Cleide

4 A Escolha


Notas iniciais
HEEEEEEEEEEEY, ressurgi das cinzas feito uma fênix, lindo e maravilhoso como eu sou (sqn). Aproveitem esse capítulo, voltarei a ser mais regular nas postagens

Eu estava no banheiro, trêmula com o artefato no meu palmo canhoto. Minha visão estava quase turva e eu já estaria tonta. O resultado era demorado e minha impaciência era grande. Duas retas paralelas na vertical surgiam no visor do teste de gravidez, meu corpo esquelético parecia se fragilizar e meus músculos enfraqueceram. Caía no chão do banheiro de minha casa e tremia, sem me conformar em estar grávida. Esse tempo, esse tempo todo que se passou, eu me relacionei com o do time de futebol que eu mandei as nudes. Sim, o namorado de Janete. Continuava na incansável disputa para ela me desculpar. Eu havia feito o ritual das patys. O que aconteceu? Desmaiei por falta de sangue. Elas levam Crepúsculo à sério demais, cortaram-me e beberam de meu líquido avermelhado, me deixando cada vez mais pálida. Minha vida estava totalmente confusa, eu percebi tudo o que fiz e agora estava deitada no chão. Minha primeira reação foi pegar meu celular do bolso e tirar uma selfie. Postei no Instagram com a legenda: "é hora de amadurecer, hoje eu vou pro baile funk e ninguém vai me segurar". Levantei e arrumei meu cabelo, realizei um delicado coque frouxo em que não precisava de nada para sustentá-lo, eu sou ótima em coques frouxos. Meu moletom de panda cobria as minhas mãos, deixando kawaii. Eu tinha várias metas para aquele dia. Primeiramente, eu iria pedir desculpas à Janete. Secundariamente, eu vou falar com o Reginaldo e dizer que estou grávida.

Dirigi-me a minha cama, e abri meu laptop. Esperei ele carregar, computador lerdo da porra. Abri o Google Chrome, fui no twitter e zoei os outros navegadores, porque sempre tem que fazer isso quando se fala de Google Chrome, né, migos. Abri minha caixa de e-mails e vi um de uma das patys, que infelizmente, não consegui participar do grupo. Dizia que o Show de Talentos havia sido adiado, não tinha sido hoje, na sexta-feira (um dia depois do incidente das patys e da minha transa com Reginaldo. Não fiquem perdidos, mais tarde contarei sobre essa história com mais detalhes), e será na segunda. "Ótimo, ainda posso ser uma Beyoncé 2.0", as palavras escoavam em minha cabeça, logo em seguida o que eu pensava era o quanto estava com fome. Me levantei e corri na geladeira, pegando um iogurte e tirando uma foto. Postei no Instagram e coloquei o iogurte de volta na geladeira, pegando minha Nutella do armário. Ouvi meu celular apitar e tropecei em mim mesma três vezes enquanto segurava a Nutella tampada e corria de meias pelo corredor na direção do meu quarto. Peguei desesperada e vi o número de Janete na tela bloqueada. Cliquei no botão esverdeado na tela, colocando ao lado do ouvido.

— Alô? — Eu dizia, me sentindo madura e sem tentar me mostrar desesperada pela nossa amizade de MAPS.

— Cleide? Podemos conversar? — A morena falava do outro lado da linha, parecendo tão madura quanto eu.

— Claro. Quer meu corpo por quanto? Digo, sobre o que quer falar?

— Eu sinto sua falta, Cleide. — Ela começava a chorar, notava-se pelo seu tom de voz. — EU PRECISO DE UMA MAPS! EU PRECISO DE ALGUÉM PRA VIVEEEEER! AAAAAAAAAAAAAAAAAAA! — Janete berrava loucamente, em seu grito eu afastava um pouco o celular da orelha, ouvindo de longe sua voz.

— Janete, calma, calma! Também sinto sua falta! Podemos ser MAPS novamente.

— Ai, ok. Conte-me as novidades, miga. — Seu choro parecia parar de um milésimo à outro, o que realmente não me estranhava.

— Ah, então, tenho uma mega novidade...

— Conta!

— ... Eu estou grávida! — Dava uma pausa no começo para demonstrar suspense, dizendo animadamente depois.

— AI. MEU. DEUS. QUE. TU-DO! Quem é o pai?!

— Então... É o Reginaldo. — Foi então que o telefone apenas fazia sons como “bi bi”. Ela tinha desligado na minha cara.

Fui verificar meu tumblr. Foto do Starbucks, coisas sobre pandas... Uma tal de Kéfera. Quem é essa Kéfera? E meu mundo se abriu para o YouTube. Nova missão: virar uma vlogueira famosa. Corria pela casa inteira em busca de uma câmera. Abri todas as gavetas e armários, achei uma debaixo da cama de minha mãe. Por que estava lá? Eu não sei. Fui para frente da janela e aproveitei que estava de tarde. Apoiei minha câmera em um lugar qualquer e cliquei para filmar. Meu primeiro assunto foi sobre gravidez na adolescência, e no final, revelando estar grávida. Passou vinte minutos de vídeo, quarente e noventa porcento dele era algo que eu não queria que fosse para o YouTube. Então instalei o primeiro editor de vídeo que achei e gastei mais duas horas só editando. Quando me toquei, minha introdução era cheio de purpurina e um unicórnio cantando Lady Gaga passava pela minha frente. Tava flawless. Corri para o banheiro e fiz uma make diva (clique para ver). Peguei o celular novamente e tirei uma foto, pra não perder a rotina. Ainda segurando o celular, abri o YouTube e botei o instrumental da música que cantaria no show de talentos. Peguei a escova de cabelo e fiz como microfone.

— Agora late! Late! Late que eu tô passando. — Dançava sensualmente e cantava segurando a escova/microfone, me sentindo a diva.

Meu celular tocava e interrompia a música. Via o nome de minha mãe e atendia, revirando os olhos. A ligação já se iniciou em berros daquela maluca, captava as palavras: gravidez, camisinha, juízo ao meio de seus gritos. E depois seu tom reduzia incrivelmente, e soltava um “quando eu chegar a gente conversa” que soou mais como “vou comer seu cu, filho da puta”. Meu corpo tremeu novamente, fiz tweets sobre o quanto estava fodida com minha mãe e recebi várias mensagens de apoio, de amigos e desconhecidos. Meu único pensamento era simples e rápido, arriscado e preciso. Corri contra a varanda de meu prédio, pulei a divisória do meu apartamento, me jogando do prédio.

Notas finais
Não, a fic não acaba aqui. Não, não é o fim de Cleide.