Notas iniciais
Ciao! Continuando com mais uma maratona de atualizações por aqui! Obrigada a todos que comentaram e que estão acompanhando a fic ainda! Vocês são maravilhosas! A estrelinha de hoje é a Tris26 que recomendou a história, você foi perfeita com suas palavras, meninaaaa! Adoro você e obrigada pela lealdade! Este capítulo é todinho seu! ♥ Boa Leitura!

— Ollie, por favor! Você sabe que eu preciso de toda visibilidade que eu conseguir para essa filial! — resmungou Thea do outro lado da linha.

Eu suspirei.

— Thea, você mesma disse que eu não iria poder frequentar baladas depois que as crianças viessem a tona! Chame os outros caras do time! — eu disse em direção ao meu celular, enquanto fechava a lancheira de Damien com um sanduíche natural, um tablete de chocolate como sobremesa e um suco de maçã de caixinha.

O chocolate era 80% cacau, então estava liberado.

— Eu sei! Eu sei, mas até pais solteiros conseguem sair para se divertir ás vezes! — retrucou minha irmã do outro lado da linha. — Eu só preciso que você venha, faça os paparazzis te verem e tome um shot de tequila comigo... Por favor?

Eu conseguia ouvir na voz de Thea que ela estava fazendo beicinho mesmo inconsciente disso. Era sua arma secreta contra nossos pais, bem funcionava mais com o nosso pai, ela sempre tinha um "Sim" com ele. Já mamãe estacionava em um "Talvez". Nunca funcionou comigo no entanto.

— Desculpe, Speedy. Não vai rolar desta vez. — eu disse observando os gêmeos fazerem o dever de casa, desta vez, na mesa de centro da sala de estar com Archer dormindo perto deles. — Não posso me dar o luxo de má publicidade agora. Eu prometo fazer a festa da vitória do Superbowl aí para te compensar.

— Você não sabe se vai para as quartas de final ainda... — alfinetou ela em resposta, mas eu sabia que já estava ganhando.

— E é assim que você mostra o quanto acredita no seu irmão? — perguntei ao terminar o lanche de Julianna e guardar em sua lancheira com um tablete de chocolate.

Limpei minha bagunça enquanto Thea ponderava. Peguei os ingredientes para o jantar e liguei no canal de esportes que estava falando sobre as classificações. O meu time estava em segundo lugar, logo abaixo estava Carson e logo em cima TomB. O próximo jogo seriam em três dias na Flórida. A primeira viagem que eu levaria os remelentos. Coincidência ou uma benção de Deus, o que for... Tudo caía no feriado que iria emendar no final de semana.

Rocketes VS Sharks.

Duas torcidas grandes, e o primeiro jogo fora de casa.

— Okay, eu aceito, mas eu quero o time completo e Slade também! — disse Thea antes de desligar na minha cara.

Mulheres... Sempre querem ter a última palavra em tudo.

— Oliver... Eu já sei o que eu quero de presente! — exclamou Julianna parando na frente do balcão respeitando os limites desta vez.

A cozinha era área proibida para os dois agora.

— O que vai ser? — perguntei amaçando e cortando dois dentes de alho para fazer o frango que seria nosso jantar hoje.

— Eu quero que você me leve para o Mundo da Mattel com a Eve, Polly e a Wendy! Minhas amigas de escola! — ela exclamou abrindo os braços como se fosse algo enorme e fascinante.

— Você quer ir aonde? — perguntei apoiando a faca na tábua de cortar com as sobrancelhas franzidas. — Mundo de que?

— O Mundo da Mattel! — exclamou abrindo os braços novamente.

— O Mundo da Barbie. — corrigiu Damien ao vir me trazer os copos sujos que eles usaram para tomar um smoothie que eu havia feito mais cedo. — É lá que ela quer ir.

Eu assenti levemente em dúvida se devia entrar em pânico agora ou deixar para depois. Uma viagem ao mundo da Barbie com quatro garotinhas o dia inteiro? Santo inferno. O jantar estava atrasado, então teria que ser depois.

— Vamos ver com a Tia Thea se ela pode ir com vocês e depois com os pais das suas amigas... — eu disse querendo adiar o máximo possível. Julianna assentiu satisfeita e foi brincar com sua boneca. Eu me virei para Damien que estava tomando água dentro dos limites que lhe eram permitidos. — Se eu for, você vai comigo?

— Por que a gente tem que sofrer sozinho? — perguntou e resmungou ao mesmo tempo.

A ideia também não o agradava nenhum pouco.

— Lá não tem...? Sei lá, uma versão para meninos? — perguntei tentando me lembrar de outros brinquedos da Mattel que não fossem a própria Barbie, mas sem sucesso nenhum.

— Não sei... — Damien deu de ombros em dúvida agora. — Mas se tiver á gente pode chamar o Tony?

Assenti levemente. Se Adrian viesse também, estaríamos empatados em número e talvez assim eu me sentiria menos emasculado do que agora. Isso estava começando a parecer patético, mas eu não me importava mais.

— Posso levar o Archer para passear hoje? — perguntou Damien do nada, enquanto eu cortava o resto dos legumes para acompanhar o frango.

Uma saída á noite? Hm. Eles passavam a maior parte do dia na escola, e a noite só em casa... Eles não conheciam quase nada da cidade ainda, apenas a merda do Big Belly Burguer. Os paparazzis pararam de nos seguir assim que a última festa de Evelyn Sharp, uma socialite local, acabou em prisão de quatro amigos dela.

— Sim, a gente aproveita e dá um passeio noturno. — eu disse e ele assentiu, pegou seu livro e foi para o sofá ler.

Poderia até ser uma boa ideia.

—--

O passeio noturno foi uma péssima ideia.

Archer conseguiu se soltar da coleira que estava com Damien, o que me fez correr atrás dele até ele cansar e ficar ofegante, levou uns seis minutos de puros dribles e pequenas corridas entre arbustos e árvores para colocar ele de volta na coleira.

Julianna caiu de um dos brinquedos do Stanley Park e ganhou o belo de um galo na cabeça, o que me fez ver ela chorar pela primeira vez, e eu não gostei. Seu rosto ficou vermelho e inchado de tanto chorar. Eu comprei um sorvete e coloquei em seu galo que diminuiu bastante, mas ainda estava lá. Eles tomaram o sorvete depois e voltamos para casa, onde eles desmaiaram na cama assim que chegamos. Sem jantar.

Como ainda estava sem sono, eu fui me exercitar um pouco.

Fiz alguns exercícios funcionais na academia e depois tomei um segundo banho para tirar o suor. Meus músculos já pediam arrego e eu me finalmente me declarei cansado, mas mesmo assim sem sono algum.

Passeei pelo apartamento quando fui jogar a toalha molhada na secadora. Era bem grande. Grande até demais para uma pessoa e um cachorro. Lembro que quando eu havia comprado ele logo após de ganhar o primeiro campeonato da NFL e adotar Archer, eu queria de tudo um pouco dentro de casa, e é claro o melhor que o luxo poderia me oferecer.

Por isso eu tinha uma cozinha profissional, uma lavanderia equipada, uma sala de estar mais do que confortável com quatro televisores, a sala de troféus, a sala de cinema, o escritório, a academia, o closet enorme á parte do closet do quarto, o meu quarto, o banheiro que era meu mini-spa quando eu queria, até mesmo o lavabo era ostentoso demais. E eu não precisava mencionar o lado de fora com a piscina, área gourmet, hidro e a sauna.

Passeando pelas portas eu me deparei com essa realidade. Nada ali mostrava que era de fato uma casa. Parecia algo montado. Até mesmo a casinha de Archer parecia ser demais. O que eu queria mostrar com tudo isso? Que eu tinha dinheiro e conforto demais? Ninguém precisa entrar na minha casa para ver isso.

E agora com os remelentos... Não queria essa realidade superficial para eles, eu queria algo melhor do que eu tive. Sentei no sofá e comecei a pesquisar ideias para fazer algum tipo de dormitório para eles, mas acabei caindo no mercado imobiliário e me frustrei mais ainda.

Não havia casas no centro de Starling, apenas apartamentos e nenhum tinha o tipo de espaço que eu queria para eles e Archer. Por mais que eu tentasse remodelar o apartamento inteiro, ainda sim não seria uma casa. Seria apenas uma versão alternativa na vida que eu vivia antes de descobrir que era pai.

Suspirei.

Adrian estava certo.

Eu sou um pai chato.

—--

— Você já pegou alguma mãe gostosa?

Me virei para Tommy que estava ao meu lado no carro mascando ruidosamente um chiclete. Ergui uma sobrancelha e ele deu ombros. Ele havia me trazido os novos documentos dos remelentos e alguns contratos de publicidade que poderiam dar uma guinada na minha imagem e até tinha insistido em vir junto quando eu disse que iria falar com as mães das amiguinhas de Julianna sobre o passeio hoje. Nossas intenções eram bem diferenciadas, claramente.

— Não. — respondi quando notei que ele ainda me encarava.

— Cara, você esqueceu como que faz? Eu posso te arrumar uma gata em dois tempos... — ele disse e eu apenas saí do carro e deixei ele falando sozinho, mas a matraca também saiu. — Só estou dizendo que você não se diverte desde o ano novo, já estamos no Dia dos Namorados, Ollie.

— E daí? — perguntei bocejando levemente. O feriado mais capitalista ainda iria demorar alguns dias para chegar, tínhamos acabado de entrar em Fevereiro.

— E daí que sua última transa foi com Makenna Hall e nós dois sabemos que você pode fazer um pouquinho melhor que isso... — ele disse me acompanhando até a minha árvore favorita da fachada da escola.

Revirei os olhos, mas Tommy tinha razão.

Desde a chegada dos remelentos e o início do campeonato, eu não tinha parado para relaxar. Só estava resolvendo pendências, treinando, jogando, arrumando lancheiras, treinando mais... Sem tempo algum para um dia só meu e isso nem era sobre sexo casual, por mais que eu sentisse falta também, era apenas mais um ficha que caía como uma bigorna em cima de mim.

Suspirei baixinho. Eu tinha que parar de assistir desenhos com Julianna.

É assim que as mães solteiras se sentem?

O sinal da escola soou e eu esperei pacientemente, enquanto Tommy digitava algo em seu celular furiosamente. Damien foi o primeiro aparecer, mas sem sua irmã o que me deixou já em alerta e comecei a escanear todas as crianças atrás de Julianna.

— Onde está a sua irmã? — perguntei pegando a mochila de seus ombros. Ele tirou seu blazer e afrouxou a gravata. Colocou seu boné do Rocketes que estava no banco de trás do carro e virou a aba para trás como sempre.

— Está vindo com as amigas dela. — disse ele apontando para trás e revirando os olhos. — Elas são muito barulhentas juntas.

Julianna apareceu com suas amiguinhas e elas estavam rindo. Bem alto.

E logo atrás estavam os pais.

— Oliver! Essas são minhas amigas... Eve. — Julianna disse vindo me abraçar pelas pernas como sempre e depois apontou para uma das garotinhas que era negra e tinha o cabelo todo cacheado com as pontas pintadas de roxo, seu sorriso era enorme.

— Prazer, Eve. — disse acenando de longe sem saber exatamente o que fazer.

— Essa é Wendy e a Polly! — exclamou Julianna apontando para as outras duas meninas que estavam ali sorrindo.

Uma parecia uma personificação da própria Anabelle, mas sem a parte demoníaca. Eu acho. Cabelos castanhos presos em duas tranças e sardas por todo o rosto. E a outra era loira com um sorriso banguela. Todas estavam usando o uniforme completo e sorriam para mim.

— E aí meninas...

Elas riram entre si e logo seus pais apareceram. Dois casais e uma mulher sozinha. Não foi fácil adivinhar quem era o pai de quem ali. Eve era a cara da pai, e Wendy tinha o mesmo nariz que o da mãe. Polly era uma mistura dos pais. Julianna deu sua bolsa para Tommy depois de cumprimentá-lo com um abraço.

Damien já estava dentro do carro, lendo.

Eles se apresentaram e descobri que Eve era filha de Jessy e Wesley, ou Wally como ele preferia. Wendy era filha de Caitlin, e Polly era filha de Ray e Ana. Eu nem precisei dizer nada, Julianna já tomou a frente de tudo com muito floreio.

— Esse é o meu pai, Oliver. — ela apresentou pegando minha mão. — E nós dois queremos fazer um convite para vocês... Fala, Oliver.

— Oh, eu posso? — perguntei rindo e as meninas riram também.

Tirei os óculos de Sol e vi reconhecimento brilhar nos olhos de Ray e Wally, mas ele disfarçaram bem. Julianna se apossou de meus óculos e os vestiu. Era grande demais para o seu rosto, mas ela tinha ficado terrivelmente fofa com eles.

— Eu prometi um presente para Julianna, e ela escolheu um passeio com vocês, meninas. — eu disse e as meninas arregalaram os olhos e gritaram. Bem alto.

— Para onde? — perguntou Jessy rindo da reação das meninas.

— O Mundo da Mattel! — respondeu Julianna abrindo bem os braços com floreio.

As meninas gritaram de novo. O rosto de todos os adultos estavam confusos e eu me senti reconfortado por não saber de primeira também o que Julianna quis dizer.

— O Mundo da Barbie. — eu sibilei e todos assentiram, enquanto as meninas começaram a girar em ciranda cantando uma música desconhecida para mim.

Olhei para Damien que continuava lendo e depois para Tommy que observava tudo com os braços cruzados e um dos punhos em cima da boca, como se controlasse o riso que queria sair. Revirei os olhos e me voltei para os pais.

— Mas você não é famoso? — perguntou Ana parecendo levemente receosa.

— Mais ou menos... O que eu e Julianna estávamos planejando era um dia inteiro no Mundo da Barbie. Eu irei acompanhar elas junto com mais dois seguranças meus e meu outro filho vai também... — acenei para Damien que me olhava com raiva por cima da capa do livro. — Claramente, ele não é o maior fã da ideia, mas iremos fazer isso por Jules.

— Eu fico mais tranquila sabendo que você vai também, mas as meninas... — disse Caitlin olhando para as quatro que estavam brincando mais ao lado. — Elas conseguem ser bem agitadas.

— Com licença, é aí que eu entro com a segunda parte do plano. — disse Tommy dando um passo para frente. — Eu sou Thomas, o melhor tio do mundo de acordo com Julianna.

Ela sorriu levemente em resposta e esse era o único incentivo que Tommy precisava. Suspirei levemente baixinho vendo onde isso iria dar.

— Queremos fazer um teste drive. Uma tarde com as quatro para ver se damos conta do tranco, mas vocês são bem-vindos também para nos juntar no passeio também! — ele explicou e eu ainda não conseguia parar de me impressionar o quão rápido ele era em traçar esses planos do nada. Por mais que fosse inteiramente para ele cair nas boas graças desta mãe gostosa, era uma ótima ideia também.

Caitlin assentiu levemente olhando para Tommy que estava derramando seu charme inteiro em cima dela. Ela era uma mulher bonita. Cabelo castanho ondulado, corpo atlético marcado por um uniforme branco e seu rosto era bem bonito e harmônico. Ela tinha um ar materno ao seu redor. E Tommy estava babando por ela.

— Nós iremos viajar esse final de semana, mas na próxima semana... Quando vocês estivem disponíveis, é só marcar. — eu disse dando de ombros levemente e Cailtin assentiu assim como os outros.

— Esse é o número particular de Oliver e o meu está embaixo caso vocês queiram marcar e falar conosco. — disse Tommy entregando á Caitlin um de meus cartões.

Sutil, Merlyn.

Logo ele entregou para os outros pais.

Nos despedimos e eu guardei as mochilas no porta-malas, enquanto Tommy afivelava o cinto de Julianna no assento traseiro. Acenei para Mick e Leo que deram partida no SUV que usavam e eu corri levemente até a minha porta.

Tinha que pagar algumas horas de musculação ainda antes do jogo e conversar com Slade e Tommy sobre os arranjos para viagem até National City, Flórida, para o jogo contra os Sharks. Eu queria dar um pulo em Orlando e visitar alguns parques com os remelentos. Ainda sentia que eu os prendia muito dentro de casa, e eles meio que mereciam uma folguinha.

— O papai da Wendy morreu quando ela era bebezinha, ela nem lembra dele direito... E a mamãe dela trabalha na escola como enfermeira, ela cuida dos dodóis dos outros alunos. — Julianna tagarelava com Tommy e eu percebi que eles estavam falando de Caitlin. Meu amigo parecia estar absorvendo todas as palavras que saíam da boca da remelenta 2. — A mãe dela adora flores, por isso é uma fada das flores. A Wendy é uma fada da água! Eu nunca tive uma amiga fada com uma mamãe fada!

Eu sorri do entusiasmo de Julianna e peguei um pouco de trânsito ao sair da avenida da escola. Muitos ônibus escolares. Voltei minha atenção para o banco de trás e percebi que Damien já estava acabando o livro. Ele lia rápido demais para um garotinho de seis anos. Eu nem sabia ler aos seis anos ainda, eu acho.

— E você é fada do que? — perguntei virando meu boné para trás. A aba já havia começado a me incomodar. — Das flores também?

— Não! Eu sou a fada do Sol, mas minha especialidade é fazer arco-íris. — disse ela colocando a mão no peito como se fosse uma especialista no assunto e eu ri com Tommy. — E o Dame é uma fada artesã. Elas gostam de ler bastante, construir coisas e ajudar as outras fadas.

Me virei para Damien que parecia estar concentrado demais em sua leitura agora, suas bochechas estavam vermelhas e eu ri. Tommy gargalhou ao meu lado ao ponto de chorar.

— Isso me lembra que seu pai e sua tia brincavam de algo parecido... — ele disse entre fôlegos. — Ela era uma princesa guerreira.

— E você, Oliver?

Fiquei quieto e Tommy riu de novo.

— Quando princesas guerreiras lutam guerras, elas precisam de armaduras e espadas... O seu pai era o cavalo. Ou o dragão ás vezes, dependia do humor de Thea. — contou Tommy e os dois explodiram em risadas no banco de trás.

Buzinei duas vezes para o ônibus na minha frente que parecia ter encalhado. As risadas continuavam e eu sorri levemente ao lembrar das brincadeiras que tinha com Thea quando éramos menores. Sim, eu era o cavalo. Ás vezes o touro. Ás vezes o dragão. O ponto era, ela gostava de subir em minhas costas e me fazer correr pela Mansão quando nossos pais saíam para bailes beneficentes ou viagens. Raisa costumava ser nossa babá e adorava entrar nas brincadeiras com a gente.

O ônibus finalmente andou alguns metros e parou novamente no farol vermelho.

Respirei fundo, empurrando a vontade de xingar o motorista por me fazer chegar atrasado no treino de lado. Eu tinha começado a acumular multas demais na conta e não queria ouvir Slade reclamando na minha orelha. Avancei o pouco espaço que o ônibus havia andado e olhei ao meu redor procurando distrações. Tommy já tinha trocado o assunto com os remelentos, então não quis atrapalhá-los.

Chequei meu celular pela primeira vez em anos e fui bombardeado por notificações de aplicativos diferentes. Fui no ícone de mensagens e vi que mamãe havia mandado uma.

"Moira, Q: Irei pousar em Starling domingo de manhã, assim que chegar da Flórida venha para casa jantar comigo e Walter. Quero conhecer as crianças, sua irmã irá trazer Roy também. Isso não é um pedido."

Direta como sempre, mamãe.

Respondi com um simples "Okay" e bloqueei a tela assim que o ônibus voltou a andar na minha frente. Na primeira brecha que tive para ultrapassá-lo, eu cantei pneu e isso fez o carro sacolejar um pouco, mas nada de preocupante.

Chegamos quatro minutos atrasados no complexo. Slade não falou nada.

—--

— Lá onde a gente vai, é o lugar que tem os peixinhos coloridos e as baleias? — perguntou Julianna assim que entramos no aeroporto. Eu estava empurrando meu carrinho com as malas e ela estava em cima de uma delas.

— Sim, na verdade... — disse Thea caminhando ao meu lado segurando a mochila esportiva de Julianna junto com a sua própria. — A gente pode dar uma passada no Sea World, não acha Ollie?

Assenti levemente querendo parecer distraído. Amanhã seria o jogo e depois mais três dias nos parques de Orlando. Cada dia um parque diferente. Disney. Mundo do Harry Potter. Sea World. Nenhum deles sabiam disso ainda, apenas Tommy e Adrian que havia trazido Anthony junto. Ainda era quarta-feira, nós só voltaríamos domingo. Eles teriam um passeio divertido.

O time sempre viajava com o avião dos Rocketes, mas como estava com as crianças eu decidi usufruir de um dos bens da Queen Consolidated que era o jato particular. Iríamos eu, os remelentos, Tommy, Thea, Roy, Adrian, Anthony e Dig. A pequena Charlie ainda não tinha permissão de viajar e Andrew estava meio gripado, ou seja, Lyla ficou de fora desta vez.

— Vem garoto. — eu disse chamando Damien que estava sonolento ainda.

O nosso voo era de madrugada, mas já tinha passado da hora de dormir. Eu nem sabia como que os dois ainda não desmaiaram depois do dia na escola e de tanto brincar com Anthony no centro de treinamento. Julianna estava falante, Damien se arrastava e Tony já tinha capotado no colo de Adrian que caminhava perto de nós.

Fiz um gesto para Thea que assumiu o controle do carrinho com Julianna e eu me virei para Damien, e o peguei no colo. Tenho certeza que se ele não estivesse tão cansado, teria reclamado e feito cara feia, mas não era o caso de hoje. Ele apenas me abraçou e deitou a cabeça no meu ombro. Em menos de um minuto, ele já estava dormindo.

Coloquei a bolsa dele aos pés de Julianna que havia começado a coçar os olhos e logo ela foi para o colo de Tommy assim que entramos na área VIP para esperar o jato terminar de passar pelos protocolos de segurança do aeroporto. Dois comissários de bordo levaram nossas bagagens e os malões com os equipamentos para a revista e Thea levou os passaportes de todos até o guichê da área VIP.

— Eu acho que estou começando a sentir aquela dor tardia que Slade mencionou mais cedo...

Olhei para Roy que estava massageando o ombro na minha frente e Dig riu ao seu lado mesmo estando recostado na poltrona de braços cruzados e com o boné na maior parte do rosto. Adrian concordou e ajeitou Anthony em seu colo com uma expressão de desconforto. Eu sorri levemente ao sentir meus ombros rígidos pelo esforço extra de hoje, já que não treinaríamos amanhã. Tommy e Julianna já estavam cochilando ao meu lado.

Peguei meu celular e vi que Rory, graças á Deus tinha voltado de sua licença, já tinha levado Archer para passear e até mandou uma foto do cachorro dormindo em sua caminha na lavanderia. Respondi agradecendo e mirei a câmera para mim mesmo com apenas o cabelo de Damien em evidência.

"Avisos da Paternidade. N°1: Você vira uma cama e travesseiro quando preciso."

Postei a foto e bocejei alto. Speedy voltou com todos os passaportes checados, se sentou ao lado de Roy e sorriu preguiçosa para mim. Discretamente, tirei uma foto de Roy e Thea e mandei para mamãe que parecia estar mais curiosa sobre Roy do que sobre meus filhos. Eu tinha que amaciar ela até domingo e mandar essas fotos como seu espião era um dos jeitos de fazer isso, mesmo se ela não respondesse.

— Sr. Queen, estamos prontos. — disse uma das comissárias de bordo colocando a mão em meu ombros levemente.

Eu assenti e agradeci baixinho, me levantei com Damien no colo e chutei a canela de Tommy que acordou e trouxe Julianna. O vento estava forte no pátio perto da pista de decolagem, e assim que entramos dentro do avião, eu levei Damien sendo seguido por Tommy e Adrian até o único quarto. Os três couberam na cama bem espaçosamente.

Escolhi a primeira poltrona que vi e desabei.

Assim que decolamos, eu abri o cinto e abaixei meu encosto. Me cobri com uma manta e coloquei meu boné na cara para tampar a luz já que Roy, Thea e Dig inventaram de jogar pôquer para matar o tempo ao invés de dormir.

Eu estava morto e merecia pelo menos umas 4 horinhas de sono até o pouso.

—--

O aeroporto estava um verdadeiro inferno. Coberto de paparazzis o que nos atrasou bastante e deixou todos de mau-humor. Thea principalmente. Assim que as vans chegaram dentro do estacionamento do aeroporto, foi uma força tarefa completa.

Mick e Leo junto com Brad e Chris, outros dois seguranças que Tommy havia contratado quando viu que nosso grupo seria grande desta vez, eles barraram todas as câmeras, deixando o caminho livre para as crianças. Os flashes explodiam ao nosso redor e isso fez Thea ficar ainda mais mau-humorada.

Assim que chegamos no Plaza, cada um foi para seu quarto na suíte compartilhada dando boa noite. Tommy tomou três cafés seguidos e acampou em um dos sofás com seu notebook no colo dizendo ter trabalho, eu deixei a cama para os remelentos e acampei no outro sofá ao lado dele e liguei a televisão de plasma.

Eram quase 4 da manhã, não tinha nada de interessante passando na programação além de jornais e reprises de programas de talk-shows. Coloquei na ESPN News e bocejei me enrolando mais no cobertor do hotel. Tommy digitava e murmurava consigo mesmo de tempos em tempos.

— Cara, o que você acha de ser a capa de aniversário da Men's Health? — perguntou depois de um tempo. — Eles querem uma capa com você desde o ano passado e essa edição vai ser especial de aniversário.

— O que você acha como meu agente? — perguntei de volta vendo uma matéria sobre a nossa primeira vitória e nossa posição na tabela.

Estávamos em terceiro agora, bem abaixo dos Eagles e dos Giants. Os Sharks estavam abaixo de nós e logo em seguida estavam os Patriots. Esses últimos empataram no primeiro jogo.

— Acho que pode ser uma boa. Nós podemos fazer uma versão mais simples de você, introduzir as crianças e até mesmo Roy e Speedy.... Oh! Eu tive uma ideia, espere aí! — divagou ele e depois começou a digitar rapidamente.

Revirei os olhos já acostumado com isso. Tommy Merlyn estava com muita cafeína no sangue o que fazia ele pensar rápido demais. Ter perguntas e respostas ao mesmo tempo e depois de um tempo, eu apenas repetia as perguntas que ele me fazia e ele já achava a resposta e solucionava o problema da vez. Melhores amigos fazem assim. Senti um cutucão em meu ombro e olhei para o lado.

Julianna estava ali com o rosto amassado de sono e coçando o olho.

— O que foi? Fez xixi na cama? — perguntei baixinho e ela continuou coçando os olhos e balançou a cabeça. — Teve um sonho ruim?

Mais um aceno e uma cara de pré-choro. A mesma cara que ela fez quando percebeu que havia caído no parque. Me desembolei das cobertas e levantei. Ela se apossou de minha mão e nós voltamos para o quarto juntos. Estralei minhas costas e todas as juntas possíveis.

— Não pode estralar o corpo... — disse Damien assim que nós entramos no quarto. Ele parecia ter acordado agora também, seu cabelo parecia ser o foco de toda energia estática possível. — Mamãe dizia que faz mal para os ossos.

Sorri levemente e Julianna voltou a se deitar na cama.

Eu sentei no pé e encarei os dois com cara de sono e ergui uma sobrancelha.

— O que aconteceu por aqui? — perguntei.

Bocejei. Damien também.

Remelento 1 olhou para remelenta 2, mas ela apenas puxou as cobertas até sua cabeça e balançou a mesma de novo. Me voltei para Damien que soltou um suspiro.

— Ela sonhou com a mamãe de novo. — sussurrou super baixinho.

Me virei para pequena lombada no colchão que era o corpo de Julianna e meu peito se apertou levemente. Eles eram pequenos, bem pequenos, e não deveriam entender muito bem o que havia acontecido com Sara, mas eu não tinha ideia do que fazer aqui.

Essa parte emocional... Eu não sabia lidar.

— O que você quer que eu faça, Jules? — perguntei cutucando sua perna de leve.

— Conta uma história? — perguntou com a voz abafada.

Ela estava chorando.

— Mas você é a contadora de histórias da família, não tem ninguém melhor. — eu disse sorrindo.

— Não. — ela resmungou de volta e soluçou.

Chutei os sapatos para o lado e tirei o boné, deixando os dois ao pé da cama.

— Abre espaço, Dame. — eu pedi engatinhando até a cabeceira da cama.

Fui para debaixo das cobertas, e Damien seguiu a minha deixa. Julianna veio para perto e deitou sua cabeça em meu peito em um abraço esquisito. Ela ainda soluçava baixinho. Damien apoiou sua cabeça em meu ombro e eu respirei fundo.

— Lembra que o Titio Tommy disse que eu brincava bastante com a Titia Thea quando éramos pequenos? — perguntei e Damien assentiu. — Eu vou contar da vez que eu fui o dragão.

Eu lembrava muito bem deste dia em especial. Foi o dia em que meu avô morreu com a minha avó em um acidente de carro. Thea não sabia ainda, mas Tommy e eu sim. Acho que também éramos pequenos demais, doze ou treze anos ainda, para saber e processar o que realmente havia acontecido, mas naquele dia eu queria que minha irmã sorrisse.

Então aceitei acampar na sala de estar com ela usando todos os lençóis da casa, e brincar do que ela quisesse mesmo que Raisa me deixasse de castigo depois, o que nunca aconteceu. Tommy se juntou á nós também.

Na história de Thea, ela era uma princesa que tinha uma torre bem alta protegida por um dragão, no caso eu. A princesa tinha que ficar na torre até ser velha o suficiente para sair com as outras princesas ou até seu príncipe vir resgatá-la. O príncipe nunca veio, então quando a princesa ficou velha, ela colocou uma armadura e foi dar um passeio no condado com o dragão que era seu animal de estimação e conheceu o melhor ferreiro de lá, no caso o ferreiro era Tommy.

Minhas costas ainda doíam de tantas voltas que eu havia dado na sala de estar e entre as escadas com Thea. Tudo naquele dia foi bom para ela, porque eu não queria que ela chorasse e ficasse triste. Alguns dias depois disso, mamãe contou á ela e ele ficou trancada no quarto por dias.

— E quando a princesa ficou sabendo que tinham outras princesas trancadas em torres bem altas com outros monstros de estimação, ela decidiu que iria libertar todas elas para poderem brincar juntas. E ela conseguiu, mas não sem a ajuda do dragão e do ferreiro. — eu disse terminando de contar a história.

Olhei para o lado. Damien já havia dormido de novo. Olhei para o outro. Julianna parou de chorar. Recostei minha cabeça no travesseiro fofinho e fechei os olhos.

— Oliver?

— Sim?

Julianna ergueu a cabeça e eu vi seus olhos azuis brilhantes levemente vermelhos assim como seu nariz por causa do choro recente. Ela brincou com o relevo da estampa da minha blusa e respirou fundo, seu nariz estava cheio de catarro.

— Por que a minha mamãe foi para o céu?

Remelenta 2 e suas perguntas atacam novamente.

— Jules, preciso que você entenda que todos nós vamos morrer algum dia e ir para o céu, okay? Os adultos, os velhos, as crianças... — eu disse e ela assentiu. — A sua mãe tinha ficado dodói várias vezes antes de você e o seu irmão nascerem, e depois que vocês nasceram, aquele dodói voltou.

— Mas ela ia pro hospital todo dia, Oliver. — rebateu ela em voz baixa.

— Sim, ela ia. Tomava seus remédios e fazia tudo que o médico mandava, mas sabe o que era mais importante? — perguntei e ela negou. — Você e o seu irmão.

— Como assim?

— Ela amava vocês tanto, mais tanto, mais tanto mesmo que parou de cuidar do dodói dela e começou a cuidar de vocês. Aproveitar cada dia que tinha com vocês dois. Fez com que Sin e Sylvia cuidassem de vocês até que chegassem em mim. Ela queria que vocês fossem felizes, mesmo sem ela por perto. — eu disse e ela assentiu levemente processando minhas palavras. Eu conseguia ver as engrenagens em sua cabeça girando rapidamente, enquanto ela processava minhas palavras. — Posso te contar um segredo?

Ela assentiu.

— No começo, eu não gostei de ser pai de você e do Dame. Eu não estava pronto e acho que é porque a gente ainda não se conhecia. Acho que sua mamãe também sabia disso. — eu disse e passei a mão em seus cabelos levemente. — Mas agora eu não sei se Archer vai conseguir ficar sem vocês dois, ele vai morrer de saudade!

Ela riu baixinho e eu sorri.

— O Archer pode conhecer outras crianças, tipo o Tony.

— Mas elas não vão ser você ou o seu irmão. — eu disse batendo na ponta de seu nariz. — Você sabe como Archer é, ele é bem chato com desconhecidos.

Ela assentiu como se fosse uma coisa séria.

— Eu também gosto do Archer, mas posso te contar um segredo? — perguntou ela vindo mais perto do meu ouvido. Eu assenti. — Eu prefiro dormir com você, porque ele ronca muito alto.

Ri baixinho e assenti, concordando. Ela bocejou alto e Damien se remexeu ao meu lado. Abri meu braço acomodando ele em meu peito também e fechei os olhos. Minha respiração cadenciou e eu senti um senso de paz dentro de mim mesmo que não sentia há algum tempo.

— Boa noite, papai. — sussurrou Julianna puxando um pouco da coberta para si.

— Boa noite, princesa. — respondi o seu sussurro com um pequeno sorriso.

Era a primeira vez que el.... Deixa pra lá. Beijei a cabeça dos dois e desmaiei logo em seguida.

Notas finais
Eu amei escrever este capítulo, mas estava faltando alguma coisa. Ou alguém. Alguém está com saudades da Professora Smoak? Comentem! Indiquem! Recomendem! Acompanhem! Favoritem! Outras fics_ https://fanfiction.com.br/historia/736715/Dangerous_Love/ https://fanfiction.com.br/historia/712239/Extreme_Love/ https://fanfiction.com.br/historia/784341/The_Perfect_Nanny/ L.W PS: Venham conversar comigo no Twitter! Meu nome por lá é @jubs_schild! Vamos conversar sobre Arrow, fanfics... Qualquer coisa! Estou começando a postar pequenos trechos e spoilers sobre minhas fics por lá também!