Notas iniciais
Ciao! Continuando com a maratona de atualizações por aqui! Tudo bem com vocês minhas leitoras maravilhosas? Espero que estejam todas bem em casa e lavando as mãozinhas! Vocês reparam que a autora aqui conseguiu responder TODOS os comentários da fic? Impressionante, huh? Vou começar a fazer isso á cada três capítulos para não acumular e no final eu ter tendinite, mas mesmo que eu tenha, será uma tendinite grata! Vocês são... Sem palavras! ♥ Boa Leitura!

Professora Nyssa estava certa. Eu produzia gênios. Conseguia ver isso claramente quando Julianna fazia suas piruetas vestindo um collant rosa com uma saia esvoaçante e sapatilhas combinando. Thea foi quem a levou para escolher o seu uniforme de dança e ela parecia uma verdadeira princesa ou bailarina.

Oh, ou uma princesa bailarina.

Eu havia entrado mais cedo no treino para Slade me liberar uma hora mais cedo e ir assistir a aula de Jules como havia prometido na noite passada, meus braços estavam doendo horrores pelo tanto ferro que puxei, mas valeu a pena ao ver o sorriso de Julianna assim que eu cheguei na porta da sua sala de aula ou estúdio, eu não tinha ideia de como as pessoas chamavam esse lugar.

Eu havia sido um dos primeiros pais a chegar antes do horário de saída, então consegui dar um abraço em Jules e conseguir um lugar no sofá amarelo berrante que tinha em uma das paredes rodeadas por puffs e equipamento de dança. Logo mais pais começaram a aparecer, mas desses pais haviam apenas mães.

Literalmente.

Eu era o único homem na sala inteira, de novo, e isso ficou bem evidente.

A professora de dança de Julianna, Nancy, me enviou um sorriso solidário e logo começou sua aula com alongamento e a remelenta não parecia ter ossos em seu corpo de tão flexível que ela era. Depois alguns exercícios usando uma espécie de apoio, a música entrou e elas começaram a fazer coreografias. Jules e sua amiguinha Anabelle eram as mais habilidosas, as outras meninas eram boas, mas talento não é algo que se possa esconder quando você realmente ama aquilo que faz. Era o caso das duas.

Outra mãe chegou e teve que ficar em pé porque todos os assentos e puffs já estavam ocupados, então eu levantei e ofereci o meu lugar. Ela parecia cansada e agradeceu desabando no meu lugar, a loira com vestido de oncinha que ficou me cheirando e torcendo sua saia para cima não gostou nada, mas eu não liguei.

Caminhei até a outra extremidade da sala e sentei no chão. Uma mensagem chegou e me distraiu de Julianna dançando uma música que eu reconhecia de algum lugar e vi que era de Thea.

"Thea, Q: Como está indo?! Ela está arrasando, não está?"

Mandei uma foto de Julianna dando mais uma de sua piruetas.

"Oliver, Q: É claro que ela está, é a minha filha ali."

Ainda estava me acostumando com esse fato ainda, mas chamá-los de meus filhos não era tão estranho como eu achei no começo. Julianna ainda me chamava pelo nome ás vezes, ou então me chamava de "papai". Toda vez que ela fazia isso eu não conseguia esconder meu sorriso. Damien ainda me chamava pelo nome também, mas desde nossa viagem eu percebi que ele se aproximava cada vez mais também.

A gente até maratonou os dois primeiros filmes do Harry Potter juntos.

— Cuidado! — gritaram e eu de imediado levantei o olhar e procurei por Jules.

Esse foi o meu erro.

Fui nocauteado pelo apoio que as meninas estavam usando no começo da aula e fiquei tonto. Me apoiei em um dos meus braços quando meu corpo sofreu o baque e pendeu para trás, mas logo caí no chão. Minha visão ficou desfocada e eu vi pontinhos brancos que normalmente só apareciam quando eu treinava demais.

— Sr. Queen?

Virei minha cabeça na direção da voz que me chamava e vi que era a mãe da Anabelle. Ela parecia preocupada. Os pontinhos brancos foram embora e o foco voltou. Mais ou menos. Consegui ver que era mesmo a mãe da Anabelle vestida de branco e com um olhar preocupado no rosto.

— Pode seguir meu dedo? — perguntou levantando o polegar e ascendeu o que parecia ser uma lanterninha. Para esquerda, direito, em cima e embaixo. — Lembra-se de mim?

— Caitlin? Mãe da Wendy? Das trancinhas? — perguntei levemente confuso mas ela assentiu com um sorriso. Apoiei minha mão em das têmporas e notei um leve sangramento ali. — Isso não pode ser bom.

— Como está a sua visão?

— Eu consigo ver bem. — eu disse balançando minha cabeça e aceitando algumas gazes que ela ofereceu para o sangue. — Mas estou com uma enxaqueca.

— Imaginei. Você foi acertado em cheio por uma barra de ballet. — ela disse se levantando e estendendo as mãos. Eu as aceitei e fiquei surpreso quando ela conseguiu levantar a maior parte do meu peso. — Eu preciso que você venha na enfermaria comigo para eu fazer um curativo na sua testa e te dar uma compressa de gelo.

Assenti e vi Julianna ao meu lado segurando meu celular em suas mãozinhas.

— Pode me ajudar, Jules? — perguntei e ela assentiu e me pegou pela mão enquanto Caitlin apoiava o meu outro braço.

Fui rebocado para fora da sala e dirigido para uma porta branca com uma cruz vermelha perto da área administrativa. Jules e eu entramos em uma sala estéril e ela até colocou um banquinho para eu subir na maca mesmo que eu não precisasse.

— Jules, pode pegar um pouquinho de água para o seu pai? E talvez um biscoito? — pediu Caitlin e Jules assentiu solicita e saiu correndo da sala. — Ela vai demorar alguns minutos para eu conseguir dar um pontinho na sua testa.

Assenti e ela me deu uma injeção em cima da sobrancelha que doeu, mas eu fiquei quieto. Caitlin trabalhava rápido e meus dois pontos ficaram prontos antes que Julianna voltasse.

— Eu vou limpar o sangue agora, tudo bem?

Eu assenti. A cada passo que ela fazia, ela pedia meu consentimento o que era bem legal quando se trabalhava com crianças. Seu uniforme branco ainda estava imaculado por mais que suas luvas tinham um pouco de sangue. Meu sangue. O cheiro de álcool chegou em minha narinas e eu quis espirrar, mas segurei e deixei Caitlin trabalhar em paz.

— Bom, eu não posso dizer que já vi isso acontecer, porque eu nunca vi um pai ser acertado por uma barra de ballet. — disse ela tirando as luvas e jogando o material usado em uma lata de lixo vermelha.

— Isso é o que acontece quando homens passam por aquelas portas. Coisas ruins. — eu disse aceitando a compressa de gelo que ela me ofereceu após dar uma risada.

— Deite-se um pouquinho. A anestesia já vai passar em alguns minutos e eu não quero que seu fluxo sanguíneo fique muito rápido, pode causar tontura. — ela disse e eu assenti.

— Eu vou poder tomar alguma coisa para enxaqueca? — perguntei deitando na maca de couro que cheirava a pinho.

— Sim, mas só depois que a anestesia passar. — concedeu ela sentando em sua cadeira.

Virei o rosto e vi que as paredes eram brancas, o chão era branco. Ela tinha um balcão com armário vermelho em um lado, uma mesa amarela do outro lado, mas tinha várias decorações infantis. Uma prateleira de ursinhos de pelúcia vestindo jalecos brancos e usando estetoscópios, uma girafa que media altura até 1,50 eu acho, e vários potes coloridos com doce.

Me voltei para Caitlin e vi que ela estava usando um pouco de cor também desde a última vez que a vi. Calças brancas com uma blusa vermelha e seu jaleco branco por cima, mas usava sapatos azuis. O cabelo estava solto e não usava maquiagem alguma. Ela era bonita. Tommy não estava errado em gamar nela.

— Então, como está o seu dia? — perguntei e ela pareceu surpresa.

— Ahm, você foi o único paciente hoje felizmente. — ela disse parando de escrever e virando a cadeira em minha direção. — O horário da escola já está acabando junto com o trabalho e depois somos só eu e Wendy. Por que?

— Honestamente, eu não gosto do silêncio. Eu começo a ficar paranoico. — eu disse e ela riu levemente. — Mas você está errada. O seu trabalho aqui acaba com o horário da escola, mas o trabalho de mãe não.

— Verdade, algo que você já deve saber o quão difícil é. — ela disse erguendo uma sobrancelha e eu assenti e a compressa de gelo quase caiu. — Eu vejo que você está fazendo o seu melhor e seus filhos são ótimos.

— O crédito vai todo para a mãe deles, pode ter certeza. A única coisa que eu consegui ensiná-los é comer vegetais. — eu disse sincero.

Sim, eles eram ótimos e bem-educados, mas não graças á mim, e sim Sara.

Eu não podia tomar o crédito dela mesmo se eu quisesse.

— Algo que eu ainda não consegui ensinar Wendy á fazer. — ela disse com um suspiro cansado. — A não ser que eles sejam fritos e mergulhado em queijo, é claro.

Bufei uma risada.

— Estou falando sério, eu entendo o apelo, mas como eles conseguem comer isso diariamente sem enjoar? — perguntou ela ultrajada e eu ri alto assim que a porta de seu consultório se abriu novamente. — Eu fico traumatizada apenas com os dedinhos gordurosos.

Eu ri mais um pouco e vi Jules entrar carregando uma caixinha de suco de maçã com um cookie em uma embalagem de proteção e meu brinde foi ver a Professora Smoak entrar logo atrás dela e hoje estava usando uma saia.

De repente, a situação inteira não parecia tão ruim.

— Felicity! Que surpresa!

— Quando Julianna me contou que você foi acertado com uma barra de ballet, eu não acreditei, mas agora... — ela disse parando na porta e cruzando os braços. — Oi Cait.

— Foi mais um nocaute. — eu respondi e sentei na maca assim que Julianna chegou perto de mim.

Abaixei a compressa de gelo e aceitei o cookie que ela me oferecia. Enquanto eu mordia, ela abriu o canudo e enfiou dentro da caixinha do suco para mim. Me ofereceu logo em seguida também. A peguei pela barriga com um braço e a sentei ao meu lado e dividimos o cookie e o suco de maçã.

— Posso ter as drogas boas agora? — perguntei á Caitlin quando aquele silêncio desconfortável voltou e eu não queria ser pego olhando as pernas de Felicity.

— Claro. Julianna quer escolher o band-aid do seu pai? — ofereceu Cait e trouxe um copinho com dois comprimidos e uma gaveta cheia de band-aids infantis.

Tomei meus comprimidos com o suco de maçã e observei para o meu completo embaraço Julianna escolher um band-aid que era cor de rosa e tinha algumas princesas.

— Esse é o único que tem a Mulan. — ela disse olhando para mim e entregando o curativo para Caitlin que abriu e colocou em cima dos meus pontos. — Ela é a princesa favorito do papai, Tia Cait.

— Oh, sério?

Jules assentiu com um sorriso e o sinal do fim da aula tocou.

— Vou pegar minha mochila! — ela gritou ao sair e eu levantei da maca.

— Se sentir mais alguma dor, tome aquela aspirina que me falou sobre e se persistir, leve o seu traseiro para o hospital. — disse Caitlin me oferecendo um pirulito de cereja.

— Respeite o traseiro. — eu disse aceitando o doce. — É difícil de encontrar um como ele esses dias. Você sabe, frituras e queijo e tudo mais.

Caitlin riu e eu vesti minha jaqueta de poliéster azul escura. Damien tinha uma igual e Thea me disse que era apenas uma coincidência quando me deu ela de presente, e é claro que ninguém acreditou nela. Fingi que não notei o olhar interessado da loira no recinto e fechei minha jaqueta tentando parecer distraído.

Sai da sala da enfermaria acompanhado de Felicity que estava quieta demais. Seu visual de hoje era uma saia pecaminosa preta com uma blusa de botões branca e sapatilhas vermelhas. Seu cabelo estava preso novamente em um rabo de cavalo e os óculos haviam retornado para o seu rosto.

— Eu acho que estou surdo. — eu disse parando do meio do corredor batendo minha mão em meu ouvido direito logo abaixo do meu novo "dodói".

— Por que? — ela perguntou parando e me analisando clinicamente.

— Porque você ainda não gritou comigo e nem falou nada. — eu apontei e ela corou levemente.

Ela voltou a andar e eu já conseguia ver o fluxo de crianças saindo correndo para todos os lados como escravos libertos. Diminuí a velocidade de meus passos propositalmente e Felicity continuava me acompanhando.

— Costuma flertar bastante com quem trabalha com seus filhos? — perguntou tentando usar um tom casual.

O que...?

Oh. A professora estava com ciúmes? Fiquei chocado e deliciado ao mesmo tempo, não esperava esse tipo de reação dela. Chegamos na porta da escola e as crianças já tinham saído. Os remelentos estavam esperando com Mick e Leo perto do meu carro.

— Eu gosto de loiras, professora. Loiras com pernas como as suas. É um fetiche meu. Não conte aos tabloides, por favor. — eu disse descendo dois degraus e me virando para ela. — E eu sei que não sou o único que gosta do meu traseiro.

Sem palavras. Boquiaberta. Corada.

Foi como eu deixei ela assim que saí sem me despedir.

Algo me dizia que ela não deixaria barato. E eu não podia esperar.

—-

Eu odiava empates, e isso era culpa de um tal de Daniel Deiss. Um novo jogador do Pirates. Nós jogamos quase quatro horas de jogo por causa dele e foi um inferno cada intervalo. Slade estava estressado e o time inteiro exausto. Ninguém estava feliz com o resultado.

Sim, nós eliminamos Sharks e os Pirates, mas havíamos despencado na nossa tabela como uma fruta podre. Estávamos em terceiro, ganhando apenas dos Rangers agora, porque o restante de times eram todos série B. Está entendendo por que eu odeio empates agora? Nós nos classificamos por causa dos pontos da tabela, se fosse depender do saldo de gols estaríamos empatados com os Pirates e só por causa de uma falta que Adrian conseguiu fazer no primeiro tempo havíamos passado para as segundas de final junto com Eagles, Patriots e Rangers e mais alguns times que não haviam jogado ainda.

Eu estava frustrado.

Eu já disse que odeio empates, certos? Porque eu odeio. Muito.

— Muito bem, eu sei exatamente o que cada um vai treinar semana que vem e eu não quero um resultado lixo como o de hoje. — disse Slade na reunião pós-jogo no vestiário. — E todos vão fazer o dobro de seções de rastejo por esse empate. Temos mais quatro jogos até a semi-final e eu não me importo se temos que destroçar outros times para isso acontecer. Eu não me importo se vocês ficarem doloridos de tanto treinar, estão aqui para isso! Um empate! Somos um time Série A com mais títulos que todos os outros e é esse lixo de jogo que vocês me apresentam hoje?

Sabe o que era pior que um empate? Um empate no nosso fodido estádio.

Ninguém reclamou do treino adicional, estavam todos do mesmo jeito que eu.

Acho que ninguém esperava que os Pirates iriam colocar um cara que consegue correr mais de 60km/h em campo de futebol no último tempo do jogo causando uma virada inesperada. Deveríamos estar preparados para isso, mas não estamos. Ainda. Porque essa situação iria mudar.

— Dispensados. Não quero atrasos segunda-feira, quem chegar atrasado vai pro banco. — disse Slade saindo do vestiário.

O clima entre os caras não ficou melhor depois disso, cada um foi tomar seu banho e guardar seu equipamento em silêncio. Peguei uma das cabines e deixei o jato de água fria congelar meu corpo inteiro. Eu tinha algumas contusões novas hoje graças á fodido Deiss, três de seus guards vieram para cima de mim e John conseguiu parar apenas dois. Eu não me importava com o impacto, mas fiquei aliviado quando vi que não formaria uma hematoma que nem da última vez. A remelenta 2 teria um ataque se visse algo pior.

Tomei banho e coloquei minha troca de roupas. Jeans, uma camiseta de mangas compridas, tênis e um dos meus bonés. Deixei o uniforme no cesto de roupa suja e meu equipamento no meu armário para os caras da manutenção vieram pegar depois.

Eu não estava no clima de conversar com ninguém. Nem com fãs, muito menos repórteres. Acho que ninguém do time estava e era por isso que ninguém foi fazer a coletiva de impressa pós-jogo. Cat soltou algo para eles como: "Cansados, porém satisfeitos com o resultado de hoje" para os abutres e nós ganhamos um passe livre do circo que haviam montado.

Fui até o camarote pegar as crianças que estavam com Thea e Tommy.

Encontrei com Thea no caminho, ela iria com Roy hoje.

— Eu sei que você odeia empates, mas foi um bom jogo. — ela disse me abraçando e eu maneei a cabeça e a apertei levemente em meus braços. — A professora gostosa está aí, mantenha em suas calças...

— O que?

— Eu notei você flertando com ela no dia da visita, Oliver, e sim ela é linda, mas também é professora dos seus filhos e não precisamos de um processo contra assédio sexual na conta porque você não sabe levar um "Não" de vez em quando. — ela disse em voz baixa e eu sorri levemente.

— Mas ela não disse "Não" ainda. — eu apontei e ela revirou os olhos e foi embora.

Acenei para Leo que estava perto da porta e me voltei para o camarote e entrei na sala. Os remelentos estavam comendo pipoca juntos com Anthony e eles assistiam um episódio de Tom & Jerry em uma das televisões. Mick estava no fundo da sala á postos.

— Hey pirralhos. — cumprimentei os três bagunçando os cabelos deles.

Eles resmungaram juntos e eu sentei ao lado de Anthony.

— Foi um bom jogo, Tio Oliver. — ele disse. — Mesmo que tenha empatado.

— Obrigado, amigão. — eu disse e ele assentiu e se voltou para o desenho.

Me virei para os outros dois e eles estavam vidrados assistindo o gato correr atrás do rato incansavelmente. Esperaria o episódio terminar para separá-los e irmos para casa porque eles tinham uma montanha de dez milhões de metros de lição de casa para fazer e não iria fazer absolutamente nada no final de semana. Eu iria precisar de bons dois dias de descanso antes do massacre que Slade havia preparado para nós depois do resultado de hoje.

— Hey. Bom jogo.

Virei meu rosto levemente e na fileira de trás estava Felicity.

Eu tinha feito muito esforço para entrar na sala e não olhar diretamente para ela.

— Hey, professora. Não foi um dos melhores. — eu disse me virando para ela.

Estava com uma camisa do time com o número de Adrian, jeans e tênis. Usava seu cabelo solto com um boné do time também e estava sem os óculos no rosto de novo. Talvez ela só os usasse na escola enquanto trabalhava? De alguma forma o apelo aumentou ainda mais ao ver ela com uma camisa dos Rocketes.

— Não foi um dos piores também. — ela disse e eu dei de ombros. — Mas eu posso apostar que Adrian vai estar de mau-humor.

— Então aposte, porque está certa. — eu disse assentindo.

— Ele é muito competitivo ás vezes, não aceita nada além de uma vitória. — ela disse revirando os olhos e eu ri. — O que?

— Quem é que gosta de perder, professora? Ou pior, de empatar? — perguntei gesticulando para o janelão que já mostrava o campo de futebol quase completamente vazio. Já haviam até começado a limpar o campo. — São apenas números dizendo que talvez você não foi bom o bastante para ganhar.

— Hm. Falando em números, quando você vai me dar o seu? — ela perguntou.

Estamos ousados hoje, não estamos, Professora Smoak?

— Pensei que nunca pediria. — eu disse estendendo a mão na qual ela colocou seu celular.

Era igual ao meu, o mesmo modelo, tirando a capinha cor-de-rosa com brilhinhos. Vi que seu papel de parede era uma foto dela de costas na beira do que parecia ser uma jacuzzi com um drink colorido em mãos. Seu perfil estava usando seu melhor sorriso e óculos escuros. Bonita. Muito bonita.

Anotei meu número em seu celular junto com meu nome e devolvi o aparelho para ela e ofereci o meu. Ela fez o mesmo, mas vi seu sorriso quando viu o meu papel de parede que agora era uma foto dos gêmeos deitados em cada ponta do sofá com Archer no meio servindo de travesseiro para os dois.

Assim que ela me devolveu meu aparelho, Adrian entrou no camarote.

— Que timing... — ela disse se levantando e indo até ele.

Eu abafei minha risada e fui brindado com uma ótima visão de sua bunda quando Adrian a ergueu nos braços em um abraço caloroso. Era redondinha e suas pernas... Céus. Eram perfeitas. Eu estava gamado na professora e não queria esconder de ninguém. Só de Adrian. Por enquanto, claro. Talvez a situação dos meus jeans também fosse outra coisa para esconder.

Fiz os remelentos se despedirem e recusei o convite de Adrian para um Big Belly.

— Oliver é paranoico com a dieta das crianças... — cochichou Adrian para Felicity.

— Eu vou fazer você comer essas palavras quando Anthony precisar usar aparelho e os meus filhos não. — cantarolei saindo ladeado pelas crianças que acenavam em despedida.

Eu tive minha dose da professora gostosa e de futebol do dia, mas ainda tinha trabalho a se fazer e as crianças precisavam comer comida de verdade que era o prato de macarrão alfredo que eu iria fazer para o jantar e até liberaria o sorvete de sobremesa assim que eles terminassem a lição de casa.

No caminho para casa pegamos trânsito, todos os torcedores dos Rocketes deviam estar todos ali em uma avenida só e isso me deixou de mau-humor tanto que a remelenta nem pediu para ligar o som do carro. Depois de quase meia-hora parado no mesmo lugar, eu andei e consegui chegar em casa, mas os pestinhas tinham caído no sono no banco de trás.

Levar os dois no colo não era impossível, mas não seria fácil também. Pedi para Mick e Leo levaram as mochilas de escola junto com as minhas coisas e depois estacionarem os carros nas minhas vagas particulares quando consegui encaixar cada um em um ombro. Chamei o elevador com meu cotovelo e entrei.

Digitar a senha da cobertura demorou um pouco, mas eu consegui.

No relógio do painel onde os andares subiam e subiam, eu vi que ainda eram 17h da tarde. Eu poderia deixar eles dormirem até umas 19h sem prejudicar o sono normal deles a noite e adiantar o jantar. Depois lição de casa, banho e um filme para encerrar.

Balancei minha cabeça para mim mesmo e ajeitei Damien em meu braço.

Dá pra fazer.

Assim que cheguei, Archer feio correndo soltando latidos, mesmo assim nenhum deles acordou. Fui até meu quarto e depositei os dois na cama e os cobri com uma das minhas mantas preferidas. Era quentinha.

Fui direto para o banho e tirei todo o suor que a ducha no vestiário não tinha tirado e percebi que meu shampoo havia acabado. Damien usava-o junto comigo e descobri que o remelento era vaidoso porque também usava o meu perfume e meu creme contra-calos que tinha um cheiro bom e talvez até um pouco da minha loção pós-barba. Ou seja, meus artigos de higiene foram dominados e acabavam rápido. Fui obrigado á usar o shampoo de Julianna que era no formato de coração e tinha cheiro de chiclete.

Enquanto me secava, a fadiga cobrou seu preço depois de um dia inteiro cheio de adrenalina. Notei alguns hematomas escurecendo em meu estomago que não havia visto antes e peguei meu frasco de Salonpas embaixo da pia e esfreguei um pouco do gel ali. Não estava dolorido ainda, mas eu ia passar de qualquer jeito.

Me vesti com um conjunto de moleton e chequei os remelentos.

Dormindo ainda.

Fechei a porta do meu quarto e voltei para a sala, liguei a TV na ESPN e fui lavar as mãos para começar o jantar. Como eu tinha tempo de sobra hoje, mudei de ideia e decidi encarar a receita da lasanha de Raisa. Ela não havia vindo mais ao apartamento me visitar á pedido meu, não queria que mamãe descontasse sua frustração nela ao saber que minha babá conhecia meus filhos e ela ainda não. Porém, ela ainda me mandava receitas fáceis e práticas para eu fazer para os remelentos e em troca eu mandava fotos deles para ela.

Hoje, eu iria fazer lasanha. O macarrão alfredo poderia ficar para amanhã.

Peguei todos os ingredientes necessários e as panelas. Coloquei água para ferver com um pouco sal e comecei a cortar a cebola para o molho e a carne. Meus olhos pinicaram horrores e eu talvez tenha derrubado algumas lágrimas no processo. Talvez.

— Agora vamos falar sobre o jogo de hoje. Pirates x Rocketes. Não foi algo para qual eu estava preparado... — disse Billy Malone.

Comecei as descascar os dentes de alho. Ele falaria de mim no jogo de hoje.

— Pirates vieram com tudo para cima do Rocketes e foi uma grande surpresa para todos nós. Acho que ninguém esperava por Daniel Deiss. Ele começou, literalmente, como o garoto da água e agora é titular do time. — continuou ele e vi que hoje ele estava acompanhado de Iris. — Os Rocketes poderiam usar um garoto que corre como ele para melhorar seus números, porque Oliver Queen não está fazendo seu trabalho direito.

— Oh, você não consegue me esquecer, não é mesmo Billy? — perguntei começando a cortar o alho.

Joguei tudo dentro de uma panela com azeite e a carne moída. Enquanto fritava, abri as latas de extrato de tomate como um verdadeiro profissional. Billy continuava com meu nome na boca enquanto isso.

— ... Acho que Oliver não vai levar outro anel para casa este ano.

— Acho que está sendo duro demais com ele, Billy. Oliver ainda é o jogador mais caro que existe na liga, Deiss acabou de chegar e sim, está mostrando um talento inédito, mas ainda não está na categoria de jogadores como Oliver Queen. — disse Iris depois que um pequeno pedaço do jogo havia passado mostrando jogadas minhas e do garoto Deiss. — E sem falar que eu acho que Oliver não jogou o seu melhor ainda, a polêmica de seus recém-descobertos filhos deve ter afetado ele e uma mudança tão grande não é adaptável rapidamente.

— Obrigada, Iris, mas sinceramente acho que até que eu me acostumei com eles bem rápido. — eu respondi ao seu comentário mexendo a carne na panela e colocando um pouco de sal em cima. Abri o pacote da lasanha e coloquei as plaquinhas de massa dentro da água que estava quase fervendo.

Eu não tinha muito paciência para esperar tanto assim.

— Justo, porém Oliver não tem apresentado um bom resultado desde o começo do campeonato e os Rocketes estão por um fio de se desclassificarem. — rebateu Billy soando como uma vadia amarga que era. - Ele é o capitão, e pesada é a cabeça que segura a coroa. Por hora.

— Um homem não faz um time só, tem mais catorze jogadores mais. — cantarolou Iris.

— Isso aí, Iris! — eu disse mexendo a carne que havia começado a fritar.

— De qualquer jeito, Oliver Queen ainda mantém seu record de touchdowns, vitórias e continua sendo bi-campeão da NFL. Eu, sinceramente, estou torcendo para os Rocketes este ano. O time está cheio de talentos e um que eu queria discutir com você, Billy, é Barry Allen. Acho que ele e Deiss teriam um pouco de competição.

— Barry "The Flash" Allen. Se Allen não tivesse se machucado no primeiro tempo do último jogo. Ele e Deiss seriam algo muito interessante de se assistir, os dois sabem correr rápido e estão no começo da carreiras dele ainda. — concedeu Billy finalmente tirando meu nome de sua boca depois do esporro que Iris deu nele ao vivo.

— Concordo com você, Iris. Allen e Deiss seria um bom jogo. — eu disse indo para a panela com a massa cozinhando.

Peguei uma travessa nos armário e untei com spray de manteiga. Eu odiava melecar minha mão com manteiga e quando Raisa assava bolos na mansão, esse era o trabalho de Thea e não meu. Então o spray era mais prático e mais limpo também.

Na marca de cinco minutos, eu desliguei a água com a massa da lasanha e coloquei o estrato de tomate em cima da carne e fechei com a tampa. Escoei a massa rapidamente e em um vasilha comecei o creme de ricota. Não fazia parte da receita de Raisa, mas sim a de Lyla. A lasanha de Lyla era divina, então eu iria unir os dois mundos. Sem falar que tudo que Lyla fazia era dentro da dieta do time.

Coloquei uma embalagem e meia de ricota ali dentro e salvei o resto para fazer o patê do lanche das crianças nos próximos dias. Ele adoravam patê de azeitona com cenoura, comeriam o negócio até sem as fatias se pão se eu deixasse. Segui com o queijo, salsinha, sal e uma pitada de pimenta. E estava pronto.

Iniciei a montagem caí em um ritmo. Archer me fazia companhia na cozinha, e depois de três camadas de molho, ricota, lasanha, molho, mozzarela ralada, lasanha e assim sucessivamente, eu coloquei música para tocar. Era uma das minhas playlists para escutar dentro de aviões, nada barulhento porque os remelentos estavam dormindo ainda.

Mandei tudo para dentro do forno e coloquei o timer em formato de galinha que Julianna me fez comprar para apitar em trinta minutos. Dei um biscoitinho para Archer e comecei a arrumar minha bagunça e limpei o balcão inteiro. Quando peguei os pratos dos armário, notei Damien andando no corredor sonolento.

— Oi Bela Adormecida. — saudei dele e ele veio até a cozinha.

Cumprimentou Archer com um afago e parou ao meu lado.

— O que está fazendo? — perguntou e bocejou.

Ascendi a luzinha do forno e ele conseguiu ver o que tinha dentro do forno.

— Uau. — disse baixinho arregalando os olhos.

— Pode arrumar a mesa para nós? — perguntei e ele assentiu, pegou os pratos da minha mão e foi até a mesa. — Qual a situação do dever de casa?

Ele me olhou culpado quando veio pegar os talheres.

— Damien?

Muito. — ele admitiu pegando garfos e facas para nós três.

Ele não era de acumular dever de casa. Julianna sim.

— É que é matemática, é a aula mais chata que tem, Oliver. — ele resmungou e eu ri levemente. Em momentos assim, eu não tinha dúvida alguma que Damien era meu filho. Eu odiava matemática também, mas ela era necessária. — Você pode me ajudar?

— O que temos que fazer? — perguntei secando a última panela e guardando no armário.

— Expressões numéricas. — ele disse suspirando.

— Vá pegar seus livros e acorde Julianna. Vamos fazer antes do jantar. — eu disse e ele assentiu e correu até o quarto.

Voltou com sua bolsa de escola e com a de Julianna, essa última que se arrastou pelo corredor parecendo um zombie com os cabelos todo emaranhado e coçando os olhos.

— E você mocinha? Tem lição de casa? — perguntei e ela assentiu e sentou em seu lugar na mesa e deitou a cabeça ao lado do prato. Uh-oh. Talvez eu tenha calculado errado em quanto tempo eles poderiam dormir sem atrapalhar o sono da noite. — O que é?

— História. — ela disse com a voz abafada pelo prato ao seu lado.

Hm. Melhorou um pouquinho.

Nós abrimos os livros no balcão e enquanto eu ajudava Damien com os números, Julianna fazia a lição que não tinha dificuldade alguma que era inglês. Montar e separar palavras em sílabas e coisas do tipo. Não nego que fiquei com vontade de jogar Scrable depois disso, e talvez até comprasse o jogo para jogar com eles.

— Então se o tio John bloquear o cara D, Barry conseguiria correr até a linha de fundo em quatro segundos, ele estaria correndo o triplo da velocidade normal? — perguntou Damien olhando para o rascunho que havíamos começado.

— Isso. — eu disse bagunçando o cabelo dele.

— Mas se tirarmos o cara D da conta, fica ainda o cara A, B e C. — ele apontou com o lápis as contas restantes da equação.

— Matemática é quase a mesma coisa que futebol. Nas equações temos que priorizar a divisão de jogadores e a multiplicação de pontos se fizermos tudo certinho. Os outros problemas não vão parecer tão complicados se fizermos isso primeiro. — eu disse copiando a conta embaixo sem a multiplicação e divisão no caminho.

— Oh, eu entendi agora! — ele exclamou tomando meu lápis de mim e resolvendo o resto na velocidade da luz. — Está certo?

Eu sabia que sim, mas fiz a mesma conta ao lado da dele e depois usamos a calculadora do celular para confirmar. Damien pareceu lidar mais fácil com a matemática com a analogia com futebol, e eu sabia que ele iria começar a formular estratégias em sua cabecinha pequena também. Depois de terminar com a matemática, ele foi para o dever de ciências.

O timer tocou que era o som de uma galinha cacarejando e eu desliguei o forno. Tirei a lasanha lá de dentro e deixei esfriando na mesa. Voltei para o balcão e sentei com Julianna para ler uma versão resumida da biografia de Abraham Lincoln. Nunca fui fã de história, mas sabia reconhecer o melhor presidente que tivemos no país e um dos filmes de vampiro mais maneiros que haviam lançado também.

— Por que ele é tão legal?

— Porque ele ajudou um monte de gente. Ele acabou com a escravidão no nosso país e garantiu que todos tivessem direitos de escolha e pudessem votar também, e ele também usava um chapéu muito legal. — eu contei e ela assentiu acompanhando.

Conseguimos terminar quase todos os deveres dos dois antes que o jantar esfriasse. Ainda havia duas ou três atividades que poderiam fazer depois que eram para recortar, pintar e colar diferentes coisas. Ou seja, mais bagunça e eu estava com fome agora.

A lasanha estava ótima e Damien repetiu duas vezes. Eles falavam sobre a escola e sobre os amigos novos que fizeram quando tiveram uma aula vaga e juntaram duas salas para um tempo no gramado.

— Vocês já tiveram alguma aula com a professora Smoak? — perguntei e eles negaram.

— A gente sempre vê ela na entrada e na saída da escola, mas ela só dá aula para os grandões. — respondeu Julianna parecendo levemente triste por este fato.

— Em dois anos, vocês serão os grandões também. — eu disse e ela deu ombros.

Nós terminamos de comer e eles foram tomar banho.

Lavei a louça e me joguei no sofá com Archer. Hoje tínhamos que assistir "A Princesa e o Sapo" de acordo com a lista de Julianna e ela havia prometido que era mais engraçado do que Mulan. Até que eu estava ansioso.

— Oliver, quando vamos passear no mundo da Matel? — perguntou Julianna aparecendo com seu pijama colorido e o pente em suas mãos.

Ela sentou na minha frente e eu comecei a pentear seu cabelo. Damien também apareceu de pijama e cabelos molhados. Sentou ao meu lado no sofá com Archer em seu colo e deu play no filme.

— Ahm, eu vou falar com o Tommy sobre isso. Ele quem vai ir comprar os ingressos para nós. — eu disse e ela assentiu e deitou em meu colo quando alguns personagens começaram a aparecer.

Eu desliguei a luz principal com o controle da casa e peguei meu celular.

"Oliver, Q: Ainda quer pegar Caitlin?"

Sua resposta não demorou.

"Tommy, M: O céu é azul?"

Revirei os olhos.

"Oliver, Q: Marque nosso passeio e eu te ajudo com ela. Somos amigos agora."

"Tommy, M: O que?!"

"Oliver, Q: Até brincamos de médico uma vez. Faça meu passeio acontecer e eu faço o seu encontro acontecer."

"Tommy, M: Feito e feito."

Idiota.

Me aconcheguei mais a Jules e foquei no filme.

—-

Sábado não foi um dia muito atípico. Slade passou um treino para fazermos em casa já que o centro de treinamento estava em manutenção e o campo do estádio também. Eram vários exercícios desgastantes com várias séries e isso significava em treino punitivo. Eu não iria reclamar, mesmo que talvez minhas coxas travassem durante meu sono. O treinador sabia o que fazia conosco.

Os remelentos não fizeram nada de interessante, eu até abri a piscina para eles fazerem algo de diferente, mas eles quiseram ficar dentro de casa. Esquentei o que restou da lasanha para eles de almoço e fiquei jogado no sofá com os dois parte da manhã e comecinho da tarde inteira. Ninguém reclamou, mas eu estava começando a achar que era eu que queria sair um pouco.

Olhei para Julianna e estava lutando contra o próprio cabelo que entrava no meio da caminho enquanto ela coloria um dos livros novos de desenho que eu havia comprado quando ela pintou todos aqueles que trouxe junto com ela quando chegou até mim. Pesquei meu celular e pesquisei salões de beleza perto de casa. Havia vários com ótimas avaliações, mas eu estava procurando um que fosse mais agradável em relação á crianças.

Mandei mensagens para Thea perguntando sua opinião, mas ela não me respondeu. Então eu tive que escolher jogando nas mãos do destino com o famoso "Minha mãe mandou..." e o vencedor foi H.H. Holt Hairstyle. Salvei o endereço e me virei para os dois e assoviei. Eles olharam para mim e eu levantei do sofá.

— Nós vamos sair para cortar o cabelo de vocês. — eu disse. — Vão se arrumar!

Eles apostaram corrida até o quarto e eu fui para cozinha. Eu iria com a roupa do corpo mesmo, ela era aceitável para perambular pela ruas e não ser parado pelo esquadrão da moda dos tabloides. Fui até a cozinha e fiz sanduíches para eles comerem na volta, quem sabe iríamos ao parque depois? Eu precisava de ar fresco e um pouco de Sol como as plantinhas da lição de casa de Damien.

Coloquei todos os sanduíches e algumas garrafinhas de suco dentro de uma bolsa térmica junto com alguns essenciais até que notei que estava montando um piquenique. E isso me lembrou de meu pai, ele adorava fazer piquenique no jardim da mansão quando eu e Thea éramos pequenos.

— Oliver?

Me virei e encontrei Damien com uma bermuda igual á mim e uma camiseta branca.

— Sim?

— Posso usar meus tênis novos? — perguntou e eu assenti.

Ele saiu correndo novamente e eu ri.

Eventualmente eu teria que levá-los as compras, porque comprar as coisas em parcelas estava me rendendo muitas caixas de papelão e nem mesmo Archer conseguia se divertir com todas elas. Anotei isso no quadro de avisos da cozinha embaixo da lista de compra semanal e vi que eles tinham a primeira prova do ano letivo na quinta-feira. Ou seja teríamos que estudar.

Coloquei a coleira em Archer que se animou com a ideia de um passeio e esperei os dois voltarem. Damien voltou usando a mesma roupa e com seu par de all-star novinhos. E Julianna apareceu com um vestido verde e seu par de all star cor-de-rosa.

— Prontos?

Eles assentiram e vieram até mim. Dei a coleira de Archer para Damien que aceitou com um sorriso e Julianna tomou minha mão livre com a sua pequeninha. Era outra coisa que fazíamos agora também. Fomos todos para garagem e eu acomodei Archer no assento perto da janela no banco de trás com os dois e sentei atrás do volante depois que todos estavam de cinto.

Dirigir até o salão de beleza que havia escolhido não foi problema. Era final de semana em Starling City, as ruas ficavam vazias e o povo ia para a costa aproveitar o Sol para dar mergulhos na praia. Chegamos lá mais cedo do que eu havia planejado e eu fui reconhecido no momento em que tirei os óculos escuros do rosto.

— Olá! Meu nome é Britney, como posso ajudá-los? — perguntou uma morena com um sorriso brilhante assim que pisamos na entrada.

Os remelentos ficaram acanhados e se esconderam levemente atrás de mim. Eu olhei ao redor e vi pelo menos cinco mulheres fazendo penteados com muito spray e outras fazendo as unhas. Yay. Novamente o único homem. Não deveria nem ficar surpreso mais.

— Olá. Queremos cortar os nossos cabelos, Britney. Pode nos ajudar? — perguntei e ela assentiu de prontidão. Ela saiu de trás do balcão revelando um visual com um uniforme discreto e quase que genérico.

Ela sorriu para Archer que parecia apenas contente de estar em um lugar com ar-condicionado. Seguimos Britney e fomos para o andar de cima e tinha várias estações preparadas, porém não paramos nelas. Continuamos andando e... Caramba, até eu achava isso muito legal. Me virei para Julianna e assim que ela bateu os olhos no que seria a sua estação, ela arregalou-os comicamente e ficou boquiaberta.

— As damas primeiro... — eu disse e Julianna sorriu para mim.

Ela iria cortar o cabelo em uma estação que era a réplica da carruagem da Cinderella.

— Vamos lavar o cabelo primeiro? — ofereceu Britney á Julianna e depois que eu assenti, ela aceitou a mão da mulher simpática.

Damien não parecia impressionado com a sua estação que imitava um carro de fórmula 1, então sentamos nas poltronas perto da falsa carruagem e esperamos. Eu mantive meus olhos em Julianna o tempo inteiro, ela havia se soltado um pouco e agora conversava com Britney que estava lavando seu cabelo com todo cuidado do mundo.

Archer pediu atenção quando ficou entediado, e o remelento deu sem reservas alguma.

As meninas voltaram depois de alguns minutos e Britney ajudou Julianna a subir na carruagem. Ela se virou para mim assim que colocou um avental pink ao redor do pescoço da remelenta.

— Qual vai ser o corte?

— Pode manter o mesmo, mas diminuí o cumprimento e ajeite as pontinhas. Um palmo acho que deve estar bom. — eu pedi e ela assentiu e voltou ao trabalho.

— Meu colega vai cuidar do cabelo de vocês, okay? Ele já está subindo e se chama Curtis. — ela disse começando a pentear os fios da remelenta.

Depois das primeiras tesouradas e alguns tufos de cabelo no chão, ouvimos uma comoção perto das escadas. Me virei naquela direção e me dei de cara com um homem negro bem alto, tinha a postura e um corpo decente para um line back. Ele tinha um afro bem grande e bem cuidado, e usava um uniforme parecido com o de Britney, mas o diferencial era a camisa lilás que tinha um enorme contraste com sua pele.

— Olá, eu sou Curtis Holt e vou atender vocês hoje... — ele começou e depois perdeu o fio da meada quando Britney lhe direcionou um olhar nada discreto em minha direção e ele pareceu me reconhecer. Algo em mim queria acreditar que eles assistiam futebol, mas eu sabia que provavelmente me reconheciam das revistas de fofoca que o salão fornecia á suas clientes durante seu tempo por aqui. — Quem vai primeiro?

Damien apontou para mim e eu dei ombros. Okay. Assim seja. Mas Holt? Como Holt Hairstyle? Estávamos sendo atendidos pelo dono? Uau. Tratamento especial.

Fui para estação ao lado do carrinho de fórmula 1 que era normal e bem, do meu tamanho. Curtis sorriu e colocou um avental preto ao redor do meu pescoço. Ele veio com um borrifador de água e encharcou minha cabeça. Talvez essa era a melhor parte de ser um homem cortando o cabelo, o processo era simples e rápido.

— Você já tem alguma ideia de corte? — perguntou Curtis começando a pentear meu cabelo em apenas um direção.

— Ahm, eu não sei. Talvez diminuir a frente? O capacete me faz suar muito depois de um tempo jogando. — eu disse e ele escutou e fez alguns penteados enquanto parecia pensativo.

— Se me permite, nós não queremos um Oliver 2012 de novo, queremos? Nem com o seu rosto e seu corpo, alguém poderia fazer aquele look valer uma noite. — ele disse e eu ri e senti meu rosto esquentar. Sim, eu estava corando. — Apenas a verdade querido.

— Eu sei, Curtis. Foi uma das decisões que eu mais me arrependo foi manter aquele visual. — eu disse me recuperando das risadas.

— Se depender de mim e da minha tesoura, ele não vai fazer um comeback. — ele disse e começou a cortar.

Meu cabelo em 2012 era horrível, eu não sabia disso na época, mas era horrível. Foi a primeira vez que eu deixei ele crescer além das orelhas. E tanto que quando joguei na primeira Olimpíadas em Japão, fui confundido com jogadores de tênis mais de uma vez durante o evento inteiro. Desde então eu sempre mantive um topete, nada muito difícil de arrumar e que me rendia até hoje alguns elogios nas revistas e portais de moda, mas não era o que eu queria ainda.

Deixei nas mãos de Curtis. Enquanto ele cortava, eu comecei a responder minhas mensagens e apagar o conteúdo desnecessário da minha galeria. Havia transferido todas as fotos dos remelentos para um drive pessoal que eu mantinha em meu escritório em casa e tentava manter minha galeria vazia, mas estava falhando ao ver que Julianna mais uma vez pegou meu celular e fez um ensaio dela e de Archer juntos.

Bufei levemente. Eles tinham seus próprios celulares e nem os usavam direito. Os aparelhos ficavam dentro das mochilas de escola no modo silencioso e eu sabia que eles não os usavam porque só tive que colocar os dois para carregar uma única vez desde que comprei-os, e isso iria fazer o que? Duas semanas? Três?

Apaguei as fotos duplicadas e mantive algumas ainda ali. Eu não tinha coragem de apagar uma foto na qual Julianna me exibia seu melhor sorriso enquanto levava uma lambida de Archer.

Fui para o Instagram e curti algumas fotos dos caras dos times e de alguns músicos que eu gostava e enquanto descia a tela, fui brindado com uma foto de Felicity com um vestido curto. Estava na beira de uma piscina que eu reconheci ser a de Adrian, seu vestido era azul escuro que ressaltava tudo nela. Seu cabelo, seus olhos e merda, suas pernas também. Curti a foto e até quis salvá-la para uso recreativo, mas parei antes que chegasse neste ponto.

— O que acha? Mais curto? — perguntou Curtis passando uma escova felpuda em meu pescoço para tirar o excesso de cabelo.

Levantei meu olhar e encarei meu reflexo. Não fora uma mudança radical, mas eu conseguia ver a diferença. Estava bom e eu ainda continuava com meu ar de... Bem, vocês sabem. Meu topete ficou menor e eu sabia que não iria cair mais na frente de meus olhos quando usasse o capacete durante os jogos e treinos o que era ótimo.

— Eu, pessoalmente, acho que está bom nesse cumprimento. Realçou um pouco mais o formato do rosto e suas maçãs também. — opinou Curtis começando um topete rápido para me mostrar o quão maleável meu cabelo estava agora. — Porém, algo me diz que seu cabelo cresce rápido, então você estaria com o antigo visual em menos de um mês de novo.

— Está ótimo, Curtis. Eu adorei. — eu disse sorrindo sincero. — Você é ótimo.

Ele aceitou o elogio e se virou para Damien que agora estava sentado no chão de pernas cruzadas com Archer ao seu lado e apoiando o seu rosto em suas mãos parecendo entediado como inferno. Olhei para Julianna e Britney estava secando seu cabelo que havia ficado significamente menor e com todas as pontas igualadas. Elas conversavam e riam entre as duas e eu decidi não me intrometer.

Damien foi para a cadeira que eu havia sentado, desviando do carrinho de fórmula 1 com um olhar enojado para o negócio que me fez rir. Voltei a sentar na poltrona e Archer veio até meus pés. Fiz carinho em sua cabeça gorda e cocei suas costas levemente. Até que ele estava se comportando bem e ele odiava ficar perto de estranhos.

Percebi Curtis se inclinar para ouvir algo que Damien cochichou em seu ouvido e logo depois o cabeleireiro sorriu e começou a irrigar o cabelo de Damien com seu borrifador amarelo. Julianna terminou primeiro, é claro. A peguei em meu colo assim que ela se levantou do assento e a coloquei no chão.

Ela exibiu o cabelo novo e disse que Britney havia dado presilhas brilhantes para ela como presente. Não era um penteado muito elaborado, mas aos olhos de Jules era a melhor coisa agora. Agradeci Britney que apenas acenou e voltou a interagir com Jules e agora com Archer também que a encarava suspeito.

— Se comporte, bola de pelo. — eu disse o segurando pela coleira enquanto ele cheirava os pés de Britney. Ele não a mordeu ou nada parecido, aceitou o carinho que deu, mas terminou aí. Me levantei e olhei para o remelento. — Deus... Agora você realmente parece comigo.

Ele revirou os olhos em resposta e eu sorri. Curtis havia nos dado o mesmo corte de cabelo, talvez tenha sido isso que os cochichos eram sobre no final das contas. Nós voltamos para a recepção e eu paguei pelos cortes de cabelo e deixei uma gorjeta para Britney e Curtis pelo bom atendimento, eles pediram uma foto comigo e Jules quem tirou enquanto Damien segurava Archer que já estava ficando ansioso para voltar para o lado de fora novamente.

Voltamos para o carro e eu dirigi até o parque Stanley. Os dois correram na frente até os brinquedos, mas não antes de eu vetar a escalada da lista dos dois. Julianna ainda lembrava do galo que havia ganhado da última vez que ela se aventurou demais por ali.

Estendi a toalha embaixo da árvore favorita de Archer que me dava um bom campo de visão de onde os remelentos estavam e tive que improvisar na hora de dar água para Archer. O espaço pet era longe de onde estávamos e eu não queria perder o bom lugar na sombra.

— Aqui, coma o seu e me deixe comer o meu. — eu disse dando um biscoito em formato de bola de futebol para Archer. Era o seu favorito.

Desembalei um dos sanduíches que havia trago e comi silenciosamente ao lado de Archer que fez de meu colo seu lugar feliz. Fiz carinho nele e sorri quando ele caiu no sono rapidamente. Nunca ia esquecer o dia que havia adotado ele. Foi uma das primeiras caridades que o time havia se envolvido.

Apesar de ser um buldogue, ninguém queria adotar Archer. Quando o conheci ele estava com as pernas atrofiadas pelo excesso de peso e a falta de exercício, era agressivo com os outros cães que viviam com ele no abrigo, e sua pele estava sendo atacada por fungos que deixavam manchas vermelhas dolorosas em seu pelo branquinho que a ong não conseguia tratar por falta de recursos. Ele era uma bagunça, e nem sua raça fazia o apelo aumentar.

Ra's havia sido inflexivo, todo mundo iria adotar um, mesmo que fosse para morar em um hotel para cachorros que era o que acontecia no caso de René já que ele era alérgico aos bichos. Todos escolheram primeiro que eu, mas eu desde o primeiro momento que eu vi Archer sabia que era ele que eu queria. O azarão. Tommy até tentou me convencer e trocar Archer pelo pug que hoje era de Dig, acho que seu nome era Bobby, mas eu não quis.

Depois de meses de tratamento contra os fungos, seu pelo voltou a crescer normalmente, eu consegui me aproximar dele tanto fisicamente como emocionalmente e ele deixou se de ser agressivo, agora ela era mais... Desconfiado. Nós fizemos várias seções de fisioterapia juntos e eu o levava todos os dias para passear e quando viajava deixava Thea e Rory de olho nele.

Ele venceu todos os obstáculos e era a minha bola de pelo.

— Como ele conseguiu dormir? — perguntou Damien voltando.

— Não tenho ideia, mas ele conseguiu. — eu disse rindo levemente e Damien sorriu.

Dei água para ele e limpei o excesso de suor que escorria pelo seu rosto com uma toalha de rosto que eu havia trago do centro de treinamento comigo uma noite e nunca devolvi. Ele comeu um dos sanduíches também e decidiu deitar ao lado de Archer, perto das minhas pernas esticadas. Procurei Julianna ao redor e a encontrei colhendo o que pareciam ser dentes-de-leão á alguns passos de onde estávamos. A pessoa mais perto de nós, era um trio de senhoras fazendo yoga no gramado com uma adolescente as instruindo.

Nós ficamos ali até o Sol começar a se pôr.

— Isso foi muito legal, Oliver. — disse Damien me ajudando a recolher nossas coisas e o lixinho que ajuntamos.

— Que bom que gostou, Dame. — eu disse prendendo o cabelo de Julianna com um elástico que eu sempre levava no pulso agora.

— Eu adorei nosso piquenique, me lembrou os piquenique que a gente fazia com a mamãe lembra, Dame? — perguntou Julianna balançando seu rabo-de-cavalo satisfeita. A expressão do remelento 1 caiu levemente, mas ele ainda sorriu e assentiu em resposta. — Posso levar o Archer até o carro?

Concedi e dei a coleira de Archer para Julianna. Era apenas alguns metros em linha reta, não tinha pessoas ao nosso redor e estava tudo tranquilo. Damien e eu andamos lado a lado mais atrás de Jules e Archer e eu senti que o remelento queria falar alguma coisa, mas tinha algo o impedindo.

— Sabe quem gostava de piquenique também? O seu avô. — eu comecei a contar e Damien se virou para mim curioso. Ele adorava histórias. — Na casa onde eu e Thea crescemos tinha um jardim enorme e meu pai adorava fazer piquenique lá e depois uma caçada ao tesouro no labirinto nos fundos da propriedade.

— Que legal. Vocês faziam isso muitas vezes?

— Não tanto quanto ele queria. Ele era bem ocupado, minha mãe também, então passávamos o tempo com Raisa que era a nossa babá e sempre deixava a gente brincar com ela na cozinha. — optei por ser sincero. — Eu sinto falta desses momentos.

— Por que?

— Porque ele morreu á alguns anos atrás. — eu revelei e Damien me olhou diferente.

— Oh. Sinto muito, Oliver.

— Obrigada. — eu disse apertando o ombro dele levemente. — Ás vezes a gente tem que tentar focar nas memórias boas e não só nas tristes. Meu pai era ocupado demais para jantar todas as noites comigo e com sua tia, mas sempre que tinha tempo, nós ficávamos juntos e era sempre bom. Com ou sem caçada ao tesouro no final do piquenique.

Ele assentiu.

— Mamãe adorava piquenique. Ela gostava de flores coloridas e de ler bastante. — ele revelou em voz baixa. — Harry Potter foi o primeiro livro sem desenhos que ela comprou para mim.

— Que legal. — eu disse sorrindo e ele sorriu um pouco também. — Sendo bem sincero com você, eu nunca fui um grande fã de livros, mas quando tinha sua idade adorava álbuns de figurinhas.

— Sério?

— Sim. Eu tinha um monte e sempre completava primeiro que Thea, o que ela não gostava, é claro. — eu disse e ele riu levemente. — Harry Potter foi um dos livros que eu só fui ler os livros quando sua tia me pedia.

Julianna começou a dançar com Archer na nossa frente e eu maneei a cabeça.

— Você sente falta do vovô? — perguntou Damien e eu suspirei. — Ele foi um bom papai para você?

— Ele tentou ser o melhor pai do mundo para mim e para Tia Thea, e eu sinto falta dele todos os dias. — eu admiti. Não era o meu assunto preferido, mas era verdade. O buraco que Robert Queen havia deixado em mim, não era fácil de se preencher e talvez nunca o faria. — E você? Sente falta da sua mãe?

— Sim. Ela era a melhor mãe do mundo. — ele disse e mordeu o lábio inferior.

— Tenho certeza que sim, campeão.

Apertei seu ombro mais uma vez e o trouxe para mais perto de mim. Damien não se afastou, pelo contrário, veio de bom grado e tomou sua mão na minha. Isso era mais uma vitória nos meus livros.

Notas finais
Originalmente este capítulo era muito longo e por mais que eu esteja curtindo esse vibe de capítulos mais longos, eu não sei se eu ou vocês estavam preparados para um capítulo com mais de 13k hahaha Então eu separei em duas partes e deixei o próximo para focar mais no passeio até o mundo da Barbie e um pouquinho mais de Olicity, assim todos ficam felizes, certo? Comentem! Indiquem! Favoritem! Recomendem! Outras fics_ https://fanfiction.com.br/historia/736715/Dangerous_Love/ (Atualizada!) https://fanfiction.com.br/historia/784341/The_Perfect_Nanny/ (Atualizada!) L.W PS: Venham conversar comigo no Twitter! Meu nome por lá é @juju100_! Vamos conversar sobre Arrow, fanfics... Qualquer coisa! Estou começando a postar pequenos trechos e spoilers sobre minhas fics por lá também! PS²: Vamos bater #160 comentários? Ou mais uma recomendação?