Clavel
1 Memórias de Um Sonho
Notas iniciais
Clavel.
Capítulo 01 – Memórias de Um Sonho.
Sasori abria caminho por entre a folhagem densa da floresta, certamente procurando por aquele cheiro adocicado que tanto o intrigara minutos atrás. Provavelmente provinha de uma flor, que até aquele momento, o titereiro desconhecia.
Não pergunte o porquê o Akasuna estava perseguindo flores, os motivos do amor são sempre desconhecidos.
Ao adentrar em uma pequena clareira, parou. Embaixo de uma grande cerejeira, estava uma bela mulher de cabelos róseos, de costas para ele. Espalhadas por seus pés estavam as flores diferentes com pétalas vermelhas. Não sabia se o odor delicioso emanava da mulher, ou das flores.
Sinceramente, para ele não fazia diferença naquele momento.
A mulher virou-se e o fitou profundamente com um maravilhoso sorriso no rosto. Sorriso este que certamente o ruivo nunca esqueceria. Seus olhos verdes brilhavam intensamente, e ele se perdeu em tamanho esplendor.
- Conhece o significado dessas flores, Sasori senpai?
A linda expressão que a rosada mantinha compelia-o a continuar a conversa, e o mesmo assim o fez. Sem admitir, é claro, que tinha medo que ela sumisse se não a respondesse.
Sacudiu a cabeça, negando. Não conhecia as flores, muito menos seu significado.
- São cravos vermelhos. – O sorriso que delineava os lábios da mulher aumentou, Sasori lambeu os seus próprios, involuntariamente. – Mas vou deixar que descubra o significado por si mesmo.
E, rindo como somente um anjo seria capaz, sumiu em uma explosão de pétalas de cerejeira.
O Akasuna ergueu as mãos rapidamente, como se pudesse agarrar aquela figura e mantê-la para sempre ao seu lado, agraciando-o com a sua delicada presença. Mas ela já não estava mais lá.
O último vislumbre que teve da mulher foi a cabeleira rosa e seu enfeite: um hitaiate da Vila da Folha.
– Quem... Quem era ela? – Perguntou-se, ainda com sua imagem na cabeça.
“Aquela era a garota que, em um futuro bem próximo, irá lhe matar” Disse uma voz, parecia com a sua própria. “Sakura!”
Levantou-se ofegante, agora totalmente desperto. “Um sonho?” pensou.
Olhou a sua volta um pouco atordoado, estava sentado na macia grama em uma floresta do País do Fogo. Lembrava-se vagamente de ter ido para fora da caverna onde a Akatsuki se reunia para a extração dos bijuus. Devia ter pegado no sono enquanto recuperava seu chakra.
- Sasori no Danna? – Perguntou uma voz familiar, Deidara.
O loiro estava realmente surpreso em encontrar o Akasuna sentado na grama com o olhar perdido, mas mais que isso: estava surpreso por estar vendo a forma real do ruivo, que permanecia sem se esconder sob a face de sua mais famosa marionete, Hiruko.
“Tsk... Deidara viu minha verdadeira face... Ah, que se dane! Por que diabos eu sonhei com essa garota?” pensava Sasori, sem demonstrar reação alguma. Olhou para o loiro, sua expressão pedia explicações.
– Você saiu da caverna há algumas horas... Então eu vim te procurar. – Deidara sorriu sem graça.
O ruivo não deu muita atenção sobre o que o loiro tagarelava, estava mais concentrado no sonho que tivera e na garota. “Merda... A garota que vai me matar, é?” Coçou o queixo, ainda pensando. “Ela tinha o hitaiate de Konoha... Eu vou te achar, Sakura”
Pela primeira vez no dia, pode-se ver algum tipo de emoção naqueles olhos castanhos tão inexpressivos. Determinação. Ele, de fato, acharia sua suposta assassina e a mataria. Seria simples, e provavelmente divertido.
– Deidara. – Chamou, o outro respondeu com um simples “uhn?” então Sasori continuou – Esse lugar onde estamos... É perto de Konoha. Espere-me no esconderijo, voltarei ao anoitecer.
– Espera, Sasori no Danna! O que você vai fazer?
– É hora de sujar minhas mãos com vermelho. – Disse friamente.
E, sem mais, pegou a estreita estrada de terra que o conduziria diretamente para a entrada da Vila Oculta.
•••
A pequena garota suspirava pela milésima vez naquele dia. Sentia vontade de chorar, mas simplesmente as lágrimas a haviam abandonado. Ela não tinha mais forças para chorar.
Era começo de tarde, e Sakura estava sentada naquele banco de cimento perto da entrada da Vila, o mesmo banco em que fora deixada por Sasuke há apenas algumas horas.
Abraçou seu pequeno corpo, enfiando a cabeça apoiada em seus joelhos dobrados. “Por favor, Naruto, o traga de volta. De volta pra mim...”
Uma refrescante brisa a assolou, levantando e brincando com seus curtos cabelos róseos, seu olhar esmeralda perdeu-se no azulado do céu, onde nuvens preguiçosas podiam ser encontradas.
– Sakura! – A voz feminina chamou sua atenção. A menina loira prostrou-se de frente para a rosada, e esta por sua vez, apenas deu um sorriso triste. – O que está fazendo aqui?
– Oi, Ino. Estou apenas passando o tempo... – E novamente seu olhar perdeu-se na imensidão azul acima de suas cabeças.
“Mentirosa” pensou Ino. “Ela está sentada aqui desde que Naruto e os outros saíram atrás do Sasuke-kun...”
A Yamanaka arranjou espaço para sentar-se ao lado da amiga, passando a olhar para o céu também, como se a resolução para todo aquele sofrimento estivesse escondido entre as nuvens.
– Eu me pergunto o que o Sasuke-kun diria se te visse tão triste... – Havia um indiscutível sorriso em sua fala, e isso chamou a atenção da Haruno para a figura da loira. – Quando Naruto o trouxer de volta, você vai definitivamente sorrir para o Sasuke-kun, não acha? — Ino passou a sorrir diretamente para ela, dando uma piscadela.
– Ino... – Sakura estava mesmo tocada pelo gesto da amiga, mesmo porquê, Ino devia estar sofrendo tanto quanto ela, já que também sempre fora apaixonada pelo moreno.
– A menos, é claro, que você prefira que eu dê as devidas boas-vindas para ele. – Sorriu maliciosa.
– Pode esquecer, Ino! – Disse Sakura com fogo no olhar. A Yamanaka finalmente havia conseguido tirar a garota do estado zumbi no qual ela se encontrava.
Nesse mesmo instante, coberto por uma capa preta, Sasori atravessava disfarçadamente os portões da Vila, próximos àquele banco onde as garotas se encontravam.
O Akasuna pensava no que dera nele para ser tão ousado ao ponto de adentrar Konoha, sem Hiruko, sua marionete e arma mais confiável, à procura de uma garota que poderia muito bem não existir.
“Sou tão estúpido, achou que vou voltar...”
– Eu serei a escolhida do Sasuke-kun, Sakura-testuda! – Uma voz feminina afirmara em um tom muito alto, tanto que chamara a atenção do ruivo.
“S-Sakura?! Poderia ser...?!”
Virou-se abruptamente para o lado, encontrado duas garotas sentadas em um banco de cimento. Elas não estavam tão longe, podia ouvir tranquilamente a conversa, porém elas não pareciam ter notado sua presença.
“Ela disse Sakura? Não pode ser...”
– Cala a boca, Ino-porca!
Aquele cabelo rosado... Aquela menina parecia ser a moça do sonho... Mas algo o intrigava. A garota do sonho parecia ser mais velha, e a menina em seu campo de visão era uma criança, aparentava seus doze anos.
Escondeu sua presença e aproximou-se um pouco mais, refugiando-se atrás de uma árvore com um grosso tronco. Observou melhor a figura de olhos esverdeados e confirmou suas suspeitas, aquela era mesmo a moça do sonho. Quer dizer, o sonho dizia claramente sobre o futuro.
“Em um futuro próximo, essa criança patética vai me matar?” Perguntou mentalmente com descrença, lembrando-se da bela figura da garota crescida.
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