Clavel

2 Me Chame de Danna


Notas iniciais
Queria agradecer muito todos os reviews, fiquei muito feliz com eles.
Aqui vai a continuação, enjoy!

Capítulo 02 – Me Chame de Danna.

Assim que Ino saiu de lá dizendo que tinha que ir para a floricultura dos pais, a rosada retomou seu estado melancólico, meio pensativo. Ela já não chorava, mas isso não queria dizer muita coisa.

Sasori aproximou-se mais ainda, aproveitando o estado de estupor da menina. Parou a apenas poucos metros de distância, e mesmo assim ela não lhe notara. O nome dela escapou de seus lábios de maneira involuntária, em um sussurro.

Sakura assustou-se e encarou o homem. Seus olhos eram castanhos e inexpressivos, impossíveis de se ler, os fios ruivos rebeldes apareciam vez ou outra pela brecha no capuz. Ele vestia um manto negro, dando-lhe um ar misterioso.

Uma pergunta se formara nos lábios da Haruno, algo como “quem é você?”, mas ela não foi capaz de se pronunciar. Sua voz não saía. Ela podia sentir o ar sufocante a sua volta, provocando-lhe medo. Aquele ser misterioso estava com a pior das intenções, e ela sabia disso.

Ele deu um passo em sua direção e ela encheu o pulmão de ar, pronta para berrar por ajuda. Não deu tempo. Em questão de segundos ele estava pressionando um pano contra o rosto da rosada, dopando-a com um tipo de sonífero que o mesmo criara.

Sakura se debatia, tentando se livrar do pano e do agressor, em vão. Quando ela parou de resistir, Sasori soube que o sonífero enfim havia surtido efeito. Pegou uma kunai envenenada e posicionou-a na horizontal sobre o pescoço alvo da garota. Acabaria com aquilo naquele exato momento.

“A regra é: destrua tudo o que destrói você” pensou divertido. Se ela iria matá-lo, ele a mataria antes disso acontecer.

Sua diversão foi pouca, breve. Assim que movimentou a kunai para cortá-la, parou. Ele não conseguia terminar o trabalho, simplesmente não conseguia. Ele forçava a mão para baixo, mas algo o impedia de cortar aquele pescoço tão frágil e delicado.

“Mas que diabos?”

Sasori forçava a si mesmo a acreditar que não conseguia matá-la pelo simples fato de a mesma estar inconsciente. Ele não mataria uma criança inocente, até então, e desacordada.

Riu debochado. A quem ele queria enganar? Ele era Akasuna no Sasori, um ninja procurado, integrante da Akatsuki. Pouco se importava de matar crianças e velhos indefesos. Talvez até sentisse prazer em fazer isso. Mas então por quê? Por que ele não conseguia acabar com aquela menina?

No fundo, ele sabia a resposta. Na verdade, era muito óbvio e claro, ele só não queria admitir para si mesmo. Feria seu orgulho, feria seu ímpeto. Ele não conseguiria matá-la enquanto não visse aquele sorriso. Aquele do sonho. Aquele sorriso que somente um belo anjo poderia dar. Se a matasse agora, nunca mais teria a chance de vê-lo em seu total esplendor...

“Droga! Droga! Droga, droga, droga!” Praguejava mentalmente, fechando os olhos e comprimindo os lábios em uma linha reta, rija.

Deitou a garota no banco onde ela estava há minutos atrás, e assim, pela segunda vez naquele mesmo dia, ela seria deixada desacordada na mesma porcaria de banco desconfortável.

Sasori observou bem seu semblante calmo e tranquilo, surpreendendo-se ao se encontrar com o olhar mais terno que já dispersara. Doía fundo em seu peito a ideia de deixá-la. “Droga! Essa maldita garota vai me fazer surtar!

Suspirou profundamente e tomou sua decisão. Não precisava matá-la para impedir que seu sonho se tornasse real, bastava controlá-la. E oh! Akasuna no Sasori era excelente em controlar as pessoas.

•••

Deidara sentava-se na pequena varanda da frente da casinha de madeira. A Akatsuki possuía muitas propriedades espalhadas pelo País do Fogo. Era de noite. Ele estava sozinho.

Resmungou, aquele idiota do Danna estava demorando demais. Apoiou uma das mãos no chão de madeira e se levantou, pronto para entrar. Nesse momento, algo no meio da floresta prendeu sua atenção.

Era Sasori. Com uma garota no colo. O que?

O loiro correu em direção ao ruivo, questionando sobre a garota de cabelos róseos inconsciente em seus braços. Sasori deu de ombros.

- Vai fazê-la sua nova marionete? – Perguntou ao ver a bandana de Konoha nos cabelos dela. Ele confirmou.

Os dois entraram na casa e Sasori depositou Sakura em cima da mesa da simples cozinha. Foi até seu quarto e abriu o armário, procurando por um comprido em específico. Após encontrá-lo, voltou para a cozinha, onde Deidara observava cada traço da garota.

- Por que vai fazer isso na mesa da cozinha? – O loiro questionou, coçando o queixo. – Você sabe que vai fazer uma grande sujeira! – Ele se referia à habilidade de Sasori em transformar pessoas vivas em marionetes, e o primeiro passo para isso era remover todos os órgãos da vítima.

- Eu não vou fazer sujeira nenhuma, observe. – Sasori disse, colocando o comprimido na boca da garota, que engoliu com dificuldade por estar desacordada. Deidara perguntou do que se tratava aquilo. – É algo que eu criei, permite que eu controle o chakra da pessoa. Controlando seu chakra, eu a controlo.

Ele não podia transformá-la em uma marionete clássica, assim também não conseguiria ver o tal sorriso. Isso era extremamente irritante, mas pôde ver um lado positivo para ele: nunca antes houve uma marionete que pensasse, que sentisse. Ela seria única.

- Contemple minha obra-prima, a mais perfeita marionete já criada.

•••

Sakura abriu os olhos, meio grogue, não reconhecendo o lugar no qual se encontrava. Estava um escuro, a única iluminação vinha de duas pequenas lâmpadas na parede. Estava deitada em uma cama grande e espaçosa, concluiu que aquilo era um quarto.

Mas onde diabos era aquele quarto? Como havia parado ali? Em um momento estava sentada no banco, conversando com Ino, e em outro... Estava ali. Tentava se lembrar do ocorrido, mas sua cabeça doía.

Viu um vulto de uma pessoa se aproximar, sentiu o leve afundar do colchão, indicando que alguém havia subido no mesmo e, ao focar sua visão, percebeu ser um homem. Cabelos ruivos, olhos castanhos inexpressivos... Lembrou-se de tê-lo visto antes de... Antes de ele dopá-la.

Desesperou-se.

- Q-Quem... Quem é você?

Ele sorriu sádico.

- Me chame de Danna.

Notas finais
Reviews? A continuação não deve demorar muito para sair!