Clavel

11 Que Bobagem


Notas iniciais
Eu não gostei muito desse capítulo, achei que podia ter ficado melhor.. Mas enfim, deixem suas opiniões depois :3

Capítulo 11 – Que Bobagem.

Deidara não conseguia dar sequer um passo. Sim, ele tentou, mas não tinha força suficiente nas pernas para realizar tal feito.

Sasori achou que ele parecia uma minhoca tentando se levantar, porque era teimoso e não aceitava o fato de que tinha ultrapassado seus limites. Por se debater tanto, parecia que o ferimento no abdome voltara a sangrar com determinação renovada.

- Deidara, você é um saco – ele disse, suspirando.

Caminhou até o companheiro, abaixou-se – na verdade, nem precisou se abaixar, Hiruko era uma marionete baixa por si só — e se ofereceu como apoio. O loiro fez força nos braços e jogou praticamente todo o peso de seu corpo contra a lateral do boneco, resmungando sem parar de dor. Mesmo assim, sentiu que ia escorregar, então a cauda do escorpião se enrolou pelo corpo dele.

- Ei, ei, não aperta, Danna! – Reclamou mais alto. Além do corte profundo no abdome, o loiro tinha quase certeza de estar com uma ou duas costelas quebradas.

O Akasuna fez força para não mandar Deidara à merda, aquela palhaçada já deu o que tinha que dar. Começou a andar e praticamente arrastou o corpo quase mole – quase mole, porque sua teimosia e temperamento irritante não o deixavam largar os pontos para a inconsciência – do artista explosivo.

Depois de um certo tempo de caminhada em silêncio, Deidara, que estava se segurando firmemente para não tagarelar, não aguentou e soltou mais uma reclamação:

- Esse seu Hiruko é lento demais.

Sasori não o olhou, mas ele sabia que o ruivo provavelmente estaria com um olhar homicida estampado no rosto.

- Se eu fosse mais rápido, você choraria de dor – disse com a voz desprovida de emoções. Verdade, Hiruko era mesmo muito lerdo, como já havia constatado mais cedo, mas ainda assim, estava diminuindo a velocidade por causa dos ferimentos do loiro.

Oh, Sasori, quando se tornara tão mole?

Diminuir a velocidade pensando no bem do outro Akatsuki? Ridículo. Isso, com certeza, era coisa da Sakura. É, Sakura faria algo do tipo, mas ele não. Ele era um assassino frio, cruel, que só pensa em si mesmo e na sua famosa coleção de marionetes. Não era?!

- Até parece – o loiro rolou os olhos. – Mas sei lá, eu não me importaria de andar nessa velocidade se estivesse sendo apoiado por um boneco mais bonito e delicado que esse aí.

Ah, o Akasuna sabia exatamente a que boneco Deidara se referia. Então, assim, como quem não quer nada, apertou um pouco mais a cauda de escorpião ao redor do outro e aumentou as passadas. No mesmo instante, Deidara ganiu de dor e desconforto e xingou até a quinta geração de Sasori, implorando que parasse.

- Tem sorte de eu não larga-lo aqui mesmo. Aliás, tem sorte de eu ter aparecido para ajuda-lo na luta com o pirralho.

Deidara riu alto, mas arrependeu-se no momento seguinte quando suas costelas arderam com o movimento. Mesmo assim, não perdeu a oportunidade:

- Ah, Danna, seu bobinho – prendeu a respiração ao sentir o aperto muito mais forte. – Olha só, não precisa mentir pra mim, eu sei que você foi até lá só para ter a chance de exterminar o Uchiha com suas próprias mãos porque tem ciúmes do pirralho.

Sasori afrouxou tanto o aperto que a cauda de Hiruko largou quase que instantaneamente o corpo do outro Akatsuki, que foi ao chão em um tombo muito barulhento.

- Agora você conseguiu me irritar – começou a andar, deixando Deidara para trás. – Vá rastejando para o ponto de encontro.

- E-Ei, Sasori no Danna, eu só estava brincando – o semblante do loiro ficou branco ao ver o ruivo se afastar. – Sasori no Danna! Maldito, volte aqui!

•••

Sakura estava roendo as unhas. Não sabia dizer se era por preocupação ou por ansiedade. Os dois Akatsuki estavam demorando demais. Ao mesmo tempo, tentava não pensar na situação na qual Sasuke podia estar. Estaria morto?

Não que o amasse ainda, jamais; o sentimento que tinha pelo Akasuna era tão forte que obliterava qualquer sentimento amoroso remanescente pelo outro. Mas o fato é que ela ainda se preocupava com o pequeno Uchiha. Afinal, era só mais outro garoto cegado pela escuridão.

Se tivesse oportunidade, ela acreditava que poderia salvá-lo. Quanta prepotência! Salvar alguém? Ela? Bem... Era o que ela acreditava. Um pouco de amor incondicional faz maravilhas. Mas, claro, não tinha tal oportunidade por um simples motivo: seu projeto de salvamento do Danna ocupava-a em momento integral.

E ela nem pensava em reclamar disso.

Estava tão concentrada em pensamentos e tomada por preocupações que só foi notar a presença de Sasori quando ele apareceu por entre as árvores, sozinho. Obviamente, não foi o detalhe de estar sozinho que chamou sua atenção.

Ah, não. O que lhe saltou aos olhos foi a pequena – quase imperceptível – rachadura na liga entre o pescoço e o ombro da marionete Hiruko. Sasori havia sofrido um ataque?

E isso foi o suficiente para ela se esquecer da ausência do pobre Deidara.

Sakura correu, aflita, e chegou bem próximo do Danna. Com olhos preocupados, ela pousou suas mãos uma em cada lado da bochecha e forçou o rosto do boneco um pouco para o lado, tendo uma melhor visão da pequena trinca.

- Você sofreu um ataque de raiton (elemento trovão), não foi?

Sasori riu baixinho, e sua voz naturalmente rouca reverberou pela marionete, enviando arrepios pelo corpo de Sakura. Mas não arrepios de medo, ah, não. Estava longe de ser isso.

- Não precisa se preocupar com Hiruko, Sakura – ele disse, abrindo a parte de trás e saindo de dentro do escorpião. Com uma expressão de tédio, desenrolou um pergaminho e fez uma invocação inversa, guardando o boneco de maneira prática. – Devia se preocupar comigo.

Sakura arregalou os olhos. Teria o raiton furado a defesa altamente resistente da marionete e atingido o Danna em cheio?

- Você está ferido? – A voz da rosada ficou um pouco esganiçada. – Eu posso usar meu jutsu médico e...

Sasori capturou o queixo dela entre os dedos, trazendo seu rosto para perto, fazendo-a olhar dentro de seus olhos. Sakura corou.

- Que bobagem. Não acho que seu jutsu médico combine com o momento – ele sorriu sacana e a Haruno se desconcentrou ao sentir a respiração quente dele em sua bochecha.

- O q-que combinaria com o momento? – Ela tinha que perguntar.

- Conhecendo você? Acho que isso... – O Sorriso sacana no rosto de Sasori só aumentou. Sakura engoliu em seco. É isso, ela estava ferrada. Provavelmente ele ainda estava furioso por ela ter desobedecido a uma ordem dele, talvez tivesse chegado a hora da punição. Mas não. Oh, nada disso. Ele simplesmente esmagou seus lábios nos dela. Ela foi até as nuvens. Brevemente, porque ele logo se desgrudou dela, mordendo suavemente seu lábio inferior e completou: — ...combinaria mais com o momento.

Ah, não! Ele só podia estar brincando com ela. Sério? Sério mesmo? Por longos seis anos ela ansiou pelo contato dos lábios dele e, quando ela finalmente consegue, mal dura meio minuto? Não pode ser. Diabos, não pode ser!

Ele riu. Ele riu. Por acaso ele tinha rido dela? Da cara que ela provavelmente estava fazendo? Sim, porque ela devia estar com uma careta muito feia. Filho da puta, ele estava mesmo castigando-a, provocando, deixando-a na vontade!

Miserável.

Mas isso não ia ficar assim, não.

Com o fogo ardendo nos olhos esmeraldinos, ela se colocou na ponta dos pés, agarrou as vestes do Akasuna e o puxou contra si novamente, capturando impiedosamente os lábios masculinos com os seus. De imediato, ele não reagiu. Ela não sabia se era porque ele tinha sido pego de surpresa ou se ele ainda queria castiga-la, mas ela não se importou.

Não desgrudou seus lábios dele.

Como estava com os olhos fechados, Sakura se surpreendeu quando os braços de Sasori circundaram de maneira firme e possessiva sua cintura e nuca. Era como se ele não fosse libertá-la nunca.

Como se, uma vez desperta a fera, não sossegasse jamais.

A língua masculina tocou os lábios cerrados da rosada e, ao entreabri-los minimamente, Sasori já tomava controle do beijo e impunha seu ritmo feroz. Ele era impulsivo. Suas línguas se entrelaçaram em uma dança sensual e Sakura estava novamente nas nuvens.

Seus pensamentos eram incoerentes e ela sentia suas pernas ficarem bambas, feito gelatina. Era a primeira vez que alguém a beijava com tanta fome. Na verdade, era a primeira vez que alguém a beijava. Ela não sabia muito bem o que fazer e agradeceu mentalmente por Sasori tomar rapidamente o controle de tudo; do beijo e dos seus pensamentos. Tinha sido muito impulsiva quando o atacara e não tinha a mínima ideia de que o ruivo agiria de maneira tão receptiva.

Afrouxou o aperto que mantinha na parte da frente das vestes dele e espalmou suas mãos no peitoral forte e duro. O Akasuna, aparentemente apreciando o toque, puxou com mais firmeza a cintura da rosada, colando-a em si. Os pés da menina já não tocavam mais o chão, ele segurava todo seu peso nos braços que ainda a envolviam.

Sasori tinha que confessar: nunca imaginou que Sakura avançaria nele daquela maneira. Quando chegou, decidiu provoca-la, sondá-la um pouco. Qual seria sua reação caso ele tomasse seus lábios ali, de imediato? Ele descobriu: ela tinha ficado paralisada.

Isso chutou um pouco seu ego, então ele a tinha largado. Mas quão doce não foi sua surpresa quando ela ficou tão irritada ao ponto de puxá-lo de novo e exigir algo mais intenso?! Bem, ela merecia. E ele, certamente, queria desesperadamente.

- Ah, cara, eu não acredito nisso. Eu odeio vocês.

Sakura abriu os olhos, pega de surpresa pela voz de Deidara.

Sasori gruiu.

A rosada se soltou com dificuldade do abraço férreo que o ruivo ainda insistia em manter e, corando até a raiz dos cabelos, tentou disfarçar o estado de torpor no qual ela se encontrava.

Mas isso foi até ela ver o Deidara. Ele estava deitado no chão, de bruços, e se encontrava todo sujo, como se ele tivesse rastejado até ali. Olhando para trás, por um momento, ela viu um rastro fino de sangue.

- Oh, pobrezinho! – Sakura correu para ajuda-lo a se levantar. Ele fez uma careta de dor – O que aconteceu com você? Por que está todo sujo?

- O Danna não quis me ajudar, tive que ser forte e rastejar até aqui – o loiro levantou uma mão e pegou uma das mechas do cabelo rosado, colocando-a atrás da orelha feminina. – Mas valeu a pena, só pra te ver de novo.

Uma veia saltou na testa de Sasori, mas nenhum dos outros dois pôde ver, ele ainda estava de costas, não tinha se movido do lugar onde beijada sua boneca.

- Ele está fazendo drama – disse, frio. – Ele veio andando até aqui, só deitou no chão agora, pra parecer que veio se arrastando e fazer você ficar com dó.

Sasori sabia disso porque, enquanto beijava Sakura, mesmo estando ligeiramente distraído, ainda conseguiu sentir o chakra de Deidara se aproximando de maneira rápida demais para alguém que supostamente estava rastejando.

Uma aura maligna começou a emanar da figura rosada.

- Isso é mesmo verdade, Deidara?

- Bem, sim – respondeu, sem pensar.

- O que?! – Sakura acumulou chakra nos punhos.

- Quer dizer, não! Ele me largou lá, no meio do caminho, e eu tive que rastejar até aqui! – Tentou consertar.

Sakura não comprou muito a versão do loiro, então socou o chão exatamente ao lado do corpo do ferido, que só pôde engolir em seco. A garota suspirou cansada e fez alguns selos com as mãos, dando início ao seu jutsu de cura. Tinha que fechar o ferimento dele o mais rápido possível.

Sasori aproveitou para observar a caverna e, quando não notou o corpo de Gaara, deu de ombros. Pelo menos ela havia cumprido a ordem que lhe deixara.

Depois de alguns minutos, o corte no abdome de Deidara estava curado, mas ele ainda tinha a questão de ter quatro costelas quebradas. Sakura apoiou o loiro o caminho inteiro até aquela tão conhecida cabana de madeira, que nem era tão longe assim dali.

Ela o colocou no quarto e foi necessário lhe aplicar um sedativo, porque ele era muito inquieto, o que dificultava a cura dos seus ferimentos menores. Enfaixou o tronco do Akatsuki e sorriu satisfeita quando o trabalho acabou. Tinha se dedicado tanto à cura do loiro que nem sequer teve tempo de saborear as memórias do incrível beijo de Sasori.

Oh, por falar em Sasori, onde ele estava?

Saiu do quarto onde Deidara repousava e procurou pela figura ruiva. O encontrou em seu próprio quarto, sentado na beirada da cama. Ele olhava para o teto e parecia mergulhado em pensamentos. Quando a notou parada no batente da porta, se levantou, e algo nesse movimento chamou a atenção da rosada, alertando a preocupação feminina.

Ela colocou as mãos na cintura, olhou para o Danna com autoridade e disse:

- Tire a camisa.

Notas finais
É, finalmente a Sakura tascou um beijão no Sasori, hihi. Comentem!
Gente, pirei aqui! Sério, além de agradecer infinitamente os fofos que deixaram review, quero agradecer as duas lindas que deixaram a quarta e a quinta recomendação de Clavel!
julliy_julinha e Ella Phelps, estou tão feliz que estou até com vontade de beijar seus pés LKJFSLDKJFSKLJ Vocês são lindas, obrigada por tudo!