Cocaine

38 Uma nova Harley


Notas iniciais
Hey viciadinhos lindos do meu coração! Desculpem o atraso, eu tive que deixar o Nyah um pouco de lado para me focar no estudo. Mesmo assim não deixei de responder os comentários de vocês, que digamos de passagem, me deixaram muito feliz! Espero que gostem, desculpem os erros e... erm... Não me matem (?) PS: CHEGÁMOS NOS 500 LEITORES! SOCORRO!

— Eu não te mereço, Julian Grant. Obrigada. – funguei mais uma vez, limpando as lágrimas no meu braço mesmo.

Como é que eu pude duvidar de uma pessoa boa dessas?

[…]

Eu decidi dar um apelido para esse dia. Ainda estava indecisa entre: “A Ruína” ou “O Renascer das Cinzas”. Talvez eu acabasse usando ambos. De qualquer forma, eu não sei como explicar essa raiva, essa dor, essa desilusão de descobrir que afinal pesadelos se tornam realidade tão facilmente que chega a meter medo.

Nesse dia, acho que a palavra que mais cruzou a minha mente foi “Otária”. Porque eu definitivamente era uma otária completa. Confiava facilmente, aceitava facilmente, perdoava facilmente.

Não foi difícil perdoar, acredite. Afinal eu já estava esperando isso antes mesmo de saber da existência de Monique… antes mesmo de colocar os meus olhos nele naquele dia em que o idiota me acordou porque eu devorei os seus salgadinhos de queijo.

Eu perdoei antes mesmo de ver com os meus próprios olhos. Mas isso não significa que não doa. E vê-lo tão perto de mim agarrando-a daquele jeito. Doía muito. Ele me beijava daquele jeito…

Otária!

Arrependi-me no momento em que virei costas e os deixei, mas não voltei para interromper. Eu não iria continuar sendo trouxa. Não conseguia ver a face do meu agora ex-namorado, mas pelos olhos abertos de Monique eu sabia que não tinha volta. Ela tinha ganho o jogo antes mesmo de eu pensar em me juntar para brincar.

Mas Julian não era um jogo, pelo menos não para mim. A nossa relação sempre foi a mais estranha, mas não era algo vazio. Em cada passo, em cada ação, teve sempre algum sentimento. Raiva, luxúria e definitivamente muito amor.

Tudo isso para no final acabar sendo desperdiçado.

Por incrível que pareça, eu não chorei dessa vez. Acho que o meu cérebro ficou sem reação e ainda não tinha assimilado as coisas. Tanto que eu ainda estava tentando encontrar alguma explicação, algum erro que pudesse mostrar que tudo não passava de uma farsa.

Mas, Harley, você os viu.

Você viu que Julian mentiu para você sobre estar ocupado com suas aulas de recuperação. Você viu que ele nem pensou em esconder e que assumiu tudo na frente da universidade inteira. Na sua frente.

Claro que ele não me viu, ali especada o encarando como se ele fizesse parte de uma pintura de um artista famoso. E agradeço por isso. Não sei que tipo de expressão, Julian teria me mostrado. Surpresa? Deboche? Medo? Ou pior… Indiferença?

Sim, indiferença seria o pior. Só de imaginar, eu me sentia tão pequena e insignificante. Entrei em casa, fazendo o maior estrago possível. Não porque eu precisava de fazer um drama ainda maior, mas porque eu estava com pressa. Eu queria só desaparecer. Fugir de uma vez antes que os problemas saíssem correndo atrás de mim.

Chad foi o primeiro a aparecer na minha frente, seguido por papai e depois por Lauren. – Harley, o que foi? O que aconteceu?

Inspirei uma grande lufada de ar e obriguei os meus lábios a sorrirem minimamente. – Eu preciso ir.

— Ir para onde, filha? Você não parece bem e não está falando coisa com coisa. Senta e fala o que acon-

—… Eu só preciso de ficar um pouco sozinha, mas eu prometo que amanhã vou na sua competição.

Isso não convenceu James Adams. Felizmente eu já não era uma criança por isso, eu tinha todo o direito de sair e desaparecer se assim o quisesse. Passei pela minha família e entrei no meu quarto sem nem me preocupar em fechar a porta. Tentei não olhar para a cama que ainda estava bagunçada e onde há algumas horas atrás eu estive dormindo nos braços de Julian.

— Harley, sério, o que aconteceu? Julian não atende o celular e você está me preocupando. Você não fazia essa expressão desde que Nolan… digo, Jared morreu.

Balancei a cabeça com força, enfiando de qualquer jeito algumas roupas na bolsa. Estava tão concentrada nessa pequena tarefa que nem notei Chad aproximar-se e agarrar as minhas mãos com força. Só aí vi que estava tremendo dos pés à cabeça.

— Harley, por favor, fala comigo. Seja o que for, você pode falar… se quiser eu vou procurar Stuart ou Julian.

Abri a boca, em desespero. – Não, ele não, por favor. Não liga para ele, não fala o nome dele, não…

Delicadamente, o meu meio-irmão levantou o meu queixo e segurou-o para que eu o encarasse. – Eu vou matar esse canalha, o que ele fez?

Fechei os olhos. Será que eu iria conseguir falar isso? Falar que ele me traiu em voz alta só parecia tornar tudo mais real.

— Ele estava… beijando Monique… na frente de todo o mundo. Beijando mesmo.

Abri os olhos, curiosa em saber qual seria a reação de Chad. Tinha medo que a sua expressão me dissesse que ele já esperava esse tipo de coisa, mas felizmente não. Chad parecia tão estupefato como eu fiquei.

— Harley, tem de haver algum mal-entendido. Julian é incapaz de-

Mordi o lábio com força. – Não tem mal-entendido. Eu vi com os meus próprios olhos. Mas tudo bem, isso não é nada, não é mesmo?! Afinal eu sou a Harley Adams, a criadora constante de drama e problemas. Esse é só mais um.

— Harley…

— Eu vou ficar bem Chad, agora eu só preciso descansar bem longe do drama e do problema e amanhã vou arrasar essa competição.

Depositei um beijo carinhoso na face do meu irmãozinho e quando saí para sala, deixei outros dois nas faces preocupadas dos meus pais. E com um “até amanhã” quase sussurrado, eu desapareci na frente dos olhos deles.

[…]

A vida é meio irônica, não é mesmo? Depois de horas vagueando na cidade sem saber exatamente o que fazer, eu vim parar nesse lugar.

A entrada do dormitório feminino ainda era fria como há uns meses atrás, mas dessa vez eu não me incomodei e entrei, parando na frente da velha funcionária que me enchia o saco só de olhar para ela.

— Eu preciso de um quarto, senhora. – murmurei, vendo-a me examinar de cima a baixo com um pouco de medo estampado nos seus olhos.

— Nome?

Respirei fundo duas vezes, porque uma já não tinha o mesmo efeito. Ia começar de novo. – Harley Adams e sim, eu tenho uma vagina igual à da senhora. Eu preciso muito de dormir, talvez morrer, por isso por gentileza poderia me dar um quarto?

A velha abriu a boca, talvez chocada pela minha falta de modos, mas dessa vez ela não me deu um impresso para preencher. Dessa vez, a funcionária apenas acenou levemente. Pela sua expressão e mudança de atitude, ela ficou com pena de mim.

O que me irritou muito.

Assim que dei todas as minhas informações e dinheiro para pagar o quarto, a mulher colocou uma chave dourada nas minhas mãos e desejou-me umas rápidas “melhoras” que eu não entendi ou mesmo respondi.

Subi a escadaria, evitando a sala comum – para não encontrar conhecidos — e procurei o número da porta sendo mais uma vez surpreendida pela minha sorte.

Depois que a abri, vi que afortunadamente, o quarto estava desocupado e sinceramente, o seu ambiente familiar foi uma dádiva. Não sei porque o destino decide sempre brincar comigo, mas esse quarto era o mesmo que eu partilhei com Jane no meu primeiro mês aqui.

Quase abri um sorriso quando reconheci a cama da minha arqui-inimiga, o lugar onde eu sem querer – mas sem querer mesmo – coloquei fogo no cabelo dela. Nunca tentar fazer miojo foi tão perigoso quanto naquele dia. Bateu uma saudade, eu admito.

Sentei na minha antiga cama, ouvindo-a ranger como se também ela estivesse quebrada por dentro. Agora eu estava sozinha e o silêncio era tão agonizante que logo me fez finalmente deitar tudo para fora e chorar.

Não apenas chorar. Eu tive que pegar uma almofada para conseguir abafar todos os gritos que saíram loucamente pela minha boca. Mesmo assim, não era o suficiente. A dor parecia tão física que eu não me iria surpreender se me rasgasse por inteiro. Não era algo racional.

Não conseguia respirar.

Alguma hora eu parei de gritar.

Alguma hora em enxuguei as lágrimas.

Alguma hora eu saí do quarto e voltei depois com uma caixinha nas mãos.

Alguma hora eu fiquei me olhando no espelho, pensando o quanto era deplorável e o quanto eu não era boa o bastante.

Alguma hora eu parei de contar as horas.

Depois de tomar banho e sentir que a dor tinha sido enfraquecida pela água quente, eu adormeci.

[…]

Acordei tarde e só porque ouvi as risadas altas e irritantes de garotas demasiado felizes e perto do meu quarto. Quis levantar e bater em cada uma delas, mas isso não iria resolver nada. Olhei as horas e ainda tinha bastante tempo até começar a competição.

Como eu sou uma otária sem noção, gastei todo esse tempo pensando em Julian, principalmente me perguntando se ele sentiria a minha falta. Apanhei o meu celular, caído e esquecido no chão e quase tive um ataque cardíaco.

247 chamadas não atendidas, 10 de Chad, 5 de Jade, 5 de papai e as restantes, todas de Julian. Tinha mensagens também e até mensagens de voz, por isso desliguei o celular. Eu não queria ouvir o discurso de “isso é o melhor para você” e “podemos ser amigos”. Eu não queria admitir que esse era o fim. Não agora. Provavelmente nunca.

Quase ouvi Stuart gritar-me que eu precisava falar tudo e não guardar nada para mim, que eu agora já tinha chorado o suficiente e que precisava seguir em frente.

Essa foi a primeira vez que dei total razão ao meu psicólogo. Eu precisava mudar. Eu precisava sair dessa “ruína” e “renascer das cinzas”. Saí do meu quarto, esbarrando em algumas garotas que reconheci como sendo as antigas amigas de Jane. Elas me olharam como se não me reconhecessem. Prendi uma gargalhada alta.

Hades, o que uma pequena mudança consegue fazer… pelo menos por fora eu estava diferente, infelizmente a Harley continuava sendo a mesma.

Saí do dormitório e apanhei o primeiro ônibus para o centro da cidade. Eu tinha poucas horas, mas alguma coisa eu iria conseguir encontrar. Desci na rua principal, cheia de tráfego como sempre, e um sentimento de arrependimento muito forte já estava me consumindo.

Eu não deveria ter saído do meu quarto…

Esse não é o meu mundo. Eu nunca fui o tipo de garota que saía para comprar uma roupa nova. Mas, acho que dessa vez, eu precisava disso. Eu precisava me sentir uma garota diferente, com uma imagem diferente, com uma vida diferente.

Vagueei pelas ruas, olhando vitrines enfadonhas e querendo, sinceramente, fugir dos manequins horrorosos. Foi no momento em que coloquei os meus olhos num vestido azul escuro que eu soube que estava definitivamente a enlouquecer. Comprei mesmo assim. Não comprei um sapato a combinar, a velha Harley me impedia de abandonar o meu all star negro completamente destruído pelo uso. Quando voltei para o dormitório, faltava pouco mais de uma hora para a competição começar. Vesti-me rapidamente e olhei-me no espelho, não me reconhecendo.

Quis quebrar o espelho. Eu não me sentia bonita. Cuidei de mim, coloquei-me em primeiro plano, mas mesmo assim eu não estava bem.

Essa garota do espelho só me trazia lembranças do tempo em que eu conheci Nolan e Jared. Por incrível que pareça, eram lembranças boas, mas fazia parte do passado. Em vez de evoluir, eu me tornei a mesma garota do passado.

Abanei a cabeça, tentando espantar esses pensamentos e arrumei tudo, tentando deixar o quarto minimamente apresentável. Eu não sabia se voltaria para esse quarto, mas nunca se sabe. Desci e assim que passei pela receção, a funcionária de ontem encarou-me desconfiada.

Abafei uma risada.

É provável que ela não me reconheça. Será que as pessoas da faculdade me iriam reconhecer na competição? Será que Julian iria me reconhecer? Será que Julian iria me ver, assistir a minha vitória esmagadora?

Amaldiçoei-me com todos os xingamentos que consegui me lembrar. Harley, você não quer que ele assista. Você já não quer nada dele. Nunca mais.

Quando cheguei no ginásio, a multidão na porta principal assustou-me e como sou uma covarde, esgueirei-me pela porta dos fundos que só era utilizada para emergências. Felizmente estava aberta e não tinha ninguém que pudesse me reconhecer. Assim que entrei, fui surpreendida por uma confusão de pessoas que andavam de um lado para o outro ajustando todos os retoques de ultima hora. Parei um homem que de plaqueta na mão, me informou que os concorrentes estavam relaxando no camarim improvisado: o depósito onde normalmente guardavam todo o tipo de coisas de esporte. Eu não sabia que coisas eram já que esporte não combina com o nome Harley.

Encontrei o lugar e entrei, vendo que já tinha um monte de pessoas conversando. Reconheci algumas de competições anteriores, a essas ainda consegui acenar em cumprimento, mas logo encontrei o meu canto.

Sempre que tinha alguma competição, eu preferia ficar esperando no canto mais afastado da confusão. Era um hábito, algo que não mudou. Quase gargalhei que nem uma louca ao perceber que realmente era difícil abandonar o meu antigo eu.

Pouco tempo depois, o mesmo homem de antes, chamou os participantes um a um. Não era habitual sermos apresentados ao público, mas acho que como essa era uma competição a nível nacional, acabaram por o fazer.

Na minha vez, respirei fundo. Será que alguém tinha vindo me ver?

— Harley Adams, 20 anos, estudante de Física na universidade de East River e vencedora do ano de 2004. – pisquei os olhos. Eu não me lembrava de já ter vencido antes. Mesmo que eu pensasse sobre isso todo o dia, eu não me lembrava de todas as vezes que ganhei algo assim. A partir do quinto troféu, tornou-se algo natural. Sei que papai guardava todas as minhas medalhas e troféus como se fossem relíquias.

Por mim, ia tudo parar no lixo.

Assim que pisei o ginásio – decorado de tons azuis e dourados – foi inevitável não olhar para as bancadas onde o público sentava para assistir. E por mais que eu não quisesse, os meus olhos pararam, quase que de imediato, na última pessoa que eu queria ver.

O meu Julian, ele veio, pensou uma parte masoquista de mim.

Calei essa parte revendo equações matemáticas complexas.

Antes de baixar os olhos, ainda consegui ver o momento em que a surpresa e a admiração cruzaram o seu semblante. Vi também quando tudo isso desapareceu para dar lugar a tristeza.

Tristeza? Como é que ele consegue ser tão hipócrita?!

Eu definitivamente o odeio!

Notas finais
Ai gente, me falem suas teorias! O que acham que vai acontecer?! Espero montanhas de comentários e socos (provavelmente) AHAH Até o próximo ♥ PS2: O PRÓXIMO VAI SER NARRADO PELO JULIAN ENTÃO ME INCENTIVEM QUE EU RECOMPENSO AHAH Jk