Climton Beach - Um Lugar Para Todos
12 Indo Para Climton
Jogamos durante uma hora inteira. Sempre que era assim, fazíamos duplas, eu e Lucas, Walter e Arthur. Era quase sempre as mesmas duplas, mas não reclamávamos, já que tínhamos nos acostumados ao modo do outro jogar. Mas sempre era divertido.
Foram exatamente quatro partidas de quinze minutos cada. Primeiro eu e Lucas pegamos o Arsenal e Arthur e Walter escolheram o Machester United, para ser uma disputa inglesa. Sempre tentávamos fazer isso. Em seguida, escolhemos o Milan e eles pegaram o Napoli, disputa italiana. Ai fomos para uma disputa espanhola, pegamos o Real Madrid e eles o Barcelona do baixinho Messi, que eu não curto, mas admito que é um puta jogador. Aliás, o Arthur é meio fanático pelo Barcelona, então no meio dessa partida, eu e Lucas adorávamos encher o saco dele, dizendo que o Barcelona é uma merda e o Messi pior que o Cristiano Ronaldo, e como ele tem pavio curto, ganhávamos pois ele ficava estressado e começava a errar as coisas. Essa era a técnica, e o pior, sempre dava certo. Então chegamos ao confronto final, a disputa alemã. Sim, nos quatro somos torcedores de times alemães e por incrível que pareça, nenhum deles é o Bayern München. Escolhemos o nosso time, Borrusia Dortmund e eles pegaram o deles, Schalke 04. Eu e Lucas ganhamos todos, menos o que realmente importava, a partida alemã.
Walter e Arthur comemoram muito, e isso ia ser motivo pra mostrar quem era o melhor durante dias. De repente Vanessa entrou pela porta do Porão toda descabelada, pois estava dormindo. Ela tinha uma cara de sono e estava bem sonolenta, até que caiu em cima de mim e ficou me abraçando, e enquanto isso, todos os três ficaram olhando para a minha cara como se eu tivesse transado com ela e aquele abraço fosse um agradecimento pelo sexo. Bando de babaca!
– Nossa Lucas, sua cama é muito boa! Valeu por ter deixado eu dormir nela. — ela disse dando várias bocejos.
– Relaxa, sempre que precisar pode dormir. Pena que essa vai ser a única vez. — Lucas ria dava algumas risadas de piada sem graça depois que disse aquilo.
– Mas e ae, o que vocês fic... — Vanessa foi interrompida bruscamente por um grito vindo da cozinha.
– Gente, desce que o macarrão ta pronto! — era a mãe de Lucas, claro.
Todos nós nos levantamos e Walter, Lucas e Arthur saíram correndo escada à baixo, enquanto eu e Vanessa íamos em câmera lenta, quase.
– Vou pular nas suas costas. — ela nem me deu alternativa de aceitar ou negar. Pulou direto nas minhas costas e comecei a carrega-la de cavalinho.
Começamos a rir como idiotas. Mas quer saber, era muito gostoso aquele momento! Parecíamos duas crianças e querendo ou não, eu não pensava em nada naquele momento, apenas ria de algo tão simples que com certeza, estava sendo um dos melhores momentos da minha vida. São esses pequenos momentos que nos trazem o lado o bom da vida, e o pior de tudo, é que não os valorizamos porque nem percebemos o quão importantes eles são! Eu devia ter aproveitado mais eles antes de chegar onde cheguei, porque no final, todos esses momentos, vão se perder como lágrimas na chuva. Se você adorou essa frase, assista Blade Runner, não sou tão criativo para criar algo lindo assim, mesmo sendo verdade.
Continuamos à descer as escadas e chegamos na cozinha. Arthur, Walter e Lucas estavam sentados na mesa e todos ja haviam se servido menos Lucas que estava pegando macarrão com o próprio garfo na panela que estava ao meio da mesma.
Me sentei e Vanessa fez o mesmo ao meu lado. Deixei que ela se servisse antes de mim, um pouco de cavalheirismo não mata ninguém, mesmo que não tenhamos nenhum intenção. Ela terminou e comecei a pegar. Era espaguete com molho vermelho e calabresa apimentada. Eu gosto, mas tem um problema, na mior parte das vezes, isso me dá uma tremenda caganeira no final do dia. Mas não ia reclamar, era comida.
Todos estavam comendo, e pelo modo que os meninos comia, estavam com muita fome, mas eu também estava, só não tinha muita vontade de comer. E há diferença entre ter fome e vontade de comer, portanto, não me encha o saco! Comecei a comer e estranhar o quão quieto os moleques estavam. Aquilo era assustador, e quando menos conversa, mais rápido a gente come. E foi isso que aconteceu. Comi tão rápido, que como não estava com tanta vontade de comer, me retirei da mesa e fui para o lado de fora da casa de Lucas, fumar um pouco.
Sentei na guia e acendi meu cigarro. Dei uma, duas tragadas e vi um daqueles formigões chegarem perto de mim. Nem sei se é uma formiga, o bicho é bem maior e tem até asa, mas então, cheguei perto com a ponta do meu cigarro e encostei nele. A formiga começou a rodar no chão e à se contorcer como se estivesse sendo queimada vida, o que não era mentira. Mas eu comecei a ficar com dó da formiga. Ela rodava e rodava cada vez mais no chão. Sofria mas não conseguia gritar, ao menos não escutava. Aquilo começou a ficar horrível, agonizante demais pra continuar olhando e quando resolvi pisar nela pra matar definitivamente, ela parou, ficou estática. Então eu assoprei pra ver se ela estava viva e a mesma começou a correr sem rumo no meio da rua. Sabe, o que nos diferencia dos animais? Somos tão irracionais quanto eles as vezes, na verdade, eles são muito mais racionais que nós, na maior parte do tempo. O ser humano é algo grotesco, nojento, bruto e miserável! Às vezes me dá raiva de ser um. Credo, nem quero falar sobre isso.
Me levantei e voltei a fumar, fiquei pensando durante um tempo aquele negócio da formiga, mas estava com vontade mesmo era de fumar, ja que fazia um tempinho que não o fumava. Quando cheguei no meio do cigarro, todos eles, incluindo Vanessa, saíram da casa de Lucas e este ja estava com a mala pronta, acho que isso explicava o tempo sozinho que eu tive. Então Walter começou a falar.
– Bora para Climton?
– Você não vai fazer sua mala ainda?
– Que nada, Lucas me emprestou umas camisetas, toalhas e tudo mais. Ta tudo dentro da mala dele e no fim, nem lotou. — Lucas e sua simpatia de sempre, emprestava até roupa sendo que não ia custar nada para Walter ir até sua casa fazer uma.
– Beleza, vamos para Climton!
Atravessamos a rua e vi que Vanessa estava me seguindo, ainda não tínhamos dito pra ela que ia sozinha com Arthur. Ela ia me matar, mas ia valer a pena pela vergonha que ia ficar. Fui na direção do carro de Arthur e peguei minha mala, o amplificador e a guitarra, dei meia volta, e fui em direção ao carro de Walter, ai Vanessa ja começou a reclamar.
– Onde você ta indo?
– Você vai sozinha com Arthur! Vocês ja se conheceram um pouquinha, ta lindo ver vocês dois juntos! — todos começaram a rir e ela ficou vermelha como um pimentão.
– Você ta brincando né?
– Não, não estou. Ah, Arthur!
– Que foi?
– Pega ai! — joguei a chave da casa de Climton pra ele.
– Você corre mais que o Walter na estrada, vai chegar antes que nós com certeza, então, prepara as coisas quando chegar.
– Pode deixar. E vem Vanessa, eu não mordo! — começamos a rir novamente.
Tava muito engraçado ver a cara de Vanessa com toda aquela situação. Ela estava mesmo com vergonha, mas ao mesmo tempo não reclamava.
Entramos no carro de Walter. Eu no banco de trás, ja que iria dormir com certeza, Walter no do motorista e Lucas no do carona. O carro começou a andar e por incrível que pareça, ainda não tinha dormido, e Arthur e Vanessa nem estavam mais ao nosso alcance. Ele realmente dirigia rápido.
Comecei a pensar na viagem e só de lembrar que era quase quatro horas pra chegar até Climton, o sono chegou, e peguei no sono.
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