Classic Is Outdated
5 New Neighbors
Notas iniciais
Quando o ensaio estava chegando ao fim, recebi uma mensagem de minha mãe mandando-me voltar para casa, pois iríamos sair para comermos juntos. Sendo assim, despedi-me de Josh e do resto da banda e segui meu caminho de volta para casa.
Assim que vou me aproximando, avisto um caminhão de mudanças parado em frente à casa ao lado da minha. Vamos ter novos vizinhos, pensei. A ideia de termos vizinhos novos é muito boa, já que faz tempos desde que nossos últimos se mudaram.
Enquanto os móveis são retirados do caminhão, sigo em direção à minha casa, toco a campainha e a porta é rapidamente aberta por meu pai, que estava com uma expressão preocupada.
– Onde você estava todo esse tempo? – perguntou com um tom autoritário.
– Eu estava na casa de um amigo da minha aula de música, sabe aquela que eu me matriculei no começo da semana. Ele tem uma banda e me convidou para vê-los ensaiar – respondi
– Que amigo é esse que você nunca comentou e já está indo na casa dele? – continuou o questionamento, ainda mais desconfiado.
– O nome dele é Josh. O professor de música sugeriu que ele me ensinasse algumas técnicas de violão nos nossos tempos vagos, já que eu não tenho tanta prática assim — Eu simplesmente odiava falar sobre meus amigos com meus pais, principalmente meu pai.
Nesse momento, minha mãe desce a escada e diz que meu pai deveria parar de questionar, que esse seria um momento feliz em família.
– Mãe, você viu que há mudança para a casa daqui ao lado? – perguntei.
– Sim, eu vi. Talvez quando ela terminar, poderíamos dar boas vindas aos nossos novos vizinhos – sugeriu.
Fomos a um restaurante no centro e passei um tempo divertido com meus pais. Eles são pessoas realmente maravilhosas e inteligentes, que sabem como manter uma conversa agradável.
Ao chegarmos, fui para o meu quatro e percebi que as luzes da casa vizinha estavam acesas, incluindo o quarto que era de frente para o meu. Pude ver que havia apenas uma cama e uma tv, que estava ligada. Não consegui enxergar ninguém lá dentro, mas provavelmente era uma criança que essa família possuía.
Logo de manhã, minha mãe me acordou e disse para me arrumar e tomar o café rápido porque iríamos visitar nossos novos vizinhos. Rapidamente levantei-me da cama e vesti um vestido florido e desci as escadas, fui para cozinha e tomei apenas metade do meu leite para dar tempo de acompanhar meus pais.
Tocamos a campanhia e depois de alguns minutos uma mulher baixa, de feições cansadas, cabelos morenos levemente grisalhos e que usava um avental, abriu a porta com um pequeno sorriso no rosto e nos deu bom dia. Minha mãe, demonstrando educação, retribuiu o sorriso e disse que viemos para darmos boas vindas. O sorriso na mulher se abre, quase que automático e comenta que é muita gentileza nossa, já que de onde vinham, ninguém os cumprimentava.
Chamou o marido, que era tão simpático quanto a esposa e logo arranjou assunto para conversar com o meu pai.
– Vejo que tem uma filha! Talvez possa fazer amizade com o Erick, mas ele vive trancado no quarto jogando videogame. Espero que consiga convencê-lo a sair de lá. Pode subir as escadas, é na primeira porta assim que chegar lá em cima – diz a mulher, que descobri que se chama Susan.
Fiquei um pouco assustada porém, achei que seria legal fazer mais uma amizade e alguém que pudesse me divertir de vez em quando.
Subo as escadas e bato na porta. Não escuto nenhum som, mas resolvo entrar assim mesmo, apenas por curiosidade, pois não quero atrapalhar o descanso de ninguém.
Aparentemente, vejo um rapaz, provavelmente da minha idade, que vestia uma blusa branca e jeans, possuía cabelos cheios e negros e olhos verdes, sentado ao chão e encostado no pé de sua cama, com fones em seus ouvidos e olhando para um ponto fixo na parede. Fico encarando-o por alguns momentos até que digo:
– Olá.
Ele apenas me encara com seus olhos penetrantes, porém sem emoção alguma.
– Oi – responde com a voz tão baixa, que quase não pude ouvir.
– Meu nome é Nina e moro na casa ao lado. É legal conhecer um vizinho da minha idade, depois de tanto tempo – noto que em cima da cabeceira de sua cama contém vários jogos para videogame.
Ele faz um movimento mínimo com a boca, mas não diz nada.
– Então... você tem cara de que gosta de videogames – digo com um sorriso desconfortável no rosto — Quem sabe um dia joguemos juntos.
– Como assim tenho cara? – perguntou, com uma expressão curiosa.
Fiquei confusa com sua pergunta, mas respondi:
– Não sei, você me parece gostar. Não gosta?
– Gosto, mas... – interrompe o que ia dizer e fecha os lábios como se nada tivesse acontecido.
– É melhor eu ir. Quem sabe a gente se vê por ai – dou um sorriso.
Desço as escadas e sigo em direção à sala, onde meus pais e os pais de Erick estão conversando.
– Pensei que você fosse ficar lá em cima com o Erick até o final da visita! O que aconteceu? – pergunta Susan, com seu jeito simpático.
– Bom, receio que ele não está afim de receber visitas hoje – respondo
– Ele nunca está! Sabe, você podia levá-lo para sair de vez em quando. Esse menino precisa pegar uma cor, ver outras pessoas e fazer amigos.
Fazer amigos. Aquilo ficou ecoando em minha mente repetidas vezes. Será que Erick não possui nenhum amigo a ponto de sua mãe tentar fazer as pessoas saírem com ele?
– Quem sabe... – digo na forma mais sincera possível
– É melhor irmos, não acha Nina? – pergunta minha mãe, finalmente
– Por que vocês não almoçam aqui conosco? – convida Susan
Eu realmente não queria que isso acontecesse, mas pela expressão da minha mãe, já tinha concordado.
Eu e minha mãe ajudamos Susan na preparação da macarronada, enquanto meu pai e seu marido ficaram conversando na sala sobre futebol e perceberam que torcem para o mesmo time. Prevejo que eles estarão juntos todos os domingos a partir de agora para assistirem aos jogos.
A macarronada finalmente ficou pronta, arrumamos a mesa e chamamos todos para comer. A comida estava realmente muito boa, quase não acreditava que eu ajudei a preparar.
A todo momento olhava de soslaio para Erick, que ficava enrolando o garfo em seu macarrão, olhando para baixo e nunca o comia. Talvez ele não se sinta confortável comendo com outras pessoas a seu redor, principalmente pessoas que acabara de conhecer.
Assim que terminei, olhei novamente para seu prato e fiquei aliviada, pois estava quase vazio, não porque eu ajudei a cozinhar, mas era um sinal de que Erick comeu pelo menos alguma coisa.
Ajudei Susan a lavar os pratos enquanto minha mãe os recolhia e arrumava a mesa no centro da sala da jantar.
– Você poderia vir mais vezes aqui em casa, talvez quando seu pai vier para assistir aos jogos com o meu marido – começa Susan
– Claro! Eu gostei muito de conhecê-la e de cozinhar com a senhora – dou um sorriso tímido
– Talvez você já tenha percebido, o Erick é bastante tímido e essa timidez está o afetando muito em seu comportamento e relacionamento com as outras pessoas – diz num tom de alívio
– Sim, ele me parece não gostar de ficar em um ambiente com muitas pessoas e prefere ficar mais em seu canto, sabe.
– O problema é que eu temo que isso possa prejudicá-lo de alguma forma, entende?
– Entendo... talvez eu o chame quando for sair com os meus amigos para dar um empurrãozinho. Quem sabe ele não faça amigos, com uma ajudinha – dou um sorriso descontraído
– Muito obrigada, Nina. Você é uma menina tão gentil – Susan me abraça
Estava muito feliz em ajudar Susan, fazendo Erick ter amigos, mas não havia pensado que eu também não tenho amigos além de Emma, Rachel e Josh, que na verdade era apenas as meninas, já que mal conheço Josh e ele já tem seus amigos. Provavelmente Erick não gostaria de conhecer minhas amigas porque elas não são o tipo de pessoas que os outros gostariam de fazer amizade.
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