Closer to the Edge

37 Tell Jesus that the Bitch is Back


Notas iniciais
desculpem pela demora, mas sabem aquela garota que eu falei um tempo atrás? Pois bem, ela tá querendo treta comigo de novo, eu já vi que se acontecer algo daquele tipo de novo eu VOU METER A MÃO NA CARA DELA vocês precisavam ver na aula de E.F., queria tirar satisfação por algo que não fiz. Ai ela quis brigar, se fazer de machona fodona, e então eu dei meia volta e dei as costas, mas assim que ouvi “ai você é muito criança” eu só virei e mandei “isso vindo de alguém com 18 anos e no ensino fundamental. Se situa que esse teu sonho de ser da marinha é só um sonho, porque alguém imatura como você nunca poderá sobreviver em uma força nacional”. Só virei e andei de salto alto e deixei-a falando sozinha TAMBÉM NÃO ME ATENTA CRIAÇÃO MAL FEITA DE FETO e vamos melhorar a situação: eu não duvido nada que ela pôs a turma inteira contra mim, ela e a amiguinha escrota igual, dizendo para meu melhor amigo que fui falsa com ele. Mas ela se fodeu, porque nove anos de amizade não acaba com fofoquinha de resto de placenta. Desculpa ai, querida. Isso tirando o que ela fez na aula de português, eu tô com tanta raiva que nem dá pra por em palavras. Tá foda, viu? Enfim, traduzindo a situação: eu não consigo escrever quando estou com raiva. E eu AINDA ESTOU com muita raiva daquela bisha pobre que se acha a francesa e a única coisa que chega perto disso é fazendo francesinha na unha e olhe lá companheiro. Anyway, respirei aqui, Nathy Di Angelo capítulo pra ti e para sua recomendação shine bright like Diamond. Durmam com os anjos.

P. O. V. Rainha Annabeth (eu vou invadir o capítulo rapidinho porque a MrsPassion disse que eu não podia fazer isso, mas quem manda nessa joça sou eu e eu invado quando eu bem entender e se eu quiser eu faço disso um bordel sua palhaça)

A garota loira belíssima me encarava pelo espelho.

Sua pele em perfeito estado, macia como pêssego; os olhos cinza faiscantes em uma moldura de cílios volumosos, em conjunto com a boca rosa brilhante. O cabelo dourado cacheado estava preso em um coque firme, enfeitado pela tiara de diamantes ao qual escolheu, a franja caindo na vista propositalmente. O vestido era o mesmo, já ajustado e sem os fios de ouro, sendo coberto por seda perolada. Os brincos sutis combinavam com o colar que me recusava a tirar e, imagino eu, a garota do reflexo sentiria até repulsa com o gesto.

Estava deslumbrante, e poderia ser a mulher mais feliz desse mundo. Se, é claro, o noivo fosse outro.

Minha garganta ardeu com lágrimas de desespero ao lembrar-me da noite passada, no jantar eu antecedia o casamento, aonde tudo ia com os conformes: Luke e eu mantínhamos as aparecias com sorrisos falsos de rasgar a cara, isso tirando minha expressão de melhor atriz para “como estou feliz por voltar para o inferno e casar-me com um idiota demoníaco”, algo que tenho certeza que vai durar todo o nosso forçado relacionamento. Castellan foi um cavalheiro e manteve a boa postura, sem ameaças ou sequer olhares cheios de veneno, até alguém fazer a graça de dizer:

– Sós tão lindos! Terão herdeiros de dar inveja em qualquer um!

Agradecemos com certo desconforto e, assim que achou uma brecha, ele cravou os dedos no meu braço e sussurrou ao meu ouvido:

– Posso até não ter conseguido tirar essa coisa de você por ora, mas ele irá nascer um dia...

– Toque em um fio de cabelo do meu filho e irá conhecer o Inferno.

Luke abriu um sorriso digno de uma cobra, poderia até ter saído uma língua bifurcada entre os dentes que não ficaria surpresa.

– É o que veremos.

Castellan deixou-me em paz o restante da festa, mas eu tive que me controlar para tirar o sangue dele, fechando os punhos até sentir as unhas penetrarem a carne.

– Annabeth?

Piper abriu um sorriso incentivador. Trazia consigo um tecido fino e delicado nos braços, segurando-o como se fosse feito de vidro. Minha dama de honra se deu o luxo de se arrumar; os cabelos castanhos em ondas pelas costas, o vestido azul destacava a pele morena, os olhos bicolores brilhavam como sempre. Ela esticou os braços em uma pergunta silenciosa. Balancei a cabeça e abaixei-me para que ela pudesse pôr o véu por cima da minha cabeça. Assim que me endireitei, ela ajeitou o véu translucido, que era até mais longo do que o vestido e me cobria por inteiro.

– Vossa Majestade está tão linda! – Piper estava exagerando, claro, mas tive vontade de entregar um lencinho para ela. – Agora só falta...

– McLean – uma voz autoritária surgiu na porta. Não era Alicia, percebi, era uma mulher mais velha, na casa dos cinquenta, cabelos grisalhos e olhos azuis frios. Usava um vestido lindo, vermelho e dourado, obviamente muito caro para ser alguém que trabalhava no palácio. May Castellan, a mãe de Luke. Minha futura sogra.

Pipes ficou pálida instintivamente, a senhora Castellan era rígida como pedra. A garota morena abriu outro sorriso de incentivo, dessa vez mais tímido, fez uma referencia e saiu.

May Castellan examinara-me de cima em baixo e, sem dizer uma palavra, fechara a porta. Pela fresta pude ver dois guardas com rifles em mãos se posicionando de cada lado da porta de duas mãos branca. Ouvi o barulho da tranca e soltei um suspiro. O Palácio de Buckingham estava prontamente protegido como sempre, mas todo o trajeto até a Abadia de Westminster estava lacrado a sete chaves.

Sentia-me como um tesouro da humanidade em um cofre blindado.

Era claustrofóbico e, só para melhorar as coisas, não tinha muito que fazer enquanto não desse quatro horas em ponto, a hora exata para eu estar entrando por aquela igreja. A sala onde estava tinha alguns móveis cobertos por lençóis brancos. Algo que parecia um divã no canto, um sofá na frente deste e uma mesa entre os dois. Uma estante esguia-se pela parede, o lençol cobrindo apenas metade. As janelas com pesadas cortinas de veludo vermelho só mantinham uma fresta, deixando a manhã cinza e sem graça entrar com uma luz fantasma.

Encarei a bela garota no espelho. Sua mão se repulsava sobre a barriga e, por algum raio de motivo, sorri como uma boba. Perguntava-me como ele seria. Menino ou menina? Qual nome dar? Será parecido comigo? Essas coisas bobas que mães pensam.

– Sabia que está muito bonita? – um arrepio passou pelo meu corpo, algo elétrico, fazendo-me ficar estática na hora. Durante esses longos três meses, havia sonhado com essa voz que aquilo parecia só mais uma ilusão. – Mas será que da próxima vez que te vir vestida assim, poderia ser a minha noiva?

Tudo ficou escuro em volta e a única coisa ao qual via – ao qual precisava ver – era ele.

Percy sorriu para mim, o mesmo sorriso sarcástico e desafiador que estampava seu rosto e irritava-me no começo, mas não tardou em se tornar cativante. Os olhos verde-mar brilhavam, tão maravilhosos e hipnotizantes como me lembrava. O cabelo escuro estava bagunçado como se tivesse acabado de acordar, as pontas rebeldes saindo da faixa vermelha. Estava mais bonito – se é que seria possível – mais bronzeado e mais esguio. O cordão dourado brilhava na fresta da camisa branca, preso ao corpo pela bainha marrom com fivela em prata que cruzava o tronco. O colete azul com detalhes em ouro estava aberto, preso pelo cinco com duas armas em vista. A calça e botas escuras terminavam o que vestia.

Senti falta de tudo isso. Todas as pequenas coisas que faziam dele o que ele é. Os longos meses que fiquei longe dele me feriram como uma doença crônica, e minha única cura era estar perto dele novamente. Perseu Jackson se tornara meu vício, não tinha dor quando estávamos juntos, mas sim algo que me perfurava quando estava um minuto sem ele.

Não estava pensando em mais nada quando tirei o véu de cima de mim com um gesto que levou a coroa de diamantes junto, e corri em sua direção. Joguei os braços em volta do seu pescoço, beijando-o com fervor. Toda a angústia e a dor de meses se esvaíram ali. Um beijo para dizer o que não se colocava em palavras. Percy retribuiu com a mesma urgência, passando a mão pelos meus cabelos, enrolando os cachos entre os dedos. Suas mãos foram para minha cintura, girando-me e aumentando a intensidade dos beijos prendendo-me a parede. Éramos como uma chama que facilmente daria inicio a um incêndio.

– Senti sua falta – disse ele, traçando gentilmente o desenho do meu rosto – Senti tanto sua falta.

Aquilo derreteu algo dentro de mim, um calor se alastrando pelo meu peito.

– Nem imagina o quanto... – me interrompi, saindo da menina apaixonada e lembrando em qual situação nos encontrávamos. Aquilo era diferente da primeira vez, ao qual não passava pela cabeça de ninguém algo do gênero acontecer. Agora estávamos no coração de Londres, a capital do país que declarou guerra contra a pirataria principalmente porque eu supostamente fui morta por um. Mesmo estando de volta, se isso se repetir eles não vão ter nem um pouco de misericórdia. E isso tudo me deixou com raiva, uma nuvem de um ódio inexplicável. – Perseu Jackson o que você pensa que está fazendo?

– Hmmm, beijando você, talvez.

– Quero dizer o que está fazendo aqui.

– Ah sim, claro. Agora está muito explicado.

Rolei os olhos.

– Quero dizer no Palácio de Buckhigman, seu tolo! – desviei-me dos seus braços e abri uma fresta na cortina. O jardim três andares abaixo parecia indiferente. – Aqui e todo o trajeto até Westminster está mais protegido do que a Torre de Londres!

– Sabe que amo desafios, não é a toa que sou perdidamente apaixonado por você.

Fechei a cortina e o encarei.

– Você me entendeu! Se te descobrirem... Se algo acontecer a você... – nunca vou me perdoar por isso omiti. – Não vou mentir que estou mais que feliz por não ter pensado e vindo até aqui, mas... – hesitei – Isso foi irresponsável, muito irresponsável.

Ele inclinou a cabeça para o lado.

– É tão fofa quando está preocupada. – observou, fazendo-me revirar os olhos para cima. – Terei que repetir a mesma coisa que falei quando estávamos na mesma situação, princesa? Eu quero você, e se não me importei com os riscos que correria para tê-la aquela vez não vai ser agora que vou ter.

Respirei fundo. Era difícil argumentar com alguém que estava disposto a morrer por minha causa.

– E o que você pretende fazer?

Percy não precisou pensar muito.

– Bem, eu pretendo acabar com a alegria do Castellan. Quanto a você, só precisa pedir permissão para entrar no navio e eu vou pensar no seu caso.

Ele estava brincando, claro, mas isso não impediu de minhas sobrancelhas se juntarem, cruzando os braços e os cantos da boca se curvar em ironia:

– Pedir permissão?

– Claro – ele deu de ombros – A rainha aqui é você, mas no meu navio quem manda sou eu.

– Ah, claro que sim, ó Capitão Jackson – ironizei – E o que irá fazer quando a porta está trancada? – comentei, fazendo-o sorrir. – Aliás, como entrou aqui?

– Quanto a isso – ele se dirigiu à porta branca, batendo nela com três batidas, sendo seguida por mais duas, como um código. A porta se abriu, dando a visão dos dois guardas no chão, cada um com um tiro na testa. Um garoto se apoiava na batente, um rifle descansava nos ombros e tinha uma espada suja de sangue na mão, os cabelos ruivos fez-me lembrar de quem era: Grover Underwood. Percy me encarou com um brilho divertido no olhar. – Já cuidei desse assunto. – ele fez um gesto para a entrada, como se dissesse “damas primeiro”, a outra mão estendida em minha direção.

Olhei os dois guardas em uma poça rubra, depois para o véu e a tiara caídos no chão, depois para Grover e depois para a entrada livre.

A decisão era óbvia.

Apertei a mão de Percy e sorri em desafio:

– Tire-me daqui.

***

Tentei não olhar para as paredes enquanto andávamos em passos largos pelos corredores. Guardas estavam caídos aos montes no chão, as paredes brancas com caminhos de sangue escarlate.

– Creio que já obtenho minha resposta de como você conseguiu entrar. – murmurei.

Percy pareceu sair de um transe, percebendo o que quis dizer logo depois. Ele estava a minha frente com a espada em punho, Grover protegendo minhas costas com uma espada maior que ele em uma mão, um rifle estava prendido as costas, a ponta prendendo alguns fios de cabelo ruivo.

– Entrei pela janela, minha cara – Percy respondeu com ar divertido – isso foi Grover.

Underwood deu de ombros como se comesse entranhas humanas no café da manhã, e a carnificina não foi nada.

– Para um vegetariano você é bem perverso. – falei.

Antes que ele pudesse sequer abrir a boca, passos sincronizados foram ouvidos do fim do corredor, ecoando pelas paredes. Percy puxara-me gentilmente para a parede em um movimento repentino, seu braço cruzando meu tronco de forma protetora. Grover preparou o rifle, pondo as balas com maestria e a engatilhou casualmente.

Percy inclinou-se para frente, pondo a cabeça para o corredor, se escondendo bem a tempo dos passos diminuírem sua distancia e exclamações de horror serem ouvidas.

– Pronto para mais uma, Homem-Bode?

– Claro que sim, Garota da Água.

Percy fez uma careta com o apelido, mas não vez nenhuma objeção. Os olhos verdes pairaram para algo além de Grover, depois voaram em minha direção.

– Aonde esta porta leva? – perguntou.

Não me foi necessário olhar para trás.

– A sala de música, por quê?

– Há outra saída?

– Do outro lado... – me interrompi – Não mesmo! Isso é suicídio!

– Annabeth. – sua voz saiu curta e grossa, fazendo com que eu imediatamente fechasse a boca – Ficarei bem, mas não ficarei assim se algo lhe acontecer... – ele foi interrompido quando os guardas lembraram onde eu deveria estar, exclamando ordens de matar qualquer coisa que tente chegar perto da rainha. Encarei Percy com uma sobrancelha levantada, mas ele não pareceu mudar de ideia.

Minha vontade era de esganá-lo, mas pressionei meus lábios aos dele de súbito.

– Tome cuidado, Cabeça de Alga.

Não olhei para trás depois que abri a porta.

***

Existem várias surpresas na vida, mas aquela eu não esperava.

Assim que entrei na sala de música e senti alguém me prendendo com os braços e o frio de uma faca bem afiada no meu pescoço, bem, com tudo que vem acontecendo na minha vida aquilo não era realmente surpreendente.

Mas o que estava a minha frente, sim, era espantoso.

– Ora, ora – a voz áspera de Luke Castellan sussurrou ao meu ouvido, prendendo-me com braços de aço – Pensava que não seria tão previsível, senhorita Chase.

– E eu pensava que você deveria estar plantado naquele altar nessas horas. – retruquei, sentindo seus lábios mexerem contra minha bochecha.

– Pensou mesmo que eu ficaria parado como um idiota em uma igreja com rostos olhando-me com pena? Do mesmo jeito da primeira vez? Ficar de braços cruzados e perder minha noiva para um pirata que não tem medo da forca não faz o meu gênero.

– Tem certeza? – ironizei – Isso já aconteceu uma vez.

Senti a faca penetrar minha pele, arrancando um filete de sangue.

– Não queira jogar comigo senhorita Chase – avisou – Deve ter percebido que tenho aliados bem próximos de ti.

Encarei a garota com um rifle apontado em minha direção.

– Percebi.

A garota sorriu, não o sorriso convidativo de sempre, mas o mesmo sorriso de réptil de Luke. Ela jogou o cabelo em ondas para o lado, dando a visão dos ombros que não eram cobertos pelo vestido azul. Os olhos, antes tão solícitos, agora encaravam-me como navalhas.

Como pude ser tão burra?

– Ela foi minha pequena espiãzinha – Luke revelou – Lembra-se quando a fiz de refém? Bem, a garota é boa atriz não?

Não respondi. Aliás, sequer prestava atenção.

– Não precisa dizer todos os meus dotes, Lorde Castellan – Piper ronronou – Tenho certeza que será fácil para Annabeth entender tudo, do mesmo jeito que será fácil para eu apertar o gatilho se ela ousar fazer mais uma travessura – ameaçou, olhando diretamente nos meus olhos com ar divertido – Do mesmo jeito que foi fácil cortar a corda do... Qual o nome mesmo? Beckendorf não? Oh sim, talvez desse jeito minha irmã, que tinha tudo a seu favor, percebesse o quão tola foi.

– Agora entendendo porque Charlotte a odiava – cuspi – Você merece todo o ódio do mundo.

Piper McLean não se afetou.

– Ah, a doce e boa Charlotte Green. Que fim se deu, não? Também foi muito fácil... Fofocar para os oficiais onde o Waters estaria. Do mesmo jeito que foi bem simples convencer Hera Waters a matar a própria neta. Só um pouco de veneno e a pequena e doce Kathy estaria morta em pouco tempo. – ela soltou um longo suspiro, orgulhosa de si mesma – Foi tão simples...

– Ela era só uma criança! – argumentei, mesmo sabendo que para a real Piper isso não importava. Céus! Como queria esganar aquela garota! – Só um bebê inocente!

– Bem, o filho que carrega também – disparou. Senti a temperatura cair como se tivesse tomado um banho de neve, mas não deixei transparecer isso – Katherina Adele Waters cresceria um dia. Só fiz um bem à sociedade acabando com uma provável fora da lei antes que sequer falasse a primeira palavra.

Fiz menção de dar um impulso para frente, agarrando o pescoço daquela víbora com tanta força até ela parar de respirar, mas Luke forçou a faca na minha garganta e me deteve.

– Chega vocês duas! – a tentativa dele de tentar sair ameaçador era tão tosca quanto um Bobo da Corte tentar o mesmo. – Annabeth não pense em fugir ou fazer algo do gênero, se o fizer, não pensarei em ordenar que Piper aperte o maldito gatilho!

Piper se posicionou novamente. Luke abriu a boca, mas antes que pudesse falar qualquer maldita palavra, a porta atrás de Piper se abriu em um estrondo. Meu coração se deu o luxo de diminuir o ritmo quando Percy entrou pela porta branca, seguido por um Grover com alguns respingos vermelhos na face e roupas.

Piper levantou o rifle para Grover, que em um movimento rápido, a desarmou e bateu com a arma nas costas da garota que caiu semiconsciente no chão.

Percy sequer prestara atenção à cena; encarava Luke com um ódio que transbordava dos olhos verde-água. Pude sentir que Luke tremeu com o olhar lançado, mas não afrouxou o aperto em minha garganta. Seus braços continuavam firmes em volta de mim, impedindo-me de fazer qualquer coisa sem que cortasse a pele.

O moreno deu um passo à frente, mantendo o olhar em Luke.

– Solte-a – ordenou – ou será a última vez que verá suas mãos.

O loiro que me prendia soltou uma risada forçada.

– E quem você pensa que é para ordenar algo a mim, pirata? – Luke praticamente urrou e, antes que pudesse continuar com ofensas, ele deu um berro real que zuniu no meu ouvido.

Luke deixou a faca cair e me soltou, segurando a perna encharcada de sangue.

Imaginei que Percy ou Grover teriam jogado algo que não tinha visto e acertado a perna de Luke, mas assim que os encarei estavam ambos atônitos. Grover arfou, deixando as armas no chão e se segurou na parede atrás dele. Percy tinha os olhos arregalados ao máximo, sua espada deslizou pela sua mão até encontrar o chão.

Olhei para trás, afinal, o que poderia trazer reações como esta?

Não duvido muito que tenha ficado na mesma situação que Percy e Grover. Meu coração acelerou e meu corpo inteiro ficou rígido, era como ver um fantasma.

Santo Deus.

As curvas que deixariam mulheres invejadas e homens babando estavam sob um lindo vestido vermelho-cereja. Os cabelos escuros em um meio coque, as madeixas negras caindo em cascata pelas costas. Sua face em uma expressão divertida dava a impressão de que nada de mais teria acontecido a ela; os brilhantes olhos verde-turmalina brilhavam como sempre. Em uma das mãos segurava uma facão com sangue pingando na ponta.

Ela estudou o rosto de todos antes de encarar Luke com desprezo:

– Respondendo sua pergunta, Castellan, ele é meu irmão.

Isso fez Percy sair do seu transe.

– Mas... O Di Angelo disse... Que não havia dado certo... – ele estava surpreso e maravilhado ao mesmo tempo.

– O Di Angelo mente, meu caro – Charlotte disse como se fosse algo óbvio – O problema é que aquele zumbi de araque mente bem. – os olhos verdes voaram para cima e depois para Luke antes de encarar o irmão de novo – Desculpe-me, estou atrasada?

– Bem, — Percy sorriu, já recuperado do choque – têm perdido fatos interessantes esses últimos três meses.

– Estou vendo. – ela me analisou dos cabelos à bainha do vestido – pelo visto voltamos à estaca zero, não, senhorita Chase?

Responderia com outro comentário sarcástico, mas fui impedida por um gemido de dor vindo do outro lado da sala. Piper tentava inutilmente rastejar para fora do cômodo. Charlotte estalou os dedos e Grover não tardou em fechar porta na cara de Piper. A garota traíra socou frustrantemente a porta, se apoiando a ela.

Charlotte limpou as unhas com o facão, se divertindo com a situação de McLean.

– Creio eu que não se importaria de perder uma dama de honra, certo Annabeth?

– Na verdade, — digo eu, aproveitando a situação amedrontada da víbora – até amaria assistir a cena.

– Eu não poderia ter cunhada melhor. – Charlotte concluiu, sorrindo de satisfação.

A morena desfilou até Piper, jogando o facão no chão e arrastando McLean pelos calcanhares. A dama de honra arfou, arranhando o chão em uma vã tentativa de se livrar dos pulsos de ferro de Charlotte. A morena virou Piper, de modo que ficasse deitada olhando para o teto. Sangue escorria de sua testa, um provável machucado de quando se espatifou no chão. Charlotte pegou a arma de volta, prendendo os braços abertos de Piper com os pés, a imobilizando.

– Não precisa ver isso. – Percy alertou-me, segurando gentilmente o meu braço.

– Um pouco de sangue não vai me assustar.

– A questão é que não vai ser um pouco de sangue.

Perto da porta, Piper tremia nitidamente, mas sua expressão estava imutável.

– Mais uma morte. – Piper cantarolou, um sorriso estampado no rosto que não tardaria em sair dali – Nada de mais para você, não é?

Lotte sorriu como se as palavras de Piper foram vindas de uma criança, algo desnecessário a se ouvir. A arma afiada rodou em sua mão, e fincou-a na caixa torácica de McLean. A garota urrou de dor, o barulho gutural se esvaindo conforme mais facadas eram desferidas. Sangue era respingado, as paredes e principalmente Charlotte estavam sujos de respingos e filetes de líquido escarlate.

No final, Piper estava com os olhos vítreos, o tronco estava dilacerado e seu sangue estava em toda parte, até na bainha do meu vestido. Charlotte limpou um respingo da mandíbula com as costas das mãos, se ajoelhou e manuseou a faca em Piper como um açougueiro em um animal. Suas mãos remexiam em algo dentro de Piper, até finalmente achar e cortá-lo com a faca. Assim que conseguiu, levantou-se e se dirigiu à parede mais próxima com o coração da garota que acabou de matar em mãos.

Ela escreveu algo na parede, usando o coração e o sangue como um pincel e tinta macabros. Depois deu um passo atrás, examinando sua obra, descantando o pincel com um gesto, deixando-o cair ao lado da cabeça de Piper.

– É melhor que eles estejam avisados de que a vadia está de volta. – disse enfim.

As letras eram como as de um destro escrevendo com a esquerda, mas eram legíveis os dizeres “Olho por olho, dente por dente. Eu avisei.”.

– Eu e o Underwood aqui daremos cobertura a vocês dois – Grover assentiu quando Charlotte apontou em sua direção. Suas mãos estavam ensanguentadas, mas sua expressão era de como se tivesse matado um animal. – Não demora muito daqui até o Port Royal, porém, creio eu, algumas pessoas vão perceber uma garota com um vestido de noiva – ela jogou um manto escuro com capuz em minha direção.

Juntei as sobrancelhas.

– Port Royal?

Ela fez um gesto de descaso com a mão vermelha.

– Está vazio nessa época do ano. – esclareceu. Antes que continuasse, outro gemido de dor ecoou. Era Luke. Charlotte o olhou com divertimento. – Que decepção, Duque Castellan. Mas agora... O que fazer com você?

Luke tentou rosnar, mas o que saiu era um som gutural estrangulado. Para minha surpresa, Charlotte me encarava com expectativa, assim como todos.

Senti-me estranhamente honrada, um sorriso vingativo formando-se em meu rosto enquanto prendia o broche do manto. Retirei os sapatos brancos, mantendo um comigo. Não era uma grande arma, o salto não chegava aos cinco centímetros, mas o segurei firme.

Luke deu um risinho de lado, no entanto, antes que pudesse soltar um comentário repugnante, finquei o salto na ferida em sua parte. Não foi muito fundo, mas ele urrou de dor. Encarei-o com frieza no olhar, sem sentimento algum ante o sofrimento dele; o sangue escorrendo pelos meus dedos não me afetou ou deixou-me com repugnância de mim mesma.

Ele ousou tentar machucar o meu filho. Luke Isaac Castellan merece algo pior que a morte.

– Olhe para mim – ordenei, e quando esse não o fez, torci o sapato contra a ferida. Luke mordeu o lábio e levantou os olhos azuis – Só não lhe tiro a vida do modo mais doloroso porque, no momento, estou sem tempo para tal prazer. Além disso, você merece algo pior que algo banal como a morte. – inclinei-me para frente e sussurrei – E é o que terá da próxima vez que me encarar.

Arranquei o sapato com brutalidade, arrancando junto um pedaço de carne como aviso.

Peguei a espingarda de Piper e ajeitei o capuz enquanto seguia Percy pelos corredores sem pensar nas consequências do que estava prestes a fazer.

Notas finais
EU RESOLVI ENROLAR então faltam... o quê? Três capítulos para acabar e tudo mais. AH GENTE SÓ NO PRÓXIMO QUE EU E ZABELA APARECEREMOS LINDAS DE BONITAS PARA VOCÊS e se vocês quiserem mandar mais coisa pra gente fazer/responder tá valendo ainda. Anyway, Beijos no core You Know You Love Me XOXO Gossip Girl