Clichê

12 Capítulo 12: Voltando


Notas iniciais
Gente, eu sei que eu demorei ;-; Podem me bater, eu deixo ;-; Desculpaaaaaa. Foram tantas provas e eu quase fiquei louca por esses tempos, estudando sem parar, os professores não estão dando descanso com as tarefas e.e

–Raquel! Sério, já começa assim? –Perguntei me olhando fixamente no espelho. Fiz um muxoxo ao tentar convencer minha amiga.

–Lexi! É pra você chegar abafando. Citei que está linda?

Olhei para mim mesma. Os cabelos ruivos estavam soltos caindo em ondas perfeitas até a cintura e um chapéu preto o decorava. Uma blusa preta, simples, mostrando os ombros e parte da barriga, uma saia xadrez preta até metade da coxa, sapato preto estilo boneca preto de salto alto. Uma maquiagem leve, mas com delineador nos olhos. E uma mochila branca nas costas. Algumas pulseiras e ponto final.

Olhei para mim mesma no espelho. Eu estava me amando sem os óculos, sem os cabelos presos. Era uma nova eu.

–Obrigada. –Sorri tímida.

Naquelas férias eu havia mudado muito. A começar pela aparência e pelas roupas. Tudo havia mudado. As meninas haviam tirado todo meu estilo e colocado outro. E depois eu havia aprendido á dançar. Sério, digo dançar sozinha. Elas haviam me feito decorar toda a coreografia de dança que elas estavam aprendendo desde o começo do ano. Seria feita uma apresentação no final do ano, com olheiros e tudo mais e aquela era uma parceira das aulas de dança e música. Uma garota ficaria na frente dançando cantando e as outras acompanhariam. De acordo com elas eu era a única que sabia cantar então me fizeram aprender tudo e agora eu sabia desde o começo e dançaria detrás pra frente se precisasse. Elas estavam nervosas com a apresentação e três vezes por semana ensaiavam sozinhas. E agora, eu estava no meio, sendo que nem ia apresentar nem nada.

–Seu sorriso é lindo. Aquele que mostra as covinhas. Use e abuse dele. Vamos lá deixar todo mundo babando.

Saímos da casa dela. Minha mãe só chegaria três dias depois então eu ainda tinha um pequeno tempo na casa de Raquel. A mãe dela levou á mim, Ana, Raquel, Tasha e Tatiana para a escola. No momento em que saí, respirei fundo e então entramos juntas.

Eu acho que tinha muitos olhares me acompanhando. Muitos mesmo. Mas não liguei. Segui em frente, seguindo o som dos saltos ecoarem no chão. Sigo sentindo os olhares e Raquel dava risinhos baixos. No momento em que eu entrei na sala, queixos caíram.

Leonardo, lá do fundo, me encarava de olhos arregalados. Caleb ainda não havia chegado. E o resto da sala estava me encarando então fui para o meu lugar. Antes de me sentar, o Leo se levantou e veio me recepcionar:

–Lexi! –Ele se recusava á me chamar do apelido que o Caleb inventou. –Uou. As férias te fizeram bem.

–As meninas me ensinaram.

–Quase tudo pelo visto.

–Quase?

Ele assentiu com a cabeça então ergueu o meu rosto com delicadeza. Eu estava encarando o chão e nem havia percebido:

–Levante a cabeça princesa, senão a coroa cai.

Coro com o comentário dele e ele dá um sorrisinho convencido de canto de boca, me fazendo revirar os olhos e me sentar na minha carteira. As pessoas não paravam de me encarar e eu sabia que isso aconteceria. Raquel sorria satisfeita com o feito em mim e ela havia realmente me transformado, eu não negava.

–Meu Deus! –Caleb ofegou assim que chegou á porta da sala e colocou os olhos em mim. Corei e encarei o meu caderno enquanto ele andava até mim. –Lexye... Meu Deus. O que raios... Meu Deus! Você está simplesmente linda. Muito linda.

–Obrigada. –Minha fala ainda era tímida. –Tudo culpa das meninas. Principalmente da Raquel.

–Culpada! –Raquel levantou as mãos. –E com muito orgulho. Ela não está uma jóia?

–Sim, está. Mas isso ela sempre foi.

–Obrigada gente.

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Eu havia passado cinco aulas com todo mundo me encarando. Professores, alunos... Eu acho que até as plantas haviam resolvido me encarar também. Era uma sensação muito estranha pra mim, que me fazia corar e olhar pra baixo. Na verdade, nem olhar pra baixo. Porque toda vez que eu queria olhar para o chão, as palavras de Leonardo ecoavam na minha cabeça, me impedindo.

Felizmente aquela era a última aula então não tinha muito que me preocupar. Além disso, eu havia terminado a tarefa bem rápido e as meninas também então estávamos apenas conversando baixo. Era algo bem simples, afinal, primeiro dia depois das férias, quase ninguém pega muito pesado.

–Os meninos estão te secando na maior cara de pau, nem disfarça. –Raquel sussurrou com um sorriso de canto de boca. –Lexi, você está arrasando.

–Ai, nem lembra. –Sussurrei de volta.

–Ah, eu te lembro sim.

Revirei os olhos longamente enquanto escrevia qualquer coisa no meu caderno. Eu nem me toquei, mas estava escrevendo a letra de “Heart by Heart” da Demi. Bem, continuei escrevendo. Estava quase no refrão quando o sinal tocou estridente. Coloquei meu caderno na mochila, junto com a bolsinha e coloquei a mochila nas costas.

–Vou passar na biblioteca. –Disse para Raquel. –A gente se vê em casa.

–Okay. –Beijei o rosto dela e os das meninas e desci para a biblioteca.

Entrei murmurando um “com licença”.

–Oi Georgina. –Cumprimentei sorrindo.

–Meu Deus! –Gina arregalou os olhos. –Lexi, é você mesma?

–Tudo culpa da Raquel. –Expliquei rindo. –Nem acredito que sou eu. Não é incrível?

–Demais! Ah, eu estava com saudades de vocês. Veio procurar algo especifico?

–Alguém locou Sete Ossos?

–Vou ver. –Ela abriu o caderno e nesse momento a porta foi aberta. Leonardo passou pela porta com um sorriso no rosto. –Oi Georgina, olá Lexi.

Revirei os olhos. Era só o que me faltava.

–Oi Leonardo. Lexi, Sete Ossos está livre. Se você quiser procurar...

–Achei! –Sorri vitoriosa com o livro e depois fui procurar outro pra locar.

–E você Leo, algum livro em mente?

–Percy Jackson foi locado? Por favor, me diz que não.

–Não. –Ela riu e ele foi procurar pelas estantes também.

Achei “A Hospedeira”, um livro que eu estava querendo a algum tempo por causa da autora ao mesmo tempo em que Leonardo pegava “Percy Jackson e o Ladrão de Raios”. Corri e cheguei á Georgina antes dele. Loquei rapidamente ambos os livros, coloquei na minha mochila e saí da biblioteca pegando o caminho para a casa de Raquel.

Mal dei dois passos e Leonardo me alcançou vindo para o meu lado. Revirei os olhos de novo, mas sorri:

–Quando começam nossas aulas? –Perguntei.

–Terças e quintas, bom pra você?

–Das 15:00 ás 17:00, uma hora pra cada atividade. No parque Bloomington.

–Ótimo.

–Não se atrase. –Sibilei. –A partir de amanhã.

–Você vai ter trabalho comigo.

–É, eu digo o mesmo.

–Nada á ver. Fiquei sabendo que as meninas fizeram você dançar e que você dança muito bem.

–Filhas da mãe. –Dei um sorrisinho de canto de boca. –Elas tiveram um trabalho grande, no começo. Mas, no fim, até que eu dei certo.

–Você está linda. –Ele murmurou. –É bom te ver com os cabelos soltos, eles são lindos. Mas... Uma pena que eles escondem uma parte que eu pessoalmente adoro em você. –Dizendo isso ele delicadamente tirou os cabelos do meu pescoço, jogando para o outro lado.

–Leo...

–Shiii, fica quietinha. –Então ele segurou minhas mãos e se abaixou. Roçou os lábios no meu pescoço, mas antes que eu suspirasse, o empurrei.

–Não! –Praticamente gritei. –Qual é o seu problema?

–Você. –Ele respondeu dando de ombros.

–Leonardo! Para! Escuta bem o que eu vou te dizer: Posso ter mudado de visual, mas eu ainda sou a mesma Lexi, não sou qualquer uma. Então não tenta, para. Você nunca vai me ter, esquece.

–Não me tente Alexia.

–Tenha uma boa tarde.

Virei-me e peguei um caminho alternativo para a casa de Raquel, com a respiração arfante, bochechas avermelhadas, pescoço queimando onde ele tocou e com a mente turva. A única coisa que eu sabia, é que aquele garoto ainda seria um problema na minha vida.