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15 Passado Parte 8
—Filha tem certeza que está tudo bem? Se não quiser não precisa ir hoje...- Sua mãe disse pela quinta vez naquele dia.
—Mãe! Eu já disse que estou bem.- Falou abrindo a porta e saindo.
Um carro estaciona na calçada. Seth sai de dentro dele com um sorriso enorme no rosto.
—Bom dia, princesa!- Fala abrindo a porta para Lucy.- Sua carruagem chegou...
—Seth!- Lucy falou surpresa.- O que faz aqui?
— Meu pai me emprestou o carro quando contei o que tinha acontecido com você...- Ajudou Lucy a entrar no carro.- Achou mesmo que eu deixaria uma dama andar por aí nesse estado?
—Não exagere...- Falou rindo.- Mas de qualquer forma obrigada.
—De nada.- Ele liga o carro e vão até a escola.- Estou ansioso para ver a cara do Skytte.
Ele não ficou nada feliz. Skytte até ficou aliviado por Lucy não ter que ir andando até a escola, mas feliz... Isso com certeza ele não ficou. Ainda mais por Seth insistir em andar de braços dados com a desculpa de “ajudar ela a andar”. Lucy sorriu ao ver Skytte, e ele foi obrigado a disfarçar o ciúme.
—Bom dia...- Falou para Lucy.- Como está?
— Ótima. — Disse feliz. — Seth me deu uma carona...
—É eu sei...
—Anda Skytte não faça essa cara!- Seth disse com um sorrisinho triunfante. — Não vai querer assustar a minha princesinha.
—Sua princesinha!- Falou perdendo a paciência e afastando Seth de Lucy.
Lucy apenas ria, queria acreditar que tudo voltou ao normal. Eles foram para a aula, e o dia passou tranquilamente. Os alunos ainda comentavam sobre o incidente e Ivy não se aproximou mais de Lucy. Apesar de algo lhe dizer que ainda não tinha acabado.
Na última aula o professor de Historia deu o anuncio sobre o baile de formatura. Iria ocorrer no final de semana após as provas finais. Isso é dali uma semana. Não conseguia acreditar como aquele mês havia passado rápido. Era como se fosse ontem que foi chamada na sala da diretoria e se tornou professora de Skytte.
“Será que ele iria bem nas provas?” Lucy pensava se lembrando o quanto ele havia se esforçado aquele mês. Parecia tão nervosa quanto ele.
— Como já sabem é obrigatório ir vestido a rigor. — O professor disse entediado. -Naquela noite vai ter a eleição para rei e rainha do baile, então, por favor, não se matem por causa de uma coroa de plástico...
Ele pegou um papel na mesa e leu.
—Ah,é mesmo... Sobre as provas finais. — Disse fazendo suspense. — Se depender de mim, vão ser as píores de sua vida.
Todos fizeram um coro de “Aaaaahn” decepcionados enquanto o professor ria. Como podem imaginar aquela semana foi bem desesperadora. Com os alunos se matando de estudar. Ivy que era a responsavel pela organização do baile, estava ocupada demais para causar mais problemas e Lucy e Skytte reforçaram ainda mais os estudos.
Todos os dias Skytte ia para a casa dela. Acabou se tornando um hábito suas visitas, sendo que muitas vezes sua mãe também aparecia para almoçar com eles. Seth não perdia nenhuma oportunidade de ir lá e logo a floricultura se tornou um ponto de encontro deles.
A senhora Reine adorava ver a sua loja tão agitada e cheia de vida, díficilmente lá ficava vazio, ou em silencio. Aquela semana passou tão rápido quanto as outras. E logo já havia chegado o dia das provas.
Lucy desejou boa sorte para Skytte e Seth. E começaram as provas. Skytte, além da ameaça de ser reprovado, também tinha outro motivo para ir bem nos exames. Havia prometido a si mesmo que depois que os resultados saíssem, ele chamaria a Lucy para ir ao baile e lá se declararia.
O medo que sentiu de perde-la aquele dia, quando a encontrou na escadaria, superou o medo de ser rejeitado e estava decidido a dizer tudo o que sentia por ela. E se fosse bem naquelas provas, teria um incentivo para criar coragem e seguir em frente.
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Os resultados das provas saíram. O professor entregou os boletins, Lucy e Skytte se encararam. Após um pouco de suspense dramático, Skytte abre o envelope. O sinal toca e Lucy corre até ele.
—E então?- Ela perguntou nervosa.
Skytte sorriu.
—Minhas notas nunca foram tão altas em toda a minha vida...
Lucy tirou o boletim de suas mãos e logo em seguida começou a gritar e pular de empolgação.
—Conseguimos! Conseguimos!- Falava desesperada.- Ai meu deus, você conseguiu!
—Porque eu sinto que você não esperava esse resultado?- Perguntou ofendido.
Lucy o abraçou e saiu correndo com o boletim.
— Anda! Temos que mostrar isso á sua mãe...
—Calma.- Disse rindo.- Ela não vai fugir, me espera lá fora que eu tenho que pegar as minhas coisas.
Skytte foi até seu armário e dentro dele encontrou um bilhete.
Encontre-me na sua sala.
Os alunos estavam indo embora e a escola já estava praticamente vazia. Fez o que o recado mandava e foi até a sala de aula. Como já esperava, encontrou Ivy. Ela parecia distraída olhando pela janela.
— O que você quer?
—Você era mais gentil antes. — Disse virando-se para ele, estava pálida e com olheiras. -Ela te contou?
—Como? Você está falando da Lucy?- Falou sem entender do que ela estava falando.
—Pelo visto ela não contou...- Abriu um sorriso debochado.- Esse jeito puritano dela me enoja.
— Eu não vim aqui para ouvir você falando mal dela.
—Tá, tá...- Falou se sentando.- Sabe Skytte...Ultimamente eu tenho visto um lado novo meu. Um lado que não sabe o que é certo ou errado, que não conhece limites...
—Do que você está falando?- Skytte disse sem entender uma palavra.
— Fui eu que empurrei ela.- Falou sem olhar para ele.
Skytte a encarou surpreso, mas depois suspirou.
—Eu já esperava que você tivesse sido a responsável, mas eu não queria acreditar que tivesse sido capaz disso... — Falou inconformado. — Você podia ter matado ela! Qual o seu problema, Ivy? Enlouqueceu de vez?
—No começo eu também não acreditei. — Ela olha novamente para a janela. — Me senti culpada e não consegui dormir. Mas então eu percebi... Percebi que eu não me importo com as consequências... – Ela o encara. — A única coisa que importa é tirar aquela menina do meu caminho.
—Isso é uma ameaça?! — Skytte não consegue se controlar e a agarra pela gola da camisa, olhando nos olhos de Ivy.
—Não.- Disse indiferente.- É um aviso. Não sei o que vou ser capaz de fazer com aquela garota, se você não se afastar dela.
— Se você tocar um dedo...- Gritou nervoso.
— Eu não ligo. Eu não me importo com o que vai fazer comigo. Mas eu vou destrui-la com as minhas próprias mãos.
Skytte não consegue responder.
— Muito bem. Amanhã você vai comigo para escolhermos as roupas do baile.- Ela fala antes de sair, como se nada tivesse acontecido.
Skytte fica parado estático, ele olha pela janela e vê Lucy andando de um lado para o outro. Parecia preocupada. Ele se lembra que a deixou esperando e sai correndo.
—Porque demorou tanto?!- Disse brava.
— Desculpa, o armário emperrou...
—Okay...- Lucy olhou desconfiada.- Skytte? Você está bem?
— Sim. – Disse forçando um sorriso.-Vamos?
Lucy apenas consentiu e eles seguiram caminho. Depois de alguns minutos em silencio. Lucy se lembra de algo importante que tinha que perguntar.
—Ah é! Skytte você está ocupado amanhã?
—Infelizmente sim...- Fala ainda pensando na conversa que teve com Ivy.
—Entendi...
—Por quê?
—Nada demais.
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—Desculpa por pedir isso pra você Seth.
—Tudo bem, só de poder passar o tempo com você já recompensa.
Os dois carregavam caixa com flores, entregas que a mãe de Lucy não ia conseguir fazer. Lucy iria pedir ajuda ao Skytte, mas ele estava ocupado e acabou recorrendo ao Seth. Que a ajudou de boa vontade.
Depois de fazer o serviço, decidiram ir tomar um sorvete. Era uma tarde muito quente de sábado e a sorveteria estava lotada. Sentaram-se em uma mesa do lado de fora, em frente á uma loja de roupas de formatura.
—Skytte?- Lucy perguntou confusa ao vê-lo saindo da loja carregando sacolas.
Logo em seguida Ivy apareceu atrás dele.
—O que está fazendo parado? Ainda temos que comprar os sapatos... — Ao ver Lucy, Ivy abriu um sorriso vitorioso. -Olha só quem está aqui... Se não é a Esquisita?
—Que merda você está fazendo aqui Ivy?- Seth se pronunciou esforçando-se para não voar no pescoço dela.
—Você não contou a eles querido?- Falou abraçando a cintura de Skytte. — Nós estamos comprando as roupas para o baile, vamos ir combinando...
Seth e Lucy encararam Skytte surpresos, enquanto a única coisa que ele conseguia fazer era ficar parado fingindo que era uma pilastra. Não sabia o que fazer, nem o que falar, ainda mais quando viu o olhar decepcionado de Lucy.
—Bom, nos vamos indo. Votem na gente para rei e rainha do baile. – Ivy falou puxando Skytte pelo braço e o tirando dali.
Lucy continuava parada olhando para o nada. Não conseguia entender o que estava acontecendo. Ver Skytte com outra pessoa, ainda mais sendo essa pessoa a Ivy, fazia seu peito doer. Era como se seu coração fosse se dividir ao meio. Doía muito.
Será que estava apaixonada? Já havia pensado naquilo antes. Gostava de ficar perto de Skytte, de andar de mãos dadas com ele, de abraça-lo e até mesmo de discutir com ele. Na verdade “gostar” parecia uma palavra muito fraca para explicar o que sentia.
Seus olhos se encheram de água. Desde o começo sabia que nunca teria chance com ele. Mas mesmo assim, no fundo do seu coração, existia uma chama de esperança de que algum dia poderiam ficar juntos. Percebia que aquilo foi apenas uma ilusão, Skytte apenas havia sido legal com ela como agradecimento pelas aulas.
Se apaixonar por ele seria um erro. Um grande erro. Ela devia se contentar com a amizade deles, que já era mais do que o suficiente para Lucy. Se iludir desse jeito faria com que ambos se machucassem.
—Lucy?- Seth chamou a atenção dela pela quinta vez.
—Oi?
—Você está bem? Estou tentando de chamar já faz um tempo... — Olhou preocupado para ela.
—Desculpe, eu estou ótima. — Falou forçando um sorriso. — Só fiquei meio surpresa não esperava ver aqueles dois juntos.
—Nem eu... — Falou pensativo. — Vem, vamos aproveitar o dia.
—Como?!- Falou surpresa.
Seth a puxou pelo braço.
—Precisamos nos animar um pouco. Essa foi uma semana muito corrida, merecemos um pouco de diversão.
—Espera Seth! Aonde...
Ele nem a deixou terminar de falar e saiu correndo. Seth não era ingênuo sabia que Lucy estava triste por causa de Skytte, e isso também o deixava triste, afinal essa era uma prova de que seu amigo havia conquistado o coração dela primeiro.
Mas, acima das intenções amorosas, Seth queria ver Lucy feliz. E faria o possível e o impossível para anima-la. Levou ela para um fliperama. Sabia que ela era competitiva e que logo estaria absorta nos jogos.
O que realmente não demorou muito. Lucy já segurava uma arma a laser e gritava com os aliens do jogo. Seth ria do desespero dela. Ela descontava a sua raiva e as frustrações, rindo sempre que alguém perdia a cabeça. Jogaram jogos de dança, de corrida, luta e tudo o que tinham direito.
Depois foram para uma quadra, onde Lucy provou o quanto era péssima no basquete. Caminharam pelo parque, alimentaram os patos e brincaram com bolhas de sabão. Pareciam duas crianças felizes, sem nenhuma preocupação no mundo.
Lucy se sentia grata pelo que o Seth estava fazendo. Ele era um ótimo amigo, extremamente gentil que estava sempre a mimando e tentando faze-la rir das suas piadas bobas. Passaram em frente da arvore com as assinaturas.
Onde Seth finalmente teve a oportunidade de gravar o seu nome. Lucy mostrou onde estava o seu nome e o da sua mãe. Sentaram-se em um banco onde ficaram jogando conversa fora até o sol começar a se por.
—Acho melhor irmos andando. — Lucy falou olhando para o céu
—Lucy...
—Sim?
—Você vai ao baile?- Falou um pouco nervoso, nunca teve problemas em convidar garotas para sair. Mas Lucy era diferente, era especial para ele.
—Não tenho certeza... — Respondeu sinceramente. — Não consigo me imaginar em um baile. Acho que vou ficar meio deslocada.
—Você não vai ficar eu prometo... Quero dizer, se você quiser ir comigo, eu prometo que não vai ficar entediada.
— Eu imagino... Tudo bem, eu vou com você.
—Obrigado. — Disse visivelmente animado- Garanto que vai ser divertido. Vou te apresentar aos meus dons de bailarino.
—Estou ansiosa para ver isso. — Falou rindo.
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