Quatro anos se passaram.

Do outro lado da Grécia, vivia uma garota chamada Gill, ela tinha treze anos e vivia com seu pai, seu pai era escritor de colunas de Jornal, tinha uma renda razoável que dava para compra um apartamento próprio para a filha e ele, A mãe de Gill tinha abandonado a família, ou pelo menos era isso que o pai dizia para ela.

Gillian era uma garota de cabelos pretos e olhos negros, os garotos de sua classe diziam que ela era bonita, era aniversário de seu pai, mas mesmo nesse dia sua mãe não veio visitá-la, estava tendo um dia ruim.

Depois de sair da escola ela andava pelas ruas a caminho de casa, tinha comprado uma caixa de chocolates para dar de presente para o seu pai, quando de repente ela se deparou com uma pomba caída no chão.

Mas não era uma pomba comum, era uma pomba rosa, ela tinha certo brilho nas asas e estava muito fraca, a pomba teria morrido se não fosse por Gill, assim que viu a pomba pegou um lenço que estava em sua mochila, enrolou a pequena pomba nele, viu que seu lenço manchou um pouco de sangue, pois a pomba estava com a pata ferida, saiu correndo para casa.

Quando chegou em casa chamou o pai, botou a pomba em cima da mesa da cozinha e pediu que ele a ajudasse a fazer um curativo na perna da pomba.

-Rápido, pai, se a gente não estancar o sangue a pomba pode morrer! – gritava Gill afoita.

-Cheguei. – o pai trouxe um pedaço de esparadrapo com um remédio para feridas, aplicou rapidamente o remédio na pomba e fez um curativo – Pronto, agora a pomba está sã e salva, não está esquecendo nada não? – perguntou Sr. Brown a sua filha.

-O que? Tem mais algum ferimento? –perguntou A menina procurando por algum machucado na asa da pomba.

-Não, não, sabe que dia é hoje?

Gill se lembrou do aniversário do pai, ela pegou os bombons na sua mochila, que ela tinha jogado na porta de casa, e entregou a caixa de bombons amassados ao pai.

-Parabéns,- disse Gill olhando seu presente – é, ele estava melhor antes de ..., você sabe,

-Bom o que vale é a intenção, e além do mais – o pai provou um bombom – eles estão deliciosos.

Gill deixou o pai comendo os bombons e se voltou para a pomba, ela agora estava olhando para Gill, então a garota se decidiu, iria fazer uma casa para a pomba.

Saiu de casa e foi correndo para o parque em sua bicicleta, a pomba foi deixada em casa com seu pai. Gill pegou vários gravetos e fez um ninho improvisado, que não eram lá essas coisas, mas era quentinho e confortável, foi a feira e comprou um saco de alpiste. Voltou para casa com o saco de alpiste na mochila, segurando o mais novo ninho com uma mão e segurando com o outra dirigia a bicicleta.

Gill estava eufórica, finalmente ia ter um animal de estimação, seu pai sempre disse que não gostaria de cachorros ou gatos, mas poderia ter um pássaro, e ele não poderia negar moradia a uma pomba deficiente.

Mas quando Gill chegou em casa a pomba não estava mais na mesa.

A menina ficou eufórica, como seu pai ia deixar ela cuidar de um bichinho se ela já tinha perdido ele, a garota saiu correndo da cozinha para seu quarto, do seu quarto para a sala e procurou em todo o lugar mas a pomba não estava mais lá dentro daquela casa.

Gil ficou muito triste, resolveu perguntar para o seu pai se tinha visto a pombinha, se tinha morrido enquanto ela saia.

-Vi sim — respondeu Sr Brown — assim que você saiu ela saiu junto acho que foi atrás de você. Fiquei surpreso com a rápida recuperação dela, nunca vi um machucado sarar tão rápido.

Gill não pode acreditar, então a pomba deveria estar no bosque ou coisa parecida, resolveu então sair para procurar a pomba, mas quando abriu a porta ela entrou voando casa a dentro, espalhava seu brilho rosa por onde quer que estivesse, seu rosa agora estava mais vivo e foi direto para o quarto do pai de Júlia.

Logo atrás da pomba veio entrando uma mulher, não uma mulher qualquer, a professora de Gill, era uma mulher bonita, de cabelos loiros, olhos verdes e pele clara, Gill adorava a professora e vinha sempre tentando juntar ela com seu pai, mas o pai de Gill nunca queria ver outra mulher, ele dizia que uma decepção com a mãe de Gill já tinha sido demais

-Boa tarde Gillian, aquela pomba por acaso é sua? É que eu estava passando por perto, vi ela aqui na sua porta e decidi tocar aqui pra ver se era sua, mas assim que ela me viu ela me bicou. -Gill olhou para o braço da professora estava um pouquinho vermelho.

-É, é sim, obrigada, e desculpa...

-Ai! — o pai de Gill gritou do quarto — essa pomba me mordeu! — Sr. Brown chegou a sala e fitou os olhos na professora de Gill, que também fez o mesmo, os dois se aproximaram mudos e por um momento, o solitário Sr. Brown beijou apaixonadamente a professora de Gill, que retribuiu.

-Uou -disse Gill espantada

A pomba de Gill então entrou na sala e se aconchegou no ninho que Gill tinha deixado em cima da poltrona. A menina então lembrou que a pomba tinha bicado duas pessoas no mesmo dia, e como era seu novo bichinho de estimação tinha que educar ele, então pegou o ninho com cuidado e levou para o seu quarto, botou no parapeito da janela, em seguida pegou o alpiste e colocou em um tigela, que botou do lado da pomba. Deixou o seu pai e a professora, estranhamente, se beijando na sala. Júlia sentou na sua cama e se virou para a pomba.

-Olha, hoje está tudo uma loucura, é aniversário do meu pai, ele nunca quis uma namorada e agora você vem bica ele e a minha professora pra estragar meu dia e depois eles... começaram a se beijar — Gill começou a cogitar a hipótese de que a pomba tinha alguma coisa a ver com o estranho beijo que acabou, ou ainda estava acontecendo, entre seu pai e sua professora. — Você por acaso não tem nada a ver com esse pequeno romance entre meu pai e minha professora né? ou tem? -disse Gill pensativa

A pomba voou até a almofada na cama da garota e no seu peito brilhou um coração vermelho, e Júlia escutou na sua mente uma palavra “sim”, naquele momento Gill percebeu que aquela não era uma pomba comum.

Depois de uns segundos o coração desapareceu.

-Calma aí você falou? -perguntou Gill assustada

“Claro menina boba, nós pombas sempre falamos, mas você é uma das poucas pessoas que consegue se comunicar com pombos e pombas”

-Não pode ser, eu estou ficando maluca, é isso, eu... eu vou falar com meu pai, vai que ele sabe de algum tratamento pra ouvir pombas falantes.

Gill resolveu ir para a sala falar com seu pai. Quando chegou lá seu pai e sua professora estavam conversando sobre várias coisas.

-Filha, você não vai acreditar, eu e sua professora temos tanto em comum. — Disse o pai de Gill apaixonado

-Nossa, eu tenho que ir — a professora checa o relógio — Bom que tal se nós nos encontrarmos algum dia, naquele novo restaurante que abriu.

-Eu, não acho que seja boa idéia, sabe o que é, eu adoraria, mas... — o pai tenta explicar para a professora.

-Ele vai, sexta a noite — responde Gill cortando o pai, ela não podia acreditar que o pai ia, depois de treze anos, sair com uma outra mulher sem ser a mãe dela.

-Não, filha olha... — o pai tentava explicar

-Por favor pai. — Gill falou essas três palavras de um jeito diferente, ela nunca quis algo desse modo, nunca quis persuadir alguém, ela falou essas palavras de um jeito mais convincente.

O pai olhou para a filha nos olhos, parece que esse novo jeito de falar estava surtindo algum efeito, porque o pai acatou.

-Está bem. — disse o pai à professora.

-Ótimo te vejo lá então — e a professora saiu depois de se despedir.

O pai de Gill parecia confuso, ainda não acreditava que iria sair com uma mulher.

Gill voltou feliz para o quarto para encontrar a sua pomba.

-Temos muito o que conversar — Disse Gill a pomba

As duas saíram de casa, Gill disse ao seu pai que daria um passeio, mas assim que elas saíram de casa, um mostro enorme atacou a menina e sua pomba, um monstro metade Águia metade leão.