Clavel
10 Um Momento
Notas iniciais
Espero que gostem desse capítulo :3
Ah! Queria agradecer MUITO MUITO MUITO (MUITO MEEEESMO) as pessoas que recomendaram a fic, Kiaskisute e PepitaPocket! É a segunda e a terceira recomendação que Clavel recebe e eu estou tão feliz que resolvi postar esse capítulo o mais rápido que eu podia!
Leiam as notas finais!
Capítulo 10 – Um Momento.
Sasori, que já se encontrava dentro da marionete Hiruko, irritou-se.
Seu desejo era chegar o mais rápido possível ao campo onde Deidara batalhava audivelmente com o pirralho Uchiha para dar-lhe a devida surra. No Sasuke, quer dizer, porque sabia do antigo sentimento que a Haruno mantinha pelo vingador. Daria uma surra em Deidara depois – apenas por diversão -, quando o loiro estivesse recuperado do que parecia ser um cansativo embate.
Mas Hiruko era lento demais. Sem contar que as possibilidades de mobilidade eram ínfimas. Claro que, há seis anos, Hiruko era mais do que suficiente para ele. A marionete com o escudo quase impenetrável perdeu seu “encanto” quando Sasori pôs as mãos no corpo bem trabalhado de Sakura, tornando-a a mais bela obra de arte que ele já vira.
Ele nunca admitiu isso em voz alta.
A verdade é que o Akasuna tinha se acostumado a lutar com a Haruno ao seu lado, e ela sabia disso, mas ele queria deixar claro que não mudava o fato de que tinha suas outras marionetes e que não era dependente dela, ao mesmo tempo, tentou mostrar também que, naquela relação, era ele quem mandava.
Obviamente, ele só tentou. Porque tinha certeza mais que absoluta que Sakura tinha encarado isso como uma punição por ter saído do lugar que ele a mandara ficar. Bem, que seja então uma punição, desde que ela não descobrisse que quem mais sofria por isso era o próprio Sasori; não usá-la na batalha contra o Uchiha-mirim significava perder a chance de mostrar que a rosada era sua.
Irrevogavelmente.
O assassino da Areia Vermelha não sabia ao certo quando, nem o porquê começou a adquirir esse estranho sentimento de posse em relação à sua melhor boneca. Bom, talvez esteja aí o motivo de tamanha possessividade: Sakura era sua melhor boneca. Com ênfase maior em “sua”. E, perdendo-se novamente em memórias, não soube dizer se houve algum momento em que um flash o atingiu de repente e ele pensou “é minha”.
Talvez esse sentimento estivesse nele desde o sonho que tivera com ela, e isso talvez tenha sido a única coisa que o impedira de matá-la em frente àquele banco frio de cimento em Konoha. Era o que achava, pelo menos. Mas agora, ao pensar melhor, sabia exatamente quando esse sentimento tomou conta dele.
Um momento.
Tudo se resumia em um momento.
Quando ela o chamou de Danna pela primeira vez. Esse foi o divisor de águas para ambos – Sasori e Sakura. Foi quando ela, após alguns meses de relutância, finalmente, havia aceitado o ruivo como seu mestre e abraçado – mesmo que não totalmente – seu novo estilo de vida.
Ele não tinha muito o que oferecer para Sakura, mas ela não podia negar, afinal, sua vida estava em jogo e ela era só uma garotinha com medo – mais do que aceitável, mesmo sendo uma kunoichi — da morte.
Mas com o tempo e a convivência, a Haruno percebeu que ela, mesmo sem exigir nada, tinha ganhado o mundo. Simplesmente porque Sasori o tinha dado. Junto com sua vila, ela havia abandonado o preconceito e o orgulho, descendo até o nível mais baixo que um shinobi podia chegar, uma assassina – quer dizer, em “teoria”, não na “prática”, porque ela ainda sentia remorso – apenas para entender a mente de seu mestre.
E o que ela descobriu não havia a desapontado em nada. Sasori, assim como todo assassino da Akatsuki – pelo menos os quais ela mantinha contado – tinha um passado triste que os remetia à sua não-tão-esquecida-assim mas também não-tão-evidenciada humanidade. E isso era como um pontinho de luz na vasta escuridão.
Um pontinho de luz que ela havia feito aumentar de tamanho e intensidade desde que passara a amá-lo com todas as suas forças. Sim, Sasori sabia que Sakura o amava e era por isso que ela acatava suas ordens sem titubear – na maioria das vezes -, mesmo quando elas contrariavam por completo seus ideais.
O Akasuna não sabia se a amava, mesmo porque ele mal sabia o que era o amor. O único amor que ele conhecia era o que seus finados pais o deram, mas o que sentia pela Sakura passava longe disso. Era tudo tão confuso e Sasori odiava se sentir assim. Confuso, digo. Porque ele gostava de sentir o que sentia pela rosada, mesmo não sabendo o nome exato disso.
Ao mesmo tempo, ele invocara na mente uma imagem da flor que o perseguia secretamente desde o sonho e a cena bonitinha – eca – na entrada de Suna. “Conhece o significado dessa flor, Sasori Senpai?” ela tinha dito nas duas ocasiões. Diabos, não conhecia! Ele lá era homem de pesquisar o significado das flores e suas cores?! Pesquisava somente aquelas que lhe traziam benefícios na hora de produzir um veneno, algo estritamente profissional e, acredite, cravos vermelhos não eram em nada venenosos.
Exceto, é claro, quando Sakura os usava para decorar os cabelos exóticos. Aí eles adquiriam um veneno tão doce que Sasori jurava ser capaz de deixa-lo desnorteado, fazendo-o desejar, lentamente, a morte por aquela fragrância pecaminosamente redentora. E que bandido secretamente não deseja a redenção?!
“BOOM”, Sasori ouvira a explosão. Estava mais do que perto, pois a fumaça cinza e densa o engolfou quase que no mesmo instante. Ouviu também o barulho de uma árvore caindo e soube que já se encontrava no campo de batalha.
Depois do que pareceu horas para o ruivo – Sasori odiava esperar e contava o tempo aceleradamente, totalmente diferente de um humano apressado qualquer -, a fumaça baixou e os olhos castanho-avermelhados puderam captar a situação com perfeição.
Deidara e Sasuke encontravam-se sentados, exaustos e ofegantes, ao que parecia. O moreno estava sujo de pólvora e pó e seu ombro direito sangrava um pouco, assim como sua perna esquerda. Sasori podia apostar que se ele estivesse em pé, estaria mancando. Deidara estava com o manto da Akatsuki rasgado e cuspia sangue devido a um ferimento no abdome, mas foi com certo assombro que o ruivo percebeu o jutsu que o loiro estava prestes a realizar; ele já tinha até aberto a costura da boca que existia também em seu peito.
- Deidara! – Chamou sua atenção.
O loiro olhou para a esquerda e o viu, entendendo rapidamente o recado: Sasori estava ali para assumir a luta, não havia necessidade de usar seu jutsu mortal – tanto para o adversário quanto para o usuário. Mas entender rápido o recado não significava que ele tinha gostado.
Odiava do fundo do coração – se é que ainda tinha um – ter sua luta interrompida pelo Danna, pois se sentia como uma criança. Mas ao perceber a expressão seca e imutável da marionete Hiruko e dando por falta de Sakura, Deidara costurou a boca do peito mais que depressa. Porque ele havia percebido algo que odiava bem mais do que ter a batalha interrompida: não mais ver o sorriso doce – e um pouco debochado, talvez – da rosada.
Se usasse seu Kyukyoku Geijutsu (arte suprema), ele nunca mais a veria. E isso, de certa forma, doía em seu peito. Não queria admitir, mas por certo estava caindo pela Haruno. Isto é, apaixonando-se. E admitir esse sentimento, mesmo que não verbalmente, era difícil e consumia muita energia mental, tanto que Deidara caiu para trás com as costas no chão, exausto, mas não inconsciente.
Sasuke, que todo este tempo manteve-se em alerta – bem, o máximo possível que um indivíduo extremamente exaurido podia -, colocou-se cuidadosamente em pé para encarar seu mais novo inimigo: o escorpião da areia vermelha.
Ativou seu sharingan e permaneceu em uma pose de extrema cautela. Hiruko abriu a boca lentamente, como se exaltasse seus próprios movimentos e cuspiu algumas centenas de senbons envenenadas. O Uchiha via a trajetória de todas e, se estivesse em condições normais, não veria problema algum em desviar de todas. Mas como estava exausto e sua visão aos poucos ficava turva, ele se percebeu um pouco lento demais e notou que corria sério risco de se ferir.
E se ferir em uma luta com o escorpião era assinar um atestado de óbito.
Concentrou metade da quantidade de chakra que lhe restava na lâmina de sua kusanagi e liberou o tão famoso ataque: chidori nagashi. Sasori não movimentou os dedos, portanto Hiruko sequer se moveu. Não havia necessidade, poucos eram os ataques que podiam atravessar seu escudo de proteção.
Sasuke, ao perceber isso, ofegou. Se não tivesse lutado com Deidara antes, com certeza seria capaz de achar um modo de vencer a luta com o titeriteiro, mas ele estava tão cansado... Seu corpo pesava como se fossem dois, seus braços tremiam devido ao excesso de esforço e seus olhos faziam força para ficarem abertos.
Tentou se aproximar da marionete para armar seu próximo ataque, mas ao tentar seu primeiro passo, mancou e quase perdeu o equilíbrio. Então soube-se em uma situação difícil com chances reais de morte. Mas Sasuke não queria morrer, não podia! Não antes de vingar seu precioso clã.
Engolindo em seco e mandando seu orgulho pro espaço, o Uchiha usou seu resto de chakra para invocar Manda, a cobra roxa gigante que antigamente mantinha um contrato com Orochimaru, mas que no momento claramente servia ao vingador, e dando as costas para os inimigos, correu.
Esforçou-se para correr o mais rápido que sua perna dolorida permitia para encontrar-se com Suigetsu e Juugo que o esperavam em uma vilazinha ali por perto. Fugir era humilhante – era tão humilhante que ele quase preferia a morte -, ele sabia, e destroçava seu orgulho em milhares de pedacinhos, mas continuava a dizer para si mesmo que aquilo se fazia necessário julgando as circunstâncias. Claro que a frase que seu aniki (irmão mais velho) o direcionara naquela noite escura, fria e atormentadora nem passou pela sua cabeça. Não, claro que não. Só uma dúzia de vezes. “Fuja, fuja... E agarre-se à vida.”
E ali, mancando e fugindo por sua vida como uma criança indefesa, Uchiha Sasuke jurou que depois que matasse Itachi, nunca mais, nunca mais, fugiria de algo. Sejam batalhas ou até mesmo... Sentimentos. É. Isso era uma promessa.
Mas, obviamente, Sasori estava alheio a tudo isso e quando o viu fugindo, uma onda de satisfação misturada com raiva se apossou dele. Satisfação porque não era todo dia, ou qualquer um, que fazia um Uchiha correr por sua vida. Raiva porque Sasuke era seu rival no amor. Quer dizer, espera aí! Não, não, não. “Rival no amor, que coisa mais ridícula!”. O via como seu rival, apenas isso. Não se fazia necessário, nem era saudável, admitir o campo onde essa rivalidade existia. “Porque não existe tal rivalidade, droga! Entenda isso de uma vez, Sasori, sua mula”, pensou.
O Akasuna “vestido” em Hiruko deu dois ou três passos na direção que Sasuke corria e, com fria precisão, lançou sua cauda de escorpião para frente, desviando de Manda, atingindo levemente o braço do Uchiha que preferiu, aparentemente, ignorar a suave picada, sumindo logo depois dentro da mata densa.
Manda avançou rapidamente, dando o bote para cima de um Sasori desavisado. Bem, só aparentemente desavisado, porque com uma velocidade incrível, Hiruko já tinha movimentado sua cauda novamente, perfurando a superfície carnosa próxima ao “pescoço”, ferindo a cobra de uma maneira única, que com um leve engasgar, explodiu em uma nuvem de fumaça.
Deidara suspirou alto, mostrando enorme força de vontade para não desmaiar e proferiu, com a voz ligeiramente debochada:
- Deixou Sasuke escapar, é? – Os olhos azuis observaram a sombra sinistra que a marionete fazia na paisagem – Você o envenenou? – Sasori fez que sim com a cabeça e Deidara apontou: — Sabe que Orochimaru fez experiências no corpo de Sasuke para que ele ficasse imune aos venenos conhecidos, não sabe?
Sasori fez um barulho de esgar – que ficou estranho quando reverberado pela carcaça oca de Hiruko -, e o loiro podia jurar que os olhos castanho-avermelhados estavam brilhando em puro deleite e os lábios finos estavam curvados nos cantos.
- Esse veneno não era conhecido por Orochimaru na época dos experimentos, é a minha mais nova criação – a voz do ruivo ficava estranhamente distorcida pela marionete e Deidara nunca admitiria em voz alta, mas isso sempre lhe causava arrepios de pânico – Sasuke morrerá em três dias.
•••
Suigetsu e Juugo saíram da casinha pequena que os aldeões costumavam chamar de pensão. Andavam tranquilamente pelas ruas calmas e estreitas da vilazinha quando avistaram uma espécie de comoção no portal de entrada.
Era um grupo de ninjas de Konoha que formava uma roda em volta de um corpo caído no chão. Entre os ninjas, Suigetsu reconheceu Karin de cara e puxou Juugo para se esconder atrás de um arbusto verde-oliva. O maior, sem entender, apenas arqueou uma das sobrancelhas ruivas e o tubarão explicou:
- É melhor não entrarmos em contato com eles até que Sasuke apareça por aqui, o que não deve demorar muito.
Juugo piscou, não entendendo muito a lógica de se esconder.
- Bem, já reparou que a Karin está no meio daquele bolo? – Apontou com o dedo indicador e Suigetsu assentiu, girando os olhos. É claro que ele já havia notado a presença da ruiva. Ele sempre notava. – Aposto que ela já sentiu nossos chakras.
- Bobagem, olhe pra ela. Está tão preocupada em se fazer útil e curar o ruivo semi-morto que nem deve ter se dado ao trabalho de verificar os chakras a sua volta.
E realmente era verdade. Karin, em sua primeira missão oficial como shinobi de Konoha, queria se esforçar ao máximo. Como não era boa em lutas, tudo o que podia fazer se resumia em rastrear e curar. Naturalmente, como o “paciente” tratava-se de ninguém mais, ninguém menos que o Kazekage, seus esforços redobraram, assim nem teve a preocupação de verificar e reconhecer os chakras ligeiramente grandes que rondavam pela Vila do Algodão.
Os olhos de Suigetsu brilharam discretamente ao analisar a figura naturalmente pálida de Karin. Ele tinha sentido falta da ruiva, não podia negar, no entanto, ela claramente estava melhor trabalhando para Konoha. Ele cutucou Juugo no ombro e, antes dos dois darem a volta e ir para o sul da Vila, Suigetsu pôde ver aquele garoto espalhafatoso, Naruto, mandar uma ave mensageira para o norte.
Ao dar um ou dois passos, o Hozuki ouviu vindo de trás um barulho abafado de vidro caindo no chão, porém não se quebrando, mas ele fez questão de ignorar.
Notas finais
Espero que a "luta" entre o Sasuke e o Sasori não tenha deixado muito à desejar. Sou péssima em escrever cenas de luta. E espero que não caiam muito à pau em cima do Sasuke, coitado.
Gente, pequena pergunta: vocês desejam ver para essa fic um final feliz ou triste?
Porque eu tenho os dois planejado, mas realmente não sei qual seguir. É importante dizer para que eu possa começar a tomar o rumo, mas isso não significa que Clavel esteja em seu imediato final, ainda tem muita coisa pra rolar!
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