Closer to the Edge

2 Smile, you'll marry!


Notas iniciais
Admito que: não aguentei esperar e como vai começar a semana de provas eu já coloquei logo o segundo capítulo.

Me olhei pela milionésima vez no grande espelho com moldura dourada à minha frente.

Suspirei.

Comecei a rezar para qualquer um que ouça minhas preces para que isso não aconteça.

Não, eu não acredito que haja algo divino que se importa conosco.

Hipocrisia? É, eu sei. Mas quando se está desesperada você começa a acreditar até que o Coelhinho da Páscoa exista.

Talvez se eu falar "não". Talvez se eu fugir pela janela. Talvez se eu cometer suicídio. O.K., muitos "Talvez se" demais. Tem que ter uma saída para isso. Infelizmente, se eu não casar com o Castellan a minha madrasta vai ficar com o trono. E eu não deixaria a Inglaterra inteira pagar por que a idiota aqui não teve coragem de se casar.

Casamento. Argh.

Nunca quis ter filhos. Muito menos um marido. Mas eu sou tão sortuda, mais tão sortuda que eu fui nascer em um época que a mulher só faz isso: casa e tem filhos.

Isso poderia ser mais rápido, e um pouco mais simples. É só os dois dizerem "sim" e colocar as malditas alianças. Não precisa de vestido, gastar mais do que é preciso em uma festa de casamento onde nenhum dos dois ama o outro.

Aliança política. Casamento arranjado. Vocês sabem.

Eu poderia ficar aqui o dia inteiro, apenas olhando para o meu reflexo no espelho e pensando. Isso seria realmente ótimo.

Porém a minha dama de companhia, Piper McLean, já tinha batido na porta pela terceira vez. Só mais 10 minutos e eu poderia sair. Isso foi a 8 minutos atrás.

Eu tentava engolir o desespero, mas, por algum milagre, alguém ouviu minhas orações.

Apesar de abafados, eu consegui ouvir gritos e o barulho de espadas se chocando. Alguns tiros de pistola e alguns gritos cessaram. Ah, Deus. Espero que não foram as poucas pessoas que prestavam na realeza britânica.

Eu tentei sair, mas a porta estava trancada.

Burrice? Eu sei. Mas eu tinha o que podem chamar de "necessidade de ajudar aos outros".

Eu tirei aquela droga de véu, que só deixava minha respiração abafada, e dei alguns passos para trás para pegar impulso. E corri com tudo em direção a porta. Porque raios aquela merda de porta tinha que ser de ouro? Vai gastar assim em coisas necessárias.

Eu já estava indo para o meu terceiro impulso, meu braço já estava doendo, mas eu tinha que ajuda. Quando eu coloquei todo o meu peso contra a porta, eu caí nada graciosamente no chão.

–Ai — resmunguei.

Uma sorte: Eu caí do lado de fora, isso quer dizer que eu consegui abrir a porta.

Um azar: Errado. Alguém abriu a porta.

Eu abri os olhos devagar, mas, como eu sempre me ferro, não era ninguém que veio para um casamento.

De primeiro momento, eu só consegui distinguir dois pares de botas. Quando minha visão clareou, tinha apenas um par. Uma pessoa.

Eu fui subindo o olhar, com um certo receio diga-se de passagem, e parei até encarar os olhos verde-mar dele.

Sim, dele. Provavelmente, com a minha idade, 16. Ele era um pouco mais alto que eu. Não era magricela, dava para ver os músculos bem definidos por baixo da blusa branca fina (isso, considerando o fato que os botões da blusa estavam abertos até o umbigo). Usava um lenço vermelho cobrindo um pouco da testa, mas deixando alguns fios do cabelo negro e completamente rebelde cair nos olhos. A pele era bronzeada, como se passasse tempo demais na praia. Tinha uma espada caindo casualmente na cintura no lado esquerdo. Tinha uma pistola prendia ao cinto da calça. Tinha um sorriso irônico e sarcástico nos lábios, como se dissesse: "essa é a futura rainha? Estamos perdidos!". E era, possivelmente, o cara mais lindo que eu já vi na vida.

Mas, se ele estava ali, com aquelas roupas, ele deve ter algo a ver com os gritos que ouvi.

–Q-quem é você? — droga, odeio gaguejar.

Ele se limitou apenas a abrir mais o sorriso e me olhar com aqueles intensos olhos verdes.

– Isso depende de quem você é. Annabeth Chase?

Eu me limitei a assentir, não queria gaguejar. E isso seria impossível se ele continuasse a me olhar com aquela intensidade.

– Então eu posso dizer quem eu sou. — Ele sorriu e me estendeu a mão, que eu aceitei. — Meu nome é Percy Jackson. Sou o braço direito, ou o co-capitão se preferir, da capitã do Conçu pour la mer.

Gelei. Eu conhecia esse navio. Ele tem dado dor de cabeça a muita gente poderosa da Europa. Charlotte Green, a capitã do navio, virou uma verdadeira lenda. Eu a admirava. O.k., ela era uma pirata sanguinária e tinha uma lista de crimes maior que o a Torre de Londres, mas ela era mulher e fazia o que queria.

– Pensei que o braço direito da capitã desse navio fosse o irmão mais novo dela. — disse.

– E você acha que eu sou o quê? Filho dela?

Não respondi, se eu me guiar pelas histórias, a poderosa e maior causadora de problemas de toda a Europa tinha apenas 17 anos.

– Quantos anos você tem? — perguntei, sem olhar nos olhos dele.

– 16, minha irmã tem 17. — ele sorriu, como se um pensamento o divertisse. — Dois piratas adolescentes roubam com facilidade um palácio cheio de guardas. Convenhamos, isso é engraçado não?

Eu poderia ficar ali, conversando calmamente com um assassino em série, mas o medo superou todo o restante e eu tive que perguntar:

– O que você quer?

Ele me olhou, o sorriso sumiu.

Anotem aí: nunca fazer esse tipo de pergunta a esse tipo de cara, você pode morrer mais rápido.

Ele estava prestes a responder, mas ouvimos passos na escadarias atrás de nós.

Uma garota esguia subia calmamente as escadas. Ela usava as mesmas botas que Percy; calças justas e um corpete vermelho com renda preta, o que apenas ressaltava os já fartos seios dela. Um sobretudo de couro escondia a pistola prendida na coxa esquerda. O cabelo negro estava em um trança de lado, o chapéu de capitão estava nas mãos dela. A garota também usava um lenço azul na cabeça e o batom vermelho só deixava os olhos verde-mar mais impactantes.

Charlotte sorriu, mostrando as covinhas. Como uma pirata pode parecer tão amigável, eu ainda não sei.

– Não é óbvio, princesa? Eu quero o ouro. Já o meu irmão...

Ela levantou os olhos para Percy, que ainda mantinha os olhos em mim. Ele apenas sorriu e continuou a frase da irmã:

– Eu quero você.

Notas finais
Tuts tuts tuts quero você
Ok, vou calar a boca que é o melhor que eu faço, por motivos estritamente óbvios. Eu sei que percabeth tá indo muito rápido, mas tipo, você vão entender o porque mais tarde.