Clichê

8 Capítulo 8: Uma Joia


Notas iniciais
OIIIII gente! Mais um capítulo fresquinho pra vocês! Comentem, please ^-^

Meus olhos se arregalaram ligeiramente enquanto Raquel sorria de maneira maliciosa:

–É Lexi, temos muito que te ensinar.

–Não quero ter contato físico com ninguém Raquel, sério.

–É porque você não sabe como é bom. Além do beijo, tem várias coisas que são muito boas em relação á contato físico. Sério.

–Tipo?

–Tipo...

–Pescoço. –Leonardo completou. –As garotas em sua maioria são muito sensíveis no pescoço. Quer ver? –E sem que eu esperasse ele tocou de leve no meu pescoço fazendo com que minha pele automaticamente se arrepiasse surpreendendo a mim e a ele.

–Meu Deus. Você se arrepiou. –Ele olhou meu braço. –Se só com isso... Lexi posso tentar uma coisa?

–Tipo?

–Posso?

–Pode. –Raquel respondeu por mim e quando eu ia dizer algo Leonardo levantou da cadeira e veio até mim. E sem qualquer aviso prévio ele se abaixou e fechou os lábios sobre os meus pescoços. Foi algo leve, um simples beijo no pescoço, mas no meu corpo não foi. Minha pele se arrepiou muito, meu coração acelerou e minhas mãos suaram. E meu rosto, obviamente, estava corado.

–É impressionante. Você se arrepia com muita facilidade.

–Minha pele é sensível. –Murmurei encarando o chão enquanto pensava se devia ou não devia bater no Leonardo até deixar ele em coma.

–Gente, a garota está mais vermelha que um pimentão. –Ana finalmente se pronunciou. –Coitadinha. Leo!

Ele fez cara de desentendido enquanto eu enfiei minha cara na carteira de tanta vergonha. Raquel riu enquanto mexeu nos meus cabelos:

–Você está vermelha. Calma. Isso não é nada demais, querida. Mas o Leo promete que não vai fazer nada parecido.

–Não prometo nada.

Levantei a cabeça e bati de leve nele, nada pra machucar. Ana então sorriu e tocou de leve minhas bochechas:

–Não acredito que uma garota tão tímida como você foi parar logo do lado da Raquel. Ás vezes eu queria voltar á ser tão fofinha assim. –Então ela apertou levemente minhas bochechas. –Sinceramente, a Raquel é a garota mais pegadora dessa escola toda. Destaque para o “pegadora” hem. Ela não é uma bitch que sai pegando todo mundo. A Raquel é bastante seletiva e tem praticamente o colégio todo, população masculina é claro, aos pés dela.

–Vocês todas tem. –Leonardo comentou.

–Menos eu. –Centrei.

–Você ainda é nova no grupo. Mas com certeza nova integrante. E uma integrante que gosta de The Vampire Diaries, Delena e Klaroline, gosta de Grimm, gosta de livros de terror. Isso é raro, garota. E se você quiser, em um piscar de olhos, faço você ter uma fila de pretendes.

–Obrigada, mas não. –Sorri divertida.

O sinal tocou me fazendo pular da carteira e então cada um voltou a senta-se em seus legítimos lugares e por isso quase não mudou nada já que a gente sentava juntos, ao não ser Tasha e Tatiana.

Dorian entrou na sala e então todo mundo tremeu. Claro, prova de Biologia. Fiquei rígida. Maldição! Odeio provas. Oh coisinha que veio diretamente do Tártaro para atormentar as pessoas.

–Bem pessoal vocês já conhecem as regras. Temos exatamente dois horários pra essa prova o que é muito tempo então não se apressem. Eu só vou recolher as provas quando o sinal do último horário tocar então se você terminou ponha sua prova com a parte das perguntas pra baixo e vá dormir. Não quero conversas, olhe somente pra a sua própria prova, qualquer suspeita de cola é um zero automático pra você meu querido. Boa sorte.

Eu e Raquel nos olhamos e demos as mãos por alguns instantes como gesto de “boa sorte”. Isso me deu um pouquinho mais de segurança. O professor passou entregando as provas e eu a li bem antes de começar, umas duas vezes. Pra mim estava muito fácil, sabia aquilo até de olhos fechados. Suspirando, comecei á responder com cuidado já que estava escrevendo de caneta e assim que eu terminei, virei à prova com a parte das perguntas para o lado de baixo e deitei em cima. Raquel que estava ao meu lado olhou pra mim e levantou as duas sobrancelhas em sinal de espanto. Eu apenas dei um sorrisinho, fechei os olhos e fiquei imersa em pensamentos.

A pior parte da prova obviamente é aquela ansiedade na hora que o professor vai falar as notas. Mas a segunda pior parte é quando você acaba a prova e tem que esperar o tempo passar. Não se pode fazer nada e fica um tédio terrível. Eu sempre quase durmo, quando não durmo.

Fiquei devaneando e pensando em músicas até o segundo sinal tocar o que pra mim foi um alívio. Dorian passou recolhendo as provas e depois saiu. Assim que ele passou pela porta, eu, Ana e Raquel juntamos as carteiras (que só não podiam ficar juntas nas provas).

–Maldito sexto horário. –Raquel fez careta. –Pelo menos é só um dia. Então, o que acharam da prova?

–Fácil. –Respondi rapidamente.

–Mais ou menos. –Ana sorriu.

–Mais ou menos. –Raquel concordou.

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Luz: Então você faz parte do grupo dos “populares”. O que foi que eu te disse mesmo?

Lexi: Bem, eu quase caí quando a Raquel disse “nova integrante”. Fiquei tipo: O.o, sério isso?

Luz: Eu imagino. Mas eu te disse que elas queriam você no grupo. Devia aprender á confiar mais nas pessoas. E a me ouvir.

Lexi: Ainda não entendo o porquê de elas terem simplesmente de um dia para o outro ter ido conversar comigo. E de terem me incluído no grupo.

Luz: *facepalm* Sinceramente Lexi, elas simplesmente gostaram de você. Qual o problema?

Lexi: Nenhum. Sei lá, só que depois de dois meses na solidão fica até difícil acreditar que me encaixei sabe.

Luz: Fico feliz por você, Lexye.

Lexi: Eu também. E meu telefone está tocando. Tenho que atender.

Luz: Hunf, maldito telefone.

Sorri e peguei meu celular. Olhei o visor e o sorriso se alargou:

–Oi Caleb.

–Lexi! Então, já tenho a data exata no qual chegarei aí.

–E então?

–Então, que chegarei depois dessa semana, na terça-feira da outra. E na quarta-feira estarei indo ao colégio.

Levantei da cama num pulo:

–Já?! Oh meu Deus, Caleb... Estou tão feliz que você venha. Mal posso esperar. Sério, ter um amigo antigo aqui... Poxa estou contando os minutos.

–Pois é eu também estou. E também estou com saudades Lexye. –“Lexye” o apelido do meu apelido que Caleb inventou e logo foi aderido pelos meus outros amigos. –Nem acredito que vou te ver de novo. Fiquei tão pra baixo quando você foi embora. Aí o que deu, estou indo atrás de você.

–Também estou com saudades, mais do que você pode imaginar. –Ri só com a ideia de ter Caleb perto de mim. –Você não faz ideia de como vai ser bom ter você por perto.

–Ah, eu faço sim. Tenho que ir Lexi, estão me chamando. Beijos. Até breve.

–Até. –Sorri e desliguei. Voltei para a internet onde Luz já deveria estar impaciente.

Lexi: Voltei!

Luz: Quem era?

Lexi: Caleb. Ele vai chegar terça-feira da semana que vem.

Luz: O bom é que eu perco dois amigos de uma vez. Vai você e vai o Caleb.

Lexi: Que é isso. Você nunca vai perder. Eu posso ir pra China que eu vou lembrar de você e de todos os meus amigos. Amigo é amigo, pra sempre. E com certeza com Caleb é assim também.

Luz: Pra ele com certeza, se ele chegou ao ponto de ir atrás de você.

Lexi: Ele não veio atrás de mim. Ele mora com os pais e depende das escolhas deles.

Luz: Ele com certeza ficou enchendo a cabeça dos pais deles pra ir para aí. Eu faria isso também se meus pais já estivessem pretendendo mudar. Caleb teve a sorte do os pais deles já estarem planejando.

Lexi: Quem dera se todos vocês viessem pra cá. Eu ficaria extremamente feliz.

Luz: Ah, mas agora você tem a Raquel, a Ana, a Tasha, a Tatiana, o Patrício e qual é o nome do gato mesmo? Ah, Leonardo.

Lexi: Eu senti um tom de ciúmes aí?

Luz: CLARO!!!!!!!!!!!!

Lexi: Luz, você não perdeu espaço no meu coração e nem ninguém daí. Quando eu encontro novos amigos meus coração não se divide, ele incha duas vezes o seu tamanho.

Luz: Ownt *-----* Sá fofa.

Lexi: :3 Tenho que ir, vou dormir ou não consigo acordar amanhã. Beijos.

Luz: Beijos.

Sorri, fechei o Chat, desative o facebook e desliguei o computador indo deitar na cama. Deitei e comecei á pensar em como seria quando Caleb chegasse. É claro que agora eu tinha um novo grupo (um grupo que eu não duvidava nada que ele iria entrar num estalar de dedos), mas um amigo antigo iria dar uma sensação de familiaridade, de aconchego. Ela se lembrou dos tempos quando ainda estava em sua antiga cidade. As meninas conversaram com ela depois de umas duas semanas e elas se identificaram. E Caleb era amigo delas e começou á falar comigo também e meio que a gente se aproximou muito, ficamos muito amigos mesmo. O bom, é que como eu disse, eu nunca fui parte dos populares. Mas o Caleb, depois que me conheceu, começou á fazer parte dos populares, mas continuou andando tanto comigo e com as meninas. Seria bom ter ele perto de mim de novo.

Com esses pensamentos adormeci. Acordei com o despertador gritando alto como sempre. Minha vontade de ir pra escola era novamente resumida á zero, mas era obrigação. Então levantei e fui até o banheiro tomar um banho rápido. Coloquei uma blusa larga branca, de mangas compridas e uma calça jeans folgada com uma sapatilha azul claro. Prendi os cabelos com uma fita azul e fiz um laço. Peguei minha mochila que eu arrumei na tarde do dia anterior e desci as escadas. Mamãe ainda não havia descido então eu me sentei no sofá e fiquei devaneando. Passaram-se uns dez minutos e ela já estava na sala, impecável.

–Bom dia. Vamos?

–Vamos. –Assenti com a cabeça e entrei no carro. Enquanto eu colocava o cinto, comentei. –Eu te contei mãe, que o Caleb vem pra cá?

–Como assim?

–Ele vai se mudar para a nossa cidade. Não é incrível? Vai estudar na mesma escola que eu.

–Nossa filha que bom. –Ela sorriu com doçura. –Você vai ter uma presença familiar na escola. Vai ser ótimo pra você.

–Concordo.

Continuamos conversando sobre Caleb quando finalmente chegamos á escola. Dei um beijo na bochecha dela e saí. Ainda faltavam vinte minutos para o sinal tocar, dava tempo de eu ir a biblioteca, lugar que eu estranhamente nunca tinha ido embora adorasse mais que tudo os livros. Segui em direção á biblioteca quando senti duas mãos segurando minha cintura firmemente. Outro arrepio.

–Mas o... –Comecei e me virei encarando Leonardo.

–As meninas não me perdoariam se eu deixasse você ir à biblioteca sem elas. Vem, vamos pra sala. Na saída vocês vão.

–Tá. Você já pode parar de me segurar.

Ele deu um sorrisinho de canto de boca e largou minha cintura apenas para passar delicadamente o indicador no meu pescoço. Maldita pele, arrepiou.

–Vá morrer Leonardo. –Falei bufando e indo em direção ao prédio do colégio. Subi as escadas até a minha sala e sentei no lugar de sempre. A minha carteira quando eu cheguei já estava junto com a de Raquel e Ana. Tasha estava sentada na mesa da Raquel e Tatiana na de Ana. Patrício estava na carteira da frente.

–Oi. –Raquel se inclinou e deu dois beijos nas minhas bochechas e as outras meninas fizeram o mesmo.

–Ela ia para a biblioteca sem vocês. –Leonardo dedurou assim que se sentou no lugar.

–Não vá sem a gente. –Tasha fez biquinho. –Eu, Raquel, Ana, Tatiana e até Patrício adoramos aquela biblioteca. Você aproveita e vem com a gente na hora da saída, o que acha?

–Acho perfeito. –Sorri. –Mesmo porque adoro livros. De todos os tipos.

–Também adoro ler. –Raquel, Tasha e Ana responderam juntas me fazendo rir.

–No meu caso depende do livro. –Opinou Tatiana. –Não sou muito chegada á livros muito grossos.

–São os meus favoritos. Livros grossos são vida. Espero que nossa biblioteca valha alguma coisa. A minha antiga não valia nem uma pipoca.

–Eu gosto muito da nossa biblioteca, apenas acho que ela devia ter sido maior. –Raquel deu de ombros.

–Bibliotecas. Quanto maior, melhor.

–Concordo. –Leonardo falou me fazendo arregalar os olhos.

–O que foi? Só porque eu não tiro nota boas não significa que eu não goste de ler. Tanto que eu até me dou muito bem nas redações.

–Isso sim é uma surpresa.

–Acredite, é verdade. –Raquel confirmou fazendo um aceno positivo com a cabeça.

–O dia já começou com notícias bombásticas. –Sorri. –Leonardo lê. Isso é bom. Significa que você ainda pode se salvar na escola.

Ele novamente deu de ombros como se dissesse “eu não quero ser salvo” dei de ombros também o que dizia “eu nunca tive a intenção de te salvar”.

–Amanhã tem aula de dança. –Ana esfregou uma mão na outra. –É isso que me deixa com ânimo pra vir pra escola.

–Cheguei quando as atividades extracurriculares já estavam lotadas. –Fiz careta. –Dei-me mal.

–Ano que vem você entra. –Ana sorriu gentilmente.

–Só não vai ser em dança.

O sinal tocou assustando todo mundo. Todos voltaram para seus legítimos lugares e eu tive que arrastar a carteira de volta para o lugar porque seria prova de Educação Física (teórica). No dia anterior, assim que eu havia chegado em casa, havia enfiado a cara na apostila com muito gosto.

Lucano entrou e depois de analisar as mesas ele saiu distribuindo a prova. Tinha uma questão que estava mais ou menos, mas o resto estava fácil então eu terminei logo e deitei sobre a mesa. Com sono. Com muito sono. Como eu disse, uma das piores partes de uma prova é ter que ficar esperando ela ser recolhida. Principalmente quando se está praticamente caindo de sono. Se eu dormisse não queria ninguém me culpando.

Graças á Deus o sinal tocou antes que eu dormisse. O professor saiu recolhendo e eu não poderia voltar para o lado de Raquel porque infelizmente os próximos horários seriam mais provas.

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Quando o sinal para o intervalo tocou todo mundo já estava super tenso. Três provas e teriam mais duas nos próximos horários. Eu estava estudando pra essas provas desde semana retrasada então até aquele momento não tinha nada muito difícil nelas. Mas nunca se sabe. Ainda havia muito por vir. Muito.

–Nossa, preciso relaxar. –Falou Raquel sentando na mesa e tirando o celular e me estendendo. Á esse ponto o grupo todo já estava reunido em volta. –Ainda bem que pode usar celular no intervalo. Escolhe uma música legal aí Lexi.

Fui fuçando nas músicas dela e acabei escolhendo Wrecking Ball da Miley Cyrus. Quando a música começou á tocar eu senti aquela calma misturada com agitação movendo dentro de mim sempre que eu ouvia uma música que eu gostava. Todo mundo ali conhecia e começou á cantar num tom relativamente médio, menos eu. Fechei os olhos e senti a essência da música encher os meus poros e então quando eu vi já estava cantando. Eu não resistia. Se eu conhecia a letra da música, eu iria cantá-la. Meu corpo sempre pedia por isso.

De repente todo mundo abaixou um nível do tom de voz quando cantava e terminamos assim, com a minha voz num tom um pouco mais alto. E então todo mundo olhou pra mim:

–O que foi gente?

–Sua voz é linda! –Raquel sorriu deslumbrada. –Nossa! Eu vou fazer a professora te aceitar nesse exato momento para o grupo de música! Meu Deus!

–Sabia que você estava escondendo o ouro. –Tasha sorriu. –Você tem futuro como cantora girl.

Sorri corando. As pessoas geralmente falavam da minha voz. Pra mim, cantar não era nada demais. Eu só não viveria sem.

–Sério. A professora tem que aceitar você. –Tatiana riu. –Você toca alguma coisa?

–Violão.

–Você podia trazer amanhã. –Raquel se animou. –Pra gente dar uma animada nesse recreio. O que você acha? Por favor.

–Pode ser.

–Gente, temos uma jóia conosco.