Closer to the Edge
31 Todos os pecados perdoados
Notas iniciais
P. o. V Percy
Menos de três dias após a tempestade, conseguimos chegar à rota certa; por um milagre divino consegui fazer com que Annabeth voltasse a ter uma vida, tipo comer, dormir, respirar, essas coisas. Ninguém mencionava a morte de Beckendorf, por mais que as suspeitas aumentaram consideravelmente. Houve brigas, claro, a grande maioria causada por Clarisse, já que por mais lenha na fogueira e ver o circo pegar fogo é com ela mesma.
E onde estava dona Charlotte Green para colocar alguma ordem?
Enfurnada no quarto dela.
– Você realmente pretende se isolar do mundo para sempre? – perguntei, fechando a porta do quarto da minha irmã atrás de mim.
– Saudades? – ela esnobou. Estava deitada do chão, com as pernas em cima de um dos sofás de um conjunto de madeira. O outro sofá de madeira clara estava a tapando, mas como o encosto era baixo e eu estava em pé, conseguia ver pelo menos parte das pernas cobertas com uma calça marrom escura – Pensei que nem sentiria minha ausência.
– Com Clarisse achando-se a rainha do barco? – digo cético, bufando logo depois. – Mais do que gostaria de admitir.
Charlote soltou o ar, então deduzi que riu sem emitir som.
– Porque está assim? – pergunto, contornando o móvel de madeira e sentando onde ela apoiava as pernas, colocando seus pés em cima do meu colo. Não tinha nada do rosto que revelasse alguma coisa, sem olhos vermelhos ou falta de sono. Só o rosto inexpressivo e com os olhos vidrados no teto – O que está pensando?
– Pensando no que aconteceria se eu morresse. – disse simplesmente. Na verdade, ela tem essa mania de falar coisas absurdas como se fossem coisas completamente normais – Talvez as coisas seriam mais fáceis.
– A única coisa que seria fácil é o fato de que eu teria total permissão para matar Clarisse.
Ela revirou os olhos para mim.
– Qual o teu problema com a pobre garota?
– Pobre garota? – exaltei-me – Aquela mamute em forma de gente tentou me matar várias vezes e ainda tentou colocar minha linda cabeça em um vaso sanitário pelo simples motivo de eu ser um novato! Pobre garota o inferno!
Charlote gargalhou por um tempo, e não pude deixar de me sentir feliz e orgulhoso de mim mesmo por ter feito isso.
– É, pode ter razão. É um bom motivo de qualquer forma. – falou – Mas pense: o que eu perderia se algo me acontecesse?
– O que poderia te acontecer de mais? – arqueei uma sobrancelha – Vamos lembrar que só tem 17 anos, dona Charlotte, tem a vida pela frente. Aliás, está ficando suicida por quais motivos?
– Estamos em uma guerra iminente, é normal as pessoas ficarem suicidas. – declarou – De qualquer forma, dê exemplos da vida que poderia ter.
Pensei um pouco.
– O nosso tipo de vida ou o tradicional?
– Diga-me primeiro o tradicional, depois o nosso.
– Muito simples, pode-se casar... – hesitei. Senti-a se retrair, e tive que morder a língua para não dizer de novo. – Ter filhos – hesitei novamente, o que estava pensando? Tudo que falava ela já fez, e não foi realmente uma lembrança boa. Nem sequer poderia dizer “enfim, ser feliz”. – Essas coisas, ter uma vidinha bem chata de dona de casa.
– Fora de cogitação. – respondeu rapidamente, não parecia afetada, mas controlava a respiração – Não há sentido ser casada com alguém que não seja o Cameron... – ela hesitou “até porque ele está morto uma hora dessas” pareceu querer dizer – E não dá para ser a mãe linda e maravilhosa se o pai lindo e maravilhoso não for quem você quer. – Charlotte engasgou, e tentei ignorar quando uma solitária lágrima percorreu o rosto, limpando-a rapidamente – E depois o que aconteceu com a Katherine...
– Certo, então sem modo tradicional – me apressei em dizer, e fiquei aliviado quando um raio de agradecimento percorreu o rosto da garota – O nosso modo seria ser a rainha dos sete mares, percorrendo os oceanos e sem medo do horizonte. Mas isso você já faz, então é só continuar.
– Own, eu poderia te abraçar se não estivesse com tanta preguiça de me levantar.
– E eu estou com preguiça de me abaixar, portanto ficamos assim mesmo.
Um silêncio percorreu o cômodo, não era exatamente agradável, mas também algo estrangulador.
Olhei em volta do quarto; para os vitrais que iam do chão ao teto, servindo como uma parede transparente; a cama ficava na mesma parede que a porta, a cabeceira de mogno escuro entalhada, bem arrumada e cheia de almofadas branca com detalhes em dourado, a manta vermelha muito bem dobrada sobre a coberta branca. Dos dois lados da cama, em cima das mesinhas baixas de madeira clara, abajures azuis escuro com detalhes cuidadosamente pintados em ouro. O piano negro ao meu lado e o lustre de cristais terminavam a decoração.
Charlotte era tão organizada que chegava a dar alergia.
– Não foi coincidência – ela sussurrou, tão para si que quase não ouvi – Nem febre alta.
– Charlotte, o que...
– Não fora coincidência, foi uma emboscada! – relatou, os olhos estavam arregalados, não de surpresa, mas de incredulidade – Isso está preso na minha garganta um bom tempo, quase sinto um peso saindo das costas! – ela se sentou e esticou as costas como alguém que acaba de acordar de um sono ruim – Aliás, também não foi febre alta. Isso foi o efeito colateral... – Charlotte se levantou, parando na minha frente – Alguém envenenou a minha filha e armou para o Waters...
Ela não concluiu o pensamento, nem precisava. Já sabia o que ela iria dizer.
– E eu pensando que Octavian era o último... – lamentei.
– O penúltimo. – ela corrigiu – Ainda falta mais um. E creio que já saiba quem é.
Charlotte adquiriu um ânimo de repente, e isso era preocupante.
– Charlotte...
– Não comece, sabe que suspeito disso desde...
– Char-lotte.
–... quando comecei a “vingança” – ela fez aspas com os dedos, andando até a cama e pegando algo de baixo desta – o que não é exatamente...
– Rebecca. – engrossei a voz, fazendo-a girar em minha direção no mesmo instante – Pare de ser egoísta, não percebe, mas o que faz, essa sua obsessão acaba com os outros ao seu redor. Aos que se preocupam com você!
– Ninguém se importa.
– Eu sim! – rebati.
Ela suspirou, voltando para onde estava inicialmente e sentando do meu lado. Trazia consigo um pequeno pote de vidro fechado com uma rolha de vinho em uma mão, e na outra uma caixa azul-marinho círculos dourados na tampa.
– Quando alguém me tira algo, eu devolvo na mesma moeda. – explicou – Esse vidro estava com o primeiro ao qual eu me vinguei. Hermes Castellan.
Juntei as sobrancelhas.
– Esse não é o sobrenome de Luke?
– Descobriu isso sozinho gênio?
– Apenas continue.
– Certo – ela voltou ao foco – Antes de eu enfiar uma faca do peito dele, o porco fedorento sibilou algo. Disse que não foi coincidência, que alguém que eu mais confiava disse-lhe onde e quando o navio iria se esconder. E disse ainda que a pessoa tinha também acesso à minha filha – ela indicou o vidrinho – Ela foi envenenada.
– E você acreditou mesmo no que ele disse?
– Todo mundo diz a verdade em quatro situações: quando é criança, quando está bêbado, conversas de travesseiro e quando está morrendo. – Charlotte balançou a cabeça. – E já fiz todas essas, então eu sei como é.
– Por acaso já morreu?
– Situações de quase isso o suficiente, além do mais, já matei muitos para saber.
– Assassina você.
Ela sorriu.
– Claro que sim.
– Só tem um problema nesse plano – digo – Ela já tinha ido embora de Tortugas, é imp...
– Hera.
– Que?
– Hera. Ela a convenceu de fazer isso. Eu sei por que a própria Hera me mandou uma carta antes de se suicidar, diz tudo nela. – Charlotte pôs o vidrinho e a caixa na mesinha de centro de vidro e foi até o piano – Quer mais alguma prova?
– Porque ela fez isso? – perguntei, um tanto perplexo. Charlotte não era p tipo de pessoa que matava por nada ou acusava sem fundamento – Quero dizer, é infantilidade fazer de tudo para causar algum dado na sua vida por aquilo.
Charlotte suspirou, pegando um taco de críquete de dentro do piano.
– Ela gostava do Cameron. – explicou – E quando me casei com ele...
– O que você tem mais nesse piano? – perguntei – O coelho branco está ai? Não duvidaria.
– Acabei de dizer tudo isso e você se concentra no que tem no que tem no meu piano? – ela perguntou, me encarando – Acho que tem um sanduíche ali, não sei – deu de ombros – Abre essa caixa e jogue ela pra cima.
– Jogar a caixa para cima por...?
Ela apoiou a testa na mão, bufando e olhando para o teto em seguida.
– Abre a caixa. Pega o que tem dentro. E joga o que está dentro para cima.
Não me surpreendi quando abri a caixa e encontrei uma caveira humana dentro dela. Charlotte limpou a garganta e se posicionou, jogando o taco para trás e o segurando com ambas as mãos. Mal joguei o cidadão para cima e ela o acertou em cheio, deixando uma cratera e por pouco não partindo ao meio.
– Teria sido divertido com ele ou ela em vida. – opinei.
– O torturei assim – explicou – mas bati em algo mais em baixo. – ela girou o taco e golpeou o crânio novamente, partindo-o definitivamente em vários pedaços. Suspirou longamente antes de se virar para mim – Esse foi o meu modo de dizer que está acabando – ela olhou a cabeça em pedaços por cima do ombro – Ele foi o primeiro, e agora, só falta mais um.
– Ao qual ainda permanece vivo – falo – quero dizer, por pouco tempo.
– Não é vingança, não são tão importantes para um nome tão formal e inquisitivo. – Charlotte ponderou, descansando o taco em um dos ombros – Eles tiraram de mim a única pessoa ao qual e tive coragem de me entregar por completo, eu vi a minha filha morrer sem poder fazer nada! – sua expressão endureceu como nunca vi antes, um brilho assassino nascendo nos olhos turmalina. – É um acerto de contas. Faça algo para mim, e eu serei justa em devolver na mesma moeda.
P. o. V. Annabeth
A guerra começou de verdade quando pelo menos cinco velas brancas foram vistas no horizonte.
Era um dia teoricamente calmo. O vento mais parecia uma brisa de primavera. O sol brilhava forte, e sentia gotículas de suor nascer rente à linha dos cabelos. O mar estava calmo, com pequenas ondas que em nada afetavam o navio, mas em compensação o reflexo que faziam chegava a cegar. Os cinco navios de artilharia pesada parecia querer nos matar de ansiedade e expectativa, flutuando calmamente pela água como um felino pronto para atacar sua presa.
Não com meu plano, pensei. Eles não contam comigo.
Interceptor. Esse era o nome do navio que vinha na frente, de madeira polida e detalhes em dourado, uma sereia imponente feita de ouro na proa. O navio virou de lado, parando lado a lado do nosso, espaço o suficiente para alcançar o outro com um pulo. O almirante, ao menos o que presumi ser, tinha uma expressão presunçosa no rosto.
Não por menos, ele estava com uma mina de ouro na frente dele. Cada cabeça valia uma fortuna em recompensa.
– Onde está a tão procurada Charlotte Rebecca Green? – reconheci a voz, os cabelos loiros e os olhos escuros.
– Maldição. – ralhei, me encolhendo atrás do mastro e abaixando a faixa pelo rosto, colocando o cabelo na frente dos olhos, fazendo o máximo para me esconder. Ninguém podia saber que eu ainda estava viva. Não agora.
Almirante Will Solace. Irmão de Octavian e de muitos outros nomes na marinha britânica. Rodava o anel ao qual todos em sua família tinham, sua expressão era de puro prazer e quase conseguia ouvi-lo ronronar. Não usava chapéu, deixando a mostra os cabelos loiro-dourados desgrenhados, a casaca azul marinho realçando a pele bronzeada do rapaz. Pelo que me lembrava, ele era um grande homem. Mas com os seus. Não podia culpa-lo, foi criado para cumprir com seus deveres e ordens, não há muito a se fazer quando se cresceu acreditando nisso.
– Acho que falta uma “capitã” nessa frase. – Charlotte corrigiu, entretida com as unhas.
Will sorriu.
– Claro que sim. – debochou, inclinando-se para trás, e como em uma deixa, outro homem mais velho deu um passo a frente.
Ele limpou a garganta e abriu um pergaminho, começando a recitar:
– Charlotte Rebecca Carlota Green – entoou com sua voz rouca. Charlotte revirou os olhos para cima e sussurrou algo parecido com “Capitã. Capitã Charlotte Green”. – Condenada à morte pelos seguintes crimes: pirataria, roubo, pilhagem, sequestro, fingir-se ser uma duquesa em um jantar oficial, um juiz – seu tom se tornou mais acusatório, mas Lotte nem sequer prestara atenção, sorria com a lembrança de tais atos – e o assassinato de, pelo que sabemos, Duque Hermes Thiago Castellan, Octavian César Solace, o sequestro e o possível assassinato da princesa Annabeth Mary Stefanni Germanotta Chase – Percy me olhou, desenhando o “Stefanni Germanotta” com ar irônico, e em resposta mostrei a língua pra ele – e...
Ele não pode terminar, Charlotte lançou um tiro certeiro, fazendo o homem cair duro na madeira com a blusa ensanguentada e olhos arregalados.
– Coloque isso na conta. – sorriu da mesma forma que Will, girando o revolver no dedo e o colocando entre a barriga e o lenço.
A expressão de Will não mudou em nada, mas o vi engolir em seco.
– És um monstro, afinal – concluiu – ainda não entendi porque matar nossa princesa, muito menos meu irmão. – ele exagerou na ênfase da última palavra – Mas, como mesmo diz, olho por olho...
– E dente por dente. – Charlotte o interrompeu, suspirando a seguir – Espero não ficar nas lamentações, Solace.
Ela olhou por cima do ombro para sua tribulação e o restante dos navios atrás de nós, todos preparados para o que veria em seguir. Charlotte voltou-se para frente, no mesmo instante que estalava os dedos duas vezes e apontava para o inimigo.
Todos, sem exceção, partiram para o ataque, incluindo os ingleses.
Preparei-me para o massacre iminente, mas hesitei quando um grito estridente de “parem” cruzou os sete mares. De alguma forma, isso fez com que todos, de ambos os lados, parassem, com espadas e armas de fogo em punho, olhando fixamente para Leo. O garoto se equilibrava entre a perna boa e a que precisava de apoio em cima da amurada.
– Leonardo Valdez! – Reyna ralhou baixo do meu lado.
Leo estava com as mãos para o alto, encarado quem estava ao seu alcance de cada vez.
– Deixe-me tentar entender: eles – ele apontou para a guarda inglesa – querem acabar conosco porque, bem, somos piratas, mas principalmente porque supostamente matamos sua rainha. Enquanto nós – ele fez um círculo no ar com o dedo, apontando para si mesmo e para o restante de nós – só queremos mostrar que não vamos nos reprimir quanto a isso. Enquanto ele – apontou para Will – quer obviamente mata-la – apontou para Charlotte – porque ela matou o irmão dele. É isso?
Reyna sussurrou algo como “não acredito que gosto desse garoto”, e falou em voz alta a seguir:
– Sim, Leo, é isso.
Ele levou um minuto para entender, antes de dar de ombros e dizer:
– Oh, se então é assim...
Então pulou para o outro barco desengonçadamente, com a espada em punho. E foi assim que o Inferno se alastrou por aquela parte de mar.
***
Sobre aquelas horas, só lembro-me de que perdi a noção do tempo, ou talvez quisesse esquecer o que virei naquele momento. Lembro-me que no fim de tudo, minha mão estava ensanguentada, assim como minha adaga e minha consciência. Procurei sentir a adrenalina queimando nas minhas veias, como fogo em pólvora, chiando nos meus ouvidos e me impedindo de ter alguma culpa quando estava acontecendo.
Teoricamente, todas as entocadas e as facadas rápidas foram em defesa própria. Em uma batalha, ninguém é totalmente vítima ou totalmente assassina.
Alguns até me reconheciam e ficavam paralisados na hora, e muitas vezes tive que fechar os olhos depois de pedir desculpas. “Princess...” era o que sempre diziam. Desviava de arcos mortais e achava os pontos que os fariam ter uma morte rápida, ou no máximo os incapacitar de tal forma que não conseguiriam se mexer. Ainda tinha que prestar atenção nas coisas ao meu redor, se os ingleses tiverem alguma chance de nos vencer eu tinha que intervir. Além disso, me abaixava e escondia o rosto da madeira que voava a cada bomba.
O som da luta era isso: uma mistura e espadas se chocando, o barulho alto de um revolver levando mais um e estouros de bombas de canhão, tentando desesperadamente encurtar o confronto.
Acidentalmente, vi Will pelo canto do olho. Ele escolhia calmamente alguma arma de fogo, aos quais estavam despostas em uma almofada vermelha que um criado assustado carregava. Ele pegava uma e avaliava, e descartava-a com uma careta ou um aceno de mão. Obviamente Will escolhia uma arma para algo que ansiava, levando-me distraidamente pensar no que ele disse “olho por olho...” sendo terminado por Charlotte “... e dente por dente”.
Voltei à realidade por um segundo, cortando um arco de um oficial, pegando o revolver do cinto e vendo-o arregalar os olhos enquanto caía de joelhos do chão. Dei uma cotovelada em outro, fazendo seu nariz sangrar imediatamente. Outro vinha correndo em minha direção, mas foi impedido por uma cortina de cabelos negros, o pobre cambaleou e caiu na água atingido por uma espingarda de caça.
Charlotte sorriu ao ver o círculo de corpos em volta de mim.
– Está indo muito bem, princesa. – comentou no exato momento que o homem ao qual golpeei no nariz se levantasse zonzo, não tardei e golpeá-lo com o cabo da adaga, dessa vez em cima da cabeça. Charlotte assoviou ao meu lado – Se o meu irmão não se casar com você, eu caso.
Tenho certeza que riria da piada se a situação fosse outra.
– Tenha cuidado com Will. – disse, encontrando minhas costas nas dela, ambas chutando dos homens que vinham em nossa direção de lados opostos.
– Estou bem. – foi tudo que disse antes de desaparecer novamente.
Pensei novamente. Olho por olho e dente por dente. Charlote matou Octavian...
Um homem de casaca vermelha vinha em minha direção com a arma em punho, e antes de apertar o gatilho, tirei meu cabelo do rosto. Ele obviamente me reconheceu, parando onde estava e abrindo ligeiramente a boca. Não esperei para ver o que pretendia fazer. Corri em sua direção, prendendo o cabo da arma no ombro e segurando sua cabeça. O pobre homem estava tão atordoado que sua expressão continuara a mesma quando consegui quebrar seu pescoço com a ajuda do cabo da arma.
Esgueirei-me para trás das escadas e me abaixei, observando tudo por debaixo dos degraus.
Charlotte matou Octavian. Certo. Octavian era irmão de Will. E Will estava desposto a devolver na mesma moeda... Então ele não ia matar Charlotte, deduzi no fim.
Ele ia matar o irmão dela.
Uma faísca acendeu na minha mente, no exato momento em que Will escolhera a arma perfeita. Meus olhos voaram para onde Percy estava, ganhando facilmente de seis. Forcei meus músculos a se mexerem, saindo de baixo das escadas a tempo de ver Percy acabar com o último, respirando profundamente no exato momento em que ouvi o desparro da arma de Will apontada para seu peito.
Todo o mundo pareceu se diluir ao meu redor. A bala caminhando lentamente como se o mundo fosse feito de gelatina. Ouvi alguém gritá-lo, e percebi que era eu. Minha respiração pareceu falhar e o meu coração parou quando a bala cumpriu seu destino, sendo seguida de mais outra.
Mas não foi Percy o atingido, alguém foi mais rápido que isso, mais rápido que eu e mais rápido que as balas.
O mundo voltou ao normal, mas meus ouvidos ainda zumbiam quando observava Percy segurar o corpo com dois furos ensanguentados de Charlotte Green.
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