Code L.U.C.Y

10 A Valsa das Flores


Lucy e Skytte estavam saindo do IMC quando foram chamados a um caso urgente. Seus turnos já haviam acabado, mas o diretor Kerber mandou que os dois fossem imediatamente ao local do crime. Que por algum motivo estava bem mais tumultuado que o normal.

Milhares de repórteres cercavam o lugar, filmando e tirando fotos. As viaturas tentavam, em vão, afastar a multidão curiosa. O local era um grande teatro da cidade, famoso por receber artistas famosos e realizar espetáculos grandiosos.

—Droga!- Skytte disse batendo as mãos no volante. Demoraria um tempo até conseguir arrumar um lugar para estacionar. — Acho melhor você ir descendo.

—Okay... — Lucy respondeu descendo rapidamente do carro. Curiosa para ver o que acontecia.

Atravessou o mar de flashes, mostrou suas credenciais e ultrapassou as fitas amarelas. Nunca havia estado naquele teatro, não tivera muito tempo para lazer desde a formatura. Surpreendeu-se ao ver a enorme construção.

O teatro era rodeado por pilastras de mármores brancas e estatuas de seres mitológicos, como ninfas e sátiros. Suas paredes douradas tinham desenhos em alto relevo, os vitrais eram grandes e coloridos. O saguão principal era espaçoso, com alguns sofás distribuídos e um lustre de diamantes maior que muitos apartamentos por aí.

Os policiais a levaram até a sala de apresentações. Passou pelas cadeiras vazias da plateia e se aproximou do palco. Havia um pequeno grupo de pessoas em cima, peritos recolhendo provas e fotografando, e entre eles estava Hunt.

Ele falava no telefone, parecia nervoso. Desligou assim que viu Lucy.

—Que bom que você chegou, aqui está um caos. — Falou puxando ela pelos braços. — Nesse caso toda ajuda será pouca.

E então ele mostrou o corpo. Era uma jovem magra e esbelta. Usava sapatilhas e um vestido branco cheio de penas. Seu cabelo estava amarrado em um coque, preso por uma pequena coroa. Em volta do corpo, havia flores, como em um caixão.

—Odette... — Lucy sussurrou com um olhar triste.

—Então você conhece a vítima? – Perguntou surpreso.

—Não, me referia á personagem do “Lago dos Cisnes”. Por quê?

— Porque o nome da nossa vítima é Odette Marie.

—Pelo visto ela estava ligada á personagem desde o nascimento. – Disse um homem se aproximando.

O desconhecido tinha cabelo castanho claro e olhos cor de amêndoa, era alto. Um homem bonito, de vinte e poucos anos e usando um terno italiano cinza. Lucy olhou interrogativa para Hunt.

—Ah, é mesmo, esqueci-me de te apresentar. — Disse Hunt esfregando a têmpora cansado. – Esse é Finn Roth, ele ajudara na investigação.

—Dr. Finn Roth, psicólogo forense. – Ele disse estendendo a mão para Lucy.

—Dra. Lucy Reine, legista. – Disse cumprimentando ele.

Apesar da cena mórbida, Finn Roth abriu um sorriso caloroso.

—Você é mais nova do que eu esperava...

— É eu já ouvi isso. – Disse sorrindo sem graça.

Eles ouvem um estrondo. Um dos peritos havia derrubado, sem querer, uma parte do cenário. Com o susto, Lucy pisa de mau jeito e quase cai do palco, mas Roth a segura.

—Você está bem?- Fala segurando ela pela cintura.

—Ahnn... — Lucy murmura corando. Estavam próximos demais.

— Acho que você já pode solta-la. – Skytte aparece entre eles.

— Como quiser. – Roth fala soltando Lucy delicadamente.

—E você... — Skytte fala encarando Lucy. — Não devia ser tão distraída, não precisamos de mais um cadáver. — Termina dando um tapinha na cabeça dela.

—Desculpa... – Ela fala envergonhada.

—Vamos prosseguir. — Hunt disse ansioso

Lucy se aproxima do cadáver. Afasta algumas flores. Por baixo de todas aquelas penas e pedras brilhantes, uma poça de sangue havia se formado.

—Ela foi esfaqueada, na cintura. — Lucy fala analisando o corte. — Com uma faca pequena, tipo um canivete.

Ela pega uma das flores na mão e fica surpresa.

— São Jacintos brancos e púrpuras. – Roth disse ao ver a expressão dela. — Na linguagem das flores querem dizer...

—Mágoa e tristeza profunda. — Lucy falou pensativo.

—Como você sabia? Eu tive que pesquisar no celular assim que cheguei e vi as flores.

—Ah, isso, eu...

— A mãe dela é dona de uma floricultura, ela cresceu aprendendo sobre flores e seus significados. — Skytte a interrompeu. — E quem é você?

— Sou o Dr. Finn Roth, o psicólogo forense que vai ajudar vocês no caso.

—Não precisamos de ajuda. — Skytte disse orgulhoso.

—Precisamos sim. — Hunt o contrariou. — Temos que resolver isso o mais rápido possível, antes que a imprensa me devore vivo.

— E quem era ela?- Lucy perguntou.

—Como eu disse, a vítima é Odette Marie, uma estrela do ballet clássico. — Hunt disse. -Essa semana ela iria estrelar o “Lago dos Cisnes”, mas como você pode ver...

—Quem a encontrou?

— Um dos seguranças.

— E as câmeras?- Skytte perguntou andando em volta do palco.

—Desligadas, estavam sendo consertadas. – Roth respondeu.

—O que ela fazia aqui á essa hora, já não era para o teatro estar fechado?-Lucy indagou.

— Falamos com os funcionários. — Hunt respondeu. — Marie tinha as chaves do teatro, ela gostava de praticar até tarde.

— Tem certeza que ela morreu aqui mesmo?- Lucy perguntou se levantando.

—Por quê?- Skytte pergunta, seguindo ela.

— Gotas de sangue. — Aponta para uma trilha de gotículas vermelhas, pouco chamativas.

Eles caminham até uma sala, com muitos espelhos e barras de metal. Lucy entra atenta ao chão e então se ajoelha ao lado de uma pequena poça de sangue.

—Acredito que foi aqui, que Odette morreu.

—É a sala onde as bailarinas praticam... — Hunt falou, enquanto chamava os peritos para irem até lá.

—Isso é muito estranho... — Skytte fala pensativo. – Normalmente o assassino esconde o corpo, não coloca em um lugar ainda mais chamativo.

— Sem falar das flores... — Lucy completa.

—Não estamos lidando com um assassino qualquer. — Roth disse.

—Droga. — Hunt falou. — Não vamos voltar pra casa tão cedo.

.......................................................................................................................

Já era de manhã quando eles voltaram ao IMC, Roth e Skytte esperavam Lucy acabar a autopsia. O clima entre eles não era dos mais agradáveis. Não foram um com a cara do outro desde o principio.

—Desde quando são parceiros?- Roth perguntou tentando quebrar o silencio.

—Já faz alguns meses. — Respondeu indiferente.

—E já sabe sobre a infância dela?- Falou irônico. — Uau, que rápido.

—Isso não é da sua conta.

O silencio retorna.

Lucy deixa a sala, tirando as luvas e acenando para eles.

—E ai? Já viraram amigos?

—Não. — Respondem em uníssono.

—Imaginei... — Lucy sorriu sem graça.

—E como foi à autopsia, senhorita Reine?- Roth falou se aproximando dela.

— Me chame de Lucy. — Falou pegando a xicara de café do Skytte. — Como eu já disse. Odette foi atingida por uma faca fina, seu intestino foi perfurado. Faleceu por causa da hemorragia. Depois de morta, seu corpo foi carregado até o palco, onde a cena que a gente encontrou foi montada.

— A forma como ela morreu não teve importância para o agressor, mas sim o resultado final, como se para ele isso fosse uma obra de arte. — Roth disse. – Ele queria que vissem o que ele fez. Talvez possamos estar lidando com um psicopata.

—Não importa que nome você vá dar pra isso, mas precisamos pega-lo. — Skytte disse pegando a chave do carro e indo embora. — Vamos Lucy, vamos falar com os amigos da vítima.

—Você devia parar de me deixar para trás!- Ela fala tentando acompanhar ele.

—Anda logo, aquele cara me irrita. -Resmungou.

— Eu o acho legal.

“Isso me irrita mais ainda!” Skytte pensou entrando no carro.

Assim que os dois fecham as suas portas, Roth entra no banco de trás.

—Que merda você esta fazendo aqui?!- Skytte falou bravo. — Saia do meu carro.

—Eu disse que trabalharíamos juntos. Pare de reclamar, até parece um velho.

—É o que eu digo o tempo todo... — Lucy falou rindo.

—Calem a boca! Se vão ficar aqui, obedeçam as minhas regras. — Falou dirigindo impaciente. — Nada de brincadeiras, nada de bagunça e nada de assuntos impertinentes ao caso.

—Então, Lucy. — Roth o ignorou. — Como é que o Skytte sabia sobre a sua infância? Você contou para ele?

—Na verdade não... — Falou segurando a risada ao ver o rosto de Skytte pelo espelhinho. — Passamos a infância juntos, em uma cidadezinha do interior, onde todos sabiam sobre todos.

—Então vocês nunca foram amigos?- Perguntou curioso.

Lucy ficou quieta por um tempo. Seu sorriso sumiu, lembrou-se das palavras que Skytte disse oito anos atrás. Naquele dia horrível.

—Não. Nunca fomos.

Roth não soube como continuar, era obvio que existia um assunto mal resolvido entre aqueles dois. Ficou curioso, com certeza dariam um ótimo estudo. Decidiu prestar mais atenção á aquela dupla novata.

Skytte tentava parecer indiferente enquanto dirigia. Mas, é claro, que ouviu a conversa. Sentiu seu coração apertar, podia imaginar o que se passava na cabeça de Lucy. Queria pedir perdão, explicar o que havia acontecido.

Mas já era tarde demais. Havia magoado Lucy profundamente, perdeu a sua chance e agora merecia sofrer as consequências por tudo o que fez. Sentia-se um bosta, como pode fazer aquilo? Mesmo que sem querer. Não merecia o perdão do seu primeiro amor.

Chegaram ao hotel onde os integrantes da companhia se encontravam. A imprensa também já havia chegado e os seguranças tentavam conter a multidão barulhenta. Skytte ajuda Lucy a atravessar o aglomerado de pessoas.

Os três vão a uma sala, normalmente usada para coletivas de imprensa, onde todos estão reunidos. Eles discutiam em voz alta. Quando um homem magro, loiro e com uma bengala subiu no palanque.

—Silencio, por favor. — Disse calmamente. — Para quem não me conhece, eu sou o diretor da companhia de dança, artes cênicas e musica Estúdio Dandelion. Acredito que todos já saibam do trágico acontecimento que afligiu nossa companhia noite passada. O falecimento de Odette Marie nos afeta de todas as formas possíveis, tanto emocionalmente, com essa perda inesperada. Quanto profissionalmente, pois não podemos negar os prejuízos, os atrasos e a repercussão que esse incidente ira nos causar.

Por isso pedimos a todos que mantenham a calma e acima de tudo que cooperem com a policia. Vamos dar todo o apoio para que as autoridades resolvam esse caso o mais breve possível. Para que possamos retomar nossas atividades o quanto antes. Obrigado a todos e traremos mais informações ao longo do dia.

As pessoas aplaudiram e se dispersaram pouco a pouco.

—Vamos começar os interrogatórios. Dr. Hoth pretende nos acompanhar?- Skytte perguntou a contra gosto.

—Não, vou fazer a minha pesquisa por fora.

—Ótimo. — Skytte falou puxando Lucy. — Vamos acabar logo com isso.

........................................................................................................................

—Pela décima vez senhor Danckan, não estamos interessados em saber sobre as suas performances fantásticas de violino... — Skytte falou irritado. — Poderia nos falar logo sobre o seu relacionamento com a vítima?

Charles Danckan um dos maiores violinistas de nossa geração era uma atração à parte do espetáculo O Lago dos Cisnes da companhia Dandelion. Metade francês, metade inglês, Danckan era um homem bonito, com cabelos claros e olhos verdes. Mas sempre que abria a boca o encanto acabava, apresentando-se como um homem fútil, narcisista, egoísta e ignorante.

—Odette? Claro... – Colocou suas pernas preguiçosamente sobre a mesa. — Ela amava me ouvir tocar. A flagrei assistindo meu ensaio escondida, era adorável parecia um coelhinho assustado, então a chamei para tomar um café e foi assim que a gente se conheceu.

—Vocês estavam tendo um relacionamento sério?- Lucy perguntou, também de saco cheio. Como alguém poderia aguentar um homem tão irritante?

—Não muito sério. Pelo menos, eu não via como um namoro. Apenas saiamos de vez em quando. Mas não acho que Odette via da mesma forma, não gostava de me ver falando com outras mulheres, era muito possessiva e ciumenta. Devia estar completamente apaixonada por mim. Não a culpo afinal eu sou irresistível.

—Imagina alguém que queria machuca-la?- Skytte perguntou.

—Não sei... Talvez alguma fã maluca minha. Imagino que muitas mulheres tinham inveja de Odette, ela era uma das poucas que tinham oportunidade de sair comigo.

—Obrigada senhor Danckan, pode ir embora. — Skytte disse.

O violinista sai da sala. Lucy e Skytte soltam um suspiro quase ao mesmo tempo.

—Que pessoa insuportável... — Lucy murmurou.

— Não sei se devo levar a sério o depoimento dele. — Skytte confessou. — Pode muito bem ser apenas ideias distorcidas da sua mente narcisista.

— Também não duvido nada que seja isso, mas não estamos em condição de descartar possibilidades. — Ela pensou um pouco. — Como será que o dr. Roth está?

........................................................................................................................

Roth caminhava tranquilamente pelo saguão observando as pessoas. Gostava de fazer parte da multidão, acreditava que como um desconhecido conseguiria mais informações do que como policial. A visão de um distintivo era o suficiente para fazer as pessoas se calarem e pensarem cuidadosamente no que vão dizer.

Mas porque se preocupariam com um estranho? Poderiam falar despreocupadamente, sem medir as palavras, afinal nunca mais o veriam novamente. E foi com esses pensamentos que começou a passear pelo hotel, não sabia o que procurava, mas saberia quando o visse.

Foi quando avistou uma figura que lhe chamou a atenção. Afastada de todos, era a única que não participava das conversas alvoroçadas, nem fazia rebuliço ao telefone. Uma mulher sentada em um dos sofás do saguão, encarando uma revista, sem mudar a pagina o pelo menos trinta minutos.

Roth foi até a cafeteria, pediu um café para viagem, pegou uma pilha de papeis em sua pasta e andou até a moça. Quando estava se aproximando caiu, destrambelhado no chão. Derrubando tudo no chão e fazendo a maior bagunça.

O som da queda fez com que ela acordasse do transe e levanta-se na hora, ajudando ele a pegar as suas coisas.

—O senhor está bem?- Perguntou preocupada.

—Ah, sim, tudo bem, não precisa me ajudar... -Falou rindo sem graça. — Eu caiu toda hora.

A moça apenas sorri e o ajuda a pegar os papeis.

—Parece que não vai dar para salvar o café...

—Bom, já que vou ter que voltar lá mesmo... — Falou se fingindo de tímido. — A senhorita aceita um café? Como agradecimento pela ajuda com esse pequeno incidente.

—Tudo bem, eu aceito.

Foram até a cafeteria, Roth pediu dois cafés. Sentaram-se em uma mesinha onde Roth pode analisar melhor a mulher. Era bonita, alta e magra, com cabelos castanhos compridos e enrolados e com o rosto salpicado de pequenas sardinhas.

—Desculpe-me, mas posso saber o seu nome? — A moça perguntou

— Finn Hoth, e você?

—Julieta Fisher.

—Você é atriz o algo do tipo? É que a senhorita me parece tão familiar...

—Deve ter visto meu rosto recentemente, principalmente se acompanha os jornais. Sou a bailarina reserva de Odette Marie. — Disse com uma expressão triste.

—Ah, sei. A bailarina que morreu. Sinto muito, você deve estar muito abalada.

—Você é a primeira pessoa que espera essa reação de mim. Os outros esperam que eu esteja feliz, comemorando, já até me ligaram para me parabenizar. O que eles não sabem é que esse papel vai ser minha maldição.

— Como assim?- Roth pergunta interessado.

O café deles chega, Julieta bebe um gole e solta um suspiro cansado.

—Eu e Odette somos amigas de infância. Nunca iria desejar mal a ela, mas depois que os papeis foram decididos tudo mudou. Eu falei que não queria ser a substituta dela, para me darem um personagem qualquer mesmo que secundário. Mas Odette insistiu, disse que eu era única que conseguiria fazer o papel caso algo acontecesse com ela. Eu aceitei, e então começaram os boatos...

Falavam que nos tínhamos brigado pelo papel, que nossa amizade acabou, começaram a fazer comparações e quando eu vi, da noite pro dia, eu me tornei uma sombra de Odette Marie. Todas as vezes que mencionavam o nome dela, o meu apareceria logo atrás. Sem falar, que ela também começou a agir estranho, não saiamos mais, não conversávamos mais, brigava por qualquer coisa, era como se os boatos tivessem sido repetidos tantas vezes que estavam se tornando verdade. E agora ela morreu...

Julieta tinha uma expressão horrível no rosto. Um misto de preocupação, tristeza e angustia. Parecia sufocada.

—Eu não quero dançar. Se já falavam antes, imagina agora. Estão dizendo até que eu a matei... Que eu matei a minha melhor amiga. Estou cansada, exausta, não importa o que eu faça os boatos continuam. Não importa mais, se eu dançar bem, se eu dançar mal. A única coisa que conseguem ver é à sombra de Odette. A que não tem o mesmo brilho nem o mesmo talento, a sombra que matou só para poder sair da obscuridade.

—Não faça isso. — Roth falou. — Você não devia desistir por causa dos outros. Por que você começou a dançar pra começo de conversa?

—Porque era divertido... — Disse olhando para ele.

— Então volte a dançar pelo mesmo motivo. Ignore os outros, apenas faça o que você quer fazer. Como você mesma disse, não importa o que faça as pessoas vão continuar falando, então ao menos faça algo que te deixa feliz.

—Mas...

—Se tiver que ficar triste fique. — Roth a interrompeu. — Fique deprimida, sinta o luto por sua amiga. Isso é algo normal e saudável, se vista de preto e vá ao velório. Mas você não pode se culpar pelo resto de sua vida por algo que você não fez. Por isso quando chegar a hora siga em frente, coloque as sapatilhas e seja feliz. Não deixe os outros estragarem a sua felicidade.

—Eu... Eu não sei o que dizer. — Ela falou confusa. — Obrigada, de verdade. Você nem me conhece, mas me entendeu completamente. Vou pensar no seu conselho.

— Eu não fiz nada além da minha obrigação, sou psicólogo. — Falou dando um sorriso simpático.

—Isso explica muita coisa. — Correspondeu ao sorriso. — Bom, obrigada pelo café e conselhos, mas agora eu realmente tenho que ir.

—Eu também, espero te ver de novo. — Roth entregou um cartão com o número dele. — Me ligue se precisar de alguma coisa.

Eles se despediram. Roth já ia procurar Lucy e Skytte, quando os dois se aproximaram.

—É isso que você chama de pesquisa por fora?- Skytte falou irônico

—Não esperava que você fosse esse tipo de homem... — Lucy falou rindo. — Paquerando em pleno serviço.

—Não é isso que vocês estão pensando. — “Eles conseguem ser bem irritantes quando trabalham em equipe.” Roth pensou. — Ela era bailarina reserva amiga intima de Odette. Aparentemente a nossa vítima vinha andando estranha.

— Como assim?- Skytte falou interessado.

—Bom, não tenho muita certeza, mas acredito que Odette estava com problemas. Pelo o que Julieta me descreveu, Odette apresentava o típico comportamento de uma mulher preocupada com algo. Distraída com o que acontece a sua volta, isolamento involuntário e temperamento a flor da pele.

—Como sabe que não é por causa da apresentação?

—Ela era uma bailarina profissional, não é a maior produção que ela fez. E segundo a sua amiga, é a primeira vez que ela age desse jeito. Portanto é algum outro motivo que a perturbou.

—Isso pode até fazer algum sentido. — Skytte falou. — Mas para mim, nos continuamos sem nada.

—Paciência. Hoje não podemos fazer mais nada. — Roth disse. — Acho melhor vocês dois voltarem para casa. Estão sem descansar desde ontem à noite.

—Isso é verdade, recebemos a ligação quando voltávamos para casa. — Lucy bocejou. — Estou exausta.