Classic Is Outdated

2 Everything Can Happen


Notas iniciais
Este é o segundo capítulo, dessa vez mais longo, como me pediram. Espero que gostem.

Sentei-me num banco e comi um sanduíche natural que minha mãe havia posto em minha mochila e fiquei esperando o tempo passar. Observava as pessoas ao meu redor, rindo, usando o celular, tirando fotos ou simplesmente comendo, como eu.

O intervalo acabou e a próxima aula era de Química, que seria no laboratório, onde a professora Lisa já estava nos esperando. Ela nos pediu para sentarmos em grupos de seis ao redor de cada mesa com uma proveta, meio copo de vinagre, palha de aço e um frasco de vidro cada uma.

Todos os alunos foram procurar um lugar para se sentarem e o único que sobrou era no final da sala, junto com o grupo que havia debochado do professor Robert. Eles me encararam, mas eu apenas os ignorei e direcionei minha atenção à professora, que estava nos instruindo sobre fazermos uma reação química com o vinagre e a água.

Como já era esperado, ninguém me deixou fazer nada e fiquei apenas os observando, esperando a minha oportunidade de participar. Infelizmente, não aconteceu, mas a minha sorte foi que a professora Lisa nos deu a chance de falarmos o que havia acontecido naquela reação e ninguém respondeu. Desapontada, ela nos explicou:

– A palha de aço é composta por ferro e carbono, sendo que o ferro apresenta-se em maior quantidade. O ferro quando entra em contato com o ar e com a água, sofre oxidação, enquanto o oxigênio se reduz.Com isso, constatamos o consumo de oxigênio presente no tubo, por meio de reações de óxido-redução.

A aula terminou e foi seguida por Matemática e Literatura que eu apenas fiz meus exercícios e estava torcendo para que este dia escolar chegasse ao fim para que eu pudesse visitar meu avô e contar sobre a aula de música.

O sinal tocou. Boa parte do meu primeiro dia foi legal, se não fosse pelo “grupo do fundo” e a ausência de minhas amigas, mas nada que uma boa tarde de conversa com o meu avô para alegrar o resto do meu dia.

A casa dele não era tão longe da minha escola, segui meu caminho e quando cheguei, fui recebida com um abraço forte e aconchegante que me fazia me sentir tão amada.

– Que saudades, Nina! Estava contando as horas para você chegar. – disse meu avô com a voz rouca.

– Eu também, vovô. O senhor sabe que eu sempre ficarei ansiosa em te ver, não importa o dia. – falei alegre.

Entramos pela porta da frente e a sala de estar continuava a mesma: com várias estantes cheias de livros, um piano enorme no meio e uma mesa de jantar para seis pessoas. Tudo era exatamente como sempre foi e todos esses detalhes me dão uma paz interior que só a casa do vovô para me proporcionar esse sentimento tão bom.

Ele chegou com uma bandeja contendo duas xícaras e um bule antigo que era da vovó. Serviu-me seu delicioso chá e me perguntou:

– Como foi o seu primeiro dia?

– Normal, como outro qualquer, se não fosse pela inscrição na aula extracurricular de música! – respondi, tomando um gole.

– Minha nossa! Que bacana você fazer isso. Sem dúvidas, você é realmente minha neta.

– A música é algo que temos em comum e admito que o senhor é uma das minhas fontes de inspiração em tudo que faço e, principalmente, na música. – confessei.

– Fico muito feliz em saber disso e tenho certeza que sua avó ficaria também. Ela tinha uma voz tão doce e meiga, que foi um dos motivos para eu me apaixonar por ela. – comentou. – O que você acha que fazermos um dueto no piano tocando Tchaikovsky? – vovô perguntou esperançoso.

– Claro! – respondi, pondo minha xícara de volta na mesa.

Aproximamo-nos do piano e nossas mãos agiam em harmonia, nossos dedos passavam pelas teclas suavemente formando a canção O Lago Dos Cisnes, que um dia fora uma peça de teatro esplêndida onde o vovô levara a vovó em seu primeiro encontro.

O tempo passou tão rápido que quando vi, já estava anoitecendo e eu tinha que estar em casa senão meus pais ficariam preocupados e o que eu menos queria era que isso não acontecesse.

Despedi-me de meu avô e segui meu caminho num passo acelerado, pois estava faminta e não queria estar na rua a noite onde não estivesse ninguém.

Quando cheguei em casa, meus pais já haviam jantado e estavam no quarto, mas minha mãe deixou o meu prato pronto e eu apenas esquentei e comi, já que meu almoço foi um simples sanduíche. Subi as escadas para o banheiro onde escovei meus dentes, vesti meu pijama e segui para o quarto dos meus pais, desejando uma boa noite para ambos. Fui para meu quarto, fiz meus deveres e dormi.

***

Mais um dia começou e confesso que nem consegui dormir direito, estava ansiosa demais pelo dia de hoje, pois começaria a minha aula de música e mal podia esperar para conhecer pessoas com a mesma paixão que eu e quem sabe fazer novos amigos já que minhas duas melhores amigas, por mais que eu as ame muito e que elas estejam sempre comigo, preciso de mais amigos só meus e com mais interesses em comum comigo. Talvez soe meio egoísta da minha parte, mas me sinto assim.

Levantei-me rapidamente, vesti meu uniforme e desci as escadas em direção à cozinha e tomei meu café da manhã ligeiramente e segui, animada, meu caminho para a escola.

Logo na entrada, Rachel e Emma já estavam me esperando e aguardando as minhas novidades sobre o primeiro dia de aula que, infelizmente, não puderam vir. Aproximei-me delas e as abracei tão forte, que podia sentir seus batimentos cardíacos. Não havia nada melhor que revê-las depois de tanto tempo que ficamos separadas, era realmente um alívio.

Fomos nos sentar e eu contei a elas sobre as aulas extracurriculares e Rachel parecia bem animada com as aulas de artes maciais e Emma com as de artes, parecia que foram criadas especialmente para nós. Por mais que elas sejam irmãs, ambas eram muito diferentes uma da outra e ao mesmo tempo tão parecidas e eu as amava exatamente do jeito que elas eram mesmo que, na maioria das vezes não concordasse com certas atitudes que cada uma apresentava.

Continuamos a conversar e, sem querer, acabei citando o clima tenso que ficou entre mim e o grupo do fundo depois da aula de Sociologia e Rachel me aconselhou a não ligar, que não era nada além da surpresa de perceberem que eu reparei no que eles estavam fazendo. Não acreditei muito no que ela me disse, mas resolvi ignorar do mesmo jeito.

O fim da aula chegou, Rachel e Emma foram para casa, e eu direto para a sala de música onde havia inúmeros instrumentos, de todos os tipos, inclusive um piano belíssimo e bem parecido com o que meu avô tem.

O professor estava sentando no chão, aguardando todos os alunos chegarem para dar início a sua aula. Sentei-me no chão também e pude observá-lo com mais calma: tinha os cabelos grisalhos, olhos escuros e usava uma roupa simples e larga.

Quando todos chegaram, consegui reparar que alguns alunos tinham estilos bem definidos e achei fascinante, várias pessoas com estilos distintos tendo a paixão por música em comum.

– Sejam todos bem vindos à aula de música. Eu sou o professor John, não o Lennon, — deu uma risada simpática — e estou aqui para ensiná-los a teoria musical e auxiliar vocês no aprendizado de algum instrumento que vocês queiram aprender. Caso alguém já saiba tocar, estarei a seu dispor para tirar qualquer dúvida e gostaria que me ajudassem com os demais alunos, como o Josh, que já está me ajudando há dois anos. Pois bem, escolham um instrumento e vamos começar as aulas! – disse o professor.

Peguei uma guitarra, pois sabia o básico e estava disposta a explorar novos instrumentos além do piano. Comecei a praticar tocando umas simples canção de três acordes, alternando-os. Josh aproximou-se da bateria, que estava do meu lado, e começou a tocar a mesma música que eu estava tocando. O professor parou para nos ouvir e quando a aula acabou, ele nos reuniu e disse para Josh praticar guitarra comigo nos tempos vagos, pois eu tinha uma boa base mas não tinha toda a coordenação necessária e ambos concordaram.

Fomos caminhando juntos e ele começou:

– Você até que toca guitarra bem.

– Obrigada. Eu não pratico muito guitarra porque eu foco mais na música clássica então o piano é o instrumento principal, que eu toco melhor. – disse meio sem graça.

– Clássica? — deu uma gargalhada. — Clássica está antiquada, ainda mais para você. E, sobre as nossas aulas “particulares”, na minha casa tem uma garagem onde eu ensaio. A gente pode praticar lá e aproveito e te apresento para minha banda, se você quiser, claro. – convidou-me.

– Eu adoraria. – aceitei, com entusiasmo.

Chegamos ao portão principal da escola, nos despedimos com um aceno e seguimos nossos caminhos.

Notas finais
Obrigada por terem lido! Deixem review e indiquem para seus amigos :)