Clavel
12 Não Seja Inconveniente
Notas iniciais
Vocês me perdoam pela demora, não? :c Acho que já disse isso pra todos os leitores, mas é que eu estou prestando vestibular pra valer esse ano, então faz quase mais de um mês que todo fim de semana eu estou fazendo prova, o que empata minha vida de fic-writer, já que só posso usar o fim de semana pra escrever.
Minhas sinceras desculpas, estrelinhas. Espero que gostem desse capítulo, fiz com muito carinho!
Capítulo 12 – Não Seja Inconveniente.
Sasori piscou uma, duas, três vezes.
Depois, fez uma careta e riu. Era engraçado porque ele sempre teve vontade de dar a ela uma ordem dessas. Era estranho porque nem em suas fantasias mais loucas Sakura agia assim. Mas que situação inusitada!
Sakura manteve a postura ereta, as mãos nunca deixando a cintura fina. Quando ouviu o riso masculino, crispou os lábios e deu a ele seu melhor olhar zangado. Sasori arqueou as sobrancelhas. Garotas movidas por hormônios são difíceis de lidar. Fez uma nota mental, “quando sua garota lhe ordenar para que tire a blusa, não ria, nem faça careta, só aproveite o sexo selvagem que vem em seguida”.
- Já que insiste, Sakura... – Fez uma reverência desdenhosa, se livrou da capa negra da Akatsuki e puxou a blusa à cima da cabeça pela barra.
Sakura achou aquilo uma visão tentadora demais. Como se já não bastasse tirar a blusa, Sasori parecia ter feito questão de realizar o ato com demasiada cadência, economizando movimentos desnecessários e tornando tudo ainda mais sensual. Tudo nele exalava erotismo: os gominhos do abdome que aos poucos eram descobertos, os músculos dos braços tencionando deliciosamente e os cabelos que pareciam ter ganhado vida quando a gola da camisa passou por eles, bagunçando-os casualmente.
Talvez ela estivesse corando, mas torcia para que não, afinal a ordem que dera a ele tinha fins profissionais, não românticos. Sasori se espreguiçou e sorriu de uma maneira totalmente maliciosa e esperou seu próximo passo. Sakura engoliu em seco.
“Foco, garota. Foco!”
Aproximou-se dele e deu a volta, parando de frente para as suas costas. O ruivo estava obviamente curioso, mas não se moveu. Cuidadosamente, ela colocou as pontas dos dedos frios na pele quente do ombro masculino e ele estremeceu.
- Eu sabia que isso não passaria despercebido por você – Sasori afirmou, dando uma risada rouca.
Ah, não passaria despercebido mesmo! Sakura sabia que tinha algo errado no exato momento em que passou pelo batente daquela porta e o viu se levantar. Era uma leve mudança na postura sempre tão certinha de Sasori, mas Sakura percebeu; ela sempre percebia. Fechou as mãos entorno do ombro exposto do ruivo, rindo quando ele resmungou baixinho.
- Quer dizer então que o grande Akasuna no Sasori está com dor nas costas?! – A rosada desdenhou enquanto Sasori a olhava de canto de olho, irritado – Por que será, hm? – Colocou a mão no queixo, fingindo pensar – Acho que foi porque fazia tempo que não usava o Hiruko. Será que você está fora de forma ou só mal acostumado?
- Cale a boca, Sakura – suspirou, ficando cara a cara com ela – Juro que não estou no humor para piadinhas.
A Haruno estreitou os olhos, divertida com a situação.
- Vamos, admita, Danna – Ela disse, sorrindo presunçosamente – Depois de seis anos acostumado a lutar ao meu lado, você não consegue mais usar suas outras marionetes com perfeição. Você precisa de mim.
O sorriso arrogante da rosada deu um pontapé em seu ego e inflamou seu interior. Ele precisava dela, desesperadamente – ou não, era difícil para ele admitir isso para si mesmo -, mas ela também precisava dele. Sem ele, ela não era nada. Sem ele, ela nunca seria nada. Sem ele... Ela era como uma concha vazia.
Uma boneca sem vida.
Certo? Pelo menos era assim que ele gostava de pensar. Pessoas como ele, que viveram durante muito tempo na escuridão, entenderiam essa necessidade que ele tinha; Sakura, por obrigação, deveria precisar dele. Sempre. Porque aí ele teria um motivo para viver.
Era difícil carregar essa certeza, porque ele é o tipo de cara que não forma laços, nem precisa de motivos para as coisas. Ele é o que é, vive por viver, e faz o que faz por fazer. A única coisa que realmente tinha importância para ele era sua arte, que em sua concepção, era eterna, a única certeza em sua vida sempre agitada. Sakura não deveria ter importância para ele simplesmente porque estava viva; logo, não era eterna. Não que ele não pudesse dar um jeito nisso... Na verdade, transformá-la definitivamente em uma marionete seria fácil. Era doentio, ele achava, mas tinha medo de sentir falta da personalidade de Sakura.
Apesar de tudo, ele gostava dela viva; envelhecendo a cada segundo que o ar entrava em contato com sua pele alva.
- Sim, eu preciso de você... – murmurou baixinho, distraído. Aquilo pegou Sakura de surpresa, que nunca achou que ele fosse dizer isso em voz alta. Ao se livrar do torpor causado por seus pensamentos mais profundos, Sasori se tocou do que disse e tratou de consertar: — Pra fazer uma massagem em mim.
Sakura estava pronta para protestar. Maldito! Ele não podia ficar por aí brincando com os sentimentos dela. Quando abriu a boca para reclamar, Sasori circundou sua cintura com braços firmes e a puxou para baixo. Em meio à movimentação, sem perceber, Sakura fechara os olhos. Quando os abriu, notou que seu Danna estava deitado e que ela estava sentada no abdome firme, apoiando as mãos no peito másculo e desnudo.
Ela estava corando, isso era uma certeza. Nunca antes na vida tinha sentido seu rosto tão quente como agora. Sasori tinha um sorriso sacana no rosto, os olhos pareciam contaminados pela luxúria, e os fios ruivos bagunçados ao acaso lhe davam prazer à vista, suas mãos coçavam para penteá-los.
O ruivo aproveitou para passar as mãos atrevidas pelas coxas macias que mal eram cobertas pelo shorts negro que ela trajava, depois apertou-as. Ela se remexeu inquieta no colo dele quando um calor se apossou de seu baixo ventre, alheia aos efeitos que isso causara no corpo — agora duro — abaixo de si. A Haruno engoliu em seco. O Akasuna não desmanchou o sorriso insinuante sequer um minuto, de fato, a única coisa que fez foi levantar a cabeça e aproximá-la levemente da de cabelos rosa, umedecendo os lábios, desejoso.
- Você está muito quieta. O escorpião picou sua língua, Sakura?
Ela não estava raciocinando direito, não quando estava tão próxima assim da boca insanamente convidativa de seu Danna, então demorou um bom minuto para que ela pensasse na possibilidade de responder alguma coisa. Eles não podiam pular toda essa parte das provocações e passar logo para o beijo ardente?
Aparentemente não.
- Sakuraaaa! – Gritou Deidara do outro quarto, prolongando o som da vogal, o que deixava tudo mais irritante. Sasori fechou as mãos em punhos, xingando baixinho. Sakura piscou, aos poucos recobrando o raciocínio. – Eu ouvi a palavra massagem por aí? Sabe, eu estou precisando muito de uma. Minhas costelas estão doendo muito!
A Haruno tirou as mãos do peitoral do ruivo e rapidamente se desvencilhou dele, ainda corada. Olhando para a parede, disse:
- Sasori no Danna, você pode pegar as plantas anestésicas para mim?
O Akasuna fechou os olhos, tentando controlar o mal humor. Depois de longos minutos sem dizer nada, ele se levantou e, bufando, seguiu pelo corredor em direção à sala onde guardava suas preciosas plantas, deixando um caminho de destruição por onde andava. Ao passar pela porta aberta do quarto de Deidara, parou e encarou o loiro. Ele estava sentado em uma posição estranha e o encarava com um sorriso no rosto.
- Eu não vou facilitar pra você, Danna. – Deidara disse baixo, mas o suficiente para o ruivo ouvir.
No entanto, Sasori fingiu não escutar, o que não mudava o fato de que por dentro ele estava fervendo de raiva. Quanta insubordinação! Quem esse loiro maldito pensa que é? Se pudesse, amassaria a cara dele nos socos. Mas, bem, ele podia fazer isso se quisesse. Só precisava dar um jeito de manter Sakura afastada.
- Pegou as plantas anestésicas, Sasori no Danna? – Perguntou a Haruno ao andar pelo corredor.
O ruivo tentou esconder um sorriso maldoso.
- Não, elas acabaram.
- O que?! – Ela pareceu surpresa. – Mas eu podia jurar que as tinha colhido ainda na semana passada... – Sasori deu de ombros, fazendo pouco caso. A Haruno coçou a nuca. – Bem, então, acho que vou ter que colher mais algumas. Fica de olho no Deidara, certo?
O titeriteiro assentiu com tédio. Assim que a garota saiu pela porta da frente, ele voltou seu olhar para o loiro machucado que o fitou sem entender.
- Parece que você não entendeu direito a sua situação, Deidara – disse, estralando os dedos enquanto se aproximava com calma – Eu é que não vou facilitar pra você.
- Danna?! – Deidara exclamou, sentindo uma pontada de temor. A pontada crescia gradativamente enquanto o Akasuna dava passos curtos em sua direção. – Ei, Danna, o que pretende? Oe, não me olhe assim! Espere, Danna, não se aproxime! O que... Oe, Sakura! Sakura, volta aqui!
- Ela não vai te ouvir agora, Deidara.
O pobre artista amante das explosões engoliu em seco.
•••
- Como está o Deidara, Sasori no Danna? – Sakura perguntou ao entrar na cabana.
- Melhor do que nunca. — O ruivo estava apoiado casualmente no batente da porta do quarto de Deidara e, quando a viu, sorriu de canto, apontando com a cabeça para o loiro deitado.
Sakura piscou, incrédula.
- Ele está dormindo?
- Melhor que isso – Sasori desencostou o corpo da porta e colocou as mãos nos bolsos da calça. – Inconsciente.
A Haruno conteve a surpresa por um instante e começou a rir. Devia saber que nada de bom sairia ao deixar o loiro mais estraga-prazeres do mundo aos cuidados do ruivo mais irritadiço do mundo. É lógico que ele iria descontar no Deidara sua frustração por ter sido interrompido.
E isso, de certa forma, a agradou mais que tudo. Não pelo fato do pobre loiro ter apanhado até alcançar a inconsciência, não, mas sim porque era confortável saber que o Danna apreciava esses novos momentos íntimos tanto quanto ela.
E Sasori? Oh, ele só pôde apreciar a gargalhada gostosa da sua boneca.
•••
- Naruto, está dormindo? – Gaara perguntou ao se sentar na cama pouco confortável da enfermaria.
O loiro em questão estava sentado na poltrona ao lado, rosto apoiado casualmente nas mãos e olhos fechados. Seu semblante estava fechado, o que permitiu o Kazekage apostar todas as suas fichas na ideia de que ele estava acordado, a não ser que estivesse tendo um pesadelo, o que era difícil de acreditar.
Com calma e com uma preguiça quase ensaiada, o Uzumaki abriu as pálpebras e olhou para cima, torcendo o rosto em uma careta.
- O que você está fazendo sentado, Gaara? Aqueles malditos tiraram seu bijuu, se você não está morto, era para estar um pouco mais acabado que isso, não acha?
O Sabaku piscou, incerto sobre como lidar com a aparente capa de rispidez de Naruto. Algo o estava preocupado, e isso qualquer idiota no quesito “sentimentos alheios” podia perceber. Ele sabia lidar com a rispidez, afinal desde pequeno fora o portador de Shukaku, o bijuu de uma cauda; mas ele titubeava quando se tratava de um amigo. Ele nunca tivera um amigo antes.
Achou que ser sincero e direto era o melhor caminho a seguir no momento.
- Ei, Naruto, por que está agindo feito um babaca? – Agora foi a vez do Uzumaki piscar, espanto rolando por seus orbes azuis. Gaara deu de ombros, como se dissesse “essa é apenas a verdade”. – Kakashi me contou que você não quis falar com ninguém depois... daquilo.
- E qual é o problema? – Naruto estreitou os olhos, subitamente irritado demais. – Eu tenho o direito de querer ficar um pouco quieto no meu canto!
- É só que isso não é muito comum, você nunca fica quieto no seu canto – O Kazekage devolveu sem hesitar.
- Heh, talvez esse seja o meu grande defeito! Eu não fico quieto no meu canto, sou um idiota irresponsável, um palhaço de coração mole que só serve para estragar a missão de resgate mais importante em seis anos e, possivelmente, ao mesmo tempo, o pior amigo do mundo. — O Uzumaki levantou-se em um supetão, erguendo os braços para cima e exclamando. — Será que construir laços comigo é tão ruim assim? Por que aqueles dois fogem de mim como o diabo foge da cruz? – Ele parou para respirar e desviou o olhar. – Estou tentando melhorar isso, fique feliz.
O silêncio prevaleceu após a pequena explosão do garoto que, depois de suspirar pesadamente, se jogou de novo na poltrona. Gaara esperava por isso, tinha notado que o loiro permanecia sob grande pressão e suas emoções estavam um verdadeiro caos.
- Eles não fogem de você, Naruto. Provavelmente os dois ainda têm assuntos para resolver na escuridão, por isso renegam o laço que têm com você. É pra não te arrastar junto – Isso chamou a atenção do loiro, que passou a olhar atentamente para o ruivo. Ele falava com muita firmeza, como se realmente soubesse das coisas. – Está preocupado com o plano B, não é?
- Sim – Naruto confirmou. – Eu não gosto desse plano da vovó Tsunade.
- Eu acho que tem boas chances de sucesso. Mas, enfim, eu posso afirmar com todas as letras que a Sakura não é má, mesmo estando com aqueles Akatsuki por vontade própria. Ela não precisava ter feito o que fez por mim, principalmente se levarmos em conta o que eu fiz a ela no passado.
O Uzumaki encarou o chão, apertando o braço estofado da poltrona. Ele sabia que Sakura, em sua essência, ainda era boa. É só que ela estava tão diferente da garotinha que ele costumava amar... Ela parecia uma mulher agora, totalmente independente de seus antigos companheiros, desapegada com o futuro sombrio que a aguardava caso continuasse com o tal Sasori – esse nome lhe enchia de nojo -, determinada a salvar a alma de um assassino barato e condenado. Ela era só uma garota, pelo amor de Kami! Como podia sequer pensar em salvar alguém como aquele Akatsuki frio e desprovido de boas intenções?!
- O que a prende àqueles Akatsuki é algo que, por mais que eu me esforce, não consigo reconhecer – o loiro fechou os olhos com força. – Amor? Como alguém tão doce e amável como ela pode amar aquele ser doentio e pútrido?
O Sabaku notou na hora o tom raivoso usado pelo amigo. Ele ainda não sabia o que era isso; sentir raiva pelas escolhas erradas de um amigo. Mas estaria a garota tão errada ao acreditar na redenção de um Akatsuki?
- As coisas doces e puras normalmente são atraídas por outras decadentes, eu acho.
Naruto riu, um tanto surpreso pelo desenvolvimento do lado humano no ruivo. Era um progresso e tanto!
- Gaara, toma seus remédios e vai dormir. Se você continuar filosofando assim, juro que vou ficar assustado.
O Sabaku sorriu sem mostrar os dentes, como era de se esperar.
- Vou ter uma ótima noite de sono, sem pesadelos, já que Shukaku não está mais comigo – Gaara se ajeitou no travesseiro de fronhas brancas. – Se os caras da Akatsuki não tivessem um plano maligno para usar os bijuus, e também se desconsiderarmos o fato de quase terem me matado, acho que eu poderia agradecê-los por esse pequeno favor que me fizeram.
Notas finais
Gente, muito obrigada por todos os reviews fofos que vocês mandaram, eu li todos pelo menos umas duas vezes, estou muito emocionada!
Um agradecimento especial para a Ella Phelps, que recomendou Clavel e me deixou MUITO feliz, cara. Saí até pulando aqui. E como agradecimento, escrevi a ceninha no final em que o Gaara apareceu, só porque você pediu! Essa cena não era para ser com o Gaara, e sim com uma outra pessoinha (não conto quem porque sou malvada), hehe. Maaas tá aí, espero que goste, querida.
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