Coaching Daddy
14 Capítulo 14
Notas iniciais

— O que tem de errado com meu mocha?
Felicity deu ombros.
— Pensei que fosse pedir café preto, puro e sem açúcar. — ela disse e eu revirei os olhos.
— Isso é Adrian falando que eu estou paranoico com alimentação e fiscal dos doces, não é? Ele tem que superar isso. — eu disse pegando um pouco do chantili em cima do meu copo descartável com o polegar.
Hm. Delicía.
— Ele faz a mesma coisa ás vezes. — disse Felicity dando ombros e tomando seu próprio café, mas sem leite de amêndoas desta vez.
Estávamos sentados em uma das mesas de piquenique do Stanley Park. As crianças estavam brincando no parquinho bem perto de nós e eu quase fui buscar Archer para ele ter um tempinho livre, mas assim que mandei a mensagem para Rory, ele disse que a bola de pelo estava dormindo e pela foto que ele havia me mandado em seguida, ninguém em sã consciência e coração iria perturbar o sono do buldogue.
— Posso te contar uma coisa?
Eu assenti e usei um dos guardanapos que havíamos pegado e limpei minha boca.
— Quando eu era pequena, meus pais se divorciaram, mas antes do divórcio, ele me abandonou. Eu e a minha mãe. — ela disse e girou seu copo de papelão levemente, mas todo o desenho com a cobertura de caramelo já estava arruinado. — Apenas não deu certo entre ele e minha mãe depois de anos tentando, mas eu não guardo rancor dele. Alguns dias são mais fáceis que outros, mas eu tento.
Olhei para as crianças que estavam se revezando para ir em um escorregador.
— Depois que ele foi embora, minha mãe ficou completamente desamparada e definitivamente não sabia como criar uma criança sozinha. — ela disse revirando os olhos e eu sorri um pouco. — Mas ela conseguiu. Ela arrumou um emprego e começou a sustentar a casa, me colocou de volta na escola e começou a se interessar mais por mim. Mesmo que eu não gostasse de concursos de beleza e as temporadas novas de American Next Top Model.
Ri levemente e bebi um pouco mais do meu café.
— Mas ela fez o que achava certo por mim no final. — ela disse dando ombros e terminou seu café em um último grande gole como se fosse um shot de tequila. — Eu sei que agora pode estar tudo muito confuso em relação á sua mãe e o que ela fez. Ela te privou de vários momentos com eles, mas não podemos nos fixar no passado, Oliver. Tenho certeza que sua mãe fez o que achava ser certo e o melhor para você naquela época.
— Eu sei, mas ainda está recente demais. Não sei se posso perdoá-la... Não tão rápido assim. — eu disse olhando ao nosso redor. A raiva ainda estava dentro de mim, mas por hora eu a forcei para o fundo da minha mente e foquei no que Felicity estava falando. — Eu me sinto como se tivesse abandonado eles e Sara. É uma sensação horrível...
— Eles estão aqui agora, não estão? — perguntou apoiando o queixo em uma das mãos e nós dois olhamos para onde Julianna e os meninos estavam. Agora eles estavam se revezando em gangorras. — Um pai que abandona é diferente de um pai que não sabe que é um. Confie em mim, eu sei a diferença.
— Você ainda tem alguma memória boa com o seu pai?
Ela assentiu e sorriu.
— Uma vez, durante todo o processo de divórcio, meu pai apareceu em casa e disse que iriamos sair para um lugar bem legal. Estava chovendo e muito frio, mas eu aceitei. Nós fomos á um jogo do Rocketes. — ela disse e eu estava surpreso para dizer no mínimo. — Eu acho que era sextas de final contra os Vikings, eu não lembro bem, mas sei que foi o primeiro campeonato que o time ganhou depois de um tempo.
Vasculhei minha mente rapidamente procurando por algo parecido e franzi minhas sobrancelhas. Se for o que eu achava que era, foi 2002, eu acho, mas o time havia perdido por uma grande de diferença de pontos e só havia voltado para a liga principal por causa de uma desclassificação.
— Nós perdemos aquele jogo, não?
Felicity riu e assentiu.
— Sim. Foi um desastre, mas eu só me importava com o meu pai. Foi um bom dia e até hoje é uma das minhas memórias favoritas. — ela respondeu e eu assenti. — Não me entenda mal, ele sabia ser um pai de merda, mas também sabia ser um bom pai.
Eu sorri um pouco e terminei o meu café com um último gole.
— O que você acha de uma noite do cinema? Damien vem me cobrado nos últimos dias isso. Ele quer assistir um filme com Anthony. — eu disse gesticulando na direção onde os três estavam ainda nas gangorras. — Mesmo que algo me diga que Anthony não vai calar a boca durante o filme.
— Oh, ele sabe ficar quieto quando assiste filmes comigo. — Felicity disse.
— Então você tem que vir junto como uma garantia... — eu disse e ela corou levemente.
— Estou interessada, mas primeiro... O que você julga ser uma noite do cinema, Oliver Queen? — perguntou e eu adorei o jeito que ela disse meu nome.
— Bom, filmes, pipoca, chocolate, cobertores... — eu disse contando nos meus dedos e apontei meu polegar em sua direção. — E pizza.
Algo em seus olhos brilhou e eu sabia que havia ganhado meu "Sim".
— Okay. Me mande seu endereço e chegaremos lá pelas 19h. Adrian vai sair em um encontro com Isabel hoje e é esse o horário que ele vai deixar Anthony na minha casa. — ela disse e eu assenti mais do que contente.
Nós nos levantamos juntos e fomos jogar os copos no lixo.
Separar os três foi horrível. Os gêmeos e Anthony estavam muito apegados á esse ponto e provavelmente eram melhores amigos um dos outros, mas com a promessa de uma noite do cinema e pizza mais tarde, eles concordaram em ir para o carro de modo pacífico e sem birras. Eu levei Felicity e Anthony de volta para escola que era onde o carro dela havia ficado junto com o material de Anthony e mandei meu endereço para ela por mensagem.
Eu e os remelentos fomos direto para casa depois disso. Eu tinha muita coisa para arrumar ainda e Damien tinha uma pilha de lição de casa enorme assim como Jules. Assim que colocamos o pé dentro do apartamento, Archer cobrou atenção e eu o despachei junto com os dois para o lado de fora para brincarem um pouco.
Ajuntei todos os brinquedos e livros e os arrumei na minha estante que antes era algo meramente decorativo já que todos os meus livros ficavam no escritório, mas que agora era o móvel dominado pelas bonecas de Julianna e os livros de Damien. Liguei o aspirador e aspirei a sala inteira incluindo o tapete. Empurrei os dois sofás para que eles ficassem mais perto um do outro e se meu plano desse certo, eu ficaria em um deles sozinho com a professora hoje enquanto as crianças dominavam o maior.
Fui para cozinha ao mesmo tempo que eles voltaram para dentro e montaram o balcão como base de operações para a lição de casa. A maior parte das matérias eles conseguiam fazer sozinhos, mas em matemática Damien precisou de minha ajuda novamente e enquanto eu lavava a louça do café da manhã tentei explicar para ele o que era uma raiz quadrada. Eu mal lembrava o que era, mas sabia fazer na prática o que não me deixava tão ruim na cena.
— Você vai se comportar hoje... Ouviu? — perguntei me agachando na frente de Archer e coçando uma de suas orelhas. Ele se aproximou e apoiou suas patas dianteiras em meus joelhos. — Nada de latir ou rosnar. Seja um bom menino e eu te dou três biscoitos hoje.
— Você está conversando com o cachorro, Oliver? — perguntou Damien ainda resolvendo suas contas com raiz quadrada e eu me virei para ele encontrando ele e sua sobrancelha erguida em minha direção.
— Sim. Eles conseguem entender. Não as palavras, mas sim o tom de voz que nós usamos. Archer já sabe os nossos combinados e ele vai se comportar hoje, não vai amigão? — perguntei e Archer latiu como se concordasse o que fez Damien sorrir.
Assim que eu terminei com a cozinha e coloquei as roupas sujas para lavar, já estava anoitecendo, mas ainda eram 17h. Ela disse que estaria chegando lá pelas 19h, o que me dava tempo de fazer mais algumas coisinhas. Deixei o milho de pipoca perto da pipoqueira profissional á postos em cima da pia. O menu da pizzaria em cima do balcão.
Fui até a academia e comecei a malhar. Eu não tinha problemas de auto-estima, não me entendam mal, mas eu sabia que a professora não iria tirar os olhos de mim se eu estivesse... Vamos dizer, afiado. Ainda lembrava do jeito que ela me encarou quando levou Damien e Julianna até o centro de treinamento no primeiro dia de aula e me deu a primeira bronca. Ela gostava do que ela via e tinha uma queda pelo meu traseiro.
Quando meu celular começou a tocar, eu empurrei a barra para cima mais três vezes em um fôlego só e depois a apoiei no suporte. Alcancei o celular e vi o nome de Jessy na tela. Oh. Fazia alguns dias que não nos falávamos. Atendi sua ligação e rezei para que trouxesse boas notícias.
— Queen.
— Oi Oliver, é a Jessy! Tudo bem por aí?
— Sim e com você? Julianna me contou que Eve e ela tiraram uma nota máxima em ciências juntas. — eu disse tentando soar casual, mas comecei a estralar meus dedos.
Era um tique que eu tinha.
— Oh sim, Eve me contou também. Ela ficou super animada!— ela exclamou soando feliz. — Mas eu tenho algo que vai te fazer ficar animado também.
— Conseguimos a casa? — perguntei fechando os olhos.
— Conseguimos a casa!— ela exclamou e eu deitei meu corpo cair novamente para o banco com um suspiro de alívio. — O contrato está pronto e o Sr. Travis já assinou, assim como eu... Só falta a sua assinatura agora. Os documentos e a escritura já estão prontos e no seu nome também.
— Você é fantástica, Jessy. Muito obrigado pela ajuda. — eu disse sorrindo e ela riu do outro lado da linha.
— Eu que agradeço a confiança, Oliver. Assim que estiver pronto para assinar, é só me ligar que eu levo o contrato até você ou até o seu agente. Nós conversamos um pouco quando a transferência do valor foi feita e ele me pareceu bem feliz por você.— ela confidenciou e eu revirei os olhos.
— Não se deixe enganar, ele só quer ir conhecer a casa antes da hora. Podemos nos encontrar amanhã na escola das meninas? Elas tem ensaio de ballet juntas. — eu ofereci e ela aceitou na hora.
Terminei a ligação agradecendo mais uma vez e o restante do treino voou após isso. Eu só parei quando o despertador que eu havia colocado tocou e eu voltei para a sala de estar, suado, o que fez Julianna torceu o nariz para mim.
— Banho. Os dois. — eu disse.
— Eu acho que você deveria ir primeiro hoje. — disse Julianna apertando o nariz com o dedo indicador e o polegar.
Eu revirei os olhos e fui para o banheiro. Optei por um banho gelado se não todo o treino que eu havia feito iria pelo ralo se meus músculos relaxassem agora. Me esfreguei até sentir que o cheiro do sabonete havia se impregnado na minha pele mais forte do que o normal. Não queria usar colônia hoje, isso poderia parecer que eu estava desesperado. Então me contentei com o sabonete apenas. Assim que saí do chuveiro, Damien apareceu e tomou meu lugar ali dentro. Arrumei meu cabelo na frente do espelho e desisti de fazer a barba. Escovei meus dentes e massageei meu estômago com Salonps. Já não doía mais como antes, mas o hematoma ainda estava ali.
Fui até o meu closet e escolhi uma calça de moleton que confortável suficiente e um pouco mais do que casual. Assim como uma camiseta que eu sabia que ficava justa nos meus ombros. Coloquei um par de meias nos pés e peguei os cobertores nos braços no caminho até o corredor.
Encontrei Julianna com o controle da TV nas mãos e ela já havia escolhido o filme de hoje. Enrolados. O filme da Rapunzel. Algo que não deixaria Damien ou Anthony muito satisfeitos, mas hoje era o dia de Jules escolher. Nós sempre poderíamos assistir outro filme depois.
Coloquei a pipoqueira para funcionar e acessei o aplicativo da minha pizzaria favorita depois de estudar o cardápio. Pedi três pizzas para nós. Uma pepperoni tradicional, uma pepperoni com extra queijo como Felicity queria. Uma marguerita com pimenta para mim. E o pequeno chef virtual até me convenceu á incluir no pedido uma pizza doce que parecia ser mais um fondue com massa italiana.
"Felicity, S: Chegando em quinze minutos com os proibidos :)"
Revirei os olhos, mas sorri. A única coisa que não tínhamos em casa era o refrigerante e Felicity se ofereceu para trazê-los. E é claro que ela não perderia a oportunidade de fazer graça com isso.
Assim que Damien emergiu das nuvens de vapor do banheiro, eu e Julianna fomos até lá. Eu a ajudei a se despir e prendi seu cabelo em um coque. Como amanhã era dia de ensaio, ela costumava a suar mais, então o dia de lavar o cabelo seria amanhã. Foi um banho muito rápido e assim que eu fechei o registro do banheiro, ouvi o interfone tocar.
— Consegue atender, Dame? — eu pedi indo para o quarto com Julianna nos braços.
— Sim!— ele gritou da sala e atendeu o interfone. Ouvi sua voz soar abafada e baixinha e depois o interfone chocando contra sua base. — Eles chegaram!
Vesti Julianna com seu pijama preferido e prendi seu cabelo em uma trança francesa que ela gostava. Depois ajudei ela a calçar suas pantufas de unicórnio que era o cavalo com chifre que ela tanto gostava e fomos para a sala á tempo de ver Felicity e Anthony saindo do elevador.
Anthony correu até Damien primeiro e eles fizeram um toque de mão bem longo.
— Oi, Tio Oliver. — ele disse vindo me abraçar pelas pernas como sempre e depois acenou para Julianna que ainda estava em meus braços. — Oi Jules.
Coloquei ela no chão e os três foram até a sala onde nosso canto estava pronto.
— Professora. — eu disse acenando com a cabeça.
— Jogador. — ela retribuiu o cumprimento e eu ri.
Ela revelou o engradado de doze latas de Coca-Cola que ainda estava gelado.
— O que iremos assistir? — perguntou ela colocando sua pequena mochila em uma das banquetas do balcão.
— Rapunzel. — eu disse abrindo a pipoqueira e despejando tudo em um balde com o símbolo dos Rocketes. O cheiro de sal e manteiga fizeram Felicity se aproximar e roubar um punhado para si mesma.
Eu tentei ignorar o fato que ela invadiu meu espaço pessoal sem cerimônia alguma e que seu perfume estava um pouco mais forte hoje. Ela havia escolhido se vestir tão casual como eu hoje, mas merda... Ainda sim, gostosa. Sua regata era branca e básica, com alças finas que deixavam seus ombros á mostra, mas a saia jeans que estava usando chegava ser pecaminosa e nem o par de all-star disfarçava isso.
Anthony e Damien até tentaram argumentar sobre a escolha de filme, mas desistiram dizendo que iriam escolher o segundo filme como eu havia previsto mais cedo. Os três sentaram no tapete e dividiram o balde de pipoca entre si, enquanto eu e Felicity estávamos nos sofá com Archer entre nós dois.
Até agora a bola de pelo estava se comportando.
Não havia estranhado Anthony e nem Felicity.
O filme começou e logo de cara percebi que era um musical como todos os outros e recostei no sofá enquanto assistia a loirinha do cabelão arrumar a casa. Meu celular vibrou e eu olhei a tela. Era uma mensagem de Rory. As pizzas chegaram.
— Eu vou ir pegar as pizzas. — eu sussurrei para Felicity que assentiu sorrindo.
Me levantei e calcei meus tênis de corrida rapidamente entrando no elevador.
— Okay. — eu disse a mim mesmo e comecei a planejar.
Tinha que tirar Archer do meio entre mim e Felicity, manter os três muito interessados no que estava acontecendo no filme e talvez com um pouco de sorte, eu me daria bem hoje a noite.
O elevador chegou ao térreo e eu fui até o balcão onde Rory me esperava junto com o entregador. Ele me reconheceu e pediu uma foto, eu aceitei com um sorriso educado e Rory tirou para nós. Deixei a de pepperoni simples para Rory em seu balcão e depois corri de volta para o elevador.
O cheiro de queijo e tomate eram irresistíveis. Eu espiei dentro da caixa quadrada de cima e vi a pizza de marguerita. Oh garoto. Iria comer tudo sozinho se bobear, fazia tempo que eu não tinha um dia de lixo e isso iria mudar hoje mesmo. Eu estava quase puxando uma fatia ali mesmo.
— Droga...
— Archer!
E muitos latidos.
Foi assim que eu fui recepcionado de volta.
Andei calmamente até a sala de estar e encontrei Archer na frente da porta de correr que levava até o lado de fora latindo feito louco. Felicity resmungando com a roupa molhada, Damien tentando limpar algo no sofá, Anthony ainda comia calmamente com Jules e eles estavam assistindo o filme que ainda estava passando.
— Três minutos. Eu só saí por três minutos. — eu disse rindo.
— Argh. Eu acho que o seu cachorro não gosta de pombos. — ela disse vindo até mim.
Sua camiseta estava com uma mancha molhada que deveria ser o refrigerante.
— Ele assustou vocês? Ele odeia pombos. — eu disse deixando as caixas de pizza no balcão. Felicity assentiu balançando levemente sua camiseta. — Archer! Já chega.
Archer soltou mais dois latidos para dois pombos que estava do lado de fora e parou. Ele voltou até o sofá e começou a lamber algo ali, provavelmente o refrigerante derramado. Damien estava lhe dando um olhar torto que me fez rir. Eu fui até lá esbarrando levemente no corpo de Felicity o que fez ela congelar por um segundo inteiro e depois relaxar.
Hm. Interessante.
Empurrei o sofá agora sujo o mais perto da porta possível. Amanhã eu tentaria limpar ou colocar no Sol, algo assim. Tirei Archer dali de cima e ele acampou ao lado de Jules esperando ganhar alguma pipoca da remelenta que estava com os olhos vidrados na TV. Depois nós iremos conversar sobre isso, bola de pelo. Olhei para Tv e resisti a vontade de revirar os olhos. Oh, mais uma canção. Que novidade, né?
Felicity serviu os três primeiro com pizza de pepperoni e colocou os pratos na mesinha de centro e eles atacaram enquanto assistiam. O balde de pipoca estava zerado, assim como as latinhas de refrigerante. Eu abri mais três e dei uma para cada um e depois um biscoito para Archer ficar quietinho.
Corri até o meu quarto e procurei uma camiseta que Thea havia deixado aqui. Fui até a sua parte no meu closet, e sim, ela tinha uma parte no meu closet assim como os remelentos agora. Ela tinha deixado pijamas, algumas roupas de academia, e também a peça que eu queria em especial. Era uma camisa dos Rocketes com o meu nome atrás e serviria em Felicity. Sem falar que o apelo iria aumentar pelo menos o dobro.
Respirei fundo e tentei controlar minha ansiedade e expectativa. Eu poderia estar um pouco fora do meu jogo agora, mas não deixaria isso me abalar. Quando me acalmei voltei para cozinha e ofereci para ela.
— Oh...
— É da minha irmã, acho que algo meu ficaria largo demais. — eu disse quando ela pegou a camiseta das minhas mãos com um sorriso leve. — Tem um banheiro á segunda esquerda se quiser se trocar.
Ela sorriu mais uma vez e foi até lá. Eu abri a caixa da pizza de marguerita e caminhei até o sofá livre e deixei meu corpo cair ali. Agora a mamãe estava cantando no filme e ela era sinistra. Assim que terminei de comer o primeiro pedaço, Felicity reapareceu já vestida.
Ela pegou a outra caixa de pizza e sentou ao meu lado.
Nós assistimos o filme, mas eu não era idiota e nem ignorante. Pelo rabo de olho peguei Felicity me encarando pelo menos três vezes. O treino mais cedo foi muito bem planejado, pelo jeito que ela olhava para os meus braços, ou melhor, encarava. E eu também sabia que o fato dela estar com as pernas bem esticadas para frente não fugiu da minha atenção. Ela me pegou olhando para suas pernas uma vez, as outras três eu consegui disfarçar muito bem.
— Eu não gosto muito dela. Ela é sinistra. — eu disse apontando para a mamãe doida por botox na televisão com meu refrigerante.
Jules virou assentindo para mim como se concordasse enquanto mastigava sua primeira fatia ainda. Eu sorri. Felicity riu levemente e serviu o prato de Damien e Anthony que queriam mais pizza. A pizza de pepperoni acabou e eu entreguei a minha caixa para ela. Já havia comido mais da metade, mas Felicity não estava muito atrás.
Acho que na metade do filme quando Rapunzel e Flynn conseguem escapar da guarda real e vão para cidade, as crianças se deram por satisfeitas e se jogaram contra as almofadas espalhadas no chão e dividiram um cobertor entre si. Jules deitou no ombro de Damien e Anthony também, o que me fez sorrir e Felicity tirar uma foto com seu celular discretamente.
Eu não estava prestando atenção de verdade no filme, teria que re-assistir sozinho caso Jules me perguntasse algo sobre ele depois e eu sabia que ela iria. Archer veio até mim com os olhos caídos e subiu no sofá. Eu quis estrangulá-lo ali, mas então ele veio e deitou em meu colo e eu fiz carinho em sua cabeça gorda.
Descemos para dois biscoitos agora, amigão.
Felicity se aproximou e deixou Archer cheirar ela e então permitiu que ela o tocasse. Ela fez carinho nele e ele rolou em meu colo ficando de barriga para cima. Ela sorriu e eu maneei a cabeça. Cachorro folgado. Em algum ponto disso tudo, a professora pousou sua cabeça contra meu ombro e continuou fazendo carinho em Archer que me olhava com a língua para fora.
Ok. Subimos para quatro biscoitos.
Jules se sentou novamente e vi ela colocar o rosto entre suas mãozinhas enquanto assistia o casal de mocinhos entrarem em um barco e lançarem as lanternas de papel para o céu. Ela tinha um olhar sonhador no rosto e um leve sorriso. Minha filha seria uma daquelas garotas que gostam de grandes gestos de amor.
— Eu estou ferrado. — eu disse baixinho e Felicity olhou para mim. — Olhe ali...
Gesticulei em direção á Jules e Felicity sorriu levemente.
— Ela vai ser uma daquelas garotas que amam receber flores e chocolates. — eu cochichei soando quase que resignado.
— Aposto que muito dos meninos irão pensar duas vezes antes de ao menor tentar se aproximar dela. Você não vai deixar ela namorar qualquer um. — ela cochichou de volta e foi a minha vez de assentir.
— Eu vou fingir que ela sempre vai achar que meninos são chatos até os 30, mas se algum deles tentar a sorte, pelo menos tem que ser um corajoso e não um bunda mole. — eu cochichei de volta e ela riu levemente escondendo seu rosto em meu braço para abafar sua risada. — E eu vou ensinar ela a não aceitar menos do que ela merece, e isso sempre vai ser mais do que o melhor.
— Eu acho que você já está fazendo isso. — ela disse e a oportunidade chegou.
Meu olhar estava preso no dela e quando ela desviou os olhos para encarar minha boca, eu sabia que ela queria o mesmo que eu. Por isso eu me inclinei para baixo e ela veio um pouco para cima. Quando senti sua respiração contra meu queixo, e abaixei meu rosto á ponto de roçar em seus lábios e...
— E o chocolate? Já podemos comer?
Senti Felicity soltar um suspiro pequeno e se virar para Anthony com um sorriso forçado. Eu me afastei ligeiramente da professora e coloquei um Archer sonolento ao lado de Jules quando me levantei do sofá. Ela sorriu e começou a fazer carinho nele, mas não desgrudou os olhos do filme.
Fui até a cozinha e eu peguei a pizza doce com os palitinhos para fondue. Abri a caixa de pizza entre todos nós e Julianna foi direto nos morangos e mergulhou um deles no chocolate derretido. Anthony escolheu um pedaço de banana e Damien dois blueberrys.
Algo me dizia que isso iria acabar em meleca.
—-
— Como ainda cabe comida dentro de você? Você tem seis anos. — eu disse encarando Anthony que estava com a boca completamente suja de chocolate e alguns dedos também. Damien e Jules não estavam muito atrás, mas eles não comeram nem metade do que Anthony havia comido. E ele tinha seis anos.
— Eu não sei, Tio Oliver. Eu só gosto muito de pizza e de chocolate. — ele disse dando ombros.
Felicity riu revirando os olhos e eu comecei a limpar seus dedinhos melecados de chocolate com alguns lencinhos umedecidos. Algo que eu havia descoberto que sempre deveria ter em mãos e nunca deixar faltar em casa.
Era um essencial agora.
— Aviso parental: Lencinhos nunca são suficientes. — disse Felicity ao meu lado e eu sorri assentindo. Ouvi um "click" e vi que ela havia tirado uma foto nossa. — Eu te mando depois.
Depois de limpar Anthony, passei para Julianna e por fim Damien. O filme havia acabado com um final feliz e eles decidiriam entre si e escolheram o filme do Bob Esponja. Tinha a metade da duração do primeiro, mas isso não afetou em nada a decisão.
Eu e Felicity arrumamos toda a bagunça e ficamos juntos escorados no balcão, apenas observando eles.
— Sabe o que eu notei na escola desde o passeio que fizemos?
— O que?
— Posso estar enganada, mas eu acho que Damien gosta de Wendy. — ela disse cruzando os braços em cima da ilha ao lado dos meus. — Eles estão mais próximos pelo que eu eu vi e Nyssa me contou que Anthony ficou chateado quando Damien aceitou fazer um atividade de ciências com Wendy.
— Sério? — perguntei sorrindo e ela assentiu.
— Acho que Julianna não notou porque ela tem outras amiguinhas, mas Anthony notou. — ela disse e eu vi os dois cochichando enquanto Julianna e Archer eram os únicos que estavam prestando atenção no filme. — É tão fofinho ver os dois na hora do recreio.
Eu ri levemente e observei Damien.
— Será que eu já tenho que ter a conversa com ele? — perguntei e Felicity negou rindo.
— Isso é inocente, Oliver. Do tipo de segurar as mãos, beijinhos na bochecha, cartinhas e bilhetinhos secretos... — ela disse me dando uma leve cotovelada. — Vai falar que nunca teve isso na escola?
— Modéstia a parte eu ganhava vários bilhetinhos, mas nunca entendia o que as garotas realmente queriam de mim e acabava não fazendo nada. Elas eram confusas. — eu disse e Felicity revirou os olhos e sorriu. — E você?
— Eu já escrevi, mas nunca recebi um. Sabe a criança estranha e sabe-tudo que ninguém gosta? Eu era ela na escola. — ela disse rindo de si mesma. — Bem, até eu conhecer minha melhor amiga, Alena. Ela era uma borboleta social e acabou me tirando do meu casulo também.
Continuamos conversando sobre memórias de infância vergonhosas e não vergonhosas e bebendo as últimas latinhas de refrigerante que ela havia trazido, eu provavelmente iria jogar fora depois se sobrasse alguma.
— Você nunca levou um fora? Nenhum tiro saiu pela culatra? Qual é... — ela disse cética e eu ri.
— O que você define como um fora? — eu perguntei amassando minha latinha.
— Levar um "Não". Levar um bolo. Ser traído. Se decepcionar. Eu não sei, ter alguém que você gostasse falando coisas ruins para você sobre você... Coisas ruins. — ela disse fazendo uma careta e foi a minha vez de rir.
— Eu já levei um fora então. — eu disse e ela olhou para o teto e juntou suas palmas.
— De quem?
— De você.
A cara dela foi cômica e eu quis ter tirado uma foto para registrar, mas não alcancei meu celular a tempo. Sua surpresa se transformou em choque e se transformou em confusão.
— Quando?!
— Ahm, eu não acredito que você esqueceu o nosso primeiro momento juntos, professora. Eu lembro como se fosse ontem. — eu disse rindo baixinho.
— Aquilo não vale! — ela exclamou lembrando da primeira vez que gritou comigo em pleno centro de treinamento. — E não é um fora porque eu nem conhecia você direito.
— Mas conhecia muito bem para encarar a minha bunda. — eu apontei e ela corou em três tons de vermelho. — Não te julgo, sério, todos gostam da minha bunda.
— Você é impossível. — ela acusou tentando esconder seu sorriso atrás da latinha de refrigerante, mas falhando miseravelmente.
— Mas nunca entediante, certo? — eu rebati sorrindo de volta.
Seu celular apitou ao lado do meu e ela o puxou para perto.
— Adrian já está voltando de seu encontro... — ela disse lendo algo ali e depois olhamos junto em direção á Anthony que havia caído no sono ao lado de Damien e Archer. Apenas Jules ainda estava acordada. — Acho que temos que ir agora, amanhã é dia de escola ainda.
— Eu te ajudo a levar ele. — me ofereci e ela aceitou com um sorriso.
Fui até os três e puxei Anthony do chão com cuidado e o máximo de carinho possível para não acordá-lo. Damien acordou no entanto e observou tudo confuso e grogue de sono.
— Eu vou levar ele até o carro de Felicity, e já volto. Fiquem aqui, okay? — eu pedi em voz baixa e os dois assentiram.
Damien voltou a deitar e dormir. Julianna voltou a assistir o filme.
Com Anthony nos meus braços, eu e Felicity entramos dentro do elevador em silêncio e eu coloquei meu código até a garagem onde eu havia dito para ela estacionar o carro em uma das vagas para visitantes. Ela liderou o caminho assim que as portas se abriram e caminhamos até um Mini-Cooper azul vibrante.
Levou um certo esforço, mas eu consegui coloquei Anthony no banco de trás e coloquei o cinto de segurança nele e o ajeitei para que não ficasse desconfortável ou o machucasse no caminho para casa e depois de um beijo em seu cabelo, eu fechei sua porta e me virei para Felicity.
— Você leva jeito com crianças. É tão natural que chega a ser irritante. — ela disse e eu dei de ombros me sentindo levemente sem graça.
— Se você é confiante, na maioria das vezes se sai bem. — eu respondi.
— Está confiante para o próximo jogo?
— Sim, e iremos ganhar. — eu nem hesitei em responder desta vez e ela sorriu.
— Agora eu sinto uma leve pitada de arrogância em sua voz...
— Eu conheço cada jogador do time adversário e sei quais botões apertar este ano, também conheço os meus jogadores. Vai ser fácil para nós e iremos subir na tabela. — eu disse encostando na lateral do capô de seu carro levemente.
— Se você diz... — ela disse jogando a mochila que trouxe no banco do carona.
Eu não queria dizer "Boa noite" ainda, então lancei o anzol mais uma vez.
— Quer apostar? — eu ofereci com um sorriso, agora sim, arrogante.
Ela se virou para mim estreitando os olhos e mordeu a isca de novo.
— Do que estamos falando? — perguntou interessada cruzando os braços levemente.
— Qualquer coisa, mas meus limites começam em cortes de cabelo e tatuagens. — eu disse dando ombros. — Eu tenho uma reputação á zelar, a final de contas.
Ela mordeu o lábio inferior e assentiu.
— Okay. Se você perder o jogo e despencar na tabela, eu quero que você faça um favor para mim. — ditou ela com um olhar excitado. — Respeitando seus limites, é claro. Nada que possa manchar sua reputação ou atrapalhar sua carreira.
Eu me levantei de seu capô e parei na sua frente. Seus termos eram razoáveis.
— Se eu ganhar e eu irei... — eu disse ainda sorrindo. — Nós vamos refazer nosso encontro.
— Então foi um encontro? — ela perguntou erguendo uma sobrancelha loira para mim.
— Era para ser no começo, mas acabou em uma seção de terapia. — eu admiti e ela riu e assentiu. — De acordo?
Ela apertou a mão que eu estendia brevemente.
— De acordo.
Caminhei até a sua porta e a abri para ela.
Felicity agradeceu, mas antes de entrar e se sentar atrás do volante, ela me puxou pela camiseta e me beijou. Dizer que eu fiquei surpreso era o mínimo, mas foi uma surpresa ótima. Seus lábios eram macios, quentes. Eles se moldavam perfeitamente com os meus em um encaixe muito bom. Suas mãos soltaram minha camisa e subiram pelos meus braços até se encontrarem em minha nuca.
A puxei para mais perto e tomei o controle de suas mãos.
Quando nossas línguas se enroscaram, eu senti seu corpo se derreter contra o meu e merda... Se aquilo não me excitasse como inferno, o que faria? Minhas mãos fechavam sua cintura inteira sem muito esforço e eu me permiti ir um pouco mais na direção Sul. Felicity suspirou em nosso beijo e eu sabia que havia feito a decisão correta.
Nos separamos levemente ofegantes, seus lábios estavam levemente inchados e eu sabia que os meus também estavam. Suas mãos estavam apoiadas em meus bíceps, porque se ela não ficasse na ponta dos pés, não alcançava minha nuca e isso me fez sorrir levemente. Ela era tão pequenininha perto de mim.
— Por que isso agora, professora?
— Eu precisava saber se no final das contas Adrian estava me protegendo ou me prendendo. — ela disse recuperando seu fôlego rapidamente e entrou dentro do carro após dizer isso.
Sua porta bateu e ela ligou o motor.
Me inclinei contra sua janela e ela colocou o cinto de segurança.
— Então?
Sua resposta foi se inclinar contra a janela e me beijar levemente mais uma vez.
— Definitivamente prendendo. — ela respondeu. — Boa noite, Oliver.
Ela cantou pneu assim que eu soltei sua janela, rindo. Assim que seu carro saiu pelo portão da garagem, eu me permiti sorrir como um maníaco e até joguei meu punho no ar um vez.
Touchdown, Queen.
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