Notas iniciais
Ciao! Oi gente! Voltei para continuar a maratona de atualizações! Obrigada á todas que comentaram no capítulo passado, ainda estou no processo de responder todos os comentários, mas eu vou chegar lá! Saibam que eu os aprecio muito e sou muito grata por cada um deles, okay? Decidi que quando chegarmos no capitulo vinte irei fazer um multirão e responder todos os comentários de Coaching Daddy, agora estou focando em responder os de Dangerous Love e atualizar as fics mais regularmente, mas eu amo receber as opiniões de vocês! Por isso não fiquem com vergonha, podem vir com tudo! hahahaha :D Boa Leitura!

Eu nunca fui um grande fã de Ra's Al Ghul. Ele era um homem estranho e tinha hábitos questionáveis. Havia nascido e sido criado no Nepal e depois veio para América e ganhou milhões em investimentos que fez, um deles foi os Rocketes. Ele só aparecia quando o time ia para a final de campeonatos com a esposa e os dois filhos que tinha, então quando Slade me disse que ele estava me esperando em seu escritório que ele nunca usava no centro de treinamento, eu fiquei surpreso para dizer o mínimo.

Nós conversamos sobre o time e as estatísticas, de acordo com ele, as apostas estavam em número astronômicos para o jogo desta semana contra os Patriots e que a expectativa para o SuperBowl apenas aumentava. Eu já tinha ouvido tudo isso antes, mas Ra's conseguiu adicionar um leve tom de ameaça a cada palavra que ele dizia. E ainda conseguiu me surpreender ainda mais depois.

"Eu sei que é o mesmo dia da sua audiência, então puxei algumas cordas dos bastidores e a audiência foi adiada por duas horas, eu acho que é tempo suficiente para você jogar um tempo e garantir uma boa pontuação contra Brady, não acha?"

Junte tudo isso com um sorriso egocêntrico e uma sobrancelha grisalha erguida em minha direção. Esse era Ra's. Eu saí daquele escritório e mandei mensagem para Lyla para confirmar o que ele havia dito e era verdade. Minha advogada até ficou surpresa por eu saber sobre o adiamento antes que ela mesma me contasse.

Yo, você sabe que estaremos aqui para você, não sabe hoss?

Me virei e encarei René. Havíamos terminado com o primeiro tempo e bem, modéstia a parte, eu fiz Tom Brady comer grama. Não apenas eu, mas o time inteiro tanto como individuais, como equipe. O placar estava ao nosso favor, e se eles conseguissem bloquear os Patriots pelo segundo tempo, venceríamos e ainda iriamos ocupar o primeiro lugar da tabela.

— Eu sei, Ramirez. — respondi e batemos os punhos. Eu havia entrado debaixo da ducha e vestido o terno que Tommy havia trazido para mim usar na audiência que seria em uma hora.

Slade entrou no vestiário assim que eu terminei com minhas abotoaduras.

— Muito bem, dez minutos para voltarmos, meninas. — ele disse e todos começaram a checar os equipamentos. — Algo a dizer, Queen?

— Eu não preciso reafirmar que conseguimos jogar para vocês. Tivemos um ótimo primeiro tempo, e se conseguirmos manter nossa defesa consistente, ganhamos esse jogo. — eu disse e notei todos olhando para mim. — Quero que vocês escutem Adrian, ele não é eu, por mais que ele queira...

Alguns riram e Adrian revirou os olhos enquanto colocava sua bracedeira de capitão.

— Barry e René fiquem de olho nos número 31 e 45, eles conseguem correr e eu notei que Brady está guardando eles para o final. Dig e Roy, vocês continuam nas laterais da defesa e não deixem ninguém pegar Adrian... Anthony vai ficar atrás de sangue se o pai voltar para casa com alguns machucados. — eu disse e ouvi risadas, mas todos assentiram em concordância. — Sei que estão cansados, mas é por isso que estamos aqui. Somos um bando de imbecis que gostam de jogar futebol e sendo sincero? Não somos bons em mais nada.

As risadas foram mais altas agora e a sirene soou levemente. Cinco minutos. Ajustei o nó da minha gravata e vesti meu paletó enquanto Slade ditava as posições para todos e algumas observações. Juntamos nossas mãos e gritamos o nome do time, todos voltaram correndo para o campo, mas Adrian me encarou com o capacete na mão.

— Acho bom você aparecer aqui com as crianças. Não vamos aceitar você sem eles, Queen. — ele disse e eu sorri levemente.

— Acho bom você aparecer aqui com a final garantida. Não vou aceitar você me fazendo passar vergonha perdendo para Tom Brady, Chase. — eu disse e ele riu colocando o capacete.

Antes mesmo de sair no corredor eu ouvi o apito e o começo do segundo tempo.

Eu tinha outras prioridades agora.

Fui até o estacionamento e encontrei com Leo e Tommy que estavam me esperando, este último que estava mais quieto do que o normal. Acho que a ansiedade afeta cada um de modo diferente. Entramos no carro juntos e eu chequei meu celular. Thea não havia mandado mensagens, nem Lyla. A última que me enviaram foram que haviam chegado no tribunal e estavam almoçando Big Belly Burguer com Lyla e Charlie.

A imprensa de Starling City estava dividida entre quatro eventos acontecendo hoje.

O jogo contra os Patriots em casa. O meu julgamento. A festa de 21 anos de Evelyn Sharp, uma socialite que era filha de um milionário e investidor da Queen Consolidated e por último, mas não menos importante, lançamento de Hamilton no teatro da cidade. A maior parte dos repórteres e paparazzis estavam no jogo e na festa de Evelyn, mas assim que chegamos no tribunal eu notei cinco caras com câmeras enormes e pelo menos duas vãs de canais de notícias estacionadas no meio fio. O rumor que corria na rua era que o julgamento fora marcado de propósito para que não houvesse muita imprensa, pensando deste lado era uma coisa boa, mas eu sabia que era bem o contrário.

— Alguém conseguiu alguma foto das crianças? — eu perguntei quebrando o silêncio do carro assim que entramos no estacionamento de funcionários do tribunal.

— Não, mas conseguiram algumas de Thea quando ela veio pegar o Big Belly. Nada demais. — garantiu Tommy e eu assenti.

Saímos do carro e fomos direto para o lado de dentro. Alguns funcionários estavam espalhados pelo corredor, pessoas que também tinham compromissos no tribunal zanzavam por ali e a quantidade de policiais uniformizados não era brincadeira para ninguém. Tommy e Leo lideraram o caminho e nós fomos para o terceiro andar onde estava parcialmente mais calmo.

— Aqui só tem duas audiências em seção. A sua incluída, as crianças estão aqui... — disse Tommy enquanto avançávamos pelo corredor onde o elevador havia nos deixado.

Leo abriu a porta de uma das salas do corredor e eu enxerguei o vestido rosa de Julianna de longe. Ela estava toda arrumada com direito á vestido e sapatos novos que Thea havia levado ela para escolher. Tinha uma tiara com brilhinhos em sua cabeça e o cabelo estava solto. Quis revirar os olhos para as embalagens de Big Belly Burguer na mesa junto com a caixa rosa da Voodo's Donuts. Damien estava ao lado de Julianna usando um terno azul escuro que destacava seus olhos e até havia penteado o cabelo hoje, nunca pareceu tanto comigo como agora.

— Papai!

Sorri quando Julianna me viu na porta e correu até mim. A peguei em meus braços e a abracei bem forte. Seu cheirinho infantil me acalmava bem mais rápido do que o Xanax que havia tomado mais cedo para acalmar os nervos. Olhei ao redor ainda com Jules em meus braços e notei Thea ninando a pequena Charlie em seus braços com um vestido verde escuro e Lyla sentada na mesa com uma pasta aberta em sua frente, o nosso caso.

Caminhei até Damien que nos encarava com o segundo livro de Percy Jackson em seu colo. Sentei na cadeira ao lado dele e beijei seu cabelo, mesmo que ele estivesse duro com o gel.

— Você passou o gel de bailarina? — perguntei assim que vi alguns pontinhos brilhantes nos fios de seu cabelo. A maioria eram rosa e roxo. As bochechas dele ficarem vermelhas e eu ri levemente.

Sim! Ele não ficou bonito? — confirmou Julianna em meu colo antes que Dame conseguisse se defender.

— Sim, ficou. Parece até mais velho.

— Tanto faz... — foi o que ele disse por fim e eu sorri e apertei seu ombro.

Okay.

— Oliver, podemos conversar rapidinho?

Olhei para Lyla que estava com um sorriso leve e de braços cruzados com a minha pasta ainda em mãos. Eu assenti e coloquei Julianna sentada ao lado de Damien e ela simplesmente começou a balançar os pés e cantarolar uma das músicas de Frozen.

Fomos para um canto mais afastado, Thea e Tommy se aproximaram também.

— Bom, nós estamos prontos, a única coisa que vocês devem fazer é serem honestos e não deixarem as perguntas que eles irão fazer te afetarem muito. Tenho certeza que Lance foi quem as escreveu e ela vai cutucar aonde dói mais. — Lyla disse e nós três assentimos.

Desde a reunião inicial que tive com Lyla, logo após Laurel aparecer pela primeira vez no hospital depois da emergência com Damien, eu, minha irmã e meu melhor amigo nos comportamos como fodidos anjinhos durante um mês e meio. Sim, já faz todo esse tempo e nós conseguimos. Nenhuma polêmica, nenhuma manchete negativa... Nada. Então Laurel decidiu criar algumas envolvendo o meu nome, eu até parei nos trends mundiais do Twitter no decorrer disso. Eu já estava pronto para o pior tipo de pergunta que sabia que estava vindo em meu caminho em alguns minutos.

— E Tommy, jogue esse chiclete fora. — adicionou Lyla encarando Tommy. Ele costumava a mascar muitos chicletes e bem ruidosamente quando estava nervoso.

Ouve duas batidas ritmadas na porta e respirei fundo.

É agora ou nunca.

—-

— Senhoras e senhores, por favor se ergam! Juíza Quinn Silvertone presidindo, a corte está em seção agora... — disse o policial todo uniformizado. Nós nos erguemos e uma cinquentona entrou usando um robe preto que parecia ser uniforme dos juízes.

— Ela não era nossa juíza, era? — sussurrei e Lyla negou.

Me permiti olhar para a mesa ao lado da nossa onde Laurel estava com seu advogado e vi que a mudança havia a irritado e feito seu advogado olhar para ela nervoso umas quatro vezes. Acho que isso deveria ser um bom sinal.

O inimigo do meu inimigo, é meu amigo, afinal de contas.

— A corte se inicia com seu primeiro caso. Queen X Lance sobre a custódia de Damien e Julianna Queen. — o policial continuou dizendo.

A Juíza Silvestone tomou seu doce fodido tempo para subir até seu palanque e sentar em sua cadeira. Ela era loira, mas eu conseguia ver seus fios grisalhos. O robe não me deixava ver sua forma física ou postura, mas suas unhas estavam pintadas de um vermelho vivo. Não tinha boas memórias com unhas vermelhas.

— Podem se sentar. E boa tarde á todos. — ela disse finalmente se sentando e colocando um par de óculos na ponte de seu nariz.

Todos nós nos sentamos e Lyla se virou para com um sorriso leve.

— Não se sinta convencido, mas ela gosta de futebol. — ela sussurrou e eu não podia parecer mais surpreso do que estava, mas fiz o que ela mandou. Não iria deixar subir a minha cabeça.

Lyla e o advogado de Laurel, chamado Sebastian começaram a apresentar a lista de provas e testemunhas. Ambas que eram longas demais. A cada nome mencionado, eu ouvi um "Presente" atrás de mim. Como se estivéssemos no fundamental tudo de novo.

A corte era igual aos filmes. Tudo de madeira polida que cheirava á desinfetante muito forte. Havia dois policiais posicionados na porta de entrada e saída, e um perto da juíza e do escrivão. Para o meu tipo de caso não era necessário um juri, então aquela parte estava vazia. E tirando as pessoas da lista de testemunhas, não tinha mais ninguém sentado atrás de mim.

Havia visto Felicity, Nyssa, Isabel, Tommy e Rory sentados atrás de mim. Assim como Sin e sua mãe, Silvya, atrás de Laurel. Sabia que mamãe e Walter estavam sentados mais ao fundo também. Thea estava na ante-sala com os gêmeos e a pequena Charlie, mas também estava fugindo de um confronto com mamãe. Sim, eu já havia contado tudo para ela e como eu havia previsto, ela não gostou nadinha, mas ela não havia retaliado de forma alguma. Pelo menos, não ainda.

— Meritíssima, sinceramente eu não sei porquê estamos aqui. Estamos desperdiçando um dia lindo trancados aqui dentro só para discutir se Damien e Julianna devem ou não ficar com meu cliente, que é seu pai biológico atestado. — disse Lyla assim que voltou para o meu lado.

— Acho que isso pode ser questionável, Sra. Diggle, e com isso eu chamo minha primeira testemunha. Senhorita Kristen James para depôr. — disse Sebastian com um sorriso que me fez querer quebrar alguns dentes de sua boca.

Sin caminhou até lá, estava vestindo um terno feminino com suas botas de combate e a maquiagem pesada. Ela fez seu juramento e se sentou ao lado da juíza e cruzou os braços com uma expressão entediada.

— Srta. James, é verdade que você era muito próxima á Sara Lance? Mãe das crianças em questão?

— Sim, nós éramos vizinhas. Eu era a babá dos gêmeos alguns dias na semana. — respondeu Sin.

— Como você descreveria a relação das crianças com Sara?

— Melhor do que de muitas pessoas. Ela fazia de tudo por eles. — voltou a responder Sin e eu vi em seus olhos saudade. Acho que ela mais próxima de Sara do que eu havia pensado.

— Então conhecendo bem Sara, a mãe, você acha que ela ficaria feliz com as crianças sobre a tutela de Oliver Queen? — perguntou Sebastian fazendo um gesto vago para mim. — Afinal, foi você que levou as crianças até o Sr. Queen, não foi?

— Sim. Sara me fez prometer que levaria as crianças para ele caso seu tratamento falhasse. Era o plano dela. — disse Sin e eu respirei fundo. — Eu apenas o segui, levei as crianças para ele alguns meses depois que ela morreu.

— A senhorita não acha que talvez o julgamento de Sara estivesse duvidoso com todo o estresse de seu câncer voltando e um futuro incerto? Por que ela mandaria seus filhos para ficarem com um completo estranho? — perguntou Sebastian e Sin suspirou.

— Eu não sei, ela morreu. E ela nunca me disse o porquê e eu também não perguntei. — disse Sin.

— Qual foi a sua primeira impressão do Sr. Queen?

— Babaca. — ela nem hesitou em responder e eu quis rir. Não discordava dela.

— Pode elaborar?

— Quando nós chegamos em seu apartamento, ele demorou um pouco para acreditar que era pai. E não foi muito educado e continuava a dizer que nunca teve filhos com Sara. — ela respondeu e deu ombros olhando para mim.

— Por toda a sua experiência com o Sr. Queen, acha que ele é um bom pai?

— A primeira impressão não foi boa, mas isso faz quase seis meses. Eu não tive contato com ele mais. — ela respondeu e eu notei que ela não queria me queimar, mas também não mentiria para mim.

— A testemunha é sua. — disse Sebastian caminhando até o lado de Laurel que parecia mais altiva que antes.

Lyla apenas se levantou ao meu lado, não foi passear pelo espaço como Sebastian havia feito com tanto floreio forçado.

— Posso te chamar de Sin? — perguntou Lyla e Sin pareceu relaxar em sua cadeira.

— Por favor.

— Sin, eu tenho apenas três perguntas para você.

— Manda ver.

— Por quanto tempo você foi vizinha e posso dizer, amiga próxima de Sara Queen?

— Uns sete anos. Eu a conheço desde que ela se mudou de Vegas para Central City. Nós trabalhávamos juntas em um buffet. Ela era a coordenadora dos bares e eu era estagiária. — ela respondeu e Lyla assentiu.

— Então você conhece Damien e Julianna desde a gravidez e nascimento, correto?

— Sim. Eu estava com Sara no hospital quando eles nasceram.

— E nesses sete anos, Sara mencionou o nome da irmã?

— Nunca. Eu só soube que ela tinha uma de fato, quando ela apareceu na porta da minha casa, dois meses atrás. — disse Sin.

Ouch. Toma essa, Lance.

— Sem mais perguntas, Meritíssima. — disse Lyla e se sentou novamente.

Silvya foi a próxima testemunha e ela claramente foi comprada por Laurel, e isso me custou pontos tanto que fizeram Lyla abandonar sua postura suave e indiferente, agora ela parecia determinada e meio agressiva. Lyla não fez perguntas para Silvya, talvez porque sabia que nada de bom sairia da boca daquela mulher.

— Quero chamar o senhor Thomas Merlyn para depôr. — pediu Sebastian e Tommy se levantou e foi até e se curvou na frente da juíza o que me fez revirar os olhos junto com Lyla e fazer Silverstone sorrir levemente. O charme de Merlyn não conhece barreiras. Tommy fez seu juramento e ficou confortável em sua cadeira, até piscou para Laurel. — Senhor Merlyn, o senhor é agente do Sr. Queen, não é? Cuida de seus interesses?

— Sim, isso está correto, mas também sou seu melhor amigo. Não acreditem nas revistas que dizem que Adrian Chase é o melhor amigo dele. Elas mentem. Eu sou. — ele disse e todos no tribunal disfarçaram suas risadas.

— Foi o senhor que cuidou de toda a papelada envolvendo as crianças em questão?

— Sim. Eu fiz todo o trabalho junto com um amigo meu que prefere ficar anônimo para o bem de seu negócio. Ajuntei todos os documentos necessários e realizamos um teste de DNA. Tudo conferia. Damien e Julianna são filhos de Oliver, simples assim. — ele respondeu dando ombros.

— O que mais o senhor faz para o Sr. Queen?

— Sinto que o senhor está com segundas intenções, advogado. Eu não sou gay, por mais que isso fruste parte da população de Starling City. — respondeu Tommy dando ombros de novo com um leve sorriso. — Mas o que eu posso responder é que eu cuido de basicamente todos os aspectos da vida de Oliver. Suas contas bancárias, contratos de publicidade, e até mesmo as vezes tenho que levar o lixo para fora, mas em defesa do meu melhor amigo a última vez que eu fiz isso foi ano passado.

— Quem nunca esqueceu de levar o lixo, não é mesmo? — riu Sebastian e ouvi Lyla estalar alguns dedos. — Mas em questão de publicidade, quantas vezes o senhor teve que fazer um esforço para Oliver Queen não estampar as capas de revistas com mais uma nova aventura sua?

— Ora advogado, eu não sei contar até lá. — disse Tommy rindo. — Mas quando se é uma figura pública e tão famosa como Oliver Queen, temos que ter aquele esforço para que uma foto dele comendo KFC não seja uma ofensa mortal contra os veganos, ou algo dito em uma entrevista se torne discurso de ódio... A mídia te coloca sob um microscópio. Nem todos nós temos os privilégios de sermos assistentes de promotores e seguirmos a vida sem complicações.

Lyla sorriu ao ver a expressão de desgosto de Sebastian quando ele se sentou.

— Sr. Merlyn...

Tommy, por favor.

— Tommy, sendo agente do meu cliente...

— E melhor amigo. — adicionou ele e Lyla riu levemente.

— E melhor amigo, o senhor conhece o meu cliente desde as fraldas, não?

— Sim. Nossos pais eram sócios e vizinhos, crescemos juntos, fomos para a escola, colegial e faculdade juntos também. Bem, uma delas. — disse Tommy olhando para mim e eu maneei minha cabeça com um leve sorriso.

— Como você descreveria Oliver Queen cinco anos atrás? E como descreveria ele agora?

— Cinco anos atrás? A vida de Oliver se resumia em futebol, e ele é muito bom nisso... — disse Tommy e eu vi a juíza acenar bem minimamente como se concordasse, ou talvez fosse um delírio meu. — Mas ele treinava, jogava, ganhava, e levava Archer para passear. É o cachorro dele, Meritíssima.

A juíza assentiu em sua direção e começou a fazer anotações.

— E agora?

— A vida de Oliver se resume á Damien e Julianna. Literalmente. Ele ainda treina, joga e ganha como antes, mas metade desse tempo é fazendo lancheiras saudáveis e ajudando os gêmeos com o dever de casa. E sem falar que ele leva e busca as crianças na escola todo santo dia. Você deve estar achando que é muito fofinho, oh, ninguém faz mais isso hoje em dia... Mas confie em mim, é meio irritante. Por que quando eu quero ter um tempo de qualidade com meus afilhados, eu não posso, porque ele é esse tipo de pai. — disse Tommy em uma única respiração e parecia estar tendo uma conversa íntima com a juíza e nem olhava para Lyla.

Ele foi dispensado e foi a vez de Lyla começar a chamar suas testemunhas que incluíam Nyssa e Isabel . A professora dos remelentos foi a primeira da lista.

— Srta. Ratko, como você descreveria as crianças na sala de aula?

— Elas são curiosas, inteligentes educadas, e muito bem-humoradas. Todas as crianças são nesta fase e com essa faixa de idade. — Nyssa respondeu á pergunta de Lyla.

— Como profissional, você leva em consideração todos os aspectos da vida acadêmica de seus alunos, correto?

— Sim.

— Consegue nos fazer uma avaliação sobre Damien e Julianna?

— Bom, Damien é um garoto muito inteligente. Até demais para a sua idade, eu vejo que o conteúdo que é passado não o desafia. Ele tem uma grade de notas ótimas e sua média é A+. Ele é ativo, gosta de ler e gosta de esportes. — disse Nyssa e continuou. — Julianna também é inteligente, mas não tanto como o irmão. Ela tem algumas dificuldades com o conteúdo, mas nada fora do normal. Sua grade também é excelente, e sua média é A. Ela é bem mais ativa do que o irmão, adora as aulas de teatro e ballet, e gosta de esportes também.

— Duas crianças especiais, não?

— Sim. Enquanto Damien pode ser um prodígio em letras, Julianna é um prodígio nas artes. Dois conceitos completamente diferentes, mas completamente complementares. — disse Nyssa com um leve sorriso orgulhoso.

— A senhorita já deve ter se encontrado com o Sr. Queen algumas vezes, não?

— Sim. Ele participou de todas as nossas reuniões escolares e é um dos pais mais mais presentes em nosso círculo. — ela respondeu.

— A senhorita pode elaborar?

— Bom, eu apenas posso falar o que eu vejo. O Sr. Queen os leva para a escola e busca todos os dias como já mencionado, participa das nossas reuniões quinzenais, participa da vida acadêmica dos dois excepcionalmente, já o vi assistindo ensaios de ballet de Julianna assim como lendo livros com Damien no mesmo ensaio. Não é algo que você vê todo dia, ainda mais levando em consideração a sua profissão. — contou Nyssa e eu suspirei baixinho.

Lyla se despediu e Sebastian se levantou.

— Srta. Ratko, podemos voltar á parte que disse que Damien é um prodígio acadêmico? Qual a sua opinião profissional sobre o assunto? — perguntou ele.

— Eu acredito que ele deveria ser graduado para algumas séries a frente. Eu há havia comentado isso com o Sr. Queen e encorajado para que acontecesse de fato. — respondeu a professora.

— E qual foi o resultado?

— Nenhum. O Sr. Queen decidiu que não faria isso. Acredito que ele não queria separar os dois irmãos. — ela disse e Sebastian assentiu.

— Acha que isso pode prejudicar o garoto no futuro de algum jeito?

— Bom, sendo sincera? Não, mas também vejo o desperdício de tempo e energia que está sendo. Damien tem um potencial enorme, mas a decisão final sempre é dos pais, eu posso apenas aconselhar. — ela disse e Sebastian pegou o que estava mirando desde o começo. — Posso adicionar que notei que Damien também não queria se afastar de sua irmã ou de seus amiguinhos de classe.

— Claro, claro. Muito obrigada, Srta. Ratko. — ele agradeceu e a juíza bateu seu martelo que fez tremer até o vidro das janelas altas.

— Nós teremos uma pausa para o almoço de uma hora e voltaremos a dar continuidade. Advogados, preparem suas últimas testemunhas e seus clientes para depôr. — disse a juíza e se levantou de sua cadeira, nós fizemos o mesmo.

Assim que ela saiu pela porta lateral, eu consegui respirar de novo.

— Até que não foi ruim, foi? — perguntou Tommy enfiando sua cabeça entre os meus ombros e os de Lyla com um sorriso.

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— Obrigada, Srta. Rochev. — agradeceu Sebastian com um tom desinteressado.

Nós voltamos para a sala enfadonha do tribunal depois do horário de almoço e eu estava começando a ficar com enxaqueca. Não tinha apetite nenhum para comer devido ao embrulho no estômago e a descarga de ansiedade que corria em minhas veias.

De acordo com as anotações de Lyla em relações á testemunhas estávamos empatados com Laurel. Enquanto eu tinha Tommy do meu lado e ela tinha Silvya, o resto das testemunhas fora bem nivelado, o que nos leva ao empate que estamos agora. A Juíza Silverstone era boa em manter uma fachada impassível, nada mudava sua expressão. Ela parecia até um pouco mau-humorada depois que voltamos do almoço. Não sabia interpretar isso como um bom ou mal sinal.

— Okay, acho que quero chamar uma testemunha agora, você se importa, advogada? — perguntou Sebastian á Lyla assim que Isabel voltou para os assentos atrás de nós.

— Por favor, advogado. — concedeu Lyla.

Ela havia me explicado que o jeito de contornarmos a segunda seção era deixar Sebastian e Laurel colocarem as cartas na mesa primeiro que nós, então poderíamos contornar eles em todas as brechas. Eu sabia que isso era uma ótima estratégia, mas ainda sim... Ugh. Ansiedade.

— Eu chamo Moira Queen-Steel para depor. — ele disse em alto e bom som.

— Protesto! A Sra. Queen não estava na lista de testemunhas. — disse Lyla calmamente.

— Mantido. Advogado, se atenha á lista de testemunhas já aprovada pela corte. — disse Silverstone o encarando por cima de seus óculos meia-lua.

— Mas a Sra. Queen é avó das crianças, sendo assim uma influência enorme da vida dos dois. Eu pensei que poderia ser uma ótima oportunidade de analisar a infância do Sr. Queen e o tipo de valores e princípios que ele fora criado para ter para si mesmo... — explica Sebastian com um tom muito convincente.

— Você trouxe algum dos pais da Srta. Lance para analisarmos também? — pergunta Lyla e Sebastian sorri amarelo.

— Oh, a Sra. Lance está hospitalizada e o Sr. Lance infelizmente não está disponível no momento. — ele responde.

— Oh, você quer dizer que a Sra. Lance está no estágio terminal de demência e Alzheimer e o Sr. Lance está cumprindo sua pena por dirigir sob influência? — rebate Lyla. — Eu vejo os valores e princípios que você está preocupado, advogado.

Um martelo soou.

— Advogados, a nova testemunha irá ou não depor?

— Por favor... — disse Lyla rangendo os dentes, mas não parecia tão brava assim.

As situações atuais de seus pais fizeram um pequeno estrago pelo que pude notar.

Ouvi saltos ecoando atrás de mim e depois o ranger da portinha de madeira. Eu consegui observar o conjunto branco social que mamãe usava com saltos combinando e até mesmo o broche em forma de orquídea da Vovó Mary em seu peito. Seu cabelo não estava diferente, mas sua expressão era neutra, mas seus olhos ardiam com algo. Eu não sabia o que, mas esperava que ela não estragasse tudo.

Ela fez seu juramento e se assentou cruzando as mãos em cima do colo.

— Sra. Queen, como você está?

— Poderia estar melhor, Sr. Blood, mas não posso reclamar. — ela respondeu com educação e até um sorrisinho falso.

— Espero que seu dia ainda melhore. — Sebastian disse e soltou um de seus sorrisos irritante. — Mas vamos focar no aqui e agora. A senhora conhecia Sara Queen?

— Não.

— Posso lembrá-la que está sob juramento, Sra. Queen?

— Você perguntou e eu respondi a verdade. Eu não conhecia Sara Queen, nunca a vi pessoalmente. Não sabia seus gostos, muito menos sua cor favorito. Então Não, Sr. Blood. — ela afirma com um tom firme que Silverstone erguer uma sobrancelha em sua direção com um leve sorriso. — Eu não a conhecia.

Essa não era a primeira vez dela em um tribunal. Acho que Sebastian havia começado a notar isso também.

— Okay. Justo o suficiente para mim. Você pode nunca ter a conhecido pessoalmente, mas trocou algumas palavras com ela por e-mail, não? — perguntou Sebastian balançando uma folha.

— Protesto! Se o advogado irá exibir evidência, deveria ter colocado em sua lista semana passada. — disse Lyla ao meu lado.

— Mantido. Sr. Blood se atenha a itens e testemunhas listadas. Minha benevolência com o senhor está no limite. — disse Silverstone e Sebastian assentiu e amassou o papel que deveria ser os e-mails trocados entre mamãe e Sara.

— É claro. Eu sinto muito, Meritíssima. — ele disse e cruzou os braços na frente de mamãe. — Sra. Queen é verdade que você sabia sobre a gravidez e existência das crianças?

— Sim, eu sabia.

— E é verdade que até mesmo pagou as despesas médicas do parto de Sara e todas as despesas médicas das crianças nos anos seguintes?

— Sim, é verdade.

— E também é verdade que no aniversário de quatro anos dos gêmeos, a mesma época em que Sara teve sua primeira recaída com seu câncer, a senhora também pagou por suas despesas?

— Sim, é verdade.

— E por último, mas não menos importante, é verdade que três meses depois de sua alta, a senhora transferiu uma bagatela generosa de mais de cem mil dólares para Sara Lance?

— Sim, é verdade. O senhor quer chegar em algum lugar, ou só quer que eu confirme fatos e transferências bancárias? — perguntou mamãe sem expressar nada, mas seu tom de voz sugeria uma leve irritação.

— Estou chegando lá, Sra. Queen. — disse Sebastian rindo levemente. — A senhora tinha conhecimento da existência dos gêmeos e mesmo assim nunca contou para o seu filho. Por que?

— Eu conheço o meu filho, naquele dia e naquele momento, filhos seriam a última coisa que ele precisava em seu prato que já estava transbordando. — mamãe respondeu.

— Acha que seu julgamento é o suficiente para essa situação, Sra. Queen? Estamos falando de crianças que iriam crescer sem um pai presente... — disse Sebastian franzindo as sobrancelhas como se realmente se importasse.

— Você é pai, Sr. Blood?

— Não, ainda não.

— Então não vai entender o que estou falando, pelo menos não ainda. — disse mamãe com um leve aceno.

— Muito bom saber o que tem por trás da cortina da Família Queen. — ele assente e volta para sua mesa onde Laurel tinha um sorriso satisfeito. — Sem mais perguntas. A testemunha é sua, advogada.

Lyla se levantou pela primeira vez e caminhou até a frente de mamãe.

— Sra. Queen, ao contrário do Sr. Blood, eu posso entender. Eu tenho um filho de quatro anos e uma filha de um ano e dois meses que está dormindo atrás daquela parede. — disse Lyla com um leve sorriso acenando para a parede a minha esquerda. — Assim como a Juíza Silverstone tem três filhos e cinco netos. Não pense que vai ser incompreendida neste tribunal, nós conseguimos ver através dessa camada.

— Obrigada. — mamãe disse com um aceno em direção a Lyla e Silverstone.

Siverstone parecia impassível ainda, mas seus olhos estavam menos frios.

— Você tinha conhecimento sobre os seus netos antes que Oliver, correto?

— Sim.

— E você proveu ajuda financeira para Sara durante anos, correto?

— Sim.

— Por que? Ela tinha um ótimo trabalho em Central City.

— Veio á minha atenção que ela não possuía uma renda suficiente para um bom seguro de vida ou qualquer seguro médico. Ela não tinha dinheiro nem para pagar suas vitaminas pré-natais durante a gravidez. — contou mamãe e eu me inclinei sob a mesa. Isso era novo. — Antes que alguém ache que eu estava espionando ela, eu não estava. Era informação pública assim como a declaração de impostos de todos nós.

— Não se preocupe. Mesmo se fosse espionagem, ninguém iria culpar a senhora. Já aconteceu de algumas mulheres fingirem estarem grávidas do seu filho antes, não é? — perguntou Lyla e eu cocei minha sobrancelha desconfortável.

— Sim, três vezes para ser exata. — confirma mamãe.

Foram um verdadeiro inferno. As três vezes.

— Eu contatei Sara quando ela completou o oitavo mês. Como eu disse nunca nos vimos pessoalmente e muito menos compartilhávamos segredos. Meu interesse era apenas nos bebês, assim como o dela. Durante a gravidez, ela suspeitava que seu câncer havia voltado, mas se recusava a começar quimioterapia. Estava com medo de afetar a gestação. — continuou mamãe e Lyla assentiu. — Assim que os bebês nasceram, eu paguei todas as despesas dela e sugeri que ela fizesse o teste para confirmar. Ela fez e deu negativo.

— Desde então, no quesito médico, a senhora arcou com as despesas?

— Sim. Sara não gostou a princípio, mas isso fornecia mais conforto para os bebês e que mãe não quer proteger seus filhos? — ela perguntou e Lyla assentiu com um sorriso.

— Você disse ao Sr. Blood que julgou naquela época que Oliver não estava pronto para ser pai. Esse pensamento mudou? — perguntou Lyla e mamãe olhou para mim pela primeira vez.

— Sinceramente? Não, mas como ele mesmo me disse assim que conheci os meus netos, ninguém nunca realmente está. Mesmo que planejemos e planejemos, mesmo se nós cobrirmos todas as brechas... Ninguém está pronto para esse tipo de responsabilidade. Sorte ou não, ele se tornou um pai excelente. — disse mamãe e fui eu que desviei o olhar e ouvi seu suspiro baixo pelo microfone.

— A senhora escondeu as crianças de Oliver?

— De forma alguma. Sara poderia ter encontrado com Oliver em qualquer momento sem eu saber, mas ela não fez. E ela também poderia ter recusado todo o meu dinheiro, mas novamente... Ela não fez. — disse mamãe com seu tom firme novamente. — Do mesmo jeito que eu pensei no melhor para o meu filho, ela pensou no melhor para os filhos dela.

— Sem mais perguntas, Meritíssima. — disse Lyla e Silverstone liberou mamãe e ela voltou para o seu assento no fundo junto com Walter que beijou seu rosto com carinho.

— Minha lista testemunha já previamente listadas acabou, Meritíssima... — disse Lyla e eu sorri com a alfinetada.

— Mas a minha ainda não, antes de irmos para nossos clientes, Sra. Diggle, eu queria chamar a Srta. Felicity Meghan Smoak para o depôr. — pediu Sebastian com uma caneta em sua boca.

Meu coração perdeu uma batida. Eu não sabia que ela iria depôr. Pensei que ela só havia vindo para dar apoio moral. Olhei para Lyla confuso e ela apenas sorriu levemente e ficou em pé ao meu lado. Os saltos de Felicity ecoaram também e ela apareceu usando um vestido branco fodido pérola com um batom rosa e subiu para se sentar ao lado da juíza. Fez seu juramento e arrumou o microfone na altura certa.

— Srta. Smoak, boa tarde. — disse Sebastian sorrindo.

— Boa tarde. — ela disse sorrindo com educação.

— A senhorita é namorada do Sr. Queen, não é? — perguntou Sebastian se levantando e se alongando como um idiota.

— Sim. — ela não hesitou em responder e isso fez minhas entranhas se revirarem.

De um jeito bom.

Muito bom.

— Como se conheceram?

— Através da escola das crianças.

— Isso não é muito apropriado, é Srta. Smoak?

— Não vejo o porquê seria para ser sincera, Sr. Blood. — disse Felicity erguendo uma sobrancelha. — Eu não dou aulas para Damien ou Julianna. Meu contato com eles se resume á ao auxílio de entrada e saída da escola.

— Mas ainda mantinha contato com eles, sim?

— Correto, mas mantinha contato com mais quatro dezenas de alunos se esse for o seu ponto. — ela disse sorrindo docemente e Sebastian fechou a cara.

— Acredito que nenhum dos outros pais eram jogadores de futebol de elite da NFL, Srta. Smoak.

— Isso foi uma pergunta? — perguntou Felicity parecendo confusa. — Mas se vale o comentário, meu irmão é um jogador de futebol de elite da NFL e colega de time de Oliver também, então meu relacionamento com ele não foi fora da minha zona de conforto na medida do possível, se é essa a sua preocupação. Nós iríamos nos esbarrar eventualmente.

Sebastian assentiu, mas pelo modo como sua boca torcia, ele não gostou nenhum pouco das palavras de Felicity. Uma olhada rápida para Laurel, e seus olhos fuzilavam minha namorada. Sorri. Namorada. Eu tinha uma namorada agora. Ok.

— Como você descreveria seu relacionamento com Oliver Queen e com as crianças?

— Bom, eu via as crianças com muito mais frequência, mas as vezes cruzava com Oliver em reuniões de pais ou até mesmo em alguns jogos de futebol. Ele sempre foi um pai muito envolvido com a escola e meu sobrinho e as crianças são grandes amiguinhos. — ela respondeu e tirou seus óculos e começou a limpá-los com um lencinho que tinha ali do lado.

— Isso ocorre com muita frequência na escola?

— Sim, muitas famílias se conectam através das crianças. Eles ainda estão moldando suas personalidades, então seus pais tendem a serem assim também e se tornam mais abertos para conhecer pessoas novas. Eu sou amiga de muitos deles. — ela continuou.

Menos a Sra. Dawnson.

Como se ela conseguisse ler mentes e mesmo sem óculos, ela revirou os olhos em minha direção, porém sorria um pouquinho.

— Desculpe Srta. Smoak, mas ainda não consigo superar o fato que ainda acho um pouco inapropriado seu relacionamento com o Sr. Queen? Isso não gera tratamento especial? — perguntou Sebastian sendo como uma pedra no sapato. — Você não os ensina agora, mas e quando esse momento chegar?

— Eu te desculpo, se o senhor me desculpar também, Sr. Blood. Por acaso você tem uma bola de cristal que funciona? Ou consegue prever o futuro? Eu posso não estar mais seguindo essa carreira amanhã, ou mês que vem, ou ano que vem... Não tenho conhecimento algum sobre o futuro, mas se o senhor tem, por favor me diga os números da loteria. — ela disse rindo levemente o que fez todos rirem também.

— Se planeja se aposentar? Digamos, depois do casamento? — alfineta Blood. — Dinheiro não seria problema.

— Não, mas sendo sincera... Eu meio que tenho que ser, certo? Fiz um juramento com a Bíblia e tudo mais. Mas também é válido lembrar que eu sou judia, então isso ainda se aplica a mim? Eu nunca pensei deste jeito, é tão estranho pensar que o sistema jurídico dos Estados Unidos inteiro se baseia em uma lei tão arcaica e claramente cristã... — ela divagou enquanto vestia seus óculos novamente e eu sorri.

— Srta. Smoak, por favor responda a pergunta. — pediu Silverstone com um tom cortante.

— Oh sim, desculpe. Mas não, Sr. Blood. Não planejo me aposentar mesmo depois do casamento, se é que vai ocorrer um. O senhor viu isso também na sua bola de cristal? — perguntou a professora erguendo suas sobrancelhas sugestivamente. — E quanto á dinheiro? Acho que se tirarmos a Sra. Queen, a Sra. Juíza Silverstone, a Sra. Diggle dependendo de suas comissões e o Sr.Queen, eu sou a pessoa que tem o maior salário nesta sala.

Essa é minha garota.

— Eu sou formada em T.I e Seguranças de Sistemas pelo M.I.T com honras e em Pedagogia em Yale. Então acho que não seria um grande problema se eu quiser mudar de carreira. — ela disse dando ombros. — Sou formada e especialista em minhas áreas.

— Pode nos fazer uma analise franca agora?

— Não seria justo com a sua cliente, Sr. Blood. Eu não a conheço. — cedeu Felicity dando ombros. E o "não vou ser boazinha com ela" permaneceu não dito, mas todos escutarem de qualquer jeito. — Mas o que eu posso ver é que sim, o Sr. Queen foi integrado em um sistema parental rápido demais. Ele conhece as crianças á apenas seis meses. E nesses seis meses o que eu posso analisar para todos aqui, e até acho que Srta. Ratko e a Srta. Rochev iriam concordar comigo, é que para um pai de primeira viagem, ele se sai acima da média.

Sebastian cruza os braços.

— Até mesmo para um pai solteiro?

— Ser pai solteiro ou mãe solteira se tornou um tabu enorme, mas essas palavras não são palavrões ou ofensas á ninguém. Nem ao Sr. Queen e nem a Srta. Lance. Eu tenho certeza que se ela tivesse o contato direto com Damien e Julianna por seis meses também se sairia bem, mas infelizmente não foi o que aconteceu. — ela disse com um tom leve porém direto. — Eu sou filha de uma mãe solteira e me saí muito bem, obrigada. Damien e Julianna tem um sistema maravilhoso aqui. Como eu já disse, crianças são muito abertas e elas tendem a gostar de pessoas que são boas com elas. É preciso de um sistema de apoio assim.

Silverstone cruza as mãos e observa Felicity atentamente.

— Os amigos, parentes, a escola, os médicos de Damien e Julianna estão todos aqui em Starling City. Essa se tornou a zona de vivência dos dois. Esse sistema de apoio essencial que construímos todos juntos nos últimos seis meses. Isso é o que o Sr. Queen oferece aos dois. Rotina saudável. Normalidade. Apoio. — ela continua sem se importar com Sebastian andando de volta para sua mesa. — Aposto que a Srta. Lance conseguiria oferecer tudo isso á eles e até mais se realmente se esforçasse, mas não podemos negar que as crianças iriam sofrer mais um processo de mudança e adaptação novamente e em um período tão curto de tempo.

Lyla escreve o nome de Felicity embaixo da coluna com meu nome ao mesmo tempo que Silverstone assente minimamente como se concordasse com o que Felicity havia dito. Cacete. Quem seria o louco de não concordar? Nenhum argumento dela poderia ser discutido por muito tempo.

— Sem mais perguntas. — disse Sebastian e assim que se sentou, Laurel o puxou pela lapela do terno e sussurrou o que não parecia ser palavras gentis em seu ouvido.

— Advogada? — chamou Silverstone.

— Acho que já ouvimos o necessário da Srta. Smoak, Meritíssima. — disse Lyla e Felicity foi liberada.

No caminho de sua saída ela sorriu e piscou para mim rapidamente e isso fez meu embrulho no estômago ser esquecido por alguns segundos e depois voltou três vezes pior. Silverstone bateu seu martelo ruidosamente e declarou que as testemunhas foram encerradas e seus depoimentos arquivados.

— Srta. Lance? Por favor venha... — chamou Silverstone e Laurel se levantou endireitando seu terninho cor de vinho. Aquela cor a fazia parecer mais pálida e seu cabelo mais amarelo do que deveria ser.

Ela fez seu juramento me encarando com um sorrisinho sarcástico.

— Posso começar?

— A cliente é sua. — disse Lyla com um sorriso que me preocupou.

— Srta. Lance, posso te chamar de Laurel?

— Por favor. — ela respondeu sorrindo.

Deus. Até sua voz me irritava.

— Pode nos contar um pouco sobre a sua história? Só para pintarmos um quadro? Ouvimos vários terceiros, mas nada como o próprio julgamento, certo? — perguntou Sebastian e Laurel assentiu.

— Bom, eu sou irmã mais velha de Sara Lance, a mãe das crianças em questão. Eu sou assistente de promotora em Central City, a cidade que minha irmã e as crianças viviam. Eu torço pelos Patriots e minha cor favorita é azul. — disse ela com um sorriso.

— Por que a senhorita acha que seria uma boa mãe, ou tutora se preferir, do que o Sr. Queen? — perguntou Sebastian.

A voz dele estava começando a me irritar também.

— Eu prefiro tutora, ninguém vai substituir o lugar de Sara, nem que tentem muito... — ela disse olhando para alguém atrás de mim, e eu apostaria minha conta bancária inteira que este olhar foi para minha namorada. — Eu a conheço melhor do que ninguém, cresci junto com ela, sei quais eram seus gostos, o modo que ela pensava e posso ter uma boa ideia de como ela gostaria de criar as crianças.

— Mesmo com a situação dos seus pais?

— Sim. Confesso que não é uma das melhores. Meu pai foi o melhor exemplo que tivemos até o divórcio com a minha mãe. As coisas nem sempre dão certo em casamentos, sabe? — ela disse dando ombros inocentemente olhando para mim e Lyla. — Felizmente, Sara e eu já estávamos criadas e na faculdade quando isso aconteceu. Tivemos uma infância boa. Bons exemplos. Algo que eu posso passar adiante para as crianças.

— A senhora está dizendo que teve uma vida feliz então?

— Ninguém é feliz o tempo inteiro, mas a maior parte do tempo eu fui. Tive bons pais, uma boa irmã, bons amigos. Me formei no colégio e faculdade, não fui um daqueles que abandonam o curso no meio do caminho. Tenho um ótimo emprego. Por mais que tenham tido algumas lombadas no caminho, eu sou grata por elas. — ela explicou ainda sorrindo. Seu maxilar deveria estar doendo agora.

— Lombadas? Pode elaborar?

— Saber que meu pai, um policial aposentado, foi preso por dirigir sob influência não foi a notícia que eu esperava de Ação de Graças. Ou receber a notícia que minha mãe estava com demência a ponto de se não lembrar de mim foi o que eu mais queria para o meu aniversário... Isso me afetou. Muito. Eu me tornei uma alcoólatra, tenho vergonha disso até certo ponto. — ela disse e suspirou dramaticamente. — Eu melhorei, me reabilitei, estou cinco anos sóbria agora e recebi promoções no trabalho...

— Acho que o mundo deu algumas voltas, não é?

— Sim. Mas então eu perdi minha irmã para o câncer. — ela disse e coçou o nariz como se estivesse prestes a cair no choro, mas não vi nenhuma lágrima ou emoção em seus olhos. — Nós precisamos passar pela tempestade para ver o arco-íris, mas isso não significa que não haverão outras tempestades para se enfrentar.

— Parabéns pela sua sobriedade, Laurel. É algo muito louvável admitir que tem um problema e buscar ajuda. — disse Sebastian e ela assentiu e secou com os nós dos dedos o canto de seus olhos deixando seu cabelo cair propositalmente no lado da juíza para que ela não visse suas lágrimas. Ou melhor, a falta delas. — Ela é toda sua.

Lyla sorriu e se levantou. Parou na frente de Laurel e ofereceu um lenço á ela.

— Obrigada.

— De nada.

— Srta. Lance, meus parabéns pela sua sobriedade. Faço as palavras do seu advogado as minhas. Tenho certeza que seu processo não foi fácil. O meu também não foi, mas aqui estamos hoje, não é? — pergunta Lyla com um sorriso. — Você cinco anos sóbria! Eu vou fazer nove anos em agosto...

— Parabéns. — mordeu Laurel e o sorriso de Lyla aumentou.

— Obrigada.

Minha advogada cruzou os braços agora.

— Srta. Lance onde você está nos últimos meses?

— Como assim?

— Meu cliente fez uma busca por todos os parentes vivos de Damien e Julianna assim que eles chegaram em sua casa. Ele já tinha ciência da situação dos seus pais, mas não encontrou a senhorita. A única coisa que sabia era que a senhorita de fato existia, trabalhava com a promotoria e tinhas as contas de seu apartamento em Central City todas em dia. — Lyla disse e deu ombros. — Onde a senhorita esteve nos últimos meses?

— Eu estava em Washington trabalhando em um caso sob proteção de testemunha, acho que todos aqui sabem como alguns casos podem ir a extremos... Foi algo confidencial, não posso dar detalhes, mas basicamente foi isso. — ela disse amassando o lenço ainda seco.

— Sim sim, acho que nós podemos ter uma ideia. — disse Lyla assentindo. — Mas com as crianças no cenário, o que faria se fosse posta em uma situação dessa de novo? O que aconteceria com as crianças? Iriam para outro estado? Passar por mais um processo de adaptação?

— Protesto! A advogada está testemunhando.

— Oh, estou fazendo perguntas... — disse Lyla rindo levantando as mãos.

— Revogado. — disse Silverstone. — Responda as perguntas, Srta. Lance.

— Eu provavelmente evitaria casos tão complexos para começar. Nada que afetasse a nova rotina das crianças.

— Mas isso faria seu cheque no final do mês diminuir não é mesmo? Criar uma criança já tem um preço alto suficiente, agora duas? Eu falo por experiência, aqueles pequenos humanos conseguem ser bem caros. — ela disse rindo levemente, mas Laurel não acompanhou. — Certamente que a senhorita teria a penção dos dois que meu cliente pagaria todo mês, mas algo me diz que você é o tipo de mulher bem independente, não?

— Sim, mas não orgulhosa o bastante para negar ajuda.

— Claro que não. — Lyla concordou. — Srta. Lance onde a senhorita estava quando as crianças nasceram?

— Eu não me lembro.

— Mas se lembra que não estava no hospital, não é mesmo? Os registro afirmam que apenas a Srta. James estava com a sua irmã no dia do nascimento. — Lyla afirma. — Já a sua declaração de impostos afirma que a senhorita estava em Micconos. Algum caso internacional confidencial?

— Não.

— E aqui diz que a senhorita só voltou para o país, duas semanas depois, correto?

— Sim.

— Onde a senhorita estava nos aniversários dos cinco anos seguintes? Ambos de Damien e Julianna e sua irmã Sara? Você não aparece em nenhuma das fotos das festas, mas desta vez seus impostos me conta que estava na cidade. — disse Lyla e vejo Laurel apertar seu maxilar. — A senhora tinha brigado com a sua irmã?

— Nós chegamos a um desentendimento sobre a internação de minha mãe.

— Pode elaborar?

— Eu queria transferir minha mãe para uma casa de repouso em Opal City, mas Sara a queria manter em Central City. Por questões de preço e conforto. — disse Laurel com um tom cortante que me fez sorrir. Alguém estava ficando nervosinha. Fui fuzilado pela mesma logo em seguida.

— A senhorita tinha conhecimento que a internação e o tratamento de sua mãe também são pagos pela Sra. Queen? — perguntou Lyla.

— Não. Eu não sabia.

— Parece que a senhorita está por fora de muitas pendências, Srta. Lance. — alfinetou Lyla. — Mas continuando, quando a senhorita soube que o câncer de sua irmã havia voltado?

— No dia que discutimos, sua médica ligou para ela para confirmar o começo do novo tratamento. — ela respondeu e jogou seus cabelos para trás.

— A senhorita acompanhou o processo?

— O máximo que consegui.

— Entendo. Por que não sugeriu para Sara a transferência da guarda de Damien e Julianna durante os momentos finais?

— Eu tinha esperança que ela se recuperaria. — disse Laurel.

— Sinto muito pela sua perda. — Lyla diz e Laurel apenas assente com a cabeça. — Mas eu só tenho mais duas perguntas. Onde a senhorita estava quando o enterro da sua irmã ocorreu? E por que só recorreu agora sobre a guarda das crianças?

— Eu disse que estava no progr...

— De proteção a testemunha. — completou Lyla. — Mas o enterro de sua irmã fora no começo de Dezembro. Você viajou para Washington em Janeiro e voltou em Março, e só recorreu e fez contato com as crianças no final de Junho. O que a fez demorar?

Luto. — diz Laurel com olhos brilhando ironia.

— Oh sim, eu acho que também demoraria seis meses para processar e então me desesperar sobre meus dois sobrinhos pequenos... Sem mais perguntas, Meritíssima. — disse Lyla se sentando. Laurel foi dispensada. — Oh, e Srta. Lance?

— Sim?

— Os Patriots estão perdendo por cinco downs. — disse Lyla escrevendo o nome de Laurel embaixo da minha coluna e eu bufei uma risada baixinho.

— Sr. Queen? Já está pronto? — perguntou Silverstone e meu riso morreu na hora.

Assenti e Lyla acenou me liberando. Eu me levantei da minha cadeira e caminhei até onde o policial me esperava com uma Bíblia com capa de couro marrom. Eu acenei e ele me revistou rapidamente.

— Jura dizer a verdade, somente a verdade, e nada além da verdade em nome de Deus? — perguntou ele assim que coloquei minha mão em cima do couro.

— Eu juro.

— Pode se sentar, Sr. Queen. — disse Silverstone e eu me sentei na cadeira e alisei minha gravata.

Lyla sorriu para mim e eu olhei para a única platéia que tínhamos. Sin acenou em minha direção, Silvya encarava seu celular. Mamãe e Walter pareciam preocupados. Isabel e Nyssa pareciam bem, apenas curiosas talvez. Tommy me oferecia polegares positivos e Felicity um sorriso pequeno.

"Acabe com ele."

Foi o que ela sibilou e eu sorri um pouco.

— Sr. Queen. Podemos começar? — pergunta Sebastian.

Eu sorrio mais um pouco para irritar ele e Laurel. Funciona.

— Faça o seu pior, Blood.

Notas finais
Teremos parte 2 mais rápido do que vocês imaginam! Não me matem! Devo dizer que foi um pouco exaustivo escrever esse julgamento, ambas as partes, eu tive que dar uma pesquisada para dar algo mais realista e concreto para vocês... Espero que tenham gostado! Comentem! Indiquem! Favoritem! Recomendem! Outras fics_ https://fanfiction.com.br/historia/736715/Dangerous_Love/ https://fanfiction.com.br/historia/784341/The_Perfect_Nanny/ (Atualizada!) L.W PS: Venham conversar comigo no Twitter! Meu nome por lá é @jubs_schild_! Vamos conversar sobre Arrow, fanfics... Qualquer coisa! Estou começando a postar pequenos trechos e spoilers sobre minhas fics por lá também! PS²: Vamos bater #280 comentários? Ou mais uma recomendação? PS³: Notaram que certa classificação foi alterada? O.O