Cocaine

21 Como tudo começou


Notas iniciais
Eu prometi e cumpri! Finalmente a versão da Harley para que vocês entendam o que realmente aconteceu. Em primeiro lugar quero agradecer à Cass e à Harumy pelas recomendações (EU QUASE MATEI MEU GATO POR VOSSA CULPA GAROTAS). Eu amei elas, chorei até um pouquinho AHAH Vocês derreteram a pedra que tinha no lugar do meu coração! Além disso, quero também agradecer todos os reviews. Vocês são os leitores mais perfeitos do mundo!! Se você é um fantasma, revele-se ok? Eu não mordo. Só se você pedir. E leitoras desaparecidas?! ONDE ESTÃO VOCÊS? Tenho saudades. Boa leitura *

Jared riu debochado. Estava começando a odiar esse seu riso. Mesmo parecendo contrariado, o garoto seguiu o conselho de Julian e começou a afastar-se na direção da porta da loja de tatuagens.

– O amor que tem por essa vadia vai ser a sua perdição, amigo.

Jared não foi logo embora. Antes disso, olhou para mim uma última vez e nos seus orbes, eu vi o aviso escondido. Isso ainda não terminou.

[…]

Mordi o lábio sentindo a dor de cabeça aumentar. Ah, que droga. Minhas pernas tremeram e senti-as ceder sob o peso do meu corpo. Julian pareceu entender e o braço que rodeava minha cintura tornou-se mais rígido.

– Vou te levar no hospital, aguente firme. – disse, parecendo preocupado. Sem que eu o pudesse adivinhar, Julian baixou-se um pouco e colocou o outro braço atrás das minhas coxas, levantando-me do chão.

Abanei a cabeça várias vezes. – Mas que merda?! Eu não sou uma inválida, consigo caminhar no meu pé! Me coloca no chão agora, Grant!

O garoto sorriu malicioso, aproximando seu rosto do meu. Espalmei as mãos no seu peito tentando afastar-nos, mas não tive muito sucesso. Mesmo repelindo-o, Julian aproximou-se um pouco mais e quando seus lábios iam se encostar nos meus, o garoto desviou para cima depositando um pequeno beijo no meu nariz.

– Quieta ou vai se arrepender. – provocou, vendo minha pele adquirir um tom avermelhado. Que droga.

– Só não me leva no hospital. Eu odeio hospitais. – bufei escondendo o meu rosto na curva do seu pescoço. Quando Julian ia para negar meu pedido, abracei-o pelo pescoço trazendo-o mais para mim. – Por favor, Julian. Faz isso por mim.

Levantei o rosto, capturando os olhos meio acinzentados, meio azulados do garoto. Julian revirou os olhos, mas acenou. Sorri maliciosamente, enquanto os braços fortes dele carregavam-me para fora da loja.

Por sorte a loja de tatuagens era bem perto do nosso apartamento sendo assim pudemos ir caminhando. Quer dizer, Julian caminhou. Eu limitei-me a ser o peso morto. Ok, má escolha de palavras.

Assim que passámos a porta de entrada do nosso prédio, o porteiro mal-encarado teve um surto monumental e quis chamar a polícia. Mas Julian salvou o dia inventando a história de que eu caí de uma escadaria. O porteiro pareceu meio desconfiado, mas deixou-nos subir.

Logo que entrámos no apartamento, Julian atravessou o cómodo e carregou-me até pararmos na frente de uma porta. O quarto do Grant. Mordi o lábio. Eu já me imaginei entrando nesse quarto, mas a situação era outra. Julian empurrou a porta com suas costas e entrou, depositando o meu corpo pesado na cama perfeitamente arrumada dele.

Examinei o quarto enquanto Julian procurava uma caixa de primeiros socorros no seu armário. Eu imaginava que o quarto dele seria bagunçado, mas me enganei. Estava tudo organizado e limpo. Em comparação, o meu quarto é um desastre.

Uma das paredes de Julian era repleta de desenhos dos mais variados temas. Formas sem nexo. Lugares detalhados. E até pessoas.

Sorri encontrando entre os desenhos uma forma roxeada. A garota desenhada parecia distraída com algo. Tinha o cabelo roxo apanhado num coque frouxo e preso com um lápis. As suas sobrancelhas estavam franzidas, sinal de que estava pensando. Os olhos de cor indefinida, permaneciam concentrados em algo. Os lábios cheios seguravam um outro lápis. Essa era a forma como eu sempre estudava. Um lápis segurando o cabelo e uma expressão tediosa.

– Suponho que essa sou eu. – afirmei, sentindo a voz rouca arranhar-me a garganta. Julian seguiu o meu olhar e vi seu rosto ficar mais pálido que o normal. O garoto parou de remexer o seu armário e rapidamente arrancou o desenho da parede, enfiando-o no bolso de trás da sua calça jeans.

Sorri com a sua atitude e cruzei os braços, tentando parecer indignada. – Agora você colocou a minha cara no seu traseiro! Obrigada, Grant. Sério.

Julian revirou os olhos e aproximou-se de mim, trazendo uma caixa vermelha e branca nas mãos. – Não fiz nada que você não quisesse, Adams.

E com essa ele me calou. O que eu responderia mesmo? “Ah, tem razão! Eu estou louca para colocar minhas mãos nesse seu bumbum gostoso.”

Pois, eu não quero parecer uma desesperada.

Fiquei quieta enquanto Julian examinava cada machucado meu. Começou por meu rosto que segundo o futuro médico, estava ficando roxo. Pelo menos combinaria com meu cabelo. Depois disso, Julian cuidou da minha cabeça. Tinha um pequeno corte, mas não precisaria de pontos. Por último, as minhas costas. Não tinha nada quebrado, só um hematoma. Iria doer por uns dias.

Quando terminou, Julian apontou uma pequena lanterninha nos meus olhos. – Se você sentir tonturas, teremos que ir no hospital. Você bateu com força a cabeça e pode ter danos internos.

– Você está indiretamente me chamando de louca? – perguntei, afastando a luz dos meus olhos.

Julian não riu. Ele simplesmente continuou me encarando.

Não aguentando o seu silêncio, perguntei:

– O que foi?

O garoto suspirou e passou uma mão pelos cabelos negros, despenteando-os. Estavam mais compridos e indomáveis. – Acho que precisamos conversar, Harley.

Fiz-me de desentendida e pousei meu olhar no chão de madeira. De repente, o chão se tornou a coisa mais interessante do quarto. – Sobre o que você quer falar?

– Você sabe. Jared.

Suspirei. Eu não iria conseguir fugir dessa vez. Hades nunca me facilita.

– O que você quer saber, Grant? Quer saber o quanto eu fui vadia, é isso? Quer saber quando foi que encontrei meu ex-namorado morto com uma bala na cabeça? É isso que você quer saber?

Julian suspirou, abanando a cabeça. – Desculpa, eu não deveria ter tocado no assunto.

A sua expressão desolada colocou-me um peso no peito. Julian foi o herói hoje. Ele merecia saber, certo?

– Não. Tudo bem, eu exagerei agora.

O garoto permaneceu em silêncio, esperando a minha explicação. Respirei fundo duas vezes antes de começar.

– Eu conheci Nolan e Jared no segundo ano do ensino médio. Eles eram dois gémeos carismáticos e todo o mundo gostava deles. Eram o tipo de pessoas que você gostava de seguir. Eu os admirava.

Respirei fundo, quando senti a voz ficar mais baixa.

– Mas Nolan sempre foi o mais divertido e inconsequente. O irmão mais interessante. Foi com ele que dei meu primeiro beijo. Ele também foi meu primeiro namorado. A minha primeira grande paixão. – parei por momentos, medindo as reações de Julian. Era estranho contar tudo isso, dado que agora era o Grant quem povoava os meus pensamentos e não Nolan.

Julian me incentivou a continuar com um aceno. Recostei as costas nas almofadas da cama e fechei os olhos.

– Mas eu cansei pouco tempo depois. Nolan revelou-se ser um cara demasiado possessivo. Estava sempre colocando alguém para me vigiar quando não podia estar comigo. Ficava me enviando torpedos querendo saber onde eu estava e com quem. Quando estávamos juntos não mostrava qualquer interesse em mim. Mas mesmo assim, era ciumento por tudo e por nada. Até que começaram as ameaças.

Não quis entrar em pormenores. As ameaças de Nolan sempre foram um segredo. Ninguém sabia nada sobre isso, nem mesmo Chad que era a pessoa que mais conhecia cada detalhe da minha vida.

– Terminei com ele. Nolan pareceu não se importar já que segundo ele: “sempre teria as garotas que quisesse e eu não era nada”. Separámo-nos completamente e ignorávamos a presença um do outro sempre que possível.

Esfreguei as mãos uma na outra, sentindo-as formigarem.

– Jared era o único garoto que Nolan deixava se aproximar de mim enquanto namorámos. Depois que terminei com Nolan, Jared e eu aproximámo-nos. Ficávamos horas conversando sobre tudo e nada. Fiquei completamente atraída por ele, mas claro que ele nunca me iria corresponder. Afinal, eu era a ex do irmão dele. Mas um dia ele me beijou.

– Sendo assim, você não traiu o Nolan. Vocês tinham terminado quando você e Jared se envolveram. – interrompeu Julian, fitando-me com os olhos agora de um azul intenso.

– Eles eram irmãos, Julian. Eram um só. Eu deveria ter ficado longe, mas em vez disso… acabei me apaixonando por Jared e vice-versa. – fiz uma longa pausa para reorganizar os pensamentos, mas logo continuei. — Com Jared tudo era diferente, mais descomplicado. Eu sentia-me mais leve e completa e… e foi por isso que me entreguei para ele.

– Nolan sabia que você e Jared tinham algo? – interrompeu Julian novamente, dando-me tempo para respirar. Neguei com a cabeça e continuei.

– Ele não sabia, mas rapidamente descobriu. Um dos seus amigos viu-nos juntos. E no dia seguinte, Nolan estava morto. Depois disso, Jared tornou-se frio e distante. Começou a acusar-me, dizendo que indiretamente eu matei o irmão dele. E ele tem razão. Eu matei o Nolan.

– Não é verdade, você só…

Interrompi Julian, sentindo meus olhos encherem-se de lágrimas ácidas. – Pouco tempo depois, Jared tentou me matar. Ele disse que a sentença de uma assassina deveria ser a morte. Os pais dele encontraram-nos antes que fosse tarde demais e ambos decidiram que era melhor se Jared fosse preso.

Limpei uma lágrima que decidiu escapar. – Você não imagina o quanto a mãe deles chorou. Nunca me senti tão culpada como naquela noite.

Outras lágrimas seguiram essas e eu não as impedi. Julian me olhou preocupado mais uma vez. Senti-me impura sob o olhar dele. – Algum tempo passou e eu precisava ingressar na faculdade. Escolhi a East River por causa do meu pai e também porque era longe de casa. Aqui eu achei que estava segura. Um mês atrás, Jared foi liberado por bom comportamento. Ele ficou livre.

– E então você decidiu esconder-se por baixo daquele maldito capuz. – completou Grant, limpando algumas lágrimas que desceram por minhas faces.

– A ideia foi de Chad. Eu estava sem saída por isso decidi aceitar. Mas o problema é que Jared sabia onde eu estava. Ele sempre soube. Jared sabia que meu pai eventualmente me obrigaria a ingressar em East River. Eu tinha contado para ele e Nolan numa noite em que ainda éramos apenas três amigos.

– Porque você segue os planos do seu pai, Harley? Você não gostaria de fazer algo diferente? – perguntou o garoto, acariciando meu rosto com delicadeza. Fechei os olhos sentindo a sua mão aveludada.

– Eu sou uma garota sem qualquer ambição. E além disso, eu sabia que me daria bem em Física, afinal desde criança que sou apelidada de génio e considerada “o próximo Einstein”. Meu pai espera que eu supere ele até.

Mordi o lábio, sentindo as lágrimas cessarem. – Sabia que eu sempre esperei que você se unisse a Jared? Aliás, estou ainda esperando que isso aconteça. Ele é seu amigo. Eu sou apenas uma garota que você mal conhece.

Um sorriso sincero ocupou os lábios de Julian Grant. – Eu nunca iria fazer nada contra ninguém. Isso é insano. Principalmente se tratando de você. Har, você não fez nada de mal. Você foi apenas uma adolescente. O problema é que foi uma adolescente que se apaixonou por quem não deveria.

Acenei lentamente com a cabeça. Senti um sorriso travesso surgir nos meus lábios. – Você tem algo que me pertence.

O garoto encarou-me, parecendo confuso. – O que é?

– O desenho. Eu o quero.

Julian levou uma mão á sua calça, trazendo uma folha amarrotada entre os seus dedos. – Isso aqui? Você vai ter que pagar.

Pigarreei, sentindo o meu rosto aquecer. Se ele falar que quer que eu pague com o corpo, eu não sei se vou conseguir me controlar. Julian não falou nada, apenas aproximou seu rosto do meu enquanto olhava no fundo dos meus olhos. Seus lábios esmagaram-se contra os meus devagar. Julian não aprofundou o beijo, sendo assim tão rápido o beijo começou como acabou.

– O seu irmão vai-me matar. – falou, assim que afastou seus lábios dos meus. Questionei-o com o olhar. Julian sorriu, colocando uma mecha de cabelo atrás da minha orelha. – Eu prometi cuidar de você e olha só, você está um caco. Um caco gostoso. Mas continua um caco.

Ri com a sua comparação. – Eu sinto-me um caco mesmo.

Julian levantou-se da cama e afagou o meu cabelo, depositando de seguida um beijo na minha testa. – Dorme um pouco. Você irá se sentir melhor. Prometo.

Concordei e afundei-me um pouco mais nas almofadas, sentindo o cansaço apoderar-se de mim. Céus, eu nem tinha notado o quanto estava cansada. Julian saiu do quarto, deixando-me sozinha.

Sentei-me para descalçar as botas para que estas não sujassem a cama de Julian e encontrei um papel abandonado em cima da cama. Peguei nele e sorri quando vi a minha imagem mais de perto.

E possível ficar ainda mais apaixonada por Julian?

É, acho que sim.

Coloquei as botas no chão de madeira e afundei o meu corpo nas almofadas, enquanto examinava cada traço do meu rosto. Se isso continuar, Julian vai fazer com que essa paixão que nutro por ele se torne amor. E depois… depois não tem volta.

Notas finais
Eu realmente espero que vocês sejam caridosos com minha alma de escritora dessa vez AHAH Vocês sabem, mas eu repito: Comentários e Recomendação são bem-vindos e acarinhados com todo o amor e... calor. Grrrr Ignore a última parte.