Coaching Daddy
19 Capítulo 19
Notas iniciais
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Visão de Lyla_
Uma das coisas das quais eu mais admirava em Oliver era a sua resiliência. Ele lidou tão bem com toda a situação com as crianças, a mídia e até mesmo com Laurel e todo seu trabalho sujo. Ele não quis revidar na mesma moeda como qualquer outra pessoa normal gostaria de fazer, apenas se reagrupava e mudava a nossa estratégia. Já vi ele fazendo isso no campo de futebol várias vezes e estava vendo isso agora no tribunal também enquanto Sebastian citava cada escândalo que o meu amigo já havia se envolvido e Oliver, sob juramento, confirmava todas as histórias.
Algo que não ajudava em nada o nosso caso.
— Então é verdade que o senhor urinou em um policial?
— Na verdade não, essa foi a manchete criada para vender revistas. Eu estava bêbado naquela noite e me alivei em uma viatura, não em um policial. Ele apareceu depois e me prendeu. — corrigiu Oliver sem parecer se envergonhar. — E isso aconteceu á quase seis anos atrás. Muita coisa mudou.
— Pode nos dar um exemplo?
— Eu me limito a usar a privada agora. — disse Oliver com um sorriso que causou algumas risadas baixinhas, até mesmo os lábios de Silverstone se curvaram por um segundo inteiro. — Mas o seu ponto é?
— Sr. Queen, tendo um histórico bem peculiar e longo, bem longo, com a justiça, estar em um tribunal nunca foi problema para o senhor, foi?
— A última vez que estive em um tribunal eu tinha exatamente 22 anos, a NFL estava investigando cada jogador da liga depois que testes de antidoping foram alterados. — ele respondeu e eu quis revirar os olhos.
— Por que apenas o senhor foi para tribunal?
— Porque eu estava no meio de uma caçada de bruxas, meu sobrenome é "Queen" e eu sou o jogador mais caro da liga inteira, Sr. Blood. — respondeu Oliver com um tom ameno, mas encarava Sebastian com arrogância limitada que me fez ficar orgulhosa. — Como exatamente agora, pensei que iríamos prosseguir com esse processo de forma discreta, pelo bem de Damien e Julianna, mas as coisas mudaram de curso.
— Não queria atenção sobre isso, por que?
— Porque eu não gosto quando meus filhos são perseguidos por paparazzis na entrada ou saída da escola deles. Ou mesmo durante as aulas. — Oliver respondeu com um tom cortante que fez Sebastian piscar rapidamente e depois se recuperar.
— Podemos conversar sobre as recentes novidades? — perguntou Sebastian caminhando para a mesa e pegando um papel que Laurel havia entregado. Não era um documento, apenas uma folha de rascunhos. Provavelmente perguntas que Laurel escreveu por si mesma já que Sebastian não conseguia defender seu caso sozinho.
— Claro, o que está acontecendo com o clã Kardashian? Ouvi dizer que o show delas está na temporada final. — disse Oliver e Sebastian apenas mostrou a capa da Starling Magazine que dizia ele ser um suposto predador sexual. — Eu não tenho nada para esconder...
— Seu caso com Portia Hayes? Algum comentário? — perguntou Sebastian.
— Não conheço Portia Hayes. Não entendo as intenções dela por trás daquele relato me envolvendo. Não sei porquê ela fez isso, mas sei que nunca a vi na minha vida e definitivamente nunca a toquei também. — afirmou Oliver se mexendo na cadeira, desconfortável. Não o culpava.
— Ela tinha fotos bem comprometedoras do senhor...
— Que foram vazadas dois anos antes do que ela clama ter acontecido por outra pessoa com quem eu tive um breve relacionamento. Eu estava em Milão me reunindo com amigos na data que ela disse ter acontecido tudo. Milhares de paparazzis e fãs me viram e tenho certeza que a M! Sports pode te enviar a revista que fora lançada naquela noite também. Eu estava na capa. Posso assinar para você também, Sebastian. — respondeu Oliver sorrindo irônico.
— Porque a Srta. Hayes inventaria algo tão sério?
— Pergunte a ela. Como eu disse antes, eu não sei. — replicou Oliver sem se abater. — Mas acho engraçado e muito estranho Portia Hayes e Laurel Lance terem ido para a mesma faculdade e dividirem o mesmo dormitório.
— Coincidência. O mundo pode ser bem pequeno. — disse Sebastian descartando a revista.
— E cada vez menor. — rebateu Oliver com um sorriso.
— Eu não sei, Sr. Queen. Esse tipo de acusação é bem séria e qualquer pessoa nesse tribunal pode concordar comigo que não é um assunto para ficar perto de crianças de sete anos...
— Eles tem cinco. Irão completar seis em novembro. — corrigiu Oliver brincando com a ponta de gravata. — E não. Não é algo que eu gostaria de rodear eles.
— Algo me diz que não é a primeira vez que este tipo de coisa acontece. Sim, o senhor cometeu alguns erros no passado, mas grande porção daquelas manchetes eram falsas também, certo? — Sebastian disse e Oliver assentiu. — O que o senhor pode fazer para impedir tudo isso? Essas notícias?
— Nada. Novamente, eu sou uma pessoa que atrai mídia.
— E infelizmente, esse assédio irá continuar sendo presente na vida das crianças enquanto elas ficarem com o senhor, não é? — perguntou Sebastian e apenas encarou Oliver por segundos e depois abanou a mão em descaso. — Sem mais perguntas.
Sebastian voltou para sua mesa ao lado de Laurel que parecia bem satisfeita com o desfecho do estrago que havia feito nos últimos meses ao decorrer de todo esse circo. Mal sabia ela que iria terminar tudo agora. Eu me recusava a sair desta corte sem uma vitória para Oliver.
— Oliver. Eu sou sua advogada há muito tempo. Conheço você a bastante tempo também...
— Protesto! Está testemunhando!
— Eu apenas estou pintando o cenário para a testemunha, Meritíssima. — eu disse me virando para Silverstone.
— Revogado. Continue, advogada e seja breve.
— Eu posso dizer a todos aqui nesta sala que a única pessoa que conhece suas polêmicas e processos melhor do que eu seria o Sr. Merlyn. Foi uma longa jornada até aqui, não concorda? — perguntei e ele assentiu levemente. — Pode me descrever a sua reação quando as crianças chegaram em sua casa com a Srta. James?
— Eu pensei que era um trote para ser sincero. — ele respondeu e riu levemente. — Já aconteceu algo parecido uma vez. Tem um garotinho que mora alguns andares abaixo de mim que adorava pregar peças em mim assim que me mudei para o meu apartamento. Uma delas foi convencer um amiguinho de escola á me esperar e falar que era meu filho perdido. Eu notei que era um trote porque já tinha visto os dois vendendo biscoitos no saguão do prédio uma vez.
Eu ri levemente e ele também.
— Mas quando Sin falou o nome de Sara, eu percebi que não era um trote. Eu lembrei do que tinha acontecido entre mim e ela todos aqueles anos atrás e entrei em pânico. — ele continuou e deu de ombros levemente. — Acho que todos piram um pouquinho quando descobrem que vão ser pais. Eu só perdi a parte do parto e das fraldas.
— Espero que reconheça o quão abençoado foi... — eu disse e ele riu negando.
— Ás vezes concordo, mas ás vezes não. Quanto mais vejo eles crescerem, mais eu noto os cinco anos de momentos que perdi com eles. — Oliver afirmou em um tom de voz baixo, mas ainda audível.
— Pode descrever Julianna? Defeitos, qualidades, manias? — perguntei e me apoiei na divisória de madeira dos assentos vazios do júri.
— Julianna é uma sonhadora. Ela pode ter cinco anos, mas nunca conheci uma criança tão determinada e esforçada como ela. Ela encara tudo que vem pela sua frente, é criativa e gentil e bastante protetora com Damien e com seus amigos... E acredite nisso quando eu falo, porque eu quase fiquei preso em um tobogã por causa disso. — Oliver disse com um leve sorriso e risos baixos soaram mais uma vez pelo tribunal. — Mas ela não é perfeita. Nenhuma criança é, por mais que seus pais achem que são. Julianna consegue ser birrenta, manipuladora e não gosta quando as coisas não acontecem do jeito dela.
— Parece que você tem as mãos cheias...
— Sim, mas ela está aprendendo a dividir controle e atenção, a respeitar o espaço e tempo dos amiguinhos. Não é fácil, mas Julianna não gosta de coisas fáceis. — ele disse dando ombros com um leve brilho de orgulho nos olhos.
— Damien?
— Enquanto Julianna é uma borboleta social, Damien é uma ostra. É nítido que ele tem o peso de ser o irmão mais velho para Julianna nos ombros desde bem antes da morte de Sara. Ele se sente responsável por ela. Não gosta de multidões, é desconfiado com pessoas novas e eu não nego que foi bem difícil conseguir que ele se abrisse comigo. — ele disse e suspirou levemente. — Ele consegue ser arrogante, seu criticismo ás vezes pode machucar, manipulador quando quer do mesmo jeito que a irmã, ás vezes um verdadeiro merdinha... Mas é uma fase. Os dois estão aprendendo coisas novas, fizeram novas amizades, estão se abrindo mais, é um processo lento, mas que está funcionando.
Pela visão periférica vi os lábios de Silverstone se curvaram mais uma vez, mas agora por dois segundos inteiro e depois ela voltar a suas anotações com uma expressão fechada.
— Como você se enxerga como pai?
— Honestamente, eu não tenho ideia. Sei o tipo de pai que eu não quero ser para os dois. Tentar ser tudo aquilo que eu e minha irmã precisávamos quando nós éramos pequenos. Não podemos ser gêmeos, mas eu e minha irmã não tivemos uma infância maravilhosa, mas sempre ficamos juntos. — Oliver disse e seu olhar se tornou vazio, ele havia mergulhado em algum espaço de suas memórias. — Eu quero estar presente para os dois, fazer tempo para os dois nem que seja para pintar as unhas de uma boneca ou para ficar encarando uma planta tomar Sol. Quero que eles aprendam os valores do que é realmente uma família, quero que eles sonhem alto, mas também sejam realistas. Quero apenas apoiar e assistir eles crescerem, ser presente.
— Tudo se resume á isso? Sua presença?
— Sim, porque se um pai é ausente, confie em mim, os resultados não são muito bons.
— Fala por experiência?
— Sim. Meus pais construíram um império, mas nunca um lar. Eu e minha irmã fomos criados por uma babá. Já me ressenti por causa disso, mas hoje com Damien e Julianna entendo o que fizeram e porquê fizeram. — Oliver disse encarando Moira acima do meu ombro, sem dúvida alguma. — Eles queriam o melhor para nós, e eles não conseguiam ser o melhor, mas tivemos momentos que eu nunca vou esquecer. Caçada á presentes no Natal, construir fortes com todos os lençóis da casa na Páscoa e comer muito chocolate, sempre agradecer e tentar devolver o que recebíamos... Eles vão crescer com esses valores. Nem todos os momentos vão ser bons, mas precisamos dos ruins para entender que os bons valem a pena.
Assenti sorrindo e pisquei algumas vezes para afastar o leve pinicar nos olhos.
— O que o senhor faz nas suas folgas? Tem uma babá também?
Oliver riu levemente e negou.
— Você é mãe, Lyla. Ser pai não é uma corrida, é uma maratona. Não existem folgas, mas existem pausas para água de vez em quando. No momento que estamos vivendo agora, não acho que ter uma babá seria uma boa ideia. — ele disse e deu ombros.
— O senhor tem alguma opinião sobre Laurel Lance? — perguntei erguendo uma sobrancelha e Oliver olhou para a mesma sentada bem a sua frente.
— Não. Não a conheço. — ele disse por final e eu assenti. — Mas se ela tem algo á oferecer á Damien e Julianna que eu não possa... Em mundo nenhum eu quero que meus filhos percam o que pode ser a melhor oportunidade deles.
E assim eu soube que Oliver tinha ganhado o caso.
Em momento algum Laurel usou os nomes dos gêmeos, ela e Sebastian ficaram se referindo á eles como "crianças" o tempo inteiro, enquanto Oliver o chamava pelos nomes. Individualizando cada um e sempre fazendo eles presentes no que falava. Em momento algum Laurel mencionou quais seriam seu métodos para criar os pequenos. Em momento algum Laurel sequer pareceu maternal em qualquer sentido da palavra. E em momento algum ela considerou deixar a guarda para Oliver caso fosse o melhor para Damien e Julianna. Eu sabia que era isso que Silverstone tanto anotava. Ela era uma juíza que presidia apenas casos desta estirpe, na vara familiar. No primeiro recesso que tivemos eu havia feito uma pequena pesquisa e sabia que tínhamos ótimas chances de ganhar.
Agradeci pelo testemunho de Oliver e ele voltou para sua cadeira inicial.
Silverstone pediu um recesso de vinte minutos para entrada das crianças, e então separamos Laurel e Oliver em duas salas conjuntas. Pedi para que Felicity e Tommy o acompanhassem até eles serem chamados novamente. Então Thea entrou com Damien e Julianna que sentaram na primeira fileira do júri ao lado do oficial de justiça uniformizado.
Pareciam calmos e um pouco confusos, mas os olhos de Damien estavam fixados na cadeira que Laurel havia sentado. Oliver havia me contado sobre o leve receio de Damien com sua tia e isso era uma das coisas com que eu estava contando hoje também.
Silverstone apareceu novamente e caminhou até os dois ao invés de subir no palanque como era o protocolo. Os três trocaram palavras sussurradas e assim que a juíza voltou para seu lugar notei que os gêmeos estavam mais calmos e com leves sorrisos nos rostos.
O martelo soou e nós nos sentamos. O oficial de justiça abriu a pequena divisória do banco de testemunhas e os dois se sentaram lado a lado ali. Nós, advogados, não podíamos fazer perguntas aos dois. Eles se dirigiam apenas á Silverstone que fazia as perguntas do protocolo e quaisquer outras que quisesse.
— Conseguem descrever Oliver? Um de cada vez. — pediu Silvertone e Julianna agarrou o microfone e entortou o suporte até que ficasse na altura ideal. Isso me fez sorrir.
— Oi! — ela disse fazendo sua voz soar pelo tribunal inteiro e mais risadas soaram. — Eu gosto do papai. Ele assiste filmes da Disney comigo, a gente está maratonando todos os outros desenhos agora porque terminamos todas as princesas. A princesa favorita dele agora é a Moana. Ele sempre brinca de vestir comigo e me ensinou a fazer limonada rosa para hora do chá porque eu não gosto de chá e nem as minhas bonecas. Ele não sabia arrumar o meu cabelo, mas ele aprendeu e agora eu ganhei a medalha de penteado mais legal no Dia Maluco da escola...
— Algo mais? — perguntou Silverstone paciente enquanto Julianna parecia pensar.
— Ah! Ele me ajuda com a lição de casa de matemática e ciências todos os dias, eu não gosto de matemática e ele também não, mas ele disse que é importante. Ele não perde nenhum ensaio de ballet e quando eu não conseguia fazer minha pirueta, ele treinou comigo na piscina e eu consegui aprender! — ela exclamou sorrindo.
— Consegue descrever Laurel?
Julianna franziu a testa.
— Eu não conheço ela. Sei que ela é irmã da mamãe e filha do vovô e da vovó, mas... — ela parou de repente e olhou para Damien que apenas deu ombros. — A mamãe ficava triste quando ela vinha visitar e eu não gosto de ver a mamãe triste e nem o papai.
— Damien? Sua vez. — pediu Silvertone fazendo mais anotações.
Troquei um olhar com Thea e ela sorriu. Nossas chances apenas aumentavam.
— Mamãe nunca falou de Oliver para gente. Eu lembro que em um Dia dos Pais eu perguntei para ela onde estava o nosso e ela me disse que ele ainda não estava pronto para ser um papai. — disse Damien de modo calmo. Notei que Sin tinha sentado na primeira fileira agora e deixou sua mãe na quarta sozinha, esta que ainda mexia em seu celular silenciosamente. — A gente nunca precisou dele também. Tínhamos a mamãe, mas aí ela morreu e nós precisamos dele de verdade.
— O que achou dele quando o conheceu?
— Mamãe estava certa. Ele não sabia ser um papai, mas acho que ele está aprendendo. Nenhum outro papai é igual á ele. Eles faz coisas que nenhum papai dos nossos amigos de escola fazem. — disse Damien dando ombros levemente. Nunca vi o garoto tão desconfortável como agora, no centro das atenções.
— Pode descrever para mim?
— Ele leva e busca a gente todo dia mesmo que a gente tenha o Leo e o Mick protegendo. Ele faz a gente comer brócolis, porquê a gente não gosta de peixe, mas é porquê a gente não gosta de verdade. — ele disse encarando a juíza com um olhar sério, e Julianna fez o mesmo como se concordasse. — Ele leva a gente para comer Big Belly ás vezes mesmo que ele não goste, deixa o Archer dormir com a gente todos os dias e sempre está acordado quando minha irmã tem pesadelos.
Silverstone continuava anotando.
— E a sua tia?
— Eu não gosto dela. — declarou com firmeza.
Vi Sebastian esfregar o rosto e engoli o sorriso que queria aparecer em meu rosto.
— Ela e mamãe brigavam o tempo inteiro por causa da vovó, mamãe não gostava quando ela vinha visitar e sempre ficava triste. E uma vez ela machucou muito a mamãe. — ele afirmou e agora eu fiquei alerta assim como o resto do tribunal.
— Pode descrever o que aconteceu?
— Elas estavam conversando no jardim depois do jantar, mamãe tinha até aberto o suco de adulto que havia ganhado do tio Joe para tomar com ela. Tia Laurel queria tirar a vovó da casa de vovós e vovôs e colocar ela em outro lugar, mas a mamãe não queria ficar longe da mamãe dela. Elas começaram a brigar e Laurel bateu no rosto da mamãe. — disse Damien e Julianna se encolheu um pouco.
— Vadia. — sussurrou Thea atrás de mim.
— Vocês gostam da casa de vocês?
— Eu gosto, mas o papai disse que a gente vai se mudar mês que vem para uma casa mais perto da escola e do parque. Mas ele ainda está arrumando ela para gente se mudar. — disse Damien e Julianna assentiu como se concordasse mais uma vez. Era fofo de se ver o quanto Julianna estava levando tudo a sério. Ela era tenaz e tinha um espírito forte, mas seguia Damien.
Silverstone então pegou do oficial de justiça a pasta vermelha que eu tinha arquivado no dossiê do caso hoje mais cedo. Era a planta original da casa e a nova planta depois da reforma que Oliver estava fazendo.
— O que vocês acham da família de Oliver?
— A gente ama a Tia Thea e o Tio Roy! E o Tio Tommy! — exclamou Julianna e consegui ouvir Thea rir baixinho atrás de mim. — Eles levam a gente para comer em lugares diferentes toda vez e o Tio Roy ganhou um ursinho enorme para mim!
Damien revirou os olhos, mas sorriu levemente.
— Eu também gosto do Tio Adrian, do Tony, Tia Felicity, Tio John, a Tia Lyla que está bem ali ó! — disse Julianna apontando para mim e depois acenando levemente. — Também tem a bebê Charlie, o Andy, o Tio Ben, o Tio Barry, o Tio René, o Tio Slade, a Tia Cat...
— A gente tem uma família bem grande. E tem a Raísa. Ela foi babá do papai e sempre visita a gente de vez em quando porquê o papai não consegue cuidar das plantas direito. — cortou Damien antes que Julianna falasse o nome do time inteiro. — E o vovô e a vovó.
— O que acham deles?
As crianças pareciam estar alheias das pessoas da plateia.
— A vovó visitou a gente uma vez, eu passei no mal no dia e fui para o hospital. Ela me visitou e pediu desculpas por ter me dado amendoim. A gente não pode comer amendoim, faz muito mal. — disse Damien dando ombros. — Ela parece ser meio chata, mas também parece ser bem legal. O papai disse que foi ela que ensinou matemática para ele e que sempre escolhe os melhores presentes de Natal também... A gente não conheceu o vovô ainda, mas eu sei que o nome dele é Walter porque o vovô Robert já morreu.
Eu não sabia que Moira havia ido visitar Damien no hospital. Oliver não me contou isso. Olhei para trás para perguntar para Thea e ela encarava a mãe na última fileira de assentos surpresa e pensativa. Acho que ela também não sabia.
— O que vocês acham que a mãe de vocês iria querer?
Isso calou os dois e eles pensaram. Por dois minutos silenciosos e torturantes.
— Ela não ia querer que a gente ficasse triste. — disse Julianna baixinho, mas graças aos microfone, todos nós ouvimos, e vi que ela abaixou a cabeça e estava prestes a chorar. — Ela disse que queria que a gente ficasse feliz, mesmo sem ela.
— E nós não ficamos tristes com o papai. — acrescentou Damien e abraçou a irmã de lado.
Silverstone então assentiu, se levantou e foi até eles. Os acompanhou até a ante-sala com o oficial de justiça e eu comecei a recolher minhas coisas da mesa. Não queria deixar subir a cabela, mas conferi o que tinha em mãos. Felicity, Tommy e Moira conseguiram pontos para Oliver mesmo que Sin, Silvya e o próprio Oliver tivessem tirado alguns. Não estávamos em um empate. O fato de Laurel ter sido sido violenta com Sara talvez não fosse considerado porque fora antes de ter sido reabilitada e ela dizia não tomar mais daquele suco de adulto. Talvez Silverstone não considerasse o que Damien tenha dito.
Tivemos um recesso de quinze minutos e eu fui buscar Oliver na ante-sala que ele foi direcionado. Abri a porta e encontrei ele e Felicity em um abraço apertado e cocei a garganta levemente. Tommy não estava por ali pelo que eu conseguia ver.
— Está na hora... Vamos? — perguntei com um leve sorriso e Oliver assentiu.
Estava sereno. Conformado.
Andamos juntos para o salão principal da tribunal e notei que Moira, Walter, Thea e Tommy estavam sentados na primeira fileira agora. Todos juntos. As professoras estavam na fileira seguinte. Felicity apertou a mão de Oliver e se sentou ao lado da Professora Ratko.
— Todos se ergam! — pediu o oficial de justiça. Todos levantaram e Oliver veio para o meu lado na frente da divisória de madeira. As crianças permaneceram na ante-sala do juíz e apenas Silverstone retornou e assumiu o palanque.
— Bom, durante todo esse processo, eu consegui reunir uma série de fatos que atestam que a Srta. Laurel Dinah Lance não está em condições para ter a guarda de duas crianças de cinco anos no presente momento. — ela disse calmamente e eu tranquei minha respiração. — Por mais honráveis e louváveis que seus resultados estejam sendo, você ainda é alcoólatra em reabilitação. Há inúmeras pesquisas que confirmam que durante os três primeiros anos de tratamento 7 em cada 10 pessoas passam por recaídas.
Laurel trocou a pose altiva e cruzou os braços desafiadoramente.
— O Sr. Queen também não está em posição alguma de criar duas crianças que conheceu apenas á seis meses. Você tem uma rotina que me parece muito exaustiva e problemática para eles. — ela continuou se virando para mim e eu senti Oliver gelar por inteiro ao meu lado. — Concordo em alguns pontos que ambas defesas fizeram, mas o que realmente importa é isso aqui...
Ela ergueu um documento.
— "Eu, Sarah Jane Lance, estando em perfeito juízo e em pleno gozo de minhas faculdades intelectuais, sem nenhuma interdição, na presença de três testemunhas a seguir qualificadas: Kristen James, Joseph Dougal e Moira Steel-Queen... — começou a juíza e eu sequer pisquei. — ... Livre de qualquer induzimento ou coação, resolvo lavrar o presente testamento particular no qual exaro minha última vontade, pela forma e maneira seguinte: PRIMEIRO: A guarda e custódia completa e total de meus filhos, Damien Lance e Julianna Lance, serão transferidas por completo para Oliver Jonas Queen sem interferências de terceiros."
Ouvi comemorações leves atrás de mim de Tommy, mas eu queria ouvir até o final.
— "SEGUNDO: A guarda de minha ascendente obtida por estado natural de saúda grave: Demência Estágio 4 — Alzheimer, Dinah Andrews Lance que reside em Ninhos das Aves — Asilo, será transferida por completo para Moira Steel-Queen sem interferências de terceiros. — disse a Juíza e cravou seu olhar em Laurel que deixou seus braços caírem. — "TERCEIRO: Deixo também avisado e claro que Laurel Dinah Lance não deve chegar á 800 metros dos meus filhos, Damien Lance e Julianna Lance, de acordo com o documento legal 332110-AB01 que refere á a medida preventiva e protetiva de proibição de aproximação com o nome da mesma."
Oliver respirou fundo e eu obriguei a mim repetir o mesmo movimento, mas meus pulmões se recusavam a trabalhar. Se eu estava certa no que eu estava pensando... Oh, alguém está encrencada.
— Este documento não só atesta que o último desejo de Sarah Lance para com seus filhos e mãe, mas também se refere á uma ordem de afastamento com o seu nome nela, Srta. Lance. Seu pedido de guarda está revogado e a ordem de afastamento atualizada. Não será permitido 1km de proximidade de Damien, Julianna ou Dinah Lance. Caso encerrado. — declarou a juíza e deixou o papel cair em sua mesa e bateu seu martelo. — Aconselho a você, advogada, antes de ir procurar esqueletos nos armários dos outros, saiba bem quais estão nos seus.
Laurel empalideceu e deixou seu corpo cair sentado na cadeira.
— Obrigada á todos pela presença de hoje. Parabéns, Sr. Queen, o senhor pode levar as crianças e... — começou Silverstone descendo do palanque e eu notei que ela usava um par de Jordans vermelhos brilhantes por baixo daquele manto preto que engolia sua forma por completo. Sorri ao ver aquilo. — Acho que devo desejar boa sorte também.
— Para que, Meritissíma? — perguntou Oliver baixinho.
— Oh... — ela parou se virou e sorriu. — Nós ganhamos dos Patriots por quatro downs. Estamos na final, não viram?
Thea foi a primeira a abraçar Oliver.
Agora sim, Tommy gritou.
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