—Não fiz nada demais... — Disse se despedindo. — Nos vemos mais tarde então.
—Até...
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Lucy avistou uma porta escrita “Det. Skytte” e entrou silenciosamente.
—Nossa! É bem maior do que eu achei que seria... — Lucy falou analisando o escritório.
Havia um armário de arquivos, uma pequena mesa de centro de madeira escura e um pequeno sofá de couro. No fundo ficava a mesa de Skytte com um computador.
—Lucy?!- Perguntou surpreso, porque estava distraído o suficiente com o seu trabalho para não perceber ela entrando.
— Boa tarde pra você também... — Disse rindo da expressão dele e se deitando no sofá. — Uou! Isso aqui é muito confortável, vou te visitar mais vezes.
—O que você está fazendo aqui?- disse ainda surpreso.
—O que? Você vive invadindo meu trabalho não posso fazer o mesmo?- Falou se divertindo.
—Vamos, vá logo direto ao assunto. — Não esperava vê-la ali, mas isso não era necessariamente uma surpresa ruim para Skytte. Porém ele precisava se controlar para não parecer muito feliz.
Lucy tirou os cupons do bolso.
—Tadam!- Falou se aproximando para mostrar pra ele. — Olha o que eu ganhei da Jeanne. Ela disse que é um presente pela resolução do ultimo caso.
—Esse não é aquele restaurante absurdo de caro que só vai gente podre de rica e artistas famosos? Porque eles dariam cupons de uma refeição grátis?
—Eu vou saber? Talvez estejam comemorando alguma coisa. — Falou empolgada. -Mas não é muita sorte nossa? Sempre quis experimentar a comida de um lugar desses.
—Sim, realmente muita sorte. — Sorriu vendo a animação dela.
— Então vamos logo!- Disse já puxando ele.
—Calma! Deixa só eu acabar e já saímos... — Olhou desconfiado para ela. -Espera ai? Você já acabou os seus relatórios?
—Ahnn... — Sorriu sem graça- Eu acabo quando voltar. Eu juro que falta pouco!
—Sei...
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Molly esperava sentada junto com as outras pessoas. Ouvia-os conversando tranquilamente.
— De quantos meses você tá?- A mulher perguntou para gravida.
—Oito meses, ele vai nascer em dezembro... — Disse acariciando a própria barriga.
—Serio?! Tá tão perto... — Falou surpresa. — Eu estaria morrendo de medo de sair de casa.
—Há essa altura eu já estava enlouquecendo. – Disse brincando. — Não aguento ficar trancada dentro de casa. Talvez seja por isso que acabei sendo assaltada...
—Que horror! Quem rouba uma mulher gravida?
— Pois é. — sorriu sem graça- Pelo menos agora tenho o que fazer, mesmo que seja prestar queixa em uma delegacia. E você?
—Eu e meu marido... -Falou se referindo ao homem mexendo no celular ao seu lado. — Viemos prestar queixa, um maluco bateu no nosso carro e fugiu. Sorte que conseguimos anotar a placa.
Nessa hora uma reportagem chamou a atenção de todos os presentes. Falava da recente prisão de um atirador que matou um delator de uma gangue. Segundo a noticia o delator, Victor Genovese iria entregar os crimes de uma gangue chamada Dor Die que já vinha causando problemas há anos na cidade. Mas antes de chegar ao tribunal o mercenário, Frank Castello o atingiu com um tiro na cabeça.
Frank Castello também foi responsável por vários outros assassinatos, todos em troca de dinheiro. Nessa semana, a policia finalmente teve êxito na sua captura. Atualmente ele se encontra em uma prisão temporária em uma delegacia local até a policia Federal assumir sua custodia.
—Podemos considerar isso uma vitória para a justiça!- A mulher falou animada.
—Sim... — A gravida falou um pouco desconfortável. — Mas é assustador pensar que existem pessoas assim, sempre que vejo o noticiário me preocupo com o mundo em que o meu filho vai nascer.
—Sim, tenho que concordar com você. – A outra falou pensativa.
Todos ficaram em silencio por alguns minutos perdidos nos próprios pensamentos, até que o celular de um deles começou a tocar. O homem que estava denunciando a clonagem do seu cartão atendeu. E então em poucos segundos ele tirou uma arma da bolsa e deu um tiro pra cima.
—Todos no chão, agora!- Gritou colocando uma mascara.
Nessa hora mais pessoas mascaradas apareceram, misturados entre as pessoas da recepção, tinham fingido serem faxineiros, entregadores e civis denunciando. Atiraram nos primeiros policiais que apareceram e mandaram os restantes saírem. Logo a delegacia estava dominada.
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— Quanto tempo isso vai demorar?- Lucy disse fazendo bico. — To morrendo de fome.
—Já estou...
Skytte foi interrompido pelo som do primeiro tiro.
—O que foi isso?!- Lucy perguntou atônita.
Skytte se levantou rapidamente e foi até a porta, Lucy o seguiu.
—Volta pra lá agora!- Ordenou.
—Não mesmo! Também quero saber o que está acontecendo...
Ele bufou e tirou sua arma do coldre.
—Fica atrás de mim! E não de mais nenhum passo sem eu mandar...
—Sim, senhor.
Eles caminharam até o corredor principal, onde vários policiais corriam para a recepção. Skytte conseguiu segurar um deles que estavam voltando.
—Qual a situação?
— Estamos sendo invadidos, senhor!- Falou um pouco eufórico. — Já dominaram totalmente a recepção...
—Quantos são?
—Uns seis ou sete todos fortemente armados. Acredito que o objetivo seja manter somente os civis dentro, estão desarmando e mandando pra fora os oficiais, além de balear qualquer um que apresentar algum tipo de resistência.
— Compreendo... — Disse pensativo. — Reúna um numero razoável de oficiais e encontre um lugar seguro. Não podemos deixar que se livrem de todos os policiais, quando começar o plano de retomada da delegacia, precisarão de agentes aqui dentro.
— Entendido, senhor!- Disse indo cumprir o seu dever.
Skytte puxou Lucy e a levou para um corredor vazio. E apesar da insistência dela de fazer perguntas ele apenas a mandou ficar quieta e continuou andando. Ela o obedeceu. De vez em quando ele olhava para trás pra ver como Lucy estava e então constatava que ela estava completamente perdida.
Entraram no armário do faxineiro e logo Skytte estava bloqueando a porta com um cabo de vassoura. Lucy se sentou, havia perdido as forças nas pernas, estava morrendo de medo, mas não queria que seu parceiro percebesse.
— O que estamos fazendo aqui?- Perguntou quando ele acabou de trancar a porta.
— Te colocando em um lugar seguro... — Disse encostando-se à parede pensativo.
—Porque não o escritório?
— É o primeiro lugar que eles vão revistar. Preciso ter certeza que não vão colocar as mãos em você antes de sair para ajudar...
—Você não vai sair daqui sem mim!- Falou se levantando e se aproximando dele.
Skytte a jogou na parede ficando com os braços á sua volta.
—Isso aqui não é uma brincadeira de policia e ladrão!- disse furioso. — Você vai ficar quietinha aqui, até eu resolver tudo e voltar pra te buscar.
Lucy engoliu em seco e o olhou nos olhos. Odiava que ele fosse tão mais alto que ela.
—Você não vai sair daqui sem ter um plano perfeitamente estabelecido. — Disse escondendo o seu nervosismo. — Não vou deixar você sair atirando pra todos os lados até morrer. Eu sou sua parceira, eu não estou aqui só pra ser protegida.
Skytte suspirou e mesmo contrariado se afastou dela.
—Qual a sua ideia?-Perguntou sentando-se do seu lado.
—Primeiro vamos colocar nossos celulares no silencioso, não queremos problemas mais tarde. Aí eu vou ligar pro IMC e pedir a planta da delegacia e então montamos um plano. Nos dois vamos sair vivos daqui.
— Okay.
Lucy liga
—Jeanne, é a Lucy. Por favor, passa o telefone para Holly. Obrigada.
—Lucy?!- Falou surpresa pelo telefone. – Você está bem? E a minha irmã? Ela está com você? Conseguiu sair?
— Desculpa, mas eu não a vejo desde que nos separamos na recepção. — Falou preocupada com Molly. — Holly, preciso de todo o seu foco agora. Skytte e eu estamos escondidos e tentando montar um plano, quero que você me arrume à planta da delegacia e mande a foto pro meu celular o mais rápido possível.
—Sim, vou fazer isso imediatamente.
Assim que Holly desligou o de celular Skytte começou a tocar. Ele atendeu e colocou no viva-voz.
—Skytte? Você está na delegacia?- Hunt perguntou
—Sim, eu e Lucy estamos escondidos.
—Deus! É só eu sair pra almoçar que o apocalipse acontece... -Disse nervoso. -Eu estou no comando da operação. Confesso que é um alivio que você esteja ai dentro pra ajudar.
— Já sabem o que eles querem? Porque invadiram a delegacia?
—Eles querem libertar Frank Castello que está em nossa custodia temporária...
—Você esta falando com o Skytte? Lucy está com ele?- A voz de Roth pode ser ouvida no fundo.
—O que esse cara está fazendo ai? — Skytte falou bravo.
— Ele é nosso funcionário em tempo integral agora. — Hunt respondeu.
—Skytte, algo muito errado está acontecendo... — Roth se aproximou pra falar com ele.
— Eu ter que aturar você?
—Skytte!- Lucy o repreendeu. — Por favor, prossiga Roth...
— Como eu estava dizendo, se fosse um simples plano de fuga eles já teriam pegado o prisioneiro e o libertado, mas eles estão apenas causando pânico e desespero...
—Sim, isso está muito esquisito, vocês tem acesso às câmeras?
—Sim, e isso me preocupa ainda mais, eles parecem um grupo experiente. Então isso significa que eles querem que nos vejamos o que está acontecendo ai dentro...
—Merda... — Skytte disse pensativo. — Tem como permitir que eu veja do meu celular?
— Vou pedir para o técnico em informática. — Hunt falou. -Enquanto isso se mantenha a salvo.
—Okay.
Ele desligou. Eles se encararam.
—Porque eu sinto que a situação é pior do que eu esperava?- Lucy disse tentando conter a ansiedade.
—Não se preocupe. — Skytte a acalmou. — Vai dar tudo certo. Holly mandou o que você pediu?
—Sim acabou de chegar.
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Molly estava agachada, mas de onde estava conseguia ver a expressão das duas mulheres que estavam ao seu lado. Elas tremiam e pareciam bastante assustadas, a gravida chorava baixinho.
— Por favor, se acalmem... — Falou para elas. – Logo vão nos tirar daqui.
—Como você sabe?- A gravida perguntou.
— Durante as negociações eles vão nos trocar pelo o que querem.
— E se eles não quiserem nada? E se forem um bando de malucos psicopatas?- A mulher perguntou.
—Nesse tipo de situação só nos resta pensar positivo. Por favor, tenham um pouco de fé. Eu me chamo Molly e vocês?
—Emma — A gravida falou.
— Charlotte. – A mulher disse.
—Okay, então confiem em mim, Emma e Charlotte.
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Lucy e Skytte analisavam as imagens das câmeras junto com a planta.
— Parece que o palhaço que está na recepção é o líder da operação. — Lucy chamava os bandidos pelos personagens da mascara.
—Sim... — Disse olhando para a câmera. — O coelho e a ovelha estão revistando as salas, mas ainda estão longe daqui.
—A raposa e o cavalo estão no segundo andar fazendo o mesmo.
—Então ficou assim. Dois no primeiro andar, Dois no segundo e dois na recepção...
—Porque não tem nenhum na região das celas? Esse não era o plano?
— Eles devem estar esperando para conseguir a chave.
— E quanto os outros policiais?- Lucy perguntou
—Estão na sala de evidencias. Por enquanto nenhum dos invasores está indo na direção deles, mas isso é questão de tempo. Temos que montar um plano logo.
—Como vamos nos livrar dos invasores sem colocar a vida dos reféns em risco?
—Liga para o Hunt. Eu tenho uma ideia...
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