Clichê

7 Capítulo 7: Primeiras Notas


Notas iniciais
Gente, quero pedir que me perdoem pela demora. Estou no Colégio Militar, a coisa está tensa! Os estudos estão me devorando praticamente, então por isso a demora entre os capítulos. Comentem.

Quando minha mãe chegou, eu estava no meu quarto. Ouvi-a abrindo a porta, sorri e desci as escadas á fim de recebê-la.

–Olá mamãe. –Disse assim que a vi passando pela porta soltando o coque e tirando os saltos ficando descalça.

–Oi Lexi. –Ela sorriu. –Como foi seu dia?

–Legal. –Pela primeira vez o meu “legal” queria dizer realmente “legal”. –Um dos meus amigos lá da nossa outra cidade vai se mudar pra essa cidade aqui, não é bom?

–Fico feliz por você boneca. –Minha mãe abriu um sorriso daqueles maravilhosos dela. –Que tal a gente fazer maratona de séries hoje?

–Sério? –Antigamente costumávamos fazer maratona de séries nós duas. Quando uma série era realmente boa nós recomendávamos ao meu pai e ele acabaça se viciando também. As séries eram algo que me unia á minha mãe, uma paixão em comum nossa. Mas depois que a traição do meu pai foi descoberta ela não tinha cabeça pra mais nada á não ser não tentar desabar. Então aquela maratona significa que ela finalmente se recuperava. E nada no dia podia me deixar mais feliz. –Vamos claro.

–Ótimo. Vou fazer uns sanduíches enquanto você vai colocando os episódios para carregarem. Que tal Gossip Girl? A Mônica, do meu serviço, jurou de pé junto que é bom.

–Vou lá colocar.

Subi as escadas praticamente correndo, abri o notebook e coloquei uns três episódios para carregar. Na verdade nossa internet era rápida o suficiente para que não precisasse carregar, mas eu não iria ver sem ela então os abri e deixei lá enquanto esperava minha mãe.

Ela chegou com uma bandeja com vários pequenos sanduíches e dois copos de Coca-Cola, coisa que nós duas também éramos viciadas. Deitamos ambas e colocamos o primeiro episódio enquanto comíamos.

Vimos uns quatro episódios até que ela disse que ia dormir. Dei um beijo em seu rosto e deixei com que ela se fosse. Assim que ela fechou a porta atrás de si, eu meio que surtei. Fiquei em pé e fiz uma dança louca que eu chamo de “happy dance”. Como o nome já diz é a dança da felicidade e eu estava feliz demais pela minha mãe.

Joguei-me na cama e peguei um livro que estava na cabeceira. “Querido John” do Nicholas Sparks. Eu estava relendo. De novo. E só parei quando meus olhos estavam se fechando sozinhos. Marquei á página e me joguei na cama abraçando um travesseiro. Eu sempre dormia com dois, um debaixo da cabeça e outro para abraçar. Dessa forma, eu adormeci.

Passei o fim de semana do mesmo jeito de sempre. Em casa, no computador, lendo ou escrevendo. E é claro falando com os amigos antigos.

Acordei com o bendito despertador. Já era segunda feira. Dá pra acreditar? Como o tempo passa rápido. Principalmente quando é o fim de semana. Com um muxoxo desliguei-o e me levantei quase não acreditando que estava começando tudo de novo. Tateei o criado mudo e coloquei meus óculos ainda deitada.

Suspirei e me levantei indo até o banheiro pra tomar um banho que me desse ânimo. Só um banho milagroso nesse caso não é? Depois coloquei uma calça jeans folgada e mais uma das camisetas de ursinho, dessa vez uma cor de rosa claro. Coloquei uma sapatilha branca, prendi os cabelos em um rabo de cavalo, peguei minha mochila e desci as escadas. Mamãe já estava pronta, sempre muito elegante.

–Vamos Lexi?

–Vamos.

O caminho no carro foi feita por conversas divertidas sobre qualquer assunto fútil e recheado de algumas risadas. Realmente minha mãe estava voltando á ser quem era antes e eu agradecia imensamente por isso.

–Tenha um bom dia filha.

–Igualmente mãe. –Saí do carro indo e fui diretamente para a sala que estava praticamente vazia. Ultimamente eu e minha mãe estávamos saindo muito cedo de casa o que resultava que eu chegava bastante cedo.

Coloquei o fone de ouvido até que vi Raquel e Tasha chegarem. Raquel veio para o lugar do meu lado e colocou a mochila em cima. Sorri e tirei os fones enquanto ela se inclinava e me beijava no rosto.

–Oi Lexi!

–Olá Raquel! Oi Tasha!

–Oi! –A loira sorriu. –Eu e a Raquel temos casas próximas, na verdade quase todo mundo do grupo tem casas próximas, então nós viemos e voltamos juntas. Você mora onde Lexi?

–Um pouco longe daqui. É a direção oposta da casa de vocês.

–Que pena. –Tasha fez um biquinho. –Se você morasse na mesma direção poderíamos ir e voltar juntas.

–Eu sempre tive esse problema, incrivelmente sempre morei longe da escola e consequentemente longe dos meus amigos.

–Deve ser um saco. –Raquel sorriu. –Mas mudando de assunto, cheguei à Rosalee ontem.

–Sério?

–É eu parei no primeiro episódio que ela apareceu. Tem razão, aquela coisa de que você falou dela e do Monroe ser um par não é um spoiler porque ficou bem na cara quando ele levou flores pra ela. Foi fofo.

–Fica ainda mais fofo, eu te garanto. Só não mais fofo do que eu e o Ian obviamente.

–Nós e o Ian meu amor. –Raquel corrigiu sorrindo.

–Já pensou, nós duas casando com ele? Uma em cada braço.

–E eu fico excluída nessa joça não é? –A loira revirou os olhos.

–Nós somos mais viciadas. –Raquel riu. –Falando nisso, Lexi, já te mostrei ás fotos do Ian que eu tenho no meu celular? Ele é lotado de fotos.

Acho que meus olhos brilharam:

–Não, mas se quiser me mostrar agora fique á vontade.

Ela riu e eu coloquei minha cadeira encostada na dela. Então a garota pegou o celular e começou á passar os milhões de foto que ela tinha do Ian. Também tinha algumas do Joseph Morgan e de vez em quando apareciam umas do Paul Weasley.

Tasha foi para o lugar dela e quando eu e Raquel finalmente terminamos de ver as fotos o sinal já havia tocado.

–Não se afaste, vamos fazer as atividades juntas.

Dei de ombros e fiquei no lugar em que eu estava. Ana também se achegou ao outro lado de Raquel e ficamos as três conversando baixo até que Naiáde entrou na sala. Caramba, a gente tinha mesmo que ter aula com ela praticamente todos os dias? Ah, é porque ela dava Gramática que por acaso é uma das matérias “essenciais”.

–Bom dia pessoal! Tenho uma notícia ruim e uma notícia boa, qual vocês querem ouvir primeiro?

“A boa” todo mundo exclamou junto a fazendo sorrir:

–A boa é que eu vou dar a nota da prova e do teste surpresa. A má é que metade da sala está de recuperação.

–Ih, pode ter certeza que eu estou. –Raquel falou sorrindo.

–Duas! –Rimos nervosamente e ficamos a ouvindo falar os nomes para ir pegar teste/prova agora com a nota pra você ver o que errou e o que acertou. Os rostos não eram muito amistosos quando pegavam e dava pra ouvir um amigo falando para outro notas como “2,3”, “1,4”, “0,5”. Não era em ordem alfabética, era pela ordem que estava na mão dela então eu não sabia quando ia ser chamada o que estava me dando nos nervos.

–Raquel Trebur.

Raquel arregalou os olhos azuis e foi até a frente pegar o papel, eu não sabia se aquele era o teste ou a prova. E ela também não olhou até chegar à carteira. Eu e Ana estávamos formigando de curiosidade. Então assim que ela se sentou, respirou fundo e nós vimos que era o teste surpresa. Ela tinha tirado “6,0”, ou seja, estava raspando já que a nossa média era seis.

–Obrigada meu Deus! Eu estou na média. Pelo menos no teste eu estou na média.

–Parabéns Raquel! –Disse e minhas mãos ainda tremiam enquanto ela continuava anunciando.

–Não quero nem ver quanto eu tirei. –Leonardo falou se virando pra trás. –Mas vocês três nem precisam se preocupar.

–Ana Perpétua. –Ana estacou na cadeira e lentamente foi até a frente e pegou olhando. Seus olhos se iluminaram e ela chegou à nossa mesa com um sorriso grande.

–Ai gente, tirei 8,1! Ai nem acredito, que felicidade.

–Prova ou teste? –Eu e Raquel perguntamos juntas.

–Prova!

–AHHHH! Parabéns! –Disse sorrindo também.

–Raquel Trebur. –Naiáde chamou novamente, agora pra pegar prova. A garota respirou fundo e seguiu pra lá dessa vez ela também olhou. E sorriu bom sinal.

–AHHHH! –Ela se sentou no lugar. –Tirei 7,8 na prova! Estou na média pelo menos nas provas e devo ter ido bem nos trabalhos. Graças á Deus.

–Que bom Raquel! –Sorri. –Acho que já pode respirar aliviada. Mas se ela não falar meu nome logo, eu juro que vou surtar. Não agüento mais essa espera.

Foi só eu falar que Naiáde chamou:

–Alexia Rockwell.

Meu coração foi á boca e voltou e eu senti meu rosto perder a cor rapidamente. Tomei coragem e me levantei para pegar o papel da mão de Naiáde, mas não olhei a nota, a tampei com a mão e fui andando em direção á carteira. Ana, Raquel e Leonardo me encaravam com curiosidade. Coloquei o teste sobre a mesa ainda com a mão sobre a nota:

–Seja o que Deus quiser. –E então tirei á mão. Meu queixo caiu e meus olhos se arregalaram e esse foi à reação dos outros também. A nota... Eu tinha tirado 8,9

–Ai. Meu. Deus! –Raquel estava perplexa. –Sua little bitch, como você conseguiu essa façanha? MEU DEUS! Quero seu cérebro hoje e agora.

–Nossa Lexi, parabéns! –Ana sorriu. –Você pisou em cima da gente, obrigada, vou ali chorar num cantinho.

–Não sei quanto eu tirei. –Leonardo olhava de mim para o teste e do teste pra mim. –Mas sei que não vou chegar nem perto desse resultado. Realmente, você é nerd.

–Ainda falta à nota da prova gente, eu ainda não posso me acalmar. E obrigada pelo elogio Leonardo... Eu acho.

–Quanto você tirou Lexi? –Perguntou Patrício um pouco mais á frente da gente.

–No teste eu tirei 8, 9, na prova eu ainda não sei.

A sala toda olhou pra mim abismados como se eu fosse à pessoa mais nerd que já existiu na face da terra. Naiáde sorriu discretamente e continuou falando os nomes:

–Leonardo Andalus.

Leonardo deu de ombros e foi lá pegar. Pelo visto era o teste. Assim que ele pegou fez uma careta e se sentou:

–Falei que não iria nem chegar perto da nota dela.

–Quanto?

–1,0.

Arregalei os olhos, mas antes de poder fazer qualquer comentário ouvimos Naiáde dizer:

–Ana Perpétua.

Ana sorriu e foi lá pegar, acho que o resultado da prova havia tranquilizado ela. Voltou á pequenos pulinhos:

–Tirei 7,0 na prova. Sem recuperação por enquanto. Claro que não sei o resultado dos trabalhos, mas acho que deu tudo certo.

–Ai que bom. –Sorri também.

–Alexia Rockwell.

Dei de ombros e me levantei ainda tremendo. Agora é a vez da prova e eu tive que me segurar para minhas pernas não fraquejarem. Peguei o papel das mãos de Naiáde e não olhei até o momento em que cheguei à mesa. Então coloquei a prova em cima da mesa:

–Não. Acredito. –Era a voz de Raquel.

–Meu Deus, está tão ruim? –Então finalmente olhei para o papel que me apresentava um bonito 9,9.

–Jesus! –Ana começou á me olhar como se eu fosse realmente estranha. –Definitivamente, você dá medo.

–Eu não acredito! –Meu sorriso devia estar alcançando minhas orelhas.

–Quanto? –Patrício perguntou lá da carteira dele.

–9,9.

Mais uma vez aqueles olhares espantados da sala inteira que só me fizeram sorrir ainda mais. Com certeza eu não estava de recuperação e isso me deixava imensamente feliz. Eu nunca tinha ficado, mas nunca se sabe quando pode acontecer.

–Okay, eu jogo a toalha. –Ana estava rindo. –Seja feliz e embarque para a faculdade Lexi.

Naiáde continuou á falar. Leonardo tinha tirado 3,5 na prova e com certeza ficaria de recuperação, ele não tinha dúvidas, afinal além das notas deploráveis nas provas ele não havia feito nenhum trabalho.

Assim que Naiáde terminou de falar a ultima pessoa para pegar sua prova e teste ela começou:

–Bem, muita gente aqui está de recuperação e esse já é o segundo bimestre. Eu quero que vocês saibam que eu não vou facilitar as coisas esse ano. Se vocês quiserem passar na minha matéria, vão ter que se esforçar ou não conseguirão, esse é o conselho que eu dou á vocês. Tudo o que eu passei, se tivessem estudado, teriam conseguido. Á prova disso é a Lexi. Então se esforcem.

Sabe aquele momento em que o professor usa seu nome como exemplo para a turma toda e você tem vontade de enfiar a cabeça num buraco? Minha reação.

–Que bonitinho! –Raquel apertou minhas bochechas sorrindo. –Viu? Você é o exemplo da nossa sala.

Gargalhei bonito:

–Se você diz... Quem sou eu pra discordar?

Naiáde ainda passou algumas tarefas e eu e as meninas as fizemos rapidamente. Estávamos todas aliviadas por não termos a ameaça de recuperação iminente sobre nossas cabeças.

Mais duas aulas e o sinal do recreio tocou. Eu, Raquel e Ana nos entreolhamos e por meio de olhares decidimos que não iríamos sair da sala. O dia lá fora estava muito quente pra ficarmos andando. Então ficamos na sala só nós três e o Leonardo que por alguma razão decidiu ficar conosco.

–Nem acredito que consegui notas boas. –Sorri de orelha á orelha. –Eu estava tão nervosa.

–Todo mundo já sabia que você ia tirar notas boas. –Raquel revirou os olhos rindo como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.

–Todo mundo menos eu. Nossa, Raquel, eu esqueci de te contar. Um amigo meu vai vir pra cá, pra esse colégio! Estou tão feliz!

–Amigo?! Ele é gato?!

–Oh God! Que tipo de pergunta é essa mulher?

–Uma pergunta normal. –Ela riu. –Sério, ele é gato?

Pensei em Caleb e sorri:

–Sim, ele é gato.

–Ótimo. –A garota esfregou as mãos uma na outra. –Então que ele venha. Já pegou ele?

–NÃO! –Exclamei corada mais que um pimentão. –Credo Raquel.

–Ah que é isso Lexi? Coisa mais normal do mundo beijar alguém. Não significa compromisso.

–Pra mim significa. É por isso que eu nunca beijei.

Raquel, Ana e Leonardo olharam pra mim de olhos tão arregalados que eu jurei que eles iriam saltar das órbitas.

–Como. Assim? –Raquel disse pausadamente. –Isso é sério Lexi? Está zoando com a nossa cara não é?

–Não. Nunca beijei ninguém. Tipo, não sou muito bonita e também nunca me importei muito com isso. Então acabou por nunca acontecer.

–Lexi! Simplesmente não acredito. –Raquel sorriu. –É bem sua cara, ser meiga e inocente. Mas não se preocupe, até o final do ano consigo fazer você beijar e muito.

Corei mais ainda:

–Raquel! Não, que é isso. Pra mim contato físico é uma coisa séria.

–Então vamos mudar isso.