Clato - Quase vitoriosos
16 Capítulo 16 - "Boa noite, pequena"
Notas iniciais
"Plock"
Ouço o barulho de uma gota d'água atingindo o chão, eu ignoro e volto a dormir.
"Plock" "Plock" "Plock" "Plock" "Plock" "Plock" "Plock" "Plock" "Plock"
Logo várias outras gota se juntam àquela, formando um coro. Eu tento abrir meus olhos pra entender o que está acontecendo, mas a dor no meu corpo é tanta que eu os fecho imediatamente.
-Cato, acorda! Precisamos sair daqui! -Grita Clove. Eu sinto a pressão de suas mãos nos meus ombros. -Por favor, Cato, acorda! Nós precisamos sair daqui!
Eu abro os olhos. Tudo parece completamente normal, exceto por uma Clove sacodindo meus ombros e gritando comigo. O que há de errado? Por que precisamos sair daqui?
Então eu vejo. As malas com os nossos suprimentos estão furadas, como se tivesse caído gotas de ácido lá. É isso, ácido! A chuva é ácida! E por algum motivo ainda não nos atingiu. Por algum motivo não querem que a chuva nos atinja, ainda.
Eu me levanto e ajudo Clove a se levantar. Nesse momento eu nem ligo pra terrível dor que percorre o meu corpo, eu preciso sair agora desse lugar, nós precisamos sair desse lugar. Eu pego os suprimentos que a chuva ainda não atingiu e nós corremos.
-Em qual direção devemos seguir? — Prgunta Clove tentando conciliar a respiração e as palavras. Assim que ela me pergunta, aqueles versos vêm à minha cabeça:
"No extremo norte
Fica o lugar
Onde o que tanto procuras
Encontrará
Mas saiba que ao provar do seu maior medo
A flor funcionará
Mesmo que seja em segredo."
–Vamos para o norte. -Respondo.
–O que? Por que? — Questiona Clove.
–Porque.. -Eu hesito, não posso contar pra ela que ela vai morrer em breve e que no norte da arena está um flor que vai atrasar a sua morte. — Só me segue, ok?
Clove assente.
Nós continuamos correndo por aproximadamente meia hora. Quando nós finalmente paramos para recuperar o fôlego eu percebo que a nuvem de chuva acida ainda está bem próxima de nós.
–Ela.. Ela está nos seguindo! -Digo, sem fôlego, apontandopra nuvem.
–Claro que está! Por que eu não pensei nisso antes? Eles vão nos forçar a ir no banquete! -Diz Clove Clove batendo na própria testa.
–Espera, que banquete? — Pergunto.
–Enquanto você estava apagado Claudius Templesmith anúnciou que haveria um banquete na cornucópia hoje e lá estariam coisas das quais nós precisamos desesperadamente. Como nós já tinhamos tudo o que precisávamos não falei nada pra você, além disso não queria que você se arriscasse.
-E como nós somos os carreirista, eles nos querem lá. Eles querem um bom show, outro banho de sangue. Quando eles perceberam que nós não iríamos eles nos forçaram a ir, colocaram a nuvem para nos seguir, assim nós íriamos ao banquete atrás de algo pra nos proteger do ácido, e como bônus daríamos um belo e ensanguentado show. -Completo.
–Exatamente. -Diz Clove com um sorriso no rosto.
–E quando é esse banquete? -Pergunto.
–Pela posição do sol, em duas horas. -Responde Clove. -Mas eles controlam a altura do sol, então eu não faço a mínima ideia.
–Mas eles não mudariam a altura do sol, não hoje. Eles não querem que haja um desencontro dos tributos. -Digo.
–Então, qual é o plano, mestre? -Pergunta Clove sorrindo.Eu realmente acho que ela devia sorrir mais, combina perfeitamente com sua aparência frágil e delicada (apenas a aparência, porque por dentro ela é uma máquina de guerra).
–Éé.. -Eu hesito, outra vez, tenho que parar de fazer isso. Eu preciso ter tempo para achar a flor, mas não posso deixá-la correndo perigo. -Você vai se esconder e esperar por algum tolo que tente pegar o que precisa na cornucópia. Enquanto eu vou dar voltas na cornucópia para caçar os tributos escondidos. No final nós pegamos o que precisamos.
Era um bom plano. Clove venceria qualquer um numa boa, até mesmo Tresh, desde que estivesse com uma faca em mãos.
–Fechado! — Disse Clove, então ela subiu na ponta dos pés e me deu um beijo na bochecha, então ela recuou, com a expressão mais rígida do que nunca.
–O que houve, Clove? Por que está me olhando assim? -pergunto.
–Nada, só acho que você já está bem o suficiente pra se virar sozinho, bobo da corte -Diz Clove com o sorriso mais irônico da história dos sorrisos irônicos. Isso quer dizer que eu já estou bom o suficiente para Clove voltar a sua greve.
–Olha Clove, você não quis me ouvir antes, mas por favor, me ouça agora, só dessa vez! -Imploro.
–Você tem trinta segundos. -Diz Clove revirando os olhos.
–Quando explodiram nossos suprimentos — Começo, tentando falar o mais rápido possível. Eu sei que ela não está contando os segundos, mas mesmo assim prefiro falar rápido- Eu sem querer peguei a mochila do Marvel. Quando eu pedi pra você pegar as roupas eu não fazia ideia de que aquela era a mochila dele e que ele tinha escrito uma carta pra Glimmer, eu só li a carta depois que você fugiu. Mas jamais — Clove me para com um beijo, não um beijo delicado, mas um beijo firme.
–Isso quer dizer que você me perdoa? -Pergunto, sorrindo, minhas mãos nos seus ombros, suas mãos nos meus.
Ela ri.
–Acho que sou eu quem precisa de perdão. -Diz Clove subindo nas pontas dos pés enquanto eu me inclino para beijá-la.
–Acho que está na hora de ir, pequena! -Digo enquanto a puxo pra perto de mim, sua cabeça apoiada no meu peito, seus braços em volta da minha cintura. -Boa sorte pequena. -Dou um beijo em sua testa.
–Boa sorte, grandão! -Diz Clove ficando na ponta dos pés. Ela me dá um beijo de leve na ponta do meu nariz. Clove se afasta e abre uma malinha, nela está uma faca com o cabo todo trabalhado em madeira enrolada cuidadosamente em um pano vermelho. -Pra você, pra dar sorte. Acho que tudo isso acaba hoje.
Eu conheço essa faca, desde pequena Clove gurda essa faca com todo o carinho e só a usa em ocasiões especiais, eu fiz essa faca e a entreguei dizendo essas mesmas palavras.
-Eu.. eu não posso aceitar essa faca, Clove. E eu realmente espero que isso tudo acabe hoje, não posso esperar pra me livrar dessa capital maldita. -Sim, eu disse isso, mas eu realmente não tenho nada a perder, não depois de perder a minha humanidade quando matei pessoas inocentes.
-Por favor, só dessa vez.. -Diz Clove, fechando a minha mão ao redor do cabo da faca.
-Temos que ir, você vai porali e eu por aqui, boa sorte! Se precisar é só gritar! -Eu dou um beijo rápido nela e saio correndo em direção à cornucópia. Quando ela não está mais à vista eu corro em direção ao norte da arena. Eu preciso encontrar essa flor. Mas onde essa flor maldita está? Eu não faço muito esforço para lebrar os versos, eles implesmente vêm à minha mente:
"No extremo norte
Fica o lugar
Onde o que tanto procuras
Encontrará
Mas saiba que ao provar do seu maior medo
A flor funcionará
Mesmo que seja em segredo"
Então eu tenho que provar do meu maior medo.. Mas qual será o meu maior medo? Eu nem penso duas vezes, qual é o medo de todo filho de Atena? Aranhas, claro! E o maior medo é a maior das aranhas, é claro. Mas a Arachne só foi vencida duas vezes, uma pela própria Atena e outra por uma filha de Atena séculos atrás. Mas eu? Como eu poderia a Aracne? Mesmo sabendo que a vida da Clove dependeria disso eu não conmsegueria vencê-la! Mas eu tenho que fazer isso.
Eu continuo andando por alguns minutos até que eu encontro uma trilha de aranhas. Por mais que eu tenha medo delas, eu tenho que segui-las. E assim o fiz.
Após alguns minutos de caminhadas eu vejo um esquilo morto com olhos dourados na trilha das aranhas. Só de ver aqueles olhos dourados eu tenho arrepios, desde pequeno eu tenho pesadelos com esses olhos frios e dourados.
Então a trilha não é só de aranhas, mas sim dos meus medos! Todos os meus pequenos medos seguindona direção do maior de todos.
Depois de passar por vários medos que eu nem sabia que tinha eu vejo a flor, de longe, mas vejo. Eu corro em direção à flor, mas algo me para. Um grito.
-Catoooooooo! Catoooooo!
É a voz da Clove! Ela está em perigo! Preciso pegar a flor o mais rápido o possível. Eu sei que eu podia simples mente correr e salvar a Clove, mas eu sei que ela vai morrer! E o único jeito de salvá-la é pegando a flor. Eu corro o mais rápido que consigo, ignorando toda a a dor do meu corpo e todas as aranhas que cobrem o chão.
Eu finalmente alcanço a flor, e assim que o faço, arranco a flor com toda a minha força. Ok, talvez eu esteja exagerando um pouco, mas a flor pareceu extremamente presa à planta. Assim que eu pego e flor, eu corro o mais rápido que posso. Sei que mais cedo ou mais tarde eu vou ter que enfrentar meu medo, mas espero que seja depois de salvar a Clove.
-Cato! Cato!
Os gritos da Clove estão mais abafados,como se alguém estivesse tapando a sua respiração.
-Clove! Já estou indo Clove! guenta firme, pequena! -Grito em resposta. Sei que isso é como colocar uma placa lumionosa gigante dizendo "Olha tributos, eu estou aqui, venham me matar" mas eu não ligo, nada vai me impedir de salvar a Clove!
Mas diferente das outras vezes, não houve resposta nenhuma agora, apenas.. Silêncio! Eu corro mais rápido, ignorando as lágrimas que se acumulam nos meus olhos e a dor aguda que percorre meu corpo toda vez que eu piso com o pé squerdo. Eu preciso chegar lá, eu tenho que salvar a Clove, eu vou chegar lá!
E eu cheguei, mas não a tempo.Tudo o que vi foi o corpo da Clove jogado de um jeito estranho no chão, a cabeça achatada e um lado e sangue escorrendo da parte de trás, sua faca a metros de distâcia do corpo e Tresh correndo.
NÃO, AQUILO NÃO PODIA SER VERDADE, NÃO A MINHA PEQUENA, NÃO A MINHA CLOVE! Por que eu sismei em pegar aquela flor maldita? Por que eu mandei a Clove vir pra cá? Por que eu aceitei a faca? Se eu não tivesse aceito a faca, se eu não tivesse ido atrás da flor, se eu não tivesse mandado a Clove vir pra cornucópia, ela estria via! Eu sou um idiota!
Mas a flor pode ter funcionado, não pode? Não, claro que não, pra flor funciomar eu tinha que enfrentar o meu maior medo, mas eu demorei muito, quando eu cheguei já era tarde demais.
Eu caio de joelhos ao lado do corpo de Clove. Ela ainda estárespirando, mas sei que logo ela vai parar e não tem como eu consertar isso,não tem como eu abrir a sua cabeça e concertar tudo o que foi danificado.
Então eu me esforço pra parar de soluçar, esses são os últimos minutos dela viva, e eu tenho que fazer valer a pena, falar o quanto ela é importante pra mim. Mas eu não consigo, toda vez que eu abro a boca tudo o que sai são soluços. Então eu sinto algo no meu bolso e vejo a conta do acampamento. Eu abro o colar do acampamento de Clove e coloco a conta.
"Acho que isso tudo acaba hoje", Clove dissera. Ela estava errada em relação aos jogos, mas ironicamente a frase se aplicou perfeitamente a ela.
Sua respiração está cada vez menos constante, eu tento falar algo bonito e memorável, algo que a imortalize, mas tudo que sai da minha boca é um sussurro.
–Boa noite, pequena.
Notas finais
Muahahahahahahahahahah eu me senti muito malvada escrevendo esse capitulo kkk
Tem muuuuuitos erros de digitação porque eu escrevi esse capitulo as duas horas da manhã, mas depois eu reviso ;)
Por favor, deixem um review! Qualquer comentario/critica/sugestão é bem-vindo ^^
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