Code L.U.C.Y
1 Noivas não choram
Notas iniciais
Seus saltos azuis faziam um barulho irritante no chão de mármore recém-polido. Seus pés tropeçavam um nos outros, mas ela ignorava e continuava andando apressada, praticamente correndo. Com um bolo de papeis no braço que atrapalhavam a sua visão. Ela para bruscamente em frente a um enorme portão de vidro. E Abre um sorriso ao ler, acima do portão, as palavras escritas em letras brancas.
Instituto Medico-Criminal
A dona dos sapatos chamativos, sorria que nem uma criança. Usava os cabelos loiros soltos na altura dos ombros e seus olhos azuis brilhavam intensamente. Tinha uma altura abaixo da média, e parecia mais nova do que realmente era.
Ainda olhando para cima, continua o caminho sem perceber uma pessoa obstruindo a sua passagem. O impacto fez com que caisse e derrubasse seus papeis. Já preparada para começar a se desculpar, olha para cima e se depara com um par de olhos negros a encarando. E que olhos...
“Nunca achei que teria um momento tão clichê, onde trombaria com um homem bonito, nos encararíamos, ele se desculparia e depois de dois dias nos casaríamos... Ai meu deus ainda não comprei o vestido! Calma primeiro preciso escolher as madrinhas, e tem que ter mini pizza. Eu sei que é pobreza, mas, poxa mini pizza é muito bom... ”
Seus pensamento são interrompidos quando uma voz rouca chega em seus ouvidos.
—Olha por onde anda! — disse mal-humorado. — Não da para ver um gnomo como você no meio caminho...
“Ai ele me chama Gnomo e passamos a nossa lua de mel na Grécia... Pera? Gnomo?!”
Ele sai andando deixando ela no chão, abandonada e decepcionada pelo casamento ter durado tão pouco.
—Idiota... Vai ter que me pagar pensão e ainda vou ter um caso com o seu advogado! -diz se conformando e recolhendo os papeis.
Chegou à recepção, apoiou-se na mesa olhando para a jovem secretaria sentada na sua frente. Era bonita, usava um coque certinho sem nenhum fio fora do lugar, óculos modelo gatinho, a típica secretaria. Estava distraída mexendo no computador, quando finalmente a percebe e sorri de volta.
—Bom dia Jeanne! -diz animada.
—Bom dia Lucy. Hoje é o grande dia? -a secretaria fala calmamente em oposição á personalidade espalhafatosa de Lucy.
Lucy afirma com a cabeça.
—Ele está esperando, já sabe o caminho. -Jeanne fala enquanto pegava os papeis de Lucy e os arquivava. -Boa sorte!
—Obrigada... -Fala saindo apressada.
Assim que vê o elevador começa a correr. Ele ia fechar, Lucy grita desesperadamente.
—Segura, segura por favor!
Quando consegue se aproximar o suficiente para ver quem estava lá dentro. Era o rapaz dos olhos negros. O elevador se fecha bem na sua frente.
—Droga!
Procura pela escada de emergência.
—Vai ter que ser do jeito antigo... -diz com raiva enquanto tirava o salto.
Abre a porta metálica e começa a correr, pulando os degraus de dois em dois enquanto as luzes automaticas se acendiam por onde passava. Correu como se sua vida dependesse disso. Primeiro, segundo, terceiro andar e assim foi sucessivamente até chegar decimo segundo andar. E claro, como a boa alma que era, fazia questão de apertar o botão do elevador em todos os andares que passava.
“ Sinto muito, mas sou uma pessoa rancorosa” Pensou enquanto abria um sorriso de satisfação ao ouvir os gritos de odio vindo do elevador.
Saiu das escadas exausta e com o cabelo bagunçado.Esperou um minuto para recuperar e entrou na sala da diretoria.
Era uma sala pequena, mas organizada com uma bela vista para a cidade. Sentado atrás da escrivaninha de madeira escura estava um senhor de cabelos grisalhos, queixo definido, sobrancelhas curvadas, olhos sérios e um jeito espartano que entregava sua origem militar.
—Bom dia srta. Reine — falou enquanto Lucy se sentava.
—Bom dia Sr. Kerber
Logo após cumprimenta-lo a porta se abre. Lucy fica confusa, ao ver que quem entrava pela porta era o Senhor Arrogante, como decidiu chama-lo desde o episodio do elevador.
—Está atrasado... — diz sem mudar de expressão, fazendo um sorriso vitorioso surgir no rosto de Lucy.
—Desculpe senhor, tive problemas com o elevador-disse se sentando e ignorando a loira ao seu lado.
O sala ficou em silêncio por alguns instantes enquanto Kerber os analisava. O recém-chegado continuava sentado quieto na dele como se não desse a mínima para ninguém naquela sala. Já Lucy estava quase morrendo, se contorcia na cadeira em uma tentativa desesperada para esconder sua ansiedade. Porém não estava dando muito certo.
—Vejo que está curiosa srta.Reine.
Lucy afirmou com a cabeça.
—Bom, então vamos ao veredicto... — disse tentando fazer suspense- a senhorita conseguiu o emprego.
—Ahhh!-Lucy pulou da cadeira e começou a abraçar a cabeça grisalha do Sr.Kerber -Muito, muito obrigada Sr.Kerber, não irá se arrepender!
—Já estou me arrependendo-disse nervoso,dando para ver as veias saltando de sua testa.
—Oh! Me desculpe-falou tentando arrumar o cabelo dele e voltando a se sentar.
Ficou surpresa ao perceber que em seu rosto havia um pequeno sorriso, mostrando que ainda existia um coração batendo dentro daquele homem frio.
—Mas não é só isso-voltando a sua velha expressão de sempre.-Você não trabalhara sozinha em campo, terá ajuda de um parceiro.
—Parceiro?
—E é por isso que o Sr.Skytte está aqui-Lucy encara ele que naquele momento também a fitava, já tinha até esquecido que ele estava presente- Srta. Lucy Reine lhe apresento Elliot Skytte, seu parceiro.
—O que?! -Eles gritam ao mesmo tempo.
“Não pode ser verdade! Eu sabia que já tinha visto esses olhos em algum lugar, mas... Não consigo acreditar. Não pode ser aquele Elliot Skytte...” Lucy pensou “Não pode ser o mesmo idiota com quem estudei!”.
Como não o reconheceu? Seus olhos escuros, cabelos negros, personalidade orgulhosa e arrogante, tudo continuava o mesmo. A única diferença era que estava mais velho, mais alto e usando terno.
—Não pode ser! — Skytte fala tão surpreso quanto ela. — Achei que nunca mais ia te ver Esquisita...
—Digo o mesmo, nunca achei que iria conseguir entrar em uma faculdade! Muito menos se formar em uma... -falou como se visse um fantasma.
—Ótimo! Já se conhecem. Agora, podem sair da minha sala –Sr.Kerber se pronuncia ignorando a troca de insultos. — A Srta.Clisson, da recepção, contara como devem proceder.
Desse jeito, ambos são forçados a sair da sala. Assim que a porta se fecha atrás deles, Lucy se vira e fala.
—Será que desta vez vossa senhoria poderia me deixar pegar o elevador na sua ilustrissima presença?- Disse fazendo uma reverencia antiquada.
—Você continua insuportável... -Skytte fala sorrindo cinicamente.
O elevador chega. Um silencio desconfortável se instala.
—Então... -disse tentando puxar assunto. -Você realmente virou medica?
—Legista, mas você sempre soube que esse era meu sonho... – Olhou para ele. — Já você, nunca me contou o que queria fazer.
—Nem eu mesmo sabia, acabei seguindo carreira militar e depois entrei para polícia e virei detetive.
—Sabia que não entraria na faculdade.
—Sabia que viraria ratinho de laboratório.
A porta do elevador abre e eles e andam até a recepção trocando ofensas.
—O Sr.Kerber não disse qual das secretarias era a Srta. Clisson. -Skytte olha para as três secretarias sentadas na recepção.
—Eu sei. -Lucy sai correndo- Jeanne!
—Olá de novo-Jeanne fala calma como sempre.
—Eu consegui, eu consegui!-Fala cantarolando e abraçando a amiga.
—Parabéns! Eu sabia que conseguiria o emprego. Afinal, você é a Lucy.
—Mas não estou aqui para isso... -diz dando espaço para ela ver Skytte-Quero que conheça o Senhor Arrogante, meu novo parceiro.
—Cala boca gnomo esquisito. -Skytte fala e depois olha para Jeanne-Prazer, eu sou Elliot Skytte o infeliz parceiro da sua colega.
—Prazer Sr.Skytte, eu me chamo Jeanne Clisson e sou amiga da Lucy.
—Nunca pensei que pudesse fazer amizade com um ser-humano normal-disse olhando para Lucy.
—Idiota... -Fala e se apoia na mesa- Mas, então, o Sr.Kerber disse que você vai nos passar o nosso primeiro caso.
—Ah, claro, só um segundo-Ela digita algumas palavras no computador e entra em uma porta atrás dela.Logo em seguida volta com uma pasta parda nas mãos.-Aqui está.
Lucy pega a pasta e dá uma olhada, mas antes de tomar qualquer decisão Skytte chega por trás dela e tira a pasta de sua posse.
—Ei!
—Pronto já tenho o endereço. -Skytte fala e sai andando- Eu dirijo.
—Espera! -Lucy sai correndo atrás dele, olha para trás e acena para Jeanne-Até mais tarde!
Quando finalmente alcança Skytte, já estão próximos do carro.
—Por que é você que vai dirigir?
—Porque o carro é meu. E não quero ir na sua bicicleta.
—Não é uma bicicleta!-Skytte a encara cético-É uma moto...
—Acha que alguém vai nos respeitar se chegarmos à cena do crime em uma moto? — quando Lucy ia abrir a boca- Por favor, não responda e entre no carro.
Lucy solta um suspiro derrotada e entra no carro.Ela abre a pasta e começa a ler em voz alta.
—A vítima é uma mulher, encontrada no próprio apartamento, 26 anos, sem filhos. O pai morreu e a mãe está hospitalizada... -olha para Skytte e ele afirma a cabeça para prosseguir — Noiva, ia se casar mês que vem, o corpo foi encontrado pela empregada pendurado pelo pescoço no ventilador... Suspeita-se de suicídio.
—Estranho ninguém prestes a se casar se mata — fala Skytte prestando atenção no transito.
—Até as pessoas mais felizes podem cometer suicídio, talvez descobriu algo sobre o marido.
—Acha que ele a traia?
—Não sei, é só teoria...
..........................................................................
—Chegamos
Skytte estaciona o carro em frente a um prédio. Não era um prédio qualquer, era do tipo que só o condomínio custava seu salário de um ano inteiro.
Primeiro foram falar com o porteiro, mas o portão branco era tão grande que não se via ele. Apertaram o interfone e ouviram uma voz computatorizada falar.
—Bom dia, por favor, digam seus nomes olhando para a câmera a sua direita.
—Detetive Skytte – Fala mostrando seu distintivo.
—E doutora Reine do Instituto Medico-Criminal- Disse se aproximando da câmera e acenando.
—Sejam Bem-vindos ao Lune Pleine.
Os portões se abrem e eles entram.
—Uau! Isso sim é um prédio...-Lucy fala empolgada olhando tudo á sua volta.
Antes de entrarem no prédio em si, eles passaram por um pequeno jardim, com canteiros de tulipas organizados por cor. E um chafariz que esguichava uma agua tão limpa que podia ser bebida.
—Não se empolgue tanto novata. -Skytte fala e Lucy lhe mostra a língua.
—Sério isso?Quantos anos você tem?! -Ele diz revirando os olhos
Quando chegam o hall está enfestado de policiais entrevistando estereótipos de pessoas ricas. Mulheres com casaco de peles acompanhadas de seus cachorrinhos e mordomos. Homens com ternos recortados sob medida reclamando de estarem atrasados para reuniões importantes e ameaçando ligar para algum senador qualquer.
“Não sabia que existia esse tipo de gente na vida real” pensou Lucy.
Finalmente chegam ao elevador, ao tão esperado elevador, sem pessoas, cachorros e principalmente, sem perfumes enjoativos e caros.
—Deus, se eu ouvisse mais um daqueles latidinhos agudos iria roubar a sua arma e me matar. -Falou Lucy encenando seu suicídio.
—Duvido que tivesse tantos policiais se isso fosse no meu prédio...
No sexto andar, encontram mais alguns policiais e finalmente acham o apartamento. Já com as boas e velhas faixas chamativas de não ultrapasse.
Eles passam por baixo dela e entram no apartamento. Que fazia jus ao resto do lugar. Era grande, limpo e organizado com moveis caros e exclusivos.
Vários peritos já tinham chegado a cena do crime, estavam andando apressados pelo apartamento, carregando envelopes de provas e fotografando tudo.
—Skytte!
Um investigador se aproxima deles, era mais velho, por volta dos quarenta, com cabelos e olhos claros.
—Hunt, o que está fazendo aqui? -Skytte pergunta surpreso, mas feliz.
—Você acha mesmo que iriam deixar uma dupla novata como a de vocês — aponta para eles-resolver isso sozinha? Mandaram-me para supervisionar.
—Entendo...
—A proposito, por que o atraso?
—Problemas com o elevador-Falam os dois ao mesmo tempo.
—E quem é essa linda dama? -Pergunta sorrindo para Lucy
—Doutora Lucy Reine do Instituto Medico-Criminal-Ela estende a mão para cumprimenta-lo — Prazer em conhecê-lo
—O prazer é todo meu Lucy. Meu nome é Logan Hunt e eu ensinei tudo que Skytte sabe.
—Não é para tanto Hunt, vamos ao que interessa , onde está o corpo?-Fala Skytte
—Okay, apressadinho, no segundo quarto á direita.
Eles passam pela sala, cozinha e chegam a uma porta de madeira. Ao abri-la se deparam com a seguinte cena. Uma grande janela de vidro fechada no fundo, uma cama King size no canto, na frente dela pendurada no ventilador por uma gravata preta, estava o corpo.
Uma jovem, de vinte poucos anos, cabelos castanhos organizados em um penteado elaborado. Usava um vestido de noiva, totalmente branco, tomara que caia maquiagem borrada e seus olhos vidrados aparentavam um dia ter sido de um lindo verde-água.
O armário estava fechado ao lado esquerdo da cama encostado na parede e na frente da cama uma penteadeira bagunçada cheia de lencinhos.Havia roupas espalhadas pelo quarto e sapatos jogados.
Como o quarto de qualquer pessoa normal.
—Qual o nome dela? -pergunta Lucy enquanto se aproxima do corpo
—Venetia King-diz Hunt.
—Ela parece ter chorado bastante-Skytte comenta- A maquiagem esta toda borrada...
Lucy tira os sapatos e sobe na cama. E coloca as luvas.
—Isso não é... Meio antiético?
—Estou de meia-calça, não vou contaminar a cena- Ela fala séria observando atentamente o corpo inerte de Venetia.
“Como alguém pode mudar tanto de uma hora para outra? Dois minutos atrás estava me mostrando o a língua e agora está sendo profissionalmente assustadora...”-Pensa Skytte enquanto observa Lucy fazer seu trabalho.
Ela observa as unhas, os braços, pescoço e finalmente a cabeça. Passa a mão nos cabelos dela até que acha algo.
—Skytte- ele se aproxima dela — Não foi suicídio.
—Como?-Hunt pergunta se aproximando
—Essa ferida na cabeça-diz indicando o ferimento- Foi forte o suficiente para mata-la. Mas para ter certeza tenho que levar ao laboratório. — solta um suspiro-Além disso, uma cena de suicídio é bem mais “suja” que essa. Tem fluídos para todos os lados, uma coisa horrível.
—Então é um homicídio? -Skytte pergunta
—Talvez, mas preciso levar tudo ao laboratório.E quero atenção especial para a gravata.
—Tudo bem.
Ela se aproxima da penteadeira, além dos lencinhos, havia maquiagem espalhada e uma escova muito bonita jogada. E algumas fotografias dela com o pai e uma ou outra com a mãe. Termina de analisar tudo e se vira para eles.
—Da minha parte é só. -Lucy fala- Mais alguma coisa?
—Não, vamos voltar ao IMC ver se descobrimos alguma coisa.
—Okay.
—E Hunt, não se esqueça de enviar o resto das informações, parentes, amigos, alguém que lhe quisesse fazer mal e o depoimento dos vizinhos.
—Sim, senhor — ele responde irônico.
Skytte e Lucy deixam o apartamento.
—Então você acha que é homicídio? -Ele fala enquanto dirige.
—Eu não acho nada, tenho que observar melhor-Lucy fala — Mas as chances são altas.
—Quanto tempo para descobrir a causa da morte?
—Marquei a autópsia para daqui... -Ela olha o relógio- 30 minutos
—Muito bem.
—Vai assistir?
—Não, obrigado.
—Estomago fraco?-Lucy sorri
—Prefiro guardar meus nervos para outro momento.
—Humm... Sei
—Para de ser tão criança!
—blábláblá... “Para de ser tão criança!”- disse imitando ele.
—Fico pensando como podem deixar você conduzir uma autópsia sozinha? Não acabou de se formar e conseguir o emprego?
—Pode não parecer, mas eu fui a melhor aluna da minha sala e fiquei dois anos fazendo estagio no IMC antes de me formar. Por isso todos me conhecem e confiam em mim, além disso eu tenho assistentes.
—Sei...
..........................................................................
—Muito bem, obrigado a todos -ela tira as luvas- Declaro essa autópsia oficialmente encerrada.
Lucy sai da sala, descarta as luvas e senta-se no banco próximo a porta, onde geralmente fica os parentes e amigos para reconhecimento dos corpos.
Fecha os olhos e solta um longo suspiro deixando todo o peso do seu corpo cair sobre o encosto.
—Foi tão ruim assim? – Skytte se aproxima com duas xícaras de café na mão.
Ele senta-se do seu lado e lhe oferece a xícara
—Não é a melhor coisa do mundo...- fala sorrindo- Mas confesso que agora estou surpresa. Café? Para mim? Sou oficialmente sua parceira?
—Não me faça levar de volta- ele afasta o café e Lucy em um salto o agarra com as duas mãos. -Então, alguma descoberta?
—Oficialmente homicídio. -ela entrega uma ficha para ele- Venetia era uma jovem saúdavel, gostava de correr, almoçou salada e teve relações sexuais algumas horas antes de ser morta. Horário da morte entre 15h e 19h de ontem.
—Nem quero saber como descobriu sobre a salada... -ele olha a ficha- Consensual?
—Sim e com camisinha. -Fala bebericando o café.
—Vamos ter que falar com o noivo...
—O exame para drogas e veneno só sai amanhã, além disso, vestigios de grama e terra encontrado debaixo da unha da vítima foram para analise, também só amanhã.
—Nada para hoje?
—Não reclama, a vida não é um CSI e só conseguimos para o dia seguinte porque está como urgente.
—Digitais?
—Amanhã!- ela diz exaltada- E agora se não se importa poderiamos ir falar com os parentes e amigos ?
—Okay... -Ele levanta- E de nada pelo café.
—Podia ter mais açúcar... -Ela o acompanha- Ah! Quase me esqueci, a maquiagem não foi borrada com lagrimas, foi suco de uva.
—Como?
—Isso que eu disse, não foram lagrimas, alguém jogou suco de uva no rosto de Venetia.
—Mas e o vestido?
—Eis a questão- ela entra no carro- Foi colocado pelo assassino após a morte!
..........................................................................
—Desculpe atrapalhar seu tempo senhora King mas temos algumas perguntas- Skytte disse mostrando o distintivo.
—Tudo bem, entrem — ela abre a porta.
—Sou o detetive Skytte e essa é a doutora Reine do IMC.
—Por favor, me chamem de Sienna. -ela se senta no sofá e eles na sua frente.
Sienna era parecida com a irmã, mas com uma aparência bem mais simples.Tinha os cabelos curtos e morava em uma casa pequena no bairro ao lado do de Venetia. Suas olheiras profundas mostravam a noite mau dormida.
—Gostariam de chá, café, alguma coisa?
—Não obrigada-Skytte falou- Vou direto as perguntas de sempre, onde estava entre 15h e 19h de ontem?
—Para falar a verdade, eu estava em casa, não sou de sair muito.
—Era próxima da sua irmã?
—Costumávamos ser, mas com toda essa historia de casamento, preparativos e etc.- disse olhando para o chão- Acabamos nós afastando um pouco.
—Era contra o casamento?
—Bem... Sim. Ela é, digo, era jovem demais para uma coisa dessas.
— E quanto ao noivo?
—Tom? Não falei muito com ele -secou um pouco as lagrimas- Parecia um rapaz legal, mas como disse muito jovem para casamento.
—Ela estava feliz?
—Acho que sim, a ultima vez que vi estava super empolgada-começa a chorar — Me desculpem... É só...É só que eu não acredito que minha irmãzinha tenha se matado, tirado a própria vida daquele jeito.
—Ela não tirou a própria vida-Lucy se pronuncia-Tiraram dela.
—Como?!- Sienna fala levantando o rosto atônito.
Skytte olha repreendendo Lucy.
—Alguém gostaria de ferir sua irmã?- Skytte fala mudando de assunto
—Não... -ela repensa- Bom, ela era bem competitiva, talvez tivesse problemas no trabalho...
Lucy observava a sala, repleta de livros e fotografia dela com a mãe. Até que reconheceu um objeto.
—Essa escova...-Lucy disse- Sua irmã tem uma igual?
—Ah, sim...-abriu um doce sorriso- Mamãe adorava pentear nossos cabelos antes de irmos dormir. Ela comprou uma para cada, são idênticas...
—São realmente muito bonitas...
—Seu pai faleceu recentemente?- Skytte perguntou
—Sim, ele teve um derrame.
—Então a empresa...
— Ele deixou a maior parte dela e da herança para Venetia, e eu concordei. Disse tristemente- Sabe, ela ainda é uma criança que sempre se mete em problemas. Achamos melhor deixar o dinheiro para quem estava precisando mais.
—Não ficou brava?-Lucy perguntou.
—Na verdade não. Nunca liguei para a empresa, tenho meu próprio emprego e um ótimo salario. Já Venetia não conseguia parar em nenhum... Fiquei com medo que tivesse problemas no futuro.- riu meio sem graça.
—Entendo...- Skytte disse- Obrigado por responder senhora Sienna.
—De nada.Foi um prazer- disse acompanhando até a porta.-Espero ter ajudado.
Antes de saírem Sienna os chama e faz um ultimo pedido.
—Por favor descubra quem fez isso com ela...
—Nós vamos!-diz Lucy com um sorriso determinado.
Fale com o autor