Closer to the Edge

30 What About Angels


Notas iniciais
Cá estou eu, com o computador no colo e enrolada em um edredom de bichinhos e corações, com uma caneca de chocolate quente, Cidade das Almas Perdidas de um lado e minha gata do outro, o céu parecendo um holofote de tão cinza e vendo Sex and The City 2, entre outras palavras estou tendo um ótimo dia. Por isso estou feliz. Mas não sei se vocês vão ficar, de qualquer forma, lembre-se que amo vocês S2 VOCÊS.

P. o. V Annabeth.

Três semanas se passaram antes da tempestade acontecer.

Mas, para dizer a verdade, não sei se realmente foi três ou duas, ou até quatro semanas. Desde quando saímos de Tortugas não consegui dormir ou comer direito, trabalhava nos mapas e observava as constelações certas para que não errasse.

Qualquer erro será minha culpa.

Se acontecesse um genocídio pelas mãos dos ingleses a culpa seria total e completamente minha, e eu não duvidava nem um pouco que Poseidon adoraria encher a boca para falar que ele avisou, e ele teria razão, o que era um pensamento irritante.

Percy já tentou fazer com que eu comesse melhor ou que fosse dormir, ou simplesmente largar aqueles inúmeros mapas, várias vezes. Porém sempre estava perdida entre números, pensamentos e coordenadas, então a conversa fluía mais ou menos assim:

Percy: “Então, como está indo?”.

Annabeth: “Hã, não obrigada”.

Percy: “Certo... já comera algo hoje? Ou pelo menos sequer pregara os olhos?”.

Annabeth: “Acho que Leo está de plantão, pergunte a ele”.

Percy: “Silena não sabe se está grávida de Beckendorf ou se é de um guaxinim”.

Annabeth: “Interessante”.

Percy: “Meu cabelo está pegando fogo”.

Annabeth: “Tudo bem. Daqui a pouco”.

Sabia que ele tentava chamar a minha atenção, fazer me comer algo ou descansar pelo menos algumas horas. Também sabia que meu corpo pedia por isso: sentia tonturas frequentemente, enjoos com ânsias e fortes dores de barriga.

Contudo, minha teimosia era maior e... O que aconteceria com todos ali? Criara certo laço com essa vida, mas se no fim der errado, todos ali parariam com o pescoço em uma corda.

Vá até Londres, onde traidores usam cordões de corda injustamente.

A voz multiplicada de Rachel tilintou na minha mente, como se quisesse sair e me estapear.

O problema era que aquilo eu não poderia prever.

***

– O que é isso? – perguntei, levantando os olhos para Percy.

Ele pareceu se divertir.

– Bolo de glacê, Annabeth – olhou para o bolo com glacê extra e um morango do lado e depois me olhou – Annabeth, comida. Talvez eu traga um travesseiro e lhe apresente. Travesseiro, Annabeth. Annabeth, descanso.

Voltei os olhos para baixo, vendo o sol atrás dele começando a se inclinar para o oeste. A noite chegaria a poucas horas e poderia usar as estrelas ao meu favor, apesar de haver algumas nuvens ao longe no horizonte.

– Não tenho tempo para isso.

– Mas tem tempo para se suicidar ao poucos – rebateu – Todos aqui estão dispostos a se arriscar por uma ideia louca e que provavelmente acabará em genocídio – ele se inclinou para o lado, na direção do que seria a Europa – Só não sabemos ainda se será um prejuízo nosso, ou deles. – houve uma pausa, mas ainda o sentia ali.

Suspirei.

– Mas você sabe. – declarou – Vai voltar para Inglaterra. Não há outro meio de acabar de vez com essa guerra senão você voltar para Inglaterra. – ele parou e suavizou a expressão – Pode até não querer, mas sabe que é a única maneira...

– Tem outro meio...

– Ah, é? Qual?

– Tem de haver. – levantei-me, segurando a tontura.

Percy não respondeu, olhou para as próprias mãos e respirou fundo.

– Não quero perder você.

Aquilo me atingiu como um punhal enferrujado.

– Acharei um jeito... – hesitei, olhando através dele.

As nuvens aparentemente inofensivas rodaram no céu, ficando mais escuras e carregadas. Fleches de luz passaram rapidamente pelo meio delas, iluminando o círculo que se formava no oceano, com ondas agitadas rodando em volta de um cilindro agitado.

Gelo correu pelas minhas veias.

– Annabeth? – Percy chamou, mas ainda encarava com olhos arregalados para a monstruosidade que nos esperava – Annabeth você...?

– Redemoinho. – digo, cortando-o.

– O q...? – ele se virou imediatamente, pareceu inspirar profundamente, esticando as costas – Maldição.

– Conseguimos passar? – perguntei.

– Talvez. – respondeu, indo para o convés comigo logo atrás – Mas estamos com uma frota, não sozinhos.

– E se fossemos só um seria mais fácil? – perguntei cética – É um redemoinho, se entrarmos nele...

– Nos destruíra. – constatou, virou-se para mim, quase nos fazendo trombar um com outro – Eu sei. Mantenha-se viva e veja o que Beckendorf pode fazer.

– E quanto aos outros?

Percy parou, respirando grandes lufadas de ar.

– Eles provavelmente já sabem.

Apontou para o navio à direita, o navio de Ártemis. Mesmo àquela distância, se podia ver as várias garotas trabalhando apressadamente nas cordas.

– O que posso fazer?

Ele me olhou, dando um beijo na minha testa e respondendo antes de ir para as escadas dos compartimentos inferiores:

– Não morra.

p. o. v. Percy

Se nunca ficou em alto mar no meio de uma tempestade, não sabe a sensação de pavor misturado a adrenalina tilintando no sangue enquanto o mar te estapeia com ondas claramente assassinas. Porém, no fim desta, você se sente em uma poça de jubilo, um calor no peito e um sorriso no rosto. Se sente poderoso, as veias chiando e a vontade incontrolável de gritar para o oceano que não foi dessa vez.

Mas isso se for uma tempestade, o mar e o céu brigando igualmente.

Um redemoinho é jogo sujo da parte do Atlântico. É incontrolável e a única coisa que você sente perto de um é desespero, e quando acaba se vê perguntando como ainda está vivo.

– Perseu, fique no timão. – Charlotte ordenou, com um ruído na garganta. Estava se preparando para competir com o barulho do vento, por mais que não precisasse dizer muito, a não ser “mas que merda!” em qualquer imprevisto que possa acontecer – Tire suas mãozinhas daquela roda de madeira e eu estouro sua cabeça.

– É bom ver que sua fé em mim continua intocada. – comentei, sem ter certeza se ela ouviu ao andar em direção ao timão.

Olhei para frente, mesmo não conseguindo ver algo realmente relevante. O ar era nevoento e úmido, como fumaça de algo frio contra o quente. Mas não era necessário apertar os olhos com força para distinguir o buraco negro no meio do oceano.

Senti mãos ao meu redor, fazendo um cinto de corda e apertando-o bem. Corda de segurança, ou só uma corda que te prendia ao mastro principal, chame como preferir. Charlotte apareceu ao meu lado olhando o que nos aguardava com uma luneta dourada.

– Até que enfim algo que valha a pena. Estava começando a achar que a única coisa que teríamos era alguns navios ingleses.

Acima de nós, as velas bateram contra a madeira.

– Elas vão ter que aguentar. – digo – Podemos contornar, mas tem uma mínima chance de que algum dos navios entre.

– Desde que não seja o meu navio.

Depois de algum tempo, a pressão contra o timão ficou maior, e os nós dos meus dedos ficaram brancos tentando domá-lo. O céu e o mar formavam uma massa trovejante de nuvens beirando o negro, raios iluminando o céu e as ondas rebeldes já atingindo o casco do navio.

– Como não vimos esse Caríbdis antes? – ela perguntou.

– Se fosse um barco menor – considerei – e um só barco, simplesmente o contornaríamos, afinal, o mar é largo. Mas essas não são exatamente nossas condições.

As velas chiavam, a força para navegar tendo que ser maior e a bandeira preta tremulava em estalos. Não demorou muito para que se pudesse ouvir o som da tempestade – um horrível rugido molhado, como se o redemoinho fosse algo vivo. Ele inspirava e o navio estremecia, levado involuntariamente para frente. Um raio brilhou no céu e o oceano revidou com ondas que, ao nos atingir, já beirava os três metros.

– Pensei que seria p... – Charlotte foi interrompida com uma reviravolta na água, fazendo-a comer o próprio cabelo e tendo que se segurar na amurada para não tombar para trás. Segurei fortemente o timão e o rodei, para a esquerda, quase na beira do redemoinho. – Lembre-me mais tarde de nunca desafiar um mar revolto!

Estávamos na frente, pude perceber. A grande maioria beirava o redemoinho, alguns perto de mais, outro quase saindo do perigo, mas conseguia-se ver os tripulantes correndo de um lado ao outro, não muito diferente do que estava o Conçu.

O navio tombou para o lado, sendo tentado a entrar no redemoinho. Os ventos pareciam puxar todos para o funil mortal, o mar castigando as pessoas a bordo e os fleches de luz brilhando ameaçadoramente no céu.

– Tive uma ideia – gritei acima do vento.

– É para sair daqui?

– Sim. – respondi – Vamos usar a ancora.

Ela me encarou, e se fosse em outra situação tenho certeza de que teria rido.

– Não é hora para loucuras, Perseu!

– Não é loucura! – argumentei – Usaremos o redemoinho, a ancora nos fará rodar para o outro lado...

– Você quer dizer para o Inferno do meio daquele monstro ali! – corrigiu entre gritos – Isso não vai...

De repente, a tempestade bradou. O mar ficou estranhamente calmo.

Então, com a mesma rapidez que se acalmou, piorou. O redemoinho pareceu se expandir e engolir quem estava mais perto da sua borda, e consequentemente nós estávamos. O navio girou, e eu agradeci o criador da corda de segurança eternamente, quem quer que ele tenha sido. O mar invadiu o convés em esguichos quem arranhava a pele, os ventos fazia a visão ficar turva e o navio pareceu inclinar-se ligeiramente para a direita, indo em curso certo para o olho da tempestade.

– Ah eu desisto! – ouvi Charlotte gritar – Içar ancora!

– O que?! – ouvi alguém gritar, depois reconheci como sendo Beckendorf – Endoideceu?

– Icem a porcaria da ancora! – ela ordenou novamente, depois se virou para mim – É bom estar certo.

Não respondi.

Assim que reconheci o repuxo e a inclinação repentina do Conçu ancorando, soltei o timão no mesmo instante, vendo o girar junto com o navio e o que tinha dentro dele. Segurei-me na amurada, mesmo não tendo muito efeito. O navio brigava com o redemoinho, e ao sentir virar na direção certa e não a contrária, berrei:

– Subir ancora!

No exato momento que a ancora se desprendeu, o redemoinho pareceu rejeitar o navio, lançando-o para fora dele, mas não exatamente com suavidade. O mundo pareceu girar e ficar de ponta cabeça, senti meu corpo ficar sem peso e flutuando pelo ar. Até o vento cessar e eu ser vencido pela gravidade, sendo ruidosamente jogado para algo duro que eu percebi ser o chão mais tarde.

Aliás, todos pareciam estar assim. A tripulação inteira estava amontoada e jogada em um lado só, gemendo de dor ao se levantar.

Pus-me de pé com esforço, tendo a sensação da pior ressaca da minha vida, as pernas mal conseguindo me sustentar.

– Todo mundo viu? – perguntei, a voz enrolada e cambaleante – Porque eu não vou fazer de novo!

Alguém dera um tapa na minha cabeça, fazendo minha visão girar novamente.

– Eu disse que se você largasse aquela porcaria de timão eu estouraria sua cabeça! – Charlotte tentou parecer inquisitiva, mas estava tonta do mesmo jeito – Porém esse plano suicida salvou nossa vida. Quase consigo ouvir passarinhos cantando e o sol brilhando!

Ela não estava exagerando, por mais que o plano tivesse nos tirado consideravelmente da rota, o monstruoso redemoinho eram apenas nuvens cinza no horizonte.

– Boas noticias – declarou, ainda com a voz de bêbada e usando a luneta ao contrário – Consigo ver uma velhinha bonitinha preta beeeeeeeee... – ela continuou prolongando o “e” até eu colocar sua luneta no lugar – Oh, certo. Não tão longe assim.

Ela se virou para o convés, piscando e tentando enxergar um único individuo em vez de dois.

– Aos seus postos, homens! – gritou, fazendo com que a tripulação acordasse do torpor – Retomar rota inicial! Clarisse, dê as velas um tempo! Annabeth, já sabe o que fazer! Beckendorf – não ouve resposta – Beckendorf!

Nada.

– Hã... Charlotte... – Leo chamou.

Todos se viraram quando ele levantou a corda cortada.

Não desprendida.

Cortada.

Beckendorf, pensei.

– Ora, ora... – Charlotte sussurrou, pegando a corda decepada – Quero saber quem fez isso antes de encontrarmos algum inglês. – ela olhou acusadoramente para todos, sem exceção – Serei muito compreensiva, até deixarei com que arma o ser prefere que eu mate. – a corda caiu da sua mão – Clarisse fique no lugar dele. À estibordo.

Todos se apressaram em se soltar das cordas e continuar com suas tarefas, observando timidamente Clarisse andar até o elevado de madeira na frente do convés.

– Ah, aliás – Charlotte disse, virando-se para todos na varanda de madeira entalha, a porta para as cabines e o escritório aberta atrás dela – Não serei eu quem dirá a Silena o que aconteceu.

Notas finais
ENTÃO ERA PARA EU POSTAR UMA MARATONA, ao qual eu milagrosamente iria fazer antes de outubro MAS o segundo capítulo tá na metade, e como vocês já vão surtar com Sangue do Olimpo, meio óbvio que vocês iam me matar se eu chegasse com os capítulos de morte e vocês estão lendo Ah, mais gente vai morrer Me aguardem. You Know You Love me XOXO Gossip Girl