Eu acordei um pouco antes da entrada de Climton, mas logo depois, passamos pela placa que dizia "Praia de Climton há cinco quilômetros", mas minha casa ficava mais perto e logo chegamos lá. A Montana de Arthur já estava estacionada na garagem de casa e Walter acabou por estacionar na frente dela.

Minha casa não tinha mudado nada. Parecia uma casa de campo, grande e feita de madeira com aquele velho e famoso telhado triangular. Tinha impressão de que já estivera ali, mas seria impossível, nunca visitei Climton. Talvez quando criancinha, devia ser por isso que eu achava Climton tão familiar.

– Carlos, a gente...

– Já to acordado Walter. — dei um sorriso, mas foi meio sem graça.

– Oh louco, acordou rápido dessa vez. — Walter falava bem surpreso, talvez porque eu só acordava na hora exata que chegávamos. — Mas e ae, ta de boa?

– To cara, que quer dizer com isso? — pergunta estranha.

– Relaxa cara, só queria saber se você tava bem. — foi bem sincero da parte de Walter, eu disse à vocês, não sei quando ele está mentindo para mim, mas pra ser sincero, confio nele porque nunca desconfiei de nenhum deles. Menos do Arthur. — Vamos, desce do carro e ajuda a gente a descarregar as coisas.

Descemos do carro e pegamos as malas no porta malas, e como Walter não estava levando nada, acabei dando minha mala para ele segurar já que a guitarra e o amplificador já me ocupavam bastante.

Walter entrou primeiro, ai eu e depois Lucas. Minha casa estava intacta. Era grande e muito bonita, uma sala bem espaçosa com uma mesa de jantar quadrada de vidro, três poltronas e dois sofás mais uma mesinha no meio dela que ficava logo em frente à uma lareira onde estava instalado, logo acima dela, uma TV de LCD. Nem eu sabia que meus pais tinham tanto dinheiro assim. Mas por mais ricos que eles fossem, eu estranhamente sou mais. Subi uns três degraus que saia da sala e ia para a cozinha. Bem bonitinha por sinal. Era bem cuidada com um faqueiro bem à vista, as pias era feitas de inox com uma geladeira feita do mesmo material, que guardava umas duas dúzias de cerveja que já deveriam ter passado do prazo de validade. Mas fora isso, ela não tinha tanta coisa.

Depois da cozinha havia um corredor bem comprido que para sete portas, três de cada lado e um na ponta que era o banheiro.

O primeiro par de portas era um escritório, com computador e tudo, e a outra era uma salinha de televisão com um home theater, blu-ray e uma biblioteca de dvds junto à outra TV de LCD. O segundo par era formado de um quarto de menina, de Helena, e um quartinho vazio que mais era um depósito de coisas que meus pais não usavam mais, mas pelo jeito, não queriam dar embora. Tinha uma vitrola, um vídeo cassete e algumas fitas em VHS. Também havia alguns livros e tudo mais, meu pai adora ler e não disse à vocês. Pra finalizar as portas havia o meu quarto e o dos meus pais. O meu quarto era simples, havia uma cama, um computador e um TV perto ao guarda roupa. Eu não entendi aquilo. Pra que um quarto meu se nunca me levaram pra lá? Devia ser esse o motivo de ser tão simples o quarto.

Aquilo tudo estava estranho. Era estranho pra mim.

Então resolvi chamar todo mundo pra sala pra discutirmos onde cada um iria dormir.

– Todo mundo, pra sala! — todos chegaram e nem vi onde Arthur e Vanessa estavam, já que não vi eles em nenhum dos quartos.

– Onde vocês estavam?

– Tava mostrando a praia pra Vanessa. Chegamos bem na hora que você mandou todo mundo ir pra sala.

– Beleza. Mas é só pra combinar, eu fico no quarto da Helena. Afinal de contas, ela ta viajando e não quero nenhum macho dormindo lá que não seja eu. Agora, vocês decidem quem vai dormir de conchinha na cama dos meus pais, e quem vai dormir na minha cama com a bi cama.

– Já que a Vanessa se acostumou mais comigo, deixa que a gente fica na cama dos seus pais.

– Meu deus Arthur, vocês ja transaram? — Lucas disse e todo riram, incluindo Vanessa que ria totalmente sem graça, e vermelha, claro.

– Não, mas é que a gente veio conversando e tudo mais. Ia dizer pro Carlos dormir na cama com ela, já que são mais íntimos, ou pra ela dormir no quarto da Helena, já que você só quer que nenhum homem durma lá, deixa ela dormir.

– É verdade, faz sentido. Você dorme lá Vanessa?

– Claro, melhor né? — deu uma risadinha sem graça mas que não tirou sua beleza. Ela é muito linda, e por mais estranho que seja, chegava a fazer com que eu me esquecesse um pouco da Fernanda, mesmo sentindo falta dela.

– Ta certo, vamos desfazer as malas. Vou deixar a minha na cama dos meus pais e dar uma volta até a praia, beleza? — todos concordaram com a cabeça então eu fui.

Climton Beach era bem perto da minha casa, era só chegar ao final da rua e seguir pela avenida, não tinha como errar.

Continuei andando pela avenida, e via algumas pessoas andando na rua e tudo mais. Até que tudo estava muito familiar para mim, eu acho que ja devo ter ido para Climton quando era bem pequeno, porque estava me lembrando um pouco das coisas. Era estranho, porém era gostoso recordar velhas memórias que não lembramos.

Fui em diante e cheguei na praia. Climton Beach. Linda porém assassina de menininhas. Comecei a caminhar sobre a areia e aquilo começou a me dar uma dor no estomago, um pouco de enjoo. Devia ser o macarrão com calabresa, não tinha uma vez que não me enjoava. Voltei a caminhar e comecei a passar mal cada vez mais, até que avistei um píer e fui correndo em direção à ele.

Subi no píer e corri para a ponta caso vomitasse. E foi exatamente o que aconteceu. Vomitei muito em direção do mar, e os pescadores que estavam no píer começaram a me encarar e cochichar entre eles.

– Me desculpem, não queria espantar os peixes de vocês.

– Pode ficar tranquilo jovem, esperamos que seu vomito atraia a fome deles. — os velhos começaram a rir feito loucos. Difícil achar pessoas simpáticas daquela forma.

Então me sentei no píer, e fiquei com as pernas balançando no mesmo. Aquilo era um lugar muito bonito, foi um pequeno momento maravilhoso na minha vida que estava sendo perfeito. Foi ai que comecei a lembrar.

E eu já estive em Climton.