Climton Beach - Um Lugar Para Todos
8 Passando o Tempo
Espere durante um tempinho mas logo puder ver a Montana de Arthur chegar com seus faróis de xênon. Ele ouvia November Rain do Guns N' Roses e estava bem na hora do solo, aquilo te levava pra outro mundo! Na boa, Slash é o melhor guitarrista da terra, santo Cristo!
Fui me aproximando do carro e abri a porta do passageiro logo me sentando e pondo o cinto de segurança. Arthur diminuiu o som do carro para conversarmos e disse em seguida:
– Que vamos fazer?
– Sei lá. Tava pensando na vida e pensei em você com sua careca linda. — ele deu uma pequena gargalhada, o que significava que não gostou muito da piada.
– Carlos, na boa, eu levo isso naturalmente mas é o seguinte, não quero que zoe a minha doença. Eu posso parecer numa boa, mas eu estou morrendo em contagem regressiva até o dia da minha morte e isso não é legal. Somos amigos, eu gosto de você e espero que você goste de mim da mesma forma, mesmo nunca tendo demonstrado certo afeto por mim, mas não zoa isso ta? Não isso, por favor.
Eu admirei o discurso do Arthur. Se tinha um cara que sabia mesclar uma conversa séria com uma cômica, era o Arthur, ele é um cara que sabe te levar a sério nos momentos que você quer, já o Lucas era daqueles que brinca em todo momento, não sei se tem a ver com o fato dele ser gay, sei lá, homossexuais são mais animados que o comum. E o Walter lembrava um pouco o tipo do Arthur, mas as vezes não sabia a hora de parar de brincar e falar sério.
– Mas e ae cara, cê ta bem de voltar para Climton?
– Não entendi Arthur. — foi muito estranho essa pergunta, nunca fui para Climton.
– Climton, ta preparado para voltar pra la? Você sabe, depois do que aconteceu. — ele falava com medo, parecia que não queria revelar o que era o real segredo e isso tava me assustando, só poderia ser a menininha.
– Você ta falando da menina que foi enterrada la né?
– Ahh sim, claro que é dela cara. — parecia estar mentindo, mas relevei isso.
– To cara, sei lá, não tenho nada a ver com ela e sinto muito pelos pais e a família toda dela, mas eu sempre quis conhecer Climton, acho que fui lá quando criança mas nem lembro de nada.
– É verdade, deve ter sido foda para a família da coitada. Bem um tiro na cara dela, maldito seja o assassino, e que vá pro inferno esse porra! — Arthur falava com muita raiva, e deu um soco no volante bem ao terminar a frase. Parecia bem incomodado com isso. — Mas ai Carlos, sem ser intrometido, como ta sua irmã?
– Ta viajando ainda. — sentia muita falta de minha irmã, prometo contar sobre ela.
– Verdade, Europa né? Foi morar com seus tios e tals, lembrei do lance.
– Arthur, lembrei de uma coisa. Lembra da minha amiga Vanessa né? — ele fez que sim com a cabeça. — Então, ela vai pro meu aniversário e...
– Sério?!
– Por que a animação? — ele havia aberto um sorriso quando perguntou se ela ia mesmo.
– Ah cara, ela é mó gostosa. — começamos a rir muito. O Arthur é um belo admirador de mulheres, as vezes mais fala do que faz, e quando digo isso, me refiro a ficar com meninas. Ele, muitas vezes, fala que vai ficar com alguém e tudo mais, e fica só na palavra, mas to nem ai, continuo pegando mais que todos eles.
– Ta ela é bonita, mas vamos falar sério. Ela vai chegar hoje às oito horas da manhã no aeroporto do interior da cidade, por que não vamos lá e esperamos ela? Eu sei que dá umas duas horas até chegarmos lá e já são três horas da manhã. Estamos sem fazer nada então...
– Beleza, vamos lá cara. Eu deixo você dormir no carro, já que você sempre dorme em viagem. — ele abriu um sorriso de leve porque sabia que estava certo. Não me incomodei, era uma verdade o fato de eu sempre dormir dentro de carros.
Nesse momento, Arthur pegou outro CD e pôs no som do carro. Era John Mayer, um músico que nem todo mundo conhece, muito menos no Brasil, mas que é bem legal, tem umas músicas lentas (bem gays por sinal), mas me chama bastante atenção em músicas que ele toca blues, covers do Jimi Hendrix e Eric Clapton, essas sim eram músicas boas. Mas o CD que Arthur colocara era de músicas lentas do John Mayer, e não deu outra, já fechei o olho comecei a pensar um pouco nas coisas, na Vanessa, aquela japonesa linda que eu era apaixonado por tão grandiosa ser sua beleza. Pensei um pouquinho na música...
Dormi, não me lembro de mais nada.
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