Notas iniciais
Ciao! Olá meninassss! Tudo bom? Espero que estejam todas bem quentinhas com esse tempo louco por todo o Brasil! Aqui em SP está congelando... Literalmente. Um jeito de aquecer os dedos, é escrever um pouco e me encher de chocolate quente porque não sou obrigada hahahahaha Obrigada por cada um dos comentários que recebi no primeiro capítulo, vocês, como sempre, são maravilhosas! Obrigada pela chance e pelo o apoio! Aqui vai mais um e eu espero a opinião de todas depois ♥ Boa Leitura!

— Okay. Okay. Estou aqui. Qual é a emergência que fez você deixar 22 mensagens e me ligar mais de 38 vezes nas últimas duas horas? — ouvi a voz de Tommy soar do hall de entrada e me virei para ele.

Tommy era meu melhor amigo, mas também era o meu agente. Ou seja, ele iria lidar com essa confusão de remelentos e garotas góticas batendo na minha porta para falar que uma ex-esposa minha morreu e eu, melhor do que ninguém, virei pai em questão de horas.

— Se vira e faz eles desaparecerem... – eu disse e dei um passo para o lado revelando os dois sentados no sofá com os braços cruzados e expressões fechadas.

— O que é isso? Quer dizer... Quem são eles? – perguntou Tommy arregalando os olhos e dando um passo pra trás. – Oliver, por que tem duas crianças no seu apartamento?

— Somos os filhos dele. – disse a garotinha e Tommy arregalou ainda mais os olhos para mim.

— Isso vai entrar em debate. – eu disse e a garotinha veio até mim com um papel.

Era uma carta. Eu abri e li em voz alta:

— “Oliver, eu sei que é repentino, mas Julianna e Damien são seus filhos. Eu os escondi, porque não conhecia você naquela época, mas agora estou doente e não me vejo melhor no futuro. Cuide deles. Sara.” – eu li e Tommy começou a esfregar o rosto. – Qualquer um poderia ter escrito isso aqui, baixinha.

— Tente isso então... Nossas certidões de nascimento. Seu nome está nela. – ela disse me entregando a pasta gorda novamente, Tommy a pegou de minhas mãos e abriu em cima da mesa de jantar.

— Meu nome não está ali. — neguei cruzando os braços encarando a miniatura humana na minha frente.

— Oliver, o seu nome está aqui. – disse Tommy atrás de mim e eu fui até lá. – "Oliver Jonas Queen, pai de Julianna Anne Lance e Damien Ryan Lance". Será que podemos conversar?

Assenti e fomos para a cozinha, que era afastada o suficiente, mas ainda conseguíamos ver os dois remelentos na sala de estar. O garoto estava lendo um livro qualquer e a garota havia começado a desenhar na mesinha de centro com Archer ao seu lado.

— Não acha que deveria ter me contato que é pai?!

— Você realmente acha que eu sabia?!

— Você já foi casado?

— Casado por três dias. – me defendi e Tommy coçou a têmpora com um olhar preocupado. – E nunca tivemos filhos!

— Okay... Tem alguma possibilidade dessas crianças serem realmente suas? Qualquer possibilidade remota? Pense muito bem, Ollie. – perguntou ele e eu varri minha mente em busca daquele final de semana em Vegas.

— Faz muito tempo, meu pai tinha acabado de ser enterrado. Nós conversamos, bebemos e nos casamos e nos divorciamos em um espaço de dias! E o mais importante: Nunca tivemos filhos! – eu reafirmei com toda convicção que tinha em meu corpo.

— Vocês usaram proteção?

— Sim! Em todas as vezes! Quer dizer, na hidromassagem... – eu disse me lembrando de todas as transas que tive com Sara. – Oh.

— O que?

— Alguém está com fome? Eu estou com fome. – eu disse encarando os dois que deram ombros. Eu abri a geladeira e tentei repassar todas as noites em que fiquei com Sara em minha mente.

Tommy ergueu uma sobrancelha e parecia a beira de uma síncope. Eu encarei toda a comida que tinha lá tentando lembrar se foi apenas na hidromassagem que não usamos camisinha, e merda... Não foi.

— Quando foi que na hidromassagem e alguém está com fome aconteceu? – perguntou atrás de mim, e eu fechei a geladeira com mais força do que o necessário fazendo algumas garrafas de água se chocarem do lado de dentro.

— Foi há uns seis ou sete anos...

— Gatinha, quantos você tem? – perguntou Tommy para a remelenta que sorriu para ele, exibindo um par de covinhas.

— Eu e o Dame vamos fazer seis. – ela respondeu e voltou a pintar.

Tommy olhou para mim com o olhar que normalmente eu usava com ele, quando ele fazia alguma merda monstruosa. Como por exemplo, pegar sífilis de duas garotas diferentes.

— Meus parabéns, Ollie.

— Não... Não! Isso não está acontecendo! – eu exclamei esfregando meu rosto. — Eu não sou pai. Eu não sei cuidar nem de mim e do meu cachorro, que dirá de duas crianças!

Tommy pegou a pasta de documentos e sentou na frente da remelenta no chão.

— Gatinha, conversa com o titio Tommy. Aqui diz que a sua mamãe ficou bem doente, onde ela está? – perguntou Tommy olhando para os dois.

— Ela morreu de leucemia, há quatro meses atrás. – disse o garoto falando pela primeira vez, mas não olhou para ninguém enquanto lia e falava ao mesmo tempo.

— Não tem ninguém mais com quem vocês podem ficar? – perguntou Tommy e o garoto negou.

A remelenta também negou em seguida.

— Vovó Dinah também está doente. Ela esquece de tudo e está morando com outros vovôs e vovós, e o vovô Lance vive indo preso porque bebe que nem um gambá. É o que a Sin falou para gente. – respondeu a garotinha pintando o que deveria ser um cavalo com um chifre na testa.

Sentei ao lado dela no chão e Archer veio para o meu colo.

— Ela morreu e a guarda de vocês foi passada para mim?

Eles assentiram juntos.

— Sem eu ao menos saber? Adoro o sistema judiciário americano... — resmunguei.

— A gente não queria vir, queríamos ficar com Sin, a nossa babá. Ela ficava com a gente quando a mamãe ia trabalhar ou para o hospital, mas ela é pequena ainda e não pode pegar a nossa guarda e cuidar da gente... A mãe dela é chata demais. – disse o garoto ao me ouvir, ele ainda lendo o que parecia ser um dos volumes de Harry Potter.

Pela capa era o segundo livro. Hm. Bom gosto para livros. Thea adorava o segundo, mas jurava que não era porquê era o meu preferido

Você sabe. Irmãs... Exatamente!

— A-há! – eu disse batendo uma palma e fazendo a remelenta borrar sua pintura.

Ela me olhou feio, mas eu ignorei.

— Eu sou genial. Sara tinha me dito que tinha uma irmã! Lana? Laura? Lauren? Laurel! – eu disse tentando lembrar o nome da tal mulher. – Fiquem com ela.

— A Tia Laurel sumiu quando a mamãe ficou doente. Ela também bebe que nem o vovô, mamãe não deixava a gente ficar com ela. – disse o garoto virando uma página do livro calmamente.

— Como é que vocês chegaram aqui? – perguntou Tommy notando que eles não tinham nada além de uma mochila esportiva cada um.

Era realmente muito pouco para dois.

— Mamãe deixou dinheiro para Sin nos trazer aqui e encontrar... Você. Pegamos um trem até aqui. – disse a garotinha olhando de Tommy para mim. – E depois viemos de Uber até aqui.

— Como vocês sabiam onde eu moro?

Google.

Eu assenti. Que pergunta idiota.

— Se você está tão em dúvida assim, vamos fazer um teste da baba ou do cabelo. Sin disse que talvez você quisesse fazer para ter certeza. – disse o garoto e eu assenti.

— Não é uma má ideia, vamos fazer. – eu disse e Tommy assentiu.

Ele se levantou e voltou do banheiro com três cotonetes. Enfiou um na boca de cada e me deu o terceiro. Eu lambi o algodão e devolvi. Ele pegou uma canetinha emprestada da garotinha e colocou as iniciais de cada um na ponta que não foi usada e depois dentro de plásticos que eu normalmente usava para separar as porções de ração de Archer quando ele ficava com Rory por mais de um dia.

— Eu vou mandar testar isso como se fossem meus, porque esta merda sempre vaza para imprensa. E depois vou ver se estes são autênticos. – ele disse indo até a mesa de jantar e pegando a pasta gorda novamente. – Até termos uma resposta, vocês três tem que ficar dentro deste apartamento. Sem saídas. Sem mulheres. Aqui dentro. Confinamento total, Ollie. Só saia se for realmente necessário.

Eu assenti de má vontade.

— Tommy... Qual é. – eu disse chamando ele antes que ele alcançasse o elevador.

Virei os ombros da garotinha e me abaixei até ficar na sua altura.

— A gente nem se parece.... – eu sorri e a garotinha também.

Tommy revirou os olhos.

— Ah não, nenhum pouquinho. – ele respondeu irônico e o elevador chegou. – Fiquem dentro deste apartamento até eu voltar com os resultados!

Tommy se foi e eu me virei para a garotinha que estava perto demais. De novo. Dei um passo para trás e ela sorriu colocando as mãos atrás das costas e eu ponderei por alguns minutos se ela tinha alguma arma ali atrás.

— Pra trás! – eu disse quando ela deu um passo em minha direção.

— O que é “CDT: 11h”? – perguntou apontando para o quadro de avisos que eu mantinha na cozinha.

Merda.

Hoje era o primeiro treino do ano para o campeonato. Não podia levar os dois remelentos comigo, mas de jeito nenhum eu poderia deixar eles aqui sozinhos. Poderia voltar e encontrar minha casa destruída, roubada ou pior, com eles ainda aqui.

Com um suspiro, fui me trocar e decidi que iria ter que levar eles comigo querendo ou não. Poderia usar o Ranger Rover que estava pegando pó na garagem ao invés da Ducati hoje, os vidros eram escuros o suficiente e ninguém os veria ali dentro. Apenas peguei minha bolsa e as chaves do carro.

Assoviei e os dois olharam para mim.

Interessante.

Talvez não fosse tão difícil cuidar de remelentos como eu havia pensado. Era basicamente o mesmo treinamento que eu tive com Archer só que em dobro. Só teria que passar pelo processo de adestramento de novo.

— Vamos. A gente vai ter que dá uma saidinha. – eu disse e eles se levantaram e começaram a recolher suas coisas. – Nós já estamos atrasados!

— Mas o titio Tommy disse que não podíamos sair... – disse a remelenta ajuntando seus lápis e canetinhas.

— O titio Tommy não manda em nada por aqui. Pode deixar aí mesmo! – eu disse chamando o elevador.

Eles largaram as coisas e vieram até o elevador juntos. Apertei o botão do subsolo e as portas se fecharam. O garoto continuou lendo e a garota apenas ficou se observando no espelho e depois começou a me observar. O que era completamente sinistro.

Só mais alguns andares.

— O que significa “ascensão”? – perguntou o menino depois de um tempo.

Ele se virou para mim confuso.

— Algo que está perto de seu auge. Que continua crescendo e crescendo. – respondi depois de procurar palavras fáceis para ele entender. – Está em que parte?

— "Ascenção de Voldemort".

— Ah... Isso é quando ele começa a mexer com magia negra, ele bota medo em geral e abandona seu nome de nascimento que no caso era Tom Ridde, e começa a ser chamado de Voldemort. – eu expliquei e o moleque assentiu e voltou a ler. – Alerta de spoiler.

As portas se abriram e eu olhei para o estacionamento inteiro, constatando que estávamos sozinhos. Peguei os dois no colo e corri até o Range Rover o mais rápido e silencioso que eu consegui. Eles reclamaram, mas eu não me importei.

Coloquei os dois no banco de trás e afivelei os cintos. Depois ocupei o banco do motorista e liguei o carro. O motor respondeu e começamos a nos mover para fora do prédio.

—-

— Estou atrasado... – eu disse assim que virei na Avenida Principal e fiquei preso no trânsito. Já era 12h:28min! Meu celular começou a tocar. Era Slade, meu treinador que deveria estar bem puto comigo agora. Deixei a ligação cair na caixa de mensagem e buzinei. – Vão bora!

Eu odiava e amava viver no centro em proporções iguais. O preço de estar perto de tudo e todos era pago com o transito infernal das avenidas principais da cidade.

— Okay! Já que estamos presos aqui, eu vou fazer umas perguntas pra você! – disse a garotinha no banco de trás e eu revirei os olhos e buzinei de novo. – O que você mais gosta de fazer?

— Fácil. Jogar futebol. – respondi quando começamos a andar de novo.

— Cor favorita?

— Verde.

— Animal favorito?

— Archer.

— Qual seu desenho favorito?

— Rick & Morty, mas ele não é um desenho para idade de vocês.

— E qual...

— Chega de perguntas. Na verdade, eu tenho uma pergunta para vocês dois. Por que a mãe de vocês não veio até mim quando descobriu que estava doente? – perguntei e recebi silêncio como resposta. – O que?

— Ela disse que você não iria entender e nem querer ajudar. – respondeu a garotinha olhando pela janela do carro. – E também disse que você não ia querer ficar com a gente.

Isso era verdade, mas eu tinha bom senso, então me mantive quieto.

Cheguei no Estádio de Starling City e estacionei na minha vaga. Desci e pensei em deixá-los ali dentro durante o treino inteiro com a janela aberta, mas decidi que não era uma boa ideia. Eles poderiam ficar na área de lazer das crianças que tinha no estádio, ou em qualquer outro lugar.

Entramos rapidamente no estádio e eles me seguiram do vestiário até o campo onde todos já estavam treinando jogadas. Me virei para os dois, mas já vi que eles haviam sentado na arquibancada brincando de guerra de polegares. Ninguém iria atrapalhar ninguém deste jeito.

Coloquei meu capacete e entrei em campo.

— Está atrasado, sabe que a multa é de 500 dólares... – disse Slade ao me ver e eu assenti.

— Põe na conta... Meninas, o papai chegou. – eu disse chegando perto do time e eles abriram espaço.

Nós corremos, puxamos ferro e fizemos rastejo em duplas. Slade já estava pegando pesado desde o primeiro dia, mas ninguém pareceu reclamar disso. Eu, muito menos. Quanto mais rápido o time inteiro entrasse em forma, melhor as chances de ganharmos o primeiro jogo que era em menos de duas semanas.

— 15 minutos pessoal. – apitou Slade e Roy saiu de cima de minhas costas.

Todos sentaram no gramado e começaram a conversar. Roy me jogou uma garrafa de água e sentou ao meu lado. Ele tinha entrado no time na metade do ano passado e já tinha conquistado sua posição de titular. Ele e Barry eram receivers, os jogadores mais rápidos do time e sempre estavam prontos para receber algum lance meu.

— Thea disse que encontrou uma lembrancinha sua de Ano Novo na Verdant... – ele disse e eu ri. – Ela pirou quando abriu a sacola e viu as botas, mas depois ficou puta ao entrar no escritório e achar uma camisinha no chão do escritório dela.

— Oh não. – gemi de puro desgosto e Roy riu ao meu lado.

— Oh sim. – rebateu ele.

Cristo. Thea vai fazer minha vida um verdadeiro inferno em cada oportunidade que conseguir. Eu teria que lidar com ela depois que lidasse com os dois mini-problemas que estavam sentados na arquibancada agora. O garoto estava lendo de novo, mas a garota estava se equilibrando nos bancos de descanso bem na margem do campo.

— Queen, parece que você tem uma groupie mirim. – disse Adrian ajudando ela a pular do banco até o chão.

Ela fechou o rosto para meu colega de time e cruzou os braços.

— Eu não sou groupie, sou filha dele! – ela exclamou ofendida e todos me encararam.

Fechei meus olhos e me arrependi de não ter deixado eles trancados no carro.

— Nem um pio sobre isso. – eu disse para Roy enquanto me levantava.

Ele assentiu.

— Não sabia que Oliver tinha filhos...

— Acho que nem o próprio Oliver sabia...

Ignorei os sussurros dos outros jogadores e fui até a remelenta. Peguei ela no colo e a coloquei do lado de seu irmão na arquibancada. Ela me olhou de cara fechada e cruzou os braços, emburrada.

— Fica aqui. – eu disse sério o suficiente para ela sentar e virar o rosto pra mim.

De alguma forma sabia que ela iria obedecer.

Voltei para o treino. Diggle e Chase estavam me encarando de tempos em tempos e depois cochichavam entre sim. Na verdade, o time inteiro e o próprio Slade estavam fazendo isso, mas Adrian e John eram os que mais me irritavam.

Quando Slade liberou todo mundo, decidi que precisava de um banho gelado. Os dois remelentos me seguiram e eu tive que amarrar uma bandagem no olhos da garota para ela não ver coisas demais e sair de lá com algum trauma. O garoto continuava lendo Harry Potter no canto.

Assim que mergulhei na banheira cheia de gelo, senti a tensão esvair de cada poro do meu corpo e comecei a observar os dois perto do meu armário com as minhas coisas. Eles estavam brincando de guerra dos polegares agora de novo e estava empatado entre eles. 3x3. O garoto era mais hábil, mas a garota era mais rápida.

Sorri levemente ao lembrar que eu e Thea fazíamos a mesma coisa.

— Que surpresa hein, Queen? – perguntou Adrian entrando na banheira de gelo ao lado da minha.

— Contra-ataque surpresa.

— Devia estar feliz, eu fiquei com o nascimento de Anthony. – ele afirmou e eu ri.

— Você sabia que ele estava vindo. – eu disse ranzinza e Adrian riu.

— De qualquer jeito, eles estão aqui agora e são seus. – ele disse e eu dei o assunto por encerrado.

Não tenho tanta certeza ainda, amigo.

Além do cabelo e dos olhos azuis, eles não eram parecidos comigo em nada.

Voltei a refletir no que aconteceu apenas no primeiro dia do ano e não estava tão ansioso para ver o que aconteceria no restante dele se o primeiro dia fosse algum tipo de indicação. Thea iria aparecer grávida de gêmeos? Mamãe iria aparecer com algum piercing? Eu iria perder o campeonato?

— Como são o nome de vocês? – perguntou Diggle chegando perto deles.

— Julianna.

— Damien. – eles responderam juntos e estenderam as mãos.

Diggle riu e apertou a mão dos dois.

— Que nem Damien Wilson? – perguntou Roy chegando perto também.

— Não mané, aposto que é Damien Williams. – disse Barry se aproximando também.

O garoto negou.

— Damien Puckler, o Meisner em “Grimm”. Era a série favorita da minha mãe. – ele explicou fechando o livro e todos assentiram. — Ela tinha uma queda por ele.

— O cara nem é jogador, ele é ator. Que coisa idiota. – disse René ao lado deles.

— “Idiota” é uma palavra feia. – recriminou a garota.

— Não é não.

— É sim.

— Não é.

— É sim.

Não!

Sim!

Eles continuaram nessa discussão chata, até que eu saí da banheira, me enrolei em uma toalha e fui até lá.

— Já chega vocês dois. – eu disse e Julianna mostrou a língua para René mesmo estando com os olhos vendados. René, muito maturo, retribuiu o gesto antes de ir terminar de se vestir.

Eu me vesti e depois fomos embora, mas não antes dos dois se despedirem de todos que falaram com eles o que levou algum tempo. Afivelei o cinto deles novamente no banco de trás e dirigi de volta para casa. Estava cansado fisicamente, com o ombro dolorido por carregar Roy pelo campo inteiro, e psicologicamente exausto com a suposta paternidade.

Só queria minha cama agora.

Eu acenei para Rory que abriu o portão e fiquei com raiva dele. Se ele tivesse me dito que eram crianças na minha porta mais cedo, eu nunca estaria dentro dessa enrascada. Estacionei o carro da vaga mais perto possível do elevador, e eles me seguiram para dentro da caixa de aço.

Digitei o código de segurança da cobertura e nós subimos. Ninguém falou nada durante o percurso. Assim que as portas abriram eu notei que tinha algo estranho no apartamento. As luzes estavam acesas e barulhos vinham da cozinha.

— Pode sair?

— Shhhh... — eu calei a pergunta do remelento e ouvi algo cair no chão vindo da cozinha seguido por chingos baixos.

A garota abraçou minha perna com medo, e o garoto apenas ficou parado ao meu lado deixando o livro de lado.

— Fiquem aqui. – eu disse e rezei para que não tivesse sido invadido por outra fã maluca de novo.

Peguei meu taco de beisebol assinado pelos jogadores do Blue Jays que estava na parede do hall de entrada e fui até a cozinha com ele empunhado. Empurrei a porta de vai e vem e apenas encontrei Thea, cozinhando.

— Oh! Ollie você chegou mais cedo do que eu esperava! – ela disse me vendo enquanto mexia em duas panelas ao mesmo tempo. – Qual é a do taco?

— O que aconteceu com a regra de mandar mensagem antes de vir?

— O que aconteceu com a regra de não foder no meu escritório? – perguntou ela de volta e mexeu algo nas panelas.

— Olha, me desculpe por aquilo, vou mandar uma equipe de limpeza ir lá. – eu disse abaixando o taco.

— Não vim aqui por causa disso. Eu vim conhecer meus sobrinhos. – ela revelou com um sorriso debochado. Maldito Harper. – Quem diria, Oliver Queen é pai.

— Isso está em debate. – eu respondi apontando em sua direção e voltei para o hall de entrada. Os dois estavam do mesmo jeito que eu havia deixado momentos atrás. – Podem vir, não é ladrão e nem fã louca.

Eles vieram quase que tímidos e Thea os observou, encantada.

— Eles são a sua cara, Ollie! Os olhos, o nariz, até a boca! – ela disse baixinho e eu revirei os olhos. – Não é possível que não sejam seus.

Eles pararam na frente de nós dois e tinham olhares curiosos e cínicos. Acho que é possível distinguir quem estava usando cada um. Thea se abaixou para ficar da mesma altura que eles e sorriu gentilmente.

— Eu sou Thea Queen, a irmã desse grande idiota, e eu acho que vocês são meus sobrinhos. – ela disse e a garotinha foi a primeira a estender a mão para Thea que riu e a apertou.

— Julianna Lance, esse é o meu irmão Damien Lance. Prazer em conhece-la, Thea, eu também acho que ele é um idiota. – ela disse e Thea riu encantada.

O que tinha de engraçado nisso? Sim, eles eram educados e daí? Hey, ela realmente acabou de me chamar de idiota? Esse cotoco de gente realmente me chamou de idiota na minha cara? E o papinho sobre palavras feias de mais cedo?

— Alguém está com fome? Eu fiz macarronada.

Eles assentiram e eu me toquei que nem eu e nem eles tinham comido o dia inteiro por causa do treino.

— Vamos conversar. Todos nós. – disse Thea olhando para mim. Suspirei.

Seria uma noite bem longa.

Notas finais
Gostaram? Odiaram? Comentem! Estou aberta á sugestões! Comentem! Indiquem! Recomendem! Acompanhem! Favoritem! Outras fics_ https://fanfiction.com.br/historia/784341/The_Perfect_Nanny/ https://fanfiction.com.br/historia/736715/Dangerous_Love/ https://fanfiction.com.br/historia/712239/Extreme_Love/ L.W