Cocaine
5 Sendo seduzida pelo demónio
Notas iniciais
Dessa vez, eu realmente senti pena de Miriam. Jackson era o pior. Ele era muito bonito. Não mais que Julian, claro. Porque infernos estou pensando nesse capeta?
Voltando a Jackson. Ele é muito simpático, muito bonito, muito inteligente e atlético. É perfeito. Mas tem um senão…
Ele é o irmão de Jane Morgan. E ninguém toca no seu querido irmãozinho.
[…]
Eu não odiava esportes. Eu simplesmente não participava porque – sejamos sinceros – correr e perder um pulmão no gramado, não deve ser algo agradável. Contrariando os meus pensamentos, East River adora ver os garotos malhados – essa parte é compreensível – morrer por uma bola.
A equipe de Lacrosse de East River era nojenta. Sério mesmo. Os caras pareciam animais. Tudo para conseguir aquela pequena bola branca. Nada contra, mas é feio de assistir. Aposto que, se me aproximasse um pouco de um deles, morria com o cheiro. Esses garotos fediam a desespero e suor! E esteroides, provavelmente.
Miriam parecia enojada. Eu compreendo sua dor, irmã. Nem quero imaginar a quantidade de bactérias que nesse momento habitam as meias de Jackson Morgan… Eca, nojo.
– Eu vou matá-la. Afinal porque estamos aqui? – murmurou a garota. Estava irritada, mas não deixava de olhar para Jackson. Como se adivinhasse seus pensamentos, o garoto fixou seu olhar em nós. Miriam estreitou os olhos. – Ele está olhando para cá.
– Deixe ele olhar! Você não falou que ele não sabe que você existe? Bem, parece que hoje é o dia! – Miriam cruzou os braços desviando o olhar do jogador Morgan.
– Hoje é o dia do quê?
Soltei uma risadinha baixa. Ai, Miriam… Você nem imagina. – Hoje ele vai conhecê-la!
Miriam engasgou com a própria saliva. Ri da sua figura. Coitada! A garota recuperou do seu pequeno ataque e agarrou no meu braço, puxando-o.
– Você é louca. Eu já não gosto dele. Aliás, eu o odeio! E não estou querendo comprar briga com Jane! – puxei meu braço e pousei minhas mãos nos ombros de Miriam.
– Você é uma garota ou um rato, Miriam?! Deixe Jane comigo. Você tem de seguir o caminho do amor! – gritei fazendo com que umas garotas que assistiam o treino nos encarassem com nojo. Sim, eu também não gosto de vocês vadias…
– Quer calar a boca de uma vez por todas? Mesmo que eu falasse com Jackson, provavelmente… ele nunca iria gostar de uma pessoa como eu. Ele me odiaria. Eu estou bem assim, Harley.
Revirei os olhos. – Uma pessoa como você? Você é perfeita, panda!
Os olhos afiados de Miriam espetaram-se em mim. – Eu sei que sou… mas não sou perfeita para ele. E não me chame isso ou vai arrepender-se profundamente!
Ri. Cada vez mais, simpatizava com Miriam. De uma forma estranha, ela era parecida comigo. — Então, vamos apenas divertirmo-nos um pouco. Eu odeio esportes, mas vou fazer um esforço.
Miriam ficou quieta.
– Pode ser.
Ficámos vendo o jogo. Eu não percebia nada de Lacrosse, portanto Miriam ficou explicando-me tudo. Essa garota respirava esportes. Oh, paciência minha. O jogo era com uma outra universidade. E era um jogo importante. No meu redor, as pessoas pareciam enfurecidas. Estávamos perdendo.
Jackson corria pelo gramado. Olhei para a garota do meu lado. Porque diabos ela não gosta do capitão do clube de xadrez? Esse cara seria bem menos complicado.
O jogo acabou em pouco tempo. Perdemos. E Miriam estava com um humor do inferno. Só resmungava palavras sem sentido. Pelo menos, sem sentido para mim.
Mas ainda bem que acabou. Já não aguentava mais essa tortura de… de… corpos malhados e sensuais. Tá, não foi tão mau assim…
– Foi completamente injusto! O árbitro estava comprado! A expulsão do Miller foi tão injusta! Foi por causa disso que não ganhámos… Que raiva!
Revirei os olhos. Eu não entendi nada do jogo. E nem sei como acalmar essa fera.
– Você tem razão, mas fique sabendo que fizemos o nosso melhor. – disse uma voz desconhecida. O rosto de Miriam avermelhou. Virei-me na direção dessa voz. Jackson Morgan. Saindo dos banheiros. Cheiroso e limpinho. Ah, assim gosto mais dele. – Sou o Jackson.
A boca da garota formou um “o” perfeito. Credo, panda. Se controla! Como Miriam estava petrificada respondi por ela. – Essa atrasada mental chama-se Miriam. Você mandou bem, cara. Meu nome é Harley.
Olha só para mim! Falando como um homem! Orgulho.
Miriam despertou e beliscou-me. Vagabunda.
– Sim, eu sei que vocês fizeram o vosso melhor. Mas parece que não foi o suficiente! – o meu queixo caiu. Ela enlouqueceu de vez. Esse é o garoto que ela gosta e ela responde desse jeito? – Agora dá licença…
Sem aviso, Miriam virou costas e saiu correndo. Pedi desculpa a Jackson e segui a garota.
– Porque você fez isso, sua louca?! – gritei, virando-a para mim. Lágrimas adornavam seus olhos. Opa.
– Mesmo que ele goste de mim, tenho que fazer com que me odeie… se não, Jane vai mexer comigo. E dessa vez, vai ser pior… — sussurrou, afastando-se de mim rapidamente. – Obrigada pela tentativa mas não tem jeito.
Suspirei. Que drama, meu Deus…
– Eu não vou desistir, Miriam! Harley Adams nunca desiste, cacete! – gritei para a garota. Ela respondeu-me com um gesto obsceno.
Fui para casa sentindo o peso da solidão e da carência aglomerarem-se no meu corpo. Talvez, eu conseguisse convencer Julian a partilhar comigo os seus salgadinhos do paraíso. Ou talvez… Julian quisesse partilhar o seu corpo nu comigo. Calma com isso, Harley! Você é um homem agora! Tem que agir e pensar como um homem. E não pensar no seu corpo… banhado com chocolate e morangos… Nossa, será pecado pensar nisso? Hades interceda por mim.
Fui calmamente até casa. Na verdade, eu corri que nem uma louca. Mas que interessa? Esse foi apenas o efeito de minhas fantasias eróticas descontroladas. Não vai voltar a acontecer! Usei o meu querido elevador e em pouco tempo, cheguei no apartamento. Eu até tinha uma pequena esperança de encontrar Julian, barrado com chocolate e decorado com morangos deliciosos… mas Hades não quis ser misericordioso com a minha pessoa. Esse madito!
Em vez disso, encontrei Julian e Jade, assistindo um filme romântico e chato. Bom, na verdade, Jade assistia. Julian dormia com a boca aberta. E é muito estúpido eu achar isso sexy… certo?
– Eles… são tão… perfeitos! Porquê isso? – gritou Jade, assustando-me de morte. A garota estava inconsolável. Chorava e fungava como se alguém tivesse morrido. E era provável que fosse eu que morresse… de medo. Muito medo.
– Jade, calma… é só um filme. – sussurrei, tentando acalmar toda a loucura da garota. Os seus olhos inchados trespassaram-me, furiosos.
– Como se atreve?! Esse não é só um filme! É uma história de vida. A ambição de todas as garotas. A esperança no amor para cada um de nós! Isso aqui é uma lição de vida, Harley! – falou a maluca, pegando nos meus ombros e abanando-me como se eu não entendesse. E não entendo mesmo… quem foi o idiota que deixou essa maníaca fugir do hospício?
Credo.
A garota, ainda completamente transtornada levantou-se do sofá e saiu correndo, fechando-se em seguida no seu quarto. Definitivamente, eu sou a única pessoa normal vivendo nesse apartamento. Sentei-me no mesmo lugar que antes Jade ocupava.
– Ela já foi embora? – perguntou uma voz rouca que eu já conhecia bastante bem. E justamente, estava demasiado perto dos meus ouvidos. Tão perto que senti o seu hálito quente bater-me na face. Quase gritei histericamente, mas contive-me. Isso seria pouco masculino.
Fiquei bem quieta como se esperasse ficar invisível e assim, ele deixasse de me ver. O meu plano infelizmente não resultou e vi-me obrigada a responder.
– Sim, ela já foi.
Julian endireitou-se no sofá e espreguiçou-se deixando a camiseta subir um pouco e revelar a sua barriga bem definida. Mordi o lábio com força e fechei os olhos para acabar com aquela visão tentadora. – Graças a Deus, já não conseguia aguentar tanto drama.
– Como se atreve?! Não é drama! É uma lição de vida! A ambição de qualquer garota! – imitei Jade. O garoto soltou uma risada bem-humorada e levantou-se do sofá, tirando a camiseta. Meu santo Hades! Você escutou minhas preces! Está faltando os morangos e o chocolate, mas acho que posso “trabalhar” sem eles…
Fiquei observando-o enquanto despenteava os cabelos negros. Tal gesto tornava-o ainda mais comestível. Se isso fosse possível.
– Tem fome? – questionou Julian, fazendo uma expressão de cachorro perdido e sozinho na vida triste e cruel. Minha boca quase me atraiçoou mas, consegui impedir-me de falar: “Sim. Você está na ementa?”
Em vez disso, acenei com a cabeça e segui-o até á cozinha. Isso fez com que eu tivesse uma visão privilegiada de suas costas. Desde quando eu tenho fetiche por costas? Hum... Costas largas e sumarentas.
Julian preparou rapidamente um sandwich para mim e para ele. Examinei-o enquanto comia despreocupadamente. Acho que ele não estaria assim tão despreocupado, se soubesse que tem aqui uma garota imaginando perversidades com ele como protagonista.
– Não se apaixone. – quase caí da cadeira. Ele percebera que eu o estava observando. Que merda… O meu coração martelava no peito como um louco. Só espero que ele não o ouça. – Relaxe, cara. Não precisa me olhar como se a qualquer momento, eu fosse lhe saltar em cima.
Estranhamente, saltar-me em cima parecia ser bastante atrativo. Minha mente luxuriosa, imaginou-me deitada nessa mesma mesa enquanto cravava minhas unhas nas costas de Julian. Um dia ainda sou presa por ter esses pensamentos.
– Tem pão na sua face. – automaticamente levei uma mão á face. Mas nada dessa desgraça sair. Para minha surpresa, Julian tirou a sujidade de meu rosto. Senti uma leve carícia por onde seus dedos passaram. – Cara, você tem rosto de garotinha!
Porra, fui descoberta? Mordi o interior do lábio. Chad não iria gostar de saber que meu disfarce caiu tão rápido. O sorriso de Julian – cada vez mais obsceno – cresceu. Odeio esse sorriso, cacete! Fiquei o encarando na expectativa.
Será que me vai xingar e acusar de mentirosa? Irá me expulsar do apartamento e deixar meu corpo gostoso á deriva nessa vida? O seu ar despreocupado mostrou-me que afinal Julian, não desconfiava de mim.
Acabei de comer meu sandwich e fiquei assistindo um filme qualquer. Eu nem sabia o assunto. A única coisa de que tinha consciência era da presença quente e poderosa de Julian bem no meu lado. Essa vontade de lhe tocar possuía-me. Estou ficando louca e ainda só conheço esse demónio há dois dias!
Em algum momento eu adormeci. Provavelmente fui carregada por Julian. Tal como aconteceria a uma princesa. O que seria extremamente gay dado que agora sou um homem.
E tenho de fazer coisas de homem, como cheirar as axilas e escovar os pelos do peito. Homens fazem esse tipo de coisa, certo? Será que Julian escova os pelos do peito? Imagem do inferno.
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