Coaching Daddy
12 Capítulo 12
Notas iniciais

— Você tem certeza sobre isso? Absoluta?
Encarei Tommy na minha frente e apenas estendi as mãos antes que amarelasse.
— Passa logo. — eu disse e ingressos cor-de-rosa foram me estendidos.
Olhei para a mini-van e encontrei o olhar de Damien que parecia querer me esfaquear. Sim, eu tinha uma mini-van agora. E sim, eu também queria me esfaquear por ter concordado com isso em primeiro lugar, mas hoje era dia de visitar o mundo da Barbie. Yay.
Entrei na mini-van e liguei o motor. Julianna estava nos bancos de trás junto com Eve, Polly e Wendy. Para o bem da minha sanidade e a de Damien, ele veio na frente comigo. O rádio foi ligado na rádio de sempre e se a cantoria das meninas fossem algum tipo de indicação de como seria o resto do dia, eu sairia daquele lugar com um trauma.
— Só faltam 6 horas. — murmurei para mim mesmo.
Damien havia trago seu livro junto de si para se distrair e infelizmente eu não tinha o mesmo luxo. Alguém tinha que ser o adulto, certo? E esse era eu já que Tommy de repente, tinha vários compromissos para atender em um domingo ensolarado e minha carreira era mais importante do que passar o dia inteira com os pequenos animais selvagens que estavam dentro do carro comigo.
Mick e Leo viriam conosco, porém em carro separados para a felicidade dos dois.
Não me entendam mal, eu estava pegando o jeito de ser pai e sabia que era bom ter momentos assim com Jules, mas por que infernos garotinhas tão pequenas eram permitidas de ter um timbre de voz tão alto e agudo? Era injusto com todos os outros pares de orelhas do mundo.
O Mundo da Matel não era tão longe assim do centro da cidade como eu havia pensado, levou uma hora para chegar lá e eu acho que tive a chance de ouvir todas as músicas das princesas da Disney enquanto estávamos na estrada. Até cantei as que eu sabia junto com elas, o que foi a melhor e mais engraçada coisa que elas já vivenciaram. O tempo passou rápido e um enorme galpão apareceu na lateral da estrada. Ah sim, e ele era cor-de-rosa com o famoso perfil e rabo-de-cavalo da Barbie pintado em uma das paredes enormes.
— E essas são as portas para o inferno... — disse a mim mesmo fazendo a curva para a entrada.
Dirigir uma mini-van não era tão difícil, mas agora mais do que nunca eu sentia falta da minha Ducati. Estacionei na vaga que reservei. Sim, eu reservei a merda de uma vaga e se não tivesse feito isso, estaria estacionando na outra ponta do estacionamento porque o lugar estava lotado. Carros, ônibus, mini-vans e até mesmo algumas motos.
Todos nós descemos do carro e em fila única fomos em direção a entrada. Mick ia na frente e Leo ficava atrás do grupo para termos apenas certeza que não perderíamos nenhuma delas de vista. Eu entreguei os convites para os monitores que ficavam nas catracas e cada um recebeu um bracelete rosa com um dispositivo que cantava a música da Barbie e te dava acesso ilimitado ao parque pelas próximas cinco fodidas horas.
E quando cada uma recebeu o seu, aí sim, o inferno começou.
Elas dispararam em direção á porta do galpão que imitava os portões de um castelo e não pararam por aí. Mick se adiantou em passos rápidos assim como eu e Damien, enquanto Leo ficou para trás. Eu conseguia ouvir barulhos e vozes de outras crianças do lado de dentro, mas para chegar lá tínhamos que passar por um túnel rosa com glíter que ia até o meu umbigo em altura.
Ou seja, eu teria que engatinhar ali dentro.
As meninas passaram sem problemas, e Damien foi logo atrás. Mick já estava lá dentro e Leo ainda estava um pouco atrás. Okay. Respirei fundo e me abaixei em meus joelhos e comecei a engatinhar. O túnel não era longo, mas era quente e me fez eu me arrepender ter vindo de jeans hoje.
— Quem chegar por último, é um ovo podre! — gritou alguém atrás de mim e eu xinguei baixinho. Uma avalanche de crianças estava vindo em minha direção pelo que pude ver, uma avalanche. Não tinha outro jeito de descrever, eram muitas para até começar a contar.
— Okay. — eu disse ao sentir o primeiro empurrão e aí veio o segundo. — Tudo bem.
Mas quando chegamos no quinto, eu cheguei no meu limite também.
— Minhas pernas valem dois bilhões de dólares e meu braço direito mais um milhão e meio, então eu vou primeiro! — eu exclamei e comecei a engatinhar mais rápido derrubando uma ou duas meninas no processo.
Assim que consegui sair do maldito túnel, fui atingido por uma explosão de rosa, gliter e mais rosa. Não importa para onde eu olhasse, tinha rosa. Em vários tons, com gliter, lantejoulas, babados e todos os frufrus possíveis. Olhei ao redor e vi que o lugar era separado em seções também e eu havia decorado o itinerário de Jules.
Fui até o balde de pipoca rosa gigante estava e encontrei com Damien escorado na parede onde um grande grupo de meninas estavam sentadas em pufs com pipoca em mão enquanto a introdução de um filme começava.
— Por que demorou tanto? Mick e Leo chegaram primeiro que você... — disse Damien em voz baixa e eu segui seu olhar para onde os seguranças estavam, um na entrada e outro na saída.
Como é que eles passaram por mim e eu não vi? Eu dei de ombros levemente e sentei em um puf grande no fundo da sala com Damien. Pela próxima hora estávamos "seguros" neste lugar. Acho que depois de um tempo, o remelento parou de fingir que não estava assistindo o filme e começou a prestar atenção de verdade.
Eu estava no meu celular enquanto o filme rodava com o brilho baixo e sem áudio para não atrapalhar ninguém assistindo a Barbie bailarina com trezentas mil irmãs. É claro que mandei uma mensagem bem colorida para Tommy dizendo que ele estava demitido, seguido por uma lamúria para Thea que não havia conseguido vir porque tinha uma reunião importante com fornecedores marcada desde o ano passado.
"Felicity, S: Fique sabendo que estou com pena de você hoje."
Sorri levemente ao ver a mensagem da Professora Smoak e respondi.
"Oliver, Q: Por que?"
Sua resposta veio rapidamente.
"Felicity, S: Adrian me contou para onde estava indo hoje e que Anthony estava bem chateado por não pode acompanhar vocês apesar do destino."
Oh sim, nosso plano inicial incluía Adrian e Anthony no grupo, mas esse final de semana o garoto iria ficar com Meg e nem se eu pagasse uma bolada, Adrian iria vir sem o filho dele para esse inferno cor-de-rosa. Era plausível, por isso não fiquei ofendido ou magoado.
"Oliver, Q: As vezes eu fico confuso com Anthony. Em um minuto ele diz que garotas são nojentas e depois no outro quer vir brincar com elas."
Felicity respondeu com algumas carinhas rindo.
Nós continuamos conversando algumas amenidades e sobre como Adrian era obcecado com limpeza. Algo que eu já sabia á anos dividindo um vestiário com ele. Ele gostava de limpar seu próprio equipamento ele mesmo antes de cada jogo e de passar seu uniforme. Quando eu perguntei o porquê, ele apenas respondeu que ajudava com stress, mas com as novas revelações de Felicity, eu achava que o cara precisava de conselho. Do tipo profissional.
Damien e eu dividimos um pacote de pipoca rosa e depois que Felicity foi tomar brunch com algumas amigas, eu voltei minha atenção para o filme e ele já estava acabando pelo jeito que as personagens estavam felizes e seus vestidos já haviam mudado de forma e cor. Julianna foi quem me ensinou isso, se os vestidos mudarem de cor e todos estiverem felizes, o filme estava acabando.
Abri a nota virtual que havia feito e conferi as próximas atividades para ter certeza de onde iríamos em seguida. Playground. Hora do chá. Transformação Mágica. Aula de Pintura com Gliter. Show Musical. Essas eram as atividades que eu e Damien teríamos que sobreviver nas próximas horas e
Deus no ajude, estava na hora do Playground.
Por mais que o lugar fosse grande, estava lotado de crianças. Fiquei impressionado com a organização de tudo, claro, ainda havia milhares de crianças correndo por ali, mas nenhuma atividade estava cheia demais ou sem monitores. A nossa monitora que era uma garota que não deveria ter nem vinte anos e parecia a própria Tiana nos direcionou até o Playground.
Grandes tobogãs com inúmeras curvas, piscinas de bolinhas, pula-pula em forma de castelo, camas elásticas, um carrossel, e vários outros brinquedos interativos faziam parte do Playground. E é claro, tudo era rosa também. A única coisa boa em estar com as meninas é que elas queriam fazer tudo juntas, então era fácil de achá-las. Elas foram para o percurso com obstáculos e eu e Damien fomos para a atração ao lado que era de arremessos. As bolas de basquete eram normais, mas hey... Se a Barbie quer ser uma jogadora profissional da NBA, ela pode ser.
O remelento tinha uma ótima mira e eu ganhei dele apenas por dois pontos.
Nós fomos para a mesa de Hockey de Mesa. Novamente, rosa. E jogamos várias partidas, algumas eu ganhei, outras ele, e tiveram empates também. Jules e as meninas estavam brincando com os tobogãs agora e seguiam brincando de pega-pega na piscina de bolinha com algumas outras meninas que fizeram amizade. Oh sim, Julianna conseguia ser o ser humano mais sociável do mundo quando queria.
— Oliver!
Damien marcou o gol quando eu ouvi meu nome ser gritado por Jules.
Escaneei a piscina de bolinha inteira atrás da remelenta e a achei perto de onde o tobogã acabava. Damien e eu fomos até lá ainda do lado de fora do brinquedo e ela veio até as cordas de proteção.
— O que foi?
— Wendy está com medo de descer no tobogã. Todo mundo já desceu, menos ela. — ela explicou e apontou para a torre onde o tobogã começava depois do percurso de obstáculos. Adivinhem que cor era. Revirei os olhos para mim mesmo e foquei no que a remelenta estava dizendo. — Só que aonde ela está, não dá pra descer se não for pelo tobogã.
Eu assenti levemente.
— O que você quer que eu faça?
— Vai buscar ela! — ela exclamou como se fosse óbvio. — Ela é minha melhor amiga fada!
— Jules, esses brinquedos foram desenhados para crianças e não para adultos, se eu for lá dentro, provavelmente vou ficar preso. — eu tentei explicar, mas o lábio inferior dela começou a tremer em resposta e eu odiava isso. — Se eu ficar preso, quem vai ir me salvar?
— O Dame! — ela rebateu com a voz embargada.
Seus olhos já estavam marejando com lágrimas.
— Por que ele não pode ir lá ajudar Wendy? — perguntei e Damien começou a negar com a cabeça ficando vermelho de raiva pelo modo que ficou desconfortável. Eu também ficaria se fosse o único menino em um mar de meninas que não queriam saber de mim, e sim de bonecas. — Se eu ficar preso, chame ajuda.
Julianna assentiu levemente, sua expressão relaxou e ela secou os olhos. Damien também assentiu quando entreguei meu celular para ele. Caminhei até a entrada do percurso e tirei meus sapatos. Expliquei a situação brevemente para a nossa monitora que apenas sorriu e me disse para ter cuidado com a cabeça. Não parecia ser uma situação nova para ela.
Eu, provavelmente, deveria perguntar se alguém já ficou preso lá em cima, mas talvez saber a resposta para essa pergunta fosse bem pior que não saber. Comecei enganchando meus pés e mãos na parede de corda e escalei rapidamente até o topo de uma das torres, andei em uma plataforma com vigas de madeira roliça e depois entrei em outra torre, agora eu teria que descer e aí que ficava complicado. Ao que parecia, tinha plataformas de diferente formas meio que dificultando o caminho e eu era um jogador de futebol de 93kg com 1,92 de altura.
— As coisas que você faz pelos filhos... — suspirei e comecei a descer.
Eu me encolhi diversas vezes, bati o ombro e o pé mais de uma vez e talvez até tenha quebrado uma das plataformas, mas consegui chegar até o final da torra e engatinhei em um túnel da onde eu conseguia ver a piscina de bolinha e Jules acenou para mim assim que me viu. Eu acenei de volta e comecei a escalar mais uma torre e consegui ver onde Wendy estava.
— Oi... Wendy. — eu disse ofegante ao sentar ao lado dela.
— Oi, Tio Oliver. — ela disse balançando as pernas de onde estava sentada.
— O que aconteceu? As meninas estão te esperando para brincar lá embaixo... — disse tentando soar tranquilo e em voz baixa.
Ela deu ombros.
— Jules está preocupada com você, ela até me fez vir atrás de você e eu sou bem grande para ficar aqui dentro, não acha? — eu disse batendo minha cabeça no topo da torre onde estávamos e ela riu levemente assentindo.
— Estou com medo de escorregar. Não pensei que fosse tão alto assim. — ela disse em um sussurro e eu assenti levemente. — Eu quero ir brincar, mas estou com medo.
— Eu também estou com medo de escorregar. — eu disse e ela me olhou cética. — É sério, esses brinquedos foram feitos para crianças e não adultos, se eu escorregar e ficar preso, quem vai me salvar?
Ela pareceu pensativa.
— Não podemos voltar e não podemos escorregar, como iremos sair daqui á tempo para a hora do chá? — perguntei dando de ombros tentando fazer minha melhor expressão de medo e ela franziu o cenho.
— Acho que se você escorregar primeiro e ficar preso, eu posso escorregar atrás e te ajudar. Ou a gente pode ir juntos, talvez você não fique preso se for sozinho, Tio Oliver. — ela ofereceu e eu maneei a cabeça tentando parecer medroso. — Vamos lá, eu te ajudo! Aí nós dois podemos ir brincar com a Julianna.
— Tem certeza? — perguntei e ela assentiu se levantando.
— Você vai segurar minha mão? — perguntei e ela assentiu.
Eu me encaixei na entrada do tobogã e Wendy sentou atrás de mim e segurou firmemente em meus ombros, porque seus bracinhos não alcançava até minhas mãos.
— No três, tudo bem? — perguntei e ela assentiu colando seu rosto em minhas costas. — 1...
E eu nos empurrei tobogã abaixo.
Okay. Eu entendia agora porque ela estava com medo. O negócio ficava transparente em algumas partes do caminho e era realmente muito alto. E ia muito rápido. Até escorregamos nas paredes da coisa algumas vezes até sermos jogados na piscina de bolinhas rosas e roxas. Era sempre bom variar a paleta de cores.
— Wendy! Papai! — Julianna gritou assim que nos viu no meio das bolinhas.
Eu fiquei em pé com facilidade e ajudei Wendy a se levantar também e ela abraçou minhas pernas com tanta força que eu quase caí para trás. Julianna começou a vir em nossa direção.
— Obrigada, Tio Oliver! Eu não estou mais com medo, e você? — perguntou ela e eu sorri e dei um apertãozinho em seus ombros.
— Eu também não, Wendy, mas quero que me faça um favor, pode ser? — perguntei me abaixando no meio das bolinhas e ficando na mesma altura que ela.
— O que?
— Nunca deixe o medo de jogar impedir que você jogue. — eu disse e ela franziu o cenho e assentiu. — Suas amigas sempre estarão aqui para te ajudar e para brincar com você, não precisa ficar com medo e se ficar, tudo bem, mas saiba que não está sozinha, okay?
Ela sorriu e assentiu.
— Ataquem ele!
Não sei quem exatamente gritou isso, mas sei que no minuto seguinte eu estava sendo atacado por bolinhas de plásticos e tive que mergulhar para me defender e puxar o pé de quem estava liderando o ataque.
É claro que tinha que ser a minha filha.
—-
Na Hora do Chá, não tivemos problemas. Até agora.
Fomos para a mesa que tinha o nome de Julianna e estava pronta para nós. Era uma mesa redonda com vários sanduíches, cookies e doces coloridos. Tinha chá rosa e suco de morango acompanhando tudo isso, e de sobremesa iríamos poder comer um bolo da Barbie.
Sentei na cadeirinha ao lado de Damien no fim da mesa, Mick e Leo recusaram o convite de Jules com uma maestria calculada, mas aceitaram os sanduíches que elas os ofereceu e a remelenta ficou satisfeita. As meninas começaram a discutir qual era a princesa mais bonita, a com o príncipe mais bonito, a com o cabelo mais bonito, a com o vestido mais bonito... Acho que dá pra entender, e em conclusão era um empate sólido entre Cinderela e Rapunzel, que curiosamente era o próximo filme da lista de Julianna para assistirmos.
Enquanto comia meu sanduíche de geleia, senti meu celular vibrar. Damien havia me devolvido assim que ganhamos o ataque de bolinhas contra as meninas, e sim, o remelento veio ao meu resgate e nós acabamos com o grupo de Jules. No bom sentido, é claro, e ninguém ficou chateado por isso. Eu me assegurei quando servi de unicórnio para todas as quatro por alguns minutinhos. Ainda estava me recuperando do esforço.
"Felicity, S: Onde você está agora?"
Sorri levemente. Hm. O brunch de alguém acabou cedo ao que me parece.
"Oliver, Q: É a hora do chá, professora"
Anexei uma foto das meninas tomando o chá rosa com os mindinhos todos levantados para ela e decidi provar o chá eu mesmo. O tal chá na verdade deveria ser um tipo de água aromatizada e tingida de rosa com muito açúcar e um rodela de limão ali dentro, ou talvez fosse limonada rosa, eu não tinha ideia. Era doce demais.
Damien e eu dividimos o último cookie de chocolate e brindamos juntos em homenagem a nossa coragem e vitória, e antes que eu pudesse comer a minha metade, meu celular voltou a vibrar no meu bolso.
"Felicity, S: Minha vista é melhor :)"
Embaixo havia uma foto de mim e Damien... Tomando chá e comendo o cookie.
Olhei ao meu redor e encontrei a Professora Smoak parada no final dos poucos degraus que nos separava do grande salão onde havia mais mesas de chás postas com mais crianças. Okay. Era ótimo vê-la, ainda mais em um vestido, mas isso não deixava de levantar perguntas. Como? Por que? Quando? Como?!
— Srta. Smoak! — exclamou Damien vendo ela ali também.
Ele não parecia surpreso. Por que ele não parecia surpreso?
Damien foi até ela e a abraçou levemente.
— Você veio! — ele disse sorrindo.
— Você soou tão sério no telefone, Damien, mas parece que eu não precisei ter vindo. Seu pai não está entalado no tobogã que me falou. — ela disse erguendo uma sobrancelha para ele e merda, foi sexy.
E eu vou para o inferno.
Se bem que, bem, eu já estava em um.
Eu levantei assim que eles se aproximaram. E fiquei entalado na cadeirinha.
— Talvez você estivesse certo no final das contas. — disse ela e Damien assentiu olhando para mim enquanto todos ao nosso redor começaram a gargalhar de mim.
Alcancei o encosto da cadeirinha e a arranquei do meu traseiro e a coloquei no chão novamente. A Professora cumprimentou todas as meninas e aceitou a limonada que Jules serviu para ela e finalmente veio até mim.
— Surpreso?
— Sim. — eu admiti e ela riu.
— Imagine receber uma ligação de um dos seus estudantes no meio de um brunch. — ela disse e bebeu um pouco de sua limonada e torceu o nariz levemente. — Uau, isso aqui tem muito açúcar.
— Fique longe dos doces azuis então. — eu ofereci encostando na parede e ela fez o mesmo.
— Obrigada pelo aviso, mas continuando o cenário: Você está pronta para ir para a segunda mimosa e recebe a ligação de um estudante morrendo de medo e preocupação de que seu pai ficasse entalado dentro de um tobogã. — ela contou com um sorriso leve. Olhei na direção de Damien que estava comendo um sanduíche e conversando com Wendy sobre o que parecia ser os doces da mesa. — É claro que eu não iria perder isso.
Ri levemente e ela também.
— E também vim para te ajudar, ninguém deveria ser deixado com cinco crianças... Aqui. — ela disse fazendo gestos ao redor do balcão e riu novamente. — É claro que eu posso ir embora se você quiser...
— Professora, eu só tenho uma pergunta para você. — eu disse e ela ergueu uma sobrancelha para mim desta vez. Novamente, sexy. — Você sabe alguma coisa sobre tranças?
Ela pareceu confusa por um momento, mas respondeu em seguida.
— Eu sei fazer alguns tipos, mas nada muito louco. Por que?
— Porque está na hora de irmos para a Transformação Mágica. — eu disse e nossa monitora reapareceu dizendo a mesma coisa que eu havia dito.
Felicity pareceu surpresa, mas riu novamente e deu ombros. Julianna a sequestrou durante todo o caminho inteiro até a nova seção que iríamos e eu pude admirar ela sem ser pego. O vestido branco de alças finas que estava usando estava me deixando com água na boca, era curto suficiente para eu ver um pouco de suas coxas e isso era suficiente para eu me afogar na minha própria baba, e mesmo sem os saltos, suas pernas ficavam... Hoje ela estava usando seu cabelo solto e seus óculos, um visual diferente que eu me encontrei gostando muito.
Fomos acomodados em uma mesa novamente com várias cabeças de boneca e vários apetrechos para brincar como escovas, tintas, presilhas coloridas e apliques coloridos também.
— Eu me sinto perdido. Fazer isso na cabeça de Jules é mais fácil. — eu disse penteando o cabelo da boneca e Felicity riu ao meu lado já começando o que parecia ser uma trança na sua boneca. — Normalmente são mães que fazem essa parte, não é?
Felicity riu levemente e eu comecei meu caminho para fazer uma coroa de tranças na minha cabeça de boneca. Ela tinha cabelo suficiente e acho que poderia ser uma boa escolha se eu juntasse algumas mechas coloridas. Ela seria uma boneca punk.
— Não necessariamente, é claro que mães são mais inteligentes, carinhosas, divertidas e a maior parte das vezes melhores em tudo... — ela começou e eu ri alto começando a trançar uma mecha azul e roxa junto com o cabelo da minha boneca. — Mas sendo sincera, muitas pessoas subestimam o poder dos pais.
— Poder dos pais?
Ela assentiu para mim e continuou trançando, assim como eu.
— Pais são ótimos para confortar ou incentivar. Eles nos dão coragem para a gente tentar o que a gente nunca pensou que pudesse fazer. — ela disse e finalizou sua trança francesa com um elástico azul. — O meu pai me ensinou toda a base sobre computadores quando eu era da idade dela...
Olhamos para Julianna que estava dando a sua boneca um tratamento especial e mechas coloridas assim como o resto das meninas. Damien havia cortado metade do cabelo de sua boneca e havia prendido tudo em dois rabinhos tortos e se deu por satisfeito com seu resultado.
— E eu também aprendi tudo que sei de futebol se não fosse por Harry. — ela emendou e sorriu carinhosa arrumando algumas mechas de cabelo sintético em suas mãos.
Eu reconhecia o nome do pai de Adrian, mas nunca o havia conhecido de fato.
— Fico feliz que ele tenha feito isso. Os dois. Se não, não estaria aqui hoje... — eu disse terminando minha coroa de trança e o resultado havia ficado legal e impressionante, até mesmo para mim. Felicity começou a decorar a sua trança com presilhas e flores e eu também, mas nada muito exagerado.
— Até que você se sai bem com os penteados com Julianna. — ela disse e eu ri assentindo enquanto jogava um pouco de gliter no meu penteado. — Eu adorei o donut, foi o meu preferido.
Ri mais um pouco ao lembrar do Dia Maluco da escola. Os alunos poderiam ir sem uniforme e levar o brinquedo favorito deles, e é claro que Julianna queria algo extra para ir para escola. Então eu cortei um buraco em um prato descartável e enfiei um coque bem feito do cabelo de Julianna ali. Foi a primeira vez que nós usamos tinta spray colorida e seu gel de cabelo de bailarina. Ficou um donut rosa perfeito e brilhante.
Depois de apresentarmos nossos penteados, fomos para a aula de pintura. Cada um tinha um cavalete com um desenho da Barbie para pintar com lápis, canetinhas, giz, e até mesmo tinta. É claro que a maioria das crianças iam usar tinta, mas eu me contentei em usar os lápis de cor.
— Qual a sua memória favorita com seu pai? — perguntou Felicity novamente ao meu lado e eu parei de contornar a blusa que eu havia feito no vestido da Barbie por um instante e depois voltei ao trabalho.
— Nós costumávamos fazer caça ao tesouro em casa quando ele tirava folga da empresa. Eu e minha irmã sempre sabíamos onde ele escondia os presentes, mas era divertido, principalmente se fosse no esconderijo dele do labirinto. Isso significava os melhores presentes. — eu contei levemente começando a pintar sem muita pressa.
— Labirinto? Por que não poderia ser em um parque como um pai normal? — ela perguntou revirando os olhos e eu ri.
— Parques são para pessoas sem jardins privados, Professora Smoak. — eu disse com o mesmo tom que ela usou e ela sorriu de lado.
Felicity foi a primeira a terminar seu desenho do nosso grupo, o que fez Polly pedir a ajuda dela para terminar o seu. Eu me apressei levemente e terminei o meu também e guardei ele no bolso porque ficou muito legal ainda mais com meu toque adicional. Ajudei Wendy com o dela e acabamos nos sujamos de tinta, mas pelo menos a Barbie dela era ruiva e tinha uma mecha azul perfeita.
Eu fui ao banheiro e deixei elas com Felicity. Chequei Mick e Leo que estavam bem, mas assim como eu queriam dar o fora dali o quanto antes. Chequei meu celular e respondi uma mensagem de Caitlin me lembrando que Wendy tinha alergias á todos os tipos de pimenta, o que eu achei estranho porque nenhum pai em sã consciência deveria deixar uma criança comer pimenta, até eu sei disso. Eu mandei uma foto de Wendy e Julianna pintando juntas para acalmar os nervos dela e voltei para nossa mesa.
Nos poucos minutos que eu fiquei fora, Damien foi encurralado e as meninas estavam usando ele de muso para pintar? Eu tive que tirar uma foto disso para Thea ver depois, antes de ir salvá-lo. Já estava quase na hora da nossa última atração para encerrar o dia, mas as meninas tinham outros planos. E até envolveram Felicity no meio.
— Okay. Eu veio em nome das Princesas Fadas para propor um acordo. — ela começou e eu ergui uma sobrancelha. — As princesas estariam dispostas á pularem á última atração em troca de um passeio ao Big Belly Burguer. Mas tem ser aquele perto do estádio, porque tem o melhor brinquedo.
Voltei meu olhar para Jules que se fazia de inocente enquanto olhava para as diversas bonecas á venda em uma das lojinhas perto do auditório onde haveria o musical de encerramento do dia.
— Okay. — eu disse cedendo e Felicity virou para as meninas e levantou um polegar positivo que fez elas pularem e gritarem ao mesmo tempo. — Eu vou falar com a nossa monitora e vocês podem ir para o carro.
Damien foi o primeiro a chegar na porta de saída.
—-
Até eu queria uma Big Belly gorduroso com extra tudo para compensar o dia cheio e rosa que tive, mas eu sobrevivi e esse lanche seria a minha recompensa. Nós chegamos no restaurante uma hora depois e Damien nem reclamou de ter que ir sentar em um dos bancos de trás para Felicity ir ao meu lado no caminho. Ele simplesmente enterrou seu nariz de volta em Relíquias da Morte e ignorou todos ao seu redor.
— Eu tive a minha cota de fãs enlouquecidos, mas eu sinceramente acho que precisarei de tampões depois delas... — eu disse massageando minha orelha levemente e Felicity riu. — É assim na escola também?
— Sim. Ás vezes é pior se tem alguma novidade no mundo das princesas. — ela disse sorrindo ao olhar as meninas brincando na área infantil do restaurante.
Todo mundo detonou o sanduíche e foi brincar. O dia estava acabando e já estava começando a anoitecer, mas eu ainda não tinha o coração frio e peludo de tirar elas no meio da brincadeira e não queria me despedir de Felicity ainda.
Eu descobri que por mais atraente que ela fosse, e ela era muito, eu também gostava de sua companhia. Ela tinha um humor duvidoso, fazia comentários sarcásticos e piadas horríveis, principalmente as de futebol, mas ela era inteligente sem ser arrogante e algumas vezes soltava algumas frases com duplo sentido sem ao menos notar.
— Vamos lá, Oliver, apenas admita! Você cometeu aquela falta para Allen poder chutar! — ela argumentou jogando uma batata frita em mim e eu apenas ri.
— Eu não estou confirmando, mas não estou negando, okay? — eu disse e ela revirou os olhos.
— Você sabia que ele iria conseguir e iria marcar de algum jeito. — ela continuou e eu dei ombros.
É claro que eu sabia, e se uma falta era o que eu precisava fazer para Barry poder chutar e marcar o seu primeiro touchdown no campeonato, por que não? A glória tinha que ser divida ás vezes.
— Você vai levar as meninas para casa? — perguntou ela e eu assenti.
— Quer uma carona? — perguntei e ela assentiu corando levemente.
Nós chamamos as meninas e juntamos nosso lixo.
A primeira a ser entregue foi Eve e eu a levei até a porta de casa junto com a boneca que havia comprado para ela na saída. Comprei para o grupo inteiro e as bonecas pareciam com suas recém respectivas donas. Ela me agradeceu com um abraço rápido e depois correu para os braços do pai que estava esperando ela do outro lado. Polly teve o mesmo tratamento e desta vez eu consegui ver que Ray era realmente um fã, porque pediu um autógrafo em uma bola de futebol que já tinha a assinatura de Adrian em um dos lados. Eu assinei e dei boa noite antes que ele pedisse para eu assinar mais coisas. O cara era meio sinistro.
Deixei Wendy por último porque ela era a melhor amiguinha de Julianna.
Caitlin já estava esperando do lado de fora do prédio em que elas moravam e depois de entregar a boneca para ela, ela me abraçou e me agradeceu pelo passeio. Nós atravessamos a rua rapidamente e Wendy abraçou a mãe como se não a visse há dias.
— Obrigada, Oliver.
— Obrigada você, minha filha teve um dos melhores dias da vida dela. E Wendy teve um grande papel nisso. — eu disse e Wendy sorriu orgulhosa. — E você, baixinha, lembre-se do que eu te disse, okay?
Ela assentiu.
— Nunca deixe o medo de jogar impedir que você jogue. — ela repetiu e eu assenti.
— É isso aí. — concordei e batemos nossos punhos juntos.
Caitlin riu de nossa interação e nos despedimos.
Quando voltei para o carro, Felicity estava ajeitando Damien tanto quanto conseguia estando no banco da frente e ele no de trás. Os remelentos haviam apagado em questão de segundos. Ajeitei o pescoço de Julianna e chequei seu cinto, assim como Damien.
Felicity me observou o tempo inteiro e assim que eu voltei para atrás do volante, ela me direcionou até a sua casa que não era longe da escola. Ela poderia ir e voltar andando todos os dias se quisesse. Estacionei no meio-fio e saí do carro para abrir a porta para ela.
— Obrigada. — ela agradeceu e eu fechei sua porta.
Seu prédio era pequeno, mas tinha charme. Assim como praticamente todos os lugares naquela vizinhança tinha tijolos aparentes e todos os apartamento pareciam ter varandas espaçosas.
— É aqui que eu fico... Não tem nenhuma boneca para mim? — ela perguntou assim que chegamos em sua porta.
— Não, mas... — eu disse e tirei o desenho que havia pintado do bolso de trás da calça e entreguei para ela.
A Barbie original estava usando vestido e estava indo para o shopping no conceito original, mas eu fiz ela usar uma blusa rosa com uma saia preta, e seu destino mudou, ela estava indo para escola agora. Com o bônus de lábios vermelhos e um par de óculos que, modéstia á parte, haviam ficado muito bons apesar de não fazer parte do desenho original. E eu tive o prazer de ver a surpresa no rosto de Felicity assim que se reconheceu ali.
— Quem diria que Julianna puxou seu talento artístico do pai?
— Hey! Eu tenho meus segredos. — reclamei levemente insultado e ela riu.
— Você se torna mais interessante á cada vez que nos encontramos, Sr. Queen . — ela disse dobrando o desenho e colocando dentro de sua bolsinha.
— Por que? Só por que sei desenhar? — perguntei curioso e coloquei as mãos dentro dos bolsos dos jeans.
— Eu admito que havia feito um julgamento de você desde o primeiro dia de aula, e iria te condenar usando ele, mas a cada vez que eu te encontro eu descubro um outro lado de você. Tanto como pai quanto pessoa. — ela disse dando ombros, mas algo em seus olhos me deixou ansioso. — Você é como um quebra-cabeça que eu ainda não consegui terminar.
Eu sorri.
— Eu nunca fui chamado disso, é legal. — eu admiti e ela sorriu também. — Então, você me acha misterioso? Eu, o jogador de futebol playboy que nunca sai das capas de revistas?
Ela assentiu e mordeu o lábio inferior.
— Eu odeio mistérios, eles precisam ser resolvidos. — ela afirmou. — E é por isso que sexta-feira á noite nós iremos tomar aquele drink. Eu sei que você não vai ter treino, eu estou de folga e você consegue arrumar alguém para ficar com as crian...
— Sim. — eu cortei ela. — Combinado, professora.
— É Felicity. — ela corrigiu pegando suas chaves.
— Não, você cora um pouco toda vez que eu te chamo assim. — eu disse e ela corou ainda mais do que o normal e eu ri baixinho. — Até sexta-feira então, professora.
Me inclinei e deixei um beijo meu no canto de sua boca.
Senti sua respiração acelerar bem levemente, e fui atingido por um onda de seu perfume floral. Murmurei um boa noite antes de voltar para o carro. Quem diria que um dia inteiro no inferno iria resultar em alguns minutos no paraíso? Liguei o motor da mini-van sorrindo feito um louco e começando a planejar tudo que eu queria fazer com Felicity sexta-feira á noite.
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