Cocaine

4 Ela é um panda


Notas iniciais
Bom Ano, viciados! Um capítulo bem louco para vocês.

– Harley? – ouvi Chad sussurrar. Sai rapidamente debaixo da mesa, tendo cuidado para não bater minha cabeça novamente. – Harley!

– Meu salvador. Não queria ser mais óbvio, não? É que estava na cara que havia algo de errado! – sussurrei, batendo levemente na cabeça do meu irmão.

– Vai dormir, Harley. Daqui a umas horas, você começa o seu castigo ou esqueceu? – suspirei pesadamente. Quem me dera esquecer…

[…]

Senti um formigueiro desconfortável percorrer-me o corpo. Tinha que levantar da minha cama e começar o meu castigo completamente injusto. Em um pulo, levantei-me e corri para o banheiro.

Tomei uma ducha rápida para tirar o cheiro a desespero no meu corpo. Sem conotação sexual, por favor!

Um aroma gostoso flutuava pelo apartamento quando sai do banheiro. O que significa… Comida. Infelizmente, eu não tinha tempo para comer. Isso me deixa triste.

Vesti-me rápido, escondi o cabelo no capuz do casaco e flutuei em direção á cozinha. Estava tão distraída, que só reparei que estava sozinha com Julian no momento em que o ouvi. – Bom dia.

O gelo da sua voz era mais gélido que um iceberg. Tremi como um rato assustado. Fodeu. Vou morrer agora.

– B-bom… bom dia. – respira fundo Harley, você é forte. Um sorriso obsceno inundou a boca dele. Isso é perigoso. Sexy, mas perigoso. – Ouvi falar que você tem uma morte lenta e dolorosa preparada para mim.

A sua risada impressionou-me. Era rouca e despreocupada. Atraente.

– Sim. Vou jorrar todo o seu sangue na primeira oportunidade. – engoli em seco. Olhando para mim, Julian soltou uma risadinha baixa e irónica. – Não se ache tanto… Nem vou perder tempo com você.

Eu sei que me deveria sentir aliviada, mas de algum modo muito obscuro e deprimente, isso me machucou. Meu ego. E meu querido orgulho.

– Vai tomar no… Porra, estou atrasada! – gritei quando vi as horas no relógio da cozinha. Pigarreei, apercebendo-me do meu erro. – Digo… Atrasado. Até!

Corri que nem uma desamparada pelas escadas abaixo. E felizmente consegui descê-las todas sem partir o nariz. O porteiro – que ressuscitou dos mortos – examinou-me como se eu fosse um inseto nojento. Eu sei que estava atrasada, mas todas essas escadas mataram-me. A luta pelo elevador era necessária! Vou me revoltar, cacete! Aproveitei e recuperei o fôlego.

– Quando vai arranjar esse elevador? Eu quase quebrei minha espinha descendo por essa tortura. – falei, apontando para as escadas. O velho dirigiu-se ao elevador e tirou a placa onde tinha escrito “avariado”.

– Viu? Já funciona. – tive vontade de quebrar o queixo desse animal na calçada. Encarei o relógio por detrás do porteiro. Caralho, estou cada vez mais atrasada! Rosnei para o porteiro. Eu sei, eu sei… eu consigo rosnar. Eu gosto, faz-me parecer diabólica.

Saí correndo – se não, eu iria tomar medidas violentas com esse velho — e cinco minutos depois cheguei na universidade. Acho que pelo meio do caminho, perdi um pulmão… mas que importa isso? Corri novamente até ao escritório de Jenkins, apanhando-o a dormir.

Nossa, todo o mundo dormindo! Todo o mundo menos eu! Peguei no maior livro que encontrei nas inúmeras prateleiras – já arrumadas – e com toda a minha força, bati com ele na secretária. Isso acordou e quase matou Jenkins. Engoli uma risada histérica que invadiu minha garganta. Oh, coisa macabra! Tenho que me exorcizar…

Jenkins levantou-se imediatamente, penteando o bigode. – Está atrasada, Adams.

Fiz o meu melhor sorriso arrependido e automaticamente, o reitor revirou os olhos. Eita, que mal-educado! Aproximando-se de mim, Jenkins fez sinal para que eu o seguisse. – Porque faltou ontem? Algum problema?

– Nossa senhora das causas perdidas, Victor Jenkins está preocupado comigo! – gritei para o mundo. Jenkins deu-me um tapa na cabeça.

– Fala baixo menina! E responda minhas perguntas!

– Pois bem, eu fiquei procurando um lugar onde pudesse ficar. Caso não saiba, fui expulsa do dormitório feminino. – e é claro, fiquei comendo salgadinhos que roubei… e decidi me tornar um garoto. Mas acho que isso é informação demais para o reitor.

– Ah sim, eu soube. – o silêncio instalou-se entre nós. Espera um momento… só isso? Nada de: “Você é insuportável! É normal isso acontecer!” ou “Eu já estava esperando isso de você!”. Opa, essa é nova.

Pouco tempo depois, chegámos no escritório do conselheiro – o meu futuro escritório. O meu espírito alegrou-se quando reconheci um sofá negro e fofo no canto da sala. Hades teve piedade de mim! Vou poder tirar um cochilo quando quiser.

Enquanto eu me instalava no sofá, Jenkins vasculhou as gavetas da minha secretária procurando algo. Espero que sejam salgadinhos. Mas, infelizmente só encontrou alguns papéis. Espero que esses papéis tenham gosto de queijo!

– Esses são os arquivos dos estudantes que você vai obrigatoriamente acompanhar. Tem de os aconselhar e ajudar para que possam ultrapassar os problemas que tiverem. Além destes, outros alunos poderão recorrer a você sempre que quiserem. – peguei os papéis sentindo o peso deles nas minhas mãos. Sentia-me estranha. Como se tivesse o futuro do país nas minhas próprias mãos. — E lembre-se… um problema é um problema. Não pode julgar nunca.

Acenei firmemente.

– As suas aulas começam dentro de uma hora. Não falte dessa vez, garota.

E assim, Jenkins foi embora deixando-me paralisada e em pânico. Abri o primeiro arquivo. Uma garota sorria na fotografia como se fosse o dia mais feliz da sua vida. Por baixo do seu nome, em letras bem gordas estava o seu problema.

“Problemas de integração, depressão”. Fechei imediatamente o arquivo da garota como se ele fosse uma arma mortal prestes a explodir. Como diabos vou cuidar dessa garota? Eu nem sou capaz de cuidar de mim mesma! Levantei do sofá e senti o meu corpo mais pesado do que o habitual.

Isso se chama responsabilidade, Harley.

Caralho, isso não. Eu não posso fazer isso! Não sei o que fazer! Não tenho habilitações para os ajudar… Eu nem sei aquecer água! Eu sou uma inútil! Jenkins perdeu o juízo. Definitivamente. Foi-se!

Vagueei pelo escritório tentando abafar o pânico que sentia. Eu vou acabar com a vida dessas pessoas, Jenkins! Como você pôde fazer isso com eles? As palmas das minhas mãos estavam suadas e sentia-me sufocada. Meu ataque foi interrompido pelo sinal de entrada e por momentos, permiti-me respirar fundo. Você consegue, Harley.

Peguei novamente os papéis e guardei-os na primeira gaveta da secretária. Respirando fundo mais uma vez, sai do meu escritório. Ai meu coração!

Durante os últimos dois meses, nunca fiquei tão concentrada em física avançada como hoje. É um milagre, cacete! Isso permitiu-me esquecer o pânico e quando chegou a hora de voltar para o meu escritório, fiquei mais calma.

Assim que cheguei, vi que tinha uma garota esperando escorada na porta. Estava toda vestida de negro. Como eu. E seus olhos verdes e bonitinhos tinham uma maquiagem pesada. Fez-me lembrar uma panda. Mas… pandas são fofos. E o esgar dessa garota era tudo menos fofo. Aproximei-me dela e a garota levantou uma sobrancelha. Sempre quis fazer isso, cacete! Só que não consigo. – Quem é você?

– Miriam Cast. Você é o novo conselheiro? Ups, conselheira. Erro meu.

Encarei-a incrédula. Como ela sabe que eu sou uma garota? – Cast… Como você sabe que…

Miriam interrompeu-me sorrindo. Esse deve ser o sorriso do diabo. — …que você é uma garota? Foi um palpite.

Segui o seu olhar. Merda. Uma mecha roxa estava visível.

– Miriam, isso é importante. Não pode falar para ninguém! Ninguém mesmo… Por favor.

Harley Adams pedindo por favor. Como eu pareço ridícula!

– E o que eu ganho com isso? – meus lábios tremeram. Não seja fraca, Harley. Eu vou matar essa garota. Miriam apenas revirou os olhos. – Não se preocupe… mesmo que eu quisesse contar, ninguém acreditaria.

Fiz sinal para que ela entrasse no escritório. Meu escritório. Qual seria o problema dessa garota?

Deixei ela entrar primeiro e acomodar-se. Procurei na gaveta o arquivo de Miriam e encontrei-o rapidamente. Folheei-o como se o papel queimasse. “Miriam Cast. Conhecida como a pessoa mais odiada de East River.”

Mordi o lábio. Odiada? Isso não será exagero?

Fiquei encarando Miriam. – Perdeu alguma coisa? – perguntou, cruzando os braços. Certo, a garota é um pouco grosseira mas acho que não é motivo para ser odiada. Credo.

– O que você fez para ser… ham… você sabe…

Miriam revirou os olhos. – Odiada? Eu me apaixonei.

Encolhi os ombros. – Isso me parece perfeitamente normal…

Um sorriso estranho surgiu nos lábios da garota. Ela estava brincando comigo? – O problema aqui é o garoto por quem me apaixonei.

Nossa. Será que ela ficou namorando um garoto comprometido? Mesmo assim, não acho que isso seria pretexto para ser odiada.

– Que tem ele?

Cast aproximou seu rosto do meu como se me fosse beijar. Mas em vez disso, palavras frias saíram por seus lábios. – Ele é propriedade de Jane Morgan. A puta mais vadia desse mundo. Conhece?

Meu queixo caiu. Agora sim eu compreendia. Ela era odiada por todo o mundo porque mexeu com o tesouro mais precioso de Jane. Seu harém de seguidores. Todos eles garotos. Todos eles nojentos. Todos eles deveriam ir para o inferno.

– Você nem imagina o quanto eu conheço essa princesa. Você teve azar, hein? – murmurei. As memórias do cabelo perfeito de Jane queimando surgiram na minha mente. – Eu queimei o cabelo de Morgan na segunda semana de aula. Ela me odeia também.

Uma risada afiada escapou pela boca de Miriam. – Eu ouvi rumores desse feliz acontecimento. Foi você? Harley, você é minha heroína!

Ri-me. Sou poderosa, eu sei. – Afinal, qual deles foi? — Um olhar confuso passou pelo rosto da garota. – Digo, qual foi o garoto por quem você se apaixonou?

– O maior idiota que conheci na minha vida. Jackson. E ele nem sabe que eu existo…

Dessa vez, eu realmente senti pena de Miriam. Jackson era o pior. Ele era muito bonito. Não mais que Julian, claro. Porque infernos estou pensando nesse capeta?

Voltando a Jackson. Ele é muito simpático, muito bonito, muito inteligente e atlético. É perfeito. Mas tem um senão…

Ele é o irmão de Jane Morgan. E ninguém toca no seu querido irmãozinho.

Notas finais
Gostaram? Nem por isso? Me falem nos comentários!