Clichê
11 Capítulo 11: Último Dia de Aula
Notas iniciais
Acordei cheia de expectativas. Era finalmente o último dia de aula. Quer dizer, para os que haviam passado direto. Para os de recuperação, iria demorar mais duas semanas ainda. Como eu, as meninas e Caleb havíamos passado direto então para a gente era nosso último dia. E no outro dia eu já iria para a casa de Raquel e as meninas já haviam prometido muita bagunça. Eu não duvidava.
Fui tomar um banho. O tempo estava mais frio então coloquei uma calça jeans, um suéter bege e prendi meus cabelos como sempre. A sapatilha dessa vez era preta. Como era último dia de aula, peguei meu violão e a mochila e desci as escadas. Mamãe já me esperava.
–Lexi! Último dia de aula, hem?
–Graças á Deus! –Falo rindo e levantando as mãos para o céu. –Vamos?
–Vamos?
O caminho foi rápido dessa vez já que eu e minha mãe estávamos fazendo muitas brincadeiras. Ela iria viajar dali á quatro dias, eu iria para a casa de Raquel então nós duas estávamos muito animadas. Teríamos muitas novidades pra contar quando voltássemos, depois das férias.
Desci do carro dando um beijo no rosto dela e saí. Eu ainda estava no gramado quando ouvi uma voz provocante:
–Então você trouxe o violão?
–Temos que comemorar o fim das aulas. –Falo então acrescento com ironia. –Ops, é verdade. Não é o fim pra você. Talvez na próxima.
Ele arqueia uma sobrancelha e sem que eu esperasse me puxou pela cintura, ergueu meu queixo (eu tinha a estranha mania de andar olhando para o chão) e praticamente colou nossos rostos. Então deu um sorriso de canto de boca:
–Sei que vai sentir minha falta, ruiva.
–Nos seus sonhos. –Eu me refiz rapidamente e me desvencilhei dos braços dele, indo em direção á sala praguejando. Caramba, porque ele tinha que ter tanta pegada? Filho da mãe!
Coloquei meu violão na parede e nesse momento as meninas entraram, todas juntas como sempre e assumiram seus lugares. Raquel olhou pra mim super animada:
–Ai! Ainda bem que esse inferno vai acabar e amanhã você vai para minha casa. Estou animada.
–Também. –Rio.
–Animadas, garotas? –A voz de Caleb soa. –Eu mal chego e acabam as aulas. Isso é tão injusto.
–Você tem é sorte. –Tasha comentou rindo. –Quem me dera chegasse e já acabassem as aulas.
–O problema é que a Lexye vai ser arrastada pra longe de mim por um mês inteirinho. E quem sabe o que vocês farão com ela quando eu estiver longe?
Rio com aquilo enquanto Raquel dá uma piscadela:
–Você nem acreditaria se a gente te contasse.
–Agora estou com medo.
–É pra ter.
–Agora eu estou com medo. –Falo rindo.
–Vai ser tudo para o seu bem.
–Ih, é pra ter medo.
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–Bem gente, esse é o último horário. –Metade da sala urrou com o comentário da Naiáde o que a fez fuzilar todo mundo com o olhar e tudo virou um silêncio mortal. –Então para os que conseguiram direto, parabéns, boas férias. Para os que não passaram e principalmente para os que não passaram na minha matéria, eu só queria dizer, sinto muito. Mesmo. Ah, e uma novidade. A partir desse ano, quem reprovou duas vezes ou mais e reprovar de novo, vai ser expulso. E isso conta desde que está na escola então se você já reprovou duas vezes, não reprove mais.
Leonardo empalideceu e todo mundo percebeu isso. Raquel pôs a mão no ombro dele como quem consola um amigo.
–O que foi? –Sussurro.
–Eu já reprovei duas vezes Lexi. –Leonardo falou, olhando para trás. Pela primeira vez eu o vi triste de verdade. Ele estava com medo. –E pelo visto eu vou reprovar de novo. E vou embora. Não vou conseguir passar.
–Claro que vai. –Raquel incentivou. –Vamos dar um jeito, você fica.
–Você sabe que eu não entendo nada disso. Estou perdido Raquel.
–Não, não está. –Falo também o incentivando. –Vamos fazer assim então Leonardo. Eu te dou aulas particulares, pode ser? Eu entendo bem disso tudo e posso te ajudar. Vai dar tudo certo.
–Sério? –Ele arqueou uma sobrancelha. –Obrigada Lexi.
–Disponha. –Sorri tímida.
–E em troca... –Raquel se interpôs. –Você vai ensinar ela á dançar á dois. Começam depois das férias de Julho.
–Feito. –Leonardo concordou. –Pra mim tá ótimo.
–Oi?! Eu? Dançando?
–Não se preocupe. –Leonardo sorriu, aquele sorrisinho presunçoso. –Você consegue. Sou um bom professor.
Revirei os olhos:
–To ferrada. Com gosto.
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–Toma cuidado. Qualquer coisa me liga. Quero notícias de semana em semana. Tenha juízo. Ah, Lexi. –Ela me estende uma caixinha e eu arregalo os olhos.
–Sério?!
–Sério.
–NÃO ACREDITO! –Eram minhas lentes. Abro a caixa e as ponho quase no mesmo instante, guardando os óculos. Nenhum incômodo. Era impressionante. Nos primeiros dias com o óculos eu havia me sentindo muito incomodada, mas com as lentes não, foi como se eu fosse feitas pra ela. –Mãe, quando?
–Estava guardando pra hoje.
–Obrigada! Mãe, nossa, estou sem palavras.
–Só fique bem. Se cuide. Coma bem, não deixe de me ligar...
–Mamãe! Eu vou ficar bem, juro. Dona Maria Lúcia vai cuidar disso, okay? –Beijo a bochecha dela e saio do carro. –Sentirei sua falta.
–Eu também. Até Agosto amor.
–Até.
Saio do carro antes que minha mãe começasse á chorar e vou até o porta-malas. Uma única mala se encontrava lá, juntamente com o meu violão. Tirei os dois e joguei um beijo para minha mãe. Bati no portão cinza da casa das duas e quase no mesmo instante Raquel abriu:
–Lexye! –Ela já havia aderido ao apelido de Caleb. Minha mãe já havia saído então ela praticamente me puxou pra dentro. –Vem. E você está usando lentes? Tá uma gata.
Passamos por um pequeno gramado. A casa dela era uma graça. Verde clara, dois andares e super arrumada. Assim que eu entrei, a mãe dela apareceu. Também uma graça. Ela era fofinha, de cabelos castanhos e trançados, um pouco gordinha, olhos incrivelmente azuis.
–Oi! –Falo tímida. –Prazer, eu sou a Lexi. –Estendo a mão e ela aceita o cumprimento sorrindo.
–Oi! Você então é a Lexi, que gracinha. A Raquel vive falando de você. O prazer é meu querida, sou a Maria Lúcia. Olha, fica a vontade, a casa é sua amorzinho. Eu to fazendo um lanche, agorinha sai. Enquanto isso a Raquel pode te mostrar o seu quarto.
–Vamos lá! –Raquel praticamente me puxou, de novo, escada á cima. –Aqui, o quarto de hóspedes, ao lado do meu.
Abri a porta e o quarto estava todo arrumado com uma cama de solteiro já com roupas de cama, um criado-mudo e um guarda-roupas vazio. Tudo super limpo e uma graça.
–Nossa, Raquel, obrigada. –Coloquei a mala e o violão no chão.
–Não agradeça. Estou muito feliz. Vamos fazer o seguinte: Amanhã, Ana, Tatiana e Tasha vão vir pra cá. E vamos nós cinco no shopping e vamos fazer a festa. Tem dinheiro pra isso?
–Tenho! Guardei por um tempo, mas nunca fui porque não queria ir sozinha.
–A gente também! –Ela riu. –A gente tem combinado essa festa no shopping faz um tempo, estamos guardando dinheiro desde lá. Mas hoje, que tal maratona de The Vampire Diaries?
–Estou dentro!
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Já era noite e estávamos eu e Raquel no quarto dela, sentadas debaixo dos cobertores assistindo The Vampire Diaries na televisão que ela tinha. Ela estava com a cabeça deitada no meu ombro e eu com os olhos grudados na série. Mesmo já tendo assistido tudo.
Foi quando meu celular apitou. Revirei os olhos. SMS.
–Mensagem? De quem? –Raquel perguntou curiosa quando eu peguei o celular.
–Caleb.
Abri a mensagem:
“Hey, já está na casa da Raquel? Como está?”
“Eu estou com ela agora mesmo. Eu estou bem :3 A gente tá debaixo de cobertas”
“Huuuuuuuuum! Só vocês?”
“Estou vendo malícia nisso?”
“Estou apenas me certificando kkkkkk”
“Não, não tem nenhum menino. Ainda :P. Brincadeira. Tenho que ir. Depois te ligo.”
“Vou esperar. Beijos.”
“Beijos”
–Que bonitinho! –Raquel riu. –Ele com ciúmes. Lexi arrasando os corações.
–Larga de ser boba. –Ri. –Olha lá. Acho que é agora que vai acontecer o sacrifício.
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–Ah. Meu. Deus! Eu não agüento mais. –Falo depois da décima nona loja.
–Vamos parar um pouco. –Ana sugeriu. –Porque eu estou com a Lexi. Já andamos demais. Mas Lexi, não pense que sua jornada acabou amor. Porque ainda temos muito o que fazer com você.
–Estou com medo.
Rimos e subimos para a praça de alimentação onde cada uma pediu uma casquinha. Sentamos numa mesa para cinco e Raquel me encarou:
–Bem, as roupas já estão bem. Mas precisamos de um cabeleireiro urgente e você garotinha, precisa da última fase de sua transformação de aparência.
–Sério?
–Sério! E falando nisso, vamos! –Tasha sorriu. –Porque queremos deixar a Lexye de cair o queixo.
–Ah meu Deus!
Logo eu estava sendo empurrada para dentro de um salão. As garotas não fizeram muito, só fizeram uma maquiagem básica, fizeram as unhas e tiraram as pontas do cabelo. Agora no meu caso foi uma mudança drástica, pra quem estava acostumada á nunca mexer no cabelo. Fizeram um milagre. Cortaram até ficar na altura da cintura, hidrataram, mas não tiraram à cor. Um produto foi passado para abaixar o volume deixando-os com ondas perfeitas. Mais á maquiagem, as unhas, limpeza de pele, sobrancelhas eu estava irreconhecível.
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