Coaching Daddy
8 Capítulo 8
Notas iniciais

— Fala sério... Ela ficou linda, não ficou? — perguntei olhando para Thea quando terminei de arrumar o cabelo de Julianna.
Thea riu e assentiu enquanto mastigava seu café da manhã.
Depois de acordar cedo e ir correr com Roy pelo quarteirão, me senti renovado e sem nenhum músculo rígido do treino de ontem. Assim que voltamos para o hotel, todos já haviam acordado também. Anthony e Damien estavam elétricos correndo ao redor da casa com carrinhos de controle remoto que Anthony havia trazido para brincar com o remelento 1 e Julianna estava pintando e dançando ao mesmo tempo uma música chata e bem chiclete.
John havia pedido o café tamanho família XLG, mas eu já queria deixar os remelentos prontos para o jogo que seria em poucas horas. Tommy que também tinha saído cedo, na verdade ele nem dormiu, havia voltado da rua com as novas camisetas para as crianças e Thea, que eram verdes e brancas, o que me deu a ideia de caprichar no visual dos remelentos hoje.
Damien foi o mais fácil, depois do banho, ele se trocou e até passou desodorante e colônia sozinho. Eu fiz duas listras verdes em suas bochechas e dei um novo boné que ele colocou imediatamente e depois foi brincar com Anthony de batalha dos dedos de espuma. Depois que Julianna tomou banho e se vestiu, eu fiz um pequeno coração verde em sua bochecha e Thea desenhou o meu número no centro dele com um pincel brilhante de seu estojo de maquiagem. A remelenta não queria usar boné hoje, então eu penteei seu cabelo e prendi ele em dois rabinhos traseiros bem firmes, ou maria-chiquinhas, como Thea chamava. Os prendedores eram o que chamavam atenção porque eram duas bolinhas de pelo verde, pareciam os pompoms das líderes de torcida.
— Estou pegando o jeito disso, Jules! — eu disse fazendo cócegas em sua barriga fazendo ela rir.
Coloquei o pente e os prendedores peludos de lado e servi o prato de Julianna com waffles, ovos e torrada. Coloquei um copo de suco de maçã na sua frente e assoviei fazendo Dame e Tony me olhar e virem comer também.
O assovio sempre funcionava.
A mesa estava cheia e as conversas paralelas se intercalavam entre os caras, mas eu só conseguia focar no sentimento de ansiedade que havia começado a crescer dentro do meu estômago.
— ... minha única preocupação de hoje é Samuel Woods. — disse Adrian assim que eu voltei meu foco para a mesa. — Ele é bem rápido, por isso acho que Slade deveria colocar Barry como minha sombra hoje.
— Eu não gosto quando duvida do seu potencial, mas você tem razão. — concordou Dig antes de beber um pouco de seu chá. Sim, chá. Ele não bebia café e nem energético, apenas chá e água. — Woods vai estar marcando você e Roy. Com Barry no meio, as coisas podem ficar difíceis para ele. Renée poderia ajudar e Wood não vai conseguir acompanhar todos.
— Já que estamos falando de quem a gente não gosta, quem é que vai encarar a Susan Williams caso nós ganharmos? — perguntei mordendo um waffle com blueberry em cima. Todos me encararam de cara feia, ninguém gostava daquela mulher. — Não olhem para mim, Tommy me proibiu de ficar sozinho com ela depois do escândalo de possível sífilis e eu tenho uma noite da pizza com Thea hoje, não é mesmo irmãzinha?
— Sim. E nem mesmo se a própria Cat me implorar de joelhos, eu vou deixar ele me dar bolo... — disse Thea de boca cheia e tentando parecer ameaçadora para os outros.
— O que automaticamente me excluí também, não é mesmo amor? — disse Roy usando o mesmo tom que eu e bateu os cílios para todos os outros.
Thea revirou os olhos, mas sorriu e assentiu.
Quando as quartas de final tinham seus jogos finais, a NFL permitia que um repórter ganhasse um entrevista exclusiva com um jogador de cada time que havia passado para a próxima etapa. Normalmente, Susan Willians, cobria as quartas de final. James Olsen, as segundas de final. Iris West, a semi-final e Billy Malone, para o meu desprazer, a final no Superbowl junto com uma bancada de comentaristas.
— Se der certo hoje com Barry, fazemos ele levar essa pelo time, ou empurramos Renée. Ele adora dar discursos sobre companheirismo. — disse Adrian roubando um morango do prato de Anthony.
Todos riram, mas eu não conseguia tirar os olhos da criança que estava comendo sua torrada com geleia e lambuzando completamente. Olhei para Damien com medo de encontrar a mesma coisa, e vi que seu prato já estava vazio e ele ainda comia os blueberrys que Julianna colocava de lado. Ela preferia waffles com morangos aparentemente, mas estava comendo bem e ambos se mantinham bem limpinhos. Comecei a entender o que Thea havia dito no primeiro dia que eles ficaram em casa comigo e com ela.
Graças á Deus ás leis da etiqueta e higiene.
Graças á Deus por Sara aonde quer que ela esteja agora.
—-
Thea Queen_
— Srta. Queen? A senhorita aceita outro suco?
Me virei para a atendente com um sorriso e aceitei outra taça de suco de laranja e ela foi até Tommy que negou e pediu um energético ao invés. Ele estava horrível, mal tinha dormido direito, mas era sempre assim com os jogos fora de casa. Ele madrugava, mas o trabalho era feito com excelência e ele entrava em um coma de dois dias quando chegava em casa.
Olhei para as crianças que estavam sentadas bem na frente da parede de vidro e torciam loucamente para os Rocketes, mesmo não entendendo quase nada do jogo no caso de Julianna, os meninos ainda sabiam uma ou duas coisas sobre o esporte. No meu caso, eu apenas olhava o placar e ele me dizia que o primeiro tempo estava acabando em empate entre os dois times.
Assim que o apito do juiz soou, eu entrei em cena deixando meu suco de lado.
— Hoje não podemos comer tanta besteira, então o que vocês vão querer? — perguntei abrindo um menu no meu colo com imagens bem ilustrativas para os três verem.
— Eu gosto deste arroz colorido! — exclamou Julianna apontando para uma das fotos.
Hmm. Ela era fã de comida chinesa?
— Eu gosto desse feijão branco! — foi a vez de Anthony exclamar e apontar para uma das fotos. — A minha avó faz uma salada gostosa com ele.
— Salada de feijão? — perguntou Julianna parecendo impressionada. — Eu nunca comi salada de feijão, Tia Thea!
— Quer experimentar? — perguntei e ela assentiu. — E você Damien?
Ele parecia pensativo e depois apontou para uma foto ilustrativa de um Bife Wellingtom. Eu assenti e fiz o mesmo pedido para nós cinco e a atendente foi correndo buscar, literalmente, correndo em cima dos saltos e tudo mais. As crianças voltaram a brincar e eu me sentei ao lado de Tommy que estava digitando algo em seu notebook.
— O que está aprontando?
— Estou tentando convencer Adam Hunt, editor-chefe da Men's Health, a fazer a edição de aniversário da revista com os Rocketes, porém com mais ênfase em Oliver e nas crianças. — ele disse sem parar de digitar.
— Exposição controlada? — perguntei deduzindo seu planinho de publicidade.
— Exatamente, Speedy. — ele disse sorrindo e eu ri.
— A minha ideia é que cada jogador do time, incluindo Slade tenha uma página com suas conquistas e uma breve entrevista. Adrian e Dig terão mais do que isso porque vão comentar sobre a vida de ser pai e jogador, assim entramos no seu irmão e as crianças com força total. — ele disse e bebeu um pouco de seu energético. — Puxamos para o lado mais família aonde você entra e finalizamos com Roy.
Wow. Era um ótimo plano mesmo. A publicidade que isso geraria seria enorme, mas quanto mais atenção, mais assédio teria também. Não sei se Oliver iria concordar com isso se envolvesse as crianças.
— Sei o que está pensando. Mais atenção sobre todos nós, não é? — perguntou ele desviando o olhar da tela pela primeira vez e eu assenti. — Acho que Ollie também vai ficar parado nisso, mas pense comigo, Speedy... Atenção nem sempre é algo ruim, você teria visibilidade com a abertura das novas Verdant, e todos os outros jogadores mais propostas de patrocínio também. Inclusive o seu irmão.
— Mas e as crianças? Eu sei muito bem o que foi crescer sendo filha de um CEO e já era ruim o suficiente, imagine de um jogador de futebol... — eu cochichei e Tommy maneou a cabeça.
— Ainda é apenas uma proposta, Adam quer fazer isso apenas quando o campeonato acabar. — ele respondeu e fez um gesto para a tela de seu notebook.
Ele estava digitando uma resposta para o tal editor-chefe.
— Tommy, tire esses palavrões... — eu aconselhei batendo em seu ombro com carinho depois de ler apenas três linhas de sua resposta.
— Eles dão a intensidade que eu quero! — rebateu assim que a atendente voltou empurrando um carrinho com vários pratos tampados.
A bandejas das cadeiras foram estendidas e eu servi os três. Cortei o Bife Wellingtom em pequenos quadrados e depois quase arranquei o notebook de Tommy para ele, finalmente, dar uma pausa e comer. O segundo tempo começou assim que eu enfiei a primeira garfada em minha boca.
Eu decidi então postar a primeira foto das crianças em um rede social.
Tinha me policiado bastante com isso, porque todas as fotos eram lindas. Literalmente. Por isso escolhi uma que tirei com Julianna hoje assim que vestimos nossas camisetas novas. Estávamos de costas para a bancada do banheiro e Ollie havia batido o clique. O sobrenome "Queen" e o número 5 estavam bem evidentes e o sorriso de Oliver também, mas acho que ele nem havia percebido isso. Ou... Busquei na minha galeria uma foto em específico enquanto o jogo ainda rolava.
Achei ela junto com algumas selfies que tirei com Roy dormindo sentado no aeroporto. Tínhamos acabado de pousar, todos estavam de mau-humor e com as caras amassadas, os paparazzis do lado de fora não ajudavam em nada, mas no meio de tudo isso Oliver brincou com Julianna no portão de desembarque, enquanto esperávamos os seguranças.
Julianna estava sentada nos ombros de Ollie com seu boné na cabeça e com as mãos nas bochechas do pai rindo, enquanto meu irmão empurrava um carrinho com as malas deles, rindo também. E era onde Damien estava sentado lendo seu livro do Harry Potter com uma expressão concentrada. Escolhi essa e depois adicionei uma de Adrian e Anthony fazendo lançamentos juntos em pleno estacionamento e outra de Roy de mãos dadas com Julianna, enquanto ambos saltitavam pra lá e pra cá quando nós desembarcamos. Esses pequenos momentos eram lindos e eu sempre tentava registrar com minha câmera.
Escrevi uma legenda pequena e postei.
"Paternidade cai bem neles."
— Oh não! Queen foi derrubado brutalmente por um Shark! — exclamou o comentarista e isso me fez levantar os olhos.
Olhei para o campo onde uma rodinha se juntava na linha de 40 jardas e depois para o televisor onde tinha um close-up. Oliver foi derrubado e estava segurando seu ombro. Vi Slade deslizar seu capacete para fora, enquanto mantinha o rosto de Oliver apoiado em sua coxa e vi o rosto do meu irmão contorcido em dor.
— Será que ele fraturou algo? Isso seria uma péssima hora já que estamos apenas a 26 minutos do final do segundo tempo e os Rocketes estão perdendo por seis pontos.— exclamou outro comentarista, enquanto Slade falava com Ollie que respondia com acenos de "Sim" e "Não" com a cabeça.
Ele foi posto em uma maca e o levaram para fora do campo. Vi Roy e Adrian ajudarem a levar a maca e percebi que conversavam em voz baixa. Olhei para Tommy que estava observando tudo com o cenho franzido, ele estava preocupado também.
— Tia Thea, meu papai se machucou? — perguntou Julianna ao meu lado.
Ela tinha comido bastante, mas ainda deixou um pouco no prato. Olhei para ela e depois para Damien que parecia mais preocupado do que uma criança deveria estar com o boné torcido em suas mãos. Anthony estava surpreso, mas ainda comia sua comida calmamente.
— Ele sempre se machuca nos jogos, gatinha. — eu disse com um pequeno sorriso e ela assentiu. — A gente vai ter que cuidar dos dodóis dele quando o jogo acabar, okay?
— Okay. Eu vou tomar muito cuidado que nem o papai tomou quando eu bati a cabeça. — ela disse e colocou os dedos em um ponto á cima da testa como se lembrasse de como havia doído. — A gente precisa comprar sorvete pra ele também!
Sorri e assenti.
Me voltei para o televisor e vi que Adrian havia substituído Ollie e Roy foi para posição de Adrian, dando espaço para Barry e René entrarem, mas... Me virei para Tommy que encarava o campo com o mesmo olhar que eu. Estava juntando as peças. Eles conversaram sobre isso no café da manhã, não conversaram? Sobre colocarem Barry para jogar e aumentar a pressão sobre os Sharks?
— Tommy... Cuide das crianças. — eu disse me levantando e ele assentiu ao fechar seu notebook com um sorriso.
Saí da área VIP dos camarotes e desci até o térreo do estádio de elevador. Depois mais dois lances de escada até o vestiário dos jogadores. Nenhum segurança fez menção de me barrar, mas assim que cheguei no vestiário que os meninos estavam usando, eu vi Slade e um enfermeiro dos Rocketes ao lado de Oliver.
— Está inteiro? — perguntei e os três olharam para mim.
— Sim. Apenas uma luxação, mas eu não estou sentindo o lado esquerdo do meu corpo mesmo... Valeu pela injeção, Rob. — disse Oliver meio grogue e com uma garrafa de água na mão.
— Ele não quebrou nada de importante, Slade. O músculo está apenas inchado e vai ficar assim por pelo menos uma noite. Muitas compressas de gelo e água quente, Oliver. Sem carregar peso até o inchaço diminuir por completo. — disse o enfermeiro do time e meu irmão assentiu como se fosse uma criança.
— Garoto, pare de bancar o herói naquele campo, eu iria colocar Allen de qualquer jeito para jogar... — disse Slade com um tom de bronca quando o enfermeiro saiu do vestiário.
— Era o meu ombro ou a perna de Roy, e como eu não lanço com o braço esquerdo... — Oliver ponderou levemente e Slade maneou a cabeça em desaprovação. — Enfim, diga para Adrian enrolar e deixar Barry correr. Eu não estou no clima de encarar Susan Williams com o ombro machucado.
Senti a bile vir até minha garganta ao ouvir o nome da mulher dragão.
— Vou voltar para o campo, cuide dele e não deixe que ele banque o herói de novo, Thea. — pediu Slade e eu assenti.
Oliver deitou na maca e colocou uma toalha sobre seu rosto até que pareceu lembrar de algo e se sentou novamente com rapidez, mas cambaleou para o lado com metade de seu corpo dormente. As mantas aquecidas caíram ao lado de seu torso e seu ombro parecia ser um grande hematoma. Tinha uma mancha roxa que indicava o impacto do golpe e ao redor dela as veias estavam bem demarcadas.
— Pare de encarar, você é minha irmã... — disse ele com um sorriso idiota. — Não está tão ruim.
— Não estou preocupada com você, estou preocupada com a reação de Julianna quando ver o tamanho do seu dodói. — eu disse batendo no seu ombro bom e ele recuou massageando o local.
— Afinal, com quem eles estão?
— Tommy.
— Você deixou três crianças mais do que super cafeinadas com um Thomas Merlyn que há dois dias vem vivendo de café e energético e está a ponto de desmaiar? — perguntou ele com um olhar severo.
— Você falando desse jeito...
— Por favor, vá pegar meus filhos. É mais fácil eles estarem de babá de Tommy e não o contrário. — pediu se levantando da maca e cambaleando um pouco.
— Aonde você vai? — perguntei.
— Tomar banho e sim, eu consigo me lavar sozinho. — disse puxando uma toalha e indo em direção á parte dos boxes, enquanto eu me virava e corria de volta para a área VIP dos camarotes rezando para que todos estivessem bem e inteiros.
—-
— Por mais que eu goste de vencer, não quero ninguém tomando riscos desnecessários para termos uma posição boa na tabela, estão me ouvindo?
Todos do time acenaram em concordância como se fossem um bando de crianças pegas fazendo alguma coisa errada pelo pai no meio da noite. Eu sabia disso, porque já havia pegado Damien lendo de madrugada em dia de escola e ele fez a mesma coisa que Renée e Barry estavam fazendo.
— Queen?
— Alto e claro, treinador. — respondi e acenei com a cabeça.
— Ótimo. O avião vai sair amanhã a noite de volta para Starling. Não se atrasem. — ele disse e todos voltaram a assentir. — Curtam a vitória, porque essas foram apenas as quartas de finais... Os caras grandes ainda estão por vir, meninas.
Todos dispersaram rapidamente e Barry até que gostou de ser o centro das atenções por alguns minutos. Mal ele sabia o que o esperava dentro daquela sala, mas era sempre bom calejar os novatos e isso significava jogar eles aos lobos de vez em quando.
— Allen você vai fazer a coletiva de imprensa comigo hoje. Vai pro chuveiro e depois Cat vai te passar a rotina das perguntas... — disse Slade batendo no ombro de Barry que assentiu e disparou para a região das duchas.
Eu já estava limpo e pronto, por isso fui na direção oposta junto com Adrian.
Encontrei com as crianças na área VIP. Os três estavam desenhando no rosto de Tommy com as canetinhas de Julianna. Ele tinha apagado e os remelentos tinham atacado. Tommy tinha sobrancelhas muito cabeludas verdes, um bigode vermelho estilo gatinho com direito a um foucinho rosa e um rastro de lágrimas pretas pela bochecha. Estava horrível. Assoviei e os três olharam para mim e esconderam as canetinhas atrás das costas.
— Está lindo, aposto que os bigodes foram obra de Julianna... — cochichei para Adrian que riu e assentiu.
Ambos sentamos com as crianças no colo ao lado de Tommy e Adrian sacou seu telefone e tirou uma selfie e me enviou. O rosto de Julianna havia saído meio borrado porque ela tinha virado para fazer ajustes na sua obra prima e Anthony não havia conseguido segurar o riso. Eu postei a foto com emojis sorrindo de legenda e Julianna ainda adicionou um de gatinho apaixonado como toque especial.
— Quem quer pizza? — perguntou Thea aparecendo com Roy e os casacos dos remelentos em mãos.
Os três gritaram juntos e Tommy acordou. Ninguém contou nada.
—-
— Eu quero um daquele! — gritou Julianna apontando para alto á minha direita no alto. — Eu quero apertar!
Segui seu dedinho e vi um cavalo branco com um chifre dourado e cabelos coloridos enorme em exposição em uma das inúmeras barraquinhas luminosas perto da entrada do parque principal do complexo Disney.
— Ahhh eu quero um Minion! — exclamou Thea ao lado de Julianna que assentiu como se concordasse.
Me virei para o atendente da barraca e entreguei uma nota de dez dólares em troca de quatro bolas. Acertei todas as torres de garrafas e dei o cavalo com chifre enorme para Julianna que soltou um de seus gritinhos animados. Eu sorri e dei espaço para Roy que iria lançar em seguida. Speedy ganhou seu bicho amarelo também.
Estávamos passeando pela Disney desde manhã.
Tomamos café da manhã com algumas princesas e anões, depois fomos para os brinquedos que eles podiam entrar pela altura e assistimos a sereia ruiva, Ariel, cantar com seus peixes-amigos por quarenta minutos. Pausa para o almoço junto com as fadas e o Peter Pan que fez Anthony e Damien quererem lutar com espadas de plásticos no navio do pirata. Mais brinquedos e depois um pequeno lanche com a Alice e o Chapeleiro Louco.
Assistimos o desfile de todos os personagens Disney e Julianna tirou foto com cada um deles depois que terminou. Literalmente. Cada um deles. Sem deixar faltar. Thea fez com que nenhum faltasse e ainda me fez abraçar a Minnie que cheirava a pipoca doce e vômito de criança para uma foto em família.
Fomos no Castelo por último. Julianna se tornou uma princesa em miniatura e os meninos ficaram felizes ao assistir uma apresentação de caras vestidos como soldadinhos de plásticos verde. É claro que a remelenta 2 ficou linda de princesa com um vestido rosa e uma coroa e foi a minha vez de ser o fotógrafo.
Depois de vermos a queima de fogos e o show de luzes refletidas no próprio castelo, o dia de passeio acabou. Na hora de voltar para o hotel, eu vi o peso das nossas compras que se tornaram em sacolas enormes cheias de lembrancinhas e brinquedos que, aparentemente, só vendiam aqui em Orlando de acordo com Anthony, que tinha a maior de todas.
Tommy havia ficado no hotel desmaiado e Dig havia se oferecido para ficar de babá já que estava com o corpo dolorido, mas é claro que eu havia comprado lembrancinhas para Andrew e Charlie, e uma que Lyla iria amar e Dig odiar completamente.
— Oliver?
Me virei para Damien que estava usando suas orelhinhas do Mickey que eram iguais as minhas. Na verdade, todos do nosso grupo estavam usando orelhinhas, até mesmo os seguranças á pedido de Julianna que estava andando de mãos dadas com Roy. Ele segurava seu cavalo colorido e o bicho amarelo e Thea tirava fotos dos dois de longe, ela tinha trazido sua máquina e eu iria roubar seu cartão de memória mais tarde para pegar as fotos de Julianna com seu vestido bonito.
— Sim? — perguntei colocando a mão em seu ombro enquanto segurava as mãozinhas do Mickey de Julianna com a outra.
— Será que a gente pode visitar Hogsmead amanhã antes de irmos embora? — perguntou ele e eu assenti, o que fez ele sorrir e bater no meu punho e no do Mickey e depois disparar para contar para Anthony que estava ao lado de Adrian vendo um cara vestido de um dos bichos amarelos que Thea gostava fazer malabarismos.
Eles ainda não sabiam sobre os outros dois passeios.
Passamos pela estátua do Walt Disney e algumas pessoas me reconheceram e atacaram. Tirei fotos com eles e dei autógrafos. Thea manteve os remelentos longe do pequeno grupo de fãs e esperou pacientemente Roy atender os dele também. Adrian foi o único que escapou porque Anthony precisou ir ao banheiro e o bastardo aproveitou a deixa.
Assim que eu atendi todos, Leo e Mick vieram ao resgate e nós nos enfiamos todos dentro da van alugada. Todos decidiram optar por pedir serviço de quarto para o jantar. O assédio dos fãs azedou o humor de todos, até mesmo das crianças para ir até o Big Belly mais próximo.
Leo e os outros seguranças descarregaram as compras e Julianna quase entrou dentro do saco, enquanto procurava algo ali depois que entramos dentro do quarto novamente. Anthony e Damien foram os primeiros a serem despachados para o banho assim que entramos no quarto do hotel.
— Achei! — gritou Julianna com a sua voz abafada. Ela tirou uma versão bebê da Minnie com fralda e tudo e entregou para Dig que estava sentado no sofá assistindo um especial de surfe no canal Off Time. — Aqui Tio John, é para a sua bebêzinha. Eu que escolhi!
Dig adorou o presente e engoliu Julianna em um abraço e fez cócegas em sua barriga até ela chorar de tanto rir. Tommy acordou com as gargalhadas da remelenta e se espreguiçou em um dos sofás com a cara toda amassada.
— Que horas são?
— Quase 21:00h. — respondi sua pergunta e ele resmungou virando para o lado oposto do sofá em que estava e puxando a coberta para cima de sua cabeça.
Tommy iria precisar de pelo menos mais 12 horas de sono para compensar as 72 em que ele ficou acordado se enchendo de energéticos e café. Agora que o jogo havia passado, ele poderia descansar até o próximo que seria em menos de duas semanas, eu acho.
Todos nós poderíamos descansar até lá.
— Oh meu Deus, eu amei!
O som da voz de Lyla me tirou do fluxo de pensamentos que estava tendo e eu olhei para o lado vendo Dig, Jules e a boneca-bebê se exibindo para o celular do meu guard favorito.
— Essa é a sua Tia Lyla... — apresentou Dig para Julianna que acenou animadamente na frente da câmera e eu ouvi a risada de Lyla junto com barulhos estranhos de bebês.
— O Tio John disse que ele também tem uma filhinha pequena e bebê, e eu disse pra ele que não queria que ela brincasse sozinha por isso iria brincar com ela e com a Minnie Baby! — disse abrindo os braços como sempre fazia e isso me fez rir.
Julianna era... Julianna.
Decidi adiantar o jantar e levantei do sofá pegando o menu de hoje e o telefone.
Ninguém aqui tinha restrições quando falávamos de comida. Thea comia de tudo, menos peixe. Anthony era alérgico á amendoins. Dig não tomava café. Acabava por aí. Então pedi macarrão á bolonhesa para as crianças com refrigerante, já que eles não foram ao BBB hoje, e carneiro assado acompanhado de arroz integral com com legumes no vapor e uma salada para todos os outros.
Simples. Fácil de digerir.
— Jules. Banho. Agora. — eu disse assim que desliguei e vi a cabeleira loura de Damien aparecer no corredor. Ele estava usando um pijama diferente. Anthony apareceu logo atrás com um pijama igual. Ah sim. Eram os pijamas do hotel para crianças, aposto que tinham pantufas também. Julianna se despediu de Lyla e deu um beijo na bochecha de John que o deixou todo abobalhado e veio até mim saltitando.
— Lava meu cabelo hoje, Oliver? Ele tá todo grudando... — pediu ela coçando a cabeça e eu assenti reprimindo um suspiro ao ver o tanto de glíter que tinha em sua cabeça.
— Vai na frente que eu já te alcanço... — disse e ela assentiu e foi saltitando para o banheiro.
Não tinha ideia de como era lavar a cabeça de uma criança. Ainda mais de uma menina com cabelo longo igual o de Julianna. Enquanto ela ia na frente, eu já peguei meu celular e abri minha página do Guia da Mamãe. Tudo que eu aprendi até agora sobre paternidade havia vindo deste site salvador de vidas, cortesia de Adrian já que quem mantinha o blog em pé era Maggie, a mãe de Anthony que tinha uma cota excessiva de sobrinhos e muita experiência com crianças. Eu havia remontado a minha vida com os remelentos usando tudo que tinha ali como base. Desde refeições balanceadas, passos á passos dos penteados, os primeiros socorros, como aplicar pequenas lições, broncas e responsabilidades... Tudo mesmo. Fui no ícone de limpeza e higiene pessoal e descobri como lavar o cabelo de uma menina em menos de três minutos.
— Okay. Parece fácil. — eu disse terminando de ler o artigo.
Entrei no banheiro e encontrei Julianna já na banheira grande demais para seu tamanho pequeno em meio á água rosa. Ela havia descoberto as bombas de sais de banho coloridos ontem e toda vez que tomava banho, usava uma de alguma cor. Ontem foi azul, hoje de manhã verde e agora rosa.
— Cuidado com o meu dodói... — disse ela assim que me agachei ao seu lado e peguei seu xampu na necessaire que ela e Damien agora compartilhavam. — Ele ainda dói ás vezes.
Assenti e apliquei o xampu direto em sua cabelo. Fiz espuma e esfreguei levemente sua cabeça. Ela começou a brincar com sua sereia de borracha que agora eu reconheci ser a tal Ariel. A ruiva que tem amigos-peixe que gostam de cantar. Peguei a mangueira acoplada na banheira e enxaguei a cabeça da remelenta 2 e repeti o processo agora no cumprimento longo.
— Você gosta de cabelo grande, Jules? — perguntei desatando alguns nós que se formavam no cumprimento.
— Mais ou menos, eu quero um cabelo igual o da Rapunzel! — ela disse e mergulhou sua sereia na água rosa. — Ela tem o cabelo igual o meu... Mas a Aurora também tem e a Cinderella também, mas o delas são pequenos.
— Sua mãe nunca cortou seu cabelo? — perguntei suavemente quando comecei a enxaguar novamente. Não tinha ideia de quem ela estava falando.
— Uma vez quando eu tive mordedorezinhos aqui ela cortou aqui... — respondeu gesticulando para a cabeça e depois para os ombros. Ela já teve piolho então pelo cabelo grande. Ou sarna. Ou ambos. Talvez eu deva pesquisar sobre isso depois para garantir. — Mas ele cresceu de novo!
— Não tem vontade de cortar? — perguntei esfregando minhas mãos com sabonete liquido e começando a lavar seu rosto. Ela fechou os olhos com força e isso me fez sorrir. — Só algumas vezes, tipo na hora de pentear ele de manhã...
Sorri um pouco mais com essa resposta.
— Vamos cortar algumas pontinhas?
— Sim, algumas pontinhas sim, porque elas ficam de fora quando a Tia Thea faz a trança de escola em mim... — ela murmurou com a boca fechada. — Você me leva para cortar?
— Assim que voltarmos para casa, okay?
Ela assentiu e eu tirei o sabão de seu rosto com cuidado.
Damien poderia ter quase seis anos, mas já era muito auto-suficiente. Não precisava de ajuda para tomar banho, se vestir, escovar os dentes e nem passar o fio dental. Ele lia e escrevia muito rápido, mesmo que em letra de forma ainda. Já Julianna não conseguia lavar seu cabelo e rosto sem deixar sabão entrar em seus olhos, ás vezes não conseguia vestir o uniforme sozinha e precisava de ajuda com a pasta e o fio dental. Ela sabia ler e escrever também, mas não tão rápido como Damien.
Eles eram gêmeos inteligentíssimos, mas eram tão diferentes em alguns aspectos.
Agora, eu até gostava de passar esse tempinho extra com Jules no banho ou na hora da lição de casa ou antes de dormir. Ela também gostava. Eu precisava achar uma maneira de ter esse tempinho extra com o remelento 1 também, mas ainda estava sem ideias.
— Prontinho. — disse fechando a mangueira e abrindo o ralo da mesma para escoar a água rosa.
Enrolei Julianna em um roupão do hotel no tamanho certinho dela e a peguei no colo. Corri até a cama carregando ela como uma bola de futebol o que fez ela rir bem alto e a repousei na cama. Fui até a cômoda e peguei o pijama do hotel e uma calcinha limpa. A sequei e vesti rapidamente, penteei seu cabelo e deixei ela passar o hidratante no rosto sozinha, mas sem melecar tudo como da primeira vez. Foi uma lambança só que nem os lencinhos deram conta, apenas um segundo banho resolveu o problema extremamente cheiroso.
Nós fomos juntos de volta para sala e o jantar já havia chegado.
— Damien, Anthony, venham comer... — Adrian chamou e Anthony levantou do sofá com uma expressão que gritava sua preguiça assim como Damien.
A fadiga estava começando a cobrar seu preço pelo dia agitado.
Um pequeno toque me chamou a atenção e vinha do sofá. Era o celular de Adrian com uma nova mensagem. Reconheci a loira da foto de longe. Seu contato estava salvo como "Lissy" e ela tinha acabado de mandar uma mensagem para Adrian.
"Lissy, S: Eu também te amo, meu amor. Se divirta e traga uma orelhinha do Mickey para mim! :D"
Olhei para Adrian que estava colocando um guardanapo na gola do pijama de Damien e depois para Anthony que estava com preguiça até de erguer o garfo até a boca. Para qual dos dois era aquela mensagem? Parte de mim quis acreditar que era para Anthony, e a outra parte para Adrian, mas as duas se colidiram quando eu liguei os pontos. Se a mensagem fosse para Anthony, isso indicaria que ela e Adrian tinham um relacionamento que envolvia o garoto o que indicava seriedade já que meu companheiro de time era meio que protetor quando falávamos de seu filho. Se fosse para Adrian, a teoria de cima se colidia e apenas realçava o possível relacionamento ainda mais.
— O que foi?
Me virei para Roy que estava sentado no sofá á minha frente vestindo roupas sociais e elegantes. Ele e Speedy teriam um encontro á dois hoje em um dos restaurantes favoritos de minha irmã.
— O que? — perguntei confuso e ele sorriu levemente.
— Você está com aquela sua cara estranha. — disse apontando para o meu rosto e eu ergui uma sobrancelha. — Normalmente só vejo você assim quando fica paranoico com alguma jogada.
Revirei os olhos e levantei do sofá indo para o banheiro depois de Adrian dispensar minha ajuda com as crianças e o jantar. Estava sem fome depois do dia inteiro comendo porcaria no parque e iria dispensar o jantar hoje.
Eu enchi a banheira e tirei meu curativo e a pequena manta térmica dali.
Meu ombro havia desinchado, mas o hematoma ainda estava bem aparente. Joguei um pacotinho de sais de banho de camomila com lavanda na água que eram ótimos para o relaxamento dos músculos.
Assim que entrei na água, as palavras de Roy voltaram á minha mente. Eu não estava paranoico. Não mesmo. Muito menos paranoico sobre a vida amorosa de Adrian com a Professora Smoak.
Inferno.
Ela era a professora dos remelentos!
Ela era a professora gostosa dos remelentos...
Não. Não. Nós não iremos por esse caminho. Se ela realmente fosse a atual de Adrian, eu não podia me envolver e muito menos pensar em como as pernas dela ficariam bem ao redor da minha cintura e.. Não. Negativo. Me lavei rapidamente e senti meu humor azedar.
Maldito Harper e seus comentários não requisitados.
Assim que saí da banheira e vesti a roupa limpa que tinha separado, encontrei Julianna sentada na cama com as pernas cruzadas no estilo índio e com minha pomada em suas mãos, esperando. Eu não havia mostrado meu ombro á ela quando chegamos do jogo porque estava horrível e poderia assustá-la, mas quando cheguei hoje da minha corrida matinal com Roy, ela viu e perguntou se estava doendo, depois se ofereceu para ajudar com o curativo que era mais para a proteção da área.
Sentei na cama ao seu lado e ela abriu o tubo de pomada com cuidado e colocou um pingo em cada um de seus dedos. Com movimentos circulares ela esfregou meu ombro e doeu. Pra caralho.
— Está doendo, Oliver? — perguntou com os olhos levemente arregalados e eu neguei cerrando meus dentes.
— Hoje a gente vai fazer uma maratona de filmes de princesa, porque eu não conheço nenhuma. — disse e isso pareceu assustá-la mais do que a ideia de me machucar.
— Vamos fazer do jeito certo, então! — disse fechando a pomada assim que terminou assentindo como se tivesse traçando uma estratégia que valesse o título do campeonato.
Será que era assim que eu parecia quando ficava paranoico? Não estava admitindo que estava, de fato, paranoico sobre a Professora Smoak e Adrian, mas a curiosidade aflorou quando vi Julianna franzindo o cenho e batendo o dedo no queixo, pensativa. Peguei o controle da televisão que tinha no quarto e coloquei na conta do Netflix do hotel com o número da nossa suíte.
— Branca de Neve primeiro! — exclamou ela indo para o mar de travesseiros na cabeceira da cama. Achei o filme e deitei ao seu lado tomando cuidado com o ombro machucado. — Oliver, você sabia que a Branca de Neve foi a primeira princesa da Disney?
— Não, eu não sabia, Jules. — respondi e ela deitou em meu peito.
— Ela foi e depois dela veio a Cinderella...
— Hmm, se você estiver acordada ainda, assistimos o dela depois. — eu disse e ela me abraçou.
Mesmo sem estar vendo seu rostinho agora, sabia que ela estava sorrindo. Peguei meu celular que havia deixado carregando debaixo do travesseiro e tirei uma foto dos pés de Julianna junto com o meus e o nome do filme aparecendo bem a tempo na televisão.
"Avisos da Paternidade. N°2. Você tem que assistir os filmes deles primeiro."
Uma hora e meia com essa tal de Branca e seus amigos anões realmente valeria a pena? Beijei a cabeça de Jules sentindo seu cheirinho gostoso e recostei na cama e observei Jules começar a recitar as falas dos personagens e sorri.
Sim, valeria.
Fale com o autor