Cocaine

26 O feitiço vira-se contra o feiticeiro


Notas iniciais
Hey viciados! Esse é mais um capítulo muito tenso especialmente para vocês! MUAHAHA Eu queria falar o quanto fiquei feliz com os comentários! Obrigada pessoas perfeitas do meu coração! Mais novidades... Ah, sim! Está vindo mais um capítulo narrado por Julian! Eu sei que vocês amaram o último e portanto, estou fazendo um outro. E o hentai, vulgo, "el sécsu loco" está chegando também! E muita treta vai chegar por isso respirem... *respirando* e vamos logo! Boa leitura e tentem não xingar a minha mente sádica que ama ver os outros se ferrando AHAH

Eu esqueci que esse era o meu primeiro dia de aula como uma garota normal. Uma garota normal de cabelos roxeados. A única garota cursando Física.

O professor abriu a porta com uma carranca mal-humorada e ordenou um “entre” amargo. Entrei o mais rápido que pude e todos os olhares viraram-se para mim. Engoli em seco.

Pela primeira vez, eu realmente quero ser um garoto de verdade. Merda.

[…]

Empinei o nariz e entrei na sala sentando-me no único lugar vago. Bem no meio de todo o mundo. O garoto do meu lado esquerdo, dormia e balbuciava coisas sem nexo. O garoto na minha direita tinha óculos demasiado grandes para a sua face e seus olhos examinavam-me, parecendo muito entediados. Os restantes garotos da turma tinham a mesma expressão e decoravam cada detalhe meu, quase como se eu estivesse nua.

– E pensar que você tem a nota mais alta da turma. – murmurou o garoto de óculos. Arqueei uma sobrancelha, irritada.

– O que quer dizer com isso?

O garoto ajeitou os óculos enquanto anotava algo que o professor passava na lousa. — Você não parece tão inteligente assim.

Mordi o lábio com força. Você não parece tão inteligente assim. Não era a primeira vez que me falavam isso. Os nerds que perdiam para mim nas competições que papai me obrigava a ir, tinham a mesma opinião.

– Adams e Parker. Resolvam esses exercícios. – ordenou o professor apontando para algumas equações matemáticas escritas na lousa. Suspirei bem alto e levantei-me, sendo acompanhada novamente pelos olhares constrangedores dos meus colegas de classe.

O garoto que me insultara levantou-se também. Parker. Onde eu já ouvi esse nome? Peguei num giz branco e comecei a resolver o exercício com facilidade. Era tão básico para mim. Tão fácil. Tão… aborrecido. Terminei alguns segundos depois. O professor acenou em aprovação. Encarei Parker. Ele me olhou de volta, parecendo agora muito irritado. Não compreendi a sua irritação. O exercício dele ainda não estava terminado. A sua mão segurava o giz com tanta força que ele acabou quebrando. Sério, ele parece que vai pular no meu pescoço e esfregar a minha cara na lousa.

Qual é o problema dele?!

O brilho no seu olhar pareceu demasiado familiar para mim. Grandes olhos castanhos, irritados e muito invejosos.

E de repente, eu me lembrei. Parker é o sobrenome do segundo garoto com a melhor média na turma. Ele é o garoto que ama competir comigo.

– Parker, vai resolver esse exercício hoje ou amanhã? – perguntou o velho professor, interrompendo a nossa mortal troca de olhares. O garoto voltou o seu olhar para a lousa e continuou a escrever. Voltei para o meu lugar.

É nessas alturas que eu odeio ser considerada o génio da Física. Porque quem não aplaude minhas vitórias, considera-me um alvo. Um inimigo. E isso é chato. Vou acabar morrendo sozinha e rodeada de equações matemáticas.

A aula passou lentamente. Assim que o sinal tocou, saí disparada da sala deixando para trás todo aquele ambiente constrangedor. Dei apenas dois passos e parei quando encontrei uma figura familiar escorada na parede. Revirei os olhos e afastei-me dele, mas o garoto seguiu-me.

– Espera Harley! – pediu Daniel, correndo para me alcançar. Parei, cruzei os braços e fiquei encarando-o e esperando que ele falasse de uma vez o que queria. – A sua amiga Miriam pediu-me para entregar isso para você.

Daniel estendeu-me uma pequena caixa branca. Abri-a com curiosidade e encontrei um delicioso bolo de chocolate me seduzindo com a sua cobertura de morango. Oh baby, não faz isso comigo.

Agradeci mentalmente a Miriam. Essa garota merecia um beijo na boca.

Daniel continuou parado no mesmo lugar, me avaliando com o olhar. Respirei fundo sentindo o ar rasgar a minha garganta.

– Eu descobri o que aconteceu entre você e Julian.

O garoto arqueou uma sobrancelha. – Como?

Empinei o nariz e coloquei um grande pedaço de bolo na boca. Comi lentamente, observando o olhar de Daniel se fixar na minha boca. Ele me desejava, eu podia ver isso. – Eu tenho as minhas fontes. Eu preciso da sua ajuda, Daniel.

– Tudo o que você quiser. – a sua voz ficou mais rouca. — Precisa de mim para fazer o quê, exatamente?

Sorri internamente.

– Vingança. – sussurrei, aproximando-me dele. – Eu quero… eu preciso dar uma lição no Julian. Ninguém brinca desse jeito comigo.

Daniel pareceu confuso por um momento. Arqueei uma sobrancelha, esperando que ele falasse o motivo da sua confusão.

– Você quer vingar-se dele? – esse garoto é surdo? Foi exatamente isso que eu falei, porra! – Mas só não compreendo uma coisa… porque está me pedindo ajuda? Eu sou tão culpado quanto ele. Porque não se vinga de mim também?

Pensei nisso por um instante. Porquê? Eu não estava particularmente irritada com Daniel. Claro, ele é um filho de uma égua. E merecia um chute nos países baixos. Mas eu não queria vingança. Fiquei em silêncio, não sabendo o que responder. E nem foi necessária uma resposta pois Daniel respondeu por mim.

– Você se importa com ele. – sentenciou como se fosse um crime. Desviei o meu olhar para longe dele. – Adams. Você está apaixonada por ele?! Infernos, isso é muito engraçado!

Daniel gargalhou com vontade. Cruzei os braços, esperando ele terminar. Mas por mais minutos que passassem, o garoto não parava de rir. Senti-me verdadeiramente irritada dessa vez e fiz o que eu já há muito tempo desejava fazer.

Eu chutei suas bolas com toda a minha força. Daniel parou imediatamente de rir e caiu no chão com uma mão protegendo a zona magoada.

Não sei porquê, mas fazer isso deu-me uma sensação de liberdade muito agradável. Talvez um dia eu volte a repetir essa experiência maravilhosa. Os garotos que corram porque Harley, a chutadora de sacos, chegou!

Daniel choramingou um pouquinho e levantou-se. – Porque diabos… você fez isso? Quer morrer?

Ri alegremente. – Você estava pedindo por isso. Agora… vai me ajudar ou não?

– Do que você precisa? – agora sim, nós estamos conversando. Aproximei-me dele novamente. Daniel imediatamente pôs uma mão sobre as partes baixas.

– Eu preciso de um marcador negro e da sua presença.

O irmão de Logan abanou a cabeça. – O que você vai fazer?

– Você verá.

Pedi que Daniel me seguisse. Na entrada do prédio de Física, roubei um dos marcadores do segurança e saí correndo na direção do prédio de medicina.

É, eu vou matar Julian com o marcador.

Ou não.

Chegámos pouco tempo depois. O prédio estava cheio de estudantes andando de um lado para o outro, mas foi fácil encontrar o meu alvo. Julian estava escorado numa parede enquanto quatro garotas o rodeavam. Filho da…

Não. Isso não é ciúme. Ele não merece a sua atenção, Harley.

– Parece que o seu namoradinho está muito ocupado. – pisei um pé de Daniel com força. Um xingamento saiu por seus lábios, deixando-me mais do que satisfeita.

Essa versão sádica da minha pessoa me assusta. E me agrada ao mesmo tempo.

Aproximámo-nos um pouco mais de Julian. O garoto percebeu a nossa presença no corredor poucos segundos depois. Julian Grant afastou-se da parede e endireitou as costas, ficando mais alto e mais assustador. E mais sexy. A sua beleza obscena e proibida aqueceu o meu corpo. O seu corpo tenso e masculino parecia querer que eu me aproximasse e o tocasse. Senti minhas mãos formigarem. Não posso olhar para ele. Não posso sentir tudo isso. Não posso!

O olhar de Julian oscilava entre mim e Daniel. Ele estava visivelmente confuso. E irritado. Sem esperar um convite, Julian acabou com a distância entre nós e colocou-se na minha frente.

Senti todas aquelas sensações com mais intensidade.

Concentração, Harley. Você não está aqui para agarrar ele. Você está aqui por outro motivo.

– O que está acontecendo? – perguntou para mim, com a sua voz carregada de um ódio controlado. Mordi o lábio, sentindo-me um pouco assustada com a tensão palpável entre os dois garotos. – Primeiro, você fala todas aquelas coisas estranhas. E agora você… O que você está fazendo com ele?

Não respondi.

Apertei o marcador nas minhas mãos e lancei-me nos braços de Julian. O garoto pareceu ainda mais confuso, mas acabou rodeando a minha cintura com os seus braços. Senti uma lágrima solitária descer pela minha face. Julian levantou uma mão para a secar, mas eu impedi-o. Reduzi a distância entre nós e pousei meus lábios nos dele.

Os meus lábios frios contrastavam com o calor dos seus. Senti-me inebriada pelo seu cheiro. Uma maravilhosa mistura de menta, de cigarro e do seu perfume caro. Passei a língua pelo seu lábio inferior. Julian colocou uma mão na minha nuca e aprofundou o beijo, deslizando a sua língua sobre a minha. Puxei-o mais para mim com uma mão e com a outra, abri o marcador.

Aproximei a mão da testa do garoto e escrevi rapidamente. Julian afastou-nos assim que sentiu a umidade que o marcador deixara na sua testa. Olhou-me confuso e levou os dedos no lugar onde a minha obra de arte ficara marcada. Sorri maliciosamente.

Julian estava irresistível com seus lábios inchados e rosados, a respiração ofegante e os olhos azuis brilhando com desejo. Mas eu não podia pensar nisso. A minha vingança era mais importante.

O meu olhar viajou para Daniel que encarava Julian com diversão. Ele me devolveu o olhar e piscou para mim. Eu não tive qualquer reação. Voltei meu olhar para Julian novamente. Ele encarava o seu reflexo no vidro da janela fechada.

– Não. – sussurrou. O seu corpo ficou tenso e seu olhar assassino foi dirigido a Daniel. Julian nem sequer me olhou. Toda a sua raiva estava apenas concentrada no ex-melhor amigo. Daniel deu um passo atrás, parecendo pela primeira vez assustado. – Eu te avisei várias vezes para ficar longe dela…

Julian aproximou-se de Daniel e rápido demais para que eu pudesse acompanhar ou impedir, socou o rosto dele. Antes que ele pudesse matar o garoto, pus-me na frente de guerra. O olhar de Julian cravou-se no meu. Vi a sua maçã-de-adão descer e subir como se ele engolisse em seco. O seu rosto estava contorcido numa máscara de raiva e… angústia.

Eu pensava que me iria sentir melhor depois de vingar a minha honra, mas não. Eu estava me sentindo trémula. Arrependida. E com muito medo. Medo de ele nunca mais olhar na minha cara. Ignorei todos esses sentimentos confusos e cravei o meu olhar na curva do seu pescoço.

– Porque está descontando tudo nele? A culpada sou eu. Eu que dormi com ele. – vi Julian limpar a testa ferozmente. O número 99 que eu lá escrevera já estava desaparecendo.

– Eu não sabia que você era… vadia a esse ponto. – murmurou, provocando em mim um aperto no peito. Essas eram as palavras que eu só imaginara uma pessoa falando. Jared. Mordi a língua com força, sentindo o sabor do sangue invadir a minha boca.

– E você se importa? – perguntei subindo a minha voz uma oitava. Dei uma risada de escárnio e fechei os olhos durante dois segundos. – Para você isso é só uma competição certo? Você não pensou nos sentimentos das 110 garotas com quem dormiu. Não pensou nos meus. Eu não sou o prémio de ninguém. Não finja que se importa, Grant.

Funguei, prendendo as lágrimas amargas que tentavam sair e continuei destilando o meu veneno. – Eu nem sei porque me preocupo em fazer tudo isso. Nós não temos nada. Nunca tivemos. Eu sou só mais uma garota que caiu na armadilha.

– Harley… — sussurrou Julian, aproximando-se de mim. Pus as mãos no seu peito e afastei-o de mim.

– Mas que pena, não é? Eu fui uma vadia e dormi com o garoto que você mais odeia. Desculpe se feri seu orgulho masculino. – continuei. Julian segurou meus pulsos, tentando acalmar-me. Mas eu não conseguia acalmar-me. Eu estava histérica. Mais que isso! Eu estava magoada e queria magoar ele também. – Me solta, caralho!

– Me escuta, Harley! – pediu, acariciando o meu rosto. Afastei-me do seu toque e empurrei-o conseguindo me libertar.

– Escutar mais mentiras de um cafajeste? – uma risada amarga saiu pelos meus lábios. – Não, obrigada.

Julian baixou os braços, parecendo derrotado. O seu olhar já não parecia raivoso. Apenas magoado. Triste. Baixe a cabeça, escondendo as lágrimas quentes que desciam pelas minhas faces. Estava acontecendo de novo. Eu estava fodendo tudo. E… como sempre, a culpa é minha. Nolan. Jared. Julian. E até Daniel. Tudo culpa minha.

– Sim. Talvez você esteja certa. Eu não passo de um maldito cafajeste.

Julian passou por mim rápido e feroz. Levantei a cabeça, encontrando vários rostos curiosos me observando. Senti uma mão pousar no meu ombro. Daniel tentou me puxar para um abraço. Afastei-o como se ele queimasse. – Me deixa em paz. Apenas… desaparece.

Virei costas e saí correndo como uma idiota dramática. Saí do prédio de medicina e continuei correndo, por vezes tropeçando nas pessoas que lotavam o campus. Estava quase na hora da segunda aula da manhã. Mas eu não queria saber. Eu só queria ir para casa e dormir durante vários anos.

Tombei em alguém e essa pessoa impediu-me de cair, segurando-me nos ombros.

– Har? O que aconteceu? Você está bem? Fala comigo! – olhei para Miriam com receio do que ela pudesse pensar de mim. Ela me chamaria de vadia? Provavelmente. Agora que penso nisso, eu sempre julguei Jane… mas eu era exatamente igual a ela… ou pior até.

Miriam não falou mais nada. Deu-me um abraço muito apertado e afastou-me das pessoas curiosas. A garota fez-me sentar na grama e afastou os fios de cabelo que se colavam na minha cara por causa das lágrimas.

– Quer me contar o que aconteceu?

Acenei rapidamente e respirei fundo, tentando parar os soluços que rasgavam a minha garganta.

– Só não me odeia, Miriam. Por favor, não me odeia. – Miriam acenou e enquanto ela acariciava o meu cabelo, eu contei toda a burrada que eu fizera. E novamente as lágrimas desceram pelas minhas faces. A minha mente torturava-me com imagens sem sentido do meu passado e também de Julian. E como sempre, estava presente a culpa. A grande culpa que agora parecia ainda mais pesada. Mais real.

Notas finais
E então? Vontade de me matar, de xingar, de me beijar, de casar comigo, de fazer "el sécsu loco" com essa autora? Me fala nos comentários e podemos dar um jeito AHAH Como sempre... recomendações, comentários, etc, etc... são SUPER bem-vindos! E até o próximoooo onde vai ter muito de Julian, el gatoooo malvado! Miau *tá, vou já tomar o remédio*