Notas iniciais
Está aí mais um capítulo, onde mais personagens serão apresentados (incluindo um que eu adorei escrever sobre e fiquei muito feliz de encaixá-lo na história). Boa leitura!

Acordei de manhã com uma mensagem de Josh, convidando-me para almoçar com ele e a banda na lanchonete do bairro, onde todos se reunem para discutir assuntos pendentes sobre shows, setlist e outras coisas.

Não imaginava que Josh me convidaria para algo tão particular com a banda. Talvez ele precise da minha ajuda ou só queira que eu faça parte do seu grupo de amigos, que eu considero muito generoso da parte dele.

Passei todo o resto da manhã no meu quarto conversando com Rachel sobre como ela está gostando das aulas de artes marciais e o quão preocupada está com o nosso ano letivo. Confesso que também estou bastante cautelosa sobre o Ensino Médio e como pode ser difícil daqui para frente com tantos conteúdos complexos e variados para aprender.

A hora do almoço chegou e caminhei para a lanchonete. Todos da banda já estavam lá, com suas roupas pretas características. Havia uma menina de cabelos loiros e longos ao lado de um dos meninos da banda, e um garoto de cabelos médios e pretos com olhos bem escuros. Não conhecia ambos. Talvez estivessem lá pela mesma razão que eu fui convidada.

Aproximei-me da mesa e cumprimentei Josh, que já começou com as apresentações:

– Oi Nina! Essa é a Nat, namorada do Zack e o meu irmão, Donnie.

– Olá. Prazer em conhecê-los – disse timidamente.

– Por que não se senta ao meu lado? – Nat convidou.

– Ok, obrigada – agradeci e sentei-me ao seu lado, de frente para Donnie, que sentava ao lado do irmão.

– Agora que estão todos aqui, gostaria de anunciar que a nossa banda terá o primeiro show no mês que vem e todos estão convidados a ir! – Josh começou.

Todos ficaram super animados e com certeza eu não poderia perder este show.

– Será um festival, então várias outras bandas irão participar da competição e contamos com o voto de vocês – continuou.

Donnie tinha um sorriso no rosto, porém seus olhos estavam vazios e sem expressão, que não deixavam de ser adoráveis e penetrantes. Poderia ficar horas apenas encarando o seu olhar, sem piscar.

Todo o resto do tempo que passamos lá foram de comemorações, com muitas risadas, brincadeiras, pizza e bebidas. Foi bem divertido passar o tempo com eles. Estava me sentindo importante, como se fizesse parte de alguma coisa.

Quando todos já estavam se despedindo, Josh me chamou e disse que poderia acompanhá-lo até sua casa para termos nossa aula. Concordei sem hesitar.

A garagem de Josh era realmente incrível, com todos aqueles pôsters de bandas de rock lendárias, vários instrumentos e algumas coisas antigas como bicicletas, ferramentas e decorações festivas. Diferente da minha, que apenas guardava o carro dos meus pais e tinha algumas coisas velhas da minha infância que já deveria ter me livrado há muito tempo.

Josh pega seu violão, o mesmo que o vi tocando quando estava indo para a casa de meu avô, e pega outro e me entrega. Sentamo-nos no chão mesmo e ele começa:

– Vou te ensinar os quatro acordes básicos, que talvez você já saiba, mas é bom para o aperfeiçoamento e eles compõe a maioria das canções atualmente.

Enquanto eu tentava fazer tudo que ele me explicava, meus pensamentos eram “Como isso tudo aconteceu?” “Como eu fui fazer parte de um grupo de amigos de uma banda?” era tudo tão incrível que não acreditava que era verdade.

Quando terminamos, ficamos ali parados, nos olhando e rindo. Até resolvi fazer uma pergunta meio indiscreta:

– Aquela música... que eu li no outro dia... o que aconteceu?

Josh, meio sem graça e não me olhando nos olhos, respondeu:

– É sobre uma menina que me magoou muito, mas que eu ainda amo as lembranças que tivemos juntos e eu meio que gosto de manter isso vivo, sabe. Mas ela já tem um outro namorado e está feliz, é isso que importa.

– E você ainda gosta dela? – perguntei cautelosamente.

– Para ser sincero, não sei. Talvez...

Eu realmente não sabia o que dizer, já que nunca havia passado por isso, não sabia o que estava sentindo e de repente, me senti uma pessoa inútil por não saber como ajudar.

Ficamos em silêncio por um tempo e, para quebrar o gelo, Josh comentou:

– Se você treinar tudo que aprendemos hoje, e ler as partituras, logo você já terá uma boa base e já podemos partir para as outras notas, incluindo as de sétima.

Dei um sorriso um tanto automático, agradeci por sua gentileza e sai da garagem, que já que estava no fim da tarde e meus pais não iriam gostar que eu ficasse por mais tempo fora de casa.

Do lado de fora da casa, na calçada, Donnie estava sentado no chão, fumando o que parecia ser apenas cigarro. Estava com a mesma expressão vazia, com os olhos fundos e olhava sério para um ponto fixo do outro lado da rua.

– Os seus pais te deixam fumar? – perguntei, séria, tentado imitar o mesmo vazio no olhar.

– O que isso interessa a você? – disse friamente, sem olhar para mim.

– Acho que nada – respondi

– Você não tem certeza das coisas sobre você e está esperando uma aprovação, e assim sempre coloca um “acho”.

– Por que pensa isso?

Ele dá de ombros e resolvo não ficar mais parada ali, “conversando” com Donnie. Ele passava um ar de alguém deprimido, que precisava de alguém para conversar, que se importe, mas ele mesmo não se permitia tal ajuda. Sou uma boa observadora, e esse “dom” me permite ver as pessoas de um jeito diferente, mas que não me ajuda em nada na hora de fazer amigos, então é uma coisa um tanto inútil.

Notas finais
Espero que tenham gostado e agora, eu pretendo postar um capítulo por mês, para agradar a todos que leem e não aguentam mais esperar aonde tudo isso vai dar. Obrigada a todos os leitores.